sexta-feira, 4 de junho de 2021

O Legado de Jaime Lerner

Em 2010, foi escolhido pela revista “Time” como um dos 25 pensadores mais inovadores do mundo, e pela revista Planetizen (EUA) como o segundo urbanista mais importante do mundo (depois de Jane Jacobs)

O Brasil perde mais de um seus arquitetos e urbanistas que conquistaram reconhecimento mundial por meio de sua prática profissional e de gestor público inovadora e ousada. É com consternação que o CAU Brasil noticia que morreu hoje o arquiteto e urbanista Jaime Lerner, autor de grande projetos urbanos e de edificações, que foi três vezes prefeito de Curitiba, duas vezes governador do Paraná e presidente da União Internacional dos Arquitetos (UIA). Em 2010, foi escolhido pela revista “Time” como um dos 25 pensadores mais inovadores do mundo, e pela revista Planetizen (EUA) como o segundo urbanista mais importante do mundo (depois de Jane Jacobs). Sua mais recente obra de destaque foi Parque Urbano da Orla do Guaíba, em Porto Alegre, inaugurada em 2018.

Em nota de pesar, a presidente do CAU Brasil, Nadia Somekh, ressaltou que o arquiteto “era querido em todo mundo, não apenas entre os colegas de ofício, em reconhecimento pela transformação de Curitiba em exemplo de cidade planejada para pessoas, integrando urbanismo com políticas culturais e econômicas. O legado de Jaime Lerner vai além, por seus trabalhos em outras cidades do país e do exterior, e como pensador de questões urbanas com grande poder de comunicação e ressonância”.

Nascido em Curitiba (1937), formou-se na mesma cidade, pela Universidade Federal do Paraná, em 1964. Destacou-se rapidamente em concursos de Arquitetura e Urbanismo no Brasil e no mundo. Em 1967, ele venceu o Concurso Nacional de Projetos para o Edifício-Sede da Polícia Federal, em Brasília. Ficou em segundo lugar no Concurso Internacional Eurokursaal (Espanha) e no “International City Design Competition”, da University of Wisconsin (EUA), além de vários prêmios do Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB, seções estadual e nacional.

Sua imagem, porém, é mais conhecida pelo seu trabalho como prefeito de Curitiba. No seu primeiro mandato, em 1971, Jaime Lerner iniciou as transformações da cidade e implantou o Sistema Integrado de Transporte Coletivo, reconhecido internacionalmente pela sua eficiência, qualidade e baixo custo. Tinha apenas 33 anos de idade. Na época, Curitiba passou a pautar três transformações básicas: a física (reestruturação de vias, zoneamento e uso do solo, e sistema de transporte coletivo), a cultural (o curitibano assume sua identidade com a cidade, a partir do calçadão de pedestres da Rua das Flores, dos parques, do Teatro do Paiol e da Fundação Cultural de Curitiba) e a econômica (puxada pela implantação da Cidade Industrial de Curitiba). Foi reeleito mais duas vezes, em 1979 e 1989.

GOVERNADOR DO PARANÁ E PROFESSOR

Depois, assumiu dois mandatos consecutivos como governador do Paraná (1995-2002). Entre diversas iniciativas, criou o primeiro fundo brasileiro, através do Programa “Paraná Urbano” destinado exclusivamente para a melhoria da qualidade de vida nos municípios paranaenses: construção de praças, creches, centros de saúde, iluminação pública, pavimentação de ruas, transporte escolar, etc. Com as “Vilas Rurais”, o governo e as prefeituras implantaram 412 comunidades atendendo a 16.000 em casas de alvenaria de 44,5 m2, água e energia elétrica. Somando-se os programas de moradia urbana, totalizaram-se mais de 57.000 unidades habitacionais em 350 cidades.

Desenvolveu planos urbanísticos para várias cidades do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador, Aracaju, Natal, Goiânia, Campo Grande e Niterói; prestou assessoria internacional para cidades como Caracas (Venezuela), San Juan (Porto Rico), Shangai (China), Havana (Cuba) e Seul (Coréia do Sul), e foi consultor em assuntos urbanos para as Nações Unidas. Em 2007 recebeu da XI Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires o prêmio conjunto pela urbanização do bairro Pedra Branca; e em 2009 o Prêmio Brasil Olímpico, agraciado pelo Comitê de Candidatura Rio 16, pela participação no desenvolvimento do Projeto BRT e por serviços de consultoria à cidade do Rio de Janeiro relativos a sua candidatura a sede olímpica.

No campo da educação, foi professor da faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná, e professor convidado e conferencista nas universidades americanas de Berkeley (Califórnia), Cincinnati, Columbia (NY), e na universidade japonesa de Osaka, além de conduzir seminários em diversos países como Colômbia, Porto Rico, Espanha, Reino Unido, Japão, EUA e China.

SEMPRE PRODUTIVO

“Estou sempre com um brinquedo novo”, disse o arquiteto na II Conferência Nacional de Arquitetura e Urbanismo, promovida pelo CAU Brasil em 2017. “Procuro fazer de cada dia uma alegria. Não faço nada que não seja por prazer. Tenho encontrado tantos colegas que pensam a mesma coisa, e isso me dá uma alegria que não se paga”. Na ocasião, deu lições poderosas sobre otimismo, inovação e a construção de cidades mais justas e sustentáveis. “Temos que ter a coragem de fazer coisas simples e imperfeitas. A Arquitetura as vezes é um compromisso com a simplicidade e imperfeição. Temos que ter orgulho da nossa constelação de arquitetos-estrelas, mas precisamos mais de uma constelação de arquitetos preocupados com as cidades. Menos ego-arquitetos, mais eco-arquitetos”, afirmou.

Para ele, rapidez é uma atribuição muito importante para os arquitetos e urbanistas. “Por isso começamos com a ideia de acupuntura urbana, transformações rápidas com uma atuação pontual que pode criar uma sinergia para melhorar a cidade. Às vezes nós demoramos porque queremos ter todas as respostas, não podemos ser tão prepotentes assim”, explicou. “Precisamos entender que planejamento é uma trajetória onde nós podemos começar mas temos que deixar que a população nos corrija quando estivermos no caminho errado. Começar, fazer rápido. Queremos discutir demais, perdemos a oportunidade da mudança”. Para ele, a solução para as cidades está em apenas três medidas: (i) usar menos carros; (ii) morar perto do trabalho; e (iii) separar e reciclar o lixo.

“O brasileiro fica encantado com as cidades europeias, mas não reproduz as soluções aqui. Quando chega de volta ao Brasil, volta a querer separar, dar prioridade ao automóvel, volta a se entregar a soluções que não vão fundo no problema”, disse em entrevista à BBC Brasil. Para quem quer conhecer mais da obra do arquiteto e urbanista, uma boa dica é começar pelo documentário “Jaime Lerner – Uma história de Sonhos”, lançado em 2016.

Fonte: https://www.caubr.gov.br/falece-o-arquiteto-e-urbanista-jaime-lerner-ex-prefeito-de-curitiba/










































Fonte das imagens: Site CAU BR


















Sistema de transporte de BRT foi criado por Jaime Lerner. — Foto: Cesar Brustolin/SMCS - Fonte: Site G1

segunda-feira, 24 de maio de 2021

O Adeus ao Último Gigante da Arquitetura Brasileira

Á frente de obras como o Museu da Língua Portuguesa e a reforma da Pinacoteca, o urbanista é um dos grandes nomes da arquitetura mundial
Famoso por suas obras que já garantiram prêmios no mundo todo, bem como por sua filosofia sobre a arquitetura como ferramenta pública para a cidade, o arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha faleceu no dia 23 de maio, aos 92 anos de idade. Ele lidava com um câncer no pulmão e estava internado em São Paulo.
Condecorado por seu trabalho, Paulo Mendes da Rocha já recebeu prêmios como Leão de Ouro na Bienal de Veneza, Prêmio Imperial de Artes do Japão, Medalha de Ouro do RIBA e o Pritzker em 2006. Se você mora ou conhece São Paulo, com certeza já esbarrou em algum dos projetos do famoso arquiteto – apesar de já ter assinado projetos em outros estados e até foram do país.

Quem foi Paulo Mendes da Rocha?

Antes de apresentar suas obras mais conhecidas, é importante entender quem foi o urbanista e sua importância para a arquitetura no Brasil.
Apesar de seu vasto trabalho centralizado em São Paulo, Paulo Mendes da Rocha nasceu em Vitória, em 25 de outubro de 1928. Filho de pai engenheiro, isso o inspirou e deu uma visão mais abrangente sobre o papel da arquitetura e a sua relação com a geografia.
Em 1954, Mendes da Rocha se formou em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie. A partir de 1960, iniciou sua carreira acadêmica na FAU, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.
Em sua trajetória, o arquiteto teve passagens como assistente de João Batista Vilanova Artigas e foi professor na universidade em que assumiu a cadeira de presidente do Instituto Brasileiro de Arquitetos.
A seguir, conheça algumas das mais importantes obras da carreira de Paulo Mendes da Rocha.

Sesc 24 de Maio

Com uma arquitetura bastante moderna que se destaca no centro urbano de São Paulo, entre as ruas 24 de Maio com a Dom José de Barros, o Sesc foi um projeto de Mendes da Rocha concluído em 2017.
O espaço é contemplado por um revestimento de cimento aparente que ocupa quase todo o prédio. Ah! E uma dica esperta para quem pretende conhecer o espaço é visitar o espelho d’água, que fica no andar inferior ao da piscina.
Com 15 cm de água, as pessoas podem se debruçar quando estiverem molhadas, sem que caia água na rua ou em quem transita pelo local.

Pinacoteca de São Paulo

Apesar de ter sido projetado no século XIX pelo arquiteto Ramos de Azevedo, o prédio passou por uma ampla reforma nos anos 90 feita por Mendes da Rocha.
A Pinacoteca, da forma como conhecemos hoje, tem uma influência grandiosa do estilo do arquiteto. Uma das manobras adotadas para o projeto foi a rotação do eixo principal de visitação por meio de um cruzamento sutil das pontes com os espaços vazios – como os pátios internos – o que contribuiu para uma relação mais profunda da edificação com a cidade.
A reforma garantiu ao arquiteto o Prêmio Mies van der Rohe de Arquitetura Latino-Americana, em 2000.

Museu dos Coches

Apesar da forte influência do brasileiro para a arquitetura paulistana, o seu trabalho não ficou restrito e o Museu dos Coches é um belo exemplo disso.
Localizado em Lisboa, Portugal, o museu conta com um pavilhão principal em que acontecem as exposições e um anexo com as partes administrativas e de lazer, como: recepção e administração, restaurante e auditório.
Novamente, vale exaltar o potencial minimalista das obras de Paulo Mendes da Rocha, que contemplam uma atmosfera em concreto simplista, mas com soluções funcionais de um bom projeto de urbanismo de caráter atemporal.

Museu da Língua Portuguesa

O Museu da Língua Portuguesa teve as mãos e mente de Paulo Mendes da Rocha em sua criação. Sua influência arquitetônica tão influente foi inclusive preservada para a restituição do espaço após o incêndio que sofreu em 2015.
O local contava com amplo espaço para exposições e o investimento em tecnologia foi fundamental. Para o novo projeto, alguns conceitos discutidos na época em que Mendes assumiu voltam à tona e pretendem fazer bonito na reestruturação do espaço.
A previsão para reabertura do Museu para visitação é no dia 5 de julho deste ano.

Praça do Patriarca

O projeto Praça do Patriarca é uma verdadeira intervenção urbana localizado próximo ao Viaduto do Chá em São Paulo. O estilo futurista da construção contrasta com os prédios antigos do centro de São Paulo.
A passagem de pessoas acontece de forma fluida e livre. O projeto propõe uma verdadeira mudança no tráfego viário, bem como das paradas dos ônibus na região.

Casa Gerassi

Apesar de sua forte influência em arquitetura e urbanismo, Mendes da Rocha também se aventurou em projetos residenciais. A Casa Gerassi é um belíssimo exemplo disso.
A casa foi construída para um casal com duas filhas e utilizou uma estrutura pré-fabricada de concreto aramado, o que garantiu agilidade, modernidade e custo moderado ao resultado final do projeto.
No interior, o arquiteto investiu em móveis sofisticados, como uma poltrona de couro de alto padrão. Além disso, o espaço ficou bastante aberto, espaçoso e arejado para que os moradores tirassem máximo proveito da entrada de luz natural.

MuBE

O Museu Brasileiro da Escultura, localizado no Jardim Europa, em São Paulo, também foi uma obra contemplada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha.
O espaço surgiu por meio de uma iniciativa da associação de moradores do bairro que queria impedir a construção de um shopping no local – que consiste em uma construção integrada a um jardim projeto por Burle Marx.
A interferência de Mendes da Rocha é perceptível analisando a atmosfera contemporânea e o revestimento em cimento – uma verdadeira marca do arquiteto.











































Sesc 24 de Maio


















Pinacoteca de São Paulo























Museu dos Coches




















Museu da Língua Portuguesa



















Praça do Patriarca

















Casa Gerassi




















MuBE

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Rodoviária de Londrina, de Artigas, é tombada como Patrimônio Cultural do Brasil

Processo considerou principalmente o valor artístico da construção que, por sua vez, trata-se da primeira do arquiteto a ser tombada pelo Iphan

A antiga Rodoviária de Londrina (PR), de autoria do arquiteto João Batista Vilanova Artigas, agora é Patrimônio Cultural do Brasil, mediante aprovação anunciada na última quarta-feira, 19 de maio, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – inédita obra do renomado profissional e expoente arquitetônico a ser tombada pelo órgão.

O processo de tombamento começou em 2009, a pedido da Superintendência do Iphan no Paraná. No ano seguinte, a prefeitura da cidade contratou um projeto de restauro, que teve sua primeira fase finalizada em 2019. O edifício, que abriga o Museu de Arte de Londrina há quase 30 anos, assim como sua área envoltória passam, portanto, a enquadrar-se como bens protegido por leis nacionais, a fim de que toda e qualquer intervenção seja previamente notificada e aprovada pelo órgão de tombamento nacional.

De acordo com o arquiteto e professor Eduardo Carlos Comas, relator do processo, “a razão principal para o tombamento é o valor artístico da obra. É um exemplar representativo do Artigas em uma fase em que ele está dialogando com a arquitetura carioca, especialmente com a influência de Oscar Niemeyer”. Depois dessa fase, Artigas viria a ser conhecido por sua Arquitetura Brutalista, influenciando grandes nomes como Paulo Mendes da Rocha.

Segundo o professor Comas, Londrina trouxa a Artigas uma grande oportunidade profissional. Junto de Carlos Cascaldi, sócio de Artigas, o arquiteto edificou diversas obras em uma ‘cidade nova’, que crescia impulsionada pela prosperidade das fazendas de café na região norte do Paraná. “Foi uma alavancagem na carreira dele”, relata Eduardo. A rodoviária, com sua fachada de vidro, funcionava como vitrine de Londrina aos recém-chegados desde 1948, ano de sua inauguração.

O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR), Milton Zanelatto Gonçalves, salienta que na ocasião da construção da Rodoviária, a expansão econômica de Londrina e do Norte do Paraná atraía migrantes de todo o Brasil, dispostos a desbravar uma terra que lhes prometia riquezas. “Desta maneira, o local passou a representar o momento da chegada, uma espécie de portal do Norte do Paraná. Os desbravadores que chegavam eram recebidos por um belo exemplar da Arquitetura Moderna brasileira”, frisa Milton.

Representante do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) no Conselho Consultivo do Iphan, o arquiteto Nivaldo Andrade destaca que o tombamento da Antiga Rodoviária ajuda a inserir Artigas “no lugar merecido” em se tratando de reconhecimento pelo conjunto de sua obra como Patrimônio Cultural Brasileiro, junto dos grandes Oscar Niemeyer, Lina Bo Bardi, Lucio Costa, Paulo Mendes da Rocha, e outros. “Ele é o grande representante da Escola Paulista de Arquitetura. Que outras obras de Artigas venham a ser tombadas, como a própria Faculdade de Arquitetura e Urbanismo USP”, afirma Nivaldo.

*Com informações do CAU/BR

Fonte: https://revistaprojeto.com.br/noticias/rodoviaria-de-londrina-de-artigas-e-tombada-como-patrimonio-cultural-do-brasil/




















Fonte das Imagens: do Site Projeto Design

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Grande Museu Egípcio junto às pirâmides de Gizé está pronto para ser inaugurado

Projetado pelo escritório de arquitetura irlandês Heneghan Peng, o tão aguardado Grande Museu Egípcio—uma estrutura inteiramente dedicada à egiptologia e implantada junto às grandes pirâmides do Egito—, deverá finalmente ser inaugurado no próximo verão. A apenas 2 km de distância das pirâmides de Gizé e considerado o maior museu do mundo dedicado a uma única civilização, o complexo cultural do Grande Museu Egípcio está sendo construído para abrigar uma coleção de aproximadamente 100.000 artefatos antigos, cobrindo uma área total de 24.000m² além de contar com um museu infantil anexo, um centro de conferências, espaços educacionais, um núcleo de conservação e restauração assim como extensos jardins paisagistas dentro e fora do edifício principal.

O projeto para o Grande Museu Egípcio foi escolhido através de um concurso internacional de arquitetura organizado pelo governo egípcio em 2003, no qual o escritório irlandês recebeu o primeiro prêmio. Além da equipe de arquitetura do Heneghan Peng, o projeto inclui também uma equipe de mais de 300 pessoas e 13 empresas de 6 diferentes países. Para o desenvolvimento do projeto executivo, o escritório irlandês contou com a colaboração do BuroHappold Engineering e da equipe de engenharia da Arup. A West 8, por sua vez, esteve comprometida com o desenvolvimento do projeto de paisagismo e do plano diretor para o local, enquanto a empresa alemã Atelier Brueckner foi contratada para desenvolver o projeto da galeria expositiva dedicada a Tutancâmon, o projeto da praça e da grande escadaria de acesso assim como do museu infantil.

A topografia do terreno junto ao sítio arqueológico de Gizé, o qual cobre uma área de mais de 500.000 metros quadrados, é definida por uma diferença de nível de até 50 metros–escavada na paisagem pela contínua passagem das águas do Nilo. Enquanto as três pirâmides ficam em pleno deserto, o edifício do museu encontra-se encaixado entre o vale do Nilo e o planalto das pirâmides, operando como um elemento de conexão entre duas zonas geológicas diferentes.

Devido à diferença de nível entre a praça de acesso e o planalto das pirâmides, o projeto do museu foi concebido como uma espécie de “ponte”, o qual é caracterizado por uma extensa fachada translúcida, como um filtro arquitetônico que se transforma ao longo do dia e da noite. O projeto do edifício foi estruturado a partir de uma série de eixos visuais importantes—os quais evidentemente deveriam ser preservados. O desenho da estrutura do museu, por outro lado, procura incorporar a topografia única do terreno e assim, oferecer uma experiência espacial “ascendente”, um percurso que parte do vale e culmina no famoso planalto das pirâmides de Gizé. Na chagada ao local, os visitantes são convidados a entrar no museu através de uma praça seguida de uma escadaria monumental, a partir da qual é possível acessar cada uma das galerias expositivas. Ao final do percurso, no ponto mais alto do museu, os visitantes são premiados com uma estonteante vista panorâmica para as pirâmides.

A construção do Grande Museu Egípcio foi divida em três etapas:
Fase I: Limpeza e preparação do terreno para a construção.
Fase II: Construção de uma estação de combate a incêndios, de um centro de geração de energia, e um centro de conservação separados do edifício.
Fase III: Escavação, locação e construção do edifício do museu, projeto de paisagismo.
Devido a uma série de atrasos imprevistos na execução da obra, o orçamento original foi superado, ultrapassando a marca de um bilhão de dólares. Embora as obras estejam praticamente concluídas, faltando apenas pequenos ajustes, a data oficial de inauguração ainda não foi definida pelas autoridades locais, mas provavelmente o museu será aberto antes do fim do próximo verão.























Fonte das Imagens: do site Archdaily

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Arqueólogos descobrem fábrica de cerveja 'mais antiga do mundo' no Egito

Acredita-se que a descoberta arqueológica no cemitério de Abydos tenha cerca de 5 mil anos.

Arqueólogos no Egito desenterraram o que pode ser a mais antiga fábrica de cerveja conhecida do mundo, com cerca de 5 mil anos.

Uma equipe de pesquisadores egípcios e americanos descobriu o local em Abydos, um antigo cemitério no deserto.

Eles encontraram várias unidades contendo cerca de 40 potes usados ​​para aquecer uma mistura de grãos e água usada para fazer cerveja.

A cervejaria provavelmente remonta à era do rei Narmer, de acordo com o Conselho Supremo de Antiguidades do Egito.

A empresa afirma acreditar que a descoberta foi "a mais antiga cervejaria de alta produção do mundo".

O rei Narmer governou o Egito há mais de 5 mil anos. Ele fundou a Primeira Dinastia e é considerado como responsável pela unificação do Egito.

A cervejaria consistia em oito grandes áreas, cada uma com 20 metros de comprimento. E cada uma continha cerca de 40 potes de cerâmica dispostos em duas fileiras, de acordo com Mostafa Waziry, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito.

Uma mistura de grãos e água usada para a produção de cerveja era aquecida nos potes, com cada bacia "presa por alavancas de barro colocadas verticalmente em forma de anéis", diz.

"A cervejaria pode ​​ter sido construída neste lugar especificamente para abastecer os rituais reais que aconteciam dentro das instalações funerárias dos reis do Egito", afirmou o Ministério do Turismo do Egito, citando o arqueólogo e cochefe da missão Matthew Adams, da Universidade de Nova York.

Acredita-se que a cerveja era produzida em grande escala no local, com capacidade para produzir cerca de 22.400 litros de uma vez.

"Evidências do uso de cerveja em ritos de sacrifício foram encontradas durante escavações nessas instalações", disse o comunicado.

Abydos é uma das cidades mais antigas do antigo Egito e abriga vastos cemitérios e templos.

A área fica no sul da Província de Sohag, no Alto Egito, onde também fica a cidade de Luxor, um dos pontos turísticos mais populares do país.

No início deste mês, uma missão que trabalhava perto de Alexandria descobriu várias múmias de cerca de 2 mil anos com línguas de ouro dentro da boca.

















A descoberta pode 'ser a cervejaria de alta produção mais antiga do mundo' — Foto: EPA/BBC

















Potes que seriam usados para a produção de cervejas — Foto: The Egyptian Ministry of Antiquities/Handout via Reuters
















Acredita-se que milhares de galões de cerveja tenham sido produzidos no local — Foto: EPA/BBC

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Mais antigo farol gaúcho agoniza na região de Tavares e Mostardas

Inaugurado em 1849 às margens da Lagoa dos Patos, Capão da Marca sofre com ação do tempo, roubos e pichações. Acesso também é um problema.

Durante quase dois séculos, o mais antigo farol do Rio Grande do Sul permaneceu intacto mesmo diante dos intensos temporais que avançam sobre a Lagoa dos Patos. Em determinadas épocas, foi o único da região a não precisar de reparo após uma tempestade. Porém, o Capão da Marca, localizado em Tavares, no Litoral Médio, está quase tombando diante do vandalismo e do abandono.

Nos últimos anos, foi alvo constante de pichações ao longo da estrutura metálica de 19 metros de altura e de depredações, que acabaram inutilizando-o. Segundo moradores locais, o equipamento ficou no escuro por meses. Em operação, seu alcance era de 13 milhas náuticas, ou 23,7 quilômetros. Tratava-se de um referencial para pescadores e navegadores. No último dia 2, alertados pela reportagem de GZH, militares do Serviço de Sinalização Náutica do Sul, da Marinha do Brasil, fizeram o reparo da lâmpada que encontrava-se sem bateria.

Instalado a 50 metros das águas da Lagoa dos Patos, o Capão da Marca sempre foi divulgado como um ponto turístico local. Mas seu isolamento, em uma área com habitações apenas a mais de um quilômetro de distância, e a falta de sinalização nos arredores do município indicando tratar-se de um monumento histórico fizeram dele alvo constante da destruição.

Morador de uma das propriedades mais próximas, o agricultor Arlon Brum, 23 anos, cresceu observando a imponência da torre inaugurada em 1849. Integrante da terceira geração da família a viver na região, Arlon recorda das conversas com o avô, Zaldo Gonçalves, que era amigo do antigo faroleiro. Certa vez, foi Zaldo que o socorreu no meio da noite, na escuridão. Com o carro atolado nas dunas, o único morador do farol precisava de um reboque.

Namorada de Arlon, a gestora ambiental Juliana Pereira, 27 anos, de Mostardas, cresceu ouvindo histórias parecidas do bisavô, Luís Rocha, antigo tropeiro da região, que costumada levar mantimentos aos que cuidavam do farol. Arlon conta que, até a adolescência, subia no alto da torre para ver as belezas naturais da região. A porta não tinha tranca, e o faroleiro já não trabalhava mais no local. Com o tempo, visitantes e moradores passaram a invadir e destruir a edificação. Nas paredes externas, há nomes e indicações de cidades do sul do Estado, da Capital e da Serra.

Uma das últimas partes arrancadas foi a bateria usada para a iluminação noturna do farol. Arlon conta ter visto o equipamento rolando nas areias, em 2020:

– O farol está se desmanchando e ninguém parece se importar. Um dia foi ponto turístico. Infelizmente, virou ponto de vandalismo.

Como uma das últimas alternativas para salvá-lo, uma das janelas de vidro foi trocada por uma placa de metal, e a única porta de entrada, soldada pelo Serviço de Sinalização Náutica do Sul. Hoje, não se pode mais entrar na área interna do farol, apenas circundá-lo, já que ele está trancado.

Em resposta a questionamentos enviados por GZH, a assessoria de comunicação do Comando do 5º Distrito Naval, da Marinha do Brasil, informou que “o farol deixou de ser guarnecido em 1985, em virtude de substituição do antigo sistema (acetileno) por lanterna automática. Quanto à casa do faroleiro, não há informações sobre a destinação dela”. A Marinha também informou que, “durante inspeção realizada em outubro de 2020, verificou-se a ocorrência de furtos dos equipamentos e vandalismo na estrutura do farol. Dessa forma, foi priorizada a recuperação de toda a parte de sinalização para garantir a segurança da navegação na região. Para evitar outros furtos, decidiu-se por lacrar a porta, por meio de solda”. O órgão confirma que “que está agendada para fevereiro a realização dos reparos estruturais”.

Pesquisadora da região há 35 anos, a historiadora Marisa Guedes, de Mostardas, lamenta a situação do farol, considerado por ela uma relíquia histórica. Marisa, que pesquisou documentos e os jornais brasileiros de 1840 a 1930, afirma: Dom Pedro II não passou pelo Capão da Marca para inaugurá-lo, como costumam indicar companhias de turismo, sites especializados e até moradores.

Segundo ela, durante a Revolução Farroupilha, o império pediu o balizamento da Lagoa dos Patos para ter uma navegação mais segura. No pós-guerra, Dom Pedro II veio ao Estado entre dezembro de 1845 e janeiro de 1846. Mas não para inaugurar o farol. O ex-secretário de Turismo de Tavares, Luiz Agnelo de Tavares, relatou a existência de uma placa de bronze indicando que Dom Pedro II havia inaugurado o farol. A placa foi roubada.

– O que encontrei, que pode ter confundido as informações, é que o Jornal D. Pedro II, do Estado do Ceará, noticiou a inauguração do Farol Capão da Marca da seguinte forma: “‘Pharol – no dia 25 do mês passado foi inaugurado o Pharol Capão da Marca no Rio Grande do Sul’. Fortaleza, domingo, 24 de abril de 1881” – conta Marisa.

Em 1847, relata a historiadora, o conselho administrativo da província do Rio Grande do Sul determinou a construção dos faróis do Estreito, onde hoje é São José do Norte, de Cristóvão Pereira, atual Mostardas, e de Itapuã, em Viamão. Eles seriam erguidos em alvenaria e demorariam mais de dois anos para serem concluídos. Mas um naufrágio na Lagoa dos Patos fez o governo erguer um farol provisório de madeira no Capão da Marca, onde hoje é Tavares.

Em meio às obras dos demais, uma grande tempestade destruiu parte das construções, e o único a resistir aos fortes ventos foi o de Capão da Marca – mesmo sendo de madeira. A torre existente até hoje deu mais robustez à construção. Ela chegou diretamente da França em 20 de novembro de 1879 e levou três meses para ser montada.

– Algumas pessoas falam que o Cristóvão é o primeiro farol do Estado por ter sido inaugurado em 1858. Os mais antigos não contavam os provisórios como faróis. Mas há a lei da inauguração do Capão da Marca, de 1849 – explica Marisa.

Desde 1926 o Capão da Marca tem como característica luminosa o lampejo “encarnado” (vermelho) longo (dois segundos), intercalado com oito segundos apagado.

Para chegar ao farol

O agricultor Eron Costa Gonçalves, 47 anos, planeja colocar uma placa na entrada do sítio Dois Irmãos, pertencente à família há três gerações, indicando que a propriedade não é o caminho mais adequado para se chegar ao Capão da Marca. Gonçalves conta que um casal de jipeiros indicou ao Google a estrada interna do sítio como sendo o trajeto para ir até o farol.

– Começou a chover gente de jipe e carro de trilha aqui ao lado da nossa casa. Temos pessoas idosas tentando se proteger da covid-19. Não posso permitir isso. Mas eles insistem, abrem a porteira e querem passar – relata Gonçalves.

Segundo a prefeitura de Tavares, o caminho oficial passa por dentro da área central da cidade e vai até o balneário municipal. Depois, os motoristas precisam seguir pela beira da lagoa e atravessar um córrego de uma lavoura de arroz. Só veículos 4x4 conseguem chegar. De acordo com a prefeitura, placas que indicarão o caminho estão sendo confeccionadas para serem instaladas desde a entrada da cidade até a margem da Lagoa dos Patos.



















Fonte da Imagem: do Site

sábado, 9 de janeiro de 2021

Praia da Capilha: conheça um pequeno paraíso na Lagoa Mirim

Vilarejo de 1,4 mil habitantes em Rio Grande oferece praia de água doce e com muita história para contar

Identificada pelos frequentadores como um pequeno paraíso encravado entre as margens da Lagoa Mirim e a BR-471, a Praia da Capilha, localizada no 4º distrito do Taim, a 80 quilômetros do centro de Rio Grande (sul do Estado), mantém o adjetivo pelas areias finas e claras e águas tranquilas — próprias para banho, de acordo com o boletim de balneabilidade divulgado pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) na primeira semana de 2021.

História e belezas naturais se misturam no vilarejo de 1,4 mil habitantes. Percorrer a única rua de terra que liga a entrada da localidade à praia possibilita estar mais próximo de quem respira a região o ano todo. Enquanto os pescadores reformam as redes e controlam as canoas deixadas nas margens da lagoa, idosos conversam a distância nos portões das casas e os comerciantes aguardam nos balcões dos botecos e mercadinhos a entrada de visitantes. Há também um estacionamento particular para motor-homes.

Nascido na Capilha, o pescador Igor De Los Santos, 24 anos, até tentou morar na área urbana de Rio Grande, com parentes, para estudar e trabalhar. Mas desistiu depois de dois anos. Sentia falta da abundância das águas da Mirim e da tranquilidade de quando está na lagoa. Há uma década, voltou para a prainha onde os pais e tios tiram o sustento da pesca de traíras, jundiás, pintados e tainhas. Nesta época do ano, quando ocorre a piracema, De Los Santos se preocupa apenas em manter os barcos da família presos à areia no sobe e desce da maré.

— Mesmo com a construção de mais casas de veranistas, aqui é o meu lugar. É onde me sinto seguro — conta o jovem. 

Quem vai à Capilha busca o sossego do vilarejo fundado por pescadores, mas que, nos últimos anos, tem recebido mais visitantes e novos moradores. Nos dias de semana, quando a praia ainda é menos frequentada durante o verão, os sons dos pássaros e das marolas da lagoa se sobressaem entre os banhistas espalhados pela imensidão de areia. Moradores, veranistas e campistas garantem que o cenário paradisíaco tem dois extremos: os temporais que vêm da lagoa, acompanhados de vento, costumam ser assustadores, mas quando o céu está sem nuvens, o pôr do sol é único, já que o astro se despede nas águas da Mirim.

Veranista do local há mais de 40 anos, a cabeleireira Clenir Troca, 61 anos, moradora de Rio Grande, lembra da época em que a Capilha era um deserto com casas distantes umas das outras, sem comércio e com dunas por todos os lados. Quando havia cinco carros nas margens da lagoa, já se considerava a praia cheia. Hoje, mesmo com o aumento de frequentadores, Clenir afirma não trocar a praia de água doce pela salgada Cassino, mesmo estando mais próxima da casa dela, a 20 quilômetros de distância.

— Aqui (na Capilha), as crianças ficam mais à vontade porque as águas são calmas. A gente relaxa mesmo e pode ficar distante de outras pessoas. Venho sempre para recarregar as minhas baterias — comenta Clenir, que está com a família na casa de um parente morador da localidade.

Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento, Inovação e Turismo de Rio Grande, Gilberto Tavares Sequeira, o vilarejo se tornou um atrativo turístico pela importância histórico-cultural e por conta do ecossistema, já que é vizinho da Estação Ecológica do Taim. Sequeira salienta que a prefeitura de Rio Grande envolveu a comunidade no Plano Municipal de Turismo, que busca desenvolver o setor com sustentabilidade na Capilha, nas ilhas do território de Rio Grande e na Estação Ecológica do Taim.

Sequeira explica que o plano tem a finalidade de viabilizar a elaboração de estudos com a comunidade local que ajudem a minimizar o impacto da atividade turística sobre os recursos naturais. Além disso, pretende desenvolver parcerias para qualificar os serviços turísticos e a formalização de empresas de serviços ecoturísticos nas regiões contempladas.

O secretário pontua que a localidade ainda tem baixa estrutura turística e comercial, pois a economia é fundamentada na pesca artesanal e no agronegócio. A praia conta com duas pousadas, um camping e dois restaurantes. 

— Pessoas ligadas aos esportes náuticos e aqueles que gostam de turismo ecológico têm buscado a região. A localidade está crescendo ano a ano — comenta o secretário, um confesso admirador da Capilha e que assumiu a pasta no início deste mês.

A Capilha conta com uma guarita de guarda-vidas. Durante três horas, percorremos toda a praia e não encontramos nenhuma garrafa pet, toco de cigarro ou outro tipo de lixo na areia ou na água. Há um cuidado dos próprios moradores e isso, aparentemente, acaba contagiando quem busca a paz da praia.

Nome da praia é homenagem a capela histórica

A Praia da Capilha ganhou esse nome devido à capela de Nossa Senhora da Conceição, que fica em um ponto de destaque do vilarejo. O nome deriva do espanhol "capilla". O primeiro prédio da igreja foi erguido em 1785, sendo chamado pelos espanhóis de Capela de São Pedro por estar no continente de São Pedro. Em 1844, ela foi reconstruída com o patrocínio de moradores da cidade.

Em novembro de 2020, a Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), por intermédio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), assinou um Termo de Destinação de Valores para custear o restauro da capela, já tombada pelo município de Rio Grande e considerada patrimônio histórico e cultural da região.

Orçado em mais de R$ 2 milhões, o projeto de restauração integral é uma parceria proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), a Mitra Diocesana de Rio Grande e o município. O valor é proveniente de acordos firmados em ações civis públicas movidas pelo MPF. Conforme a Secretaria de Município de Desenvolvimento, Inovação e Turismo, a obra tem previsão de conclusão de 12 meses e a execução do projeto ficará sob responsabilidade da Mitra Diocesana de Rio Grande. Ela será fiscalizada pelo Iphae. 

Já o município será responsável por executar o Plano Integrado de Gestão, Desenvolvimento, Conservação e Sustentabilidade do Núcleo Autônomo do Taim, onde a capela é vista como ponto fundamental. O plano, que teve contribuição do Iphae, prevê o uso e a valorização do sítio histórico, articulados com o turismo regional da Costa Doce.

Localização

- A entrada da praia fica no km 530 da BR-471
- O vilarejo fica à direita da rodovia, no sentido Rio Grande-Chuí
- Há uma placa indicando a entrada da Praia da Capilha

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/verao/noticia/2021/01/praia-da-capilha-conheca-um-pequeno-paraiso-na-lagoa-mirim-ckjoojxsd006i017wypcgsfxa.html



















Fonte das Imagens: Do site

domingo, 20 de dezembro de 2020

Iphan investe R$ 1,4 milhão no restauro do Clube Blondin em Laguna (SC)

O estado de Santa Catarina recebeu na manhã desta terça-feira (15) mais uma obra realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan), com recursos do Governo Federal. O Clube Blondin, localizado no Centro Histórico e Paisagístico de Laguna (SC), voltará a ser apreciado por moradores e visitantes. O investimento foi de mais de R$ 1,4 milhão e contemplou a restauração total e requalificação do espaço.

“Além de restaurar um dos principais exemplares da arquitetura neocolonial deste Centro Histórico, a obra devolve à sociedade um espaço que resgata atividades lúdicas e culturais que aconteciam principalmente aos finais de semana no Centro Histórico de Laguna”, declarou a presidente do Iphan, Larissa Peixoto.

A obra teve início em março de 2019, e incluiu a restauração da estrutura do telhado, com revisão e substituição de madeiramento e telhas; reforma do revestimento externo e parcial do interno com argamassa histórica e posterior pintura à base de cal; restauração das esquadrias de madeira e ferro; substituição de todo o sistema elétrico e novas luminárias; substituição do sistema hidrosanitário; instalação do sistema preventivo de incêndio; restauração de assoalho de madeira e marchetaria e reconstrução de anexo para banheiros e palco.

A restauração do piso de madeira em placas de marchetaria, utilizado como pista de dança do clube, foi o maior destaque e também o maior desafio de toda a obra. A marchetaria é uma técnica de ornamentação artesanal de encaixes de madeira de diversos tons e tamanhos, aplicados sobre uma peça plana de madeira como base, criando desenhos geométricos.

“Este espaço, associado aos demais clubes e locais públicos do Centro Histórico, proporciona a expansão da vida urbana no bairro”, explicou a superintendente do Iphan-SC, Liliane Nizzola. De acordo com ela, a intervenção vai além do uso comercial e residencial, uma vez que destaca valores como a sociabilidade e o sentimento de pertencimento ao lugar.

Participaram da cerimônia de entrega das chaves, representantes do Escritório Técnico de Laguna do Iphan-SC e da diretoria do Casarão Clube Blondin. 

Clube Blondin

O atual prédio do Clube Blondin, construído em frente à Praça da Matriz, no Centro Histórico de Laguna, foi inaugurado em junho de 1943. Durante os séculos XIX e XX, os clubes recreativos tiveram um importante papel social, sendo locais para realização de grandes festividades que representavam os valores culturais da sociedade da época: saraus, domingueiras, gincanas esportivas, bailes de debutante, bailes de Carnaval, jantares dançantes e outros.

O Clube Blondin foi um destes equipamentos urbanos lúdicos de Laguna que ficou famoso pelos seus memoráveis eventos.










Fonte das Imagens: do site Iphan.