quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Pitangui/MG – Erguido no século 18, sobrado do museu da Sétima Vila do Ouro é reformado

Fechado à visitação há cerca de duas décadas por negligência do poder público em investir na conservação de sua estrutura bicentenária, enfim o sobrado que abriga o Museu Sacro Monsenhor Vicente Soares começou a ser reformado. O imóvel, erguido no fim do século 18, é um dos principais cartões-postais de Pitangui, a Sétima Vila do Ouro e cidade mãe de pelo menos 40 municípios do Centro-Oeste mineiro, como Pará de Minas, Nova Serrana, Bom Despacho, Itaúna e Divinópolis. A primeira etapa da obra – trocas do telhado, do forro e do piso e rebocos das paredes interna e externa – deve ser concluída no primeiro trimestre de 2013. O aporte, de R$ 246 mil, é bancado pelo erário municipal.
A segunda parte da restauração – construção de banheiros no porão, que será rebaixado em 70cm, e de um provável elevador – ainda não tem prazo para sair do papel, pois carece de projeto executivo e da chegada do prometido financiamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas. A restauração total está estimada em R$ 1 milhão. A última grande reforma no casarão, que tem dois andares e 17 cômodos, ocorreu na década de 1960. A torcida dos moradores de Pitangui, a 130 quilômetros de Belo Horizonte, é para que o museu seja reinaugurado antes de 2015, quando a cidade completará 300 anos.
A reinauguração do cartão-postal é a senha para que o rico acervo do museu sacro, que precisou ser transferido para um prédio vizinho ao Banco do Brasil para que não fosse alvo de quadrilhas especializadas em bens históricos, retorne ao imóvel colonial, tombado em 1959 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan); e em 2008 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha). Parte do acervo é formado por mais de 70 peças sacras, algumas com mais de 200 anos.

Propostas
Há cálices e crucifixos de pratas, armas antigas, objetos dos séculos 19 e 20 e milhares de documentos. Também chamam atenção dezenas de imagens, como as de São Benedito de Santa Efigênia, ambas com cerca de 1,5m e que datam do início do século 18. “Há 22 imagens em processo de tombamento”, conta frei Manoel Ricardo da Rocha Fiúza, do Conselho Municipal do Patrimônio, Cultural e Turismo de Pitangui. Há poucos dias, ele visitou a obra e foi informado por um dos operários que os colegas haviam encontrado, em gretas do assoalho, quatro moedas fundidas em 1803. “Estão grafadas em latim e foram encaminhadas ao Instituto Histórico de Pitangui”, afirma o frei. Ao lado de vários moradores da cidade, ele elabora propostas que serão apresentadas à prefeitura para as comemorações dos três séculos da Sétima Vila. O encarregado de carpintaria João Aguiar de Castro, que trabalha na restauração do sobrado, torce para que o museu seja entregue à população antes do aniversário de 300 anos: “É importante para manter viva a história tanto da cidade quanto do país”. Entusiasmado com a reforma, ele revela que parte da parede de pau a pique de um dos cômodos será coberta apenas com vidro para que o público tenha uma noção dos materiais usados na época da construção do museu, que já abrigou a sede da prefeitura, do arquivo do Judiciário e da casa da Câmara e cadeia.
“Caminhar pelas dependências do casarão é como voltar ao passado, à medida que observamos as técnicas de construção aplicadas nas paredes de pau a pique, portais e telhado. Também ao imaginarmos quantas decisões importantes foram despachadas no sobrado. O museu é essencial para uma cidade histórica como Pitangui, para manter viva nossas origens, atrair visitantes e pesquisadores e, consequentemente, aquecer a economia do município”, avalia o turismólogo Leonardo Morato. Ele e o amigo Vandeir Santos doaram ao acervo do museu peças e fotografias antigas. “Vandeir doou um ponteiro de ferro, do século 18, encontrado, num trabalho de campo, no interior de uma mina de ouro desativada. Eu doei cinco documentos – cartas, petições, requerimentos – do mesmo século. O material foi pesquisado no Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa. O Conselho Ultramarino tinha a função de orientar e auxiliar o rei de Portugal nos pareceres, leis e decisões relacionados às colônias portuguesas. Os assuntos e solicitações diversas dos cidadãos nas Capitanias no Brasil eram despachados para a Corte portuguesa, por intermédio das câmaras municipais”, diz Leonardo.

Religião e questões sociais
Os moradores contam que o sobrado teria sido construído a mando do major Joaquim Inácio, rico morador de Pitangui no século 18, para servir como residência do presidente da província mineira. Inácio sonhava que a Sétima Vila do Ouro pudesse algum dia ser a capital. O Museu Sacro Monsenhor Vicente Soares de Pitangui conta com um arquivo que revela curiosidades do passado inaceitáveis nos dias de hoje, como ações chamadas de penhora das almas. São documentos, datados da primeira metade do século 18, nos quais devedores asseguravam a própria alma como garantia em caso de não pagamento do débito. Os papéis mostram como questões sociais se misturavam com a economia e a religião daquela época. É preciso lembrar que no século 18 as compras de serviços e produtos por meio de pagamento a prazo eram comuns, pois havia grande escassez monetária.
Documentos semelhantes já foram encontrados pela historiadora Cláudia Coimbra do Espírito Santo em Mariana e Ouro Preto, respectivamente a primeira e a segunda vilas do ouro no estado. Além de Pitangui, as demais são: Serro, São João-del Rei, Sabará e Caeté. É possível que novos documentos sejam incorporados ao acervo do museu. Isso porque os operários que trabalham na restauração do imóvel encontraram um cofre fechado no local. Ninguém tem o segredo, mas a expectativa é de que ele seja aberto nos próximos meses. A torcida é para que seu interior esteja recheado de papéis que ajudem a contar a história do município. Por Paulo Henrique Lobato

Fonte:  http://www.defender.org.br/pitanguimg-erguido-no-seculo-18-sobrado-do-museu-da-setima-vila-do-ouro-e-reformado/













Estrutura bicentenária que abriga o Museu Sacro Monsenhor Vicente Soares começou a ser reformada.

Uruguaiana/RS – Inaugurado o Museu Histórico Raul Vurlod Pont

Na sexta-feira, dia 07 de dezembro, às 10h, na presença de autoridades civis, militares e convidados, o prefeito Sanchotene Felice presidiu a solenidade de inauguração do Museu Histórico Raul Vurlod Pont, localizado na rua Tiradentes nº. 2801, ao lado do INSS.
Na oportunidade, a senhora Miriam Pont Beheregaray representou a Família Pont, e o advogado e professor Luiz Machado Stabile usou da palavra para agradecer, em nome dos familiares, a homenagem do prefeito Sanchotene Felice ao historiador Raul Pont.
Ainda, simbolizando as doações, a professora Iara Maria dos Santos Saucedo entregou em comodato ao Município de Uruguaiana, uma Medalha datada de 1870 que foi recebida por seu bisavô, Francisco Gonçalves dos Santos, veterano da Guerra do Paraguai, e outras fotos e documentos históricos. O prefeito Sanchotene Felice enfatizou a importância de se homenagear personalidades que contribuíram para o desenvolvimento social e cultural de Uruguaiana como é o caso do patrono do Museu, o professor Raul Pont.
O uruguaianense Raul Pont nasceu em 12 de abril de 1912. Filho de Teodoro Pont e de Amália Vurlod, sendo neto do fundador do Colégio União, o francês Aleixo Vicent Vurlod. Foi casado com Nelly Anglada Pont e teve os filhos: Raul Jorge e Núria Pont Ferreira. Residia na rua dos Andradas nº. 1564, nesta cidade. Iniciou sua formação educacional no curso primário e depois o ginasial no extinto Instituto União Brasileiro de Uruguaiana, entre os anos de 1920 e 1928. Após, fez o curso técnico em Contabilidade (noturno) no Colégio União, entre 1930 e 1933, dedicando-se a sua profissão e ao ensino, Foi contador, com escritório próprio, e exercendo funções junto a Associação Comercial de Varejistas, de 1960 a 1968. Lecionou Contabilidade no Instituto União de 1945 a 1950, e foi secretário do estabelecimento de 1950 a 1959. Por alguns anos, exerceu a atividade industrial, tendo sido proprietário da padaria “A Barcelonesa”, onde inicialmente trabalhou juntamente com o seu sogro. O historiador Raul Pont deve destacada atuação comunitária, sendo membro ativo da Igreja Metodista, onde exerceu a função de guia leigo, e durante anos foi professor na escola dominical. Foi presidente do Clube Caixeiral em 1942-1943, tendo fundado no Clube, a Biblioteca Pública General Valentim Benício em 1943 e foi seu presidente por 10 anos consecutivos. Em 1952, Raul Pont foi eleito presidente da Associação Espanhola de Socorros Mútuos até a sua remissão em 30 de setembro de 1962. Foi presidente do Rotary Club de Uruguaiana em 1946 e, no mesmo ano, fundador do Rotary Club de Paso de los Libres. Foi sócio-fundador do CTG Sinuelo do Pago e seu patrão nos anos de 1973/1974. Pertenceu a Loja Maçônica Cruzeiro do Sul II. Em 1975, foi mentor e presidente da Comissão Pró-Monumento ao Fundador de Uruguaiana, Domingos José de Almeida, erguido na Praça Farroupilha. Raul Vurlod Pont faleceu em Uruguaiana, aos 86 anos de idade, no dia 15 de fevereiro de 1999.
Em 09 de dezembro de 2000, os familiares doaram todo o acervo de Raul Pont ao Município de Uruguaiana, localizando-se no Centro Cultural Dr. Pedro Marini, sendo composto de 1.900 fotos, 1.230 livros, 400 revistas, 200 jornais, 134 pastas, 50 documentos, 35 mapas e plantas, 61 objetos, 53 certificados e diplomas e os escritos originais do livro “Campos Realengos”. Fonte: Rubens Montardo Junior – SECULT – Uruguaiana/RS

Fonte:  http://www.defender.org.br/uruguaianars-inaugurado-o-museu-historico-raul-vurlod-pont/



O IPHAN na Bahia inicia restauração da histórica Igreja da Saúde

10/12/2012
Uma das igrejas mais antigas de Salvador, construída em 1723, a de Nossa Senhora da Saúde e Glória, que estava em condições precárias e com alto risco de desabamento começou a ser restaurada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Serão investidos na obra cerca de R$ 1,2 milhão. A intervenção tem como objetivo principal a reforma da estrutura interna, do telhado e do taboado do primeiro pavimento do templo, que estava com muitas infiltrações.
A igreja possui nave, corredores laterais e tribunas. A pintura do teto, uma das primeiras da Bahia influenciada pelo ilusionismo, é de autoria de Domingos da Costa Filgueira. Possui na parte baixa das paredes da nave e capela-mor importantes painéis de azulejos de Lisboa, datados de 1780 a 1790, representando os quatros Evangelistas, os dois doutores da igreja, Coração de Jesus e Nossa Senhora das Dores. Destacam-se ainda os azulejos do século XVIII. “A igreja passava por dificuldades e o IPHAN investe de forma que a igreja tenha devolvida sua integridade à comunidade religiosa baiana”, diz o superintendente do IPHAN-BA, Carlos Amorim.

A Igreja Nossa Senhora da Saúde fica na Praça Severino Vieira, Largo da Saúde, em Salvador – BA.
Fonte: Ascom - IPHAN/BA

Fonte: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do;jsessionid=65E2274844586ACE5D350F2FD7447A3E?id=17061&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia


Cerimônia devolve à Belém do Pará Igreja de Santana totalmente restaurada

13/12/2012 

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a Arquidiocese de Belém e a Paróquia de Santana da Campina, realizarão a cerimônia de encerramento da obra de restauração da Igreja de Santana no próximo dia 19 de dezembro, a partir das 17h30, na Praça Maranhão, no bairro do Comércio, em Belém – PA. A obra foi realizada em cinco etapas, sendo a primeira iniciada em 2004. A superintendente do IPHAN-PA, Dorotéa Lima, explica que em todo o trabalho de restauração foram mantidas as linhas arquitetônicas cujas formas clássicas, elementos artísticos móveis e integrados e volumetria são valorizados pelo jogo de luz e sombra.
O processo de restauração do templo incluiu a recuperação do revestimento das fachadas, e da cobertura que foi integralmente estabilizada e recebeu proteção de forro. Também foram restaurados a capela-mor, a nave, ambientes laterais (capela do santíssimo, sacristia e consistório) e batistério, incluindo pisos, paredes e forros (abóbadas), os elementos artísticos integrados (retábulo-mor e retábulos dos transeptos); telas; paravento; vias sacras e imagens esculpidas em madeira e gesso. Das telas, duas integram os retábulos do transepto, datadas de 1778 são de autoria de Pedro Alexandrino. As fachadas posterior e lateral esquerda do templo foram reconstruídas, com recomposição de pilastras, cimalhas e vãos a partir dos vestígios encontrados nas alvenarias. A intervenção ainda contou com novas instalações hidráulicas, elétricas e de iluminação, com instalação de fiação para sistema de segurança e som e sistema de para raios.

A Igreja de Santana
Inserida no bairro da Campina, no perímetro delimitado e tombado como centro histórico de Belém, a Igreja de Santana, projetada pelo arquiteto italiano Antônio José Landi, devoto da mãe de Maria, teve sua construção iniciada em 1762, com o objetivo de sediar a paróquia do bairro. Contudo, por conta da complexidade da obra e da dificuldade de obtenção dos recursos o templo só foi inaugurado 20 anos mais tarde, em 1782.

De estilo barroco italiano tardio, com o passar dos anos a edificação religiosa passou por processo de descaracterização e deterioração. Suas linhas arquitetônicas e decoração interior foram alteradas, incorporando torres laterais e anexos diversos, bem como novos altares que se sobrepuseram aos antigos retábulos e pintura marmorizada. Em 2002 o estado de conservação do templo já exigia maior atenção, requerendo uma grande intervenção com possibilidade de reversão dos danos e com a recuperação da potencialidade do edifício como obra de arte.

Mais informações:
IPHAN-PA
Telefones: (91) 3224-1825 | 3224-0699
Jorge Sauma - sauma@gabycomunicacao.com.br
Telefones: (91) 3086-3117 | 3081-5778 | 8059 0000 | 9166 1068
Fonte: Ascom - IPHAN/PA 

Fonte: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do;jsessionid=65E2274844586ACE5D350F2FD7447A3E?id=17090&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer - O Arquiteto e o Arquivo

O fundo Correio da Manhã, jornal carioca que circulou entre 1901-1974, possui fotografias do arquiteto em diversas fases de sua vida, dos seus projetos e das obras privadas e públicas mais relevantes construídas por ele, no Rio de Janeiro, Minas Gerais e em Brasília, entre eles, o edifício do MEC e o Hospital da Lagoa, na cidade fluminense, o complexo da Pampulha, em Belo Horizonte e todas as construções erguidas na nova capital federal.
No fundo Agência Nacional destacam-se negativos fotográficos e filmes que registram todas as etapas das obras de Brasília desde os últimos anos da década de 1950 até a sua inauguração.
Entre os documentos custodiados pela Instituição encontra-se ainda um projeto de Niemeyer denominado CB (Centro da Barra), de 1969, que contempla o primeiro núcleo de torres residenciais além de uma escolinha de artes e de um Instituto de Artes Plásticas para a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A planta, em quatro folhas, contem dez desenhos e a descrição do projeto, integrado ao Plano da Barra de autoria de Lúcio Costa.  

Fonte: http://www.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1547&sid=40















Um palácio para a cultura?

Inaugurado em 1947, o Palácio Gustavo Capanema, expoente da arquitetura moderna brasileira, será restaurado ao custo de R$ 50 milhões e pode virar centro cultural.

O Palácio Gustavo Capanema está próximo de se tornar um novo centro cultural para o Rio de Janeiro. Políticos se reuniram na última semana com a ministra da Cultura, Marta Suplicy, para discutir a restauração do edifício, marco da arquitetura moderna brasileira. O encontro foi no próprio prédio, localizado no Centro da cidade. A bancada fluminense na Câmara Federal apresentou uma proposta para destinar R$ 50 milhões à recuperação da estrutura.

Construído para ser sede do então Ministério da Educação e Cultura (MEC), o prédio foi projetado na década de 1930 e inaugurado em 1947, por concepção dos maiores expoentes do movimento Modernista no Brasil. Trabalharam juntos Lucio Costa, Carlos Leão, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcellos e Jorge Machado Moreira, com consultoria do arquiteto franco-suíço Le Corbusier.
O deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ), que apresentou a emenda e articulou a bancada fluminense para sua aprovação, vê possibilidade de ampliar o acesso do público ao palácio após a restauração. “Defendo que o Capanema abrigue não só um centro cultural, mas também espaço para experimentação, uma possível escola de artes. Artes visuais, dramáticas, salas pequenas de cinema, para um circuito não comercial”,  comenta o político. “Temos muitas contribuições importantes que poderiam ser oferecidas neste espaço sensacional”, garante.
O pesquisador João Masao Kamita, professor de arquitetura da PUC-Rio, afirma que é preciso ter calma. Ao se adaptar um prédio para outros fins, muito tem que ser levado em conta: “Tudo precisa ser bem discutido. Ele foi concebido para ser administrativo, institucional, então ele tem uma ideia de arquitetura ligada a essa finalidade”. “Às vezes, para garantir um maior uso, você sacrifica a glória da arquitetura. Ele merece ser restaurado, porque está muito mal cuidado, mas é preciso envolver a comunidade de arquitetos e de pessoas da cultura para discutir como adaptá-lo ao novo uso. Pode ter toda boa intenção do mundo, mas precisa discutir”, sugere Kamita, para quem o Palácio Capanema é “o mais importante monumento da arquitetura moderna brasileira”.
Molon, no entanto, acredita que o uso atual do edifício é um desperdício de seu potencial. “Hoje ele abriga funcionários do Ministério da Cultura, já abrigou do MEC, é depósito de material do Iphan, da Biblioteca Nacional. Não faz sentido um prédio desse tamanho, com essa importância histórica, ser usado como depósito”, critica. A afirmação é um pouco controversa. O terceiro andar, por exemplo, dedicado à Divisão de Música da Biblioteca Nacional, funciona também como centro de pesquisa. Ali está abrigado um dos maiores acervos de música e dança do país, que pode ser consultado pelo público no horário comercial: são mais de 220.000 itens, entre livros, manuscritos, fotografias, partituras, discos de vinil, fitas cassete e CDs. Além de uma sala para reprodução de material em áudio, que conta até com um piano para livre utilização do visitante.
 Para Molon, um museu seria uma boa saída para o Capanema. “O objetivo é usar este espaço para cultura. Quem sabe instalar um Museu da Educação Brasileira, contando como as propostas educacionais foram sendo construídas, apresentando grandes educadores, como Anísio Teixeira, Paulo Freire?”, especula.
No início do ano, o Iphan informou que faria uma restauração no palácio ao custo de R$ 12 milhões. O edital estava previsto para ser lançado em outubro, mas atrasos impediram. A previsão - otimista - agora é para meados de 2013. Os recursos planejados, portanto, não foram aplicados.
Ao longo deste ano o instituto realizou o inventário de todos os bens móveis, obras de arte e danos do prédio. No entanto, a instituição não soube informar se há uma conexão entre a reforma planejada no início do ano e aquela pensada pelos deputados. Apesar da desconexão inicial, a certeza do Iphan é que a obra planejada pela Câmara não acontecerá sem que antes passe pelo seu crivo.

Fonte: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/reportagem/um-palacio-para-a-cultura





















Palácio Gustavo Capanema foi projetado para ser sede do MEC

 

Documentário sobre as comemoraçõess dos 60 anos do Palácio Gustavo Capanema com performaces de diversos artistas como Marcos Chaves, JoséBechara, entre outros, numa festa organizada peli Centro de Artes Visuais da Funarte

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Museu Casa Padre Toledo, em Tiradentes, é restaurado pela UFMG e será reaberto ao público no dia 13

A vida e a obra do Padre Toledo (1731–1803) ainda são cercadas de mistérios. Nascido em Taubaté (SP), com estudos em Lisboa (Portugal) – onde teve acesso aos ideais iluministas –, e com uma trajetória de realizações em fins do século 19, em Tiradentes, o cônego teve importância fundamental para a cultura e para as artes do período. Nos últimos anos, o museu que leva seu nome na cidade do Campo das Vertentes passou por um período complicado, até que, há cinco anos, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) assumiu uma ampla reforma. O resultado do processo chega ao público na semana que vem, quando será reaberto com uma exposição do acervo sobre os universos do religioso e do cotidiano da época.

A reforma do Museu Casa Padre Toledo, que custou cerca de R$ 5 milhões, dinheiro de mecenato e da própria UFMG, recuperou todas as salas do casarão colonial da Rua Padre Toledo, 190, e do Torreão, edifício anexo ao museu. No processo, além da descoberta de pinturas nos forros ainda desconhecidas, foram encontradas pinturas parietais. O investimento também serviu para a criação da nova exposição, recuperação de peças do acervo e para a revitalização de outro casarão ao lado, onde funcionará o Centro de Pesquisa e Experimentações em Sistemas Multimodais. A universidade promete inaugurar ainda uma biblioteca de referência do barroco (no antigo prédio da Câmara) e apoiar a iniciativa do Museu das Sant’Annas da empresária Angela Gutierrez. Todos os espaços constituirão um futuro câmpus cultural a ser implantado em Tiradentes.

“A ideia é que o conjunto possa servir para a produção do conhecimento. Não apenas para se conhecer a história esteticamente”, explica Rodrigo Minelli, um dos responsáveis pela implantação. O pró-reitor adjunto de planejamento da UFMG, Maurício Campomori, vai além: “O interesse é tornar Tiradentes uma referência cultural. Hoje é um polo de eventos. Precisa de uma instituição como a UFMG para prover conteúdos”, salienta ele, que promete dar uma destinação mais acadêmica àqueles edifícios. Pelo menos nessa primeira fase, a trajetória de Padre Toledo permanecerá cercada de mistérios. “Exige uma pesquisa mais aprofundada nos próximos anos”, avisa Minelli. Como os autos da devassa confiscaram os bens do pároco, não existe em exposição nenhuma peça que tenha pertencido ao religioso.

Acervo


A reabertura do Museu Padre Toledo ocorre com uma singela mostra do acervo, se comparado à imponência da restauração da edificação. Talvez, por isso, a opção, nesse momento, foi valorizar o edifício. “O objetivo é resgatar a importância do patrimônio artístico da casa”, conta Isabela Vecci, responsável pela expografia, projeto de exposição. A solução ocorre, em geral, toda vez que se inaugura um museu num prédio imponente e com acervo irregular. “Temos um acervo heterogêneo de 300 peças, constituído a partir de doações. Há coisas boas, e outras nem tanto”, explica Minelli. A mostra evidencia o aspecto.

Não se trata, nem de longe, de uma exposição marcante. O que o visitante verá nas salas é uma tentativa de contextualizar a memória dos usos da edificação a partir de um pequeno acervo. A alternativa foi usar elementos tecnológicos de interação (recurso bastante difundido nesses casos) e criar formas de ocupação dos espaços com expografias de grandes formatos, como no caso de uma instalação composta por uma mesa de espelhos hexagonais em que o público verá projetado o forro de uma das salas ou, em outro momento, onde foi instalado um confortável sofá para que o visitante olhe para cima e veja detalhes das pinturas nos forros.

O que vale a visita ao museu, além da arquitetura, é a tela Batismo de Cristo, atribuída a Manuel da Costa Ataíde (1762–1830), objetos relacionados ao ofício do padre e uma Coleção Braziliana, que pela primeira vez será apresentada fora de Belo Horizonte, formada por 10 aquarelas retratando os primórdios do Rio de Janeiro. Trata-se do mais importante e valioso acervo de obras de arte que a instituição tem, doada pelo jornalista Assis Chateaubriand em 1966. Recentemente, graças ao projeto Memória, acervo e arte, os acervos da instituição foram inventariados, dando origem a exposições, livros e seminários. A mostra em questão é mais um exemplo de desdobramento da iniciativa.

Câmpus Cultural

A UFMG assumiu, há 15 anos, a coordenação da Fundação Rodrigo Melo Franco de Andrade. Em Tiradentes, a instituição tem edificações históricas importantes: Museu Padre Toledo, Centro de Estudos, Câmara (onde será instalada até 2014 uma biblioteca especializada no barroco) e a Cadeia (onde será inaugurado o Museu das Sant’Annas). A intenção é movimentar culturalmente a cidade a partir de acervos relevantes. A biblioteca, por exemplo, deverá ter acervo de 15 mil títulos. Atualmente, tem 5 mil. “Não terá só acervo físico. O objetivo é guardar toda documentação relativa ao período”, conclui Maurício Campomori.

Saiba mais

Padre Toledo

O inconfidente padre Carlos Correia de Toledo e Melo nasceu em Taubaté, em 1731, capitania de São Paulo, de onde no século anterior haviam partido tantas entradas e bandeiras atravessando a Mantiqueira em busca das minas. Foi designado vigário da Matriz de Santo Antônio em 1777, além de ter sido presbítero do hábito de São Pedro. Tinha 59 anos quando foi preso em 1789, quando atravessava a Serra de São José. Foi acusado pelo Acórdão da Alçada de convidar para a conjuração o seu irmão, Luís Vaz de Toledo, sargento-mor da Cavalaria Auxiliar de São João del-Rei, e declarou nos autos da devassa a sua participação como inconfidente. Expatriado para Portugal, permaneceu inicialmente encerrado na Fortaleza de São Julião, até ser transferido para uma prisão eclesiástica em Lisboa, onde morreu em 1803.


Museu Casa Padre Toledo

Reabertura para convidados dia 12, às 17h, na Rua Padre Toledo, 190, Tiradentes. O público poderá conhecer o espaço a partir do dia 13, às 9h. A entrada para a comunidade é gratuita. Haverá cobrança de ingresso para turistas: R$ 10 (inteira). Informações: (32) 3355-1550. 

Fonte: http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_7/2012/12/07/ficha_agitos/id_sessao=7&id_noticia=61225/ficha_agitos.shtml 



























quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer - 1907-2012 - O adeus de um Gênio

O arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, morto às 21h55 desta quarta-feira (5) aos 104 anos, foi um dos profissionais mais premiados e influentes do mundo. Seu trabalho, sempre cheio de curvas em concreto que tornavam seu estilo inconfundível, marcou a paisagem urbana do Brasil e de outros países. Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho nasceu no bairro das Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no dia 15 de dezembro de 1907. Apaixonado por futebol e pelo Fluminense, Niemeyer chegou a jogar no time juvenil do clube de Laranjeiras.

Casou-se cedo. A união com Annita Baldo foi aos 21 anos, quando Niemeyer ajudava o pai na tipografia. Em 1929, entrou para a Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, onde cinco anos depois formou-se engenheiro arquiteto. No meio do período da faculdade, em 1932, nasceu Anna Maria, sua única filha, que morreu em junho de 2012.
O casamento com Annita Baldo, a primeira mulher, durou 76 anos, quando ela morreu, em 4 de outubro de 2004. Casou-se novamente em 2006, com sua secretária, Vera Lúcia Cabreira.
Os primeiros passos na carreira que o consagraria como um dos nomes mais influentes na arquitetura foi dado no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão, onde fez estágio sem remuneração. Niemeyer teve a oportunidade de conhecer outro gênio da arquitetura ao ser designado por Lúcio Costa para ajudar Le Corbusier, famoso arquiteto suíço, que estava de passagem pelo Brasil, em 1936, para colaborar com o projeto do prédio do Ministério da Educação no Rio.

Ativista político 
Em 1940 Niemeyer conhece Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte, e realiza seu primeiro grande projeto, o Conjunto da Pampulha, no bairro na capital mineira, que incluía o cassino, a Casa do Baile, o clube e a igreja de São Francisco de Assis.
Boa parte das obras mais importantes do arquiteto serviu a projetos ideológicos e políticos. Niemeyer projetou o parque Ibirapuera e o Edifício Copan, ambos em São Paulo. Em 1956, com JK na presidência do Brasil, organizou o plano piloto de Brasília e foi responsável pela construção da nova capital federal.

Com traços ousados, o filho do modernismo criou o Itamaraty, o Alvorada, o Congresso, a Catedral, a Praça dos Três Poderes, entre outros prédios e monumentos: “Nós começávamos a imaginar quando é que Brasília iria surgir. De repente, aparecia uma mancha azul no horizonte. Ela ia crescendo. Depois apareciam os contornos e começávamos a dizer: ali é o Teatro, lá é o Congresso, a Torre. Brasília surgia como num passe de mágica, um milagre”, contou ele.
A participação de Niemeyer na vida política do Brasil fez dele um intelectual comprometido com seu tempo. Comunista histórico - se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1945 -, o arquiteto teve seu escritório no Rio invadido no golpe de 1964. Depois de passar por interrogatório na polícia, decidiu morar fora do Brasil.

Conviveu com Jean-Paul Sartre em Paris, passou seis meses em Israel, elaborou o projeto da Universidade Constantine, na Argélia, na África, e nesse mesmo período, desenvolveu a sede da ONU em Nova York, nos Estados Unidos.
Niemeyer passou a ganhar projeção internacional e nos anos 70 abriu seu escritório na Champs Elysées, em Paris. O arquiteto também projetou a sede da editora Mondadori, em Milão, na Itália. Foi nesse período que ele influenciou a arquitetura mundial. As amizades iam do pintor Cândido Portinari ao maestro Villa-Lobos, passando por Fidel Castro e Chico Buarque.

Obras em curvas
Niemeyer sempre defendeu o uso do monumental na arquitetura, com certa obsessão pela leveza em contradição com o concreto. A forma é a curva, com que substituiu a tradição milenar de ângulos e retas.
“Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país. No curso sinuoso dos sentidos, nas nuvens do céu. No corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo”, explicou o mestre.
Ele retornou ao Brasil no início dos anos 80, período da anistia dos exilados no governo de João Figueiredo. Para consolidar os projetos do amigo Darcy Ribeiro, antropólogo e então vice-governador do Rio na época de Brizola, ele projetou os CIEPs (Centro Integrado de Educação Pública) e o Sambódromo do Rio.
A cidade de Niterói é a segunda do Brasil com o maior número de trabalhos do arquiteto, depois de Brasília. Após o consagrado Museu de Arte Contemporânea (MAC), foi projetado o Caminho Niemeyer, um complexo de edificações assinadas pelo mestre e voltado para a cultura e a religião. As obras foram distribuídas ao longo da orla da Baía de Guanabara, se iniciando pelo Centro da cidade. Entre as nove construções projetadas, está o Teatro Popular, inaugurado em 2007.

Centenário 

No mesmo ano, o mestre da arquitetura completou 100 anos de vida. A comemoração contou com a presença de cerca de 600 amigos e familiares. No dia, Niemeyer citou mais de uma vez que a vida não é fácil e que, se tivesse que resumi-la numa palavra, escolheria a solidariedade: "Os pobres ficam vendo os palácios de hoje sem poder entrar”, disse. “A vida não é justa. E o que justifica esse nosso curto passeio é a solidariedade”.

A família era composta pela então esposa Vera Lúcia Cabreira, a filha Anna Maria, além de quatro netos, 13 bisnetos e seis tataranetos.
Apesar de tanto sucesso - recebeu todos os prêmios imagináveis, incluindo o prestigioso Pritzker em 1988 e a Ordem do Mérito Cultural - Oscar Niemeyer era um homem modesto. Para os íntimos, ele confessou que não conseguia entender a razão de tanta reverência. “Trabalhei muito, fiz meu trabalho na prancheta, como um homem comum...”.

Fonte: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2012/12/oscar-niemeyer-fez-historia-na-arquitetura-mundial.html 

Fonte das imagens - Site Arcoweb: http://www.arcoweb.com.br/index.php 

Link do Portal G1 mostrando a cronologia da obra de Niemeyer: http://g1.globo.com/oscar-niemeyer/platb/
 
Abaixo, imagens das principais obras do arquiteto e o trailler do documentário A Vida è um Sopro,mostrando a vida e obra de Niemeyer:





















Ministério da Educação e da Saúde, 1936, Rio de Janeiro
















Igreja da Pampulha, 1940, Belo Horizonte
















Sede da ONU, 1947, Nova York















Parque Ibirapuera , 1951, São Paulo















Edifício Copan, 1951, São Paulo















Casa das Canoas, 1952, Rio de Janeiro

















Brasília, 1957
















Sede do Partido Comunista francês, 1965, Paris

 












Universidade de Constantine, 1969, Argélia

















Memorial da América Latina, 1987, São Paulo