sábado, 26 de setembro de 2026

Casa da Cultura e Museu do Trem são tombados como patrimônios do Brasil pelo Iphan

Dois espaços importantes para os pernambucanos agora são patrimônios de todos os brasileiros. A Casa da Cultura e o Museu do Trem, localizados no bairro de São José, no Centro do Recife, foram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na quarta-feira (23). Com isso, eles ganham proteção oficial do governo federal para sua preservação (veja vídeo acima).

Ambos já são tombados pela cidade do Recife e pelo estado de Pernambuco. Com o anúncio do Iphan, a Casa da Cultura e o Museu do Trem serão inscritos no Livro do Tombo Histórico e no Livro de Belas Artes. Segundo o Ministério da Cultura, ao qual o Iphan é vinculado, a palavra "tombo" significa registro e passou a ser usada nos livros de tombo, que catalogam os patrimônios históricos.

Inaugurada em 1855 como Casa de Detenção, a Casa da Cultura funcionou como uma prisão por 118 anos, quando foi desativada em 1973. No ano de 1976, ela se tornou um espaço para reunir artesanato e expressões culturais do estado. O prédio representa a arquitetura do século XIX.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), a Casa da Cultura foi idealizada pelo artista plástico pernambucano Francisco Brennand, que convidou os arquitetos Jorge Martins Júnior e Lina Bo Bardi para a elaboração do projeto de adequação do edifício.

O espaço comemorou 50 anos de história em julho deste ano com exposições especiais. A Casa da Cultura tem entrada gratuita e fica aberta de segunda a sábado, das 9h às 17h, e nos domingos, das 9h às 14h.

Já o Museu do Trem foi criado em 1972 e é o primeiro museu ferroviário da história do país. Ele faz parte do Conjunto Histórico e Arquitetônico da Estação Central do Recife, localizada no Centro da cidade. A estação foi inaugurada no ano de 1888.

Ele chegou a ser desativado em 1983. De acordo com o Ibram, o espaço foi reinaugurado em 2014 como Estação Central Capiba e tem como patrono o sociólogo pernambucano Gilberto Freyre.

Após três anos fechado para reforma, o Museu do Trem foi reaberto com novo acervo em julho deste ano. O espaço fica aberto de terça a sexta, das 9h às 17h, e aos sábados e domingos, das 10h às 14h, com entrada gratuita.

Entenda o que é tombamento

Em seu site, o Ministério da Cultura informa que:

"o tombamento é o instrumento de reconhecimento e proteção do patrimônio cultural mais conhecido, e pode ser feito pela administração federal, estadual e municipal";
o objetivo é amparar "bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação é de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico";
o bem tombado não pode ser destruído, demolido ou alterado sem autorização;
o Iphan acompanha o estado de conservação do estabelecimento e avalia qualquer pedido de reforma ou intervenção no local;
qualquer pessoa pode solicitar o tombamento de um local, bastando entrar com um pedido na superintendência local do Iphan;
"para ser tombado, o bem passa por um processo administrativo que analisa sua importância em âmbito nacional e, posteriormente, o bem é inscrito em um ou mais Livros do Tombo".



Casa da Cultura e Museu do Trem estão localizados na área central do Recife — Foto: Arte / g1

Iphan reconhece novos bens como Patrimônio Cultural do Brasil

Importantes patrimônios culturais brasileiros foram apreciados na última terça-feira (22) durante a 114ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, de Guaratinguetá (SP), e a Capela do Cristo Operário tiveram seu registro e tombamento aprovados pelo Instituto. Além disso, o Conselho declarou o tombamento do Quilombo Ferreira Diniz (no Rio de Janeiro - RJ) e revalidou os registros do Fandango Caiçara e da Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, em Barbalha (CE).

O Quilombo Ferreira Diniz está localizado no bairro da Glória, na capital fluminense, e é o primeiro quilombo do estado tombado pelo Instituto, conforme a Portaria nº 135/2023. O reconhecimento formaliza a inscrição do local no Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos, que reúne bens relacionados à presença e à trajetória das comunidades quilombolas. Mais do que um espaço de moradia, o quilombo é lugar de memória, convivência e transmissão de saberes, marcado pela resistência e pela afirmação da identidade afro-brasileira.

O registro do Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, de Guaratinguetá (SP), tradição que leva, anualmente, a cada Domingo de Páscoa, cerca de dois mil cavaleiros às ruas da cidade, será inscrito no Livro de Registro das Celebrações. O cortejo reúne duas tradições: o tropeirismo, atividade de transporte de mercadorias em tropas que marcou a vida rural do Vale do Paraíba; e a devoção afro-católica.

Também foi aprovado o tombamento da Capela do Cristo Operário, localizada em São Paulo (SP). Remanescente da antiga Fábrica Unilabor, a edificação é reconhecida como importante lugar de memória da história social, industrial e do movimento operário paulistano entre as décadas de 1930 e 1950. O bem será inscrito no Livro do Tombo Histórico e no Livro do Tombo das Belas Artes.


























Casarão em estilo neoclássico compõe o território quilombola. (Foto: Oscar Liberal/Iphan)













Foto: Fábio Bueno













Capela do Cristo Operário (São Paulo)













Murais de Alfredo Volpi na Capela do Cristo Operário

terça-feira, 12 de maio de 2026

Tombamento do Cerro de Porongos, em Pinheiro Machado (RS), avança no Iphan

No mês de abril, equipe do Instituto visitou o município gaúcho para finalizar o parecer técnico do processo de reconhecimento do local como Patrimônio Cultural do Brasil.

No dia 23 de abril, uma equipe do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) esteve no município gaúcho de Pinheiro Machado para visitar o Cerro de Porongos. A atividade teve como objetivo buscar subsídios para finalização do parecer técnico do processo de tombamento da região.

O Cerro de Porongos teve seu tombamento solicitado em 2006 pelo ministro da Cultura à época, Gilberto Gil. O local foi palco de um episódio marcante e sensível para a história gaúcha e nacional: o massacre dos Lanceiros Negros em 1844, na fase final da Guerra dos Farrapos.

A equipe que visitou o local foi composta pelo superintendente do Iphan no Rio Grande do Sul, Rafael Passos, e pelos servidores Rafael Klein e Sara Munaretto. O objetivo da missão foi coletar informações para a definição precisa da área de tombamento e seu entorno e para a elaboração de diretrizes de gestão. Esses dados são essenciais para a finalização da etapa de instrução técnica do processo de reconhecimento do bem cultural.

Encerrada a etapa de instrução técnica, o processo passará por uma série de análises dentro do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização (Depam), para, então ser apreciado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, instância máxima decisória do Iphan. O Conselho aprova o tombamento dos bens, que passam assim a compor um dos Livros do Tombo: Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico; Livro do Tombo Histórico; Livro do Tombo das Belas Artes; e Livro do Tombo das Artes Aplicadas.

A presença negra no Rio Grande do Sul

Embora já existam, no estado, bens tombados relacionados à escravidão, ainda não há patrimônio reconhecido pelo Iphan que coloque a história do povo negro e da população escravizada no centro da narrativa, ressaltando a sua luta pela liberdade. Para Rafael Klein, historiador do Instituto, o reconhecimento se torna ainda mais relevante por representar uma recuperação e valorização da história e da presença negra no estado.

“A gente tem trabalhado nessa ótica da importância de Porongos para a identidade negra do Rio Grande do Sul, inclusive por se relacionar a um episódio marcante no conflito da Revolução Farroupilha, que é uma das principais fontes do reconhecimento identitário da população gaúcha”, explica.

Porongos: paisagem de memórias

A área, localizada na zona rural do município de Pinheiro Machado, foi palco de um episódio da Guerra dos Farrapos (1835-1845), em que cerca de 100 soldados negros foram mortos numa emboscada pelas tropas imperiais. O ataque resultou na quase dizimação do chamado Pelotão dos Lanceiros Negros, formado em sua maioria por escravizados que lutavam pela prometida liberdade, “prêmio” que ganhariam por combaterem pelos Farrapos.

Posteriormente, o episódio foi atribuído a um acordo entre Davi Canabarro (Farrapo) e o Conde de Caxias (Império), com o objetivo de dar um fim conciliatório ao conflito, sem, contudo, cumprir a promessa de liberdade aos escravizados.

No pedido de tombamento do bem, solicitado em 2006 pelo então ministro da Cultura, Gilberto Gil, Porongos é descrito como uma “paisagem de memórias, lugar de muitas histórias, contadas por pais, avós e tios, histórias que associam fatos do passado a casos de discriminação e de superação, vividos por eles ou por seus conhecidos”.

Mais informações
Assessoria de Comunicação Iphan - comunicacao@iphan.gov.br
Marina Mattioni - marina.mattioni@iphan.gov.br

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Fonte do texto e imagens: https://www.gov.br/iphan/pt-br/assuntos/noticias/tombamento-de-porongos-no-rio-grande-do-sul-avanca-no-iphan




segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Minas de Encruzilhada: uma história esquecida?

Poucos encruzilhadenses sabem, mas nosso município já teve importância de nível mundial em mineração e metalurgia. O Brasil foi o primeiro país da América do Sul a produzir e exportar minério de tungstênio em escala comercial. Essa exploração aconteceu em Encruzilhada do Sul, entre os anos de 1890 e 1914, nas minas da Sanga Negra e Cerro da Árvore (Mina Velha), por uma empresa alemã que enviava para a Europa cerca de 3 toneladas de concentrado de minério por mês. O tungstênio, fundido com o ferro, forma a liga de aço mais resistente ao calor que existe: o aço tungstênico. Ao chegar na Alemanha, o tungstênio encruzilhadense era processado pela empresa Krupp, maior fabricante de armas daquela época. A Krupp fabricava metralhadoras, canhões, tanques, e até submarinos. Com o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, a mina de Encruzilhada perdeu o contato com sua matriz europeia e foi abandonada.

Anos mais tarde, já na década de 1940, a mina da Sanga Negra foi reativada por iniciativa da Companhia Nacional de Mineração e Força, com sede em São Paulo, com aval do então presidente Getúlio Vargas. Além do tungstênio, essa empresa passou a explorar também a cassiterita (estanho), que era minério abundante nas aluviões (sangas) da região. Outras minas do município entraram em grande atividade nesta época, como as do Tabuleiro, Campinas e Seival, entre outras. Estávamos em plena Segunda Guerra Mundial e o tungstênio e o estanho eram considerados metais estratégicos para os Estados Unidos, que não conseguiam trazê-los de seu maior fornecedor estrangeiro, a Malásia. Havia, portanto, uma grande expectativa do Brasil com relação à exportação desses minérios. Na Mina da Sanga Negra foi construída uma suntuosa usina (foto), bem como uma pequena vila, com igreja, escola, hospital, além de dezenas de casas de moradia, para atender todos os seus trabalhadores. Entretanto, com o fim da Segunda Guerra, em 1945, houve queda expressiva no preço internacional dos minérios, que culminou com a falência da mina, no início da década de 1950. Desde então, só permaneceram alguns trabalhos em pequena escala, na forma de garimpo, tendo todos eles cessado em definitivo no final da década de 1980.

O atual proprietário da Sanga Negra, Dr. Roberto Trindade, está trabalhando desde o ano de 2001 num projeto de resgate da história da mineração em Encruzilhada do Sul. De lá para cá, já percorreu as bibliotecas das principais universidades brasileiras e órgãos governamentais, em busca de informações. “É lamentável a falta de interesse do brasileiro por sua própria história”, afirma. Em consulta ao Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia, foi informado que todos os documentos relativos àquela época foram incinerados. Por outro lado, o pesquisador diz que encontrou diversas referências bibliográficas sobre as minas de Encruzilhada nas bibliotecas universitárias, especialmente na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Segundo ele, “existem muitos registros acadêmicos sobre as minas, mas a maioria trata de aspectos geológicos da região, falando muito pouco sobre a história da mineração. Além disso, a maioria dos trabalhos foi realizada antes da década de 1940, e pouco ou nada se fala sobre o que aconteceu depois”.

Apesar das dificuldades na pesquisa, Roberto afirma já ter dados suficientes para elaborar um “esboço histórico” da mineração no nosso município e pretende, a partir do ano que vem, abrir a Mina da Sanga Negra para visitação pública (por enquanto, somente alunos da UFRGS e Unisinos têm acesso ao local). Ele também está montando, na propriedade, um pequeno museu com fotos, documentos e objetos da época.

Entre as ruínas que restaram do grande ciclo mineiro da década de 1940, destacam-se algumas obras que permanecem preservadas até hoje. A principal delas é a grande chaminé da Sanga Negra, visível de longe por quem passa pelas estradas do Pinheiro e do Marinheiro. Situada entre o Cerro Comprido e o Arroio das Pedras, a chaminé é muitas vezes confundida com uma velha olaria. Por outro lado, quem sabe da existência da antiga mina acaba por imaginá-la como pertencente a um grande forno de fundição que eventualmente tenha existido ali. Entretanto, nenhuma dessas hipóteses está correta.

A velha chaminé é, na verdade, o que restou de uma grande usina termoelétrica que foi ali instalada em 1942. Equipada com quatro caldeiras e uma enorme turbina de 250HP, a usina fornecia energia para o funcionamento do pesado maquinário para beneficiamento do minério, bem como luz elétrica para toda a vila mineira e suas dezenas de casas. Funcionando como uma gigante “locomóvel”, produzia energia elétrica através do calor, com uso de lenha e água. O vapor resultante, após movimentar a turbina, era dispensado na atmosfera através da chaminé. Tinha capacidade de produção de 600KW até 2.000KW e consumia, em baixa rotação, 2 metros cúbicos de lenha por hora. Embora sua produção fosse dedicada exclusivamente à mina, a usina poderia ter fornecido energia elétrica para toda a cidade de Encruzilhada àquela época.

Antes de ser adquirida e instalada na mina pela Companhia Nacional de Mineração e Força, em 1942, esse grupo gerador funcionava na cidade Rio Grande onde era responsável pelo fornecimento de energia elétrica daquele município até o ano 1934, quando foi substituído por equipamentos maiores. Com o fechamento da mina de Encruzilhada, já no fim da década de 1940, todo o maquinário da usina - com exceção da chaminé, obviamente - foi vendido ao município de Venâncio Aires, onde passou a produzir toda energia elétrica daquela cidade nas décadas seguintes.

Fonte do Texto e imagens antigas: Jornal do Sudeste de Encruzilhada do Sul – Texto copiado igual a publicação na rede social Facebook, em junho de 2019. Texto de autoria do advogado Roberto Trindade. O autor é natural de Porto Alegre, advogado formado pela PUC-RS, pós-graduado (MBA) em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e em Relações Internacionais pela Columbia University, de Nova York. É também produtor rural em Encruzilhada do Sul (Fazenda Sanga Negra) e, nas horas vagas, atua como comandante de veleiros oceânicos no litoral brasileiro e no exterior.

https://www.facebook.com/jornaldosudestecomunicacoes/posts/jornaldosudeste-js66anos-170anosdeencruzilhadadosul-encruzilhadadosul-especialjo/2840784739282003/

Fonte das imagens atuais da localidade: do autor e de ciclista da Associação de Ciclismo Pedal Livre de Encruzilhada do Sul – Setembro de 2025.








1° Foto: Visita à Usina em 1945
2° Foto: Vila da Sanga Negra em 1944
3° Foto: Trabalhadores da SN em 1943
4° Foto: Cerimônia cívica em frente à capela (1944)
5° Foto: Usina termoelétrica da Sanga Negra em 1943
























Imagens produzidas pelos Ciclistas da Associação de Ciclismo Pedal Livre e pelo fotógrafo Rafael Silveira, durante visita ao local - Setembro 2025.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Egito revela vestígios de cidade submersa com mais de 2 mil anos

O Egito apresentou, nesta quinta-feira (21), vestígios de uma cidade submersa em frente à costa de Alexandria, que incluem edifícios, tumbas, tanques para peixes e um cais, todos com mais de 2 mil anos.

Segundo as autoridades, o sítio, localizado na baía de Abu Qir, pode corresponder a uma extensão da antiga cidade de Canopo, importante centro da dinastia ptolemaica - que governou o Egito por quase três séculos - e, posteriormente, do Império Romano, que permaneceu ali por aproximadamente 600 anos.

Com o tempo, uma série de terremotos e o aumento do nível do mar submergiram a cidade e o porto vizinho de Heracleion.

Nesta quinta-feira, guindantes retiraram várias estátuas. "Há muitos elementos embaixo d'água, mas o que podemos recuperar é limitado; são apenas peças selecionadas de acordo com critérios rigorosos", declarou o ministro de Turismo e Antiguidades, Sherif Fathi.

"O restante permanecerá como parte integral de nosso patrimônio subaquático", acrescentou.

As descobertas incluem edifícios de pedra calcária que teriam servido como locais de culto, casas ou estruturas comerciais e artesanais.

Também foram identificados depósitos e tanques escavados na rocha, destinados tanto à aquicultura quanto ao armazenamento de água para consumo doméstico.

Entre as peças mais notáveis estão estátuas reais e esfinges anteriores ao período romano, incluindo uma parcialmente preservada de Ramsés II.

Foram encontrados, ainda, um navio mercante, âncoras de pedra e um guindaste portuário no local onde ficava um cais de 125 metros, utilizado como porto para embarcações menores durante as épocas romana e bizantina.

Ameaça atual

Sítio de grande riqueza arqueológica, Alexandria está atualmente ameaçada pelas mesmas águas que submergiram Canopo e Heracleion.

A cidade costeira afunda mais de três milímetros por ano e está entre as áreas mais vulneráveis às mudanças climáticas e ao aumento do nível do mar.

Mesmo no cenário mais otimista elaborado pela ONU, um terço de Alexandria estará submerso ou inabitável em 2050.



















Mergulhadores observam enquanto um guindaste puxa uma estátua das águas da baía de Abu Qir, em Alexandria, no dia 21 de agosto de 2025, como parte de um evento organizado pelo Ministério do Turismo e das Antiguidades para recuperar antiguidades submersas — Foto: Khaled DESOUKI / AFP


















Artefatos recuperados são exibidos na baía de Abu Qir, em Alexandria, no dia 21 de agosto de 2025, como parte de um evento organizado pelo Ministério do Turismo e das Antiguidades para recuperar antiguidades submersas. — Foto: Khaled DESOUKI / AFP

sábado, 9 de agosto de 2025

Morre aos 100 anos Carlos Lemos, arquiteto parceiro de Niemeyer na construção do Copan


Arquiteto, professor e pesquisador, Lemos foi pioneiro na preservação do patrimônio paulistano e referência na arquitetura brasileira.

A morte do reconhecido arquiteto Carlos Alberto Cerqueira Lemos, aos 100 anos, foi confirmada nesta quarta-feira (6). Com trajetória marcante na academia, prática profissional e gestão pública, ficou conhecido especialmente como o "homem de confiança" de Oscar Niemeyer em São Paulo, como coautor de projetos icônicos, como dos Edifícios Copan e Eiffel, no Centro, e da Oca, do Parque do Ibirapuera.

Foi referência na formação de diferentes gerações de arquitetos e urbanistas, os quais não raro mencionam lições do antigo mestre. Também é reconhecido pela trajetória acadêmica de quase seis décadas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), que lhe concedeu o título de professor emérito em 2022.

Parceria com Niemeyer

Lemos foi um dos principais parceiros de Oscar Niemeyer, com quem trabalhou em projetos icônicos, como o edifício Copan, cuja construção coordenou enquanto Niemeyer se dedicava à construção de Brasília. Atuou também no projeto do Parque Ibirapuera, nos anos 1950, em uma equipe que reuniu grandes nomes da arquitetura nacional.

Nos anos 1950, foi diretor do escritório de Niemeyer em São Paulo. Ao Estadão, contou como funcionava a parceria: o modernista fazia os croquis, enquanto o então jovem arquiteto paulistano fazia o projeto de execução, com base nos cálculos de concreto. Relatou também que se encontrava com o antigo parceiro quando visitava o Rio.

Em 2019, também ao Estadão, falou sobre o projeto diferenciado do Copan:

— Foi uma exceção na sua época, década de 1950, devido tanto ao seu programa de necessidades, quanto ao seu tamanho e a sua forma de 's', que resultou da sinuosidade das divisas posteriores do terreno — descreveu.

Trajetória

Nascido em São Paulo, em 1925, Lemos é uma referência intelectual sobre história da arquitetura brasileira e de São Paulo, autor de diversos livros, alguns clássicos do tema. Dentre eles, estão Dicionário da Arquitetura Brasileira, Como nasceram as cidades brasileiras, O que é patrimônio histórico e Casa Paulista.

Formou-se na primeira turma de Arquitetura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 1950, e, quatro anos depois, já começou a lecionar na USP. Como arquiteto e urbanista, é autor de dezenas de projetos, principalmente residenciais, na capital e no interior de São Paulo, incluindo o prédio do Bradesco localizado junto ao Copan.

Além disso, foi artista plástico, com obras expostas em diferentes mostras desde os anos 1940. Dentre elas, destaca-se uma exposição de 50 anos de carreira realizada na Pinacoteca, em 1995. Também participou da criação de museus importantes de São Paulo, como o Museu de Arte Sacra e o Museu da Casa Brasileira.

"Um dos maiores arquitetos brasileiros": as homenagens a Lemos

Organizações variadas prestaram homenagens a Carlos Lemos nas redes sociais. A FAU/USP lembrou a dedicação ao ensino.

"Professor titular aposentado de nossa faculdade, Carlos Lemos dedicou-se por quase 60 anos à história da arquitetura brasileira e à preservação do patrimônio cultural", destacou.

Já a seccional paulista do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/SP) chamou Lemos de "um dos maiores arquitetos brasileiros".

"Formador de gerações inteiras de profissionais. Com seu conhecimento e erudição vastos e generosos, construiu no Brasil todo um campo", diz a nota.

Nas redes sociais, o Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), da Prefeitura de São Paulo, salientou a contribuição intelectual do arquiteto para o "reconhecimento do patrimônio cultural e para a história da arquitetura e do urbanismo brasileiros".

"Dedicou sua trajetória à valorização da arquitetura brasileira, à preservação e difusão da nossa memória urbana, e à formação qualificada de profissionais e pesquisadores", diz nota.


lém disso, ressaltou que Lemos coordenou, nos anos 1970, os primeiros inventários para a identificação e proteção de bens arquitetônicos paulistanos.


"Sua vasta obra bibliográfica segue como referência fundamental para pesquisadores, e seu conhecimento e rigor intelectual prosseguirão na atuação dos inúmeros profissionais que formou e nas instituições em que colaborou, como o DPH."

A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) também lamentou a morte do arquiteto.

"Sua contribuição ultrapassou o projeto arquitetônico: foi também um importante agente na construção de instituições dedicadas ao patrimônio cultural. Além disso, abriu caminhos para a pesquisa acadêmica e para a produção editorial na área", destacou.

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2025/08/morre-aos-100-anos-carlos-lemos-arquiteto-parceiro-de-niemeyer-na-construcao-do-copan-cme0jq3c9003k012xk8wu1x3h.html

Crédito das Imagens: Do Site GZH.





quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Casa Pacheco Leão, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, é entregue restaurada

Projeto incluiu soluções de acessibilidade e restauração de pinturas artísticas

Após oito anos fechada, a Casa Pacheco Leão, uma das joias do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RJ), foi restaurada e reaberta ao público na última quinta-feira (21/11). Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como parte do conjunto arquitetônico e paisagístico do Jardim Botânico, o imóvel passou por uma intervenção detalhada, acompanhada em todas as suas etapas pela equipe técnica da autarquia. Desde os pareceres iniciais, reuniões de planejamento e vistorias, o Instituto esteve presente, assegurando que os trabalhos atendessem às diretrizes de preservação do patrimônio.

Com um investimento de R$ 2,7 milhões, financiados por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) e patrocinados por empresas privadas, o projeto reafirmou o compromisso com a preservação do patrimônio histórico. “Esta casa foi um ponto de encontro para grandes cientistas. É fascinante ver esse lugar, que preserva tantos detalhes originais, reaberto ao público. Agora, todos poderão explorar o universo de Pacheco Leão, um homem que dedicou sua vida ao estudo e à preservação da flora nacional”, avaliou a superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Patrícia Wanzeller.
A casa, construída em estilo eclético e marcada por seu valor histórico e arquitetônico, foi submetida a seis meses de obras, que contemplaram manutenção estrutural, recuperação de elementos decorativos e ajustes voltados à acessibilidade. Entre as principais intervenções, destacaram-se a identificação e restauração das cores originais, tanto externas quanto internas, através de prospecções estratigráficas - técnica que consiste na remoção manual das camadas de tinta para encontrar a pintura original - que revelaram detalhes como pinturas artísticas em técnica de estêncil. Localizadas no rodapé e no rodateto dos salões do primeiro e segundo andares, as pinturas haviam sido identificadas na restauração realizada em 2012, mas nunca trabalhadas com a profundidade atual.

“Artisticamente, essas obras podem ser vistas como uma forma de democratização da arte, permitindo que expressões criativas sejam acessíveis a um público mais amplo. Elas também contribuem para a valorização do patrimônio cultural, ao integrar técnicas e estilos que dialogam com a história da arte no Brasil”, analisa a restauradora do Iphan no Rio de Janeiro, Cláudia Nunes.

Para a recuperação dessas pinturas, foram removidas manualmente, com bisturis, camadas de tinta que as encobriam. As áreas perdidas foram reintegradas com técnicas de pontilhismo e máscaras de acetato, replicando os padrões originais com o uso de pigmentos naturais e verniz protetor. Este trabalho trouxe de volta a riqueza decorativa que marcou o imóvel em sua época de uso como residência e centro de convivência científica. Além disso, elementos como pisos, esquadrias e a escada original foram restaurados, mantendo-se fiéis à autenticidade da casa.

Segundo a arquiteta do Iphan no Rio de Janeiro Isabelle Cury, as soluções de acessibilidade, que incluem a instalação de um elevador e de banheiros adaptados, foram cuidadosamente pensadas. “Para a escolha do local, realizamos uma pesquisa iconográfica e escolhemos as áreas menos visíveis ao visitante, preservando a estética e o contexto histórico do imóvel”, concluiu.

Mais informações para a imprensa
Assessoria de Comunicação Iphan
Ana Carla Pereira - carla.pereira@iphan.gov.br
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Foto: SECOM/Jardim Botânico do Rio de Janeiro

domingo, 15 de setembro de 2024

Em Mostardas, árvore sob a qual Anita Garibaldi teria dado à luz seu primeiro filho sobrevive aos séculos

Localizada às margens da RSC-101, no litoral médio do Rio Grande do Sul, figueira é visitada por turistas e moradores do município, que se orgulham da história

Camila Bengo

Em meio à pressa de quem pega a RSC-101 rumo ao Sul do Estado, pode não haver tempo para as histórias. São necessárias mais de três horas para ir de Capivari do Sul a São José do Norte, onde uma balsa leva os viajantes até o porto de Rio Grande, principal destino da rodovia. Apesar da pressa de quem a percorre, a faixa de terra cercada pela Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico abriga histórias que sobreviveram ao tempo.

O percurso é atravessado por quilombos seculares, tradições açorianas que remetem aos primeiros imigrantes do Estado e rastros de episódios que marcaram a Guerra dos Farrapos, entre 1835 e 1845. Em um trecho do distrito de São Simão, em Mostardas, uma porteira na altura do quilômetro 238 da RSC-101 guarda as memórias do primeiro abrir de olhos de Domenico Menotti Garibaldi, primogênito de Giuseppe e Anita Garibaldi, que teria nascido ali em 16 de setembro de 1840, durante o confronto, aos pés de uma figueira ainda preservada. Território de uma história pouco conhecida, o local fica aberto para visitação de quem passa pela rodovia.

A árvore está localizada na propriedade da família Costa, que acolheu Anita nos dias finais da gravidez de Menotti. Em vias de dar à luz, ela já não tinha condições de seguir as tropas farroupilhas que rumavam a São José do Norte na intenção de conquistar o porto da cidade, então tomada pelas forças do Império. Foi ali, no rancho simples dos Costa, que a farrapa encontrou segurança, ainda que em meio à guerra, para trazer ao mundo o primeiro dos quatro filhos que teve com Giuseppe Garibaldi.

— Acolher a Anita foi um ato de coragem da família Costa — avalia Elma Sant'Ana, geógrafa que se dedica a pesquisar os Garibaldi há mais de três décadas. — Naquela época, o distrito de São Simão pertencia a São José do Norte (Mostardas virou município em 1963). Embora toda a região do Litoral Médio fosse simpatizante da causa farroupilha, a cidade era comandada pelo Império. Então, a partir do momento em que eles dão abrigo para Anita Garibaldi, eles se colocam em risco.

As consequências, de fato, vieram. Nove dias após o nascimento de Menotti, o rancho dos Costa foi cercado pelas tropas imperiais. Para escapar do ataque, ela teria se embretado nas matas da região com o filho nos braços, a cavalo, em cena que originou a famosa pintura Fuga de Anita Garibaldi a Cavalo, de Dakir Parreiras.

Há indícios de que a heroína tenha passado três dias escondida na mata com Menotti, conforme explica o historiador Adilcio Cadorin, fundador do Instituto Cultural Anita Garibaldi:

— Esse episódio demonstra a grande mãe que ela foi. Uma mulher determinada, que nunca abdicou dos seus ideais, mas também nunca abdicou da maternidade. Ela fica três dias na mata se alimentando de plantas e raízes para proteger o filho recém-nascido, até que é resgatada pelo Giuseppe.

Acredita-se que o líder farroupilha tenha chegado ao rancho dos Costa somente 12 dias após o nascimento de Menotti. Isso porque, antes do parto, ele rumou a Viamão no intuito de buscar roupas para o bebê que estava por vir. Foi nesse meio tempo que Anita deu à luz e o cerco ao rancho aconteceu, conforme narra Cadorin. Quando o casal finalmente se reencontrou, partiu atrás das tropas farrapas e não mais voltou ao distrito de São Simão, mas não esqueceu a solidariedade encontrada ali.

Uma carta enviada à família Costa em 1841, com a assinatura de Anita, documenta a gratidão da heroína. Naquele mesmo ano, Giuseppe abandonou o exército farroupilha e seguiu com ela para o Uruguai. Depois, Anita rumou à Itália, onde Menotti cresceu, construiu carreira como militar e político e morreu em 1903. O primogênito dos Garibaldi nunca voltou a pisar na terra onde nasceu, mas deixou rastros que ainda marcam a região.

Orgulho

O contexto do nascimento de Menotti Garibaldi é motivo de orgulho para Antonio Dias Chaves, 71 anos, descendente da família Costa. O agricultor ainda vive na propriedade onde Anita se exilou e se lembra de, na infância, ouvir a história familiar da guerrilheira farrapa que deu à luz naquelas terras.

— No colégio, não falavam nada disso, mas meu avô, meu pai e meus tios sempre falaram dessa guerrilheira que teve o filho na sombra da figueira dos Costa. Depois é que fui entender que a guerrilheira era a Anita Garibaldi — conta o descendente. — Foi uma boa ação que eles tiveram, né? Eu fico orgulhoso.

Apesar de a história atravessar gerações dentro da família Costa, não há registro documental de que Anita tenha dado à luz especificamente sob a figueira. O que se sabe é que o parto de Menotti Garibaldi ocorreu naquela cercania, mas pode ter sido realizado, por exemplo, dentro de um galpão que ficava localizado junto à árvore.

Marisa Guedes, historiadora responsável pela Casa de Cultura de Mostardas, explica que a história de Anita Garibaldi é construída a partir de diferentes narrativas:

— Há a versão que pode ser comprovada pelos registros históricos; a versão que se espalha através da história oral, daquilo que os antigos contavam; e o que foi inventado, fruto de uma tentativa de romantizar a Guerra dos Farrapos e o militarismo.

O detalhe sobre a localização exata do nascimento de Menotti Garibaldi circula entre esses diferentes territórios narrativos. Prevalece, então, a história oral que se perpetuou através da família Costa — de que a guerrilheira farrapa Anita Garibaldi deu à luz aos pés da figueira. A versão é cultuada pela população de Mostardas e carimbada pela prefeitura, que transformou a árvore em ponto turístico da cidade.

Uma placa sinalizando a importância histórica da figueira foi instalada pela administração do município em 1996, sobre uma pedra colocada na raiz do tronco. O local ficou conhecido na cidade como Pedra de Anita e passou a ser visitado por turistas e mostardenses como a servidora pública Luiza da Costa Lemos, a dona Luizinha, moradora de Mostardas que costuma visitar a árvore sempre que possível. Aos 70 anos, ela integra o chamado Grupo das Anitas, que reúne mulheres que se identificam com a história de Anita Garibaldi.

— Ela ter tido o filho dela aqui é um orgulho para a nossa cidade. Eu me sinto muito honrada de saber que nós fizemos parte dessa história, que Anita, Giuseppe e Menotti passaram pelos campos de Mostardas — afirma Luizinha. — Para mim, a Anita representa as mulheres e a nossa luta por igualdade. Eu gosto muito de vir aqui (na árvore) porque é um lugar bonito e de uma energia muito forte. A gente se sente bem de estar aqui.

Andar pelo local é, de fato, uma experiência sui generis. Placas guiam o caminho da porteira da propriedade até a figueira. Chegando lá, vê-se uma árvore de mais de cinco metros de altura cercada por outras vegetações que, juntas, formam uma espécie de bosque, limitando a entrada da luz solar e criando uma ambiência capaz de envolver totalmente quem ali chega. A figueira é tão imponente que faz com que o visitante se sinta pequeno, enquanto o canto dos pássaros que sobrevoam o local abafa qualquer eventual distração.

É impossível estar ali e pensar em outra coisa que não a história testemunhada por aquele pedaço da propriedade dos Costa. Quantas provações Anita Garibaldi não teria passado ali? Como teria sido seu parto? Será que alguém lhe segurava a mão nos momentos de dor? Será que Menotti, o bebê farrapo, choramingou ao abrir os olhos pela primeira vez? Ou teria precisado de uma palmada para induzir o choro? Tantas inquietações surgem que somente depois, já tendo deixado o local, percebe-se a roupa tomada por pega-pegas e as picadas de mosquito pelo corpo.

A natureza deixa suas marcas, mas o ambiente é agradável. Quando a reportagem visitou a figueira, dançarinos do Grupo de Artes Nativas Anita Garibaldi, de Encantado, também excursionavam por ali. Valéria Maria Bertamoni Belotti, patroa da entidade, arrependeu-se de não ter levado cadeiras e chimarrão para confraternizar. Sentiu-se à vontade no local.

— A gente fica imaginando quantas vivências esse lugar abrigou. Dá uma emoção e uma vontade louca de ficar mais tempo aqui, de passar horas embaixo dessa árvore — diz Valéria. — Para um grupo como o nosso, que carrega o nome de Anita Garibaldi há 30 anos, é muito significativo e muito forte pisar nesse local. É surpreendente como ver uma expressão concreta da história que a gente conhece pelos livros.

A intenção do município de Mostardas é deixar cada vez mais pessoas surpresas. A cidade guarda riquezas culturais ímpares e trabalha para mostrar ao restante do Estado os seus atrativos, que vão muito além da história em torno do nascimento de Menotti Garibaldi. Mas este é um excelente ponto de partida. Após a visita à figueira, vale estender o percurso até a Casa de Cultura do município, aberta de segunda a sábado, das 9h às 17h, e descobrir os demais tesouros escondidos na cidade de 12 mil habitantes.

 

















Em Mostardas, árvore onde se acredita que Anita Garibaldi deu à luz seu primeiro filho segue preservada. Camila Hermes / Agencia RBS


























A árvore está localizada na propriedade da família Costa, que acolheu Anita nos dias finais da gravidez de Menotti. Camila Hermes / Agencia RB


















Uma placa sinalizando a importância histórica da figueira foi instalada pela administração do município em 1996. Camila Hermes / Agencia RBS



















Certidão de nascimento de Menotti Garibaldi foi feita pelo município de Mostardas.
Camila Hermes / Agencia RBS