sábado, 26 de janeiro de 2019

Pesquisador descobre dez novos sítios arqueológicos no interior da Amazônia

Situados ao longo das calhas dos rios Jutaí e Solimões, os locais possuem peças que podem ter mais de três mil anos.

Restos de cerâmica com pinturas e incisões, carvões e a presença de terra preta arqueológica ajudam a contar a história de como viviam e se comportavam os antigos habitantes da Amazônia. No início de janeiro, o Instituto Mamirauá mapeou dez novos sítios arqueológicos no interior do Amazonas. Os vestígios coletados estão associados a populações produtoras de cerâmicas que ocuparam a região cerca de três mil anos atrás.

O levantamento foi conduzido dentro e ao redor da Estação Ecológica (Esec) Jutaí-Solimões e da Reserva Extrativista (Resex) Rio Jutaí. Ambas são unidades de conservação ambiental que, juntas, somam mais de 500 mil hectares. O trabalho científico é parte de uma colaboração com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela gestão destas áreas protegidas.

Segundo o arqueólogo do Instituto Mamirauá que identificou os novos sítios, as descobertas ajudam a ter um melhor entendimento sobre o passado.

“Os estudos arqueológicos são complementares aos levantamentos de fauna e flora nas unidades de conservação e contribuem com dados para conhecer o passado da região e pensar em formas de proteger o território”, contou.

Antepassados

Durante 12 dias, o pesquisador percorreu comunidades e trechos de floresta nas calhas dos rios Jutaí e Solimões à procura de traços da influência dos antepassados na paisagem. Os sinais estão por toda parte: das manchas do solo arqueológico escuro e cheio de nutrientes, conhecido popularmente como terra preta de índio, até a copa das palmeiras de açaí, pupunha e outros frutos que foram selecionados pelos ancestrais amazônicos para alimentação e são apreciados até hoje.

“Existe uma associação muito próxima entre terra preta, sítios arqueológicos e plantas úteis aos seres humanos, como a bacaba, o açaí a pupunha e o ingá. Por vezes, os arqueólogos não conseguem achar a terra preta, nem fragmentos cerâmicos, mas conseguem ver a vegetação diferente. A antropização da área indica que ali provavelmente existe um sítio arqueológico”, explicou Márcio.

A posição de alguns dos sítios arqueológicos encontrados coincide com o endereço de comunidades da região. “Os sítios compartilham o mesmo espaço de áreas antrópicas, com terra preta e fértil. A população atual também está morando em cima desses sítios, o mesmo espaço que já foi ocupado há três mil, quatro mil anos. É um padrão que se repete e é notado em pesquisas arqueológicas em toda a Amazônia”.

Na busca pelos sítios, as instruções dos atuais moradores da floresta também são essenciais. "A populão é nossa fonte primária, porque conhece essas áreas como ninguém, maneja e planta no solo e tem o conhecimento de onde estão os vestígios dessas aldeias antigas”, informou o pesquisador.

Tradições milenares

A coleta nos recém-descobertos sítios arqueológicos revelou fragmentos de dois conjuntos cerâmicos da história pré-colonial da Amazônia: a tradição Pocó e a tradição Polícroma da Amazônia.

O conjunto Pocó foi produzido por povos cujos registros mais antigos de ocupação no território amazônico datam do primeiro milênio antes da era Cristã e foram catalogados primeiramente nos rios Nhamundá e Trombetas, região do Baixo Amazonas. Entre as características mais marcantes das cerâmicas Pocó, está o uso diverso de cores, com destaque para o amarelo, laranja e vermelho sobre um fundo branco, e a recorrência de figuras geométricas incisas como retângulos, quadrados, círculos, faixas e linhas.

“Esse tipo de incisão geométrica é encontrado em sítios arqueológicos como o da Boa Esperança (na Reserva Amanã, centro do Amazonas), dentro do Rio Juruá e em Santarém, no Pará. Os registros chegam também às regiões do Rio Xingu e ao Rio Tocantins. O que nos dá a dimensão que alcançou a tradição cerâmica Pocó há três mil anos dentro dessa ampla região”, destaca o arqueólogo.

Os artefatos revelam a história e tradições das populações antepassadas da Amazônia.

“Através dessas peças, é possível observar a dinâmica dessas populações, que não estavam estáticas, não necessariamente na questão de mobilidade total, mas de pessoas que tinham funções específicas para fazer essas pontes entre áreas distintas. O alcance das cerâmicas Pocó parece estar associado a fatores que incluem agricultura, sedentarismo, aumento populacional e à comunicação entre regiões por meio das antigas e complexas redes de interações sociais de curta, média e longa distância", diz o pesquisador do Instituto Mamirauá.

O Instituto

O Instituto Mamirauá é uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e realiza há mais de uma década estudos arqueológicos na Amazônia Central, ajudando a expandir as fronteiras do que se conhece a respeito do passado da região.

“O trabalho desenvolvido pelo Instituto Mamirauá é importante para que possamos compreender essas dinâmicas antigas na Amazônia, que antes se pensava que eram muito simples e efêmeras, mas o que os resultados recentes mostram é que muitos aspectos culturais tiveram grande continuidade e dispersão dentro das terras baixas amazônicas”, afirma Márcio Amaral.

Fonte:https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2019/01/25/pesquisador-descobre-dez-novos-sitios-arqueologicos-no-interior-da-amazonia.ghtml
















Figura cerâmica com forma animal encontrada durante o levantamento arqueológico — Foto: Márcio Amaral/Instituto Mamirauá


















Sítios arqueológicos foram descobertos ao longo das calhas dos rios Jutaí (foto) e Solimões, no Amazonas — Foto: Amanda Lelis/Instituto Mamirauá


















Fragmentos cerâmicos coletados da tradição Pocó, que podem datar 3 mil anos — Foto: Bernardo Oliveira/Instituto Mamirauá

sábado, 12 de janeiro de 2019

Na Bahia, São Félix e Itaparica têm bens restaurados

Retratos da ocupação do território e simbólicos representantes do valioso Patrimônio Cultural da Bahia, os municípios de Itaparica e São Félix estão entre os 11 conjuntos urbanos protegidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Estado. No próximo dia 28 de dezembro, as duas cidades irão receber dois bens culturais de caras novas, após passarem por obras de restauração, promovidas pelo próprio Instituto.
Em São Félix, no Recôncavo Baiano, o Paço Municipal recebeu ações emergenciais e de restauro. O edifício, construído no final do século XIX, abrigava a sede da Prefeitura até 2013, quando foi interditado por graves problemas estruturais. Assim, as intervenções realizadas pelo Iphan, com orçamento de mais de R$1,2 milhão proveniente do Fundo Nacional de Cultura (FNC), garantiram a preservação da integridade do bem, que é parte do conjunto tombado da cidade. Também foram executadas a recuperação dos elementos arquitetônicos e artísticos, a melhoria dos espaços internos e a modernização das instalações, a fim de que sejam retomadas as atividades da Administração Municipal, em plenas condições de atendimento aos servidores e cidadãos. As intervenções tiveram duração de 11 meses.
Já em Itaparica, duas obras de restauro estavam em execução: a Igreja de São Lourenço e a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento. A primeira delas já foi finalizada e também será entregue à população em 28 de dezembro, depois de receber um investimento de mais de R$ 1,76 milhão, também por meio do Iphan, advindos do PAC Cidades Históricas. A igreja, cujos primeiros registros são do século XVII, é marcada pela simplicidade e robustez, que levaram ao seu tombamento individual como Patrimônio Cultural Brasileiro, em proteção que se estende a todo seu acervo. A intervenção realizou a recuperação da estrutura do templo, incluindo toda a parte arquitetônica, e dos bens artísticos e integrados, como imagens sacras e altares.
A entrega das duas obras terá a presença da presidente do Iphan, Kátia Bogéa; do diretor do Departamento de Projetos Especiais do Iphan, Robson de Almeida; do superintendente do Iphan na Bahia, Bruno Tavares; entre outras autoridades locais. Somando quase R$3 milhões, as intervenções são parte de uma série de investimentos que o Iphan tem feito no Patrimônio Cultural da Bahia nos últimos anos. Só pelo PAC Cidades Históricas já são quase R$105 milhões já investidos, com obras também nos municípios de Salvador, Maragogipe, Santo Amaro.
Serviço: 
Entrega da obra de restauração do Paço Municipal de São Félix

Data: 28 de dezembro, 10h
Local: Paço Municipal de São Félix
Entrega da obra de restauração da Igreja de São Lourenço, em Itaparica
Data: 28 de dezembro, 16h
Local: Praça Vila Damásio, Itaparica - Bahia
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domingo, 9 de dezembro de 2018

Do tamanho da Grã-Bretanha: uma "megalópole" de 200 milhões de montes de cupim no nordeste brasileiro

"É o maior exemplo de bioengenharia do mundo produzido por uma única espécie de inseto", escreveram os cientistas

Stephen J. Martin notou a presença de grandes montes de cerca de 3 metros de altura e 9 de largura ao longo da estrada por onde dirigia em uma parte remota do Nordeste brasileiro

— Após 20 minutos, continuamos vendo esses montes e comecei a questionar o que seriam — conta Martin, entomologista da Universidade de Salford, na Inglaterra, que esteve no Brasil pesquisando o declínio mundial da população de abelhas polinizadoras.

Ele pensou que poderiam ser pilhas de entulho descartado de obras na rodovia, mas seus companheiros de viagem o corrigiram: 

— "São apenas montes de cupim." E eu insisti: "Vocês têm certeza?", e eles disseram que achavam que sim — relembra Martin.

Em uma viagem posterior, Martin encontrou, por acaso, Roy R. Funch, ecologista da Universidade Estadual de Feira de Santana que já estava organizando uma datação radiométrica para determinar a idade dos montes. 

— Eu disse a ele que parecia haver milhares deles, mas ele contestou, dizendo que havia milhões — relata Martin. 

Funch, entretanto, também subestimou os números. Em uma pesquisa publicada na semana passada na revista científica Current Biology, Martin, Funch e seus colegas registraram os achados de anos de investigação. Quantos montes? Aproximadamente 200 milhões, segundo estimativa dos cientistas. 

— Eles estão por toda parte — explica Funch.

O responsável pelos montes de formato cilíndrico é o Syntermes dirus, uma das maiores espécies de cupim, medindo aproximadamente 2,5 cm, que se espalha por uma área correspondente à da Grã-Bretanha, resguardando um espaço de quase 20 metros entre um monte e outro. 

— Como humanos, nunca construímos uma cidade tão grande assim em nenhum lugar — espanta-se Martin.

Os cientistas também se surpreenderam quando receberam os resultados da datação radiométrica de 11 dos montes: o mais novo tinha aproximadamente 690 anos e o mais velho, pelo menos, 3.820 anos, quase a mesma idade das Grandes Pirâmides de Gizé no Egito. 

— Aquilo simplesmente me deixou transtornado — confessa Funch. 

Martin disse que eles usaram a idade mínima sugerida pelos dados, mas o monte mais velho pode ter o dobro da idade. Além disso, os pesquisadores concluíram que, para construir 200 milhões de montes, os cupins precisariam ter escavado 3,84 quilômetros cúbicos de terra – volume que equivale a 4 mil Grandes Pirâmides de Gizé. 

"É o maior exemplo de bioengenharia do mundo produzido por uma única espécie de inseto", escreveram os cientistas.

Outra surpresa é que os montes são apenas montes. Outros cupins constroem montes com redes complexas de túneis que permitem ventilação para ninhos subterrâneos. No entanto, ao seccionar alguns deles, Funch e Martin encontraram apenas um tubo central que levava ao topo, e não depararam com nenhum ninho.

Esses montes não são estruturas de ventilação, apenas pilhas de terra. Ao escavarem redes de túneis subterrâneos, os cupins precisam descartar a terra em algum lugar, por isso a carregam pelo tubo central até o topo do monte, onde a descartam. O que também explica o espaçamento regular entre os montes. A princípio, Funch e Martin pensavam que a razão era a rivalidade de colônias, mas, quando colocaram um cupim de um monte perto de outro vizinho, não houve conflito, indicando serem da mesma família. Eles chegaram à conclusão de que o padrão é simplesmente uma maneira eficiente de separar as pilhas de resíduos.

Montes jovens e ativos podem atingir de 1,2 a 1,5 metro nos primeiros anos, atesta Funch. Já a maioria dos mais antigos está aparentemente inativa. Os cientistas não sabem se isso significa que os cupins abandonaram o local ou se simplesmente não precisam mais cavar após terem concluído a construção dos túneis necessários.

Apesar de os habitantes locais saberem da existência dos montes de cupim, poucos visitantes os notam. A extensão da construção é escondida pela caatinga. 

— É por isso que permaneceram desconhecidos por tanto tempo. É impossível vê-los encobertos pela vegetação nativa, e são poucos os cientistas que passam por aqui — justifica Funch.

Na maior parte do ano, com temperaturas alcançando 37°C, ou ainda mais quentes, as árvores ficam secas e pálidas. A paisagem retoma o verde após um curto período de chuva, mas então as folhas caem e o cenário torna-se desolador novamente.

Como parte da vegetação foi roçada, os montes tornaram-se visíveis e, há aproximadamente uma década, a resolução das imagens de satélite registradas pelo Google Earth ficou tão boa que Funch pôde identificar montes individuais. Ele visitou alguns dos locais para verificar que os montes estavam lá.

Por Kenneth Chang

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/ambiente/noticia/2018/11/do-tamanho-da-gra-bretanha-uma-megalopole-de-200-milhoes-de-montes-de-cupim-no-nordeste-brasileiro-cjp1g6ta80hac01pi0ekbo5mw.html


















Montes foram interligados por túneis, numa superfície equivalente à da Grã-Bretanha, criando uma paisagem lunar que agora se tornou visível através do desmatamento








Parte de um vasto campo, agora estimados por pesquisadores ecológicos, cupinzeiros somam cerca de 200 milhões

A distribuição de resíduos de cupins "Syntermes dirus" em todo o Nordeste do Brasil e a associação de redes de túneis
Reprodução / Current Biology

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Boi Bumbá do Amazonas agora é Patrimônio Cultural do Brasil

A grande festa do Amazonas terá ainda mais motivos para celebrar! O Complexo Cultural do Boi Bumbá do Médio Amazonas e Parintins é o mais novo Patrimônio Cultural do Brasil. A decisão unânime ocorreu na tarde desta quinta-feira, 08 de novembro, durante a 91ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que acontece no  Museu Histórico do Pará, em Belém.
Enredo e drama na grande festa do Boi
O Complexo Cultural do Boi Bumbá do Médio Amazonas e Parintins é uma manifestação cultural de caráter festivo, que tem a figura do Boi como seu elemento principal e envolve uma série de danças, músicas, drama e enredo.
Os modos de brincar o Boi são diferentes dependendo da região do país. Em cada contexto há variações e denominações próprias, além de ocorrer em distintas épocas do ano. Seja qual for a vertente, o folguedo se estabeleceu de forma marcante na região amazônica e, a cada apresentação, faz o coração dos brincantes e de quem assiste pulsar mais forte. Nessa região, ele ocorre com mais frequência durante os festejos juninos dos santos católicos: Santo Antônio, São João e São Pedro.
Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
O Conselho que avalia os processos de tombamento e registro é formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, antropologia, arquitetura e urbanismo, sociologia, história e arqueologia. Ao todo, são 22 conselheiros, que representam o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), a Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), o Ministério da Educação, o Ministério do Turismo, o Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram), o Ministério do Meio Ambiente, Ministérios das Cidades, e mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do Iphan.
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Geoglifo do Acre é tombado pelo Iphan

Denominados tatuagens da terra por grupos indígenas atuais, as estruturas conhecidas como geoglifos, herança cultural dos povos amazônicos, são numerosos na região Norte do país. Uma dessas estruturas, localizada no Sítio Arqueológico Jacó Sá, em Rio Branco (AC), foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), na manhã desta sexta-feira, 09 de novembro. A decisão unânime foi tomada durante a 91ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que ocorreu no Museu Histórico do Estado do Pará, em Belém.
Além de sua importância científica, histórica e afetiva, o geoglifo tem fácil acesso e pode ser identificado claramente por visitantes, sendo um potencial atrativo turístico. O geoglifo foi primeiro tombado pelo Instituto.
Tatuagens da terra
As estruturas conhecidas como geoglifos são um tipo de sítio arqueológico, formado por estruturas escavadas no solo, valetas e muretas que representam figuras geométricas de diferentes formas e grandes dimensões. Essenciais para entender o processo de ocupação e povoamento da região amazônica, onde grupos indígenas modificaram o ambiente e imprimiram na terra as características de sua identidade, essas marcas são numerosas na região Norte do país, em especial, no Acre. Em Rio Branco, o Sítio Arqueológico Jacó Sá poderá ter o primeiro geoglifo tombado pelo Iphan, destacado pelo seu fácil acesso e clara identificação pelos visitantes, oferecendo, além de sua já reconhecida importância científica, histórica e afetiva, também um potencial de atrativo turístico. Junto aos demais geoglifos do Estado, ele está inserido na Lista Indicativa a Patrimônio Mundial, destacados por sua excepcionalidade e relevância enquanto exemplares únicos do patrimônio histórico de todo o mundo.
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domingo, 21 de outubro de 2018

Pomerode (SC) recebe projeto para preservação de Conjunto Histórico

Conhecida como a cidade mais alemã do Brasil, Pomerode (SC) abriga o maior conjunto de edificações enxaimel fora da Europa. A preservação desse rico acervo arquitetônico será contemplada pelo Projeto Requalificação do Patrimônio Cultural da Imigração em Pomerode. Fruto de uma parceria entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Prefeitura Municipal de Pomerode e a Universidade Regional de Blumenau (FURB), o projeto busca fazer o levantamento do estado de conservação dos imóveis acautelados da cidade, a fim de identificar as necessidades de restauração dos bens culturais.
Pomerode possui 11 imóveis tombados pelo Iphan, além do Conjunto Rural de Testo Alto, e outras 221 edificações protegidas a nível municipal e estadual. A manutenção desse grande acervo será desenvolvida em quatro etapas pelo Projeto Requalificação: o cadastramento fotográfico dos imóveis e o levantamento das atividades tradicionais da cidade (culinária, artesanato, celebrações, etc.); o diagnóstico do estado de conservação dos bens e a identificação da necessidade da execução de obras de restauração; a elaboração do orçamento dos restauros necessários; e, por fim, a criação de mapas temáticos, que elencará prioridades e estabelecerá as estratégias de ações para preservação. 
O desenvolvimento dessas etapas terá o auxílio de alunos da FURB, que, supervisionados por professores do curso de Arquitetura e Urbanismo e técnicos do Iphan, irão elaborar os projetos de restauro e o levantamento das atividades tradicionais da região. Com a conclusão do projeto, será possível uma melhor exploração do conjunto preservado, tanto em relação ao fortalecimento da cultura, quanto ao desenvolvimento da prática do turismo no município.
A cerimônia de lançamento do Projeto Requalificação será nessa sexta-feira, 05 de outubro, às 10h, e contará com a presença da presidente do Iphan, Kátia Bogéa, do diretor do Departamento de Projetos Especiais do Iphan, Robson de Almeida, do diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, Hermano Queirós, da superintendente do Iphan em Santa Catarina, Liliane Nizzola, o prefeito de Pomerode, Ércio Kriek, o reitor da Universidade Regional de Blumenau, João Natel Pollonio Machado, representante do Ministério do Turismo, entre outras autoridades locais. 
Durante a solenidade, também será assinado o Termo de Cooperação entre as instituições responsáveis pelo projeto, que garante a participação de todos na política de gestão das etapas a serem desenvolvidas, na captação de recursos para execução das obras e no gerenciamento do conjunto histórico. Será firmado também um acordo entre o Iphan, o Ministério do Turismo, a Prefeitura de Pomerode, o Governo do Estado de Santa Catarina, para a promoção de diversas atividades relacionadas à preservação do Patrimônio Cultural da imigração no estado, com assinatura de uma carta de intenções. 
O Coração da Imigração
A paisagem de Pomerode é o retrato vivo da cultura dos imigrantes europeus que se estabeleceram em Santa Catarina a partir do século XIX. Entre elas, as tradições alemãs se destacam e se materializam na arquitetura enxaimel que, fundida à natureza brasileira, dá origem à paisagem rural tão própria de Santa Catarina.
Ainda hoje, as comunidades prezam por suas raízes germânicas na mantendo a paisagem bucólica dos vales e perpetuando tradições e costumes, como a língua, a culinária, o artesanato, as celebrações e as técnicas construtivas. Além de orgulho dos pomerodenses, esta é a base da qualidade de vida da cidade.
Serviço:
Lançamento do Projeto Requalificação do Patrimônio Cultural da Imigração em Pomerode (SC)

Data: 05 de outubro, às 10h
Local: Teatro Municipal de Pomerode (Rua Herman weege, 111, centro)
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Primeiro sítio misto brasileiro avança mais um passo para se tornar Patrimônio Mundial

A riqueza cultural e excepcional beleza natural, faz de Paraty e Ilha Grande em Angra dos Reis um lugar sem igual. É o que defende a candidatura do primeiro sítio misto brasileiro a Patrimônio Mundial. Especialistas do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos) e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), órgãos assessores da Unesco, estiveram em missão no Brasil de 10 a 16 de setembro, para avaliar o reconhecimento mundial do sítio. 
A candidatura Paraty: Cultura e Biodiversidade trata de um território de 130 mil hectares, em que o centro histórico se cerca de quatro áreas de preservação ambiental. Com áreas cobertas de vegetação primária, ali estão o Parque Nacional da Serra da Bocaina; o Parque Estadual da Ilha Grande; a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul; e a Reserva Ecológica Estadual da Juatinga. Se aprovado, esse sítio misto terá o reconhecimento como um patrimônio cultural e natural. 
De 1.092 bens inscritos da Lista do Patrimônio Mundial, apenas 38 são mistos. A expectativa é que este sítio receba o título na próxima reunião do Comitê do Patrimônio Mundial, que irá ocorrer de 30 de junho a 10 de julho de 2019, em Baku, no Azerbaijão. 
A candidatura é fruto de uma parceria entre o Ministério do Meio Ambiente, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Prefeituras Municipais de Paraty e de Angra dos Reis.
Patrimônio Cultural e Natural
Ao longo de uma semana, a missão de avaliação percorreu um extenso percurso. Sobrevoaram o Parque Nacional da Serra da Bocaina, caminharam por um trecho do Caminho do Ouro, onde há vestígios preservados desse patrimônio arqueológico, remanescente dos antigos caminhos criados para o interior do país. No centro histórico de Paraty, conheceram exposições de materiais litúrgicos no Museu de Arte Sacra, a Casa de Cultura, exposição de aves raras no SESC e comidas típicas do município que leva o título de Cidade Criativa da Gastronomia.
Nos parques, realizaram observação de pássaros, logo pela manhã. Na Aldeia de Paraty-Mirim, assistiram ao coral Mbyá Guarani. No Quilombo do Campinho viram uma apresentação de jongo. O turismo de base comunitária da região revelou a interação entre cultura e meio ambiente, com a recuperação da mata atlântica com técnicas de agroflorestamento. Na Fazenda Bananal, conheceram a produção agrícola,  em meio a uma agrofloresta.
Em um passeio na Juatinga tiveram a oportunidade de conhecer o recortado litoral com sua exuberante natureza  onde vivem e resistem cerca de cinquenta comunidades tradicionais caiçaras, indígenas e quilombolas. Após um sobrevoo de helicóptero pela área ambiental da Ilha Grande,  desembarcaram em Angra dos Reis, e realizaram de um percurso por lugares onde a natureza se apresenta caprichosa e exuberante.
“A missão demonstrou como cultura e natureza se integram, no território. Nas comunidades tradicionais, ou no próprio sistema de drenagem de Paraty, que respeita o movimento das marés, temos uma lição de cuidado com o meio ambiente”, declara Marcelo Brito, diretor de Cooperação e Fomento do Iphan. 
Etapas da candidatura
O processo de construção de candidatura começa com a preparação técnica do dossiê, entregue à Unesco em janeiro de 2018. Após a avaliação de especialistas do Icomos e IUCN, esses organismos, por meio de seus especialistas, farão um relatório final que irá subsidiar a análise do Comitê do Patrimônio Mundial. Até dezembro, os órgãos responsáveis pela candidatura, Iphan, Ministério do Meio Ambiente, prefeituras de Paraty, de Angra, e demais municípios envolvidos estão construindo, em parceria, um plano de gestão compartilhada do sítio.
Além de dar visibilidade a esse importante destino brasileiro, o título cria um compromisso internacional na proteção do sítio histórico e natural. Em Minas Gerais, Conjunto Moderno da Pampulha recebeu o reconhecimento da Unesco em 2016. Desde então, o sítio recebe cerca de 50 mil visitantes a mais, por ano. Em 2017, mais de 191,3 mil pessoas foram visitar a Pampulha.
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quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Palácio Capanema sediará 27º Congresso Mundial de Arquitetos

O EDIFÍCIO QUE CARREGA OS NOMES DE LUCIO COSTA, NIEMEYER E LE CORBUSIER SERVIRÁ, OFICIALMENTE, COMO UMA DAS INSTALAÇÕES DO 27º CONGRESSO MUNDIAL DE ARQUITETOS (UIA2020RIO)

O Palácio Gustavo Capanema - situado no centro do Rio de Janeiro - vai sediar o 27º Congresso Mundial de Arquitetos (UIA2020RIO). O local será um dos principais pontos de visitação dos cerca de 15 mil congressistas que desembarcarão na cidade em 2020, segundo o presidente do CAU/BR, Luciano Guimarães: “O edifício é reconhecido não só aqui no Brasil, como patrimônio histórico nacional, mas internacionalmente como um dos grandes exemplares da arquitetura moderna”.

A autorização para o uso do edifício foi concedida em setembro, durante evento de entrega da obra de restauração de suas fachadas, com a presença de alguns dos representantes de órgãos como Iphan, IAB, UIA, CAU/BR, CAU/RJ e CAU/SP.

“Ter o Palácio Gustavo Capanema restaurado em 2020, abrigando uma série de atividades vinculadas ao UIA2020RIO, é fundamental. Os arquitetos do mundo inteiro poderão conhecer essa obra prima recém-restaurada e, ao mesmo tempo, será um legado que o governo brasileiro, o IAB e os arquitetos e urbanistas vão deixar para a sociedade carioca”, afirmou o presidente do IAB, Nivaldo de Andrade, no dia da oficialização do documento.

O vice-presidente das Américas da UIA, Roberto Simon, ressaltou a importância de parte das atividades do 27º Congresso Mundial de Arquitetos ser sediada no Palácio: “É muito bom saber que teremos o prédio à disposição. É um estímulo gigantesco para que a gente continue caminhando para realizar no Rio de Janeiro o congresso que essa cidade merece”.

Para Simon, a capital fluminense contribuirá diretamente com o projeto do Congresso da UIA, justamente por representar um espaço de reflexão a céu aberto. Durante seis meses, o Palácio Capanema vai abrigar uma série de atividades abertas a todos os participantes do UIA2020RIO.

Já o presidente do CAU/RJ, Jeferson Salazar, afirmou que o prédio será um espaço representativo para ser o ponto de apoio do UIA2020RIO: “Certamente que a exposição do Palácio vai contribuir bastante para despertar na população o interesse pela arquitetura e urbanismo e pelo patrimônio”.

Recentemente, o edifício contou com a restauração de suas fachadas, a partir de recursos provenientes do PAC Cidades Históricas e do Iphan. Serão realizadas ainda outras fases de restauração, que preveem: restauro, conservação e modernização da parte interna do edifício, englobando infraestrutura; sistema de detecção e combate a incêndio; sistema de ar condicionado; modernização dos auditórios; conservação dos jardins de Burle Marx no térreo; e restauração do mobiliário e dos painéis de azulejos de Portinari.

Fonte: http://www.arcoweb.com.br/noticias/noticias/palacio-capanema-sediara-o-27-congresso-mundial-de-arquitetos





















Foto: reprodução / Iphan