segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Arqueólogos descobrem fábrica de cerveja 'mais antiga do mundo' no Egito

Acredita-se que a descoberta arqueológica no cemitério de Abydos tenha cerca de 5 mil anos.

Arqueólogos no Egito desenterraram o que pode ser a mais antiga fábrica de cerveja conhecida do mundo, com cerca de 5 mil anos.

Uma equipe de pesquisadores egípcios e americanos descobriu o local em Abydos, um antigo cemitério no deserto.

Eles encontraram várias unidades contendo cerca de 40 potes usados ​​para aquecer uma mistura de grãos e água usada para fazer cerveja.

A cervejaria provavelmente remonta à era do rei Narmer, de acordo com o Conselho Supremo de Antiguidades do Egito.

A empresa afirma acreditar que a descoberta foi "a mais antiga cervejaria de alta produção do mundo".

O rei Narmer governou o Egito há mais de 5 mil anos. Ele fundou a Primeira Dinastia e é considerado como responsável pela unificação do Egito.

A cervejaria consistia em oito grandes áreas, cada uma com 20 metros de comprimento. E cada uma continha cerca de 40 potes de cerâmica dispostos em duas fileiras, de acordo com Mostafa Waziry, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito.

Uma mistura de grãos e água usada para a produção de cerveja era aquecida nos potes, com cada bacia "presa por alavancas de barro colocadas verticalmente em forma de anéis", diz.

"A cervejaria pode ​​ter sido construída neste lugar especificamente para abastecer os rituais reais que aconteciam dentro das instalações funerárias dos reis do Egito", afirmou o Ministério do Turismo do Egito, citando o arqueólogo e cochefe da missão Matthew Adams, da Universidade de Nova York.

Acredita-se que a cerveja era produzida em grande escala no local, com capacidade para produzir cerca de 22.400 litros de uma vez.

"Evidências do uso de cerveja em ritos de sacrifício foram encontradas durante escavações nessas instalações", disse o comunicado.

Abydos é uma das cidades mais antigas do antigo Egito e abriga vastos cemitérios e templos.

A área fica no sul da Província de Sohag, no Alto Egito, onde também fica a cidade de Luxor, um dos pontos turísticos mais populares do país.

No início deste mês, uma missão que trabalhava perto de Alexandria descobriu várias múmias de cerca de 2 mil anos com línguas de ouro dentro da boca.

















A descoberta pode 'ser a cervejaria de alta produção mais antiga do mundo' — Foto: EPA/BBC

















Potes que seriam usados para a produção de cervejas — Foto: The Egyptian Ministry of Antiquities/Handout via Reuters
















Acredita-se que milhares de galões de cerveja tenham sido produzidos no local — Foto: EPA/BBC

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Mais antigo farol gaúcho agoniza na região de Tavares e Mostardas

Inaugurado em 1849 às margens da Lagoa dos Patos, Capão da Marca sofre com ação do tempo, roubos e pichações. Acesso também é um problema.

Durante quase dois séculos, o mais antigo farol do Rio Grande do Sul permaneceu intacto mesmo diante dos intensos temporais que avançam sobre a Lagoa dos Patos. Em determinadas épocas, foi o único da região a não precisar de reparo após uma tempestade. Porém, o Capão da Marca, localizado em Tavares, no Litoral Médio, está quase tombando diante do vandalismo e do abandono.

Nos últimos anos, foi alvo constante de pichações ao longo da estrutura metálica de 19 metros de altura e de depredações, que acabaram inutilizando-o. Segundo moradores locais, o equipamento ficou no escuro por meses. Em operação, seu alcance era de 13 milhas náuticas, ou 23,7 quilômetros. Tratava-se de um referencial para pescadores e navegadores. No último dia 2, alertados pela reportagem de GZH, militares do Serviço de Sinalização Náutica do Sul, da Marinha do Brasil, fizeram o reparo da lâmpada que encontrava-se sem bateria.

Instalado a 50 metros das águas da Lagoa dos Patos, o Capão da Marca sempre foi divulgado como um ponto turístico local. Mas seu isolamento, em uma área com habitações apenas a mais de um quilômetro de distância, e a falta de sinalização nos arredores do município indicando tratar-se de um monumento histórico fizeram dele alvo constante da destruição.

Morador de uma das propriedades mais próximas, o agricultor Arlon Brum, 23 anos, cresceu observando a imponência da torre inaugurada em 1849. Integrante da terceira geração da família a viver na região, Arlon recorda das conversas com o avô, Zaldo Gonçalves, que era amigo do antigo faroleiro. Certa vez, foi Zaldo que o socorreu no meio da noite, na escuridão. Com o carro atolado nas dunas, o único morador do farol precisava de um reboque.

Namorada de Arlon, a gestora ambiental Juliana Pereira, 27 anos, de Mostardas, cresceu ouvindo histórias parecidas do bisavô, Luís Rocha, antigo tropeiro da região, que costumada levar mantimentos aos que cuidavam do farol. Arlon conta que, até a adolescência, subia no alto da torre para ver as belezas naturais da região. A porta não tinha tranca, e o faroleiro já não trabalhava mais no local. Com o tempo, visitantes e moradores passaram a invadir e destruir a edificação. Nas paredes externas, há nomes e indicações de cidades do sul do Estado, da Capital e da Serra.

Uma das últimas partes arrancadas foi a bateria usada para a iluminação noturna do farol. Arlon conta ter visto o equipamento rolando nas areias, em 2020:

– O farol está se desmanchando e ninguém parece se importar. Um dia foi ponto turístico. Infelizmente, virou ponto de vandalismo.

Como uma das últimas alternativas para salvá-lo, uma das janelas de vidro foi trocada por uma placa de metal, e a única porta de entrada, soldada pelo Serviço de Sinalização Náutica do Sul. Hoje, não se pode mais entrar na área interna do farol, apenas circundá-lo, já que ele está trancado.

Em resposta a questionamentos enviados por GZH, a assessoria de comunicação do Comando do 5º Distrito Naval, da Marinha do Brasil, informou que “o farol deixou de ser guarnecido em 1985, em virtude de substituição do antigo sistema (acetileno) por lanterna automática. Quanto à casa do faroleiro, não há informações sobre a destinação dela”. A Marinha também informou que, “durante inspeção realizada em outubro de 2020, verificou-se a ocorrência de furtos dos equipamentos e vandalismo na estrutura do farol. Dessa forma, foi priorizada a recuperação de toda a parte de sinalização para garantir a segurança da navegação na região. Para evitar outros furtos, decidiu-se por lacrar a porta, por meio de solda”. O órgão confirma que “que está agendada para fevereiro a realização dos reparos estruturais”.

Pesquisadora da região há 35 anos, a historiadora Marisa Guedes, de Mostardas, lamenta a situação do farol, considerado por ela uma relíquia histórica. Marisa, que pesquisou documentos e os jornais brasileiros de 1840 a 1930, afirma: Dom Pedro II não passou pelo Capão da Marca para inaugurá-lo, como costumam indicar companhias de turismo, sites especializados e até moradores.

Segundo ela, durante a Revolução Farroupilha, o império pediu o balizamento da Lagoa dos Patos para ter uma navegação mais segura. No pós-guerra, Dom Pedro II veio ao Estado entre dezembro de 1845 e janeiro de 1846. Mas não para inaugurar o farol. O ex-secretário de Turismo de Tavares, Luiz Agnelo de Tavares, relatou a existência de uma placa de bronze indicando que Dom Pedro II havia inaugurado o farol. A placa foi roubada.

– O que encontrei, que pode ter confundido as informações, é que o Jornal D. Pedro II, do Estado do Ceará, noticiou a inauguração do Farol Capão da Marca da seguinte forma: “‘Pharol – no dia 25 do mês passado foi inaugurado o Pharol Capão da Marca no Rio Grande do Sul’. Fortaleza, domingo, 24 de abril de 1881” – conta Marisa.

Em 1847, relata a historiadora, o conselho administrativo da província do Rio Grande do Sul determinou a construção dos faróis do Estreito, onde hoje é São José do Norte, de Cristóvão Pereira, atual Mostardas, e de Itapuã, em Viamão. Eles seriam erguidos em alvenaria e demorariam mais de dois anos para serem concluídos. Mas um naufrágio na Lagoa dos Patos fez o governo erguer um farol provisório de madeira no Capão da Marca, onde hoje é Tavares.

Em meio às obras dos demais, uma grande tempestade destruiu parte das construções, e o único a resistir aos fortes ventos foi o de Capão da Marca – mesmo sendo de madeira. A torre existente até hoje deu mais robustez à construção. Ela chegou diretamente da França em 20 de novembro de 1879 e levou três meses para ser montada.

– Algumas pessoas falam que o Cristóvão é o primeiro farol do Estado por ter sido inaugurado em 1858. Os mais antigos não contavam os provisórios como faróis. Mas há a lei da inauguração do Capão da Marca, de 1849 – explica Marisa.

Desde 1926 o Capão da Marca tem como característica luminosa o lampejo “encarnado” (vermelho) longo (dois segundos), intercalado com oito segundos apagado.

Para chegar ao farol

O agricultor Eron Costa Gonçalves, 47 anos, planeja colocar uma placa na entrada do sítio Dois Irmãos, pertencente à família há três gerações, indicando que a propriedade não é o caminho mais adequado para se chegar ao Capão da Marca. Gonçalves conta que um casal de jipeiros indicou ao Google a estrada interna do sítio como sendo o trajeto para ir até o farol.

– Começou a chover gente de jipe e carro de trilha aqui ao lado da nossa casa. Temos pessoas idosas tentando se proteger da covid-19. Não posso permitir isso. Mas eles insistem, abrem a porteira e querem passar – relata Gonçalves.

Segundo a prefeitura de Tavares, o caminho oficial passa por dentro da área central da cidade e vai até o balneário municipal. Depois, os motoristas precisam seguir pela beira da lagoa e atravessar um córrego de uma lavoura de arroz. Só veículos 4x4 conseguem chegar. De acordo com a prefeitura, placas que indicarão o caminho estão sendo confeccionadas para serem instaladas desde a entrada da cidade até a margem da Lagoa dos Patos.



















Fonte da Imagem: do Site

sábado, 9 de janeiro de 2021

Praia da Capilha: conheça um pequeno paraíso na Lagoa Mirim

Vilarejo de 1,4 mil habitantes em Rio Grande oferece praia de água doce e com muita história para contar

Identificada pelos frequentadores como um pequeno paraíso encravado entre as margens da Lagoa Mirim e a BR-471, a Praia da Capilha, localizada no 4º distrito do Taim, a 80 quilômetros do centro de Rio Grande (sul do Estado), mantém o adjetivo pelas areias finas e claras e águas tranquilas — próprias para banho, de acordo com o boletim de balneabilidade divulgado pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) na primeira semana de 2021.

História e belezas naturais se misturam no vilarejo de 1,4 mil habitantes. Percorrer a única rua de terra que liga a entrada da localidade à praia possibilita estar mais próximo de quem respira a região o ano todo. Enquanto os pescadores reformam as redes e controlam as canoas deixadas nas margens da lagoa, idosos conversam a distância nos portões das casas e os comerciantes aguardam nos balcões dos botecos e mercadinhos a entrada de visitantes. Há também um estacionamento particular para motor-homes.

Nascido na Capilha, o pescador Igor De Los Santos, 24 anos, até tentou morar na área urbana de Rio Grande, com parentes, para estudar e trabalhar. Mas desistiu depois de dois anos. Sentia falta da abundância das águas da Mirim e da tranquilidade de quando está na lagoa. Há uma década, voltou para a prainha onde os pais e tios tiram o sustento da pesca de traíras, jundiás, pintados e tainhas. Nesta época do ano, quando ocorre a piracema, De Los Santos se preocupa apenas em manter os barcos da família presos à areia no sobe e desce da maré.

— Mesmo com a construção de mais casas de veranistas, aqui é o meu lugar. É onde me sinto seguro — conta o jovem. 

Quem vai à Capilha busca o sossego do vilarejo fundado por pescadores, mas que, nos últimos anos, tem recebido mais visitantes e novos moradores. Nos dias de semana, quando a praia ainda é menos frequentada durante o verão, os sons dos pássaros e das marolas da lagoa se sobressaem entre os banhistas espalhados pela imensidão de areia. Moradores, veranistas e campistas garantem que o cenário paradisíaco tem dois extremos: os temporais que vêm da lagoa, acompanhados de vento, costumam ser assustadores, mas quando o céu está sem nuvens, o pôr do sol é único, já que o astro se despede nas águas da Mirim.

Veranista do local há mais de 40 anos, a cabeleireira Clenir Troca, 61 anos, moradora de Rio Grande, lembra da época em que a Capilha era um deserto com casas distantes umas das outras, sem comércio e com dunas por todos os lados. Quando havia cinco carros nas margens da lagoa, já se considerava a praia cheia. Hoje, mesmo com o aumento de frequentadores, Clenir afirma não trocar a praia de água doce pela salgada Cassino, mesmo estando mais próxima da casa dela, a 20 quilômetros de distância.

— Aqui (na Capilha), as crianças ficam mais à vontade porque as águas são calmas. A gente relaxa mesmo e pode ficar distante de outras pessoas. Venho sempre para recarregar as minhas baterias — comenta Clenir, que está com a família na casa de um parente morador da localidade.

Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento, Inovação e Turismo de Rio Grande, Gilberto Tavares Sequeira, o vilarejo se tornou um atrativo turístico pela importância histórico-cultural e por conta do ecossistema, já que é vizinho da Estação Ecológica do Taim. Sequeira salienta que a prefeitura de Rio Grande envolveu a comunidade no Plano Municipal de Turismo, que busca desenvolver o setor com sustentabilidade na Capilha, nas ilhas do território de Rio Grande e na Estação Ecológica do Taim.

Sequeira explica que o plano tem a finalidade de viabilizar a elaboração de estudos com a comunidade local que ajudem a minimizar o impacto da atividade turística sobre os recursos naturais. Além disso, pretende desenvolver parcerias para qualificar os serviços turísticos e a formalização de empresas de serviços ecoturísticos nas regiões contempladas.

O secretário pontua que a localidade ainda tem baixa estrutura turística e comercial, pois a economia é fundamentada na pesca artesanal e no agronegócio. A praia conta com duas pousadas, um camping e dois restaurantes. 

— Pessoas ligadas aos esportes náuticos e aqueles que gostam de turismo ecológico têm buscado a região. A localidade está crescendo ano a ano — comenta o secretário, um confesso admirador da Capilha e que assumiu a pasta no início deste mês.

A Capilha conta com uma guarita de guarda-vidas. Durante três horas, percorremos toda a praia e não encontramos nenhuma garrafa pet, toco de cigarro ou outro tipo de lixo na areia ou na água. Há um cuidado dos próprios moradores e isso, aparentemente, acaba contagiando quem busca a paz da praia.

Nome da praia é homenagem a capela histórica

A Praia da Capilha ganhou esse nome devido à capela de Nossa Senhora da Conceição, que fica em um ponto de destaque do vilarejo. O nome deriva do espanhol "capilla". O primeiro prédio da igreja foi erguido em 1785, sendo chamado pelos espanhóis de Capela de São Pedro por estar no continente de São Pedro. Em 1844, ela foi reconstruída com o patrocínio de moradores da cidade.

Em novembro de 2020, a Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), por intermédio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), assinou um Termo de Destinação de Valores para custear o restauro da capela, já tombada pelo município de Rio Grande e considerada patrimônio histórico e cultural da região.

Orçado em mais de R$ 2 milhões, o projeto de restauração integral é uma parceria proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), a Mitra Diocesana de Rio Grande e o município. O valor é proveniente de acordos firmados em ações civis públicas movidas pelo MPF. Conforme a Secretaria de Município de Desenvolvimento, Inovação e Turismo, a obra tem previsão de conclusão de 12 meses e a execução do projeto ficará sob responsabilidade da Mitra Diocesana de Rio Grande. Ela será fiscalizada pelo Iphae. 

Já o município será responsável por executar o Plano Integrado de Gestão, Desenvolvimento, Conservação e Sustentabilidade do Núcleo Autônomo do Taim, onde a capela é vista como ponto fundamental. O plano, que teve contribuição do Iphae, prevê o uso e a valorização do sítio histórico, articulados com o turismo regional da Costa Doce.

Localização

- A entrada da praia fica no km 530 da BR-471
- O vilarejo fica à direita da rodovia, no sentido Rio Grande-Chuí
- Há uma placa indicando a entrada da Praia da Capilha

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/verao/noticia/2021/01/praia-da-capilha-conheca-um-pequeno-paraiso-na-lagoa-mirim-ckjoojxsd006i017wypcgsfxa.html



















Fonte das Imagens: Do site

domingo, 20 de dezembro de 2020

Iphan investe R$ 1,4 milhão no restauro do Clube Blondin em Laguna (SC)

O estado de Santa Catarina recebeu na manhã desta terça-feira (15) mais uma obra realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan), com recursos do Governo Federal. O Clube Blondin, localizado no Centro Histórico e Paisagístico de Laguna (SC), voltará a ser apreciado por moradores e visitantes. O investimento foi de mais de R$ 1,4 milhão e contemplou a restauração total e requalificação do espaço.

“Além de restaurar um dos principais exemplares da arquitetura neocolonial deste Centro Histórico, a obra devolve à sociedade um espaço que resgata atividades lúdicas e culturais que aconteciam principalmente aos finais de semana no Centro Histórico de Laguna”, declarou a presidente do Iphan, Larissa Peixoto.

A obra teve início em março de 2019, e incluiu a restauração da estrutura do telhado, com revisão e substituição de madeiramento e telhas; reforma do revestimento externo e parcial do interno com argamassa histórica e posterior pintura à base de cal; restauração das esquadrias de madeira e ferro; substituição de todo o sistema elétrico e novas luminárias; substituição do sistema hidrosanitário; instalação do sistema preventivo de incêndio; restauração de assoalho de madeira e marchetaria e reconstrução de anexo para banheiros e palco.

A restauração do piso de madeira em placas de marchetaria, utilizado como pista de dança do clube, foi o maior destaque e também o maior desafio de toda a obra. A marchetaria é uma técnica de ornamentação artesanal de encaixes de madeira de diversos tons e tamanhos, aplicados sobre uma peça plana de madeira como base, criando desenhos geométricos.

“Este espaço, associado aos demais clubes e locais públicos do Centro Histórico, proporciona a expansão da vida urbana no bairro”, explicou a superintendente do Iphan-SC, Liliane Nizzola. De acordo com ela, a intervenção vai além do uso comercial e residencial, uma vez que destaca valores como a sociabilidade e o sentimento de pertencimento ao lugar.

Participaram da cerimônia de entrega das chaves, representantes do Escritório Técnico de Laguna do Iphan-SC e da diretoria do Casarão Clube Blondin. 

Clube Blondin

O atual prédio do Clube Blondin, construído em frente à Praça da Matriz, no Centro Histórico de Laguna, foi inaugurado em junho de 1943. Durante os séculos XIX e XX, os clubes recreativos tiveram um importante papel social, sendo locais para realização de grandes festividades que representavam os valores culturais da sociedade da época: saraus, domingueiras, gincanas esportivas, bailes de debutante, bailes de Carnaval, jantares dançantes e outros.

O Clube Blondin foi um destes equipamentos urbanos lúdicos de Laguna que ficou famoso pelos seus memoráveis eventos.










Fonte das Imagens: do site Iphan.

domingo, 1 de novembro de 2020

Desprezo pela história do país - Abandono da Cinemateca Brasileira

 Roberto Gervitz

A produção cultural brasileira já enfrentou ataques demolidores por parte de muitos governos — os anos Collor foram exemplares: levaram consigo estúdios, laboratórios, planos e sonhos. Foram anos de terra arrasada, mas nos reerguemos. Os governos terminam, mas a produção cultural segue pulsando — a criação é uma necessidade atávica do ser humano.

Já estamos cruzando o semiárido cultural, mas não iremos desaparecer porque não se mata uma cultura, e o nosso cinema é a prova indiscutível da capacidade de resistir e de seguir criando. Será mesmo possível e desejável apagar nosso passado — o conjunto das imagens que encerram nossos olhares, depositado na Cinemateca Brasileira, nosso museu do olhar, como definiu Cacá Diegues?

Ela abriga esse grande tesouro composto de registros de amadores que vêm desde o início do século XX até hoje, todo o arquivo do Departamento de Imprensa e Propaganda do Estado Novo, o DIP, parte considerável do acervo da TV Tupi, todas as imagens e matérias do Canal 100 e quase toda a produção audiovisual brasileira contemporânea. São 250 mil rolos de filmes e cerca de 1 milhão de documentos.

No início deste ano, a Cinemateca Brasileira entrou num período de total e completo abandono por parte da União. Dado o risco alarmante que corriam seu acervo e instalações, foram organizadas importantes mobilizações da comunidade cinematográfica, com destacado apoio internacional e da sociedade brasileira. A tais manifestações, que contaram com ampla cobertura da imprensa, se somou uma ação contra a União movida pelo Ministério Público Federal.

No início de agosto, em aparente resposta a essas movimentações, o governo federal, por meio do secretário substituto do Audiovisual, inaugurava um momento de diálogo com as entidades da sociedade civil e a comunidade cinematográfica. Chegou-se até mesmo a discutir alternativas para que se garantisse a preservação do acervo e das edificações.

Transcorridos 50 dias, foram garantidos os serviços básicos e emergenciais de água e de luz; foram contratadas uma minibrigada anti-incêndio e uma empresa de vigilância patrimonial e os serviços de limpeza e manutenção da climatização, embora não detenham a expertise necessária.

No entanto, entre as necessidades emergenciais, falta o fundamental trabalho dos funcionários especializados, sem os quais o acervo não estará seguro, mesmo com a retomada dos serviços básicos acima descritos. O secretário solicitou um plano de trabalho à Sociedade Amigos da Cinemateca, a SAC, para que isso fosse possível, mas tal plano não foi aprovado até o momento. E, assim, apesar dos esforços empreendidos pelas partes, segue inalterada a situação de enorme risco.

Para completar, a dotação prevista no projeto da Lei Orçamentária da União para a Cinemateca Brasileira em 2021 é uma regressão jamais vista. Com tais recursos, a Cinemateca Brasileira será reduzida a um mero depósito de filmes, anulando toda a sua importância e excelência como centro de preservação, irradiador de cinema e cultura.

Este texto, ao lado de uma carta da comunidade cinematográfica já publicada e enviada, é um alerta à comunidade audiovisual e à sociedade brasileira, bem como ao atual governo, que hoje é inteiramente responsável por tudo o que vier a ocorrer com uma das maiores cinematecas da América Latina.

As manifestações que conheceram um justo e paciente arrefecimento em função das negociações podem ser retomadas se o importante diálogo que iniciamos não resultar em soluções efetivas. É urgente que se coloque um ponto final na insustentável situação em que se encontra a Cinemateca.

As associações de cineastas, de preservadores audiovisuais, as cinematecas de todo o mundo, os festivais de cinema, a imprensa nacional e internacional, a comunidade artística e os frequentadores e amantes do cinema aguardam uma solução urgente e imediata para a Cinemateca Brasileira. Quem sabe, viabilizada por uma parceria inédita entre o poder público e a sociedade civil? A reabertura imediata da Cinemateca Brasileira é fundamental, não só para o cinema, como também para o conjunto da cultura e da própria história do país.

nota

NE – publicação original do artigo: GERVITZ, Roberto. Desprezo pela história do país. O Globo, Rio de Janeiro, 13 out. 2020.

sobre o autor

Roberto Gervitz é cineasta.

Fonte: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/20.243/7905
















Antigo Matadouro de São Paulo, atual Cinemateca Brasileira
Foto Nelson Kon

Iphan entrega obra de ampliação da Casa Eichendorf em Santa Catarina

 O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) entrega, na tarde desta sexta (16), ao município de São Bento do Sul (SC), os serviços de ampliação da “Casa Eichendorf”, edificação que integra o conjunto de casas tombadas pelo Iphan, nos Roteiros Nacionais de Imigração de Santa Catarina, criado em 2007.

Com investimento de R$ 313 mil do Instituto, a obra contemplou a construção de um anexo com copa e lavabos, construção de rampa de acessibilidade, calçadas e estacionamento, além de melhorias na área externa com grama e iluminação da fachada. Internamente, foram feitas as instalações elétricas e de equipamentos para prevenção e combate a incêndio.

O Iphan já realizou outros serviços na Casa Eichendorf em anos anteriores. Em 2008, por exemplo, foi feita obra emergencial de escoramento e colocação de tapumes; em 2012, restauração da edificação; e, em 2014, os recursos foram aplicados no reparo das pinturas murais da Casa.

Casa Eichendorf

O município de São Bento do Sul possui um importante conjunto de edificações singulares, dentre as quais está a Casa Eichendorf, construída nos primeiros anos do século XX às margens da estrada Dona Francisca.

Sua construção mescla duas técnicas tradicionais da arquitetura usada pelos colonos descendentes de alemães em Santa Catarina: a estrutura enxaimel e a alvenaria autoportante.

A cerimônia de entrega oficial da obra de restauração e ampliação da Casa é promovida pela Fundação Cultural de São Bento do Sul e conta com presença da Superintendente do Iphan-SC, Liliane Nizzola; do presidente da Câmara de Vereadores de São Bento do Sul, Peter Kneubuhler; da chefe de gabinete, Nilva Holz; da diretora de Turismo da prefeitura de São Bento do Sul, Luiza da Silva, e de representantes da Fundação Cultural.  

Mais informações para a imprensa

Assessoria de Comunicação Iphan
comunicacao@iphan.gov.br
Juliana Brascher - juliana.brascher@iphan.gov.br
(61) 2024-5528
www.iphan.gov.br
www.facebook.com/IphanGovBr  |  www.twitter.com/IphanGovBr
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Fonte: http://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/5807/iphan-entrega-obra-de-restauracao-da-casa-eichendorf-em-santa-catarina














Fonte: Site do Iphan

sábado, 12 de setembro de 2020

Prefeitura da Serra inaugura ruínas de Queimado restauradas

Local foi marco de uma das principais revoltas de negros escravizados no Espírito Santo, em 1849

Não foi como se sonhava, mas aconteceu nessa segunda-feira (17) a inauguração da restauração das ruínas da Igreja de São José do Queimado, depois de um processo de 22 anos de luta do movimento negro por meio do Fórum Chico Prego. O local foi palco de uma das mais importantes rebeliões de negros escravizados no Espírito Santo e se encontrava em abandono, com ameaça de desabamento das paredes.

A previsão era de uma grande jornada de inauguração culminando no dia 19 de março, data que vem sendo celebrada nas últimas décadas com uma caminhada noturna de Serra Sede até o local e a realização de um ato inter-religioso e atividades culturais. A programação estava pronta, mas dias antes veio o início do período de isolamento em decorrência da pandemia do coronavírus, levando ao adiamento das atividades.

A nova data escolhida, 17 de agosto, é Dia do Patrimônio Histórico. O processo foi feito de forma simbólica, com a realização da caminhada, que tinha 400 inscritos em março, sendo realizada por um grupo de 15 pessoas. Na inauguração, a sociedade civil foi representada por oito integrantes, de Serra, Vitória, Cariacica e Vila Velha, num total de 25 pessoas presentes no ato, incluindo o prefeito Audifax Barcelos (Rede), mas num evento sem a presença de candidatos em 2020, já que a legislação eleitoral eleitoral veda participação neste tipo de atividade desde o último sábado (15).
Mas qual o sentido de inaugurar o monumento em plena pandemia quando não está recomendado o estímulo a atividades turísticas?

Há certas alegações burocráticas, como a necessidade de finalizar o processo de entrega para liberar a empresa contratada. Certamente pesa, porém, também o fator político, já que o processo de restauração foi levado adiante na gestão de Audifax, que não quis correr o risco de deixar para seu sucessor o crédito de bandeja. Aproveitando o bom diálogo que teve com o atual prefeito e sem saber o que se reserva para a próxima gestão, o Fórum Chico Prego também apoiou a inauguração, que é na verdade um primeiro passo de um processo para uso e ocupação do espaço.

O local ainda não tem outras estruturas além das ruínas restauradas da igreja, que servem com museu a céu aberto, contando com informações históricas que finalmente marcam um certo reconhecimento do Estado sobre a importância do local e sua história e uma sinalização para os visitantes que os contextualize ao chegar lá. Localizado em região isolada, as ruínas não contam ainda sequer com vigilantes, de modo que ficam sujeitas a possíveis ações que possam danificar o patrimônio.

Madalena Maria Teles Correia, atual coordenadora do Fórum Chico Prego, comemorou a entrega de Queimado, embora lamentando que a inauguração simbólica não pôde contar com a participação de muitas pessoas importantes no processo, já que o momento pede mobilizações limitadas. "O resultado superou nossas expectativas. Eram ruínas que literalmente podiam vir abaixo, não podíamos entrar e realizávamos atividades do lado de fora. Agora está tudo limpo e estruturado", aponta.

As obras de restauração duraram mais de um ano e tiveram investimento de R$ 1,3 milhão oriundos da iniciativa privada, sendo as obras supervisionadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), assim como as pesquisas arqueológicas que as antecederam. Além de reforçar os muros para evitar que caíssem, a estrutura interna recebeu uma camada de reboco simulando a que se usava na época da inauguração da igreja. Estruturas de metal ajudam simular parte da estrutura original que desabou e também compõem uma escada que leva a um mezanino, onde se pode ter uma vista do alto da nave da igreja.

A restauração das ruínas de Queimado é o marco mais importante de um processo que ainda não terminou. Num segundo momento ainda serão construídos uma guarita, estacionamento, banheiros e um centro pedagógico com salas e auditório. A sinalização das trilhas do entorno e a restauração do espaço do antigo cemitério ainda são processos a serem feitos. A implantação do modelo de governança e projeto pedagógico também ajudarão a sinalizar como vai ser de fato o uso e a se vai haver uma política pública de fato para o local que ficou tanto tempo abandonado e esquecido pelo poder público, pese sua importância histórica.

A instalação de energia elétrica feita pela prefeitura favorece as atividades, já que antes tudo tinha que ser feito levando gerador próprio. Segundo Madalena, a intenção do Fórum Chico Prego é construir um calendário anual de atividades a serem realizadas no local para além da data de 19 de março, quando já acontece tradicionalmente a caminhada e celebração, que podem também ser tombadas como patrimônio imaterial.

A insurreição de Queimado ocorreu em 1849, na ocasião da inauguração da igreja, quando os negros escravizados que trabalharam na construção do templo se rebelarem após saberem que não teriam a alforria que lhes havia sido prometido em troca do trabalho. O movimento foi reprimido e debelado em poucos dias, tendo líderes como Chico Prego e João da Viúva presos e executados. A exceção foi Eliziário Rangel, a única das lideranças que conseguiu fugir e se aquilombar nas matas da região.

Fonte: https://www.seculodiario.com.br/cidades/prefeitura-da-serra-inaugura-ruinas-de-queimado-restauradas















As ruínas estão localizados numa região rural e isolada na Serra. Foto: Vitor Taveira















Vista de cima do mezanino construído dentro da Igreja. Foto: Vitor Taveira

Prefeitura anuncia revitalização da Estação Ferroviária em Divinópolis

A Prefeitura de Divinópolis anunciou nesta sexta-feira (11) a revitalização da Estação Ferroviária do município. Segundo a Secretaria Municipal de Cultura (Semc), as obras incluem o conserto do telhado, pintura e outras reparações necessárias para a conservação do imóvel.

O G1 solicitou informações à Prefeitura sobre as datas para início e término das obras e o valor que será investido na reforma, no entanto, não obteve retorno até o fechamento da reportagem.

Segundo o Executivo, a revitalização contribuirá para que o município aumente a pontuação no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cultural.

O local abriga a atual sede da Semc onde são desenvolvidos trabalhos de promoção, planejamento e fomento das atividades culturais. Através da política cultural do município, a secretaria realiza no local o atendimento a população, classes artísticas e promove ainda ações de valorização do patrimônio cultural material e imaterial da cidade.

Estação Ferroviária

Segundo a Prefeitura, a Estação foi inaugurada em 1890 e na ocasião foi batizada com o nome de Henrique Galvão, o construtor da ferrovia. Esta primeira estação ficava na antiga Rua do Comércio, próxima ao atual estádio Mendes Mourão.

Na ocasião, Divinópolis existia com o nome de distrito do Espírito Santo do Itapecerica, que pertencia a Vila de São Bento do Tamanduá, atual Itapecerica.

Em Primeiro de Junho de 1912 foi instalado o município de Divinópolis. A estação então teve seu nome alterado para o nome do município. O prédio da estação original foi demolido e um novo foi construído em 1916, na atual Praça Pedro X. Gontijo. O prédio da estação foi tombado pelo município em 1988.

















Estação Ferroviária de Divinópolis — Foto: Prefeitura/Divulgação