terça-feira, 3 de setembro de 2013

Valores em risco

Iphan disponibiliza na internet ferramenta de pesquisa que reúne obras sobre patrimônio cultural. Portal foi lançado durante seminário fluminense sobre a temática

Janine Justen

O Iphan disponibilizou em seu site uma nova ferramenta de pesquisa, a Biblioteca Geral do Patrimônio. Já com mais de 800 títulos que versam sobre patrimônio cultural no Brasil e no exterior, o portal reúne importantes pensadores e estudiosos da história contemporânea das artes e da arquitetura em coleções de excelência, como “Patrimônio de Origem Portuguesa no Mundo - América do Sul: Arquitetura e Urbanismo” (2012)e “Os Sambas, As Rodas, Os Bambas, Os Meus e os Bois” (2003 – 2010).  
“Percebemos que as pessoas, muitas vezes, tinham dificuldade em encontrar determinadas obras, gastando muito tempo na pesquisa bibliográfica em arquivos e acervos físicos”, explica Luiz Philippe Torelly, diretor do Departamento de Articulação e Fomento do Iphan. “A ideia é incorporar novos títulos a partir de um esquema de coleção colaborativa. Estamos montando uma bibliografia aberta”, completa o diretor.
O lançamento ocorreu paralelamente à III Semana Fluminense do Patrimônio, uma iniciativa que vem exibindo gratuitamente 50 documentários sobre o tema, no Centro Cultural Justiça Federal e no Museu do Meio Ambiente, até o dia 1º de setembro, no Rio de Janeiro.
“A preservação do patrimônio cultural não se dá por uma única instituição, mas por todos aqueles que usufruem do patrimônio. A ideia do evento é estabelecer um canal de comunicação entre essas duas partes, Estado e sociedade”, afirma Marcos José de Araújo Pinheiro,  vice-diretor de Informação e Patrimônio Cultural da Fundação Oswaldo Cruz (uma das instituições que organiza o evento). Para ele, essa é uma excelente oportunidade de difusão de conhecimento e escuta das demandas sociais.
Com o tema “Patrimônio Cultural: Valores em Risco”, a Semana deseja fazer valer o que a sociedade entende como seu patrimônio. Música, dança, festas populares, rituais indígenas e afro-brasileiros, mas também monumentos históricos, praças públicas e casarões. “Nesta lista vale incluir todos os bens representativos dessa manifestação simbólica dos povos que constituíram a nação brasileira, sejam eles materiais ou imateriais”, comenta Torelly.
Dois grandes exemplos são o frevo e o Edifício “A Noite”, localizado na Praça Mauá, no centro do Rio. O prédio foi o primeiro arranha-céu da América Latina e abrigou a Rádio Nacional por anos. “Hoje a sociedade é muito mais atuante, em termos de reivindicação de reconhecimento de bens, do que era antes. O processo de identificação não é mais restrito a ação do estado, muito pelo contrário”, aponta Torelly, que destaca, ainda, a possibilidade, prevista em lei, de qualquer cidadão poder reivindicar o tombamento de um bem cultural.
A mostra de cinema inclui filmes como “O Mistério do Samba”, de Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor, que retrata o cotidiano e as histórias da Velha Guarda da Portela e a pesquisa da cantora Marisa Monte para recuperar  composições das décadas de 1940 e 1950 ainda não gravadas. Outro destaque é a seleção “Mestres da Arquitetura Brasileira Moderna”, que reúne documentários sobre o arquiteto Oscar Niemeyer e os urbanistas Affonso Eduardo Reidy e Lúcio Costa. Confira a programação completa no site http://www.patrimoniofluminense.rj.gov.br/.

Bibliografia Geral do Patrimônio
Os interessados devem enviar seus trabalhos – desde que tenham sido efetivamente publicados em mídia digital ou impressa – para o e-mail daf@iphan.gov.br. Todos os arquivos serão analisados e selecionados pela comissão editorial do Iphan.

Fonte: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/agenda/valores-em-risco 















Biblioteca Geral do Patrimônio: IPHAN libera acervo online

domingo, 1 de setembro de 2013

Construções podem prejudicar patrimônio histórico de Poços

Um embate entre empresários e o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural (Condephact) de Poços de Caldas (MG) tem sido motivo de discussões na cidade. O órgão quer barrar a construção de prédios comerciais e residenciais no Morro Santa Cruz, onde está localizada a Capelinha de Santa Cruz. As construções prejudicariam a visão da capela, que é tombada como patrimônio histórico e por lei não pode ficar escondida.
Segundo o Condephact, o empreendimento teve autorização da Prefeitura de Poços de Caldas e também do conselho. Na época, a liberação se deu desde que a visibilidade da Capela Santa Cruz não fosse prejudicada, mas neste mês de agosto o documento foi revogado.
De acordo com o presidente do Condephact, Antônio Carlos Lorette, a decisão foi tomada porque o conselho entendeu que a capela seria ‘encoberta’ pelos prédios. “Estudando o projeto vimos que ele não é compatível com a preservação da capela e do morro ao entorno e que prédios prejudicariam a visão da cidade”, disse.
Com isso, o conselho deve iniciar um estudo para viabilizar o tombamento do Morro Santa Cruz e a partir de então criar diretrizes para uso e ocupação da área. De acordo com Lorette, com esta medida, a área do Complexo Santa Cruz, onde funcionam várias secretariais municipais, também poderá ser tombada.
O impasse acontece porque o prédio também está com a estrutura comprometida e em breve será totalmente desocupado para ser demolido. “Antes de qualquer nova construção naquela área será preciso fazer uma análise com base nas orientações criadas com o tombamento”, pontuou.
Questionada, a secretária de Planejamento Gina Beatriz Rende explica que a empresa responsável pela construção dos prédios no morro está com a documentação correta. “Antes do início dos trabalhos  a prefeitura solicitou à construtora um laudo com análises do solo e da água subterrânea e só após a apresentação deste estudo é que a obra será ou não liberada”, esclareceu.
Ainda de acordo com a secretária, não existe um projeto definido para o reaproveitamento da área do Complexo Santa Cruz e nem um prazo para que a construtora entregue o laudo à prefeitura.

Problemas geográficos
Procurado para analisar o problema, o geólogo Hélio Scalvi indica que há a necessidade de realizar um estudo geotécnico sobre todo o Morro de Santa Cruz, incluindo a área do complexo e também da capela. “Qualquer construção ou intervenção nesta área tem que passar por estudos para avaliar qual o impacto, como estão as vibrações e de que maneira estruturas de prédios podem afetar o solo e a área”.

Ainda de acordo com o geólogo, a construção indiscriminada e sem avaliação pode trazer problemas e riscos de desabamento na área. “Qualquer construção na área pode prejudicar também as águas sulfurosas e trazer sérios problemas para o solo. É imprescindível que seja feito um estudo”, considerou.

História
A Capela Santa Cruz foi construída em 1895 no alto do morro e mesmo com o passar do tempo e as inúmeras construções, é possível enxergá-la a partir de vários pontos da área central e de alguns bairros. Por isso, a construção foi tombada por um decreto municipal na década de 1980.
Recentemente, a capela foi reformada e recebe celebrações de missas toda primeira sexta-feira de cada mês. Durante a quaresma ela também recebe celebrações todos os dias.
Historicamente, o local tem este nome porque durante muitos anos, féis subiam o morro para pagar promessas e quando chegavam ao topo fixavam uma cruz na terra. A área guarda parte das memórias de Poços de Caldas.
O jornalista e pesquisador da história da cidade, Rubens Caruso Junior, conta que desde a época do tombamento do imóvel já existia a preocupação com as construções próximas à capela. “Sempre houve esse medo de comprometer a visibilidade do morro”, disse.
Já para quem viveu na cidade antigamente, a construção de prédios poderia prejudicar as lembranças histórias, como destaca a dona de casa Maria Aparecida Ferreira. “Eu me lembro de quando eu ainda era menina e acompanhava minha mãe na subida do morro para que ela pagasse promessas. Dá saudades dessa época e se as construções tamparem a construção, as lembranças serão apagadas da nossa memória. Os mais jovens não saberão que existe uma capela ali”, relatou.
A empresa que pretende construir no local foi procurada, mas até esta publicação não havia dado retorno sobre o assunto.

Fonte: http://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2013/08/construcoes-podem-prejudicar-patrimonio-historico-de-pocos.html 

















Morro Santa Cruz pode ser afetado por construções. (Foto: Marcelo Rodrigues/ Reprodução EPTV)
















Capela Santa Cruz corre o risco de ser 'encoberta' por construções (Foto: Marcelo Rodrigues/ EPTV)

Cultura, patrimônio e plano diretor: instrumentos de diálogo e cidadania - Seminário Internacional em São Paulo

O Seminário Internacional “Cultura, patrimônio e plano diretor: instrumentos de diálogo e cidadania” acontece nos dias 2 e 3 de setembro de 2013 na Praça das Artes, centro de São Paulo. O evento é uma realização do Departamento do Patrimônio Histórico de São Paulo e da Universidade Presbiteriana Mackenzie. As inscrições podem ser feitas até o dia 30 de agosto de 2013 pelo email inscricao.seminario.inter@gmail.com.

2 de setembro
8h30 – 9h00: Inscrições
9h00 – 10h00: Mesa de Abertura
Fernando Haddad (Prefeito da Cidade de São Paulo)
Juca Ferreira (Secretário Municipal de Cultura)
Fernando de Mello Franco (Secretário do Desenvolvimento Urbano)
Paula Maria Motta Lara (Secretária Municipal de Licenciamento)
Chico Macena da Silva (Secretario Municipal de Coordenação das Subprefeituras)
Leonardo Osvaldo Barchini Rosa (Secretario de Relações Internacionais e Federativas)
Paulo Lopes Lourenço (Cônsul Geral de Portugal)
Marcelo Mendes (Vice-Reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie)
10h00 – 12h00:  Mesa 1: Patrimônio Cultural, Gestão Inovadora e Plano Diretor
Manuel Salgado (Vice-Prefeito e Responsável pelo Urbanismo e Planejamento Estratégico de Lisboa)
Fernando de Mello Franco (Secretário do Desenvolvimento Urbano)
Washington Fajardo (Presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade)
Coordenador: Nadia Somekh (Presidente do Conpresp, Diretora do DPH e Professora da UPM)
Relator: Tereza Beatriz Ribeiro Herling (Secretária Adjunta de SMDU)
12h30 – 14h00:  Almoço Livre
14h00 – 16h00: Mesa 2: Projetos Urbanos, Centros Históricos e Cidadania
Maria Eugenia Negrete Salas (Colegio Del México)
Felipe Delmont Mauri (Venezuela)
Luiz Fernando Almeida (Ex-Presidente do Iphan)
Coordenação: Marcos Barreto (Subprefeito da Sé)
Debatedor: Ana Beatriz Ayroza Galvão (Superintendente IPHAN São Paulo)
Relator: Gustavo Partezani Rodrigues (Diretor de Desenvolvimento da SP Urbanismo)
16h00 – 16h30: Coffe Break
16h30 – 18h30: Mesa 3: Paisagem Cultural: Preservação e Transformação
Joaquim Sabaté Bell (Universitat Politècnica de Catalunya)
José Geraldo Simões Júnior (Professor adjunto da FAU Mackenzie)
Silvio Zancheti (Professor titular UFPE e Professor convidado PPGAU_UPM)
Coordenadora: Mirthes Baffi (DPH)
Debatedor: Mário Moutinho (Reitor da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia – Lisboa)

3 de setembro
09h00 – 11h00: Mesa 4: Patrimônio, Modernidade e Cidadania
Hugo Segawa (Universidade de São Paulo)
Monica Junqueira (Universidade de São Paulo)
Ruth Verde Zein (Universidade Presbiteriana Mackenzie)
Coordenador: Sérgio Abrahão  (DPH)
Relator: Dalva Thomaz (DPH)
11h00 – 11h30: Coffe Break
11h30 – 13h00: Grupos de Trabalho
Patrimônio Cultural Gestão Inovadora e Plano Diretor
Coordenador: Penha Pacca
Relator: Eunice Abascal
Projetos Urbanos, Centros Históricos e Cidadania
Coordenação: Ana Wilheim
Relator: Luiz Octávio Silva
Paisagem Cultural, Preservação e Transformação
Coordenação: Rita Gonçalves
Relator: Raquel Schenkman
Patrimônio, Modernidade e Cidadania
Coordenador: Carolina Tavares
Relator: Cecília Rodrigues
13h00 – 14h00: Almoço Livre
14h00 –16h00: Grupos de Trabalho
16h00 – 16h30: Coffe Break
16h30 – 18h30: Mesa 4: Balanço dos Grupos
Relatos das Mesas e dos Grupos de Trabalho
Debatedor: Nabil Bonduki (Vereador de São Paulo)
Debatedor: Kazuo Nakano (Diretor do Departamento de Urbanismo –  DEURB)
Coordenação: Nadia Somekh (Presidente do Conpresp, Diretora do DPH e Professora da UPM)
19h00 : Coquetel de Encerramento


sábado, 31 de agosto de 2013

Antigo engenho vai virar museu em Sertãozinho, no interior paulista

Fundado nas primeiras décadas do século 20, o Engenho Central de Sertãozinho conserva até hoje sua arquitetura original, maquinário e galpões da época. Por isso, está sendo restaurado e vai virar museu – um sonho de longa data da família Biagi, atual proprietária da Fazenda Vassoural.
 
Para tirar o projeto do futuro Museu Nacional do Açúcar e do Álcool do papel, foi criado o Instituto Cultural Engenho Central. Até agora, a fundação conseguiu levantar R$ 3 milhões, suficientes para custear a primeira fase do projeto, mas a Lei Rouanet já autorizou a captação de R$ 10,5 milhões.
 
Uma das primeiras desta região do interior paulista, a antiga usina de cana de açúcar estava prestes a ver seu telhado desabar quando as obras começaram. Hoje, o risco de queda já não existe mais, embora os trabalhos caminhem em um ritmo lento, por conta dos cuidados necessários para a restauração.
 
Com velhas fornalhas, centrífugas escocesas do século 19 importadas pela família de Santos Dumont, telhas inglesas, balanças, tonéis e maquinário europeu, o engenho ganhou também projeto de zeladoria de patrimônio, implementado pelo Estúdio Sarasá, da capital paulista. Estudantes do ensino médio, 14 jovens da região foram selecionados para aprender a restaurar o prédio histórico.
 
"Algumas patologias do prédio vão ser estabilizadas, outras serão corrigidas. É preciso analisar caso a caso. Em breve, deixaremos este local em condições de visitação", explica o arquiteto Fabio Di Mauro, um dos responsáveis pelo projeto, a reportagem de Edison Veiga no jornal O Estado de S. Paulo. 
 
Para acompanhar as obras e saber mais sobre a história do engenho, basta acessar o site do Instituto Cultural Engenho Central.

Fonte: http://www.arcoweb.com.br/noticias/antigo-engenho-vai-virar-museu-em-sertaozinho.html 






























Os toques dos sinos de Ouro Preto: sons que permeiam histórias

Matéria do site Defender, que reproduzo abaixo:

Os sinos, ao longo dos séculos, detiveram o poder de atuar junto às sociedades como um mítico comunicador espiritual e temporal a partir de toques, interpretados de forma sui generis de região para região. Tais toques têm como base organizacional prescrições litúrgicas. No entanto, comunidades religiosas foram compondo, à maneira local, os seus meios e modos característicos de ensino, execução e entendimento destes, valendo tanto para os anúncios litúrgicos quanto para os anúncios civis.
A reivindicação funcional a cerca dos sinos não aparece como uma exclusividade da região mineira. De uma maneira geral, os sinos são vistos pela sociedade como um objeto intimamente ligado à religiosidade. Existem diversas associações entre este objeto e os símbolos tradicionais da fé, sejam eles cristãos, mulçumanos, budistas etc. São muitos os exemplos e narrativas que trazem este objeto como centro do religare humano, que talvez não se expresse somente pelo visual, mas antes de tudo por um conjunto de relações sonoras que implicam sensações ritualísticas, espirituais, xamânicas e mitológicas nas sociedades que o tem como objeto funcional.
Em Minas Gerais, particularmente, percebe-se que este instrumento, além de assumir uma relevante função de comunicação sócio-religiosa, assume também o papel de componente estético, sempre presente nas construções dos templos erguidos para o ato do religare. São muitos os exemplos de igrejas e capelas, que mesmo nas mais afastadas regiões, abrigam sinos através de diversas soluções arquitetônicas e que anunciam a vida, a festa, a calamidade e a morte. Este fato demonstra que a colonização nas Minas do século 18 traz neste vasto número de construções religiosas – fruto da fausta demonstração de fé e poder – ações que privilegiam aspectos sensitivos diversos: o som, a cor, o sabor, o corpo etc.
Estes espaços públicos destinados aos atos religiosos existiam à medida que fossem liberados pela Santa Igreja e coordenados por grupos gerenciadores – no caso as Irmandades, Confrarias e Ordens Terceiras – que se organizavam em torno de interesses comuns, abarcados muitas vezes pela raça, cor, nível social, etc. Ao surgirem, esses grupos, reuniam em sua concepção de fé e sociedade diversas formas de atuação. Dentre elas a busca pelo instrumento sino, objeto sagrado, religioso e requisitado elemento presente nas construções religiosas e exercendo relevante papel na comunicação entre a igreja e a sociedade.
O lugar de destaque dado ao sino contribuía para o maior fervor da ordem e com isto do seu culto religioso. Ainda havia o desejo de que o sino tivesse um tamanho considerável, demonstrando o quanto era importante suprir o aspecto sensitivo e de poder e propagando uma sonoridade de intensidade respeitável. Esta exigência traz à tona não somente a questão do fausto das aquisições assim como a reafirmação social.Sineiros, músicos por vocação – Curt Lange em seu livro Os Irmãos Músicos da Irmandade de São José dos Homens Pardos de Vila Rica não deixou de citar o tema:
[...] A fundição de sinos e o seu içamento também pertecem à história da Música brasileira, e particulamente à das Minas Gerais, outrora região muito perigosa que cerceou milhares de vidas. Naqueles longíquos anos, dos toques das horas às chamadas para as Missas, Novenas e grandes solenidades religiosas, dos anúncios de morte de um soberano aos toques de fogo ou finados, os sons, ora alegres, ora lúgubres, interferiram com a sua amálgama de vibrações bronzíneas como significativa linguagem na existência dos homens. (LANGE, 1968:16).

Ora, se “a fundição de sinos e o seu içamento fazem parte da história da música brasileira e particularmente à das Minas Gerais” como disse o grande pesquisador Lange, não faria também parte desta história os sineiros, que seriam os indivíduos que perpetuaram esta prática ao longo dos séculos? Tal esquecimento inscreve-se na linha de grande parte das pesquisas realizadas sobre a prática da música mineira dos séculos 18 e 19, pois estas pesquisas deixaram de lado ou simplesmente não contemplaram os diversos elementos que circundavam, e, portanto, contextualizavam a música religiosa. Dentre estes elementos estão os sineiros, pois ainda hoje são desconhecidos trabalhos que reflitam sobre os tangedores dos sinos, sineiros ou simplesmente tocadores de sinos.
Toda esta fabricação comunicativa, que tem como elemento principal o instrumento sino, somente ganhou séculos de vida devido à figura de um agente detentor das peculiaridades idiomáticas regionais construídas sócio-religiosamente para este ato. Logo, se torna necessário refletir sobre o tocador de sinos, figura conhecida entre os seus pares como sineiro. Estes “pedreiros anônimos” são os responsáveis por toda uma prática sonora e funcional que atua no sentido de comunicar à cidade acontecimentos de diversas ordens, além, é claro, de fazerem parte do contexto religioso das atividades religiosas assim como: músicos, cantores, padres, fiéis, fogueteiros, dentre outros.

Mas quem seria o sineiro?
Por ser uma prática de execução, ensino e aprendizagem de tradição oral, o sineiro nunca foi considerado como músico e tampouco despertou ao longo dos anos o interesse de estudiosos. Segundo Mário de Andrade, o sineiro seria aquele “Indivíduo que tem como profissão tocar sinos de igreja”. Durante todo processo de entrevistas em campo, foi notório que nenhum dos sineiros fez uso da expressão “profissão” atrelada ao ofício de tocar sino. Para muitos, o não emprego do termo vem do fato da não remuneração cotidiana pelos toques e pela ligação direta de tal ofício com a questão da fé religiosa, que seria inegociável do ponto de vista do fiel.
O envolvimento com os sinos é de entrega à atividade onde Deus é na maioria das vezes citado. Sendo assim, pode-se afirmar que o sineiro em Ouro Preto – ao contrário do que diz o grande mestre Mário de Andrade – é aquele indivíduo que está constantemente nas torres sineiras sem nenhuma intenção profissional tocando os sinos por envolvimento religioso.
Na cidade de Ouro Preto a atividade sineira está, hoje, nas mãos de sineiros que são em sua maioria adolescentes que têm em média a idade de 9 a 20 anos e que compõem o contexto religioso do lugar, ou seja, atuam como coroinhas, ajudam nos afazeres da igreja e tocam sino. No entanto, este universo etário faz parte da história recente dos sinos de Ouro Preto. Este fato, pelo que se pôde constatar, deu-se a partir de meados do século 20, pois até então a atividade sineira estava destinada à figura do sacristão. Este além das atividades de zelar e dar manutenção ao templo, também se ocupava do ofício de tocar e ensinar o toque dos sinos. O ensino da prática sineira. Esse será nosso próximo artigo.
*Chiquinho de Assis é Licenciado em Educação Musical UFOP e Mestre em Música e Sociedade pela Escola de Música/UFMG

Fonte: http://defender.org.br/2013/08/31/os-toques-dos-sinos-de-ouro-preto-sons-que-permeiam-historias/ 













Sino “Elias”, o maior e mais imponente de Ouro Preto, na torre direita da Igreja Nª Sª do Carmo | Foto: Beto Figueiroa

terça-feira, 27 de agosto de 2013

IPHAN elabora Dicionário de Patrimônio Cultural.

Com o objetivo de produzir uma obra referência que reflita as dimensões prática e teórica do trabalho de preservação empreendido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a Coordenação-Geral de Pesquisa e Documentação, do Departamento de Articulação e Fomento do IPHAN está organizando o Dicionário de Patrimônio Cultural.

O trabalho, em construção, foi concebido para ser uma publicação coletiva que contou e contará com a participação de todos os servidores, aposentados, alunos do Programa de Especialização em Patrimônio, membros do Conselho Consultivo, ex-funcionários e reconhecidos colaboradores da instituição. A ideia é estabelecer e socializar conceitos com os quais o IPHAN opera ao longo de mais de 70 anos para estimular a discussão e problematização do uso dessa terminologia.

A estrutura do Dicionário está constituída por duas partes principais: uma enciclopédica, formada por artigos temáticos; e outra por verbetes. A conclusão desta obra será de grande relevância para a consolidação do patrimônio cultural como um campo de conhecimento, e essencial para o trabalho de todos aqueles que atuam na preservação da memória nacional.
 
 
 
 
 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Vassouras, RJ, recebe R$ 26 milhões para recuperar patrimônios históricos

O município de Vassouras (RJ) receberá mais de R$ 26 milhões do Governo Federal para recuperar o patrimônio histórico. A cidade é a única do Sul do Rio de Janeiro a ser contemplada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das cidades históricas. Ao todo R$ 26.850 milhões serão destinados à restauração de oito imóveis tombados do Centro Histórico. São casarões, museus e um conjunto de sete chafarizes.
O dinheiro será gerido por um consórcio firmado entre os governos estadual, municipal e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Seis projetos ficarão sob responsabilidade do IPHAN e dois com a prefeitura. Ainda não há informações de quando a verba será liberada, mas a expectativa é fazer a recuperação integral da parte arquitetônica dos monumentos. “Nós vamos recuperar o prédio na sua totalidade, menos o recheio mobiliário, essa parte móvel não. Mas tudo que diz respeito a construção será feito”, explicou a arquiteta do IPHAN, Isabel Rocha.
As ações devem ser desenvolvidas durante os próximos três anos. Com o programa, o Governo Federal pretende garantir que as cidades tenham como manter os patrimônios históricos, incentivar o turismo e assim gerar emprego e renda para a população.
As condições das construções históricas é uma preocupação antiga, já que muitas se encontram em situação de abandono. O asilo Barão do Amparo pegou fogo em 2008 e foi desativado. Em julho de 2012, uma das paredes do segundo andar do Paço Municipal desmoronou. Mas a mais preocupante é a antiga casa do Barão de Vassouras, que está sem telhado e apenas a fachada continua em pé.
Para o IPHAN, o anúncio da verba dá força à antiga luta pela preservação. “Eu não tenho palavras para medir essa importância. Para a gente é uma vitória sem preço. É a possibilidade da gente resgatar Vassouras e devolver a esses prédios a integridade que um dia eles tiveram”, comemorou a arquiteta Isabel. A população também vibra com a conquista. “Eu acho importante, tem que restaurar sim o patrimônio, tem que preservar a história da nossa cidade”, disse a estudante Thaís Patrocínio Pereira dos Santos.

Fonte: http://g1.globo.com/rj/sul-do-rio-costa-verde/noticia/2013/08/vassouras-rj-recebe-r-26-milhoes-para-recuperar-patrimonios-historicos.html 



Noronha recebe verba para recuperação do patrimônio histórico

Esta semana a presidente Dilma Rousseff liberou mais de cem milhões para recuperação de patrimônio histórico em Pernambuco. Fernando de Noronha não foi esquecida, a ilha receberá 30,8 milhões de reais para implantação de quatro projetos: Restauração do Forte Nossa Senhora dos Remédios, Requalificação da Vila dos Remédios, Forte de Santo Antônio e o Forte São Pedro do Boldró. “Essa é uma liberação muito importante, a preservação da cultura num local turístico como Noronha” avaliou o administrador da ilha Romeu Baptista.
O administrador disse também que foi decisiva a parceria firmada com a Superintendência Estadual do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional- IPHAN. A deputada federal Luciana Santos ajudou para liberação da verba. A partir da liberação desses recursos, o governo agora toca os processos burocráticos para repasse do dinheiro, elaboração de termos de referência e licitações. “A minha expectativa é iniciar, ao menos parte das obras ainda este ano”, previu o diretor de infraestrutura do Distrito, Gustavo Araújo.
Segundo o diretor, todo trabalho deve estar concluído até 2015. No caso da requalificação da Vila dos Remédios, por exemplo, será realizado um trabalho para que a fiação elétrica não seja mais aparente e deve ser feita também a recuperação do calçamento histórico. Os fortes do Boldró e Santo Antônio não serão reconstruídos, mas terão as ruínas consolidadas. Já o Forte dos Remédios vai ser recuperado. “Estamos avaliando qual o uso das edificações depois da recuperação, o que também é muito importante”, afirmou Gustavo.A notícia da libração dos recursos está sendo comemorada pela pesquisadora Marieta Borges, responsável pelo trabalho de resgate histórico de Fernando de Noronha há quase quatro décadas.  “Saber que haverá a recuperação de edificações como o Forte Nossa Senhora dos Remédios, do século 18, é maravilhoso. A  consolidação das ruínas como o Fortim do Boldró também é ótimo. É muito bom saber que as pessoas vão poder apreciar o entardecer num local com tanta história”, comemorou a pesquisadora.

Fonte: http://g1.globo.com/platb/pe-viver-noronha/2013/08/22/noronha-recebe-verba-para-recuperacao-do-patrimonio-historico/ 















Ruínas do Forte de Santo Antônio (Foto: Antonio Melcop / Acervo ADFN)















O Forte dos Remédios será recuperado (Foto: Antonio Melcop / Acervo ADFN)