Arquitetura, Arte, História, Pensamentos , Reflexões...
"A gente precisa sentir que a vida é importante, que é preciso haver fantasia para poder viver um pouco melhor."(OSCAR NIEMEYER)
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em
Pernambuco (IPHAN-PE) inicia as obras de conservação e restauração da
igreja de São Pedro dos Clérigos, no bairro de São José, em Recife. O
templo é tombado pelo IPHAN desde 1938. Construída em 1728, a Igreja é
uma das mais significativas obras da arquitetura religiosa em
Pernambuco. Possui uma rica fachada bastante verticalizada, com a
imagem de são Pedro nicho do tímpano. Chamam a atenção de fiéis e
visitantes o altar-mor e a pintura do forro da nave principal, de João
de Deus Sepúlveda.
A obra terá duração de 24 meses com orçamento
de R$ 3,2 milhões. Serão realizados serviços de conservação e
restauração da cobertura, estruturas, esquadrias, cantarias, instalações
elétricas e hidro-sanitárias, pisos e pintura. A Igreja ficará aberta a
visitação, seguindo uma programação que ainda será divulgada.
O público leigo e especializado tem mais uma opção para conhecer a maior
parte da obra de Oscar Niemeyer construída na cidade de São Paulo. Isso
porque desde o último sábado, dia 2 de fevereiro, a SPTuris, empresa
oficial de turismo da cidade, realiza o roteiro "Niemeyer", que passa pelos principais edifícios projetados pelo arquiteto e construídos na capital paulista.
O Copan (foto abaixo), o Esther, a Galeria Califórnia, o Memorial da
América Latina (foto acima) e muitos outros projetos de Niemeyer, além
de obras modernistas de diferentes arquitetos como Franz Heep, autor do
edifício Itália, ou Artacho Jurado, do Louvre, fazem parte do roteiro,
que passa pelas estações Sé, São Bento, República e Barra Funda.
O passeio, que acontece aos sábados a partir das 14h, faz parte do
programa Turismetrô, que usa o metropolitano como meio de transporte
para roteiros turísticos. Mas a prefeitura também promove outros
trajetos, chamados Roteiros Temáticos, entre eles: “Arquitetura pelo
Centro Histórico”, “Cidade Criativa”, “Afro” e “Independência do
Brasil”, entre outros.
"As obras de Niemeyer e de outros importantes nomes do modernismo marcam
o período em que a cidade mais cresceu economicamente. É um verdadeiro
acervo cultural ao ar livre", disse Marcelo Rehder, presidente da
SPTuris, ao jornal Folha de S. Paulo.
Para participar, basta comparecer na estação Sé com com dois bilhetes do
metrô – um para a ida e outro para a volta. O Metrô recomenda que os
interessados cheguem com 30 minutos de antecedência.
Informações: www.cidadedesaopaulo.com/turismetro ou (11) 2958-3714
Os mais de dez anos decorridos desde que foi
desativada não reduziram a imponência da estação da Leopoldina, uma das
mais belas construções ferroviárias do país, embora exiba as marcas do
tempo. Recentemente, acendeu-se uma luz no horizonte da edificação
localizada no centro do Rio de Janeiro, e quem a acionou foi a SuperVia,
concessionária que opera o serviço de trens de passageiros naquela
capital.
Na primeira quinzena de agosto, a SuperVia anunciou ter contratado
um projeto para a revitalizar e modernizar o espaço, proposta que
precisa ser submetida ao Instituto Estadual do Patrimônio Cultural
(Inepac), em razão de o conjunto ser tombado.
Embora não fosse sua intenção, a própria empresa contribuiu para a
debacle da construção ao encerrar, em 2001, as atividades da Leopoldina
e transferir o tráfego de trens para a Central do Brasil.
O prédio, desenhado pelo inglês Robert Prentice e inaugurado em
1926, será restaurado e modernizado a partir de projeto do escritório
RAF Arquitetura. A intervenção no conjunto (cogitado para ser o ponto de
chegada/partida do trem de alta velocidade [TAV] que, nos próximos
anos, deverá reconectar por via férrea São Paulo e Rio) prevê o restauro
e a limpeza de fachadas, a instalação de nova iluminação interna e
externa e de um sistema de detecção de incêndio.
Algumas ocupações foram propostas para o conjunto desde que ele
perdeu a função original. Na edição 290, de outubro de 2004, PROJETO
DESIGN publicou o projeto que o arquiteto Rodrigo Azevedo criou para o
local, por encomenda do governo do estado.
Ele propunha transformar a estação em Museu do Trem e construir,
próximo dele, um centro cultural. “O programa de usos foi definido a
partir de uma extraordinária demanda que começa a se configurar no
entorno”, afirmou Azevedo na ocasião.
Área de exposições, auditórios e cinemas fariam parte do novo
volume. Para Azevedo, o programa continua válido. “O Museu do Trem,
junto ao Engenhão [Estádio João Havelange], continua em situação
precária, com seu acervo em risco”, ele explica, acrescentando que,
nesse período, sua proposta foi ampliada. “Desenvolvi um master plan com
habitações, comércio e centro comercial para todo o terreno, que
continua em suspenso por conta do TAV”, explica.
Na intervenção idealizada pela RAF, a estação da Leopoldina poderá
também servir como espaço de atendimento ao público da SuperVia e seu
salão alugado para eventos diversos. Mas o arquiteto Aníbal Sabrosa,
sócio do escritório de arquitetura, sonha mesmo é em ver complementada -
com linguagem contemporânea, ele ressalva - a volumetria do projeto
original de Prentice.
Azevedo e RAF são, por assim dizer, passageiros à espera do trem na mesma estação. Algum deles conseguirá embarcar?
Texto
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 392 Outubro de 2012
RAF Arquitetura desenvolveu para a concessionária SuperVia o projeto para restaurar a estação, que poderá ser usada pelo TAV
O projeto de Rodrigo Azevedo para a estação da Leopoldina previa volume
cultural anexo. Posteriormente, o arquiteto fez o plano diretor para o
complexo
Entre
06 de fevereiro e 28 de abril a exposição Roberto Burle Marx: a figura
humana na obra em desenho estará no Centro Cultural Correios, no Recife,
após período de sucesso em Brasília e no Rio de Janeiro. Os visitantes
poderão conferir 121 desenhos do artista, produzidos de 1919, aos dez
anos de idade, até 1951. Esses desenhos, parte integrante e
inédita do acervo com mais de três mil peças do Sítio Roberto Burle Marx
do IPHAN/Ministério da Cultura, sintetizam o período inicial de sua
produção no campo das artes plásticas, marcado pelo ensino acadêmico.
Feitas sobre papel em carvão, grafite, nanquim, lápis de cor, crayon,
giz de cera, hidrocor e guache, as obras expostas se subdividem em três
conjuntos. No primeiro deles, há retratos, nus e esboços de
figuras, nos quais se percebe a passagem de preocupações relacionadas ao
domínio técnico, como o uso do claro-escuro e a proporcionalidade do
corpo humano, ao desenvolvimento de uma linguagem própria, inspirada
pelo traço cubista e já próxima da abstração, da qual se depreende a
generosidade de seu olhar a respeito do ser humano. O segundo
conjunto contempla diversas cenas cotidianas, nas quais cadeiras, mesas e
copos denotam a ambiência de bares e restaurantes. Personagens
recorrentes, como fuzileiros, marinheiros e jogadores de bilhar,
participam de uma atmosfera em que, por vezes, o ponto de vista do
observador parece participar das trocas de olhares e palavras comuns a
esses locais de convivência e entretenimento. Por fim, o terceiro
conjunto é composto de 15 desenhos não apresentados nas duas mostras
anteriores. Foram feitos durante uma viagem do artista ao Nordeste
brasileiro em 1932 e têm como tema cenas urbanas e rurais, com ênfase
nas espécies vegetais encontradas. Os desenhos reunidos em Roberto
Burle Marx: a figura humana na obra em desenho não apenas prenunciam
elementos formais presentes em sua maturidade artística, como também
sugerem que seu modo de estar no mundo e cultivar amizades e paisagens
participou de maneira decisiva no desenvolvimento das linhas e traços
que o singularizam em termos artísticos. Veja o convite [aqui] Serviço: Período: De 06 de fevereiro a 28 de abril de 2013 Visitação - Terça a sexta-feira, das 9h as 18h. / Sábados e Domingos, das 12h as 18h Local: Centro Cultural Correios Avenida Marquês de Olinda, 262 – Recife Antigo. (81) 3224-5739
As cidades históricas brasileiras passam a contar, a partir
desta quarta-feira, dia 30 de janeiro, com o montante de R$ 1,3 bilhão.
Os recursos fazem parte do PAC Cidades Históricas, o maior programa de
investimentos na área do patrimônio cultural, e serão investidos nos
próximos três anos em ações de valorização e preservação do patrimônio
cultural. Para 2013, o orçamento é de R$ 300 milhões destinados a 44
municípios de 20 estados (veja a lista aqui).
O anúncio foi feito em solenidade no Ministério do Planejamento, com a
presença das ministras do Planejamento, Miriam Belchior, e da Cultura,
Marta Suplicy, da presidenta do Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (IPHAN), Jurema Machado, e dos prefeitos das cidades
participantes. Do montante, R$ 1 bilhão são destinados a obras públicas e
R$ 300 milhões serão utilizados como linha de crédito para o
financiamento de restauro e obras em imóveis privados localizados em
áreas tombadas. Os critérios de seleção desta primeira etapa do
programa envolveram municípios que possuem bens tombados em nível
federal; conjuntos urbanos declarados pela UNESCO como Patrimônio da
Humanidade; os maiores conjuntos urbanos em situação de risco ao
patrimônio cultural edificado; e os conjuntos urbanos que constituam
marcos no processo de ocupação do território nacional. De acordo com a
presidenta do IPHAN, a proposta do PAC Cidades Históricas é buscar a
recuperação e a revitalização das cidades, a restauração de monumentos
protegidos, o desenvolvimento econômico e social e dar suporte às
cadeias produtivas locais, com a promoção do patrimônio cultural. “Seu
grande diferencial é a requalificação urbana das cidades, com
investimentos não só nos imóveis, mas também na qualidade de vida, tendo
o Patrimônio Cultural como vetor de desenvolvimento”, ressalta Jurema
Machado. Para participar do PAC Cidades Históricas, os 44
municípios devem enviar as propostas entre os dias 30 de janeiro e 19 de
fevereiro para o endereço pac.ch@iphan.gov.br. As orientações para a elaboração das propostas estão disponíveis no site do IPHAN, (clique aqui).
Esse procedimento deve ser seguido já que não será aceito o envio pelo
Sistema de Gestão e Convênios e Contratos de Repasse (SICONV). As
propostas serão enquadradas em duas modalidades: Obras em Imóveis de Uso
Público, Obras em Espaços Públicos. Mais informações para imprensa: Assessoria de Comunicação IPHAN/Programa Monumenta comunicacao@iphan.gov.br Adélia Soares – adelia.soares@iphan.gov.br Mécia Menescal – mecia.menescal@iphan.gov.br (61) 2024-5526 / 2024-5527 www.iphan.gov.br
Até 14 de junho de 2013 podem ser feitas as inscrições para o
Concurso Internacional de Produção de Vídeo intitulado Minha Cidade,
Nosso Patrimônio Mundial, supervisionado pela Organização das Cidades do
Patrimônio Mundial (OCPM).
O concurso convida jovens entre os 14 e 17 anos e 18 e 21 anos para
produzir um vídeo de 5 minutos ou menos, que expresse suas visões sobre a
cidade patrimônio mundial em que vivem, e divulgar no YouTube.
Os prêmios serão de 500 dólares e 1.000 dólares e serão entregues por um
representante da OCPM nas cidades patrimônio mundial que vencerem a
competição. Os vídeos premiados também serão apresentados no 12 º
Congresso Mundial da OCPM, que será realizado em Oaxaca, no México, de
19 a 22 de novembro de 2013. Os prefeitos das cidades vencedoras serão
homenageados nesta ocasião. Além disso, todos os vídeos vencedores serão
transmitidos no site da OCPM, garantindo dessa forma uma grande
exposição da cidade patrimônio mundial.
Até 14 de junho de 2013
Registo das cidades patrimônio mundial na competição. Para isso, as
cidades participantes devem preencher e enviar o formulário de inscrição
disponível no site da OCPM.
28 de junho de 2013
Prazo fixado para as cidades participantes a apresentarem o vídeo
premiado localmente (de uma ou duas faixas etárias) à OCPM. Para isso,
as cidades participantes devem preencher e enviar os formulários dos
vencedores que está disponível no site da OCPM.
Agosto 2013
Deliberações do júri da OCPM para determinar os dois ganhadores da parte internacional.
Primavera de 2013/Verão de 2014
Atribuição do prémio internacional para os ganhadores dos distintos
grupos de idade (14-17 anos e 18-21 anos) em uma cerimônia realizada na
prefeitura das cidades patrimônio mundiais vencedoras.
Peça a um turista, de qualquer parte do mundo, para lhe citar um
monumento italiano e a resposta será, muito provavelmente, o Coliseu de
Roma. Com quase 2000 anos de história, o anfiteatro foi construído sob
impulso da dinastia dos Flávios, para jogos de circo e combate de
gladiadores. É o monumento mais visitado do país, com cinco milhões de
visitantes anuais, e o segundo mais visitado do mundo, depois da Torre
Eiffel. Em termos de dinheiro, traz à Itália cinco mil milhões de euros
por ano.
Mas o Coliseu simboliza também uma herança cultural que precisa de
ser preservada. A manutenção do monumento custa aos cofres do país, por
ano, 500.000 euros. Uma quantia muito pequena, tendo em conta o dinheiro
que gera.
Com este dinheiro, no ateliê de lavagem de mármores, faz-se, por
exemplo, o estudo e a catalogação das peças arqueológicas encontradas no
local. A Itália não tem petróleo nem outras riquezas naturais. A
verdadeira riqueza do país está no património natural, histórico e
natural, construído ao logo de 28 séculos e que sobreviveu a várias
civilizações.
Há quem critique o tratamento dado a estas obras: “Vou contar-lhe uma
anedota muito popular, que me faz rir mas tem um sabor amargo: 60% do
património cultural mundial está em Itália. E o resto? O resto está em
segurança. É esse o problema do património cultural em Itália. O governo
considera este património como mais uma uma despesa, um peso
económico”, diz Vittorio Cogliati Dezza, presidente de uma associação de
defesa do ambiente e património cultural.
Na classificação da UNESCO dos países com locais considerados
património da humanidade, a Itália está em primeiro lugar, seguida pela
Espanha e pela China. Mas quais os recursos económicos destinados à
preservação desse património? Nos últimos dez anos, o orçamento do
ministério dos bens e atividades culturais caiu um quarto, de dois mil
milhões de euros para mil e 500 milhões, ou seja, 0,19% do Orçamento de
Estado.
Ouvir notícias alarmantes sobre o estado de conservação do património
é algo que já não espanta. Desde há várias semanas, o Coliseu está
cercado por uma chamada zona vermelha, um cordão que impede os
visitantes de se aproximarem, para evitar a queda de pedras. Segundo a
autoridade para os bens arqueológicos, nos últimos dois anos caíram
tantos pedaços do Coliseu como nos últimos dez anos.
Surgiu assim a ideia dos novos mecenas, à maneira do que acontecia no
Renascimento: Empresários que patrocinam o restauro de um monumento. No
caso do Coliseu, Diego della Valle, empresário no ramo do calçado, deu
25 milhões de euros. O projeto prevê a recuperação das fachadas norte e
sul, dos subterrâneos e a construção de um centro de serviços. Pouco
depois, foi a casa de moda Fendi a anunciar o patrocínio do restauro da
Fonte de Trevi, por dois milhões de euros.
Mas é o Estado quem continua a financiar as obras mais urgentes, como
a restauração das arcadas. Os patrocínios de privados são postos em
causa por alguns, que vêm neste gesto uma operação de charme para dar
nome às empresas, à custa de património que pertence a todos. A diretora
arqueológica do museu não vê mal nenhum nestes patrocínios, uma prática
que já tem antecedentes: “Há 20 anos, o Coliseu precisou de um
patrocínio, já que o ministério não tinha dinheiro suficiente para fazer
um restauro completo. Vinte anos depois, a situação piorou, por isso
com certeza que a intervenção de um privado é bem-vinda. O acordo de
parceria não prevê qualquer tipo publicidade no monumento”, explica
Rossella Rea.
Mas a principal associação de consumidores em Itália está contra e
apresentou um processo na justiça. Uma das críticas tem a ver com o
facto de Della Valle conseguir uma redução fiscal de 8 milhões de euros,
dos 25 milhões que dá para as obras no Coliseu. Critica Carlo Rienzi,
presidente da associação: “Não é um patrocínio, é uma venda ao
desbarato! Por meia dúzia de tostões entregamos a um privado um
monumento que representa a Itália, que pode depois vir a ser utilizado
para fazer publicidade ou operações comerciais. Eles dizem que não é
assim, mas nós lemos o contrato. Podem ceder a um terceiro os direitos
da fundação “Amigos do Coliseu”, ou seja, é um negócio da China para
quem ficar com ele. Assim não pode ser”.
Outro problema para o Coliseu é o tráfego. Embora uma parte
importante à volta da zona arqueológica tenha sido transformada em zona
pedonal, a verdade é que por aqui passam dois mil veículos por hora, o
que causou mais de 3000 lesões ao monumento. Além disso, mesmo ao lado,
estão a construir uma nova linha de metro.
Poucas centenas de quilómetros mais a sul, em Pompeia, perto de
Nápoles, fica o que resta da cidade destruída pelo Vesúvio no ano 79
depois de Cristo. A tragédia deixou os 12.000 habitantes imóveis para
sempre, cobertos pela lava… ou talvez não seja assim tão para sempre. O
sítio, património da Unesco desde 1997, sofre uma grande degradação.
Em 2010, a Casa dos Gladiadores ruiu, o que fez logo soar o alarme.
Mas a situação não mudou. Um dia depois da nossa chegada, uma derrocada,
provocada por um sistema de drenagem defeituoso, fez um muro ruir.
Felizmente, tratava-se de uma construção moderna, mas mesmo ao lado há
uma fila de casas antigas, das quais uma está a ser restaurada.
Por enquanto, nenhum mecenas se ofereceu para restaurar Pompeia.
Lançado pelo comissário europeu da política regional, Johannes Hahn, o
“grande projeto Pompeia” destina 105 milhões de euros ao restauro de
alguns edifícios emblemáticos. Os dois primeiros a ser restaurados vão
ser a casa de Castor e Pólux, os filhos gémeos de Júpiter, segundo a
mitologia, e ainda a casa do Criptopórtico: “O grande projeto Pompeia é
uma ocasião muito importante para o sítio, porque vai permitir deixar
todo o local em segurança. Além disso, pode haver restauros localizados
em certos edifícios e, nos próximos anos, haver um controlo de toda a
cidade.”, explica Grete Stefani, diretora do local arqueológico.
Algumas casas estão já a ser restauradas, como a Casa dos Cupidos
Dourados, que vai em breve reabrir ao público. No entanto, dos cerca de
100 edifícios mais importantes de Pompeia, continua a haver mais de 20
fechados ao público, porque ou são perigosos ou estão em restauro. Ao
todo, Pompeia tem mais de 1500 edifícios.
A abertura ao público faz-se muitas vezes em sistema de rotatividade,
por falta de pessoal, sobretudo técnico. Carmela Mazza, arquiteta,
queixa-se: “Já tivemos um grupo, um gabinete técnico, composto por
arquitetos, topógrafos, assistentes, cerca de trinta pessoas. Hoje somos
menos de metade”.
Para todos os 66 hectares do sítio arqueológico, há menos de 30
seguranças, divididos por três turnos. Só metade da área está aberta ao
público e recebe 10.000 visitantes por dia. Em 1997, havia 279 pessoas a
trabalhar no local, agora são 197. Nenhum dos trabalhadores que se
reformaram foi substituído. Muitos dos atuais empregados estão já
próximos da idade da reforma.
Nestas condições, é difícil manter a cidade antiga. O restauro
permanente é a única forma de evitar que as paredes continuem a ruir e
os painéis a perder a cor. Este grande projeto é apenas algo pontual que
não vai resolver o problema de fundo. É essa a opinião de Antonio
Irlando, líder de uma ONG que se dedica à defesa e à salvação de
Pompeia: “Mais uma vez, recorrem a um projeto que dá muito nas vistas,
mas que só serve para poderem dizer que salvaram Pompeia. Porque essa é
uma afirmação recorrente por parte dos governos e dos ministros que se
sucederam”.
A nossa viagem termina poucos quilómetros mais à frente, em Oplontis.
É já tarde para salvar esta “villa” dos tempos romanos. Não encontramos
nenhum turista, já que o local está mal identificado, escondido no meio
das casas modernas. Trata-se da casa de férias de Popeia, a segunda
mulher do imperador Nero. A casa estava decorada de forma luxuosa. Os
frescos ainda deixam adivinhar a riqueza de outros tempos. A iluminação
está avariada há vários anos e ninguém veio reparar. Trabalham aqui dois
restauradores, que tratam de assegurar a segurança de algumas obras. A
água escorre do teto e, sem haver qualquer esforço das entidades para
salvar este património, o trabalho dos restauradores parece condenado ao
fracasso.
O aplicativo Google Maps oferece a seus usuários desde esta quinta-feira a possibilidade de fazer um passeio virtual pelo Grand Canyon,
no Colorado (centro dos EUA), com imagens panorâmicas captadas por
excursionistas que levaram câmeras com o sistema operacional Android
presas às costas.
“Estas belas imagens interativas abrangem mais de 75 milhas (120 km)
de vias e estradas circundantes”, afirmou o gerente de produtos do
Google, Ryan Falor, em um blog.
“Faça um passeio pelas trilhas estreitas e os caminhos abertos do
Grand Canyon: caminhe pela famosa trilha Bright Angel Trail, contemple o
imponente rio Colorado e explore mirantes a 360 graus”, afirmou.
As imagens foram capturadas por membros da equipe do Google Maps, que
escalaram o terreno rochoso carregando mochilas de 18 quilos, equipadas
com um sistema de câmeras e “suportando mudanças de temperatura e
várias câimbras musculares ao longo do caminho”, disse Falor.
As fotos estão disponíveis no site de mapas do Grand Canyon.
A equipe do Street View, do Google, cada vez se aventura mais por
diferentes lugares do mundo para coletar imagens dos locais que aparecem
em seus mapas.
No ano passado, o Google Maps adicionou fotos da selva amazônica no Brasil e da Baía de Cambridge, no Ártico canadense. AFP – Agence France-Press