No dia 29 de maio, Sobral (CE) celebra e relembra o mais famoso eclipse solar da história, ocorrido há exatamente cem anos. Naquela ocasião, uma expedição composta por cientistas brasileiros, britânicos e norte americanos se reuniu na cidade cearense, onde seria possível ver com totalidade o eclipse solar e, com isso, conseguiu a comprovação final da Teoria da Relatividade, elaborada por Albert Einstein. Para marcar as comemorações da data que simboliza um verdadeiro avanço na ciência mundial, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia do Ministério da Cidadania, e a Prefeitura de Sobral entregam a obra do Museu do Eclipse, que acaba de ser completamente requalificado.
O Iphan, por meio do PAC Cidades Históricas, investiu quase R$ 1 milhão no Museu, que é ícone da divulgação histórica e científica no país. Localizado na Praça do Patrocínio, no ponto exato em que foi observado o eclipse solar de 1919, o equipamento foi construído há 20 anos e possui um importante acervo, que inclui o telescópio mais avançado das regiões Norte e Nordeste brasileiras e equipamentos originais da referida expedição internacional. Agora, após nove meses de obras, o edifício está todo reestruturado, com novas instalações elétricas, sanitárias, climatização, sonorização, adequação às normas de acessibilidade e ampliação e modernização do projeto museográfico. Além disso, um importante trabalho de impermeabilização foi realizado, solucionando os problemas de infiltração, que levaram ao seu fechamento em 2016.
A obra, executada pela Prefeitura Municipal, foi entregue em cerimônia no dia 29 de maio, às 19h, com a presença da presidente do Iphan, Kátia Bogéa, do diretor do Departamento de Projetos Especiais do Iphan, Robson de Almeida, do superintendente do Iphan-CE, Otacílio Macedo, do prefeito Ivo Gomes, entre outras autoridades locais. O evento é parte de uma série de comemorações que que começaram há um ano em Sobral, com a instituição do Ano Municipal das Ciências, realizado em parceria com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e o Governo do Estado do Ceará. Além da solenidade de reinauguração do Museu do Eclipse, a cerimônia também contou com a apresentação da Orquestra Internacional Jovem Eurochestries.
Museu do Eclipse
Fundado em maio de 1999, em comemoração aos 80 anos da comprovação da Teoria da Relatividade em Sobral, o Museu do Eclipse é composto por um complexo, que inclui o Observatório Astronômico Henrique Morize. Seu acervo é composto por um simulador de eclipses, réplicas de planetas e satélites do Sistema Solar e diversos outros materiais científicos e astronômicos, utilizados nos estudos de ciências das escolas da região. Em parceria com a Universidade Estadual Vale do Acaraú, o museu também realiza atividades externas, em praças e instituições de ensino, com um planetário móvel e telescópios de pequeno porte.
Os investimentos na completa requalificação do museu são parte das ações do Iphan voltadas ao Patrimônio Cultural de Sobral. Pelo PAC Cidades Históricas, já foram concluídas as obras das praças Samuel Pontes e Senador Figueira com recursos de R$ 1,3 milhão. Além disso, ainda no dia 29, serão assinados os termos de compromisso para início dos trâmites licitatórios para as obras de restauração do Abrigo do Sagrado Coração, do Museu Dom José e da Igreja do Menino Deus, com previsão de outros R$ 6,2 milhões em recursos.
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quinta-feira, 30 de maio de 2019
sábado, 4 de maio de 2019
Pesquisadores descobrem maior painel de arte rupestre de São Paulo
Gravuras do painel serão transformadas em modelo 3D.
Na cidade de Ribeirão Bonito, região central do Estado de São Paulo, pesquisadores da USP, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) escavaram um painel de 80 metros de comprimento, dos quais 50 metros lineares apresentam figuras esculpidas. As gravuras seguem um padrão observado em outros sítios arqueológicos da região e lembram pegadas de pássaros, chamadas por arqueólogos de “tridígitos”. Segundo Astolfo Araujo, professor do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP e coordenador da escavação, o painel é o maior já encontrado em território paulista. Além das figuras, foram encontradas pedras lascadas, ossos de animais e carvão queimado no local.
Da USP, participaram professores do MAE, do Instituto de Biociências (IB) e da Escola Politécnica (Poli). A equipe explora a região desde 2014, em um projeto financiado pela Fapesp com o objetivo de estudar a ocupação Paleoíndia do Estado de São Paulo – povos que viveram no início do período geológico atual, o Holoceno. Em 2015, os pesquisadores localizaram o sítio arqueológico mais antigo do Estado, no município de Dourado, a menos de 20 km de Ribeirão Bonito. Batizado de Bastos, o lugar continha vestígios com mais de 12,5 mil anos de idade. Moradores locais indicaram, então, a localização do novo painel.
O Sudeste brasileiro é peça chave no entendimento dos movimentos populacionais no leste da América do Sul. E a diversidade de arte rupestre que tem sido encontrada pelos pesquisadores pode ajudar a revelar quem passou pelo região. “A impressão que a gente tem é que São Paulo era um ponto de encontro de populações vindas do norte, do leste, via Pantanal, e do sul, pelo Pampas”, diz o arqueólogo. De acordo com o pesquisador, acreditava-se que a região não possuía arte rupestre em abundância, e o painel de Ribeirão Bonito contribui para a contestação dessa crença.
Sítios para download
Os pesquisadores estão desenvolvendo modelos virtuais dos sítios encontrados em parceria com o Centro Interdisciplinar de Tecnologias Interativas (CITI), ligado à Escola Politécnica (Poli) da USP. Marcelo Zuffo, professor do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Poli e coordenador do CITI, explica que no abrigo de Ribeirão Bonito foram usadas três técnicas de recolhimento de dados: o escaneamento a laser, o escaneamento via fotogrametria – dezenas de milhares de fotos feitas por drones – e a fotogrametria com câmeras de 360 graus.
Marcelo Zuffo diz que a criação de protótipos 3D tem uma série de vantagens. “As equipes interdisciplinares que trabalham com arqueologia podem analisar as informações sem as condições estressantes do trabalho em campo. E as restrições físicas e temporais também são eliminadas, já que os pesquisadores podem acessar, nos acervos da Universidade, sítios com até 500 km de distância da capital paulista”. Segundo Zuffo, o escaneamento intensivo pode eventualmente detectar padrões que o olho humano não consegue enxergar. Outra vantagem é que, se os sítios forem alvo de vandalismo ou interferências da natureza, há um modelo digital que preserva suas informações.
“O método usado pela equipe do professor Zuffo permite a reprodução 3D com precisão milimétrica, sendo possível preservar as gravuras para as gerações futuras, além de permitir a análise das mesmas por pesquisadores em qualquer parte do mundo. Basta, para isso, enviar os dados pela internet, e alguém poderá ‘fazer o download’ do sítio arqueológico e reproduzi-lo”, confirma Araujo.
O próximo passo da pesquisa, segundo Marcelo Zuffo, será a análise icônica das gravuras que têm sido encontradas no Estado de São Paulo, em parceria com a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.
Mais informações: e-mails astwolfo@usp.br e mkzuffo@usp.br
Fonte: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-humanas/pesquisadores-descobrem-maior-painel-de-arte-rupestre-de-sao-paulo/
Painel descoberto em Ribeirão Bonito tem 50 metros de gravuras rupestres – Foto: Divulgação
Gravuras lembram pés de pássaros e são chamadas de “tridígitos” – Foto: Divulgação
Os pesquisadores descobriram o painel com ajuda de moradores locais – Foto: Divulgação
Modelo 3D do sítio Bastos, que tem a datação mais antiga do Estado de São Paulo – Foto: Divulgação
domingo, 21 de abril de 2019
Fotógrafa conta experiência de imersão na Catedral de Notre-Dame
Lisa Roos passou 15 dias registrando imagens do templo consumido pelo fogo na última segunda-feira. Fotos compuseram exposição apresentada em Porto Alegre em 2014.
Notre-Dame de Paris, 2013. Esse foi o título da minha exposição de fotos, ocorrida em 2014, após um convite do dramaturgo e diretor da Cia. de Teatro Novo, Ronald Radde (in memoriam), para participar do projeto O Corcunda de Notre-Dame, adaptação do texto de Victor Hugo, que ficou em cartaz no Teatro Novo DC no mesmo ano. Fui a Paris, junto a alguns integrantes da companhia, para fotografar e vivenciar a catedral, assim como outros locais da cidade relacionados, como a casa onde Hugo viveu.
Parecia um convite simples (além de espetacular, é claro). Mas a proposta era clicar Notre-Dame com os olhos do Quasímodo (o famoso Corcunda). Fiquei me perguntando como faria isso, colocar-me no lugar de um personagem que viveu dentro da catedral, escondido. O projeto consistia em produzir imagens para uma exposição a ser apresentada no foyer do teatro a partir da estreia da peça.
Passei 15 dias de novembro de 2013 vivenciando Notre-Dame. Era o ano em que a catedral comemorou 850 anos. Eu nunca havia ido a Europa, tampouco a Paris, e tinha apenas algumas imagens na cabeça sobre como era a catedral. Confesso que não quis fazer pesquisas prévias no Google, para ser surpreendida e não cair no olhar comum que os turistas costumam lançar sobre o local.
Quando cheguei, senti um misto de encanto com reflexão. É um lugar “forte”, com muita energia e muitas pessoas rezando, acendendo velas, fazendo pedidos. Só na fachada fiquei horas e horas admirando cada detalhe. Apenas as portas da entrada principal mereciam dias de observação. Já o interior é surpreendente. Escuro, amarelado. O teto é todo trabalhado, unindo-se a várias colunas, repletas de detalhes. Ao vislumbrar o teto, não há como não admirar os lustres, repletos de candelabros e velas, que acentuam a tonalidade amarelada. Ao descer a visão, deparo com os vitrais góticos e as rosáceas, emblemáticos de Notre-Dame. E lá se vão mais horas para observar, clicar e admirar.
Em meio aos cliques, pude ouvir o famoso órgão da catedral, um som surpreendente. Mexe na alma, dá medo mas me faz relembrar do Corcunda. Só ouvi uma vez – e lembro bem até hoje.
Percebi que não poderia clicar o altar tão próximo o quanto eu gostaria. Mesmo assim, acredito que ele me deu as imagens mais especiais do interior da catedral, pois pude perceber alguns detalhes da escultura da Pietà que, para muitos, passam desapercebidos.
Pude visitar alguns locais de Notre-Dame que menos pessoas visitam, que são os locais pagos. Nos acervos, por exemplo, presenciei peças incríveis! Vestimentas e instrumentos da Igreja Católica e de alguns papas, joias e tesouros inestimáveis da História, assim como a possibilidade de chegar pertinho de outros vitrais.
Mas a maior experiência à la Quasímodo foi quando subi nas torres. Pelas escadarias espirais de degraus apertados, pude conferir a paisagem de Paris através de pequenas janelas. A cidade é tão grande, mas ficava pequena vista dali. No alto das torres, os gárgulas me encaravam de cara feia. Mas eu sabia que eles estavam lá para proteger Notre-Dame, e, no fim, acabavam me protegendo também, pois o inusitado ocorreu: quando eu estava no alto das torres, com mochila, câmeras e lentes, um temporal chegou de repente, surpreendendo a cidade toda. Os turistas saíram correndo, e eu fiquei. Até conseguir juntar os materiais e guardá-los, não me restou melhor opção a não ser abrigar-me em um pequeno telhadinho de frente para um gárgula até que o resgate aparecesse. Aquele gárgula que me protegeu gerou um belo quadro para a exposição.
A fachada: imponência - Lisa Roos / Acervo Pessoal
O altar - Lisa Roos / Acervo Pessoal
A iluminação peculiar, escura, amarelada - Lisa Roos / Acervo Pessoal
Na tragédia da Notre-Dame, o Gótico venceu o fogo
As estruturas dos templos góticos para dar forma e sustentação à grande altura dos edifícios mostraram a sua tremenda consistência, avalia especialista em patrimônio histórico e artístico
Por José Francisco Alves
Doutor em História da Arte, especialista em patrimônio cultural
Catedrais do patrimônio cultural sob o fogo têm chocado a quase todos. Está virando frequente. Ainda em nossa memória consta viva a destruição do Museu Nacional, ocorrida há sete meses. E ainda presente para alguns porto-alegrenses estão as chamas que consumiram, em 6 de julho de 2013, parte considerável do Mercado Público – o mais importante patrimônio tombado da capital gaúcha. Enquanto o Museu Nacional desapareceu completamente (prédio, acervo), o nosso amado Mercado com suas bases de meados do século 19 sobreviveu bem ao incêndio: a parte afetada foi restaurada com recursos do extinto Ministério da Cultura, e, finalmente, neste mês alcançou a liberação da área atingida.
Agora foi Notre-Dame. A icônica nave medieval de pedra ardeu em Paris. Claro, o que vimos queimar nas cenas chocantes foi o intrincado madeirame de seu telhado, quase uma floresta inteira de carvalho e castanheira de 850 anos de idade. O fogo consumiu principalmente a cobertura de folhas de chumbo e a estreita e pontiaguda torre, a flecha (ou agulha). Esse incêndio na sede da Arquidiocese parisiense ocupa os noticiários e as sensibilidades do mundo inteiro desde a última segunda-feira. A história e as características desse monumento da humanidade têm sido amplamente difundidas, portanto, mais dados aqui seriam redundantes.
Mas, para resumir, Notre-Dame foi erguida sobre a primeira igreja cristã de Paris, Saint-Etienne (esta, por sua vez, construída sobre templos pagãos). A Catedral foi dedicada à Virgem Maria e a sua construção se iniciou no ano de 1163, tida como concluída em 1345, ou seja, 155 anos antes da chegada de Cabral ao Brasil. No século 19, o templo foi restaurado (recomposto em estruturas danificadas pelo tempo) e teve o projeto original transformado com acréscimos significativos, a exemplo da mencionada flecha, estátuas em bronze de santos e apóstolos, bem como novos gárgulas de pedra, intervenções estas sob projeto do arquiteto Eugène-Emmanuel Viollet-le-Duc (1814–1879), com participação de Jean Baptiste Lassus.
Considera-se que essa Catedral é o ponto turístico mais visitado da França. É uma comparação injusta, mas, enquanto Notre-Dame recebe de 13 milhões a 15 milhões de turistas anualmente (as estimativas oficiais e informais variam muito), o Brasil todo sonha em alcançar 7 milhões por ano. Bens simbólicos encerram em si uma potência tremenda, que vai além das paredes de pedra. Mas soma-se ao caso o imenso orgulho que os franceses têm de seu patrimônio cultural material e imaterial, ou seja, com a sua Cultura. Quem conhece um pouco a França e os franceses sabe que esse orgulho difere substancialmente de certos patriotismos dominantes.
E foi a Cultura que parou o fogo de Notre-Dame; mais especificamente, o Gótico.
O Gótico foi uma época da cultura ocidental na Idade Média. A partir dos templos católicos franceses, na arquitetura e na arte o Gótico produziu o seu estilo inconfundível. Suas catedrais foram projetadas com o objetivo de alcançar a Deus, mas de forma a mostrar que Ele está bastante acima dos fiéis. Como intermédio entre ambos, a Igreja Católica. As invenções estruturais dos templos góticos para dar forma e sustentação à grande altura dos edifícios mostraram nesse incêndio a sua tremenda consistência. A maioria das abóbadas, feitas de blocos de pedra (suportadas pelos icônicos contrafortes e arcobotantes), conseguiu aguentar o seu próprio peso, o imenso poder do calor, as toneladas de chumbo derretido e as toras incandescentes. Salvou-se, assim, um significativo acervo artístico e religioso do interior da Catedral. Algo que, vendo as imagens do incêndio, parecia impossível de acontecer.
E quem irá recuperar Notre-Dame será o orgulho francês, com muito dinheiro privado e público. É quase um masoquismo nosso, mas, ao vermos a reação da sociedade francesa, em especial a disputa de bilionários por quem dará mais dinheiro para o restauro (segundo o Le Monde, até uma bilionária brasileira já teria oferecido milhões de euros), bateu a lembrança de como foi a comoção de nossa elite endinheirada quando da tragédia cultural do Museu Nacional. Ou seja, nenhuma. Nada. Dinheiro algum dessa gente.
Como algo de nosso inconsciente, àquela altura nem sequer esperamos algo a respeito, pois “de onde menos se espera, é que não virá nada mesmo”. As cobranças, só ao governo. Ao incêndio cultural permanente do Brasil, portanto, nos falta um Gótico.
Incêndio consumiu um ícone da cultura ocidental na última segunda-feira
Geoffroy Van Der Hasselt / AFP
Política de Gestão Turística do Patrimônio Mundial é assinada
O turismo sustentável em cidades históricas e sítios reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) tem agora uma nova política de fomento. A Política Nacional de Gestão Turística dos Sítios Patrimônio Mundial tem o objetivo de estabelecer diretrizes para estimular o turismo sustentável nos 21 sítios brasileiros que recebem o título por seu excepcional valor universal para a humanidade.
O decreto elaborado pelo Ministério do Turismo, em parceria com o Ministério da Cidadania e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi assinado em Brasília, nesta quinta-feira, dia 11 de abril, pelo presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião também estiveram presentes o ministro da Cidadania, Osmar Terra; o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio; o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto; o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles e a presidente do Iphan, Kátia Bogéa.
Com essa política, espera-se que cada vez mais turistas brasileiros e estrangeiros conheçam e visitem destinos e riquezas reconhecidos mundialmente pela Unesco no Brasil, mas sem descuidar da preservação e do respeito à cultura local. 2019 será o ano do Patrimônio mais Turismo, o que envolve um conjunto de ações de valorização dos destinos turísticos de dominância patrimonial, no Brasil.
De acordo com o ministro da Cidadania, Osmar Terra, com a Política, um conjunto de ações está sendo programado, que vai permitir melhor estruturação dos destinos turísticos Patrimônio Mundial. “Essas ações vão impulsionar o turismo nessas cidades, movimentando a economia local, gerando emprego e renda, mas sem descuidar da preservação”, disse ele.
A presidente do Iphan, Kátia Bogéa, afirmou que a assinatura do decreto “é um momento importante para a política de patrimônio no país, um divisor de águas, na medida em que se busca, a partir de uma nova abordagem, considerar a dimensão econômica e a atividade turística como uma via para a sensibilização, o aprendizado e o desfrute do rico Patrimônio Cultural Brasileiro”.
As ações relacionadas às atividades turísticas voltadas ao Patrimônio Mundial serão implementadas de forma transversal aos planos, programas e projetos das entidades envolvidas em sua execução. Entre outras medidas, o decreto prevê o desenvolvimento e implantação de sinalização turística padronizada, interativa e acessível às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, nos sítios Patrimônio Mundial e seus entornos.
Outra ação a ser desenvolvida este ano é a implantação de Centros de Interpretação Turística, para atendimento aos turistas e visitantes, nos sítios Patrimônio Mundial. Em maio de 2019, o Brasil enviará uma missão de intercâmbio com gestores, prefeitos e trade turístico brasileiros a Portugal. O objetivo é conhecer referências em Centros de Interpretação portugueses, a fim trazer modelos para as 13 cidades detentoras de sítios culturais Patrimônio Mundial, no Brasil. Os Centros de Interpretação oferecem atendimento a turistas e visitantes, com informações sobre o sítio histórico, atrativos locais, programação cultural, entre outros serviços e produtos.
Metas do Patrimônio mais Turismo
As metas da nova política estão alinhadas à Política Nacional de Turismo, ao Plano Nacional de Turismo, à Política de Patrimônio Cultural, à Política Nacional do Meio Ambiente, ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação, ao Plano Nacional de Áreas Protegidas, à Política Nacional de Desenvolvimento Urbano e suas políticas setoriais de habitação, saneamento e mobilidade.
Além do decreto federal que institui a Política Nacional de Gestão Turística dos Sítios Patrimônio Mundial, está em curso a estruturação e lançamento do Programa Nacional de Turismo Cultural. Neste ano, haverá ainda atualização e lançamento do Guia Brasileiro de Sinalização Turística e a produção de guias turísticos para cada sítio Patrimônio Cultural Mundial.
Está prevista a criação de linhas de crédito para a implantação, melhoria, conservação e manutenção de empreendimentos turísticos e sinalização turística em sítios Patrimônio Mundial. Outra medida em desenvolvimento é o Sistema de Certificação de Destinos Patrimoniais, que busca fomentar o processo de qualificação dos destinos turísticos que possuam como atrativos de primeira ordem o patrimônio cultural existente.
14 sítios Patrimônio Cultural Mundial
Os bens culturais brasileiros inscritos na Lista de Patrimônio Mundial por seu excepcional valor para a cultura da humanidade são monumentos, conjuntos urbanos, sítios arqueológicos e paisagens culturais de fundamental importância para a memória, a identidade e a criatividade dos povos e a riqueza das culturas:Centro Histórico de Ouro Preto, Minas Gerais
Os bens culturais brasileiros inscritos na Lista de Patrimônio Mundial por seu excepcional valor para a cultura da humanidade são monumentos, conjuntos urbanos, sítios arqueológicos e paisagens culturais de fundamental importância para a memória, a identidade e a criatividade dos povos e a riqueza das culturas:Centro Histórico de Ouro Preto, Minas Gerais
- Centro Histórico de Olinda, Pernambuco
- Missões Jesuíticas Guarani no Brasil, ruínas de São Miguel das Missões, Rio Grande do Sul
- Centro Histórico de Salvador, Bahia
- Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, Minas Gerais
- Plano Piloto de Brasília, Distrito Federal
- Parque Nacional Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, Piauí
- Centro Histórico de São Luís, Maranhão
- Centro Histórico da Cidade de Diamantina, Minas Gerais
- Centro Histórico da Cidade de Goiás
- Praça São Francisco, em São Cristóvão, Sergipe
- Rio de Janeiro, paisagens cariocas entre a montanha e o mar
- Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais
- Sítio Arqueológico Cais do Valongo, no Rio de Janeiro
7 sítios Patrimônio Natural Mundial
Você sabia que o Brasil tem sete sítios naturais inscritos na Lista do Patrimônio Mundial? São formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas de valor científico. Conheça:
Você sabia que o Brasil tem sete sítios naturais inscritos na Lista do Patrimônio Mundial? São formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas de valor científico. Conheça:
- Parque Nacional de Iguaçu, em Foz do Iguaçu, Paraná e Argentina
- Mata Atlântica - Reservas do Sudeste, São Paulo e Paraná
- Costa do Descobrimento - Reservas da Mata Atlântica, Bahia e Espírito Santo
- Complexo de Áreas Protegidas da Amazônia Central
- Complexo de Áreas Protegidas do Pantanal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul
- Áreas protegidas do Cerrado: Chapada dos Veadeiros e Parque Nacional das Emas, Goiás
- Ilhas Atlânticas Brasileiras: Reservas de Fernando de Noronha e Atol das Rocas
5 bens Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade
O Brasil também conta com cinco bens reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. São práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhe são associados – de grande valor para as comuni¬dades.
• Samba de Roda no Recôncavo Baiano, na Bahia
• Arte Kusiwa – Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi, no Amapá
• Frevo: Expressão Artística do Carnaval de Recife, em Pernambuco
• Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, Pará
• Roda de Capoeira – bem de abrangência nacional
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Helena Brandi- helena.brandi@iphan.gov.br
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Fonte da Imagem: Site Iphan
quinta-feira, 28 de março de 2019
Centro Histórico de Cuiabá (MT) recebe obras de requalificação urbana
No mês de abril, a cidade de Cuiabá (MT) comemora seu aniversário de 300 anos. Em meio às celebrações, destaca-se um grande e importante desafio: a preservação de seu Centro Histórico, que é símbolo da memória e identidade mato-grossense, representante da formação urbana e da história da cidade e de sua gente. Como parte dessa proposta, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia do Ministério da Cidadania, e a Prefeitura de Cuiabá entregam, no próximo dia 02, as obras de requalificação das praças Caetano de Albuquerque e Doutor Alberto Novis, e da escadaria do Beco Alto, fundamentais espaços públicos da capital do Mato Grosso.
Ainda como parte desse presente para a cidade, também serão assinadas as ordens de serviço para início da restauração do Casarão da Rua Sete de Setembro, atual sede do Iphan, e retomada da obra do Casarão de Bém-Bém. O secretário especial da Cultura, José Henrique Pires, a presidente do Iphan, Kátia Bogéa, o diretor do Departamento de Projetos Especiais do Iphan, Robson de Almeida, e a superintendente do Iphan no Mato Grosso, Amelia Hirata, estarão presentes na solenidade, assim como o prefeito Emanuel Pinheiro e outros representantes dos governos Estadual e Municipal.
Todas essas ações estão sendo executadas pela Prefeitura, com recursos do Iphan, por meio do PAC Cidades Históricas. “Com essas obras concluídas e o início de novas ações, o Iphan reforça seu esforço em preservar o Centro Histórico de Cuiabá, valorizando essa área tão importante para a cidade e que é um Patrimônio Cultural Brasileiro. Mas não só preservar: é preciso trazer vida, comércio, movimento e uso para a região. Esse é o verdadeiro presente que Cuiabá precisa nesses 300 anos!”, afirma a presidente Kátia Bogéa.
Espaços públicos do Centro Histórico
Juntos, os três espaços que foram requalificados no Centro Histórico de Cuiabá somam investimentos de cerca de R$ 603 mil. Integrantes do conjunto protegido pelo tombamento federal, as praças Caetano de Albuquerque e Doutor Alberto Novis, assim como a escadaria do Beco Alto, receberam novo mobiliário urbano, paisagismo, iluminação, pavimentação e adaptações às condições de acessibilidade, garantindo melhores condições de uso e implementando novos espaços de lazer e convivência aos moradores e visitantes.
Juntos, os três espaços que foram requalificados no Centro Histórico de Cuiabá somam investimentos de cerca de R$ 603 mil. Integrantes do conjunto protegido pelo tombamento federal, as praças Caetano de Albuquerque e Doutor Alberto Novis, assim como a escadaria do Beco Alto, receberam novo mobiliário urbano, paisagismo, iluminação, pavimentação e adaptações às condições de acessibilidade, garantindo melhores condições de uso e implementando novos espaços de lazer e convivência aos moradores e visitantes.
Um exemplo disso é na Praça Caetano de Albuquerque, também conhecida como Praça do Rasqueado, por ser tradicionalmente utilizada para apresentações musicais e festejos populares. Essas atividades, que atraem movimento e desenvolvem a região, poderão agora ser retomadas, com o espaço transformado e em melhores condições de receber a população. Já a escadaria do Beco Alto corresponde à área onde se encontram as ruas Pedro Celestino e Ricardo Franco, em trecho inclinado do terreno, próximo ao Largo da Mandioca. Ela recebeu novos degraus, paisagismo e áreas de convivência, melhorando a circulação e permanência de pedestres no local. As intervenções nas áreas também permitiram a descoberta de um testemunho do calçamento original, datado do século XVIII, durante a pesquisa arqueológica na Praça Doutor Alberto Novis, colocando em destaque a história e a memória da cidade.
Intervenções nas edificações
Também será iniciada a obra do Casarão da Rua Sete de Setembro. O edifício, que hoje abriga a sede do Iphan no Mato Grosso, receberá investimentos de R$ 474 mil, em obra que prevê a restauração de toda a casa, incluindo nova disposição dos ambientes e recuperação de aspectos que estão danificados, como alvenarias e pisos, rede elétrica e de telefonia, e também a implantação de condições de acessibilidade. A previsão é de que, depois da intervenção, o edifício também amplie seu uso, passando a receber, além do Iphan, mais um equipamento cultural do Centro Histórico de Cuiabá.
Também será iniciada a obra do Casarão da Rua Sete de Setembro. O edifício, que hoje abriga a sede do Iphan no Mato Grosso, receberá investimentos de R$ 474 mil, em obra que prevê a restauração de toda a casa, incluindo nova disposição dos ambientes e recuperação de aspectos que estão danificados, como alvenarias e pisos, rede elétrica e de telefonia, e também a implantação de condições de acessibilidade. A previsão é de que, depois da intervenção, o edifício também amplie seu uso, passando a receber, além do Iphan, mais um equipamento cultural do Centro Histórico de Cuiabá.
Outro ponto importante é a restauração do Casarão de Bém-Bém. A obra havia sido iniciada em 2017, mas, em dezembro do mesmo ano, um desmoronamento arruinou parte do edifício. Foi então realizada uma ação emergencial junto ao bem e, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta, a Prefeitura Municipal apresentou novo projeto ao Iphan, com as adequações necessárias à preservação do edifício. Agora, a ação será então retomada, com previsão de investimentos de R$ 2,1 milhões, para a recuperação do imóvel e sua ampliação para a implantação da Escola de Música do Projeto Ciranda, conduzido pela Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo.
Ao todo, o PAC Cidades Históricas prevê investimentos de mais de R$ 11 milhões em 16 ações no Centro Histórico de Cuiabá. Delas, já foram concluídas a restauração do Casarão de Barão de Melgaço e do Museu da Imagem e do Som de Cuiabá, além da requalificação das praças Senhor dos Passos e do Largo Feirinha da Mandioca. Essas obras somam um investimento de R$ 4,6 milhões já realizado pelo Iphan na cidade nos últimos dois anos.
Serviços:
Entrega das obras de requalificação das praças Caetano de Albuquerque e Doutor Alberto Novis e da escadaria do Beco Alto
Data: 02 de abril de 2019, às 09h
O evento terá início na Praça Doutor Alberto Novis e segue percorrendo os outros espaços, até o MISC, onde será inaugurada a exposição fotográfica História do Futebol desde a década de 30
Mais informações para a imprensa
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Fonte das Imagens: do site Iphan
segunda-feira, 18 de março de 2019
Astrolábio português com a idade do Brasil é o mais antigo do mundo
Instrumento usado em expedição de Vasco da Gama à Índia, encontrado onde duas naus naufragaram em 1503, acaba de entrar para o livro dos recordes.
Quando Pedro Álvares Cabral tomou conhecimento da existência do Brasil, em 1500, os portugueses queriam mesmo era saber das Índias. Portugal estava doido para consolidar uma rota marítima que levasse as especiarias indianas diretamente até a Europa. Tornar-se o primeiro estado europeu a estabelecer essa rota era uma imensa vantagem comercial. Acaba de entrar para o Guinness Book, o livro dos recordes, uma relíquia dessa época: um astrolábio português perdido em naufrágio de 1503 foi declarado o mais antigo do mundo.
O instrumento era uma mão na roda para os exploradores da época. Bastava apontá-lo para o céu, durante uma noite estrelada, para que ele determinasse a posição dos astros — o que permitia ter certeza de que o barco navegava na direção certa. Com origens que remontam à Grécia Antiga, o primeiro astrolábio moderno usado para fins náuticos é atribuído a uma viagem de portugueses pela costa ocidental da África em 1481. Daí para a frente, todos os grandes navegadores usaram-no: Cristóvão Colombo, Bartolomeu Dias, Vasco da Gama.
O astrolábio tornou-se bastante popular na era das Grandes Navegações. O que acaba de entrar para o Guinness estava a bordo de uma das duas embarcações que naufragaram durante a quarta armada de Portugal às Índias, comandada por Vasco da Gama. Aportadas perto da pequena ilha de Al Hallaniyah, a poucos quilômetros do litoral de Omã, na Península Arábica, as naus Esmeralda e São Pedro afundaram em 1503 após uma forte tempestade. O local ganhou o nome de Sodré, comandante do pequeno esquadrão militar.
Pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, recuperaram o histórico objeto durante escavações conduzidas no local em 2014. Mais detalhes sobre a descoberta foram publicados neste sábado (16) no periódico International Journal of Nautical Archaeology. Auditores do Guinness Bookacabam de certificar que, de fato, o astrolábio de Sodré é o mais antigo de que se tem registro entre os 104 exemplares conhecidos no mundo. São considerados os mais raros e valiosos artefatos que se pode resgatar de naufrágios.
Os especialistas acreditam que o instrumento tenha sido construído entre 1496 e 1501, pois suas características são únicas. Além de ostentar o brasão de armas de Portugal, algo que não era comum, o achado também preenche uma lacuna. É uma espécie de elo entre os primeiros modelos de astrolábio, que tinham forma de planisfério, e versões aprimoradas de discos com janelas abertas que se tornaram comuns a partir de 1517.
O astrolábio de Sodré é um disco metálico bem leve e pequeno, com 344 gramas e 17,5 centímetros de diâmetro. Seu pioneirismo tecnológico na Era dos Descobrimentos foi atestado pelos pesquisadores através de técnica de escaneamento a laser. Um modelo virtual 3D do objeto foi criado e uma posterior análise do espaçamento entre as marcas da escala comprovou que se trata do astrolábio mais antigo já descoberto. Historiadores e cientistas agora podem entender melhor os navios portugueses — e como eles navegavam.
(David Mearns/Divulgação)
Histórico casarão de Porto Alegre vai virar centro cultural. Mas só uma vez por mês
Empresa que venceu licitação para ocupar e restaurar a Casa da Estrela deve iniciar as obras em seis meses.
Protegida como patrimônio cultural da cidade, a Casa da Estrela, construída em 1946, hoje desabitada e malcuidada no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, vai virar centro cultural ainda neste ano.
A empresa Surya venceu a licitação para ocupar e restaurar o casarão da Rua Camerino – o imóvel foi repassado ao município em 2009, após um acordo com a proprietária. Embora preveja uma reforma de R$ 600 mil, o projeto, por enquanto, não é lá muito empolgante.
Clarice Ficagna, sócia da Surya, diz que a Casa da Estrela deverá ser aberta ao público uma vez por mês para saraus, exposições de arte e outros eventos culturais. No restante do tempo, ela servirá apenas de sede à empresa.
O casarão em estilo neocolonial tem 165 metros quadrados e chama atenção pela vasta escadaria que cerca o imóvel. Com uma enorme estrela pintada no piso do jardim, a casa passou por uma reintegração de posse em novembro – na época, um casal que morava havia dois anos com uma criança no imóvel aceitou deixar o local.
As obras na Casa da Estrela devem começar daqui a seis meses e se estender até o fim do ano.
Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/paulo-germano/noticia/2019/03/historico-casarao-de-porto-alegre-vai-virar-centro-cultural-mas-so-uma-vez-por-mes-cjtel8us804bs01uj5thsyl5y.html
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