quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Abertura do Museu do Holocausto - Curitiba - PR

O primeiro Museu do Holocausto no Brasil abre as portas ao público no último domingo – 12 de fevereiro, em Curitiba. O espaço também presta homenagem aos brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial e aos que receberam os sobreviventes no país.

Foram reunidos objetos, documentos e depoimentos de judeus que sobreviveram à perseguição na Europa e vieram reconstruir a vida no Brasil. O museu é divido em salas e cada uma mostra um período da história dos daquele povo.

O espaço mostra ainda como funcionavam os guetos onde os judeus moravam e a moeda própria de um deles, na antiga Tchecoslováquia. Uma das principais peças em exposição veio de Jerusalém. É o fragmento de um exemplar do livro sagrado dos judeus, a Torá, queimado pelos nazistas.

De acordo com a Associação Casa de Cultura Beit Yaacov, aproximadamente 80 pessoas que sobreviveram ao holocausto reconstruíram a vida no Paraná e 15 ainda estão vivas.

Para conhecer as instalações é preciso agendar um horário no site do museu, que fica na Rua Coronel Agostinho de Macedo, no bairro Bairro Bom Retiro. Não é recomendável a visita de crianças menores de 12 anos.

Fonte da Notícia: http://g1.globo.com/parana/noticia/2012/02/museu-do-holocausto-inedito-no-brasil-e-inaugurado-em-curitiba.html

Site do Museu: http://www.museudoholocausto.org.br/


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Memorial Jesuíta da Unisinos - São Leopoldo - RS

É uma operação delicada. Depois de cumprimentar repórter e fotógrafo, nossa guia veste luvas cirúrgicas e nos conduz por um salão trancado a chave. Um termo-higrômetro monitora a temperatura do ambiente, que deve estar entre 18°C e 22°C, e a umidade do ar, o mais próximo possível de 55%. Isabel Cristina Arendt é historiadora e assistente de pesquisa do Memorial Jesuíta da Unisinos, em São Leopoldo, cujo acervo está no terceiro e no sexto andares do prédio da biblioteca da universidade. Estamos no terceiro, onde são guardados os livros. No sexto, ficam periódicos e documentos.

– “Arendt” como Hannah Arendt – observa com um sorriso, referindo-se à celebre cientista política e filósofa alemã (1906 – 1975). – Mas não sei se há relação de parentesco.

Isabel, 42 anos, lê em alemão, inglês, latim e grego antigo e lamenta ainda não saber francês. Embora não haja mais ninguém no local, por vezes fala quase sussurrando enquanto folheia os volumes, como se guardasse um respeito sagrado. É que, entre os títulos do acervo de 200 mil a 300 mil itens (o número é impreciso porque nem tudo está catalogado), estão raridades de áreas como teologia, filosofia, literatura e ciências naturais. As luvas servem para evitar que os resíduos naturalmente depositados nos dedos danifiquem as páginas, já agredidas pelo tempo. Cerca de 2,3 mil volumes publicados entre os séculos 15 e 18 compõem a coleção mais rara.

O Memorial Jesuíta recebe pesquisadores desde 2001, quando o acervo foi constituído, mas será aberto oficialmente para consulta em cerimônia no dia 29 de março. Como ocorre em qualquer biblioteca de livros raros e especiais, os estudantes deverão comprovar interesse acadêmico para ter acesso, e nenhum livro poderá ser retirado do local. Uma armário com fichas de papel que abrangem parte do acervo confere certo charme à sala de leitura, mas o catálogo também pode ser consultado em formato digital.

Os livros mais antigos ficam em uma sala separada a que os funcionários se referem como “cofre”. Isabel prefere não divulgar os detalhes de segurança. Não é sem motivo: ela está escaldada pela notícia de que, na quinta-feira, dia 2, três homens armados invadiram o Instituto de Botânica do Estado de São Paulo e roubaram 15 volumes de três obras raras publicadas entre 1827 e 1913. Embora sem valor de mercado, os títulos – sobre palmeiras, bambus e a flora fluminense – são valiosos para pesquisadores da área.

Está no cofre o livro mais antigo do Memorial Jesuíta: Repertorii Totius Summe Domini Antonini Archiepiscopi Florentini Ordinis Predi, de Santo Antonino de Florença (1389 – 1459), publicado em latim em 1496. Trata-se de um incunábulo, como são chamadas as primeiras obras impressas com tipos móveis, não manuscritas. São quatro volumes com capa de madeira, dos quais a biblioteca não tem o terceiro. Há pouquíssimos exemplares no mundo: sabe-se que está no catálogo de sete instituições americanas. Curador adjunto do memorial e professor do Programa de Pós-Graduação de História da Unisinos, Luiz Fernando Medeiros Rodrigues explica:

– É basicamente uma obra de direito canônico, mas naquela época o direito civil e o canônico se confundiam um pouco. O livro é importante porque tem os princípios que vão fundar o direito moderno. Aí se pode fazer uma história jurídica, cultural.

O acervo foi reunido de bibliotecas de escolas e seminários do Rio Grande do Sul como o Colégio Máximo Cristo Redentor, em São Leopoldo (que dá nome a uma das coleções), que começaram a ser desativados na década de 1950 e onde também se formou o clero de Santa Catarina e Paraná. As obras vinham da Europa, doadas por instituições de lá, enviadas pelas famílias dos estudantes ou adquiridas pelos próprios em viagens. Assim, os títulos remontam aos diferentes interesses dos jesuítas, cujos primeiros representantes chegaram ao sul do país no século 19, vindos principalmente de países falantes de alemão e italiano – dois dos povos que formavam a base da colonização europeia no Estado.

– O foco dos livros que vieram da biblioteca do Cristo Rei é filosofia e teologia, mas se encontra ali toda a cultura necessária para fazer um trabalho pastoral nas colônias das comunidades do Interior. Há livros que ajudam a realizar partos, a construir pontes, a fazer contabilidade. São 360 graus em termos de cultura: passa por geografia, história, economia, política, direito e sociologia, entre outras áreas – afirma o professor Rodrigues.

Nem todos os títulos estão em condições de serem lidos. Muitos estão deteriorados; alguns praticamente não podem ser folheados sob pena de se desmancharem. É o caso de um livro de sermões de autoria de Mathias Faber (1587 – 1653) publicado em 1653. Devido à contínua ação dos insetos, lembra mais um queijo suíço. As páginas se desprenderam da encadernação do livro, o que torna impossível fechá-lo com a capa de madeira. Fica sempre semiaberto.

Depois da catalogação, que ainda não está concluída, a fase seguinte será a restauração, um trabalho altamente especializado e caro. A recuperação de apenas um livro pode custar entre R$ 10 mil e R$ 30 mil, segundo o professor Luiz Fernando Medeiros Rodrigues. Para esta etapa, a equipe da biblioteca vai estabelecer um critério de prioridade baseado na relevância da obra e na procura de pesquisadores.

No momento em que as bases de dados migram em velocidade espantosa para o formato digital, nunca foi tão importante recuperar o conhecimento em papel, inclusive para que possa ser posteriormente convertido em bytes, como diz Arthur Blásio Rambo, professor de antropologia aposentado da UFRGS e da Unisinos e pesquisador do Memorial Jesuíta, tendo participado de sua fundação:

– As duas formas (papel e digital) terão que coexistir. Algumas destas obras já estão disponíveis na internet. O acesso não é uma questão de suporte, mas de compreensão da língua. Cerca de 80% das nossas obras são em latim, francês, alemão e grego. O 2º grau (atual Ensino Médio) das escolas não oferece mais aos alunos os instrumentos necessários para acessar o conteúdo destes livros como fazia antigamente.

Nas palavras do professor Rambo, o Memorial Jesuíta reúne obras fundamentais para se entender a “modernidade ocidental ou o chamado grande século 19”. Exemplo disso é a histórica primeira edição da Enciclopédia organizada pelos filósofos franceses Denis Diderot (1713 – 1784) e Jean Le Rond d’Alembert (1717 – 1783), publicada entre 1751 e 1772. São 17 volumes de textos e 11 de imagens que representam o espírito progressista do Iluminismo no prelúdio da Revolução Francesa. Na expectativa da abertura oficial do acervo a pesquisadores, Rambo adianta que há mais a ser explorado:

– Pouco tem se falado da grande coleção de 1,2 mil periódicos. Acredito que está lá a maior mina de informação. As revistas normalmente contêm as grandes discussões, em forma de artigo, antes de surgirem consolidadas na forma de livros.

Como ainda não há previsão de catalogação dos periódicos, os pesquisadores que subirem ao sexto andar da biblioteca deverão levar em suas pastas uma dose extra de paciência e perseverança para se localizar em meio ao material.

Outras informações sobre o Memorial Jesuíta podem ser obtidas no site www.unisinos.br/memorialjesuita, pelo e-mail memorialsj@unisinos.br ou pelos telefones (51) 3590-8802 e (51) 3590-8821.

Fonte Original da Notícia: http://www.defender.org.br/sao-leopoldors-a-grande-biblioteca-da-modernidade/

Museu Virtual do Porto de Santos - SP

O Porto de Santos, um dos maiores da América Latina, comemorou 120 anos este mês com um presente para os historiadores: um Museu Virtual, com direito a imagens do material encontrado em escavações arqueológicas e fotos do entorno. Além do site histórico, a data será comemorada até abril com várias atrações.

Em 2 de fevereiro de 1892, o porto foi inaugurado com os primeiros 260 metros de cais. O processo de construção, porém, revelou uma série de vestígios de antigas civilizações em três poços arqueológicos. Há, por exemplo, fragmentos de conchas, solo formado por sedimento escuro e fragmentos ósseos – remetendo a um contexto indígena de grupos construtores de sítios do tipo sambaqui. Aos vestígios – espalhados por cerca de 150 metros –, somam-se itens recentes de aterro, como tijolos e fragmentos de telhas.

O município de Santos, juntamente com os vizinhos Guarujá, São Vicente e Cubatão, abrange um território que traz uma extensa história de ocupação humana de, pelo menos, 4.500 anos atrás. Entre os diferentes grupos que se desenvolveram na região estão sociedades construtoras de sambaquis – mais antigas ocupantes da área – e grupos de língua Tupi, que tiveram contato com os primeiros colonizadores europeus, no século XV.

Além do site, também foi lançado o livro “Paisagens Culturais da Baía de Santos”, com depoimentos de trabalhadores do porto e moradores do entorno. A obra será distribuída gratuitamente para bibliotecas e escolas, e poderá também ser baixado, em formato digital, no próprio site do Porto de Santos.

Há, ainda, passeios de escuna patrocinados pela Prefeitura de Santos, que distribuiu 1,2 mil ingressos. O passeio conta com guias turísticos contando a história do porto e curiosidades sobre a cidade. O Teatro Municipal também recebe várias atrações até o fim deste mês. A programação incluiu ainda passeios ciclísticos e exposições.

Fonte Original da Notícia: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/nota/porto-virtual

Site do Museu: http://www.portogente.com.br/museudoporto/apresentacao/index.php

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Telas Históricas de Piratini - RS

Projeto de Restauração de 8 Obras Históricas – Acervo Museu Histórico Farroupilha Piratini/RS

As obras iconográficas para as quais se propõe a completa restauração, através deste projeto, compõem o acervo do mais significativo Museu Histórico do Rio Grande do Sul – Museu Histórico Farroupilha, localizado na cidade de Piratini.

O conjunto selecionado é formado por pinturas em óleo sobre tela e fotografias retocadas através de técnicas de sensibilidade fotográfica e retoque com pastel seco, produzidas por artistas, com reconhecimento nacional e internacional, dos séculos XVIII e XIX, como Antonio Parreiras, Dakir Parreiras, Guilherme Litran e Helios Seelinger.

Para a seleção destas obras, foram levados em conta os seguintes critérios: importância histórica, estado de conservação e urgência de restauração.

Objetivo geral

Preservar significativa parcela do acervo cultural e artístico que compõe a memória e a história do povo gaúcho.

Objetivos do projeto

  • Restaurar e recuperar oito obras históricas, integrantes do acervo do Museu Histórico Farroupilha, localizado na cidade de Piratini/RS
  • Divulgar e socializar, por meio da web, as etapas de restauração das obras históricas, culminando em uma ação de educação patrimonial;
  • Publicizar e ampliar o conhecimento destas obras através da publicação de um catálogo contendo informações históricas e técnicas, além de dados sobre os artistas.

Importante

Sob a supervisão da Direção e Coordenadoria do Núcleo de Conservação e Restauro do MARGS, a restauração das obras históricas será realizada por profissionais especializados nas dependências do Museu em Porto Alegre.

No link abaixo, o site oficial, a história das obras e vídeos com depoimentos sobre o projeto:

http://telashistoricasdepiratini.org/

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Villa Rotonda - Andrea Palladio - Vicenza - Itália

A Villa Capra, também conhecida como Villa Rotonda, é uma das mais belas e famosas villas do arquiteto italiano Andrea Palladio, sendo também um dos mais celebrados edifícios da história da arquitetura da época moderna.Localiza-se perto da cidade de Vicenza, na Itália.O nome Capra deriva do apelido dos dois irmãos que completaram a construção, a partir de 1591.

O projeto do edifício ilustra perfeitamente a significação do classicismo.É definida por um bloco quadrado, encimado por uma cúpula e apresentando quatro fachadas idênticas, sendo os quatro lados do edifício também idênticos, agrupados em torno de um átrio que lembra o panteão romano.A estrutura do prédio é extremamente lógica, obedecendo a uma racionalidade geométrica e matemática.A cobertura ajuda a segurar as paredes, sustetando a cúpula e os pórticos auxiliam também os arcobotantes nas paredes exteriores.

A casa projetada por Palladio para o cônego e Conde Paolo Almerico é um dos protótipos arquitetônicos mais estudados e imitados ao longo dos anos.O local escolhido para a construção foi o alto de uma pequena colina, logo após a saída dos muros de Vicenza.Isolada no cimo da colina, a “Villa Templo”, ficava privada da área usada ao redor para o cultivo agrícola.

O início da construção se deu em 1566, consistindo num edifício quadrado, completamente simétrico e inserido num círculo perfeito.Apesar de estar inserida num círculo, a planta do edifício não é circular, e sim representa a intersecção de um quadrado com uma cruz grega.Todas as quatro fachadas eram dotadas de um corpo avançado com uma galeria que se podia alcançar subindo uma escadaria e cada uma das quatro entradas principais conduzia, atravessando um vestíbulo, à sala central cororada pela cúpula.Esta sala e os demais cômodos tinham proporções calculadas com precisão matemática, com base nas regras de arquitetura desenvolvidas por Palladio, elaboradas no seu Quatrro libri.Na sala central, o arquiteto imprime um impulso centrífugo, alargando-a para o exterior, nos quatro pórticos jônicos e na escadaria, resultando assim numa arquitetura aberta, com vista e acesso pelos quatro lados, observando o campo e a cidade de Vicenza.

Para permitir a casa divisão uma exposição solar análoga, a planta foi girada em 45 graus em relação aos pontos cardeais.Todas as quatro galerias apresentavam um pórtico com frontão ornado por estátuas de divindades da antiguidade clássica.Esse frontõs eram suportados por seis colunas jônicas cada um e cada galeria era flanqueada pr uma única janela de cada lado.

Com o uso da cúpula, aplicada pela primeira vez a um edifício residencial, Palladio se depara com o problema da planta central, usada até aquela momento na arquitetura religiosa.Mesmo já tendo outros projetos anteriores de residências com planta central, a Villa Capra permanece como peça única na arquitetura mundial, reconhecida como modelo ideal.

Andrea Palladio faleceu em 1580, antes da conclusão da obra, sendo sucedido na supervisão dos trabalhos pelo também arquiteto de Vicenza, Vicenzo Scamozzi.A intenção inicial de Palladio era cobrir a sala central com uma abóboda semi-esférica, porém Scamozzi projetou uma mais baixa com um óculo, que devia ficar a céu aberto, inspirado no Panteão de Roma e também fez alterações nas escadarias, sendo que estas também foram alteradas no século XVIII por Ottávio Berlotti Scamozzi.

Em 1591, o filho de Almerico, Virgínio Bartolomeo, vende a villa aos irmão Odorico e Mário Capra.Os Capra então, levaram adiante a conclusão da obra, com a decoração interior dos afrescos, sendo em seguida acrescentado também ao complexo , a capela, construída por Girolamo Albanese, entre 1645 e 1663.

O interior é ricamente ornamentado com as estátuas resultantes do trabalho dos escultores Lorenzo Rubini e Giovanni Battista Albanesi; as decorações plásticas e o teto são obra de Agostino Rubini, Ottavio Ridolfi, Ruggero Bascapé, Domenico Fontana e Alessandro Vittoria; as pinturas dos afrescos são de Anselmo Canera, Bernardino India, Alessandro Maganza e do francês Ludovico Dorigny.

Tanto no aspecto externo da arquitetura de Palladio, pensada para um homem religioso, como no aparato decorativo do interior, foram inserido elementos formais, destinados a sugerir um sentido de sacralidade.A abundância de afrescos cria uma atmosfera que lembra mais uma catedral que uma residência.Na visão de Goethe, que visitou a villa várias vezes, Palladio havia criado um templo grego adaptado para habitação.

Dos pórticos é possível apreciar a vista do campo circundante.Apesar de a Villa Capra parecer totalmente simétrica, existem linhas desviadas, projetadas para que cada fachada fosse um complemento do ambiente e da topografia circundante, por consequência, existem variações nas fachadas, na extensão dos degraus e nas paredes de controle.

Desde 2006 a Villa é propriedade do arquiteto Mário Valmarana, especialista nas obra de Palladio e antigo professor da Universidade da Virgína.Sua ambição é preservar o edifício para que este possa ser apreciado pelas próximas gerações.A Vila Rotonda é considerada pela Unesco como Patrimônio Mundial desde dezembro de 1994.

O projeto de Palladio foi usado como inspiração para numerosos edifícios ao redor do mundo, como a Villa Pisani, em Vicenza – arquiteto Vicenzo Scamozzi, Chiswick House, em Londres – arquitetos Lord Burlington e William Kent, Mereworth Castle, na Inglaterra – arquiteto Colen Westfmorland e Monticello, em Charlottesvile, Estados Unidos – arquiteto Thomas Jefferson.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Villa_Capra

http://www.villalarotonda.it/en/homepage.htm


Fachada


Acesso pela parte dos fundos


Vista I


Vista II


Vista III


Vista ao longe I


Vista ao longe II


Vista Aérea


Detalhe do pórtico da fachada


Detalhe da Cúpula


Detalhe do Interior


Detalhe do Interior


Planta Baixa


Corte esquemático - Desenho de Andrea Palladio

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Catedral de Santiago de Compostela - Espanha

Símbolo da Igreja Católica espanhola, hoje Compostela é um patrimônio da humanidade.Santiago de Compostela é o lar espiritual de Espanha. Para muitos cristãos, a peregrinação à catedral de Santiago só rivaliza com uma visita à Terra Santa. Com mais de cem mil visitantes por ano, é um dos destinos de peregrinação mais procurados do mundo. A catedral de Santiago de Compostela está localizada ao fim do antigo caminho de peregrinação medieval, o Caminho de Santiago. A descoberta do alegado sepulcro do apóstolo Santiago, durante o reinado de Afonso II, foi um acontecimento da máxima importância na história da Europa e principalmente dos conflituosos territórios da Península Ibérica. Segundo uma lenda local, em 813 um ermitão localizou seu túmulo num local indicado por uma chuva de estrelas, ou Campus Stellae (campo de estrelas) - expressão que dá origem a Compostela.
O local sagrado se tornou um centro milenar de peregrinação cristã da Europa e foi fator determinante para colocar a Espanha dentro dos círculos medievais graças à catedral dedicada a Santiago Maior, atual padroeiro e protetor do Reino da Espanha. A prática da peregrinação era fruto de uma sociedade religiosa e sacralizada interessada no culto das relíquias como meio de contato com a divindade.
A catedral é uma profusão de estilos.As duas maiores torres do conjunto são do século 17, auge do barroco.Porém, o estilo predominante é o estilo românico.O resultado dessa mistura são ricos e ostentativos detalhes nas fachadas, contrastando com a concepção sóbria do edifício, marcado por arcos, paredes maciças e poucas janelas.O estilo românico da catedral é fruto de uma campanha cultural empreendida com o objetivo de educar os fiéis e dar monumentalidade às relíquias dos santos, assim como a seus templos. Pretendia-se passar a mensagem de que somente quem vivesse de acordo com os preceitos da Igreja chegaria ao Paraíso.
Em 1075, sob o impulso do bispo Diego Páez e do rei Afonso VI de Castela e Leão começou a construção da catedral românica que se completou durante o episcopado de Diego Gelmírez (1101-1140).O primeiro que se edificou foram as capelas do deambulatório: A capela do Salvador, a de São Pedro e a de São João. Em 1105 Gelmírez consagrou as capelas de São João Baptista, São Martinho, Santa Cruz e São Martinho. Em 1112 remataram os trabalhos dos braços do cruzeiro. Em 1117 uma revolta dos burgueses da cidade contra Gelmírez afetou à catedral, e a fachada das Pratarias veio-se tocada pelo lume: ainda assim em 1140 estão rematados seis trechos das naves maiores. O resto dos trechos foram concluídos em 1160, após o qual houve uma paralise na construção até que, em 1168, o Mestre Mateus ficou como mestre de obras. Nesta altura, ele e sua oficina tornaram-se artífices do Pórtico da Glória e remataram a catedral que, numa celebração solene, consagrou o arcebispo Pedro Muñiz em 21 de abril de 1211.
A catedral de Santiago de Compostela situa-se na zona mais ocidental da cidade antiga, rodeada por quatro praças: Praça do Obradoiro, Praça da Acibecharia, Praça das Pratarias e Praça da Quintana.A Catedral foi uma grande escola de cantaria onde se formaram famílias e gerações de canteiros, que espalharam por toda Galiza o aprendido durante sua construção.
Consta de uma planta basilical de cruz latina de três naves, também no transepto, e trifório (chamado localmente tribuna), que está conectado diretamente com o Paço do Arcebispo, o conhecido na atualidade como Paço de Gelmírez. Na cabeceira situa-se a capela-mor, rodeada por uma charola pela que se acede a cinco capelas radiais menores. Esta estrutura segue os exemplos franceses dos templos de peregrinação, novas formas construtivas chegadas através do Caminho.
A fachada principal da catedral chama-se Obradoiro, o que significa "trabalho de ourives", devido à talha artística e detalhada dos pedreiros que a realizaram em princípios do século XVIII.
O famoso Pórtico da Glória é a única entrada românica e foi construído no século XI. Em sua estrutura de três colunas podemos ver figuras que contam histórias bíblicas, do Antigo ao Novo Testamento, do Gênesis ao Apocalipse. Os fiéis podiam visualizar, esculpidos em pedra, os principais personagens da história do cristianismo.
O botafumeiro é um grande incensário de latão banhado em prata, que pesa 62 kg vazio e mede 1,60 m de altura.É o maior do mundo. Numerosas fontes apontam outros pesos, referidos ao incensário cheio de combustível, a modelos anteriores ou a simples erros. O botafumeiro atual pesava 60 kg, mas em 2006 acrescentou-lhe um banho de prata que fez aumentar sua massa até os 62 kg atuais.
O atual foi criado pelo ourives Xosé Losada em 1851. A corda que o suspende, atada do cruzeiro da catedral, é na atualidade de um material sintético, mede 65 metros, tem 5 cm de diâmetro e pesa 90 kg. Anteriormente as cordas eram feitas de cânhamo ou de esparto.
A imagem de Daniel traz o que é considerado o primeiro sorriso a ser esculpido em pedra na Europa medieval. Atrás da coluna há uma escultura com a fama de deixar mais inteligente quem bater a cabeça ali três vezes. O visitante então cruza a igreja para contornar o altar principal e abraçar uma imagem do apóstolo. Depois, ainda deve seguir para uma visita às supostas relíquias de são Tiago.
Durante o século XVI, a peregrinação começou a diminuir, consequência da Reforma protestante, e as portas da catedral se fecharam. Somente no século XX o caminho foi recuperado e hoje milhões de peregrinos percorrem as trilhas a pé, a cavalo ou de bicicleta. Muitos encaram a viagem como um ato espiritual e de meditação; outros são seduzidos pelos museus, culinária, monumentos históricos ou vinícolas do percurso. Não importa qual seja o motivo: o viajante será recompensado com uma das mais maravilhosas construções arquitetônicas da humanidade.
O escritor brasileiro Paulo Coelho escreveu um livro chamado O diário de um mago, traduzido para 21 idiomas, contando a história da jornada de três meses, onde o escritor peregrinou pelos quase setecentos quilômetros que separam o sul da França, onde teve o início da caminhada, da cidade de Santiago de Compostela, na Galiza.
A obra relata a saga de Paulo Coelho que busca pelos mistérios sagrados da magia, seu encontro com um mago italiano, Petrus, que é seu guia, as experiências místicas conhecidas como As Práticas de Ram (Regnus Agnus Mundi) e a passagem por um dos três caminhos sagrados da antiguidade: O Caminho de Santiago de Compostela. Nessa obra, Paulo Coelho retrata com muita perfeição todas suas experiências pelo caminho.

Fonte: http://obviousmag.org/archives/2011/09/catedral_de_santiago_de_compostela_arquitetura_servindo_a_igreja.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Catedral_de_Santiago_de_Compostela



Fachada da Catedral - Imagem Portal Obvious


Claustro - Imagem Wikipédia


Porta Meridional - Imagem Wikipédia


Vista do Jardim - Imagem Portal Obvious


Porta Interna - Imagem Portal Obvious



Reconstrução hipotética da Planta - Imagem Wikipédia


Detalhe do Portal da Glória - Imagem Portal Obvious


Detalhe do bota-fumeiro - Imagem Portal Obvious