quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Cerimônia devolve à Belém do Pará Igreja de Santana totalmente restaurada

13/12/2012 

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a Arquidiocese de Belém e a Paróquia de Santana da Campina, realizarão a cerimônia de encerramento da obra de restauração da Igreja de Santana no próximo dia 19 de dezembro, a partir das 17h30, na Praça Maranhão, no bairro do Comércio, em Belém – PA. A obra foi realizada em cinco etapas, sendo a primeira iniciada em 2004. A superintendente do IPHAN-PA, Dorotéa Lima, explica que em todo o trabalho de restauração foram mantidas as linhas arquitetônicas cujas formas clássicas, elementos artísticos móveis e integrados e volumetria são valorizados pelo jogo de luz e sombra.
O processo de restauração do templo incluiu a recuperação do revestimento das fachadas, e da cobertura que foi integralmente estabilizada e recebeu proteção de forro. Também foram restaurados a capela-mor, a nave, ambientes laterais (capela do santíssimo, sacristia e consistório) e batistério, incluindo pisos, paredes e forros (abóbadas), os elementos artísticos integrados (retábulo-mor e retábulos dos transeptos); telas; paravento; vias sacras e imagens esculpidas em madeira e gesso. Das telas, duas integram os retábulos do transepto, datadas de 1778 são de autoria de Pedro Alexandrino. As fachadas posterior e lateral esquerda do templo foram reconstruídas, com recomposição de pilastras, cimalhas e vãos a partir dos vestígios encontrados nas alvenarias. A intervenção ainda contou com novas instalações hidráulicas, elétricas e de iluminação, com instalação de fiação para sistema de segurança e som e sistema de para raios.

A Igreja de Santana
Inserida no bairro da Campina, no perímetro delimitado e tombado como centro histórico de Belém, a Igreja de Santana, projetada pelo arquiteto italiano Antônio José Landi, devoto da mãe de Maria, teve sua construção iniciada em 1762, com o objetivo de sediar a paróquia do bairro. Contudo, por conta da complexidade da obra e da dificuldade de obtenção dos recursos o templo só foi inaugurado 20 anos mais tarde, em 1782.

De estilo barroco italiano tardio, com o passar dos anos a edificação religiosa passou por processo de descaracterização e deterioração. Suas linhas arquitetônicas e decoração interior foram alteradas, incorporando torres laterais e anexos diversos, bem como novos altares que se sobrepuseram aos antigos retábulos e pintura marmorizada. Em 2002 o estado de conservação do templo já exigia maior atenção, requerendo uma grande intervenção com possibilidade de reversão dos danos e com a recuperação da potencialidade do edifício como obra de arte.

Mais informações:
IPHAN-PA
Telefones: (91) 3224-1825 | 3224-0699
Jorge Sauma - sauma@gabycomunicacao.com.br
Telefones: (91) 3086-3117 | 3081-5778 | 8059 0000 | 9166 1068
Fonte: Ascom - IPHAN/PA 

Fonte: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do;jsessionid=65E2274844586ACE5D350F2FD7447A3E?id=17090&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer - O Arquiteto e o Arquivo

O fundo Correio da Manhã, jornal carioca que circulou entre 1901-1974, possui fotografias do arquiteto em diversas fases de sua vida, dos seus projetos e das obras privadas e públicas mais relevantes construídas por ele, no Rio de Janeiro, Minas Gerais e em Brasília, entre eles, o edifício do MEC e o Hospital da Lagoa, na cidade fluminense, o complexo da Pampulha, em Belo Horizonte e todas as construções erguidas na nova capital federal.
No fundo Agência Nacional destacam-se negativos fotográficos e filmes que registram todas as etapas das obras de Brasília desde os últimos anos da década de 1950 até a sua inauguração.
Entre os documentos custodiados pela Instituição encontra-se ainda um projeto de Niemeyer denominado CB (Centro da Barra), de 1969, que contempla o primeiro núcleo de torres residenciais além de uma escolinha de artes e de um Instituto de Artes Plásticas para a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A planta, em quatro folhas, contem dez desenhos e a descrição do projeto, integrado ao Plano da Barra de autoria de Lúcio Costa.  

Fonte: http://www.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1547&sid=40















Um palácio para a cultura?

Inaugurado em 1947, o Palácio Gustavo Capanema, expoente da arquitetura moderna brasileira, será restaurado ao custo de R$ 50 milhões e pode virar centro cultural.

O Palácio Gustavo Capanema está próximo de se tornar um novo centro cultural para o Rio de Janeiro. Políticos se reuniram na última semana com a ministra da Cultura, Marta Suplicy, para discutir a restauração do edifício, marco da arquitetura moderna brasileira. O encontro foi no próprio prédio, localizado no Centro da cidade. A bancada fluminense na Câmara Federal apresentou uma proposta para destinar R$ 50 milhões à recuperação da estrutura.

Construído para ser sede do então Ministério da Educação e Cultura (MEC), o prédio foi projetado na década de 1930 e inaugurado em 1947, por concepção dos maiores expoentes do movimento Modernista no Brasil. Trabalharam juntos Lucio Costa, Carlos Leão, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcellos e Jorge Machado Moreira, com consultoria do arquiteto franco-suíço Le Corbusier.
O deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ), que apresentou a emenda e articulou a bancada fluminense para sua aprovação, vê possibilidade de ampliar o acesso do público ao palácio após a restauração. “Defendo que o Capanema abrigue não só um centro cultural, mas também espaço para experimentação, uma possível escola de artes. Artes visuais, dramáticas, salas pequenas de cinema, para um circuito não comercial”,  comenta o político. “Temos muitas contribuições importantes que poderiam ser oferecidas neste espaço sensacional”, garante.
O pesquisador João Masao Kamita, professor de arquitetura da PUC-Rio, afirma que é preciso ter calma. Ao se adaptar um prédio para outros fins, muito tem que ser levado em conta: “Tudo precisa ser bem discutido. Ele foi concebido para ser administrativo, institucional, então ele tem uma ideia de arquitetura ligada a essa finalidade”. “Às vezes, para garantir um maior uso, você sacrifica a glória da arquitetura. Ele merece ser restaurado, porque está muito mal cuidado, mas é preciso envolver a comunidade de arquitetos e de pessoas da cultura para discutir como adaptá-lo ao novo uso. Pode ter toda boa intenção do mundo, mas precisa discutir”, sugere Kamita, para quem o Palácio Capanema é “o mais importante monumento da arquitetura moderna brasileira”.
Molon, no entanto, acredita que o uso atual do edifício é um desperdício de seu potencial. “Hoje ele abriga funcionários do Ministério da Cultura, já abrigou do MEC, é depósito de material do Iphan, da Biblioteca Nacional. Não faz sentido um prédio desse tamanho, com essa importância histórica, ser usado como depósito”, critica. A afirmação é um pouco controversa. O terceiro andar, por exemplo, dedicado à Divisão de Música da Biblioteca Nacional, funciona também como centro de pesquisa. Ali está abrigado um dos maiores acervos de música e dança do país, que pode ser consultado pelo público no horário comercial: são mais de 220.000 itens, entre livros, manuscritos, fotografias, partituras, discos de vinil, fitas cassete e CDs. Além de uma sala para reprodução de material em áudio, que conta até com um piano para livre utilização do visitante.
 Para Molon, um museu seria uma boa saída para o Capanema. “O objetivo é usar este espaço para cultura. Quem sabe instalar um Museu da Educação Brasileira, contando como as propostas educacionais foram sendo construídas, apresentando grandes educadores, como Anísio Teixeira, Paulo Freire?”, especula.
No início do ano, o Iphan informou que faria uma restauração no palácio ao custo de R$ 12 milhões. O edital estava previsto para ser lançado em outubro, mas atrasos impediram. A previsão - otimista - agora é para meados de 2013. Os recursos planejados, portanto, não foram aplicados.
Ao longo deste ano o instituto realizou o inventário de todos os bens móveis, obras de arte e danos do prédio. No entanto, a instituição não soube informar se há uma conexão entre a reforma planejada no início do ano e aquela pensada pelos deputados. Apesar da desconexão inicial, a certeza do Iphan é que a obra planejada pela Câmara não acontecerá sem que antes passe pelo seu crivo.

Fonte: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/reportagem/um-palacio-para-a-cultura





















Palácio Gustavo Capanema foi projetado para ser sede do MEC

 

Documentário sobre as comemoraçõess dos 60 anos do Palácio Gustavo Capanema com performaces de diversos artistas como Marcos Chaves, JoséBechara, entre outros, numa festa organizada peli Centro de Artes Visuais da Funarte

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Museu Casa Padre Toledo, em Tiradentes, é restaurado pela UFMG e será reaberto ao público no dia 13

A vida e a obra do Padre Toledo (1731–1803) ainda são cercadas de mistérios. Nascido em Taubaté (SP), com estudos em Lisboa (Portugal) – onde teve acesso aos ideais iluministas –, e com uma trajetória de realizações em fins do século 19, em Tiradentes, o cônego teve importância fundamental para a cultura e para as artes do período. Nos últimos anos, o museu que leva seu nome na cidade do Campo das Vertentes passou por um período complicado, até que, há cinco anos, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) assumiu uma ampla reforma. O resultado do processo chega ao público na semana que vem, quando será reaberto com uma exposição do acervo sobre os universos do religioso e do cotidiano da época.

A reforma do Museu Casa Padre Toledo, que custou cerca de R$ 5 milhões, dinheiro de mecenato e da própria UFMG, recuperou todas as salas do casarão colonial da Rua Padre Toledo, 190, e do Torreão, edifício anexo ao museu. No processo, além da descoberta de pinturas nos forros ainda desconhecidas, foram encontradas pinturas parietais. O investimento também serviu para a criação da nova exposição, recuperação de peças do acervo e para a revitalização de outro casarão ao lado, onde funcionará o Centro de Pesquisa e Experimentações em Sistemas Multimodais. A universidade promete inaugurar ainda uma biblioteca de referência do barroco (no antigo prédio da Câmara) e apoiar a iniciativa do Museu das Sant’Annas da empresária Angela Gutierrez. Todos os espaços constituirão um futuro câmpus cultural a ser implantado em Tiradentes.

“A ideia é que o conjunto possa servir para a produção do conhecimento. Não apenas para se conhecer a história esteticamente”, explica Rodrigo Minelli, um dos responsáveis pela implantação. O pró-reitor adjunto de planejamento da UFMG, Maurício Campomori, vai além: “O interesse é tornar Tiradentes uma referência cultural. Hoje é um polo de eventos. Precisa de uma instituição como a UFMG para prover conteúdos”, salienta ele, que promete dar uma destinação mais acadêmica àqueles edifícios. Pelo menos nessa primeira fase, a trajetória de Padre Toledo permanecerá cercada de mistérios. “Exige uma pesquisa mais aprofundada nos próximos anos”, avisa Minelli. Como os autos da devassa confiscaram os bens do pároco, não existe em exposição nenhuma peça que tenha pertencido ao religioso.

Acervo


A reabertura do Museu Padre Toledo ocorre com uma singela mostra do acervo, se comparado à imponência da restauração da edificação. Talvez, por isso, a opção, nesse momento, foi valorizar o edifício. “O objetivo é resgatar a importância do patrimônio artístico da casa”, conta Isabela Vecci, responsável pela expografia, projeto de exposição. A solução ocorre, em geral, toda vez que se inaugura um museu num prédio imponente e com acervo irregular. “Temos um acervo heterogêneo de 300 peças, constituído a partir de doações. Há coisas boas, e outras nem tanto”, explica Minelli. A mostra evidencia o aspecto.

Não se trata, nem de longe, de uma exposição marcante. O que o visitante verá nas salas é uma tentativa de contextualizar a memória dos usos da edificação a partir de um pequeno acervo. A alternativa foi usar elementos tecnológicos de interação (recurso bastante difundido nesses casos) e criar formas de ocupação dos espaços com expografias de grandes formatos, como no caso de uma instalação composta por uma mesa de espelhos hexagonais em que o público verá projetado o forro de uma das salas ou, em outro momento, onde foi instalado um confortável sofá para que o visitante olhe para cima e veja detalhes das pinturas nos forros.

O que vale a visita ao museu, além da arquitetura, é a tela Batismo de Cristo, atribuída a Manuel da Costa Ataíde (1762–1830), objetos relacionados ao ofício do padre e uma Coleção Braziliana, que pela primeira vez será apresentada fora de Belo Horizonte, formada por 10 aquarelas retratando os primórdios do Rio de Janeiro. Trata-se do mais importante e valioso acervo de obras de arte que a instituição tem, doada pelo jornalista Assis Chateaubriand em 1966. Recentemente, graças ao projeto Memória, acervo e arte, os acervos da instituição foram inventariados, dando origem a exposições, livros e seminários. A mostra em questão é mais um exemplo de desdobramento da iniciativa.

Câmpus Cultural

A UFMG assumiu, há 15 anos, a coordenação da Fundação Rodrigo Melo Franco de Andrade. Em Tiradentes, a instituição tem edificações históricas importantes: Museu Padre Toledo, Centro de Estudos, Câmara (onde será instalada até 2014 uma biblioteca especializada no barroco) e a Cadeia (onde será inaugurado o Museu das Sant’Annas). A intenção é movimentar culturalmente a cidade a partir de acervos relevantes. A biblioteca, por exemplo, deverá ter acervo de 15 mil títulos. Atualmente, tem 5 mil. “Não terá só acervo físico. O objetivo é guardar toda documentação relativa ao período”, conclui Maurício Campomori.

Saiba mais

Padre Toledo

O inconfidente padre Carlos Correia de Toledo e Melo nasceu em Taubaté, em 1731, capitania de São Paulo, de onde no século anterior haviam partido tantas entradas e bandeiras atravessando a Mantiqueira em busca das minas. Foi designado vigário da Matriz de Santo Antônio em 1777, além de ter sido presbítero do hábito de São Pedro. Tinha 59 anos quando foi preso em 1789, quando atravessava a Serra de São José. Foi acusado pelo Acórdão da Alçada de convidar para a conjuração o seu irmão, Luís Vaz de Toledo, sargento-mor da Cavalaria Auxiliar de São João del-Rei, e declarou nos autos da devassa a sua participação como inconfidente. Expatriado para Portugal, permaneceu inicialmente encerrado na Fortaleza de São Julião, até ser transferido para uma prisão eclesiástica em Lisboa, onde morreu em 1803.


Museu Casa Padre Toledo

Reabertura para convidados dia 12, às 17h, na Rua Padre Toledo, 190, Tiradentes. O público poderá conhecer o espaço a partir do dia 13, às 9h. A entrada para a comunidade é gratuita. Haverá cobrança de ingresso para turistas: R$ 10 (inteira). Informações: (32) 3355-1550. 

Fonte: http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_7/2012/12/07/ficha_agitos/id_sessao=7&id_noticia=61225/ficha_agitos.shtml 



























quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer - 1907-2012 - O adeus de um Gênio

O arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, morto às 21h55 desta quarta-feira (5) aos 104 anos, foi um dos profissionais mais premiados e influentes do mundo. Seu trabalho, sempre cheio de curvas em concreto que tornavam seu estilo inconfundível, marcou a paisagem urbana do Brasil e de outros países. Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho nasceu no bairro das Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no dia 15 de dezembro de 1907. Apaixonado por futebol e pelo Fluminense, Niemeyer chegou a jogar no time juvenil do clube de Laranjeiras.

Casou-se cedo. A união com Annita Baldo foi aos 21 anos, quando Niemeyer ajudava o pai na tipografia. Em 1929, entrou para a Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, onde cinco anos depois formou-se engenheiro arquiteto. No meio do período da faculdade, em 1932, nasceu Anna Maria, sua única filha, que morreu em junho de 2012.
O casamento com Annita Baldo, a primeira mulher, durou 76 anos, quando ela morreu, em 4 de outubro de 2004. Casou-se novamente em 2006, com sua secretária, Vera Lúcia Cabreira.
Os primeiros passos na carreira que o consagraria como um dos nomes mais influentes na arquitetura foi dado no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão, onde fez estágio sem remuneração. Niemeyer teve a oportunidade de conhecer outro gênio da arquitetura ao ser designado por Lúcio Costa para ajudar Le Corbusier, famoso arquiteto suíço, que estava de passagem pelo Brasil, em 1936, para colaborar com o projeto do prédio do Ministério da Educação no Rio.

Ativista político 
Em 1940 Niemeyer conhece Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte, e realiza seu primeiro grande projeto, o Conjunto da Pampulha, no bairro na capital mineira, que incluía o cassino, a Casa do Baile, o clube e a igreja de São Francisco de Assis.
Boa parte das obras mais importantes do arquiteto serviu a projetos ideológicos e políticos. Niemeyer projetou o parque Ibirapuera e o Edifício Copan, ambos em São Paulo. Em 1956, com JK na presidência do Brasil, organizou o plano piloto de Brasília e foi responsável pela construção da nova capital federal.

Com traços ousados, o filho do modernismo criou o Itamaraty, o Alvorada, o Congresso, a Catedral, a Praça dos Três Poderes, entre outros prédios e monumentos: “Nós começávamos a imaginar quando é que Brasília iria surgir. De repente, aparecia uma mancha azul no horizonte. Ela ia crescendo. Depois apareciam os contornos e começávamos a dizer: ali é o Teatro, lá é o Congresso, a Torre. Brasília surgia como num passe de mágica, um milagre”, contou ele.
A participação de Niemeyer na vida política do Brasil fez dele um intelectual comprometido com seu tempo. Comunista histórico - se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1945 -, o arquiteto teve seu escritório no Rio invadido no golpe de 1964. Depois de passar por interrogatório na polícia, decidiu morar fora do Brasil.

Conviveu com Jean-Paul Sartre em Paris, passou seis meses em Israel, elaborou o projeto da Universidade Constantine, na Argélia, na África, e nesse mesmo período, desenvolveu a sede da ONU em Nova York, nos Estados Unidos.
Niemeyer passou a ganhar projeção internacional e nos anos 70 abriu seu escritório na Champs Elysées, em Paris. O arquiteto também projetou a sede da editora Mondadori, em Milão, na Itália. Foi nesse período que ele influenciou a arquitetura mundial. As amizades iam do pintor Cândido Portinari ao maestro Villa-Lobos, passando por Fidel Castro e Chico Buarque.

Obras em curvas
Niemeyer sempre defendeu o uso do monumental na arquitetura, com certa obsessão pela leveza em contradição com o concreto. A forma é a curva, com que substituiu a tradição milenar de ângulos e retas.
“Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país. No curso sinuoso dos sentidos, nas nuvens do céu. No corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo”, explicou o mestre.
Ele retornou ao Brasil no início dos anos 80, período da anistia dos exilados no governo de João Figueiredo. Para consolidar os projetos do amigo Darcy Ribeiro, antropólogo e então vice-governador do Rio na época de Brizola, ele projetou os CIEPs (Centro Integrado de Educação Pública) e o Sambódromo do Rio.
A cidade de Niterói é a segunda do Brasil com o maior número de trabalhos do arquiteto, depois de Brasília. Após o consagrado Museu de Arte Contemporânea (MAC), foi projetado o Caminho Niemeyer, um complexo de edificações assinadas pelo mestre e voltado para a cultura e a religião. As obras foram distribuídas ao longo da orla da Baía de Guanabara, se iniciando pelo Centro da cidade. Entre as nove construções projetadas, está o Teatro Popular, inaugurado em 2007.

Centenário 

No mesmo ano, o mestre da arquitetura completou 100 anos de vida. A comemoração contou com a presença de cerca de 600 amigos e familiares. No dia, Niemeyer citou mais de uma vez que a vida não é fácil e que, se tivesse que resumi-la numa palavra, escolheria a solidariedade: "Os pobres ficam vendo os palácios de hoje sem poder entrar”, disse. “A vida não é justa. E o que justifica esse nosso curto passeio é a solidariedade”.

A família era composta pela então esposa Vera Lúcia Cabreira, a filha Anna Maria, além de quatro netos, 13 bisnetos e seis tataranetos.
Apesar de tanto sucesso - recebeu todos os prêmios imagináveis, incluindo o prestigioso Pritzker em 1988 e a Ordem do Mérito Cultural - Oscar Niemeyer era um homem modesto. Para os íntimos, ele confessou que não conseguia entender a razão de tanta reverência. “Trabalhei muito, fiz meu trabalho na prancheta, como um homem comum...”.

Fonte: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2012/12/oscar-niemeyer-fez-historia-na-arquitetura-mundial.html 

Fonte das imagens - Site Arcoweb: http://www.arcoweb.com.br/index.php 

Link do Portal G1 mostrando a cronologia da obra de Niemeyer: http://g1.globo.com/oscar-niemeyer/platb/
 
Abaixo, imagens das principais obras do arquiteto e o trailler do documentário A Vida è um Sopro,mostrando a vida e obra de Niemeyer:





















Ministério da Educação e da Saúde, 1936, Rio de Janeiro
















Igreja da Pampulha, 1940, Belo Horizonte
















Sede da ONU, 1947, Nova York















Parque Ibirapuera , 1951, São Paulo















Edifício Copan, 1951, São Paulo















Casa das Canoas, 1952, Rio de Janeiro

















Brasília, 1957
















Sede do Partido Comunista francês, 1965, Paris

 












Universidade de Constantine, 1969, Argélia

















Memorial da América Latina, 1987, São Paulo


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Brasil possui três novos bens protegidos pelo IPHAN

A Ponte Pênsil Affonso Pena, em Goiá, a Ponte Eurico Gaspar Dutra, em Mato Grosso do Sul, e o Fandango Caiçara do litoral de São Paulo e do Paraná estão sob a proteção do Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (IPHAN). Reunido no Edifício Palácio Gustavo Capanema, no Centro do Rio de Janeiro – RJ, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, na última quinta-feira, dia 29 de novembro, sob a coordenação da presidenta do IPHAN, Jurema Machado, aprovou o tombamento dos dois monumentos e o registro da manifestação cultural.
Nos últimos três anos, Conselho Consultivo reconheceu como Patrimônio Cultural do Brasil 35 bens. Em 2012, também entraram para o rol de bens protegidos pelo IPHAN os Centros Históricos de Antonina – PR, de Manaus – AM, de Oeiras e Piracuruca, e o Conjunto da Estação Ferroviária de Teresina – PI, e o Ofício e os Modos de Fazer as Bonecas Karajá – GO/TO.

Ponte Pênsil Affonso Penna
Testemunho vivo da grande luta para a participação mais significativa do estado de Goiás à vida socioeconômica do Brasil em meados do século XIX, a ponte Pênsil Affonso Penna, com 240 metros, construída sobre o Rio Parnaíba, liga as cidades de Itumbiara, em Goiás, e Araporã, em Minas Gerais. Inaugurada em 27 de maio de 1912, a estrutura de ferro recebeu tabuado de madeira e se tornou rodoferroviária, incrementando a economia na região. A Ponte Pênsil Affonso Penna, além de seu significado como obra de engenharia e arquitetura representativa do início do século XX, significa a integração socioeconômica da região Centro-Oeste ao restante do país. [Saiba mais]

Ponte Ferroviária Eurico Gaspar Dutra
Muito mais do que a porta aberta para o escoamento dos produtos vindos da Bolívia para o Brasil, a Ponte Eurico Gaspar Dutra, no município de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, é a conexão entre os séculos XIX e XX, sobre o Rio Paraguai. Com dois quilômetros de extensão e 112 metros de altura no vão central, a construção da ponte levou quase 10 anos (entre 1938 e 1947) e marcou a Arquitetura Moderna brasileira. Foi idealizada no início do século XX, como parte da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil do Brasil (FENOB) que, em 1912, tinha seu ponto final na cidade de Porto Esperança e precisava chegar à outra margem do Rio Paraguai, para garantir a ligação com a cidade de Corumbá e, consequentemente, com a Bolívia. [Saiba mais]

Fandango Caiçara do litoral de São Paulo e do Paraná Trabalho e divertimento, música e dança, saberes e fazeres. Essas são algumas das características marcantes do Fandango Caiçara, uma expressão musical-coreográfica-poética e festiva encontrada, principalmente, nos municípios de Iguape e Cananéia, em São Paulo, e Guaraqueçaba, Paranaguá e Morretes, no Paraná, estendendo-se a pequenos trechos dos municípios de Paruíbe e Ilha Comprida, também em São Paulo. O fandango é um elemento fundamental para a construção e afirmação da identidade cultural das comunidades caiçaras, que fortalece a articulação, resistência da identidade, e manutenção de suas práticas culturais. Os bailes são acompanhados de mesas fartas e são momentos onde a comunidade atualiza as notícias e reforça as relações de parentesco, a convivência entre tocadores, dançadores, preservando a memória e a prática das diferentes músicas e danças, e a continuidade do conhecimento musical em torno do fandango e sua evolução. [Saiba mais]

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
O Conselho que avalia os processos de tombamento e registro é formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia. Ao todo, são 22 conselheiros, que representam o Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB, o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios - Icomos, a Sociedade de Arqueologia Brasileira – SAB, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, o Ministério da Educação, o Ministério das Cidades, o Ministério do Turismo, o Instituto Brasileiro dos Museus – Ibram, a Associação Brasileira de Antropologia – ABA, e mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do IPHAN.

Mais informações para a imprensa:
Assessoria de Comunicação IPHAN
comunicacao@iphan.gov.br
Adélia Soares – adelia.soares@iphan.gov.br
(61) 2024-5476 / 2024-5477
www.iphan.gov.br
www.facebook.com/IphanGovBr | www.twitter.com/IphanGovBr

Fonte:  http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=16999&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia

















Ponte Ferroviária Eurico Gaspar Dutra


















 Ponte Pênsil Afonso Penna











Fandango Caiçara do litoral paulista e paranaense

Theatro D. Pedro II mantém história de Viçosa do Ceará

O local foi reinaugurado em janeiro de 2012 e conta com uma programação de peça e exibição de filmes.

Um espaço de arte cênica, exibição cinematográfica e que mantém viva fortes lembranças de manifestações culturais e da vivência social ao longo do século passado, nesta cidade do Interior do Ceará, localizada na Serra da Ibiapaba, na Região Norte. Esses são significados que o Theatro Dom Pedro II representa para grande parte da população local.
O Theatro D. Pedro II foi reinaugurado em janeiro deste ano e mantém uma programação permanente de apresentação de peças teatrais, exibição de filmes, visitação de alunos da rede pública de ensino e oferece espaço para reuniões. Em 2003, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e, em 2008, foi adquirido pela Prefeitura Municipal de Viçosa.
As obras de restauro somente começaram em 2010 e em outubro de 2011 foram concluídas. Foram investidos R$ 918 mil com recursos do Iphan e contrapartida do município. Técnicos do Iphan realizaram prospecção para identificar a cor original interna e externa. O piso de ladrilho (tijolo de barro) no interior e na calçada é original. O forro é de madeira e acompanha a inclinação do telhado.
A fachada mantém a tonalidade original do amarelo, portas azuis e as paredes interiores foram pintadas de branco. “Viçosa do Ceará hoje tem um cine-teatro moderno que preserva os traços de importante exemplar da arquitetura civil do início do século XX”, observou a secretária de Cultura do município, Margarida Pereira Lopes. “Esse é um espaço cultural que faz parte da história da cidade e que está preservado”. O arquiteto do Iphan, Alexandre Veras, participou do projeto de prospecção e de reforma do espaço cênico. “Recuperamos alvenaria, coberta, área de palco e inserimos novos espaços, ambientes de suporte (camarins e banheiro). O teatro apresenta uma arquitetura eclética, com traços coloniais e da ´art déco´”. Veras ressaltou a importância do equipamento cultural por ser o único da região serrana e que estava há décadas fechado.
O Theatro D. Pedro II foi construído em 1909. É um dos mais antigos do Ceará. A obra foi idealizada por Valdivino Elias de Alencar, potiguar, residente na cidade. Após ser eleito presidente do então Recreio Dramático Viçosense, Alencar teve a ideia de oferecer para os moradores um espaço dedicado às expressões artísticas e culturais.
Alencar, com apoio de acionistas, dentre eles, Felizardo de Pinho Pessoa, construiu o teatro, que foi registrado em nome da Sociedade Club União Viçosense. Na época da conclusão da obra, havia pouco tempo do fim do Império monarca no Brasil e iniciava o período republicano. Para homenagear o imperador, o teatro recebeu a denominação de D. Pedro II.
Em 2008, o imóvel foi adquirido pela Prefeitura Municipal da família Pinho Pessoa, representada por Hildo Pinho. O teatro foi ampliado e foram construídos cantina, camarins e banheiros. Foram instaladas 136 cadeiras novas, adequada iluminação, som e sistema de projeção. A capacidade é para 136 pessoas.

História
Antes mesmo da inauguração do teatro, na primeira década do século passado, a cidade de Viçosa do Ceará já era palco de diversas manifestações culturais. Como não havia espaço adequado, as apresentações de peças teatrais aconteciam nos salões da maioria das casas. Naquela época, era comum a realização de festas e bailes nas residências das famílias que detinham o poder político e econômico.
Após a inauguração em 1910, o Theatro D. Pedro II passou a ser um dos principais espaços culturais da cidade, contando com peças e exibição de filmes de companhias estrangeiras. Atualmente é um dos poucos teatros que existem no Interior do Ceará. Apesar de pequeno, com apenas 287,44m² de área construída, é um dos mais importantes monumentos arquitetônicos da cidade. O tombamento pelo Iphan há quase dez anos, na gestão do ex-prefeito, Evaldo Soares, contribuiu fortemente para preservar os traços de sua arquitetura original, realçando o conjunto eclético dos imóveis históricos da cidade.
A secretária de Cultura, Margarida Lopes, lembra que antes das obras de restauro, o teatro estava há 40 anos praticamente sem uso, com poucas condições de recursos cênicos, de mobiliário, e de equipamentos audiovisuais. Nos anos de 1930, exibiu o cinema panorâmico mudo, preto e branco. Nessa época, as exibições eram acompanhadas de conjunto musical. Depois, vieram as exibições sonoras e coloridas, legendadas até meados do ano da década de 1970.

Restauração
O teatro foi restaurado na gestão do atual prefeito, Pedro da Silva Brito, que se empenhou na parceria com o Iphan. “Representa mais do que um prédio histórico. Os moradores mantêm vivas lembranças, recordações. Representa a memória de várias gerações”, frisou Margarida Lopes.
A partir do próximo ano, será ampliada a programação de exibição de filmes culturais e haverá um calendário para apresentação de peças teatrais de grupos locais e convidados de outras cidades do Ceará.
Recentemente, esteve em cartaz o espetáculo “O trânsito não é uma comédia”, que integrou uma programação voltada para a educação de trânsito com a participação de centenas de estudantes. Foi realizado também o projeto “Educação e Arte no Teatro” voltado para os alunos da rede pública e particular de ensino. No espaço cênico, ocorre também show musical.













Em 2003, o local foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, em 2008, foi adquirido pela Prefeitura Municipal de Viçosa, na Serra da Ibiapaba.

 Espaço para a arte cênica é restrito














O Teatro da Ribeira dos Icós é o mais antigo do Ceará. Apresenta características neoclássicas e foi construído em 1860, pelo médico francês, Pedro Thebérge, então radicado no município. Fotos: Honório Barbosa.

Icó. A arte cênica no Interior do Ceará encontra espaço adequado de produção em poucas cidades: Icó, Sobral, Limoeiro do Norte, Barbalha, Aracati, Nova Olinda, Crato, Crateús e Iguatu, que são exemplos de centros urbanos que oferecem teatros. Quatro estão em áreas tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan): Sobral, Icó, Viçosa do Ceará e na cidade de Aracati (que está desativado).
O Teatro da Ribeira dos Icós é o mais antigo do Ceará. Apresenta características neoclássicas e foi construído em 1860, pelo médico francês, Pedro Thebérge, então radicado no município. Representa a fase áurea do ciclo econômico do couro e do gado no sertão nordestino. Tem localização estratégica no Largo do Thebérge (centro histórico da cidade) e destaca-se pela beleza e tamanho.
O Teatro da Ribeira dos Icós está próximo a outros monumentos históricos na área de tombamento pelo Iphan: Casa de Câmera e Cadeia, Sobrado do Barão do Crato, Santuário do Senhor do Bonfim e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Expectação. As famílias da elite local frequentavam o teatro com regularidade no século XIX e início do século XX até a crise econômica do ciclo do couro.
A cidade de Icó localizada às margens do Rio Salgado. É patrimônio nacional e o núcleo urbano foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1997. A área tombada inclui vários quarteirões. No entorno do Largo do Thebérge, uma imensa praça, de um quilômetro de cumprimento por 100 metros de largura, estão localizados os principais imóveis históricos, dentre eles o teatro.
O Programa Monumenta do Ministério da Cultura, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e em parceria com o governo do Estado, restaurou a partir de 2000 as principais obras arquitetônicas: o Teatro da Ribeira dos Icós, a Casa de Câmara e Cadeia e o Sobrado do Canela Preta e ainda liberou recursos para obras de restauro em imóveis particulares.
A casa de espetáculo mantém um calendário de apresentação de espetáculos de grupos locais e convidados de outras cidades. Está também inserido no projeto Cine mais Cultura, do Ministério da Cultura para exibição de filmes com acervo renomado. O teatro recebeu equipamentos de projeção, som e funcionários foram treinados.
O arquiteto do Iphan, Erick Rolim, chefe do escritório técnico em Icó, destacou a importância dos teatros em funcionamento nas cidades do Interior. “São espaços culturais que possibilitam a exibição de filmes e apresentação de peças, oferecendo arte para os moradores e contribuem para a formação de plateia”, disse. “Aglutinam a população e reservam a história e a memória e os teatros no passado eram frequentados pela aristocracia, a elite local”.
O teatro de Aracati está fechado e no próximo ano deve ser reformado com recursos do Iphan. “Existe um projeto de restauro já elaborado, mas não houve tempo para ser licitado este ano e esperamos em 2013 começar essa obra”, observou Erick Rolim.
Em Crateús, na Região dos Inhamuns, o Teatro Rosa de Moraes, fundado em 1999, é um importante espaço de manifestações culturais. Oferece exibição de filmes, encenação de espetáculos, possibilita a realização de audiências públicas, seminários, lançamentos de livros, mostras itinerantes e números de dança. Existe uma agenda cultural permanente.
A cidade do Crato, no Cariri cearense, é privilegiada, pois dispõe de três casas de espetáculos. O Teatro Municipal Salviano Arrais Saraiva, o Teatro Rachel de Queiroz da Sociedade Cultura e Artística do Crato e o Teatro do Sesc. A programação de apresentações culturais (peças, dança, música) é intensa e ocorre todos os meses. Na cidade de Iguatu, na região Centro-Sul, há o Teatro Municipal Pedro Lima Verde e o Teatro do Sesc. Por Honório Barbosa

Mais informações:
Secretaria de Cultura de Icó
Rua Inácio Dias, S/N
Centro Histórico do Largo do Thebérge. Fone: (88) 3561. 1628

Fonte:  http://www.defender.org.br/theatro-d-pedro-ii-mantem-historia-de-vicosa-do-ceara/

Cachoeira do Sul/RS – Memorial colocará a orizicultura na vitrina

Espaço que cultuará a história do arroz em Cachoeira deverá ser inaugurado no ano que vem.

A memória orizícola de Cachoeira do Sul permanece confinada nos galpões das propriedades rurais do município ou guardada nos álbuns dos familiares daqueles que foram pioneiros na produção de arroz irrigado. Resgatá-la, preservá-la e trazê-la para o conhecimento público é o objetivo do projeto Memorial Nacional do Arroz.
A iniciativa foi apresentada na manhã desta sexta-feira, na Casa de Cultura Paulo Salzano Vieira da Cunha, pelo grupo de trabalho formado há quase dois anos para viabilizar o projeto. A ideia de criar um espaço para a memória da orizicultura foi apresentada pelo Rotary Club e mobilizou um grupo de voluntários, que vem trabalhando na proposta há quase dois anos.
Auditório – Se tudo correr dentro do previsto, o Memorial Nacional do Arroz será inaugurado no ano que vem, em instalações cedidas gratuitamente pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). O acervo ficará em uma área de 950 metros quadrados, que será toda recuperada. O coordenador da autarquia, o engenheiro agrônomo Jaceguay Barros, que integra o grupo de trabalho do memorial, revelou que o prédio da Rua Marechal Floriano foi cedido por 10 anos para abrigar o projeto. Além disso, o Irga reformará outros 658 metros quadrados do complexo para instalar um auditório com capacidade para 250 pessoas.
O projeto do Memorial Nacional do Arroz está em fase de elaboração, disse a arquiteta Flávia Tischler, do Rotary Club Integração. Por enquanto, só a fachada do prédio foi concebida. A equipe aguarda a definição do tamanho do acervo que o memorial irá abrigar para finalizar a proposta, explicou Flávia.
A intenção do grupo de trabalho, que conta com cerca de 15 pessoas, é lançar publicamente a proposta do memorial no próximo dia 13 de dezembro, durante as comemorações da semana da cidade, destacou a diretora municipal da cultura, Mirian Ritzel, que também faz parte da equipe.
UMA PERGUNTA - Para Jaceguay Barros, coordenador do Irga
A proposta do memorial foi guardada a sete chaves. Por quê?
“Por dois motivos. Primeiro, para não causar falsa expectativa na comunidade. Por isso o grupo trabalhou em silêncio até garantir o espaço para o memorial. O sigilo foi também estratégico, tendo em vista que outras cidades (Alegrete e Pelotas) também têm interesse de desenvolver projetos semelhantes”.
Sócio de Treichel lançou a ideia do memorial
Uma importante parte do acervo referente à história da produção de arroz do município se perdeu ao longo dos anos, à medida que a orizicultura foi se modernizando. Foi pensando em salvar o que resta que o empresário Getúlio Aires, 66 anos, sócio-proprietário do Engenho Treichel, levou para o Rotary Club Cachoeira do Sul, há cerca de três anos, a ideia de criar um espaço para a memória da trajetória do arroz no município.
Há 43 anos ligado à cadeia produtiva do arroz, Aires relatou que um dia foi à Barragem do Capané e, em visita à propriedade do orizicultor Beno Alberto Beskow, já falecido, encontrou uma velha trilhadeira da marca Friedrich, usada nos primórdios da lavoura.
Na ocasião, o filho de Beskow, o engenheiro agrônomo Carlos Alberto, precisou usar o espaço nos galpões e foi obrigado a se desfazer da máquina, preservada com esmero pelo seu pai. Conforme Aires, o engenheiro manifestou que não gostaria de ver a velha trilhadeira ir parar no ferro-velho e declarou que estava disposto a entregá-la a alguém que quisesse preservá-la.
O sócio-proprietário do Engenho Treichel decidiu então pedir a trilhadeira para si e a levou para casa, dando início ao acervo, que até dezembro de 2014 poderá ser visto pelo público no Memorial Nacional do Arroz de Cachoeira do Sul.
O Projeto – Memorial do Arroz de Cachoeira do Sul
Localização: pavilhão do Irga da Rua Marechal Floriano
Área cedida:
950 metros quadrados
Custo do projeto:
indefinido
Inauguração (previsão):
até dezembro de 2014
Administração:
Associação dos Amigos da Cultura (Amicus) e futuramente do grupo organizador, que deverá ser transformado em pessoa jurídica
Auditório e laboratório de sementes do Irga:
680 metros quadrados (incluindo hall e sanitários)
Capacidade:
250 pessoas
Valor do investimento:
R$ 680 mil (recursos previstos no orçamento deste ano da autarquia)
O que vai ter no memorial:

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Máquinas e implementos agrícolas dos primórdios da lavoura de arroz irrigado
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Fotos, documentos e materiais produzidos para a cadeia do arroz
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Objetos, impressos e materiais ligados à produção do cereal
As pessoas que possuem peças que podem fazer parte do acervo do memorial poderão doá-las ou até mesmo emprestá-las para a nova instituição
Fonte: Jaceguay Barros

Herdeiros da memória orizícola
Engenho São João

O promotor João Ricardo Tavares ainda se recorda da infância no Engenho São João, no Bairro da Aldeia, que pertenceu ao seu avô materno, João Garibaldi Santos. Além do São João, a família do promotor era proprietária também do Engenho Bom Retiro, que acabou sendo vendido. Do velho engenho da Aldeia restaram somente escombros, atualmente tomados pelo mato.
Na era dos locomóveis
O empresário Ilmo Pfüller nasceu em 1931, numa família de plantadores de arroz, quando a orizicultura dava os primeiros passos e ainda era praticada de forma manual. “Eu nasci dentro de um engenho de arroz”, lembrou o ex-presidente da Fenarroz. Ilmo ainda lembra dos locomóveis, que ganham os campos de várzea. “Nós tínhamos três locomóveis e dois eram da Mernak”, declarou Pfüller, recordando de uma das mais tradicionais empresas da história de Cachoeira do Sul.
Quatro gerações de arrozeiros
O agrônomo Cezar Paz Carvalho traz no DNA a tradição de uma família de arrozeiros. Ele faz parte da quarta geração de plantadores de arroz, descendentes do pioneiro José Maria Carvalho Bernardes. Além disso, Cezar é parente do engenheiro que estruturou a estação experimental do arroz de Cachoeirinha, um dos maiores centros de pesquisa orizícola da América Latina. Conforme Jaceguay Barros, o engenheiro cachoeirense foi pioneiro na pesquisa sobre o cereal. Por Luis Bacedoni

Fonte: http://www.defender.org.br/cachoeira-do-sulrs-memorial-colocara-a-orizicultura-na-vitrina/