sexta-feira, 6 de maio de 2016

Restauro do Palácio Capanema valoriza ícone da arquitetura moderna

Como parte das atividades comemorativas de 80 anos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), representantes da instituição realizam no próximo dia 5 de maio uma visita às obras de restauro e revitalização em curso no Palácio Capanema, no Rio de Janeiro, exemplar icônico da arquitetura moderna brasileira. Participam a presidente da instituição, Jurema Machado, e seus diretores, os membros do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, superintendentes, diretores de unidade, ex-presidentes, ex-servidores e especialistas, muitos dos quais contribuíram com a valorização do edifício. A visita e a apresentação sobre o projeto acontecem às 14h e podem ser acompanhadas pela Internet no link.
Financiado pelo PAC-Cidades Históricas, o Projeto de Restauração e Modernização do Palácio Gustavo Capanema é coordenado pelo Iphan, por meio de equipes multidisciplinares formadas por especialistas da instituição e profissionais de escritórios contratados. A ação inclui um plano para revisão do programa de uso do monumento, privilegiando a sua vocação cultural e sua identidade como marco do movimento moderno brasileiro. O objetivo é que o prédio se torne um centro cultural com uma dinâmica própria, promovendo a interação do público com as bibliotecas, os arquivos e oferecendo programas educativos, concertos, exposições, performances, instalações e manifestações artísticas contemporâneas. 
A antiga sede do Ministério da Educação e Saúde Pública (MES) foi projetada pelo arquiteto urbanista Lúcio Costa e sua equipe, composta por Carlos Leão, Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcellos, Jorge Moreira, Oscar Niemayer, em 1937, ano de criação do Iphan e do marco regulatório da proteção ao patrimônio cultural brasileiro. A equipe teve como referência estudos feitos por Le Corbusier, que esteve no Brasil em 1936, convidado pelo Ministro Gustavo Capanema. O edifício foi construído entre 1937 e 1945 e sua estrutura foi projetada pelo engenheiro Emílio Baumgart. 
O prédio está parcialmente fechado para visitação - a restrição não abrange os serviços prestados ao público pelo Iphan, Funarte, Biblioteca Nacional, Fundação Cultural Palmares e a representação do Ministério da Cultura – desde abril de 2013, com o início dos trabalhos.
Etapas
A primeira etapa das obras, finalizada em 2014, compreendeu a substituição dos seis elevadores, os serviços de impermeabilização da cobertura, dos terraços-jardins, a restauração do gnaisse (espécie de pedra) das fachadas Leste e Oeste e das colunas do térreo e a recuperação dos jardins-terraços projetados por Burle Marx em 1982.
Na fase atual, iniciada em janeiro de 2015, o esforço concentra-se nas fachadas, compreendendo a restauração dos sistemas das esquadrias de estrutura metálica de aço carbono, a substituição das pastilhas conforme o projeto original e a recuperação do sistema dos brises-soleils (para-sóis externos das janelas). A restauração dos elementos construtivos das fachadas Sudoeste e Noroeste irá permitir o resgate do sistema de ventilação cruzada concebido por Dr. Lúcio Costa - um dos atributos arquitetônicos de maior relevância do monumento. As esquadrias e os brises-soleis não funcionavam mais na sua totalidade, causando intenso calor nos ambientes internos de trabalho. 
Após a conclusão dos trabalhos na fachada, como terceira e última etapa, serão realizados os projetos de restauração e modernização dos espaços internos da construção que abrange em um único projeto cultural o urbanismo, a arquitetura, o paisagismo e as artes plásticas. Os painéis de azulejos, o afresco Ciclos Econômicos e a têmpera Jogos Infantis de Portinari, as escultura de Bruno Giorgi, Celso Antônio, Adriana Janacópulos fazem parte do acervo de artes plásticas integrado à arquitetura do monumento, que receberá tratamento de conservação e restauro. Para esse momento da obra, um programa educativo prevê a visitação do público durante os trabalhos de restauração por meio do Atelier Aberto.
O grande volume de documentação e registros fotográficos presentes nos arquivos do Iphan são as fontes de pesquisa e de informação que subsidiam a restauração, assim como as escolhas e as decisões de projeto. Um dos grandes desafios do projeto foi encontrar a solução técnica para a climatização 
do edifício que fosse coerente com o conceito original arquitetônico. Assim, preservando as soluções da sua arquitetura bioclimática adotada pela equipe coordenada pelo Lúcio Costa, o sistema de ventilação cruzada natural será mantido nos meses de temperaturas amenas da cidade, permitindo que a brisa da baía da Guanabara entre no edifício, circule nos espaços internos, de modo a impulsionar a saída do ar quente dos ambientes pela fachada noroeste. O sistema de ar condicionado deverá ser acionado apenas nos meses de calor. Entretanto, as áreas que abrigam as bibliotecas e os arquivos históricos serão climatizadas por sistema mecânico com controle de temperatura e umidade durante todo o ano, diante da necessidade de conservação de seus acervos.
História e projeto original
Há 79 anos, em 24 de abril, o então ministro da Educação e Saúde Pública Gustavo Capanema lançou a pedra fundamental na solenidade de início das obras. O edifício foi aclamado como a primeira obra da arquitetura moderna de caráter monumental a consolidar os cincos princípios básicos corbuseanos: planta livre, fachada livre, pilotis, terraço-jardim e janelas em fita. O Palácio Capanema também se destaca pela singular incorporação dos postulados da arquitetura moderna e das inovações tecnológicas nas instalações, por meio da aplicação dos conceitos revolucionários da arquitetura bioclimática na edificação de dimensões monumentais, com o objetivo de promover a eficiência energética e o conforto ambiental do usuário, tanto térmico quanto de iluminação.
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Palácio Gustavo Capanema - Rio de Janeiro - Foto Oscar Liberal - Site Iphan

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Casa de Chico Mendes, no Acre, recebe reforço na proteção e preservação

A Casa de Chico Mendes, em Xapuri (AC), está recebendo reforço nas sua preservação e conservação. Além das obras de restauro iniciadas este mês, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) publicou nesta quarta-feira, dia 28 de abril, noDiário Oficial da União a Portaria nº 134 que dispõe sobre a poligonal de entorno do monumento. A casa, único bem tombado como patrimônio cultural nacional no estado, representa o local onde o líder seringueiro viveu os últimos anos de sua vida e foi assassinado em retaliação à sua luta em favor do modo de vida das populações da floresta.
O objetivo principal da portaria é garantir a preservação da visibilidade da casa de Chico Mendes, desobstruindo as visadas preferenciais. A norma estabelece uma área na vizinhança onde as intervenções serão controladas por critérios específicos. Com a medida, ficam preservadas as relações entre a casa e os meios ambiental e paisagístico, que remetem ao singelo ambiente urbano à época de vida e assassinato do líder seringueiro. 
Com as obras, a Casa de Chico Mendes recebe reforço estrutural dos pilares e amarrações nas junções da estrutura, para que no caso de eventuais novas enchentes sua estabilidade esteja garantida. Também será feita a microdrenagem ao redor da edificação para minimizar os efeitos da umidade sobre os pilares de madeira.  As partes da edificação que estão com danos irreversíveis terão a madeira substituída ou complementada com enxerto ou preenchimento. 
Quanto à proteção da área, o perímetro de entorno compreende parte das ruas Dr. Batista de Morais, Pio Nazário, Deocleciano Lago, Benjamin Constant e Major Salinas, com alguns de seus lotes adjacentes. Os critérios que passam a valer dependem da localização específica de cada intervenção. As regras podem incluir manutenção da pavimentação característica das vias carroçáveis em tijolos cerâmicos, controle para a colocação de elementos de infraestrutura, paisagismo, sinalização ou equipamentos diversos, controle na supressão da arborização, limite de altura máximo para edificações variando entre 4,30m ou 8m, dependendo do setor, e recuos obrigatórios, além de restrições específicas para equipamentos publicitários.
As intervenções no bem tombado foram aprovadas pelo Iphan, que contratou o projeto de restauro em 2014. A ação foi interrompida por conta de uma enchente, no início de 2015. Após a licitação, ainda em 2015, o Iphan decidiu por iniciar a obra após o fim do inverno amazônico, período chuvoso que vai de dezembro a abril, para evitar que a Casa fosse atingida por uma nova alagação durante os trabalhos.
Sobre a Casa
Foi na Rua Batista de Moraes, nº 10, Setor 1, Distrito 1, Lote 290, no centro de Xapuri, que o líder sindical e seringueiro Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes, passou os últimos dois anos da sua vida dedicado ao movimento de resistência dos trabalhadores locais e à luta contra a devastação da Amazônia. 
A Casa de Chico Mendes é um imóvel simples, que obedece a um sistema construtivo tradicional da região, ainda de uso frequente. A casa cabocla em madeira possui telhado em formato de V, de telha francesa, feita com barro. Tem apenas quatro metros de largura e pode ser edificada em menos de uma semana. É todo composta de tábuas verticais, inclusive as portas e janelas.
Singela construção pintada de azul turquesa, guarda um acervo dos objetos pessoais do seringueiro e mantém o mobiliário do momento em que ele morreu por um tiro de espingarda, na noite de 22 de dezembro de 1988, após sucessivos atentados encomendados por fazendeiros locais. O tombamento da Casa de Chico Mendes aconteceu em 2011 e foi importante para garantir a preservação do local, já que a paisagem estava em processo de descaracterização, com a derrubada de algumas árvores e uma invasão urbana no bosque.











Casa de Chico Mendes no Acre - Foto: José Aguillera - Iphan

Brasil comemora 80 anos de preservação do patrimônio cultural

Em 2017 o país celebra oito décadas de criação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Dando início às comemorações, será lançada, no próximo dia 5 de maio, no Palácio Capanema, no Rio de Janeiro (RJ), a marca comemorativa para a data. A partir de então, todas as ações e publicações realizadas pela instituição deverão apresentar a logomarca até o final de 2017. O momento é de grande importância para avaliar os avanços obtidos nesse período – como a consolidação dos marcos regulatórios e a descentralização do Iphan, hoje presente em todas as unidades da Federação – e também para refletir sobre o futuro da política de valorização do patrimônio cultural. 
As atividades propostas para a ocasião, além da apresentação da marca, são uma visita às obras de restauração e revitalização do Palácio Capanema, com apresentação do projeto pela equipe técnica responsável; o lançamento das publicações Preservação do Patrimônio Edificado: A Questão do Uso, de Cyro Corrêa Lyra, Educação Patrimonial: Inventários Participativos e a coletâneaPareceres do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural – Cidades Históricas, Conjuntos Urbanísticos e Arquitetônicos, organizado por Nestor Goulart Reis Filho e Anna Elisa Finger; e a apresentação da Rede de Arquivos Iphan, um repositório online que disponibiliza o acervo documental do Iphan. 
O evento, que tem início às 14h, será transmitido online em link a ser disponibilizado no site e redes sociais do Iphan. No dia seguinte, 6 de maio, acontece também no Rio de Janeiro a reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. 
Visita ao Palácio Capanema
Exemplar ícone da arquitetura moderna brasileira, o Palácio Capanema, no Rio de Janeiro (RJ), projetado pelo arquiteto urbanista Lúcio Costa e sua equipe, sob forte influência de Le Corbusier, encontra-se em obras desde 2013, quando teve início o projeto de restauração e modernização desenvolvido pelo Iphan. Com o objetivo de apresentar o andamento das obras aos conselheiros e membros do quadro diretivo do Iphan, será realizada uma visita pelas instalações.
O projeto cultural faz uma revisão do programa de uso do monumento, privilegiando sua identidade como marco do movimento moderno brasileiro. O objetivo é que o prédio se torne um centro cultural com uma dinâmica própria, promovendo a interação do público com as bibliotecas, os arquivos e oferecendo programas educativos, concertos, exposições, performances, instalações e manifestações artísticas contemporâneas.
Projetado na década de 1930, durante a gestão do ministro Gustavo Capanema, para sediar o antigo Ministério da Educação e Saúde, o edifício foi um dos primeiros arranha-céus construídos no mundo com fachada toda em vidro. Arquitetos consagrados atuaram na elaboração do projeto, tais como Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Jorge Machado Moreira, Carlos Leão e Ernany de Vasconcelos. Eles tiveram como referência estudos feitos por Le Corbusier, que esteve no Brasil em 1936. O prédio foi construído entre 1937 e 1945 e sua estrutura projetada pelo engenheiro Emílio Baumgart. Os jardins do paisagista Roberto Burle Marx, os grandes painéis de Cândido Portinari e outras obras de arte representativas do modernismo no Brasil, como as esculturas de Bruno Giorgio, Vera Janacopulus e Celso Antônio, compõem o acervo artístico do monumento. 
Rede de Arquivos Iphan
Com o objetivo de integrar e conferir publicidade ao acervo de documentos acumulados em oito décadas de política de proteção ao patrimônio cultural, foi criada a Rede de Arquivos Iphan, um repositório online de arquivos digitalizados que permite buscas a partir de diversos parâmetros (nome do bem, localidade, tipo de documento). A ferramenta facilitará o acesso a essa documentação a pesquisadores, estudantes, jornalistas e outros interessados no tema, contribuindo para enriquecer a produção de conhecimentos sobre o assunto e conferindo ainda mais transparência à ação do Estado. 
Inicialmente estão acessíveis acervos de quatro centros históricos e processos de tombamento de bens culturais de todo o País, digitalizados pelo Arquivo Central do Iphan, no Rio de Janeiro (RJ). Nas próximas etapas do projeto, serão incluídos os conteúdos produzidos pelas demais unidades, assim como o restante dos processos de tombamento, que estão sendo tratados, indexados e digitalizados para inserção na plataforma.
A Rede Arquivos Iphan foi selecionada na Chamada Pública de Seleção para Apoio a Projetos de Preservação de Acervos – Ano 2010, promovida pelo BNDES, e seu desenvolvimento teve início em agosto de 2013.
Lançamento de publicações inéditas
Três obras editadas pelo Iphan são destaque no lançamento das comemorações dos 80 anos da instituição. As publicações abordam diferentes aspectos da política nacional de preservação do patrimônio cultural, todos relevantes para a necessária reflexão sobre os rumos e diretrizes a serem seguidos nos próximos anos para o tema. 
O livro Preservação do Patrimônio Edificado: A Questão do Uso, do arquiteto Cyro Corrêa Lyra, chama atenção do leitor para um aspecto central da política de preservação do patrimônio cultural nos dias de hoje: a intensificação e atualização do uso e da apropriação de monumentos e sítios urbanos protegidos. Na coletânea Pareceres do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. Cidades Históricas, Conjuntos Urbanísticos e Arquitetônicos, organizado por Nestor Goulart Reis Filho e Anna Elisa Finger, estão reunidos documentos relativos a 46 sítios urbanos reconhecidos como patrimônio nacional. Já no âmbito da participação social, o Iphan apresenta o manual Educação Patrimonial: Inventários Participativos, uma ferramenta metodológica que tem como objetivo fomentar a discussão sobre patrimônio cultural e estimular a busca, pela própria comunidade, da valorização e identificação de suas referências.
História
No dia 13 de janeiro 1937, era assinada a Lei nº387, que criava o Iphan, cujo anteprojeto foi elaborado pelo ensaísta, escritor, musicólogo e pesquisador Mario de Andrade. Em 30 de novembro do mesmo ano, foi publicado outro marco legislativo da política de proteção do patrimônio histórico e cultural brasileiro, o decreto-lei nº25, que institui o instrumento do tombamento. Nesse contexto, ainda de forma experimental, o Iphan iniciou seus trabalhos ligado ao antigo Ministério da Educação e Saúde Pública, sob o comando de Rodrigo Melo Franco de Andrade.
As políticas, num primeiro momento, privilegiaram algumas narrativas para a proteção e tombamento dos bens culturais. Contudo, o texto do anteprojeto foi vanguardista no momento em que defendeu um olhar livre de estrangeirismos, dentro do próprio país, buscando compreender o Brasil, historicamente, por meio das manifestações populares de sua gente.
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Palácio Gustavo Capanema - Rio de Janeiro - Foto: Márcio Viana

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Britânico descobre mansão romana de 1,5 mil anos enterrada no jardim

Uma obra no jardim de casa trouxe uma surpresa ao designer de tapetes Luke Irwin. Em fevereiro do ano passado, ele estava instalando cabos de eletricidade em seu sítio perto da vila de Tisbury, em Wiltshire, na Inglaterra, quando descobriu mosaicos perfeitamente conservados a cerca de meio metro de profundidade.
— Nós soubemos o significado no mesmo momento — disse Irwin, ao jornal britânico “The Guardian”. — Ninguém desde os romanos usaram mosaicos como chão de casa na Inglaterra. Felizmente, nós conseguimos parar os operários antes que eles começassem a quebrar a camada de mosaicos.
O designer contatou a Historic England, agência ligada ao governo que trabalha para a preservação do patrimônio histórico. Arqueólogos montaram um sítio no local e iniciaram as escavações. Com o desenvolvimento dos trabalhos, eles encontraram uma mansão de cerca de 1.500 metros quadrados. Os pesquisadores acreditam que a edificação foi construída entre os anos 175 e 220, mas ficou intocada desde o seu colapso, há cerca de 1.500 anos.
Além do mosaico e da estrutura da casa, foram encontrados diversos artefatos que ligam a construção aos romanos, como moedas, broches e um poço romano. Esses e outros vestígios, como conchas de ostras e ossos de animais indicam que os donos da propriedade, agora conhecida como “Deverill Villa”, eram extremamente ricos. Um caixão de criança, que Irwin usava como vaso para gerânios, também foi encontrado.
— Nós encontramos uma enorme gama de artefatos demonstrando quão luxuosa era a vida desta família de elite que vivia na vila — disse David Roberts, arqueólogo da Historic England, à BBC. — Claramente não é um acampamento doméstico comum.
As escavações duraram apenas oito dias. Segundo Roberts, a descoberta de uma mansão tão bem preservada, sem danos provocados pela agricultura por mais de 1.500 anos, “é sem paralelo nos anos recentes”. Pela larga escala e o nível de preservação, o sítio arqueológico pode ajudar na compreensão do período romano nas ilhas britânicas.
Segundo Irwin, as obras eram para levar energia elétrica ao celeiro, para que seus filhos pudessem jogar tênis de mesa. E os mosaicos serviram de inspiração para uma nova coleção de tapetes, que Irwin acaba de lançar.
— Você olha para um campo vazio em frente à sua casa e, há 1.500 anos existia ali uma casa enorme, talvez a maior de toda a Inglaterra — disse o designer.


Crédito das Imagens: do site

domingo, 3 de abril de 2016

Livro “Rio de Janeiro: Centro Histórico Colonial – 1567-2015” será lançado nesta quarta

Lançada pela primeira vez em 1998, quando teve os seus 3 mil exemplares esgotados rapidamente, a obra de referência “Rio de Janeiro: Centro Histórico Colonial – 1567-2015”, de Nireu Cavalcanti, ganha uma edição revisada e ampliada. Nesta quarta-feira (30), a partir das 17h, na Livraria da Travessa, da Rua Sete de Setembro, no Centro do Rio, a Andrea Jakobsson Estúdio Editorial fará o lançamento da segunda edição, que terá tiragem de mil exemplares, ao preço de R$ 90 cada um.
Entre as diferenças para a obra original estão a inclusão de logradouros e a atualização das fotos das edificações remanescentes e do mapa. De acordo com o autor, o mapa contendo a área urbana em 1808, quando a cidade recebeu a Corte portuguesa, está superposto a uma foto aérea atualizada, que inclui todas as transformações havidas até o ano passado.
“O livro resulta de anos de pesquisa sobre a cidade, para a tese de doutorado sobre o Rio de Janeiro setecentista. Fiz fichas dos logradouros com todos os nomes que surgiam em documentos primários e em livros sobre o Rio. Percebi a necessidade para os estudiosos da cidade de um livro tipo dicionário sobre os logradouros e edificações surgidos no período colonial da Cidade Maravilhosa. Como sou arquiteto e urbanista, busquei usar, além do recurso textual, as imagens iconográficas como ilustração do texto”, explica o alagoano Nireu Cavalcanti.
O livro pretende suprir a falta de uma fonte de consulta, objetiva e concisa, que reunisse os logradouros, ao longo de sua existência, desde seus nomes originais até os atuais. Faltava um livro que juntasse todas essas informações, ligando-as a uma linguagem gráfico-visual (mapa, por exemplo) de fácil leitura e identificação. O público-alvo que se busca com esta obra são os amantes da “Cidade Maravilhosa”, desde o mais refinado intelectual até o aluno do primeiro grau; do guia de turismo à dona de casa.
Trecho do livro sobre a origem dos nomes dos logradouros
“É importante entender como se originaram os diversos nomes dados aos logradouros classificados por nossos antepassados, segundo algumas características, de caminho, estrada, azinhaga, campo, paragens, sertão ou rocio, antes de passarem a ser denominados rua, beco, travessa, largo, praça ou praia. Houve um momento em que as autoridades e a população, percebendo as transformações ocorridas na via, passaram a enxergar um caminho como rua, ou um campo como praia e a transição que percorrera de espaço rural ou semi-rural para urbano.
A primeira denominação, em geral, consistia em mera descrição de sua situação em relação a outros logradouros, acidentes geográficos, edificações importantes, marcos referenciais da cidade, ou mesmo formato. Assim, a uma via perpendicular à orla marítima chamou-se “Desvio do mar” e àquela, no alto do morro, “Cume do sal”. Havia o “caminho que vai para a Ajuda” (igreja) e o “que vai da Ajuda para o Desterro”, bem como o “caminho dos Arcos” (aqueduto da Carioca), da Forca ou da Polé, do Boqueirão e as Ladeiras do Seminário ou do Poço do Porteiro, o Beco do Cotovelo, a denunciar que apresentava grande inflexão.
Com o passar do tempo, o logradouro adquiria o nome da edificação mais significativa que por acaso nele existisse ou, porventura, que a ele conduzisse. Assim, foram batizadas a Rua da Cadeia, do Aljube, da Ópera, do Guindaste, do Cemitério, do Rosário, da Alfândega, do Senhor dos Passos, do Bom Jesus, da Candelária, de São Pedro, do Açougue, do Quartel, de Bragança, de Santa Efigênia, da Boa Morte, Detrás do Carmo e Detrás do Hospício… Como se vê, são nomes que, em sua grande maioria, referem-se às igrejas já existentes nesses logradouros.
Também era comum o povo passar a chamar uma via escolhendo o nome de algum de seus moradores a partir da notoriedade social adquirida. É o caso, por exemplo, da Rua da Assembleia, que antes foi conhecida como a Rua do Padre Bento Cardoso, de Marcos da Costa ou de Manoel Ribeiro. O mesmo se deu com a atual Rua Buenos Aires, que fora do Padre Luiz Mattoso, do Teixeira, de Ascêncio Matoso e do Sebastião Ferrão.
As profissões ou tipo de comércio deram, igualmente, origem a nomes dos logradouros: Rua dos Pescadores, dos Latoeiros, dos Ourives, das Violas, da Quitanda, dos Escrivães, do Sabão, das Carnes-Secas, dos Madeireiros, dos Ferreiros, o Beco dos Barbeiros, o Beco do Azeite, a Praia dos Mineiros e a Praia do Peixe. Até mesmo um fato pitoresco ou marcante para a cidade que ocorrera numa determinada área poderia ser motivo para o batismo do logradouro: Matacavalos, Mataporcos, Quebra-Canela, Rua do Fogo, Rua dos Três Cegos, Rua da Fidalga, Campo dos Ciganos, Rua da Escorregadeira ou Rua do Sucussarará que, para alguns historiadores, advém do fato de ter ali residido um médico especialista em curar doenças do reto, mas, para o qual concorro com outras hipóteses no decorrer deste trabalho”.
Sobre o autor
Nascido em 12 de maio de 1944, na cidade alagoana de Olivença, Nireu Oliveira Cavalcanti é arquiteto, urbanista, doutor em História Social, com ênfase em História urbana, e especialista em Planejamento Urbano e Regional e em Metodologia do Ensino Superior. Como arquiteto é o responsável pelos projetos (partidos arquitetônicos) do “Centro de Estudos do Petróleo” para o Instituto de Geociências da UFF, em 2005, e do campus avançado da UFF, em Rio das Ostras (RJ), em 2004), e pelo projeto para o Laboratório de Conforto Ambiental e Eco Eficiência, da Escola de Arquitetura e Urbanismo, da UFF, também em 2005.
Ex-Diretor (entre 2003 e 2007) e atualmente professor da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF, Nireu tem entre seus livros publicados os seguintes títulos: “O Rio de Janeiro setecentista: a vida e a construção da cidade da invasão francesa até a chegada da Corte” (Zahar, 2003, com reedição pela Biblioteca Rio450 – publicação oficial, em 2015); “Histórias de Conflitos no Rio de Janeiro colonial: da carta de Caminha ao contrabando de camisinha (1500-1807)” (Civilização Brasileira, 2013); “Arquitetos e engenheiros: sonho de entidade desde 1798” (Crea-RJ, 2007); “Crônicas históricas do Rio colonial” (Civilização Brasileira/Faperj, 2004); “Santa Cruz: uma paixão” (Relume Dumará/Prefeitura do Rio, 2003); “Rio de Janeiro centro histórico 1808-1998: Marcos da Colônia” (Anima/Dresdner Bank Brasil, 1998); “Construindo a violência urbana” (Madana, 1986), e “Casarão vermelho: centenário da construção do quartel do Comando Geral do Corpo de Bombeiros, 1908-2008”, com Renata Santos (Casa da Palavra: CBMRJ, 2008).
Nireu Cavalcanti ficou com o primeiro lugar na 42a Premiação Anual do Instituto de Arquitetos do Brasil, em 2004, com o livro “O Rio de Janeiro setecentista: a vida e a construção da cidade da invasão francesa até a chegada da Corte”, e recebeu em 2003 moção de congratulações pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro “pela qualidade intelectual, gráfica e artística da (mesma) obra”. Ainda teve seu nome entre as personalidades que se destacaram no Rio de Janeiro, em 2003, segundo a revista “Veja Rio”, e foi indicado para o Prêmio Faz Diferença, do jornal “O Globo”, em 2012, na categoria Ciência e Saúde.
Fonte original da notícia: Jornal do Brasil
Lançamento de edição revisada e ampliada será nesta quarta-feira (30), na Travessa do Centro do Rio.

Igreja Nossa Senhora do Ó em Alagoas é entregue restaurada à comunidade

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) devolve à comunidade de Ipioca a Igreja Nossa Senhora do Ó restaurada. A obra executada por parceria entre o Iphan, a Prefeitura de Maceió e a Cúria Metropolitana, será entregue à comunidade em Missa Solene a ser celebrada pelo Arcebispo de Maceió, D. Antônio Muniz, neste domingo, dia 03 de abril, às 9 horas, no próprio templo.
A intervenção, nascida de forte demanda popular, traz um espaço não apenas com suas condições de uso retomadas, mas com um intenso revelar de elementos artísticos, arquitetônicos e históricos, que compõem as memórias e vivências do bairro e da cidade de Maceió. 
Bem tombado pelo Estado e protegido pelo Município, a igreja é importante exemplar da arquitetura religiosa da cidade, mantido pela população local por meio da preocupação em guardar partes desprendidas de significativos altares do século XIX. Com recursos do Ministério da Cultura, foram investidos mais de 1,5 milhão de reais em serviços que envolveram a restauração de todos os elementos artísticos em madeira integrados à sua arquitetura; de algumas imagens; de esquadrias e de assoalho de madeira no coro e na sacristia; de rebocos; da cantaria de pedra descoberta durante a obra; além da substituição completa da rede elétrica, instalação de forro e piso; de banheiros coletivos; de sistema de alarme; e de proteção contra descarga elétrica.
Durante a fase de restauração, o Iphan aplicou o conceito de obra aberta aos trabalhos na Igreja Nossa Senhora do Ó, deixando-a aberta à visitação mediante agendamento, e desenvolveu uma proposta continuada de Educação Patrimonial na localidade. De agosto de 2015 à fevereiro de 2016, o Instituto organizou uma série de atividades direcionadas, especialmente às escolas públicas vizinhas ao bem, convidando a comunidade a falar de patrimônio de forma lúdica e divertida, colorindo, brincando, fotografando, e contando histórias. 
A ação culminou, em setembro do 2015, no evento Mirando o Patrimônio: A gente quer ver o bairro como você vê – um grande evento a céu aberto, resultado de parceria entre o Iphan, o Município, a Universidade Federal de Alagoas, e a A4 Construtora –, e se encerrou com a montagem de exposições de produções de alunos na Escola Municipal Floriano Peixoto.
O Iphan considera de suma importância que a obra executada seja entendida numa perspectiva que ultrapasse o sentido estético e artístico desta edificação centenária, e compreenda os usos, apropriações e significações da comunidade para com o bem, ou seja, o sentido que liga a igreja à vida das pessoas. Foi dessa forma que se intencionou ao longo das obras provocar nos moradores a reflexão sobre o sentimento de pertencimento e identidade em relação à Igreja Nossa Senhora do Ó e ao bairro, e que, no momento de sua conclusão, ressalta-se o uso e atribuição de valores como determinantes à conservação de qualquer bem cultural.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Ato de vandalismo na igreja São Francisco de Assis da Pampulha em Belo Horizonte

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) vem à público repudiar o ato de vandalismo ocorrido na madrugada de segunda-feira, 21 de março, quando a lateral da igreja de São Francisco de Assis e o painel de azulejos pintados por Cândido Portinari foram pichados. A Igreja de São Francisco de Assis compõe o Conjunto Moderno da Pampulha, juntamente da Casa de Baile, do Iate Tênis Clube, do Museu de Arte da Pampulha (antigo Cassino) e da Casa Kubitscheck. A igreja foi tombada em nível federal em 1947.
O Iphan, em parceria com o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG) e a Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte (FMC/PBH), trabalham para avaliar os danos e providenciar a limpeza dos azulejos e da lateral da igreja. Uma equipe especializada em restauração de azulejos irá iniciar os trabalhos de limpeza na próxima quinta-feira, 24. O ocorrido não compromete a candidatura do Conjunto Moderno da Pampulha a Patrimônio da Humanidade e os órgãos responsáveis pela candidatura estão comprometidos em cumprir todos os compromissos assumidos junto à UNESCO.
O incidente acende alerta para a necessidade da intensificação de ações efetivas de conscientização e de educação patrimonial junto aos cidadãos, para que fatos como este não ocorram e para que todos possam ajudar a preservar a memória e a história do povo brasileiro, materializada e expressa em nosso patrimônio cultural. O Iphan lamenta o ocorrido e espera que os responsáveis por essa agressão ao patrimônio cultural brasileiro sejam identificados e que as autoridades policiais adotem as providências cabíveis.

domingo, 6 de março de 2016

UNESCO lança publicações sobre sítios arqueológicos e patrimônios mundial e imaterial no Brasil

Um livro pode nos levar a lugares longínquos, nos causar diferentes sensações e possibilitar variadas descobertas. Quando se une essa capacidade à vontade de viajar e conhecer belos lugares e que tenham valor extraordinário para a humanidade, a curiosidade é geral.
Duas publicações produzidas em coedição pelo escritório da UNESCO no Brasil e a Editora Brasileira e que priorizam as imagens – acompanhadas por breves textos (em português e em inglês) – reforçam o prazer das muitas viagens que começam nas páginas de um livro.
As publicações “Patrimônio da Humanidade no Brasil: suas riquezas culturais e naturais”, com textos de Marilúcia Botallo, fotos de Marcos Piffer e ilustrações de Paulo Von Poser, e “Sítios arqueológicos brasileiros”, com textos de Cristiane de Andrade Buco e introdução de Niède Guidon, foram lançadas semana passada. 
A primeira teve o patrocínio da Deicmar e da Cerâmica Portinari e a segunda, da Mineração Jundu/Saint Gobain. Ambas contam com o apoio do Ministério da Cultura do Brasil e poderão ser adquiridas nas Livrarias Cultura de vários estados e em grandes livrarias como Saraiva, FNAC, Travessa e outras.
Patrimônio da Humanidade no Brasil: suas riquezas culturais e naturais
Brasil possui hoje 19 sítios inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, sendo 11 sítios do Patrimônio Cultural, sete sítios do Patrimônio Natural e um sítio na categoria de Paisagem Cultural, que é o Rio de Janeiro – o primeiro desta categoria em todo o mundo. Conheça aqui quais são os sítios brasileiros que estão na lista da UNESCO.
Eles são regidos pela Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural, de 1972, da qual o Brasil é signatário. Com imagens deslumbrantes, todos os sítios do país estão representados na publicação Patrimônio da Humanidade no Brasil: suas riquezas culturais e naturais.
Além desses bens, a publicação traz também informações e ilustrações sobre os itens brasileiros inscritos na Lista do Patrimônio Imaterial da UNESCO, que é regida pela Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, de 2003.
São eles: Expressões Orais e Gráficas dos Wajãpis, do Amapá; Samba de Roda do Recôncavo Baiano, Bahia; Yaokwa, ritual do povo enauenê-nauês para a manutenção da ordem social e cósmica, Amazônia; Museu Vivo do Fandango, das comunidades costeiras do Sul e Sudeste do Brasil; Frevo, artes cênicas do carnaval de Recife, Pernambuco; Círio de Nazaré na cidade de Belém, Pará, e Roda de Capoeira, manifestação cultural afro-brasileira. Mais informações sobre esses itens que fazem parte dessa outra lista da UNESCO você encontra aqui.
O objetivo da publicação é difundir os sítios que são patrimônio mundial no Brasil e os que estão na Lista do Patrimônio Imaterial como forma de valorizar e reforçar a importância cultural do país em sua região e em todo o mundo.
Sítios arqueológicos brasileiros
A exploração de sítios arqueológicos no Brasil traça novas hipóteses sobre a chegada do homem à América, questão que sempre desperta grande interesse não apenas dos estudiosos mas da sociedade em geral. Quem não quer saber mais sobre o passado da Humanidade?
Um dos principais sítios arqueológicos brasileiros, se não o principal, é o da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, no sudeste do estado do Piauí, um dos pontos de estudo em que se descobriram vestígios de civilização datados de 40 mil anos. As escavações costumam revelar como aconteceu o povoamento dos espaços, os tipos de vida o homem levava e os aspectos culturais que eram relevantes na época.
A publicação fala da Serra da Capivara com destaque, mas mostra vários outros sítios arqueológicos noBrasil, apresentando ao leitor informações históricas e científicas sobre o planeta Terra, o Brasil e a cultura pré-histórica, além de oferecer opções de visitação a parques arqueológicos e paisagens naturais.
Livro: Patrimônio da Humanidade no Brasil: suas riquezas culturais e naturais
Textos de Marilúcia Botallo, Fotos de Marcos Piffer, Ilustrações de Paulo Von Poser
Formato: 31,5×23,5 cm; capa dura; 220 páginas

Livro: Sítios arqueológicos brasileiros
Textos de Cristiane de Andrade Buco, Introdução de Niède Guidon
Formato: 24,5×24,5 cm; capa dura; 200 páginas

Via ONUBr






Igreja de São Francisco de Paula. Image © Leandro Neumann Ciuffo, via Flickr. CC