quarta-feira, 11 de junho de 2014

IPHAN lança Guia do Patrimônio Cultural no País da Copa

Na próxima semana tem início a Copa do Mundo 2014 e o Brasil, anfitrião do campeonato, vai mostrar a torcedores e turistas que, além da paixão pelo futebol, é um dos países mais ricos do planeta quando o assunto é a diversidade cultural. Para apresentar as mais variadas expressões da cultura no Brasil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) lança o Guia do Patrimônio Cultural no País da Copa, um publicação online que destaca monumentos e manifestações tradicionais nas cidades que vão sediar os jogos do campeonato mundial de futebol.
O guia apresenta diversas fotografias e uma pequena descrição a história de cada uma das cidades-sede, seus monumentos e os destaques do Patrimônio Cultural Imaterial das localidades. Em um país com tamanha riqueza e pluralidade como o Brasil, o Guia se torna ferramenta fundamental para aproveitar cada pedacinho da história e conhecer bem os segredos e tesouros da nação verde e amarela.
Acesse aqui o Guia do Patrimônio Cultural no País da Copa e encante-se com a beleza da diversidade cultural brasileira.
Fonte: IPHAN - http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=18461&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia





O preço da festa

Desde o início da República, os megaeventos internacionais transformam de forma radical as cidades brasileiras. Muito dinheiro é gasto e pouca melhoria é feita em benefício da população

Alice Melo, Déborah Araújo, Fernanda Távora, Nashla Dahás, Ronaldo Pelli
Desde o início da República, os megaeventos internacionais transformam de forma radical as cidades brasileiras que se dispõem a recebê-los. Grande quantidade de dinheiro público é investida e a população permanece como espectadora de um show articulado pelo poder público em prol de uma imagem positiva do país aos olhos do mundo. Justificada, algumas vezes, pela controversa ideia de avanço da civilização, a festa envolve um “sacrifício coletivo”, do qual sócios dos grandes grupos econômicos não partilham. O espetáculo passa, o prejuízo fica. Quem menos lucra neste jogo de interesses é a maioria dos cidadãos.
As cidades-sede não são e não se tornam hospitaleiras a seus próprios moradores, que lidam diariamente com infraestrutura precária de transportes, segurança, saneamento básico; e falta de investimento crônica em educação, saúde e lazer. Recentemente, algumas melhorias são exigidas pelas entidades internacionais ligadas a eventos esportivos, como COI e FIFA, mas dificilmente saem do papel. Quando o tempo urge, estes agentes (ligados a inúmeras ilegalidades) fazem vista grossa. E as necessidades reais da população não são atendidas. Exemplos não faltam: da Exposição Nacional de 1908 à Jornada Mundial da Juvetude, o retrato é quase o mesmo.
Exposição Nacional de 1908
Rio de Janeiro, agosto a novembro de 1908.
Para comemorar o centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas, o governo realizou a Exposição Nacional de 1908. A ideia era demonstrar o grau de civilidade do país em um evento que expusesse os principais ramos da atividade nacional: agricultura, indústria, pecuária e artes liberais.
Legado:Estados da Federação e Portugal construíram trinta edifícios em uma área aterrada de 182.000 m², o bairro da Urca.  As obras do prédio da Universidade do Brasil foram concluídas, assim como as do novo reservatório, o Chateau d’eau, que bombeou água para chafarizes. A região ganhou postes com iluminação elétrica e um pequeno porto (hoje o Iate Clube do Rio de Janeiro).
Custos:Os gastos foram divididos entre governos estaduais e federal. A União, o menor investidor, gastou 5.000:000$000 – cerca de 1% do orçamento anual. Grande quantidade de moradores pobres das regiões nobres foi expulsa para a periferia.
Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil
Rio de janeiro, 7 de setembro de 1922 a 7 de setembro de 1923.
O ano de 1922 foi muito conturbado politica e socialmente. Para criar uma imagem de um Brasil moderno, Epitácio Pessoa inaugurou o maior evento republicano que a nação já vira. Grandes estandes expuseram produtos da indústria nacional e internacional. Ideia era demonstrar “beleza, cultura e progresso”.
Legado:Foi inaugurado o Museu Histórico Nacional. O centro foi embelezado: houve a demolição do Morro do Castelo, aterro da praia de Santa Luzia, e uma nova cidade, erguida em um ano.
Custos:Os gastos da União foram de 105.000:000$000. Em época de crise econômica, o investimento de vultosa quantia em festejo gerou insatisfação. Parte dos gastos foi em arquitetura efêmera. Centenas de famílias foram despejadas do Centro, migrando principalmente para a região portuária. A imprensa foi contra, mas ao receber dinheiro de publicidade estatal, mudou a postura.
Copa do Mundo de futebol de 1950
Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Curitiba, Porto Alegre, de 24 de junho a 16 de julho de 1950.
O Brasil foi escolhido como sede da Copa na ausência de concorrentes: a Europa estava arrasada após a Segunda Guerra. Diferentemente de hoje, o país-sede não tinha que cumprir uma série de exigências, mas apenas possuir estádios no padrão da Fifa. Houve, porém, grande debate sobre as prioridades dos nossos políticos.
Legado: Talvez o único legado da Copa de 1950 tenha sido a construção do Maracanã, então maior estádio do mundo, que consumiu 95% do orçamento do evento. Das seis sedes, quatro já existiam e só passaram por reformas. Mesmo com todo o dinheiro destinado à festa, o Maracanã foi entregue apenas sete dias antes do primeiro jogo.
Custos: A verba usada no Maracanã era pública. Segundo dados do livro 1950: O preço de uma Copa, o orçamento original do estádio era de 150 milhões de cruzeiros, mas a conta fechou, oficialmente, em 230 milhões de cruzeiros, algo em torno de R$ 410,3 milhões. Fifa e CBF não souberam dar informações sobre o assunto.
IV Jogos Pan-americanos
São Paulo, de 27 de agosto a 7 de setembro de 1963.
A quarta edição dos Jogos Pan-americanos é até hoje vista como um momento de glória para a cidade de São Paulo. Participaram da competição 1.655 atletas de 22 países, competindo em 19 esportes. Para a satisfação dos paulistanos, o Brasil ficou em segundo lugar no quadro de medalhas.
Legado: A Vila Pan-Americana, hoje Conjunto Residencial da USP (Crusp), além de reformas em outros equipamentos.
Custos: Tanto o Arquivo Municipal como o Tribunal de Contas do Município não forneceram informações sobre o evento. Os jornais da época falam que o governador paulista Carvalho Pinto recorreu ao Ministério da Fazenda para a “liberação de 450 milhões de cruzeiros (algo como R$ 8,3 milhões) para complementar as verbas estaduais” destinadas à Vila Olímpica, e que o Comitê Organizador esperava conseguir uma verba de 40 milhões de cruzeiros (por volta de R$ 735 mil) com a prefeitura para a realização dos Jogos.











Exposição Nacional de 1908, Rio de Janeiro: Palacio das Industrias.

domingo, 8 de junho de 2014

III Colóquio Ibero-americano Paisagem Cultural, patrimônio e projeto

APRESENTAÇÃO

Nos últimos anos tem se acentuado a discussão em torno da categoria “paisagem cultural”, apesar dela ter sido incluída há mais de vinte anos na Convenção do Patrimônio Mundial da UNESCO e de dezenas de paisagens já terem sido nela inscritas, inclusive o Rio de Janeiro em 2012. Uma das controvérsias principais, que tem agitado o mundo da preservação gira em torno da introdução pela UNESCO da ideia da “paisagem histórica urbana” (Historic Urban Landscape, HUL), vista por muitos como desnecessária e redundante.
Ao mesmo tempo em que essa categoria dá margem à polêmica, ela tem sido cada vez mais utilizada ao redor do mundo por pesquisadores, profissionais e órgãos de preservação. O fato é que a ideia de “paisagem cultural” tem aberto novas possibilidades para a área do patrimônio, combinando aspectos materiais e imateriais do conceito, muitas vezes pensados separadamente, indicando as interações significativas entre o homem e o meio ambiente natural. Com isso, recoloca-se o próprio campo do patrimônio cultural, abrindo-se uma perspectiva contemporânea para, ao lado das novas contribuições se pensar também de forma mais integrada diversas ideias tradicionais do campo da preservação.
É frente a este quadro que acontece em 2014 a terceira edição do já tradicional “Colóquio Ibero-americano Paisagem Cultural, patrimônio e projeto”, promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pela Universidad Politécnica de Madrid (UPM), pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pelo Instituto de Estudos de Desenvolvimento Sustentável (IEDS).
Nesse colóquio vão se aprofundar as discussões iniciadas nas edições anteriores, fazendo-se uma avaliação das diversas dimensões da ideia da paisagem cultural, tanto aquelas de natureza conceitual, metodológicas e projetuais, quanto suas implicações para as políticas de valorização e intervenção.

CALENDÁRIO

  • Envio de resumos: até 25 de junho de 2014
  •  Informe da seleção de resumos: até 05 de julho de 2014
  • Envio dos trabalhos completos para publicação: até 25 de agosto de 2014
  • Abertura do evento:  15 de setembro de 2014

PERÍODO E LOCAL DE REALIZAÇÃO

O Seminário acontecerá no CAD II, no campus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, de 15 a 17 de setembro de 2014.

INSCRIÇÕES

Valores de Inscrição

Datas limitesValores (R$)
Professores, Pesquisadores e ProfissionaisEstudantes
10/05/2014 a 10/06/2014R$ 300,00R$ 200,00
10/06/2014R$ 400,00R$ 300,00




MP gaúcho requer restauração da casa que pertenceu ao italiano, pioneiro na fabricação de gramofones e discos no Brasil

A Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre ingressou com ação civil pública para que seja restaurada a casa onde funcionou a primeira gravadora de discos do Brasil, conhecida como “Casa Eléctrica”, que pertenceu ao italiano Savério Leonetti. A ação foi ajuizada contra o Poder Executivo Municipal, a empresa proprietária e a locatária.
A Casa Eléctrica é um casarão situado na Avenida Sergipe, nº 220, Bairro Glória; é um exemplar de residências-chácaras construídas na virada do século XIX para o século XX. Hoje, conforme laudo técnico do MP, há vegetação excessiva próxima ao prédio, janelas abertas e falhas no telhado que permitem a entrada de chuva e lixo. Há também móveis quebrados e varandas que ameaçam desabar. A instalação é tombada pelo patrimônio histórico de Porto Alegre, e pertence à lista do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.
Na ação, os promotores Carlos Roberto Lima Paganella, Alexandre Sikinowski Saltz, Ana Maria Moreira Marchesan e Annelise Monteiro Steigleder lembram que a Casa Eléctrica, de propriedade do italiano Savério Leonetti, foi a primeira produtora de gramofones do Brasil e, posteriormente, começou a fazer a prensagem de discos, sob o selo “Gaúcho”, o segundo da América Latina. A Casa Eléctrica lançou dezenas de composições rio-grandenses, e divulgou cantores do Rio de Janeiro, São Paulo, Montevideu e Buenos Aires. Com produção total de 326 títulos, o selo “Gaúcho” é apontado como primeiro exportador de discos do Brasil.
A Promotoria requereu ao Poder Judiciário, entre outras solicitações, antecipação de tutela para que o município de Porto Alegre realize imediatamente obras para proteção provisória do bem tombado, para evitar degradação ainda maior por causa de intempéries, até que seja realizada a recuperação definitiva. Entre as necessidades, a vistoria técnica do MP alega que deve ser feita poda de vegetais, escoramento das varandas, cobertura do telhado original, fechamento das janelas abertas, remoção do lixo e entulhos do interior.
Além disso, o MP solicitou que a Prefeitura ficasse obrigada em iniciar, no máximo em 90 dias, as obras definitivas de preservação, recuperação, restauração ou reconstrução do imóvel. Os pagamentos referentes ao aluguel deveriam ser depositados em conta judicial para ser destinados exclusivamente às obras. Os Promotores sugerem, também, condenação do Município a elaborar proposta de Política Ambiental Preventiva e de Valorização do Patrimônio Cultural que contemple, para a próxima Lei de Diretrizes Orçamentárias, estudos para todas os imóveis de importância histórico-cultural da cidade.
A ação, ajuizada em setembro, tramita na 10ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre. O pedido liminar ainda não foi apreciado pelo Juiz, que postergou a análise para depois da oitiva de representantes do Município. No despacho de 26 de setembro, foi ressaltado que "acerca do pedido de antecipação de tutela, intime-se o Município de Porto Alegre para manifestação, no prazo de 10 dias". A manifestação da Prefeitura já ocorreu e a decisão sobre a antecipação de tutela deve sair a qualquer momento.

Antiga fábrica de discos “A Eléctrica”
Em 1908, Savério Leonetti, imigrante italiano natural da Calábria, em viagem à Europa, adquiriu na Alemanha o maquinário para a gravação e prensagem de discos. Em 1913 lança o gramofone nacional, de custo mais acessível do que o estrangeiro, na marca “A Eléctrica” e em 25 de outubro do mesmo ano saem os primeiros discos (os discos eram gravados em Porto Alegre e prensados na Europa) no selo do “Disco Gaúcho”. Em 1914 Leonetti já gravava e prensava os discos em sua fábrica “A Eléctrica” em Porto Alegre, tornando-se o segundo fabricante de discos no Brasil e na América do Sul (o primeiro fabricante de discos era a casa Edison, no Rio de Janeiro, também de 1913).
A fábrica “A Eléctrica” foi instalada por Leonetti na rua Sergipe nº 9. A comercialização e a venda dos discos e gramofones fazia-se no centro de Porto Alegre, na Rua dos Andradas, nº 302 (hoje centro comercial Masson). Ela tinha “o maior sortimento de artigos phonográphicos do Estado e único fabricante dos afamados gramophones marca Eléctrica e Disco Gaúcho”.
Em 1924, depois de onze anos e produção de mil discos, a empresa de Savério Leonetti faliu. Foi decretada a falência de “A Eléctrica” pela Junta Comercial de Porto Alegre. Nas causas possíveis estão a 1ª Guerra Mundial e as dificuldades de importar os materiais necessários à indústria da Alemanha, bem como o espírito um tanto perdulário de Leonetti.
O prédio da Av. Sergipe, hoje nº 220, bairro Glória, constitui um marco único na música popular de Porto Alegre por tratar-se da primeira fábrica de discos do Rio Grande do Sul e a segunda do continente sul-americano.
A construção da fábrica no início do século tornou a cidade um centro musical. Durante o período áureo da fábrica, de 1913 a 1919, a capital do Rio Grande do Sul teve um papel de pólo cultural na área da música em relação aos vizinhos países do Prata com o tango e no Brasil com o samba e outros ritmos da música popular.
Evidenciando o estilo eclético em sua arquitetura, constitui-se num exemplar da construção de residências-chácaras na virada do século XIX-XX. O prédio reúne características de chalet e algumas tendências neobarrocas na ornamentação da fachada frontal. Ele possui na fachada, coroamento, platibanda e frontão em forma arredondada.A característica de chalet está nos avarandados laterais enfeitados de lambrequins de madeira recortados à serra de fita.
Com singular técnica construtiva para a época, possui alvenaria estruturada com ferro, tendo sido utilizados trilhos de trem. É uma edificação térrea com porão implantada isoladamente sobre o terreno. A cobertura é em duas águas com telha francesa. Tem paredes externas em alvenaria de tijolos, forro em madeira, piso assentado em estrutura de ferro e laje de grês. O piso do banheiro é cerâmico, a cozinha e avarandados têm ladrilhos hidráulicos e as demais peças da casa têm o piso em madeira. A ornamentação da fachada frontal do prédio é feita com elementos alusivos à atividade da fábrica de discos. Os elementos expressos nas formas feitas em massa. O conjunto ornamental compreende uma lira coroada por guirlanda na forma de ferradura com as pontas de cabeças de cobra e a cada lado da lira a impressão de um disco.
Em 1996, a classe artística mediante extenso abaixo-assinado dirigido ao Município mostra seu interesse em preservar o prédio da Av. Sergipe. O tombamento ocorre em 27 de dezembro de 1996. (Fonte: Prefeitura de Porto Alegre)

Fonte: http://www.oriundi.net/site/oriundi.php?menu=noticiasdet&id=18606


















Ação civil pública requer restauração da casa que sediou a primeira gravadora de discos no Brasil, fundada pelo imigrante italiano Savério Leonetti

terça-feira, 3 de junho de 2014

Deu na Folha.com: ''Edifício que abrigou o Cine Ipiranga em São Paulo é tombado''

Considerado um dos ícones da arquitetura moderna, o edifício projetado pelo arquiteto Rino Levi na década de 40 para abrigar os antigos Hotel Excelsior e Cine Ipiranga, no centro de São Paulo, terá os seus espaços internos tombados pelo Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico. A proposta de tombamento visa preservar a galeria de entrada, o saguão, as salas de espera e de projeção. Fechado desde 2005, o prédio ainda deverá ser reaberto pela prefeitura da cidade para abrigar um novo cinema. Confira na íntegra a reportagem publicada na Folha.com.

Foi publicada nesta quarta-feira (14) uma resolução da Secretaria de Estado da Cultura tombando o edifício que abrigou o antigo Hotel Excelsior e o Cine Ipiranga, localizado na avenida Ipiranga, 770 e 786, no centro de São Paulo. A Prefeitura pretende abrir um cinema de rua no local.

Segundo o texto do tombamento, o prédio projetado pelo arquiteto Rino Levi (1901-1965), é um exemplo da arquitetura moderna e resultado de uma concepção criativa caracterizada por sobrepor, em um terreno pequeno, "uma grande torre de hotéis e uma monumental sala de cinema, ambos representativos de programas inovadores e característicos de meados do século 20 em São Paulo".

Formado na Itália, Levi foi um dos maiores expoentes do modernismo brasileiro, conhecido por seus desenhos de ângulos retos e austeros. O Cine Ipiranga foi o quarto cinema que projetou em São Paulo, depois de ter feito outros gigantes como o Ufa-Palácio, o Universo e o Piratininga, todos na região central da cidade.

Inspirado no racionalismo italiano, em especial na distribuição em torno de pátios internos, e nas formas geométricas do arquiteto polonês Erich Mendelsohn, por sua vez alinhado aos preceitos racionais do fundador da Bauhaus, Walter Gropius, e do alemão Mies van der Rohe, Levi criou uma fachada quadriculada para o cinema.

Mas abusou das referências ao art déco do lado de dentro. Os detalhes nesse estilo do início do século 20 estão nas luminárias e escadarias do Cine Ipiranga, também famoso por seus balcões e marquises em curva do lado de dentro.

Em suas construções, o arquiteto também fez alusões ao impacto que sentiu ao visitar a Casa Modernista, obra de Gregori Warchavchik, na Vila Mariana, uma das primeiras construções modernas em São Paulo.

Mesmo fascinado pela casa, o arquiteto foi um dos maiores defensores da verticalização da cidade e seu edifício Columbus, de 1934, é considerado o primeiro condomínio de apartamentos na capital paulista.

A sala do Cine Ipiranga, aberta em 1941 e fechado em fevereiro de 2005, ainda conserva grande parte de sua concepção original, incluindo detalhes no corrimão e luminárias. O espaço interno do hotel, por sua vez, sofreu algumas reformulações ao longos dos anos, com renovação dos quartos e dos banheiros.

De acordo com o texto de tombamento, contudo, as fachadas externas "mantêm presença marcante na paisagem, apresentando claramente suas características fundamentais de arranha-céu vinculado à arquitetura moderna".

Foi determinado que a configuração do saguão, as escadarias e a sala de espetáculos do cinema serão preservados. Para assegurar a manutenção do edifício, podem ser acrescentados a ele alguns elementos de infra-estrutura desde que aprovados pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico).

O Condephaat autorizou o tombamento em reunião realizada em 25 de outubro de 2010.

www1.folha.uol.com.br

http://www.arqbacana.com.br/internal/arq!news/read/13946/deu-na-folha%20com- 


















O edifício projetado pelo arquiteto Rino Levi na década de 40 para abrigar os antigos Hotel Excelsior e Cine Ipiranga, no centro de São Paulo, terá os seus espaços internos tombados pelo Condephaat

Foto: Niels Andreas/Folhapress 

Vila Itororó será finalmente restaurada como espaço cultural

Na edição 408 de PROJETOdesign (março de 2014), na publicação do Centro de Referência em Educação Ambiental (Cerea), projetado pelo arquiteto Décio Tozzi e localizado no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, – edificação que irá se converter na segunda unidade da Biblioteca de São Paulo (BSP) na capital paulista – está registrado que a persistência é característica da personalidade do profissional da qual não se deve duvidar.
Prova mais recente dessa perseverança é o trabalho no qual Décio - em conjunto com o arquiteto Benedito Lima de Toledo - está envolvido deste de 1974, e define diretrizes para a restauração e conversão em um centro cultural de um dos mais extravagantes conjuntos arquitetônicos da capital paulista: a Vila Itororó. O pitoresco palacete, que é o elemento central da vila, localizada na Bela Vista, e mais vinte casas vizinhas começarão a ser recuperadas a partir de julho.
Na segunda quinzena de maio, a prefeitura da capital informou ter estabelecido parceira com o Itaú Unibanco e a Construtora Camargo Correia, por meio e Lei Federal de Incentivo à Cultura, para a realização da primeira etapa obras. De acordo com a administração municipal, serão investidos nas obras 4 milhões de reais (50% cada empresa).Numa primeira fase será feita a análise estrutural das edificações, limpeza geral do terreno, drenagem do solo e remoção do entulho. A previsão é de que a restauração completa seja concluída em dois anos.
O empreiteiro português Francisco de Castro foi quem, entre 1922 e 1929, construiu a Vila Itororó. Consta dos registros que ela o prédio principal foi edificado com sobras do material (e, portanto, já naquela época Castro adotou posturas de sustentabilidade) do antigo Teatro São José, destruído por um incêndio no final do século 19 – as colunas gregas e outros elementos utilizados no palacete seriam remanescentes do prédio do teatro.
Castro também construiu junto ao palacete uma piscina, que era abastecida com água do riacho Itororó (atualmente no subsolo da avenida 23 de Maio). O conjunto é tombado pelos órgãos de preservação do patrimônio nas esferas estadual e municipal que, em 2010, aprovaram a intervenção. De acordo com a prefeitura, as diretrizes de uso do conjunto após o restauro levam em consideração a reprodução da diversidade cultural da cidade como uma típica vila paulistana.
“O uso do espaço será multidisciplinar, com a aproximação de temas como a valorização do patrimônio histórico, artes, educação, gastronomia, lazer e entretenimento. O projeto prevê espaços de lazer e convivência. Um museu multimídia sobre a Vila Itororó e a história de São Paulo na década de 1920 funcionará dentro do complexo que receberá, ainda, residência artística, salas de ensaio, espaços de cinema, teatro, dança, circo, oficinas e playground para crianças”, informa a prefeitura.
Mentor e autor da recuperação do conjunto, Tozzi relata que ele e Toledo realizaram inclusive o levantamento histórico do conjunto – “antes, só havia uma menção à vila, num livro do arquiteto historiador Luís Saia, que avaliava o conjunto como importante para a preservação”, observa. Ele explica ainda que, conforme recomenda a boa técnica, serão retirados dos conjunto os acréscimos considerados espúrios e as peças estruturais - quase todas elas comprometidas – ganharão reforço interno com estruturas metálicas.

Texto de Adilson Melendez

Fonte: http://arcoweb.com.br/noticias/noticias/vila-itororo-restaurada-convertida-espaco-cultural 




 




domingo, 1 de junho de 2014

Trens continuam sucateados em São João

Dois anos já se foram desde uma publicação da Gazeta denunciando o sucateamento de trens em São João del-Rei, mas até o momento o Complexo Ferroviário do município continua danificado. Com Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em greve e promessas de investimento pelo PAC Cidades Históricas que estão apenas no papel, a situação parece estar distante de uma solução.
No entanto, como afirmou o prefeito Helvécio Reis (PT) em entrevista à Gazeta no início deste mês, existem prazos que precisam ser cumpridos. “Até 30 de junho, de acordo com solicitações do Iphan, precisamos ter tudo resolvido para as obras começarem”, disse.
A reforma do Complexo Ferroviário é uma das restaurações patrimoniais prometidas ao município pelo PAC Cidades Históricas, anunciado pelo governo petista cinco vezes em quatro anos. De acordo com o membro do Conselho Municipal do Patrimônio e Secretário de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Pedro Leão, o complexo irá receber R$24 milhões do programa. No entanto, as obras não são de responsabilidade da pasta.
“O Patrimônio realmente está sucateado. Mas na divisão do PAC, a ferrovia ficou sob responsabilidade do Iphan. Já existem técnicos do instituto que estão fazendo análises e estudos de restauração de alguns elementos. A previsão e de que as obras se iniciem ainda neste ano”, afirmou Leão.
No entanto, em greve, representantes do Iphan, que também ficou responsável pelo restauro de seis igrejas históricas, não foram encontrados pela reportagem para se manifestarem sobre o assunto. Outras obras, que serão realizadas pela Prefeitura através da Secretaria de Cultura, remetem a intervenções em dez pontos turísticos no município, mas também não foram iniciadas até o fechamento desta edição.

FCA
A assessoria de imprensa da Ferrovia Centro Atlântica (FCA) afirmou que, embora a empresa faça parte do Comitê, a coordenação do repasse do PAC é de responsabilidade do Iphan.
Já as iniciativas que deveriam ser tomadas pela Centro Atlântica já foram executadas. Nas realizações foram gastos pouco mais de R$7 milhões. “As obras aconteceram de 2011 até 2014 e foram realizadas pela responsabilidade que a FCA tem de conservar um imóvel, que é patrimônio da União. O que fizemos foi apenas adequações na estrutura. Reformamos Rotunda, telhados e o museu, além de catalogarmos peças”, contou.

Fonte: http://www.gazetadesaojoaodelrei.com.br/site/2014/05/trens-continuam-sucateados-em-sao-joao/ 














Gazeta denunciou abandono dos trens em agosto de 2012. De lá para cá quase nada mudou e solução para o problema depende do PAC Cidades Históricas – Foto: Arquivo Gazeta

SP – Exposição dedicada a Oscar Niemeyer destaca projetos inéditos

Via Defender RS:
Para curador, mostra no Itaú Cultural revela facetas diferentes daquelas associadas normalmente ao arquiteto.

Na década de 1960, Oscar Niemeyer (1907-2012) brincou de imaginar o futuro – habitações subaquáticas e um método de aprendizagem através de eletrodos colocados diretamente no cérebro das pessoas enquanto dormiam estão representados em um grande desenho meio “science fiction” que ele criou a pedido de uma revista soviética. “O Oscar não era dado a isso, é uma exceção, uma curiosidade”, diz Lauro Cavalcanti, curador da exposição dedicada ao arquiteto carioca a ser inaugurada na quinta-feira no Itaú Cultural.
















Casa do arquiteto em Cabo Frio, projeto inédito do de Oscar Niemeyer.

No primeiro andar da instituição, essa obra inusitada, apresentada em seu original, convive com maquetes de edificações referenciais, como a Catedral de Brasília e a Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte, além de croquis. Mas a exposição, que ainda ocupa mais dois andares do instituto, já diz no seu título a que veio – Oscar Niemeyer: Clássicos e Inéditos tem como atrativo possibilitar novos olhares sobre a obra de um dos criadores brasileiros mais celebrados de todos os tempos.
Dos 70 projetos apresentados na exibição, 51 nunca foram vistos ou construídos. Como o plano da cidade de Negev, no deserto de Israel, criado por Niemeyer em 1964. “É a antiBrasília”, afirma Lauro Cavalcanti sobre a obra engavetada e projetada três anos depois da inauguração da capital federal do Brasil. “Negev era para ser percorrida a pé, as distâncias maiores entre dois pontos dela seriam de 500 metros”, descreve o curador. “Ela ainda teria um grande estacionamento subterrâneo e os veículos só poderiam andar na periferia. Suas ruas seriam estreitinhas, para se passear por jardins, como nas cidades medievais.”
Os inéditos do arquiteto estavam em cadernos descobertos nos acervos da Fundação Oscar Niemeyer, no Rio. “O interessante é que nesses trabalhos você vê tanto obsessões e purificações de forma quanto projetos totalmente diferentes do que ele normalmente realizou”, comenta o curador. Graças à parceria com o Itaú Cultural, foi realizada a digitalização do material, patrimônio agora revelado e tornado acessível.
















O arquiteto Oscar Niemeyer. Divulgação

Mas a exposição não se encerra nessa vertente. O objetivo de seus realizadores foi conceber uma “mostra amistosa”, que coloca o arquiteto, seu processo e pensamento de maneira muito próxima do público, leigo ou especializado. Em mais de 300 plantas, croquis e desenhos originais – incluindo um rolo de papel de 12,5 metros, maquetes físicas e eletrônicas e dois filmes, Oscar Niemeyer é celebrado pelas próprias fala e mão.
Na mostra, um rolo de papel de 12,5 metros de comprimento apresenta, numa grande parede, a trajetória do arquiteto, morto aos 104 anos, em 2012, por intermédio de uma progressão de desenhos feitos por ele mesmo. A bobina, nunca antes exposta, foi traçada pelo carioca de maneira livre e solta durante as filmagens de Oscar Niemeyer – O Filho das Estrelas (2001), do diretor francês Henry Raillard.
O filme será projetado no espaço expositivo, no primeiro andar da instituição, numa forma de colocar o arquiteto bem próximo do público. “Nesse desenho, ele vai explicando Brasília, o exílio em Argel, obras como o MAC-Niterói, a presença constante das mulheres, a questão política, terminando com um sujeito se defendendo contra um dragão, com a bandeira do Brasil”, diz o curador da mostra, Lauro Cavalcanti. “A ideia é dar voz ao Oscar”, completa.
Sob o desafio de conceber uma exposição diferente das já realizadas sobre o arquiteto, a exibição traz um conjunto expressivo de trabalhos inéditos – mostrados em versões originais e digitalizadas – e busca fugir de visões consagradas sobre sua produção, mesmo quando destaca o que já é referencial. Por exemplo, entre as maquetes brancas construídas especialmente para se apresentar as obras clássicas de Niemeyer, há uma sobre o projeto que, embora não construído, é considerado por muitos profissionais a obra-prima do carioca, o Museu de Arte Moderna de Caracas, na Venezuela.
















Vista da exposição no Itaú Cultural dedicada ao arquiteto. Divulgação


Em 1954, o arquiteto projetou um edifício que seria uma pirâmide invertida em terreno de encosta. “É um projeto revolucionário pela forma”, considera o curador, especialista em arquitetura moderna. “O espaço é estruturado pela própria pirâmide e há plano de se ocupar um lugar com uma paisagem linda sem barrar a vista.”
“Esse trabalho não foi realizado, mas alimentou a ideia para o MAC (Museu de Arte Contemporânea) de Niterói, que ocupa o terreno e não barra a vista”, define ainda Cavalcanti.
Outro destaque da exposição é o projeto da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), concebido em 1979 para uma área entre as ruas Ministro Rocha Azevedo e São Carlos do Pinhal (na região da Avenida Paulista), mas que também não foi erguido. “É inovador, transgressor, com a criação de um espaço aéreo”, comenta o arquiteto Pedro Mendes da Rocha, responsável pela expografia de Oscar Niemeyer: Clássicos e Inéditos.
O trabalho – que se tornou o ícone da mostra -, é considerado um ponto alto da questão de inserção urbana na obra do carioca. “O Oscar é conhecido por fazer obras descontextualizadas do meio urbano, mas tem também o projeto de um hotel em Ipanema no qual ele cria uma série de recursos para se ganhar janelas para o espaço”, afirma o curador da exposição.

 
Para o público de São Paulo, a mostra tem um segmento inteiro dedicado às construções do arquiteto na metrópole. “As pessoas poderão conhecer trabalhos que não foram realizados, mas que mudariam bastante a cidade, e obras como o Ibirapuera, o Copan, edifício Eiffel”, destaca Cavalcanti. Um grande mapa virtual será projetado por uma abertura feita do primeiro para o segundo subsolo do Itaú Cultural, localizando prédios e construções selecionadas. “Quase todos estão numa distância que dá para ir caminhando e assim estamos propondo que o público faça sua descoberta de Oscar não apenas na exposição”, completa o curador.
A mostra, que percorre a trajetória do arquiteto desde 1936, mas concentrando o olhar em suas criações realizadas entre as décadas de 1950 e 1980, também será apresentada entre 14 de agosto e novembro no Paço Imperial do Rio.
Na ocasião, será lançado o catálogo da exposição, com textos dos especialistas Glauco Campelo, Carlos Lemos, Ciro Pirondi, Fares Dahdah (professor da Rice School of Architecture e responsável por chamar a atenção de Lauro Cavalcanti para os projetos inéditos de Niemeyer) e do curador da mostra. Por Camila Molina

Fonte: Estadão

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