terça-feira, 24 de junho de 2014

Unesco declara Caminhos Incas como patrimônio da humanidade

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São mais de 27 mil km de estreitas vias construídas há centenas de anos – talvez há mais de mil, como supõem alguns estudiosos –, em rotas que seguem sinuosos contornos entre milhares de montanhas da Cordilheira dos Antes, passando por territórios que hoje são de seis países diferentes, mas que foram feitos quando a região noroeste do continente era dominada por um único e pujante império.
Em 2007, esses seis países (Peru, Equador, Bolívia, Argentina, Chile e Colômbia), iniciaram uma campanha em conjunto para o reconhecimento da rede viária inca como patrimônio da humanidade, por parte da Unesco. Algo que foi oficializado neste domingo (22/06), em cerimônia realizada na região de Quehue, no sudeste do Peru, onde está localizado um dos trechos mais conhecidos dos caminhos, a Ponte Q´eswachaca – uma estrutura feita com barbantes de fibra vegetal, de 28 metros de comprimento. Estiveram presentes no evento lideranças indígenas das comunidades Winch´iri, Perqaro, Collana e Chaupibanda.
Os Caminhos Incas são parte da herança dos povos originários do continente, escondida no maior labirinto natural do mundo. E se no Velho Mundo todos os caminhos levavam a Roma, por aqui todos os caminhos levavam a Cusco, a principal cidade do sul do Peru, próxima às ruínas de Macchu Picchu, cidade símbolo do Império Inca, também parte do que restou de uma das mais importantes civilizações pré-colombianas.
Conhecidos como Qhapaq Ñan, em seu idioma original, os caminhos vão desde o sul da Colômbia, cortam o Equador e o Peru, passam pelo lago Titicaca, pelas províncias do oeste da Bolívia e da Argentina, até o norte do Chile. Alguns trechos em regiões montanhosas do Peru, ou próximos da tríplice fronteira entre Bolívia, Chile e Argentina, chegam a lugares com altitude superior a 5 mil metros.
Um desafio digno dos grandes aventureiros, mas que requer preparo fisico para encarar o ar rarefeito, as grandes distâncias – são cerca de 5,2 mil km entre o ponto mais ao setentrional, no sul da Colômbia, e o mais austral, no norte do Chile – e as trilhas acidentadas, além da coragem de cruzar as partes mais extremas, como as antigas pontes de sisal. Essa aventura é só para as e os fortes. Seja!

Fonte: http://redelatinamerica.cartacapital.com.br/argentina/unesco-declara-caminhos-incas-como-patrimonio-da-humanidade/ 


















Indígenas que fazem a manutenção da Ponte Q’eswachaca, e o reconhecimento da Unesco. Foto: Cuzco Noticias





















Fonte: Wikipedia

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Bahia lança concurso para revitalizar favelas de Salvador

Projeto piloto será implementado na comunidade Baixinha de Santo Antônio

O governo da Bahia, em parceria com o departamento regional do IAB, acaba de lançar o “Concurso Público Nacional de Ideias para Solução Estrutural de Arquitetura e Urbanismo para Assentamentos Subnormais”, que pretende revitalizar favelas e áreas de risco em Salvador e na região metropolitana.
A ser premiado com 150 mil reais, o plano urbanístico vencedor será implementado inicialmente na comunidade Baixinha de São Gonçalo com o objetivo de se tornar um projeto piloto com futura aplicação em outros distritos, promovendo a melhoria das condições físicas, econômicas e sociais da população.
As propostas serão avaliadas pela comissão julgadora de acordo com critérios como mobilidade, uso dos equipamentos públicos e comunitários, infraestrutura, habitação, meio ambiente, e promoção e gestão social.
Inscrições poderão ser realizadas até o dia 6 de agosto pelo site oficial do concurso. Após consultas e visitas guiadas facultativas, os interessados devem enviar as propostas em nível preliminar até às 18h do dia 12 de agosto. Respectivamente, o segundo e terceiro colocados receberão prêmios de 80 e 50 mil reais.
“Deve-se conceber e planejar uma solução estrutural urbanística em favelas criando as condições físicas para a transformação, no mesmo local e com as mesmas famílias, em bairros populares dignos. O desafio, urbanístico, social e econômico – principalmente da estruturação do projeto – é imenso e talvez, pela magnitude, seja um esforço de mais de uma geração”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Urbano, Manuel Ribeiro.

Veja o site oficial do concurso: http://concursos.arqs.com.br/concursobaixinha/
Publicada originalmente em ARCOweb em 18 de Junho de 2014

Fonte: http://arcoweb.com.br/noticias/noticias/bahia-concurso-revitalizar-favelas-salvador 


terça-feira, 17 de junho de 2014

Oscar Niemeyer - Arquiteto e Compositor

Lançada em dezembro de 2012, alguns dias antes de completar 103 anos de idade, o hoje falecido arquiteto Oscar Niemeyer, o grande nome da arquitetura brasileira e um dois maiores nomes da arquitetura mundial, também aventurou-se como compositor.
A música tem o nome de “Tranquilo com a Vida” e começou a criar forma em 2009, com os primeiros versos de Niemeyer. Na época, o enfermeiro do arquiteto começou a musicar a composição, que acabou engavetada por meses. Tempos depois a família de Niemeyer entrou em contato com o cantor e compositor Edu Krieger perguntando se ele gostaria de finalizar a canção.
“Aceitei na hora o convite e tratei de arrematá-la: coloquei a letra na métrica, criei uma segunda parte para a melodia e harmonizei. Entrei em estúdio, gravei o samba e mandei para a família Niemeyer. Todos adoraram o resultado, principalmente o grande Oscar, que me convidou para ir a seu escritório conhecê-lo”, contou Krieger.

“Achei muito emocionante virar parceiro deste ilustre sambista novato, de primeira viagem, ainda que mais velho que lendas como Noel Rosa e Adoniran Barbosa”.
A proposta da parceria chegou a Krieger via Caíque Niemeyer, bisneto do arquiteto - namorado de uma amiga do compositor e admirador de seu trabalho. O samba estava parado havia alguns meses. Niemeyer e Caio - em sua primeira incursão no terreno - não sabiam como continuar a canção. Caíque então sugeriu o parceiro ao bisavô. Sugestão aceita, ele mandou a letra e o princípio de melodia a Krieger.
- Não mexi em nada da letra, fiz questão de deixar cada palavra que Niemeyer tinha escrito. Finalizei a melodia e fiz a harmonia em dois dias. Depois, gravei uma demo, para ele conhecer. A receptividade foi enorme, ele me convidou para ir ao seu escritório e passamos algumas horas juntos só cantando o samba. Mais tarde, fiz a gravação definitiva chamando amigos da Lapa como Alessandro Cardozo (cavaquinho), PC Castilho (flauta), Fabiano Salek >ita<(percussão), Elisa Addor e Alice Passos (coro). Soube depois que ele mostra a gravação a cônsules, todos os visitantes ilustres que recebe lá - conta o artista de 36 anos, 66 a menos que Niemeyer. - Ficou com cara de samba do subúrbio, simples, direto, tipo Zé Luiz do Império, algumas coisas do Martinho.
A letra de "Tranquilo com a vida" é fiel às ideias que o comunista Niemeyer tem defendido ao longo de sua trajetória. Enquanto aproveita os prazeres simples da vida, o personagem, um morador da favela que canta em primeira pessoa, se dá conta das injustiças do mundo. No fim, conciliatório, diz não culpar os ricos e imagina um futuro com igualdade social.
- Está ali tudo o que ele vem dizendo nas últimas décadas. Um olhar mais atencioso para os pobres, melhor distribuição de renda... Isso só aumenta o valor histórico da música - avalia Krieger. - Ele se coloca como um personagem morador de favela, nunca perdeu a ligação com esse olhar. E, o mais bonito, continua esperançoso. De forma simples, os versos contêm uma esperança de que a diferença de classes se atenuará e as pessoas se reaproximarão. Não há o rancor de outras canções que trazem um tom político. É uma canção de protesto, mas que oferece flores à sociedade. É o reflexo de uma sabedoria de 103 anos.
As palavras de Krieger sobre o papel da experiência na visão de Niemeyer ganham mais força quando se ouve sua única tentativa anterior na área da composição. Em 1962, ele se arriscou no "Samba do arquiteto", no qual conclamava seus colegas de profissão a se juntarem à revolução: "Mas se você é honrado/ Não deve se conformar/ Ponha a prancheta de lado/ E venha colaborar/ O pobre cansou da fome/ Cansou de ter que esperar/ E vai partir para a luta." Bem menos mulato que "Tranquilo com a vida".
Como o próprio Niemeyer lembra, sua relação com o samba vem de muito tempo. São dele os cenários de "Orfeu da Conceição" - primeiro trabalho de Tom Jobim e Vinicius de Moraes juntos. É dele também o desenho do Sambódromo. Sobre o carnaval, aliás, ele já disse que "a escola de samba deveria servir como veículo de protesto, para cantar os anseios da gente pobre". E Chico Buarque afirmou que pensa sua música tendo a obra de Tom e Niemeyer como alvos: "Quando minha música sai boa, penso que parece música de Tom. Música de Tom, na minha cabeça, é casa do Oscar."


Letra e vídeo da composição:

Tranquilo com a Vida
(Oscar Niemeyer / Edu Krieger / Caio Almeida)

Hoje em dia minha vida vai ser diferente
Calça de pijama, camisa listrada, sandália no pé
Andar pela praia vou fazer toda manhã
E até moça bonita vai ter se Deus quiser

Vou parar nos cafés pra ouvir historinhas
Coisas da vida que um dia vão ter que mudar
Quero ser um mulato que sabe a verdade
E que ao lado dos pobres prefere ficar

E assim vou eu
Tranqüilo com a vida
À espera da noite já solta no ar
Como um manto de estrelas com que se anuncia
E se multiplica nas águas do mar

Da minha favela eu vejo os grã-finos
Morando na praia, de frente pro mar
Não devemos culpá-los
São prestigiados
Que um dia entre nós vão voltar a morar














Oscar Niemeyer e Edu Krieger: parceiros com 66 anos de diferença Foto Divulgação - Alfredo Alves -

Maravilha de porto?

Há anos, a região portuária do Rio de Janeiro vem passando por obras de modernização. Até que ponto as melhorias são feitas em benefício dos moradores?

Julia Araújo, Fernanda Costa Távora, Julia Meneses, Renata Fontanetto, Tais Carvalho. Gabriel Collares (coord.) 

O projeto Porto Maravilha busca revitalizar a zona portuária do Rio de Janeiro com obras de intervenções e restaurações urbanísticas, de mobilidade urbana e incentivos sociais. Para isso, está realizando grandes obras, como a derrubada do viaduto da Perimetral para a construção da Via Binária do Porto e da Via Expressa.
As obras de infraestrutura também abarcam a criação de grandes museus, como o Museu de Arte do Rio de Janeiro, inaugurado em 2013, e o Museu do Amanhã, ainda em fase de projeto. Segundo o Porto Maravilha, a região foi escolhida devido à sua localização central e à sua grande relevância histórica.

A história dos bairros portuários se confunde com o desenvolvimento social, econômico e cultural da cidade. A região foi sede do antigo mercado de escravos da cidade, berço dos ranchos e do carnaval popular, tendo sido ponto de encontro de sambistas como Pixinguinha, Donga e João da Baiana. Foi lá também que funcionou a Rádio Nacional, a mais importante emissora da época de ouro do rádio no famoso edifício do jornal A Noite.
Daniel Van Lima é gerente de desenvolvimento econômico e social da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp). Segundo ele, essa é a maior parceria público-privada da história do Rio de Janeiro. Todas as grandes obras que estão sendo feitas estão dentro do cronograma. Além disso, há também um investimento na recuperação do patrimônio material e imaterial da região. Por meio dos programas Porto Cultural e Porto Cidadão, o projeto articula uma interlocução com os moradores locais, no intuito de promover um desenvolvimento econômico, cultural e social.

Fundadora do Instituto Pretos Novos, Merced Guimarães lembra que há 18 anos ossadas de escravos jovens, que viveram entre os séculos XVIII e XIX, foram encontradas em seu quintal, durante uma reforma. Uma descoberta que a motivou a criar, junto com pesquisadores, uma entidade para levantar a história do mercado de escravos da região portuária. Para ela, o projeto Porto Maravilha está trazendo benefícios para o local, pois valorizou a região e fez com que os moradores tivessem algumas necessidades atendidas.

Segue a matéria no link: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/os-focas/maravilha-de-porto 


















Obras de restauração do Cais do Valongo / Divulgação

Centro histórico revela sinais de abandono em Petrolina, PE

'Petrolina Antiga' tem casas com vidros quebrados e paredes pichadas.
Petrolinenses cobram o reconhecimento da área como patrimônio histórico.


Juliane Peixinho
Do G1 Petrolina
Em Petrolina, no Sertão pernambucano, o centro histórico da cidade, conhecido como 'Petrolina Antiga', encontra-se em estado de abandono. No local, onde já funcionaram diversos bares e restaurantes, o que restou foi uma estrutura inativa com paredes pichadas, vidros quebrados e outros sinais de depredação. No bairro também existem edificações do século XX, com influência de expressões arquitetônicas eruditas.

A gari Edilúcia de Araújo Gomes, passa pelas ruas da parte antiga da cidade constantemente para fazer o trabalho de limpeza das ruas. Ela conta que o local está em péssimo estado de conservação. “Aqui é um patrimônio da cidade, Petrolina Antiga, mas que deixa muito a desejar. Poderia estar em melhor estado. Deveriam fazer uma nova estrutura. A gente passa e fica triste em ver como ficou isso aqui”, argumenta.
Edilúcia ressalta que a área deveria ser restaurada e reconhecida como ponto turístico e histórico. “Essas casas devem ser preservadas para receber turistas. Quem vem de fora gosta de conhecer lugares históricos. Aqui em Petrolina, os patrimônios já são poucos e muitos estão assim, bastante depredados”, revela.
O vendedor, José Irlan Martins, cobra uma solução pública para a conservação do espaço. “Eu acho que o poder público municipal devia cuidar mais da parte histórica do município que está se acabando, tanto aqui quando os monumentos da cidade, como o Padre Cícero que já foi quebrado e alvo de vandalismo várias vezes”, ressalta.
Como solução, José Irlan aponta que deveriam investir na revitalização da Petrolina Antiga. “Deveriam restaurar toda essa área, colocar mais iluminação pública. Eu passo aqui à noite e não tem movimento e apenas muita escuridão”, garante.
A Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade Urbana informou, através de nota, que realiza rotineiramente a manutenção da área da Petrolina Antiga. No entanto, no momento, não há previsão de realização de obras para revitalização.












Estrutura do Centro Histórico de Petrolina com pichações (Foto: Juliane Peixinho/G1)
















Paredes estão danificadas (Foto: Juliane Peixinho/G1)
















Rua do Centro Histórico (Foto: Juliane Peixinho/G1)

Depósitos de trens são declarados patrimônios históricos em Campinas










Locomotivas são declarados patrimônios culturais e
históricos (Foto: Reprodução EPTV)
O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Condepacc) tombou trilhos de linhas mortas, os depósitos de locomativas elétricas e a vapor, ferramentas e a alvenaria de uma caixa d'água do Complexo Ferroviário da antiga Fepasa, localizado no Centro de Campinas(SP). Além disso, áreas abertas e o próprio solo do espaço também passaram a ser patrimônio histórico e cultural reconhecido pela cidade. O tombamento foi publicado nesta segunda-feira (16) no Diário Oficial do município.
O tombamento possibilita a preservação de um "museu a céu aberto" sobre a ferrovia na região, segundo a coordenadora do setor patrimonial da Prefeitura e membra do Condepacc, Daisy Ribeiro. Os itens tombados não eram contemplados pela resolução de 1990 que tornava patrimônio apenas os galpões do complexo ferroviário.
Segundo Daisy, até então não haviam sido concluídos os estudos que permitiam que os bens móveis fossem tombados como patrimônio histórico cultural. Ela informou que pelo menos 50 locomotivas também foram tombadas e que poderão ser futuramente restauradas. "Estamos conversando com a ABPF [Associação Brasileira de Preservação Ferroviária] para restaurar algumas locomotivas para circular na Maria Fumaça", conta.
Complexo tombado por inteiro
A Prefeitura afirma que, com esta resolução, todos os imóveis, espaços e bens do Complexo Ferroviário passaram a ser patrimônio histórico e cultural. De acordo com a publicação no Diário Oficial, foram tombados duas cabinas, os depósitos de locomotivas elétricas e a vapor, o vestiário das locomotivas a vapor, a Casa de Areia, o prédio da administração da casa de carros, a alvenaria da caixa d'água de um antigo pátio circular, o poço, a balança, um bueiro, a Casa do Rádio, a baldeação - assim como o prolongamento metálico dela - , as paredes remanescentes do escritório de baldeação e as torres de distribuição e de iluminação da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

Já da Companhia Mogiana, foram tombadas a escola ferroviária, o vestiário da antiga quadra de esportes, o restaurante, a contadoria, o vestiário coletivo, a oficina, o museu, o mictório da oficina, o areeiro, os depósitos de ferro, de óleo e bronze e a nova casa de carros. Além disso, tornaram-se patrimônios culturais os espaços vazios entre os imóveis do Complexo Ferroviário e os trilhos das linhas mortas.
Preservação do sistema ferroviário
Entre os itens curiosos do tombamento, está a alvenaria de uma caixa d'água, além de um poço e um bueiro. Segundo Daisy, itens como esses são importantes para a preservação da memória do sistema ferroviário, tendo em vista que são aparatos que possibilitavam a circulação dos trens. "É aparentemente estranho, porém as caixas d'água eram fundamentais para as locomotivas movidas a vapor. Elas eram como se fossem postos de gasolina para o sistema", explica ela.

Sítio arqueológico
Daisy explica que o solo entre os galpões também passou a ser patrimônio, tendo em vista que há vestígios de que o local possa ser um sítio arqueológico recente. "Há indícios de que a região seja um sítio arquiológico histórico, com objetos de 100 a 200 anos". Ela afirma que ainda deve ser feito um diagnóstico para a exploração da área, mas que era necessário realizar o tombamento primeiro. A membra do Condepacc explica ainda que, com o tombamento do solo, será possível investigar as ligações subterranêas que abasteciam outras estações com água, o "combustível" das locomotivas a vapor.








Depósitos e trilhos de linhas desativadas também são patrimônio histórico (Foto: Reprodução EPTV)

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Arquiteta e urbanista Alejandra Maria Devecchi lança livro sobre a reabilitação de edifícios antigos em SP

  • A arquiteta e urbanista Alejandra Maria Devecchi recebeu amigos e convidados para a noite de lançamento do seu livro “Reformar não é construir: A reabilitação de edifícios verticais – novas formas de morar em São Paulo no século XXI”, uma compilação de estudos e ideias que resgata a habitação na área central da capital paulista. O evento aconteceu na noite desta segunda-feira, dia 09 de junho, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (SP).

    Com sólida experiência na gestão e desenvolvimento de projetos de planejamento urbano ambiental, a autora apresenta na obra uma catalogação de prédios abandonados e as suas possibilidades de reforma. “O livro identifica as plantas, na sua maior parte, e conclui que todos variam em relação a três tipos: o tipo H, esquina e meio H. A maioria dos edifícios são escritórios antigos e a indicação é adaptá-los para a habitação”, disse Alejandra.

    O livro traz um inventário de edificações construídas até 1945, nos bairros da Sé e República, e pesquisas sobre intervenções pelo mundo. Segundo a arquiteta, “esse problema de mobilidade poderia ser minimizado mediante implementação de uma política de reabilitação do centro, que regrasse de maneira mais adequada a destinação de imóveis atualmente ocupados por atividades comerciais e que visasse ao incremento do número de residentes da região, hoje inferior ao de centros urbanos semelhantes na Europa, Japão e Estados Unidos”.

    Indicada para arquitetos, engenheiros, gestores públicos e empresários da construção civil, a obra de 340 páginas – publicada pela Editora Senac São Paulo – está disponível nas livrarias por R$ 64,90.


quarta-feira, 11 de junho de 2014

Ministra da Cultura anuncia investimentos de R$ 57 milhões na cidade de Goiás

Patrimônio Mundial, a cidade de Goiás (GO) recebeu nesta terça-feira, dia 03 de junho, a ministra da cultura, Marta Suplicy, para o lançamento simbólico das obras do PAC Cidades Históricas no município. Ao lado da presidenta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Jurema Machado, e do presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), Ângelo Oswaldo, a ministra foi recebida pela prefeita da cidade, Selma de Oliveira, e pelo secretário de Cultura do Estado, Gilvane Felipe.
“Aqui temos uma boa parcela da identidade brasileira. Esse patrimônio não é só de Goiás. É do Brasil. São marcas que se não se acolhe a tempo, não dá para recuperar depois. Por isso a importância do PAC Cidades Históricas”, falou a ministra da Cultura. Com investimento total de R$ 26,9 milhões, serão executadas as seguintes obras no município: restauração do Casarão da Escola de Artes Veiga Valle, do Mercado Municipal, do Cine Teatro São Joaquim, do Casarão da Prefeitura Municipal, a recuperação da Ponte da Cambaúba, além da requalificação da Sede da Diocese de Goiás onde será instalado o Arquivo Diocesano.
O Estado receberá, ao todo, R$57 milhões em investimentos até 2015. Além da cidade de Goiás, serão contempladas Goiânia, Urutaí, Corumbá de Goiás, Pilar de Goiás e Trindade.
Goiás
Em suas charmosas ruas de pedra, a cidade de Goiás abriga um dos mais ricos acervos do Patrimônio Cultural do Estado de Goiás, representado por sua arquitetura barroca em edifícios oficiais e religiosos. A cidade onde nasceu a poetisa Cora Coralina foi capital do Estado até 1937. Marta Suplicy citou versos do poema O Velho Sobrado, onde a poetisa expressa sua atenção em relação à conservação do patrimônio arquitetônico da cidade: “Bem que podia ser conservado, bem que devia ser retocado, tão alto, tão nobre-senhorial”, diz Cora Coralina.

Próximo a Igreja do Rosário, ao lado do Rio Vermelho, está a casa construída nas décadas finais do século 18 e que abrigou três gerações da família da grande poetisa Cora Coralina. Transformada em um museu após a morte de Cora, o local é mantido como nos tempos em que ela o habitava. Em sua chegada à cidade, Marta Suplicy fez questão de visitar o local. “O Museu Casa de Cora Coralina é um dos mais bem conservados que já vi. Há um cuidado com todos os itens de preservação. Tem muita força e energia neste lugar. É emocionante”, disse a ministra que chegou ao Museu, ao som da canção Rio Vermelho, interpretada pelo músico local Roberto de Brito.
Patrimônio Imaterial
Elementos marcantes da tradição do Município de Goiás - como os doces de frutas cristalizadas, o pastelinho, a Semana Santa com sua Procissão do Fogaréu - estão sendo estudados no Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) desde fevereiro deste ano pelo IPHAN em Goiás. O objetivo do inventário é identificar, mapear e pesquisar, as diversas manifestações culturais de natureza imaterial que ocorrem na cidade. Um dos desdobramentos já esperados pelo IPHAN é instruir o processo de registro da Semana Santa como Patrimônio Cultural brasileiro. 

Fonte: ASCOM MinC - http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=18460&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia