sábado, 5 de março de 2022

Conheça 10 lugares centenários de Porto Alegre que continuam funcionando


Capital mescla edifícios modernos a construções que já estavam ali quando a cidade não passava de um vilarejo

JÉSSICA REBECA WEBER


Como uma capital prestes a completar 250 anos, a fotografia de Porto Alegre mescla edifícios modernos a construções que já estavam ali quando a cidade não passava de um vilarejo. Conheça 10 lugares que já completaram mais de um século de vida e guardam parte da nossa história.

1- Colônia de Pescadores Z5

Sobre o desenho em relevo de duas sereias, a data inscrita na fachada anuncia o mais recente prédio centenário da Capital. A Colônia de Pescadores Z5, que completou cem anos em dezembro, é um símbolo da Ilha da Pintada, localidade de Porto Alegre que parece descolada do tempo e do mapa.
A pesca no Rio Jacuí segue sendo uma das principais atividades nesse pedaço de Porto Alegre. É a profissão de muitos moradores, mas também atrai amadores para a beira do rio, bem na frente da sede da Colônia. Aos domingos, é naquele ponto mesmo que desembarcam “turistas” vindos da Capital para uma tradição antiga e apetitosa: a tainha na taquara. Moradora do bairro Três Figueiras, a dona de casa Isabel Brum, 78 anos, não foi só para comer: ela aproveitou para tirar foto ao lado da churrasqueira.
— Meu filho me tirou de casa dizendo que a gente ia comer tainha do outro lado da rua e me trouxe aqui. Foi uma surpresa, é uma coisa bem diferente — conta.
Cerca de 60 peixes já estavam prensados em pedaços de taquara, enfileirados sobre carvão e lenha, quando a dona Isabel chegou. O segredo, revelam os assadores, é a finalização regando com o “molho da dona Cátia”, funcionária antiga do lugar. Junto do azeite e do vinagre, ela inclui especiarias como alho, cebola e pimentão.
Presidente da Z5, Gilmar da Silva Coelho, 50, conta que a colônia foi fundada pela Capitania dos Portos, mas não é mais vinculada a nenhum órgão público. Sua função é ajudar os cerca de mil associados que pescam naquela região do Jacuí, no Guaíba e na Região Metropolitana com questões burocráticas, como a confecção de documentos, o pagamento de INSS e o encaminhamento do seguro defeso.
A Z5 também sempre teve um papel importante para distribuir ranchos e conceder outros auxílios. Pescador que aprendeu a profissão com o pai, que aprendeu com o avô, Luiz Carlos Maciel, 67, lembra que teve os estudos no ginásio pagos pela Colônia e que até já se abrigou na sede em uma das assombrosas enchentes da Região das Ilhas.
Além da tainha servida na mesa, o almoço de domingo na Colônia Z5 inclui um bufê com pratos como bolinho de arroz, pirão, batata, salada e sobremesa. Custa R$ 40. Não é obrigatório, mas o recomendado é fazer reserva antecipadamente pelo fone (51) 3211-7593, para os funcionários estimarem o número de peixes a preparar. Há barcos de passeio que saem da orla do Guaíba e levam até a Colônia Z5 para a refeição.


















2- Memorial do Legislativo

À direita do Palácio Piratini, fica o prédio mais antigo de Porto Alegre. É chamado de várias formas: antiga Provedoria da Real Fazenda, Casa da Junta, Casa Rosada, antiga Assembleia Legislativa ou Memorial do Legislativo, que tem sido seu propósito desde 2010. O prédio foi construído em 1790, inicialmente com apenas um pavimento, planta retangular e arquitetura colonial. O segundo pavimento foi construído 70 anos depois, em estilo eclético, apagando características luso-brasileiras. Restaram traços como a volumetria, o “ritmo” entre as janelas e porta.
— Porto Alegre foi fundada em 1772 e, um ano depois, começou a construção desse prédio. Inicialmente, aqui se cuidava da fiscalização do dinheiro do Império. Era uma função que se assemelha à de uma Secretaria da Fazenda — conta Debora Dornsbach Soares, coordenadora do Memorial.
O local serviu ainda de cadeia e abrigou o Conselho-Geral da Província, que antecedeu às Assembleias Provinciais. E, em 1835, virou a Assembleia Legislativa da Província. No subsolo do prédio, em uma das estantes de documentos do arquivo, há a ata de instalação da Assembleia, em dia 23 de abril, um manuscrito grafado à pena com tinta ferrogálica. Débora comenta:
— Às vezes, me dá taquicardia pela responsabilidade de cuidar de todo esse patrimônio do Estado.
No andar superior, há um pequeno plenário, usado ainda em reuniões e sessões solenes do Legislativo. Pelas paredes, há fotos de como era a Assembleia, bem ali, em diferentes décadas do século passado, e uma imagem remete a ainda mais longe, ao começo da República no Brasil. O plenário leva o nome de Bento Gonçalves, líder farrapo que foi também deputado, na primeira Legislatura. Atrás da mesa diretora, um retrato ampliado dele chama atenção de quem entra na sala. O Memorial está fechado para visitação em razão da pandemia.


















3- Igreja das Dores

É difícil contar a história de Porto Alegre sem falar da Igreja Nossa Senhora das Dores. Ela está nas fotos mais antigas, nos guias de arquitetura, nas promessas de gerações de devotos e no imaginário popular, como cenário de uma das lendas mais antigas da cidade. Conta-se que Josino, um escravo que participava da construção da igreja, foi acusado injustamente de roubo e condenado à morte.
A sentença foi cumprida na Praça Brigadeiro Sampaio, onde eram penalizados os escravos condenados por seus senhores, de chibatadas à forca. Segundos antes de ter o alçapão aberto sob seus pés e despencar com a corda no pescoço, o homem teria disparado:
— Como prova da minha inocência, vocês nunca vão ver as torres da igreja construídas.
Acredite ou não em maldições, as obras se arrastaram por quase um século. Iniciadas em 1807, só foram terminadas em 1904. As torres remetem ao gótico, sobre um corpo em estilo colonial português. A fachada de elementos ecléticos apresenta nichos e estátuas que representam a Fé, a Esperança e a Caridade, esculpidas e fundidas por João Vicente Friedrichs.
Do lado de dentro, a capela-mor foi concluída em 1813. Tem no topo do altar de 14 metros de altura as imagens de Jesus Cristo crucificado, Nossa Senhora das Dores e João Evangelista. O brasão do calvário, que representa a última dor de Nossa Senhora, foi resgatado recentemente através de um trabalho de reconstituição da camada pictórica e destacado com as luzes. Arquiteto responsável pelas obras, Lucas Volpatto destaca ainda as pinturas do artista Germano Traub como um dos maiores tesouros do local:
— Embora as talhas dos altares se assemelhem muito com a Igreja da Conceição, que tem a mesma autoria do mestre João do Couto e Silva, é nas pinturas das paredes e do teto que ela se destaca como a igreja oitocentista (relativo ao século 19) mais bela de Porto Alegre.
Postulando o título de Basílica Menor, a igreja enviou ao Vaticano recentemente um documento de 52 páginas com fotografias e informações que destacam sua relevância histórica, arquitetônica, cultural e religiosa. Se tudo der certo, o título será concedido pelo papa Francisco, por meio da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.


















4- Santa Casa de Misericórdia

Passando entre duas estátuas de anjo, chamadas de Fé e Esperança, você acessa o pátio interno do Pavilhão Centenário da Santa Casa. É impossível estimar quantas pessoas já recorreram a esse espaço com árvores, vitrais religiosos e uma gruta para respirar fundo e procurar forças antes de retornar aos corredores do hospital. Mesmo no centro de Porto Alegre, a alguns metros da movimentada Avenida Independência, existe paz naquele pátio.
O silêncio ali era ainda muito maior quando a Santa Casa começou a ser construída. O hospital ficava fora da cidade, “bastante afastado”, como escreveu o viajante francês Auguste Saint-Hilaire em 1820. A Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre é o mais antigo hospital do Rio Grande do Sul: fará 219 anos em outubro.
Se hoje o complexo é conhecido pela modernidade de seus processos e equipamentos, os objetos no museu do Centro Histórico-Cultural Santa Casa evidenciam o contraste de gerações. Desde equipamentos cirúrgicos arcaicos até a réplica do que foi a Roda dos Expostos. Era um cilindro oco de madeira, com uma pequena abertura, que girava em um eixo central. Ali eram colocados, com anonimato, bebês que as mães não podiam cuidar.
— Passaram quase 3 mil crianças por essa roda em menos de cem anos — conta a coordenadora do Centro Histórico-Cultural Véra Barroso.
O museu é aberto ao público e não é cobrado ingresso para visitação. Funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e nos sábados, 9h às 16h.


















5- Solar Lopo Gonçalves

Vizinho de bares e casas noturnas em uma das ruas mais agitadas da cidade, o Solar Lopo Gonçalves foi construído para ser uma chácara de veraneio quando a região da Cidade Baixa ficava fora dos limites urbanos do município. Construído entre 1845 e 1855, é uma das raras casas coloniais que resistiram em Porto Alegre, e hoje abriga o Museu de Porto Alegre Joaquim José Felizardo.
A chácara tinha, à frente, a Rua da Olaria (hoje General Lima e Silva), e, aos fundos, a chamada Rua da Margem (João Alfredo), e pertencia ao comerciante Lopo Gonçalves Bastos. Era um português que tinha um armazém de secos e molhados na Praça da Alfândega, uma loja de tecidos no piso inferior do sobrado onde de fato morava, na Rua da Praia, e algumas embarcações em sociedade com seu sogro.
As janelas frontais, hoje em cor verde, têm quadro superior ornado com meias rosáceas. As paredes externas foram construídas em alvenaria de tijolos e, as internas, em estuque (barro, madeira e folhas de palmeira). Acredita-se que o térreo servia como uma espécie de senzala.
— O imóvel é uma referência por idade e características arquitetônicas, por si só já reúne muita história. O Lopo Gonçalves teve escravos, isso foi no final do ciclo da escravatura, e os nomes deles foram pesquisados e estão fixados na sala de exposições — destaca Vicente Bogo, diretor do museu.
O museu inclui um acervo fotográfico de mais de 8 mil imagens e os achados arqueológicos da cidade: conta com mais de 200 mil itens relacionados a diferentes grupos que ocuparam Porto Alegre desde o período pré-colonial.
Suspensas desde o começo da pandemia, a expectativa é de que as visitas sejam retomadas até o aniversário de Porto Alegre, em 26 de março, com duas exposições novas, segundo previsão de Bogo. Hoje, somente pesquisadores têm acesso à parte interna do museu, mediante agendamento. Bogo também busca, via Lei Rouanet, verbas para o restauro do prédio de mais de 150 anos: a intenção é reformar a parte estrutural, telhado, realizar pintura, substituir a parte elétrica, fazer a climatização completa, melhorar a acessibilidade, a iluminação externa e implantar videomonitoramento.


















6- Theatro São Pedro

O lustre já não é de velas – a energia elétrica chegou em 1900, poupando os funcionários do trabalheira de acender toco a toco antes de cada espetáculo. Os costumes também mudaram. Os chapéus e roupas de pele desapareceram do dress code e não mais existe o proscênio, um camarote na lateral do palco onde as famílias mostravam os filhos disponíveis para casamento. Mas o Theatro São Pedro segue, desde 27 de junho de 1858, ecoando aplausos.
Com traços neoclássicos, o prédio foi inaugurado nessa data com o drama Recordações da Mocidade. Era um teatro majestoso em uma cidade 75 vezes menor do que hoje – a população na época era estimada em 20 mil pessoas.
— Eu me pergunto da coragem deles, mesmo com a população da época, construir um teatro assim. Ele foi e continua sendo o grande palco de Porto Alegre, nosso grande centro cultural — destaca o professor emérito da Universidade Federal do RS (UFRGS) Luiz Osvaldo Leite, ex-presidente da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa).
O professor Leite se sente um privilegiado de ter visto muitos dos espetáculos desde a década de 1940. Aos 10 anos de idade, o pai o levou para assistir à ópera Barbeiro de Sevilha. Ainda adolescente, montou um grupo de amigos do Colégio Anchieta que não só marcavam presença em todas as apresentações de ópera como também se amontoavam no hall de entrada ou na porta dos camarotes para conseguir um autógrafo na folha do programa.
Por falar na Ospa, foi no São Pedro que ocorreu a primeira apresentação da orquestra, em 1950, sob o comando do regente Pablo Komlós. Mas o São Pedro também foi marcante para a dança (em 1925, Porto Alegre aplaudia pela primeira vez um espetáculo de dança, com a bailarina belga Félyne Verbist) e até para o cinema. Mesmo sem uma sala adequada, em 1901, ocorreu ali a primeira exibição de uma película de cinema em um espaço fechado em Porto Alegre.
Passaram pelos palcos do São Pedro alguns dos maiores gênios da criação artística do Brasil e do mundo, como o pianista Arthur Rubinstein (duas vezes), o violonista Andrés Segovia, o compositor Heitor Villa-Lobos, o dramaturgo Eugène Ionesco, o diretor Bob Wilson e o compositor e pianista Philip Glass.


















7- Instituto de Educação

As imponentes colunas jônicas e a fachada de linguagem neoclássica não combinam com o estado de abandono e vandalismo que consumiu o Instituto de Educação Flores da Cunha. Fundada em 1869, a mais antiga escola de formação de professores do Brasil está fechada desde 2016 para obras.
A instituição surgiu com o nome de Escola Normal da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Funcionou inicialmente em um edifício na esquina das ruas Duque de Caxias e Marechal Floriano. Desde 1935, está no endereço da Avenida Osvaldo Aranha. O atual nome foi determinado por decreto em 1939, homenageando o governador do Rio Grande do Sul, o general José Antônio Flores da Cunha.
Quando o prédio fechou para reforma, os 1,5 mil alunos foram transferidos para outras escolas. A expectativa era de retornar em 2017. Mas o governo romperia o contrato com a empresa por causa do atraso, perderia os recursos do Banco Mundial por causa dessa demora, contrataria outra empresa, que pararia os trabalhos por falta de pagamento em 2019.
As obras foram retomadas em janeiro, com previsão de término em 15 meses, segundo a Secretaria Estadual da Educação (Seduc). Até o momento, foram executados 18,86% da obra. Na etapa inicial, os reparos estão concentrados na parte interior do prédio. O aporte em recursos do Estado é de R$ 23,4 milhões. O governador Eduardo Leite anunciou que o Instituto de Educação dará lugar a um centro de referência e formação de professores. Ele prometeu um ambiente moderno e interativo.


















8- Antigo Quartel-General

Na fachada de arquitetura eclética da esquina da Andradas com a General Canabarro, no Centro Histórico, está grafada a data de construção do prédio (1906-1908) e o nome de um general. Acima, há o brasão de armas do Brasil, esculturas como a de um soldado armado com fuzil e, no topo de uma pequena torre, uma cúpula azul estrelada lembra a bandeira do país. Trata-se do antigo Quartel-General de Porto Alegre.
Construído em substituição a um prédio colonial de 1775, foi celebrado como um avanço na época da inauguração. A edição do jornal A Federação destacou a iluminação por luz elétrica, a instalação luxuosa e lustres “muito elegantes”.
Hoje, segue sendo um endereço importante para a 3ª Região Militar, abrigando seções administrativas. No Salão Nobre, que tem um piso de madeira, janelas em arco com vitrais coloridos e obras de arte em todas as paredes, ocorrem solenidades. Relíquia do prédio, o elevador de grade sanfonada está parado para manutenção.
Há marcas de tiro na estrutura metálica. Em 3 de outubro de 1930, a unidade militar foi atacada, deflagrando o início da Revolução de 1930. O tenente-coronel Alexandre Lobo, do setor de comunicação da 3ª RM, relata que, após a revitalização da fachada externa e do conserto do elevador histórico, há a intenção de abrir a área à visitação da comunidade sob a coordenação do Museu Histórico do Comando Militar do Sul.


















9- Mercado Público

Passou pela enchente de 1941, por quatro incêndios e por duas pandemias. Considerado o coração de Porto Alegre, o Mercado Público segue pulsando forte e saudável no Centro Histórico há 152 anos. Significa que o Brasil ainda nem era uma república quando suas paredes, em estilo neoclássico, foram erguidas por mão de obra escrava.
Desde aquela época, tem importância inigualável ao povo negro – religiões de matriz africana creem que, na encruzilhada dos quatro corredores centrais, fica o Bará, o orixá que tem o poder de abrir caminhos. Ele foi parar ali após ser assentado, ou seja, fixado em algum objeto por meio de rituais, que estaria enterrado sob o prédio.
O projeto do engenheiro Frederico Heydtmann previa um pavimento apenas (o segundo piso começou a ser feito em 1910). Foi construído em forma de quadrilátero, com torreões nas esquinas e um pátio central. Foi ocupado por armazéns, tavernas, bares, açougues, fruteiras e restaurantes. Incluindo o mais antigo do RS. Conhecido por iguarias como o bolinho de bacalhau, o Gambrinus tem espalhadas por todos os cantos evidências dos seus 132 anos de história.
O pioneirismo não para por aí: bem ao centro do Mercado, a Banca do Holandês é considerada a primeira loja de especiarias da cidade, na banca 31. Fundada em 1919, vende bacalhau, queijos, fiambres nobres, azeites e as mais diversas especiarias. A secretária aposentada Hilda Machado Madeira, 68 anos, era uma das pessoas na fila dinâmica da banca. Como quase todo mundo por ali, tem uma história com o Mercado. Frequenta desde os 12 anos, quando começou a trabalhar em um laboratório de análises clínicas em um prédio ao lado, e fala do Mercado Público como se ele fosse gente:
— Quando eu soube que pegou fogo, fiquei muito triste. Ele faz parte da nossa história.
As obras do Mercado Público foram iniciadas no mesmo ano do incêndio, em 2013, e chegaram a ser completamente paralisadas em 2016 por falta de recursos. Após, houve uma indecisão sobre quem deveria seguir as obras. O governo de Nelson Marchezan pretendia conceder o Mercado à iniciativa privada, mas a gestão de Sebastião Melo abortou esse plano e buscou uma alternativa para reabrir o segundo piso. O andar superior está passando pela última etapa de obras e deve ser reaberto neste semestre, segundo a prefeitura.


















10- Bar Naval

Há duas cadeiras que ninguém usa no Naval. O restaurante exibe as peças de mobiliário na altura do teto, guardando há décadas o lugar do político Glênio Peres e do músico Lupicínio Rodrigues. Dizem que o autor de Se Acaso Você Chegasse, Nervos de Aço e Vingança chegava cedo no bar, se cercava de folhas de papel e tocos de lápis para compor e pedia o de sempre: “Me dá uma cachacinha, camaradinha”.
— Ele era da noite, e a boemia acontecia aqui — comenta o atual proprietário Jader Hack Gomes, 35 anos.
Elis Regina e Carlos Gardel também compuseram o time musical de frequentadores, enquanto Leonel Brizola, João Goulart e até Getúlio Vargas já integraram o de políticos, segundo informações do restaurante.
A história do Naval começou em 1907, criado por um italiano, na mesma sala do Mercado Público que está hoje. Passaria ainda por mãos alemãs até chegar à primeira família de portugueses, os irmãos João Fernandes e Manoel da Costa. É o que explica o cardápio cheio de pratos com bacalhau.
No carro-chefe hoje, que leva o nome da casa, o peixe se junta a polvo, camarões, champignon, batata, pimentão e azeite em uma pequena montanha de felicidade. Após uma reforma, o Naval perdeu os ares de boteco e ganhou sofisticação. O proprietário conta que nas obras foram destacados detalhes originais do lugar, como o teto de cimento e os primeiros azulejos, lá da época em que estava sob direção dos italianos. Mas, independentemente do dono, seja mais popular ou gourmet, o chope bem tirado do Naval continua animando o happy hour no velho Mercado.



















quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Casarão destruído após deslizamento de terra foi a primeira construção de estilo neocolonial de Ouro Preto

Registro mais antigo sobre o terreno do Solar Baeta Neves indica que ele foi adquirido em 1890.

O casarão do século XIX que ficou destruído pelo deslizamento de terra em Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, era a primeira construção de estilo neocolonial da cidade, segundo o prefeito Angelo Oswaldo.
De acordo com informações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o imóvel foi erguido por uma tradicional família de comerciantes às margens do Córrego Funil, próximo à Estação Ferroviária, local que mais se desenvolvia em Ouro Preto antes da transferência da capital para Belo Horizonte.
O registro mais antigo sobre o terreno indica que ele foi adquirido em 1890 pela família Baeta Neves e construído nos dois anos seguintes. A casa tinha pisos em marchetaria e teto em madeira totalmente feito à mão.
O Solar Baeta Neves era protegido pelo Iphan e foi um dos imóveis restaurados pelo Programa Monumenta, do Instituto em parceria com a Prefeitura de Ouro Preto. A obra, que recebeu investimentos de R$ 373,5 mil, foi entregue em 2010.
Em 2012, o casarão, que pertencia ao município e guardava alguns arquivos antigos da Secretaria de Patrimônio referentes a processos de construção, foi interditado, por causa de outro deslizamento.
Procurado pelo g1 Minas para se posicionar sobre o desabamento, o Iphan disse que "o casarão não era tombado isoladamente, mas sim como parte do Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Ouro Preto".
E disse que "o Escritório Técnico do Iphan esteve no local poucos minutos após o desastre, e vem acompanhando o andamento da situação, por meio de troca constante de informações junto à prefeitura municipal e às demais entidades competentes".
O outro imóvel destruído pelo deslizamento de terra era uma casa amarela, de propriedade particular, onde funcionava um depósito, segundo o prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo.

O deslizamento de terra ocorreu no Morro da Forca, localizado no centro histórico de Ouro Preto. Segundo a Defesa Civil Municipal, ninguém se feriu.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta de 8h30 para realizar uma vistoria no local e, devido aos problemas estruturais verificados, toda a área foi evacuada. Pouco depois, às 9h10, o deslizamento ocorreu. Os bombeiros não souberam informar quantas pessoas tiveram que ser evacuadas.
Segundo a corporação, o talude ainda apresenta instabilidade. Se houver outro desmoronamento, há possibilidade de um hotel e um restaurante serem atingidos.

Fonte: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2022/01/13/casarao-destruido-apos-deslizamento-de-terra-foi-a-primeira-construcao-de-estilo-neocolonial-de-ouro-preto-fotos.ghtml
























Fonte das Imagens: Site G1

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Conheça a história da casa "mal-assombrada" do fundador da Renner em Porto Alegre


Casarão fica no complexo do DC Shopping e pode virar espaço cultural

LEANDRO STAUDT

Quando o jovem Anton Jacob Renner decidiu deixar São Sebastião do Caí, procurou local para morar e transferir a fábrica têxtil em Porto Alegre. O bairro Navegantes foi escolhido para a indústria, que depois deu origem às Lojas Renner. O empresário queria morar junto à fábrica. Uma casa "mal-assombrada" estava à venda, mas logo o empresário esclareceu os "eventos sobrenaturais". O complexo industrial começou a ser construído em 1914 e a mudança definitiva ocorreu três anos depois.

O neto Mário Renner conta a história que ouviu o avô contar. Desde o início, A. J. Renner não acreditou na conversa sobre os eventos sobrenaturais. Procurou o dono do imóvel, que alertou sobre o prédio balançar em alguns horários. Mário relata que o avô foi convidado a passar uma noite na casa e aceitou. No final da madrugada, testemunhou o tremor, com quadros balançando nas paredes.

A explicação para tudo aquilo era simples, como descobriu A.J. Renner. A região era alagadiça, perto do Guaíba, com terreno instável. A linha férrea passava perto. Quando o trem cruzava o bairro, tudo tremia. Desfeito o mistério, o negócio foi fechado. O trem partia da estação no Centro, percorria a Avenida Voluntários da Pátria até a Igreja dos Navegantes, de onde seguia pelo atual leito do Trensurb.

A. J. Renner morou com a família na casa do Navegantes até a década de 1930, quando se mudou para nova residência no bairro Moinhos de Vento. O antigo casarão faz parte atualmente do complexo do DC Shopping e está listado no patrimônio histórico. Nos últimos anos, é ocupado pela Mezanino Produções, empresa dos atores e empreendedores Zé Victor Castiel e Rogério Beretta. Eles têm plano de restauração do sobrado e transformação em espaço cultural.

Zé Victor, que lá trabalha, garante que nunca viu fantasmas ou sentiu tremores. A casa da Rua Frederico Mentz não é mal-assombrada.



















Fonte: Do Site

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Vikings chegaram às Américas quase 500 anos antes de Colombo, revela estudo

Pesquisa em sítio arqueológico no Canadá mostra que um grupo de vikings habitou a região há exatos mil anos.

Um estudo publicado na revista científica Nature revelou que os vikings chegaram às Américas quase 500 anos antes de Cristóvão Colombo.

Há 60 anos, um casal de exploradores noruegueses descobriu um sítio arqueológico chamado de “L' Anse aux Meadows”, no nordeste do Canadá. Lá, encontraram vestígios de pelo menos sete casas, muito parecidas com as que os vikings faziam. Os pesquisadores também encontraram muitos objetos que definitivamente eram vikings, como uma abotoadura de bronze que eles usavam para fechar os casacos.

É o único sítio arqueológico viking encontrado no continente americano, hoje uma atração turística. Há anos os cientistas tentam entender em que momento da história eles habitaram esse lugar.

A nova pesquisa analisou três pedaços de madeira usados na construção. Para saber a idade de um pedaço de madeira, os cientistas analisam a concentração de carbono 14. Funciona assim: toda árvore enquanto está viva absorve carbono 14 da atmosfera. Quando a árvore morre, acontece o contrário, ela vai perdendo, todo ano, carbono 14, na mesma quantidade.

Então, se os cientistas descobrem quanto carbono 14 ainda tem numa árvore morta, eles descobrem quando a árvore foi cortada.

Em entrevista ao Jornal Nacional, o geólogo holandês Michael Dee, um dos responsáveis pela pesquisa, diz que esse método não é muito preciso, mas que uma nova descoberta deu aos cientistas o poder de saber exatamente quando a árvore foi cortada, porque, em alguns momentos da história, houve tempestades solares raras. As explosões no Sol aumentaram a concentração de carbono 14 na Terra naquele período.

No microscópio, o pesquisador percebeu que a madeira apresentava marcas de uma tempestade solar que aconteceu no ano 992. E as árvores formam um novo anel por ano. Assim, os pesquisadores determinaram que a árvore foi cortada por um machado viking precisamente no ano de 1021, há exatos mil anos, que foi quando essa vila existiu.

Cem anos antes disso, os vikings colonizaram a Islândia, pequena ilha do Atlântico Norte. As sagas islandesas escritas no século 13 falam de um explorador chamado Leif Ericson, que teria saído da Islândia e encontrado um novo mundo.

Pesquisadores acreditam que seja “L' Anse aux Meadows”. As sagas narram encontros com os povos nativos, mas ninguém sabe o quanto das narrativas fantásticas é mito ou realidade.

Estudos sugerem que um grupo de 100 pessoas morou lá por até 13 anos e depois abandonou tudo e foi para a Groenlândia.

Michael Dee diz que temos agora pelo menos um fato: uma data para esse conto de fadas, que prova que 470 anos antes de Cristovão Colombo colocar o pé na América, um viking foi o primeiro europeu a chegar no Novo Mundo.

Fonte: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2021/10/21/vikings-chegaram-as-americas-quase-500-anos-antes-de-colombo-revela-estudo.ghtml




terça-feira, 10 de agosto de 2021

Sítio Roberto Burle Marx é reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco

23º bem brasileiro a integrar a Lista do Patrimônio Mundial, Sítio é um laboratório de experimentações botânicas e paisagísticas que sintetiza a obra de Burle Marx.

O Brasil acaba de receber mais um título de Patrimônio Mundial. Legado do paisagista brasileiro que criou o conceito de jardim tropical moderno, o Sítio Roberto Burle Marx (SRBM) foi reconhecido por unanimidade nesta terça-feira, 27 de julho, durante a 44ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Realizada em Fuzhou, na China, a reunião foi transmitida via internet para todo o mundo.

Com a nova chancela, o Brasil passa a ter 23 bens inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco, registro dos bens considerados como portadores de valor universal excepcional para a cultura da humanidade. O SRBM foi reconhecido na categoria de Paisagem Cultural, na qual se enquadram bens que referenciam a interação entre o ambiente natural e as atividades humanas, resultando em uma paisagem natural modificada.
Localizado na Barra de Guaratiba, Zona Oeste do Rio de Janeiro (RJ), o Sítio tem 405 mil metros quadrados de área e abriga uma coleção botânica com mais de 3.500 espécies de plantas tropicais e subtropicais, cultivada em viveiros e jardins.

O sítio é uma unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia federal vinculada à Secretaria Especial da Cultura e ao Ministério do Turismo.

“O Sítio Roberto Burle Marx é certamente uma obra de arte, onde as paisagens são o elemento de maior destaque, ligando todo o conjunto com poderosa personalidade. Os espaços ajardinados do Sítio materializam tanto os princípios paisagísticos da obra de Burle Marx quanto os processos de análise, cultivo e experimentação que impulsionaram a criação do paisagismo tropical moderno. A vegetação organizada em diálogos de forma, cor e volume que permeiam todos os ambientes, mas também se articulam e interagem com a mata nativa, com a topografia e os acidentes naturais do terreno e com elementos artísticos e arquitetônicos de diferentes épocas e culturas, resultando numa paisagem notável e singular”, ressalta a diretora do SRBM, Claudia Storino.

Jardins, viveiros de plantas, sete edificações e seis lagos integram este espaço singular. A propriedade também guarda um acervo museológico de mais de três mil itens, que inclui um grande repertório da produção artística de Burle Marx, suas coleções de arte moderna, cuzquenha, pré-colombiana, sacra e popular brasileira, de cristais e de conchas, além do mobiliário e dos objetos de uso cotidiano da casa.

Maior e mais importante registro da obra de Burle Marx, o SRBM recebe cerca de 30 mil visitantes por ano. Conhecido internacionalmente como um dos mais relevantes paisagistas do século XX, Roberto adquiriu o Sítio em 1949 e ali viveu entre 1973 e 1994. Ao longo de 45 anos, reuniu na propriedade plantas de diversas partes do mundo e dos diversos biomas brasileiros, algumas atualmente em risco de extinção.

Todo esse conjunto acaba de passar por uma vasta requalificação, que fortaleceu e subsidiou o processo da candidatura ao título de Patrimônio Mundial. Por meio da Lei de Incentivo à Cultura, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) investiu aproximadamente R$ 5,4 milhões em projetos e intervenções para valorizar espaços de visitação, implementar medidas de acessibilidade, ampliar o acesso público e potencializar ações de pesquisa. Fruto de parceria firmada entre o Iphan e a Associação Intermuseus, associação civil sem fins lucrativos (Oscip), a requalificação iniciou em outubro de 2018 e foi concluída em fevereiro de 2021.

Na articulação entre espaços ajardinados, arquitetura e acervo botânico, o SRBM testemunha de forma única o pensamento de Roberto Burle Marx e sua contribuição para um importante momento da história da humanidade - o período moderno do século XX -, que se materializou na arquitetura, nas artes, no planejamento urbano e, mais especificamente, na criação de paisagens.

Burle Marx foi pioneiro na luta pela conservação da natureza e ferrenho defensor do ambiente. Compreendendo desde cedo o potencial estético e a importância científica da flora tropical, introduziu o uso de espécies nativas em seus projetos paisagísticos, criando o conceito de jardim tropical moderno, alinhado ao movimento moderno na arquitetura e nas artes, que produziu grande impacto no campo mundial do paisagismo.

Claudia Storino explica que há camadas de conhecimento científico que precedem e permeiam os jardins. “Evidenciando essa dimensão conceitual, Burle Marx referia-se ao Sítio como o seu ‘cadinho’. Essa metáfora não é força de expressão ou referência fortuita. A energia depositada na constituição de sua coleção botânica; sua concentração na construção do conhecimento científico necessário ao cultivo, à reprodução e à utilização das espécies; a dedicação intensa e permanente à realização dos experimentos, juntando os diversos elementos vegetais sob os determinantes naturais de terra, água e luz, em busca dos resultados estéticos que o tempo se encarregaria de amadurecer. Tudo isso traça paralelos com o trabalho dos alquimistas. No caso da produção do jardim tropical moderno, o Sítio foi de fato o cadinho, ou crisol, onde os elementos foram misturados de modo a produzir uma obra nova, com novos princípios e nova expressão plástica”, esclarece a diretora.

Etapas da candidatura

O processo de construção de candidatura começou com a inscrição na lista indicativa brasileira a Patrimônio Mundial, em 2015. Desenvolvido pelo Iphan com a contribuição de muitos parceiros, o dossiê final do Sítio Burle Marx foi entregue à Unesco em janeiro de 2019. O documento defende o valor da propriedade como laboratório botânico e paisagístico.

No segundo semestre de 2019, o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos) realizou a “missão de avaliação” no Sítio, parte importante do processo de candidatura. A visita se desdobrou no relatório final, que subsidiou a análise pelo Comitê do Patrimônio Mundial.

O título da Unesco cria um compromisso internacional de preservação do local. Um dos próximos passos será a formalização de um plano de gestão para o Sítio e seu entorno, na perspectiva do patrimônio mundial, envolvendo diversas instituições governamentais e atores da sociedade civil e definindo a matriz de responsabilidades de todos os parceiros. O plano mapeará riscos e apontará ações para minimizar possíveis ameaças ao valor universal excepcional do SRBM.

O ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, destaca que o Sítio Roberto Burle Marx é um importante Patrimônio Cultural brasileiro tombado pelo Iphan, e a sua inscrição como Patrimônio Cultural Mundial reforça a sua importância também para o mundo. “A chancela representa o reconhecimento sobre a importância do Sítio também para a humanidade, aumentando os compromissos com a sua proteção, conservação e gestão, o que deve atrair ainda mais visitantes para conhecer este, que é um dos mais importantes registros da influência e da obra do artista Roberto Burle Marx”, disse Machado Neto.

A história do Sítio

Em 1949, Roberto Burle Marx e seu irmão Guilherme Siegfried compraram o imóvel com a finalidade de abrigar coleção botânica, testar novas associações de plantas e cultivar mudas. A partir de então, a casa foi sucessivamente reformada e ampliada; foram construídos a Loggia, o Salão de Festas (conhecido como Cozinha de Pedra), a Casa de Pedra, o Prédio da Administração e o Ateliê; a Capela de Santo Antônio da Bica, do século XVII, foi restaurada e mantida em uso pela comunidade.

No ano de 1985, Burle Marx doou o Sítio ao governo federal a fim de assegurar sua preservação, a continuidade das pesquisas, a disseminação do conhecimento adquirido e o compartilhamento daquele espaço único com a sociedade. Após a morte do artista em 1994, o sítio passou a ser gerido pelo Iphan e se tornou um centro cultural.

O legado de Burle Marx

Nascido em 1909, em São Paulo, Burle Marx foi criado no Rio de Janeiro, onde faleceu em 1994. Com milhares de projetos espalhados pelo mundo, concebeu paisagens de grande destaque no país, como os jardins do Complexo da Pampulha, em 1942; o jardim do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1954; o paisagismo do Aterro do Flamengo, em 1961; os jardins da sede da Unesco, em Paris, e o famoso traçado do “calçadão” de Copacabana, em 1970.

Além de paisagista, Burle Marx foi também artista plástico, pintor, escultor, designer de joias, figurinista, cenógrafo, ceramista e tapeceiro. Todas as facetas da sua obra podem ser apreciadas no SRBM, um grande laboratório de experimentações botânicas e artísticas.
Na propriedade também se encontram exemplares das 34 espécies que possuem relação direta com Burle Marx: duas delas descritas diretamente pelo paisagista, 16 nomeadas em homenagem a ele e outras 16 cujas descrições utilizaram materiais coletados nas expedições promovidas por Roberto.
Parte do acervo museológico do Sítio está disponibilizada em um banco de dados específico para registro, gestão, pesquisa e acesso público. Consulte aqui e conheça também o folheto do SRBM.

SÍTIO ROBERTO BURLE MARX:
Estrada Roberto Burle Marx, No. 2019 - Barra de Guaratiba CEP: 23020-255 - Rio de Janeiro/RJ Tel.: (21) 2410.1412
Agendamento de visitas por e-mail: visitas.srbm@iphan.gov.br
Devido à pandemia, as visitas estão acontecendo em pequenos grupos, de 3ª feira a sábado, às 13h, 13h30 e 14h. São obrigatórios uso de máscaras, higienização das mãos, álcool em gel e distanciamento.
Crédito da imagem 1: Marlon da Costa Souza
Crédito das imagens 2, 3, 4 e 5: Oscar Liberal / Iphan













  • sábado, 26 de junho de 2021

    Uma cidade, vários estilos: guia ajuda a encontrar tesouros da arquitetura em Porto Alegre

    Criado por dois arquitetos, ArqPOA é um site que reúne fotos e curiosidades de cem obras da Capital

    Mesmo que pouca gente escute, a história de Porto Alegre é contada todos os dias pelo cimento, pelo aço, pelos tijolos. No mesmo quarteirão, é possível voltar ao século 18 com um sobrado luso-brasileiro, fotografar um prédio centenário de inspiração neoclássica e entrar em uma obra da arquitetura moderna.

    — Cada geração grava seu depoimento na arquitetura da cidade — grafa a arquiteta Luisa Durán Rocca, professora do Departamento de Arquitetura e do programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

    Entender o que informam as linhas, as janelas ou o detalhe do telhado de uma construção demanda algum trabalho, mas habilita a viver um caça-tesouros interessante. E, desde maio, há um mapa para ajudar nessa busca, acessível na tela do celular.

    riado pelos arquitetos e urbanistas Rodrigo Poltosi e Vlademir Roman, o Guia ArqPOA é um site que reúne dezenas de obras de arquitetura e urbanismo que se destacam em Porto Alegre. O usuário escolhe algum prédio no mapa da cidade e confere fotografias e curiosidades sobre ele, gratuitamente.

    O material já havia sido lançado em formato de livro em 2017, mas na versão digital possibilita a colaboração de novos autores.

    — Tem vindo contribuições de arquitetos e estudantes e sugestões de pessoas de outras áreas. Já estamos recebendo informações para aumentar o guia — conta Poltosi.

    Os arquitetos destacam que São Paulo, Rio de Janeiro, Montevidéu, Buenos Aires e até Pelotas e Caxias do Sul já tinham seus guias de arquitetura, e eles sentiam falta de um registro abrangente na capital gaúcha.

    — O objetivo do guia online é aumentar o relacionamento das pessoas com a cidade, fazer com que elas aprendam a olhar e passem a conhecer e valorizar seu patrimônio arquitetônico. A cidade é um livro de pedras. Se a gente não lê, não a reconhece como cultura e testemunho da história — diz Roman, parafraseando o filósofo Walter Benjamin.

    De uma lista inicial de 200 espaços, os arquitetos selecionaram cem. Priorizaram locais possíveis de visitar, para que o material fosse consumido por moradores e turistas, não só por arquitetos. O projeto foi desenvolvido a partir de um edital lançado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU-RS), através do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RS).

    O Guia

    Pode ser acessado gratuitamente neste link. Já há cem obras arquitetônicas, urbanísticas, paisagísticas, históricas e culturais de Porto Alegre cadastradas, mas a ideia é que a relação seja ampliada. Qualquer pessoa pode participar, submetendo resumos de edificações que ainda não constem no acervo ou em eventuais correções e sugestões. Essa interação se dá por meio de um botão no canto direito do site, “colabore”.

    Aprenda a "ler" a arquitetura de Porto Alegre

    Entenda quais são os estilos e as referências mais importantes da arquitetura de Porto Alegre e o que eles podem ensinar sobre a história da capital gaúcha

    Luso-brasileiro


















    Solar Lopo Gonçalves foi construído entre 1845 e 1855 e hoje abriga o Museu de Porto Alegre Joaquim FelizardoMateus Bruxel / Agencia RBS

    Também conhecidos como coloniais, os prédios de estilo luso-brasileiro são os mais antigos da cidade: remontam ao começo de Porto Alegre, nos séculos 18 e 19. Os portugueses trouxeram as correntes estilísticas da Europa, adaptando-as aos materiais que encontraram na cidade.

    Caracterizavam-se por paredes em taipa ou alvenaria com pintura de cal, janelas guilhotina, de arco abatido, e pelas casas alinhadas em fita, com poucas aberturas, muito simples.

    Havia diversos exemplares desse estilo na área central, mas muitos foram postos abaixo na virada do século 19 para o 20, destaca o presidente do departamento do Rio Grande do Sul do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS), Rafael Passos. Pela renovação, e talvez também pelo desconhecimento da sua importância, foram demolidos.

    O Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, na Cidade Baixa, é um dos sobreviventes. Chamado de Solar Lopo Gonçalves, foi construído entre 1845 e 1855, com porão alto e acesso pela escadaria lateral. As janelas frontais têm quadro superior ornado com meias rosáceas. As paredes externas foram construídas em alvenaria e, as internas, em estuque (barro, madeira e folhas de palmeira).

    Eclético


















    Theatro São Pedro - Mateus Bruxel - Agência RBS

    Porto Alegre viveu uma transformação arquitetônica no começo do século 20, abusando de um estilo que resulta da fusão de vários: o eclético. Especialista em conservação e restauro do patrimônio cultural e professor da Uniritter, Lucas Volpatto destaca que arquitetos como o alemão Theo Wiederspahn trouxeram da Europa para Porto Alegre esse mix de estilos.

    Claro que os prédios podem ter linguagens predominantes, como o neoclássico, uma releitura da arquitetura grega, vista na simetria, nas colunas, no frontão — a Cúria Metropolitana, o Palácio Piratini e o Theatro São Pedro são alguns exemplos encontrados na Capital. Já o antigo prédio dos Correios e Telégrafos, hoje Memorial do Rio Grande do Sul, e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs) têm forte influência barroca, e a Catedral Metropolitana pende ao neorrenascentismo.

    Mais tarde, ainda viria a art déco. Volpatto lembra que ela chegou com o centenário da Revolução Farroupilha e sua mastodôntica exposição no parque da Redenção, em 1935. É caracterizada pelas linhas retas ou geométricas e pela simplicidade na ornamentação. A Paróquia São Geraldo, no 4º Distrito, e o Posto de Saúde Modelo, no bairro Santana, são exemplos de art déco.

    A professora da UFRGS Luísa Rocca também destaca a incidência da art nouveau, expressão francesa para “arte nova”. Esse usa referências a formas naturais, não só de flores e plantas, mas de linhas curvas. Como no Observatório Astronômico da UFRGS, de 1908.

    A Casa Godoy, na Avenida Independência, perto da Rua Barros Cassal, é outra obra em art nouveau relacionadas pelo Guia ArqPOA. Esse casarão de 1907 tem frontões curvos e vazados, vitrais, molduras das aberturas curvas e painéis com elementos fitomórficos, com formatos de vegetais tropicais na parte inferior e de carvalho no frontão, onde linhas curvas emolduram a figura de um corvo.

    Modernismo


















    Palácio da Justiça - Mateus Bruxel - Agência RBS

    É inevitável lembrar de Oscar Niemeyer ao pensar em modernismo no Brasil. Esse estilo, em que o aço e o concreto começam a ser utilizados de maneiras inovadoras, chegou pela década de 1950 a Porto Alegre, seguindo referências do que estava sendo feito no Rio de Janeiro. Demorou um pouco para ganhar o solo gaúcho porque o eclético bombava no Estado na primeira metade do século 20.

    — A sociedade gaúcha estava feliz com a arquitetura dos imigrantes. Resistiu a trocar profissionais maduros, que eles já sabiam que dava certo, por guris recém-formados que vêm do Rio — explica a professora Luisa Rocca, da UFRGS.

    O Palácio da Justiça, o Museu Iberê Camargo e o Centro Administrativo Fernando Ferrari são algumas das obras mais importantes do modernismo na cidade. O prédio que abriga as secretarias do Estado tem 22 pavimentos: as fachadas norte e sul apresentam grandes janelas em fita, enquanto as fachadas leste e oeste são grandes empenas curvas em concreto, fazendo uma referência à arquitetura de Niemeyer.

    E a cidade tem também um original dele, considerado o maior arquiteto do país. Localizado atrás da Federação Gaúcha de Futebol, o Memorial Luiz Carlos Prestes é uma edificação circular fechada com placas de vidro, que lembra uma nave flutuando. Uma rampa vermelha circunda parte do prédio até o seu acesso. A obra, a única de Niemeyer na Capital, foi inaugurada em 2017.

    Contemporâneo


















    Slice House, na esquina da Bastian com a Rua Baronesa do Gravataí, no bairro Menino DeusMateus Bruxel / Agencia RBS

    A arquitetura contemporânea, que brilha nos dias de hoje, busca uma continuidade do modernismo, segundo a professora a UFRGS Luisa Rocca, dentro de um leque infindável de propostas. Luisa explica que esse estilo está mais focado no processo do que na forma.

    — Uma coisa muito importante é a questão da sustentabilidade. Há obras contemporâneas comprometidas com os recursos naturais — acrescenta.
    Muitas vezes, as obras desse período têm formato irregular, janelas em grandes dimensões e, é claro, o apelo ao uso de materiais reutilizáveis. Na esquina da Bastian com a Rua Baronesa do Gravataí, no bairro Menino Deus, a pequena e residencial Slice House (“fatia de casa”, em inglês) foi uma das mapeadas pelo guia ArqPOA. Com uma geometria prismática complexa, a estrutura de concreto moldada in loco é utilizada como planos que se desdobram, não sendo possível distinguir elementos estruturais como colunas e vigas, que acabam se fundindo ao corpo da casa. Os acabamentos metálicos também chamam atenção.

    Fonte da Matéria e das Imagens: https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2021/06/uma-cidade-varios-estilos-guia-ajuda-a-encontrar-tesouros-da-arquitetura-em-porto-alegre-ckqbc97gl001w01802efpfrpo.html

    sábado, 5 de junho de 2021

    Arquitetura mais antiga do mundo conta uma nova história do surgimento da civilização

    Localizado no sudeste da Turquia, o Göbekli Tepe, de 11 mil anos, é considerado o templo mais antigo do mundo, superando em muito o Stonehenge, na Inglaterra, e as pirâmides egípcias. O antigo local, listado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em julho de 2018, antecede a cerâmica, a escrita e a roda, levando arqueólogos como Klaus Schmidt a considerar se Göbekli Tepe pode ser, de fato, não apenas a primeira arquitetura do mundo, mas um catalisador crucial para o surgimento da civilização.

    Espalhado por oito hectares perto da cidade de Sanliurfa, Göbekli Tepe é uma colina artificial que abriga uma série de estruturas circulares enterradas, adornadas com esculturas de calcário, que se acredita terem sido ocupadas por milhares de anos antes caírem no abandono.

    A estrutura de 11 mil anos de idade foi encontrada pela primeira vez na era moderna por uma equipe de antropólogos da Universidade de Chicago e da Universidade de Istambul na década de 1960. No entanto, seu significado só foi verdadeiramente revelado pelo arqueólogo alemão Klaus Schmidt em 1994.

    O sítio contêm enormes esculturas de pedra feitas na pré-história sem o auxílio de ferramentas de metal, cerâmica ou técnicas agrícolas. Sem evidências de que pessoas residiram permanentemente no lugar, acredita-se que o Göbekli Tepe fora um local de culto sem precedentes, ou, como Schmidt descreve, a primeira "catedral" da humanidade.

    Anos de escavações revelaram lentamente colunas de calcário monolíticas em forma de T, dispostas em círculos, com colunas maiores, até cinco metros de altura, localizadas em seu centro. Uma vez que os anéis de pedra eram entalhados, colocados na vertical e finalizados, os construtores da pré-história os cobriam com terra, para então construir o próximo anel a partir da altura do anterior.

    Com o passar do tempo, esse ato repetitivo resultou em um local de adoração no topo de uma colina. As esculturas abstratas de figuras humanas e animais nos pilares de pedra são particularmente fascinantes, dado que foram produzidas seis mil anos antes da invenção da escrita. Ao passo que Schmidt está certo de que Göbekli Tepe fora uma estrutura religiosa, uma teoria definitiva de qual era sua função, a quem se dedicava, ou quem está ali enterrado, continua inexistente.

    O debate sobre Göbekli Tepe gira menos em torno de sua função e mais em torno de seu potencial de inverter nossa compreensão de como a civilização se desenvolveu. Especialistas há muito argumentam que o tempo, o planejamento e os recursos necessários para construir essas estruturas só seriam possíveis em uma sociedade rural já assentada. A descoberta de Göbekli Tepe leva Schmidt a teorizar o contrário - que o desejo de construir obras arquitetônicas tão intrincadas pode ter sido o catalisador para o desenvolvimento de sociedades complexas e sedentárias.

    Schmidt argumenta que Göbekli Tepe teria exigido centenas de mãos, o que exigiria moradia e alimento. Embora a descoberta de ossos de animais no local sugerisse que caça acumulativa ainda era uma prática comum na época, esse método por si só não poderia ter sustentado a força de trabalho necessária para construir um templo tão elaborado.

    Schmidt acredita que os construtores de Göbekli Tepe estavam à beira de uma grande mudança na forma como as pessoas viviam, com evidências de caça acumulativa combinada com agricultura básica, como ovelhas selvagens e grãos com potencial de cultivo.

    A descoberta de animais domesticados e grãos em uma aldeia pré-histórica próxima, supostamente 500 anos mais nova, sugere que a construção de Göbekli Tepe coincidiu com um movimento revolucionário crucial em que os humanos passaram de caçadores nômades às sociedades sedentárias agrárias - que acabariam se tornando a gênese dos assentamentos urbanos que conhecemos hoje.

    Fonte da Matéria e das fotos: https://www.archdaily.com.br/br/900962/arquitetura-mais-antiga-do-mundo-conta-uma-nova-historia-do-surgimento-da-civilizacao?ad_medium=gallery





    sexta-feira, 4 de junho de 2021

    O Legado de Jaime Lerner

    Em 2010, foi escolhido pela revista “Time” como um dos 25 pensadores mais inovadores do mundo, e pela revista Planetizen (EUA) como o segundo urbanista mais importante do mundo (depois de Jane Jacobs)

    O Brasil perde mais de um seus arquitetos e urbanistas que conquistaram reconhecimento mundial por meio de sua prática profissional e de gestor público inovadora e ousada. É com consternação que o CAU Brasil noticia que morreu hoje o arquiteto e urbanista Jaime Lerner, autor de grande projetos urbanos e de edificações, que foi três vezes prefeito de Curitiba, duas vezes governador do Paraná e presidente da União Internacional dos Arquitetos (UIA). Em 2010, foi escolhido pela revista “Time” como um dos 25 pensadores mais inovadores do mundo, e pela revista Planetizen (EUA) como o segundo urbanista mais importante do mundo (depois de Jane Jacobs). Sua mais recente obra de destaque foi Parque Urbano da Orla do Guaíba, em Porto Alegre, inaugurada em 2018.

    Em nota de pesar, a presidente do CAU Brasil, Nadia Somekh, ressaltou que o arquiteto “era querido em todo mundo, não apenas entre os colegas de ofício, em reconhecimento pela transformação de Curitiba em exemplo de cidade planejada para pessoas, integrando urbanismo com políticas culturais e econômicas. O legado de Jaime Lerner vai além, por seus trabalhos em outras cidades do país e do exterior, e como pensador de questões urbanas com grande poder de comunicação e ressonância”.

    Nascido em Curitiba (1937), formou-se na mesma cidade, pela Universidade Federal do Paraná, em 1964. Destacou-se rapidamente em concursos de Arquitetura e Urbanismo no Brasil e no mundo. Em 1967, ele venceu o Concurso Nacional de Projetos para o Edifício-Sede da Polícia Federal, em Brasília. Ficou em segundo lugar no Concurso Internacional Eurokursaal (Espanha) e no “International City Design Competition”, da University of Wisconsin (EUA), além de vários prêmios do Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB, seções estadual e nacional.

    Sua imagem, porém, é mais conhecida pelo seu trabalho como prefeito de Curitiba. No seu primeiro mandato, em 1971, Jaime Lerner iniciou as transformações da cidade e implantou o Sistema Integrado de Transporte Coletivo, reconhecido internacionalmente pela sua eficiência, qualidade e baixo custo. Tinha apenas 33 anos de idade. Na época, Curitiba passou a pautar três transformações básicas: a física (reestruturação de vias, zoneamento e uso do solo, e sistema de transporte coletivo), a cultural (o curitibano assume sua identidade com a cidade, a partir do calçadão de pedestres da Rua das Flores, dos parques, do Teatro do Paiol e da Fundação Cultural de Curitiba) e a econômica (puxada pela implantação da Cidade Industrial de Curitiba). Foi reeleito mais duas vezes, em 1979 e 1989.

    GOVERNADOR DO PARANÁ E PROFESSOR

    Depois, assumiu dois mandatos consecutivos como governador do Paraná (1995-2002). Entre diversas iniciativas, criou o primeiro fundo brasileiro, através do Programa “Paraná Urbano” destinado exclusivamente para a melhoria da qualidade de vida nos municípios paranaenses: construção de praças, creches, centros de saúde, iluminação pública, pavimentação de ruas, transporte escolar, etc. Com as “Vilas Rurais”, o governo e as prefeituras implantaram 412 comunidades atendendo a 16.000 em casas de alvenaria de 44,5 m2, água e energia elétrica. Somando-se os programas de moradia urbana, totalizaram-se mais de 57.000 unidades habitacionais em 350 cidades.

    Desenvolveu planos urbanísticos para várias cidades do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador, Aracaju, Natal, Goiânia, Campo Grande e Niterói; prestou assessoria internacional para cidades como Caracas (Venezuela), San Juan (Porto Rico), Shangai (China), Havana (Cuba) e Seul (Coréia do Sul), e foi consultor em assuntos urbanos para as Nações Unidas. Em 2007 recebeu da XI Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires o prêmio conjunto pela urbanização do bairro Pedra Branca; e em 2009 o Prêmio Brasil Olímpico, agraciado pelo Comitê de Candidatura Rio 16, pela participação no desenvolvimento do Projeto BRT e por serviços de consultoria à cidade do Rio de Janeiro relativos a sua candidatura a sede olímpica.

    No campo da educação, foi professor da faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná, e professor convidado e conferencista nas universidades americanas de Berkeley (Califórnia), Cincinnati, Columbia (NY), e na universidade japonesa de Osaka, além de conduzir seminários em diversos países como Colômbia, Porto Rico, Espanha, Reino Unido, Japão, EUA e China.

    SEMPRE PRODUTIVO

    “Estou sempre com um brinquedo novo”, disse o arquiteto na II Conferência Nacional de Arquitetura e Urbanismo, promovida pelo CAU Brasil em 2017. “Procuro fazer de cada dia uma alegria. Não faço nada que não seja por prazer. Tenho encontrado tantos colegas que pensam a mesma coisa, e isso me dá uma alegria que não se paga”. Na ocasião, deu lições poderosas sobre otimismo, inovação e a construção de cidades mais justas e sustentáveis. “Temos que ter a coragem de fazer coisas simples e imperfeitas. A Arquitetura as vezes é um compromisso com a simplicidade e imperfeição. Temos que ter orgulho da nossa constelação de arquitetos-estrelas, mas precisamos mais de uma constelação de arquitetos preocupados com as cidades. Menos ego-arquitetos, mais eco-arquitetos”, afirmou.

    Para ele, rapidez é uma atribuição muito importante para os arquitetos e urbanistas. “Por isso começamos com a ideia de acupuntura urbana, transformações rápidas com uma atuação pontual que pode criar uma sinergia para melhorar a cidade. Às vezes nós demoramos porque queremos ter todas as respostas, não podemos ser tão prepotentes assim”, explicou. “Precisamos entender que planejamento é uma trajetória onde nós podemos começar mas temos que deixar que a população nos corrija quando estivermos no caminho errado. Começar, fazer rápido. Queremos discutir demais, perdemos a oportunidade da mudança”. Para ele, a solução para as cidades está em apenas três medidas: (i) usar menos carros; (ii) morar perto do trabalho; e (iii) separar e reciclar o lixo.

    “O brasileiro fica encantado com as cidades europeias, mas não reproduz as soluções aqui. Quando chega de volta ao Brasil, volta a querer separar, dar prioridade ao automóvel, volta a se entregar a soluções que não vão fundo no problema”, disse em entrevista à BBC Brasil. Para quem quer conhecer mais da obra do arquiteto e urbanista, uma boa dica é começar pelo documentário “Jaime Lerner – Uma história de Sonhos”, lançado em 2016.

    Fonte: https://www.caubr.gov.br/falece-o-arquiteto-e-urbanista-jaime-lerner-ex-prefeito-de-curitiba/










































    Fonte das imagens: Site CAU BR


















    Sistema de transporte de BRT foi criado por Jaime Lerner. — Foto: Cesar Brustolin/SMCS - Fonte: Site G1