Nesta matéria, do blog ArqPB, o arquiteto chileno Alejandro Aravena comenta o projeto feito para assentar famílias no deserto de Iquique, no Chile.Boa leitura.
http://arqpb.blogspot.com/2009/11/elemental-alejandro-aravena.html
Arquitetura, Arte, História, Pensamentos , Reflexões... "A gente precisa sentir que a vida é importante, que é preciso haver fantasia para poder viver um pouco melhor."(OSCAR NIEMEYER)
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Vídeo sobre Madeira
Neste vídeo, o engenheiro mostra como foi a construção da casa de campo na serra da Mantiqueira, residência projetada pelo arquiteto Mauro Munhoz.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Christian de Portzamparc
Nestas matérias, publicadas pela Revista Au, o arquiteto Christian de Portzamparc fala sobre seu novo projeto, o Museu Hergê, na Bélgica, e na entrevista fala sobre a Casa da Música no Rio, a CPI e sobre a arquitetura contemporânea:
http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/187/museu-herge-arquitetura-de-geometria-complexa-e-grandes-transparencias-153327-1.asp
http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/187/entrevista-christian-de-portzamparc-fala-sobre-a-casa-da-153329-1.asp87/entrevista-christian-de-portzamparc-fala-sobre-a-casa-da-153329-1.asp
http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/187/museu-herge-arquitetura-de-geometria-complexa-e-grandes-transparencias-153327-1.asp
http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/187/entrevista-christian-de-portzamparc-fala-sobre-a-casa-da-153329-1.asp87/entrevista-christian-de-portzamparc-fala-sobre-a-casa-da-153329-1.asp
Fachada
Recorte irregular das aberturas
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Vídeo sobre Madeira
Neste vídeo,o arquiteto Marcos Acayaba Arquiteto fala sobre o uso de madeira na estrutura da casa Em entrevista, Marcos Acayaba comenta as vantagens desse material, citando grandes nomes da arquitetura.
Nestes outros vídeos, Programa Construir Bem, fala sobre estruturas de madeira. Há entrevistas com o arquiteto Marcos Acayaba que projetou a casa Hélio Olga Jr. Também há entrevistas com o próprio eng. Hélio Olga, falando sobre as características da madeira. O professor e arquiteto Yopanan fala sobre encaixes na madeira. No segundo bloco o arquiteto Silvio Sant'anna fala sobre o sistema wood-framing, usado na casa Barulho d'água e ainda pouco difundido no Brasil.
Nestes outros vídeos, Programa Construir Bem, fala sobre estruturas de madeira. Há entrevistas com o arquiteto Marcos Acayaba que projetou a casa Hélio Olga Jr. Também há entrevistas com o próprio eng. Hélio Olga, falando sobre as características da madeira. O professor e arquiteto Yopanan fala sobre encaixes na madeira. No segundo bloco o arquiteto Silvio Sant'anna fala sobre o sistema wood-framing, usado na casa Barulho d'água e ainda pouco difundido no Brasil.
Cidades: Percepção, memória e esquecimento
O homem, para se orientar, ou em busca de referência, precisa ler o ambiente em que se encontra.E isto ajuda na percepção que o usuário tem do espaço ao seu redor, e esta leitura, dependendo se é fácil ou difícil, nos mostra o quão legível é o espaço, e a relação que o habitante tem com ele.
Na nova realidade que começa a se impor, o ser humano está deixando de assumir o estatuto de extraterritorialidade e o mundo material deixando de ser um dado intangível.A arquitetura, o espaço urbano, o lugar, tornam-se mais permeáveis a ação do homem, e estes estão expostos à realidade de suas ações, bem como de seus medos e desejos.E. Hall exemplifica bem isto, ao dizer que “o homem e suas ações constituem um sistema inter-relacionado”. É um erro agir como se os homens fossem uma coisa e a sua casa, a rua, seu bairro, sua cidade, fossem algo diferente (1). Ao considerarmos qualquer análise sobre a percepção do homem no espaço que habita, temos que levar em conta todos os fatores que influenciam essa percepção. Para Kevin Lynch, a imagem è formada pelo conjunto de renovações experimentadas ao observar e viver em determinado ambiente. E essas imagens resultam desta relação. Porém, o sentido que o observador dá para o que vê pode variar de pessoa para pessoa e estas diferenças dependem de suas características individuais, mas também das caraceterísticas sociais e culturais (2). E esta sobreposição de imagens individuais gera a imagem publica da cidade e também a memória coletiva.
Os ambientes construídos pelos homens através dos tempos guardam a memória das idéias, das pràticas sociais e sistemas de representação dos indivíduos que ali convivem. Porém é impossível querer manter integralmente a memória materializada na produção cultural. O processo de ativação da memória dos indivíduos, implícito na ação de preservação do patrimônio cultural, corresponde a programar o esquecimento e controlar seletivamente aquilo que considera importante. Em uma analise de tombamento ou requalificação de projetos arquitetônicos, por exemplo, temos que voltar a atenção para os elementos que serão mantidos e ficarão como legado.
Segundo Walter Benjamim, a memória é constituída de impressões, de experiências e sua importância e significado especial estão no fato de que ela é o que nós retemos e o que dá a nossa dimensão de sentido no mundo.A arquitetura e os lugares da cidade constituem o cenário onde nossas lembranças se situam e, na medida que essa arquitetura e esse lugar fazem alusão a significados simbólicos, evocam narrativas relacionadas às nossa vida, e assim, a maneira com entendemos nossa experiência no espaço, converte-se em nossa realidade e nos dá sentido ao mundo físico (3).
Como mostra Maria Alice Rezende Carvalho, “uma praça de grandes manifestações, uma esquina boêmia, um píer na praia, um café centenário, um edifício histórico, são fundamentos de uma cidade análoga, que se repõe insistentemente, mesmo que a cidade real se altere” (4).Portanto, o conjunto de recordações que emergem da cidade nos reporta para a memória urbana, que é a realidade que marca nossa própria fugacidade na história, ao mesmo tempo em que anuncia a possibilidade de transcendermos nossa temporalidade individual.
Gaston Bachelard, em A Poética do Espaço, discorre a respeito das imagens que emergem do “fundo poético do espaço da casa”, afirmando que “é exatamente porque as lembranças das antigas moradas são revividas com o devaneio que as moradas do passado são imperecíveis dentro de nós”.Afirma ainda que “todo o espaço realmente habitado traz a essência da noção de casa”, e a preciosidade está na proteção que a casa oferece ao sonhador, na paz de se poder descansar, permitindo que esse devaneios produzam “valores que marcam o homem em sua profundidade”, Um espaço feliz é um lugar que provoca, pacifica e gera uma sensação de acolhimento, instiga a troca e o conhecimento e desperta uma ligação afetiva em quem nele vive, pela memória que persiste nas pedras, solidificando imagens, identidades e signos (5).
Na visão de Bachelard, a lembrança tem função primordial no espaço, atribuindo-lhe a condição de âncora da memória: “o inconsciente permanece nos locais. As lembranças são imóveis, tanto mais sólidas quanto mais bem espacializadas”. Todos os espaços com os quais estabelecemos uma relação de intimidade adquirem “valores oníricos consoantes”. São justamente as lembranças localizadas na região da intimidade que nos dão o sentido de valorização dos aposentos, praças, ruas, edifícios e paisagens que constituem patrimônios da história da humanidade, de uma determinada sociedade ou das histórias íntimas e individuais. Os devaneios suscitados pelas lembranças convidam-nos à imaginação e provocam transformações nas profundezas do ser. A ausência de possibilidade de devanear gera, ao contrário, o estreitamento da imaginação e a acomodação em relação à realidade. Em outras palavras: a ausência do sonho, do devaneio, impede a construção de utopias. É neste sentido, e não como tentativa de um resgate de um tempo perdido ou de uma cultura já morta, que a preservação da arquitetura e dos ambientes urbanos adquire importância (5).
Em uma linha mais contemporânea, Aldo Rossi em “A Arquitetura da Cidade”, apresenta uma teoria geral da cidade, fundamentada na análise da cidade histórica.Em contraposição ao urbanismo “arrasa – quarteirão”, surge à noção de lugar ou genius loci – conceito teórico – filosófico que e refere a um campo perceptivo resultante, na definição de Rossi, da “relação singular e, ao mesmo tempo, universal, entre certa situação local e as construções existentes naquele local” (6). Já Kenneth Frampton desenvolve a teoria do lugar em contraposição a idéia de totalidade, norteadora das idéias de proposição da cidade modernista. Para Frampton, o espaço não deve ser tratado como algo abstrato, mas como o lugar de habitação dos homens. Formula então a proposta de um regionalismo crítico, onde a questão do lugar é pensada a partir de suas significações e referências históricas, geográficas e culturais (7).
O ser humano sempre teve uma "necessidade pelo passado", e os traços do passado da cidade - suas ruínas - são, simultaneamente, sinais de um passado imaginado que tem o poder de nos reconfortar, como sinônimo de uma proximidade; sinais de um passado artístico; marca de uma continuidade e de um finalismo. Os monumentos históricos funcionam então como representações ou ícones de um passado atemporal, uma criação artística do passado e simbólica do presente, dentro de um sentido de eternidade.A relação que o indivíduo mantém com o espaço que o cerca, é o que mais influencia na sua forma de uso, significação e valorização.E nossa memória, constituída de impressões, de experiências, é o que nós retemos e o que nos dá a exata dimensão do que percebemos e sentimos através do nosso lugar no mundo.
Eder Santos Carvalho
Encruzilhada do Sul, Outubro de 2009
Notas:
1
HALL, Edward. “A dimensão oculta”. Apud ELALI, Gleice Azambuja. Psicologia e arquitetura: em busca do locus interdisciplinar.
2
LYNCH, Kevin. A imagem da cidade. Traduzido por Jefferson Luiz Camargo. São Paulo, Martins Fontes, 1997, p. 51.
3
Ver, a esse respeito, AGGIO, Sandra Mara, Cidade e Memória em Walter Benjamim in revista Caramelo , n◦ 8, São Paulo: FAU-USP, nov./95, pp. 153 – 162.
4
CARVALHO, Maria Alice Rezende de, Quatro Vezes Cidade, Rio de Janeiro: Sette Letras, 1994, p. 96.
5
BACHELARD, Gaston, A Poética do Espaço, São Paulo: Martins Fontes, 1993, pp.25 e 26.
6
ROSSI, Aldo, A Arquitetura da Cidade, São Paulo: Martins Fontes, 1995, p. 185.
7
FRAMPTON, Kenneth, História Crítica de la Arquitetura Moderna, Barcelona: Ed. G. Gilli, 1981.
Bibliografia:
Ortegosa, Sandra Mara - Cidade e memória: do urbanismo “arrasa-quarteirão” à questão do lugar – Artigo – Portal Vitrúvius – Setembro 2009
Almeida, Eneida de e Bogéa, Marta – Esquecer para preservar – Artigo – Portal Vitrúvius – Dezembro 2007
Scocuglia, Jovanka Baracuhy C., Chaves, Carolina e Lins, Juliana – Percepção e memória da cidade: o Ponto de Cem Réis – Artigo – Portal Vitrúvius – Janeiro 2006
Na nova realidade que começa a se impor, o ser humano está deixando de assumir o estatuto de extraterritorialidade e o mundo material deixando de ser um dado intangível.A arquitetura, o espaço urbano, o lugar, tornam-se mais permeáveis a ação do homem, e estes estão expostos à realidade de suas ações, bem como de seus medos e desejos.E. Hall exemplifica bem isto, ao dizer que “o homem e suas ações constituem um sistema inter-relacionado”. É um erro agir como se os homens fossem uma coisa e a sua casa, a rua, seu bairro, sua cidade, fossem algo diferente (1). Ao considerarmos qualquer análise sobre a percepção do homem no espaço que habita, temos que levar em conta todos os fatores que influenciam essa percepção. Para Kevin Lynch, a imagem è formada pelo conjunto de renovações experimentadas ao observar e viver em determinado ambiente. E essas imagens resultam desta relação. Porém, o sentido que o observador dá para o que vê pode variar de pessoa para pessoa e estas diferenças dependem de suas características individuais, mas também das caraceterísticas sociais e culturais (2). E esta sobreposição de imagens individuais gera a imagem publica da cidade e também a memória coletiva.
Os ambientes construídos pelos homens através dos tempos guardam a memória das idéias, das pràticas sociais e sistemas de representação dos indivíduos que ali convivem. Porém é impossível querer manter integralmente a memória materializada na produção cultural. O processo de ativação da memória dos indivíduos, implícito na ação de preservação do patrimônio cultural, corresponde a programar o esquecimento e controlar seletivamente aquilo que considera importante. Em uma analise de tombamento ou requalificação de projetos arquitetônicos, por exemplo, temos que voltar a atenção para os elementos que serão mantidos e ficarão como legado.
Segundo Walter Benjamim, a memória é constituída de impressões, de experiências e sua importância e significado especial estão no fato de que ela é o que nós retemos e o que dá a nossa dimensão de sentido no mundo.A arquitetura e os lugares da cidade constituem o cenário onde nossas lembranças se situam e, na medida que essa arquitetura e esse lugar fazem alusão a significados simbólicos, evocam narrativas relacionadas às nossa vida, e assim, a maneira com entendemos nossa experiência no espaço, converte-se em nossa realidade e nos dá sentido ao mundo físico (3).
Como mostra Maria Alice Rezende Carvalho, “uma praça de grandes manifestações, uma esquina boêmia, um píer na praia, um café centenário, um edifício histórico, são fundamentos de uma cidade análoga, que se repõe insistentemente, mesmo que a cidade real se altere” (4).Portanto, o conjunto de recordações que emergem da cidade nos reporta para a memória urbana, que é a realidade que marca nossa própria fugacidade na história, ao mesmo tempo em que anuncia a possibilidade de transcendermos nossa temporalidade individual.
Gaston Bachelard, em A Poética do Espaço, discorre a respeito das imagens que emergem do “fundo poético do espaço da casa”, afirmando que “é exatamente porque as lembranças das antigas moradas são revividas com o devaneio que as moradas do passado são imperecíveis dentro de nós”.Afirma ainda que “todo o espaço realmente habitado traz a essência da noção de casa”, e a preciosidade está na proteção que a casa oferece ao sonhador, na paz de se poder descansar, permitindo que esse devaneios produzam “valores que marcam o homem em sua profundidade”, Um espaço feliz é um lugar que provoca, pacifica e gera uma sensação de acolhimento, instiga a troca e o conhecimento e desperta uma ligação afetiva em quem nele vive, pela memória que persiste nas pedras, solidificando imagens, identidades e signos (5).
Na visão de Bachelard, a lembrança tem função primordial no espaço, atribuindo-lhe a condição de âncora da memória: “o inconsciente permanece nos locais. As lembranças são imóveis, tanto mais sólidas quanto mais bem espacializadas”. Todos os espaços com os quais estabelecemos uma relação de intimidade adquirem “valores oníricos consoantes”. São justamente as lembranças localizadas na região da intimidade que nos dão o sentido de valorização dos aposentos, praças, ruas, edifícios e paisagens que constituem patrimônios da história da humanidade, de uma determinada sociedade ou das histórias íntimas e individuais. Os devaneios suscitados pelas lembranças convidam-nos à imaginação e provocam transformações nas profundezas do ser. A ausência de possibilidade de devanear gera, ao contrário, o estreitamento da imaginação e a acomodação em relação à realidade. Em outras palavras: a ausência do sonho, do devaneio, impede a construção de utopias. É neste sentido, e não como tentativa de um resgate de um tempo perdido ou de uma cultura já morta, que a preservação da arquitetura e dos ambientes urbanos adquire importância (5).
Em uma linha mais contemporânea, Aldo Rossi em “A Arquitetura da Cidade”, apresenta uma teoria geral da cidade, fundamentada na análise da cidade histórica.Em contraposição ao urbanismo “arrasa – quarteirão”, surge à noção de lugar ou genius loci – conceito teórico – filosófico que e refere a um campo perceptivo resultante, na definição de Rossi, da “relação singular e, ao mesmo tempo, universal, entre certa situação local e as construções existentes naquele local” (6). Já Kenneth Frampton desenvolve a teoria do lugar em contraposição a idéia de totalidade, norteadora das idéias de proposição da cidade modernista. Para Frampton, o espaço não deve ser tratado como algo abstrato, mas como o lugar de habitação dos homens. Formula então a proposta de um regionalismo crítico, onde a questão do lugar é pensada a partir de suas significações e referências históricas, geográficas e culturais (7).
O ser humano sempre teve uma "necessidade pelo passado", e os traços do passado da cidade - suas ruínas - são, simultaneamente, sinais de um passado imaginado que tem o poder de nos reconfortar, como sinônimo de uma proximidade; sinais de um passado artístico; marca de uma continuidade e de um finalismo. Os monumentos históricos funcionam então como representações ou ícones de um passado atemporal, uma criação artística do passado e simbólica do presente, dentro de um sentido de eternidade.A relação que o indivíduo mantém com o espaço que o cerca, é o que mais influencia na sua forma de uso, significação e valorização.E nossa memória, constituída de impressões, de experiências, é o que nós retemos e o que nos dá a exata dimensão do que percebemos e sentimos através do nosso lugar no mundo.
Eder Santos Carvalho
Encruzilhada do Sul, Outubro de 2009
Notas:
1
HALL, Edward. “A dimensão oculta”. Apud ELALI, Gleice Azambuja. Psicologia e arquitetura: em busca do locus interdisciplinar.
2
LYNCH, Kevin. A imagem da cidade. Traduzido por Jefferson Luiz Camargo. São Paulo, Martins Fontes, 1997, p. 51.
3
Ver, a esse respeito, AGGIO, Sandra Mara, Cidade e Memória em Walter Benjamim in revista Caramelo , n◦ 8, São Paulo: FAU-USP, nov./95, pp. 153 – 162.
4
CARVALHO, Maria Alice Rezende de, Quatro Vezes Cidade, Rio de Janeiro: Sette Letras, 1994, p. 96.
5
BACHELARD, Gaston, A Poética do Espaço, São Paulo: Martins Fontes, 1993, pp.25 e 26.
6
ROSSI, Aldo, A Arquitetura da Cidade, São Paulo: Martins Fontes, 1995, p. 185.
7
FRAMPTON, Kenneth, História Crítica de la Arquitetura Moderna, Barcelona: Ed. G. Gilli, 1981.
Bibliografia:
Ortegosa, Sandra Mara - Cidade e memória: do urbanismo “arrasa-quarteirão” à questão do lugar – Artigo – Portal Vitrúvius – Setembro 2009
Almeida, Eneida de e Bogéa, Marta – Esquecer para preservar – Artigo – Portal Vitrúvius – Dezembro 2007
Scocuglia, Jovanka Baracuhy C., Chaves, Carolina e Lins, Juliana – Percepção e memória da cidade: o Ponto de Cem Réis – Artigo – Portal Vitrúvius – Janeiro 2006
Restauro da Vila Santa Thereza em Bagé - RS
Segue o link para ver as reportagens da AU e Projeto Design.
http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/183/restauro-na-vila-santa-thereza-flavio-kiefer-bage-rs-2004-141166-1.asp
http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/revitalizacao-restauro-flavio-kiefer-vila-santa-thereza-17-09-2009.html
Boa Leitura!
http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/183/restauro-na-vila-santa-thereza-flavio-kiefer-bage-rs-2004-141166-1.asp
http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/revitalizacao-restauro-flavio-kiefer-vila-santa-thereza-17-09-2009.html
Boa Leitura!
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
CAOS DA METRÓPOLE AMERICANA
No livro Tristes Trópicos, o filósofo francês Claude Lévi-Strauss diz em uma passagem do livro que as cidades americanas vivem febrilmente uma doença crônica: “eternamente jovens, jamais são saudáveis, porém”.Segundo ele, para as cidades européias a passagem dos anos constitui uma promoção, para as americanas, é uma decadência.
Particularmente acho que Lévi-Strauss tem razão.A maioria das cidades americanas (e quando digo americanas, não me refiro somente às cidades norte-americanas, mas a todas as cidades da América), não são apenas construídas recentemente, mas construídas para se renovarem com a mesma rapidez com que foram erguidas, ou mal erguidas.Quando surge um novo bairro, ás vezes nem sequer são bairros, são brilhantes demais, novos demais, alegres demais.Assim que passa a euforia, a festa termina e os novos bairros fenecem, as fachadas descascam, a chuva e a fuligem das fábricas traçam os sulcos e o estilo sai de moda.Muitas vezes, esses bairros ou até mesmo cidades inteiras não são sequer planejados, expandindo seus tentáculos para todos os lados, ocupando terrenos inadequados e áreas de risco.
O modo como é ou foi construído um bom número de cidades, como La Paz na Bolívia, implica na impossibilidade de alterações positivas futuras, conseqüentemente isso acaba gerando problemas como falta de moradias, adensamento de bairros, agravamento da exclusão social – marginalização, violência e desestruturação de pautas de convivência, gerando uma cidade dividida entre o setor formal (bairros) e o informal (favelas).
O que acaba gerando o exposto acima é provocado pelo fenômeno da globalização, pelo fato de que temos hoje a confluência de uma crescente dependência do movimento de capitais entre os países e um constante incremento de novas tecnologias.O que era local, de apropriação do habitante local, se internacionaliza, adquire e incrementa novas culturas, muitas vezes distante de sua realidade, e isso reflete no modo de vida e organização das cidades.
Podemos também verificar uma tendência para a exacerbação dos conflitos, dificuldade de coexistência entre as diversas camadas e classes da população, isto porque um setor, ao ver o outro invadindo o seu, acaba reagindo, muitas vezes com violência.Enumerei alguns dos principais problemas das cidades contemporâneas da América, mas há outros tantos – apropriação de espaços públicos por parte da população mais pobre, construções irregulares, condomínios que ao invés de promover a integração dos habitantes, acaba fazendo o papel ao contrário.
Soluções? Penso que não só arquitetos e urbanistas, mas toda a sociedade deveria interagir com o poder público na busca de soluções urbanas inovadoras, capazes de tornar nossas cidades um espaço melhor para viver.Buscar parcerias internacionais, acordos com Ongs e indústrias.Procurar também aprender com o modelo europeu, não que as cidades européias não tenham problemas, mas estão hoje em um nível superior ao nosso.Então, ao juntarmos essas soluções, podemos quem sabe tornar nossas cidades mais humanas.
Particularmente acho que Lévi-Strauss tem razão.A maioria das cidades americanas (e quando digo americanas, não me refiro somente às cidades norte-americanas, mas a todas as cidades da América), não são apenas construídas recentemente, mas construídas para se renovarem com a mesma rapidez com que foram erguidas, ou mal erguidas.Quando surge um novo bairro, ás vezes nem sequer são bairros, são brilhantes demais, novos demais, alegres demais.Assim que passa a euforia, a festa termina e os novos bairros fenecem, as fachadas descascam, a chuva e a fuligem das fábricas traçam os sulcos e o estilo sai de moda.Muitas vezes, esses bairros ou até mesmo cidades inteiras não são sequer planejados, expandindo seus tentáculos para todos os lados, ocupando terrenos inadequados e áreas de risco.
O modo como é ou foi construído um bom número de cidades, como La Paz na Bolívia, implica na impossibilidade de alterações positivas futuras, conseqüentemente isso acaba gerando problemas como falta de moradias, adensamento de bairros, agravamento da exclusão social – marginalização, violência e desestruturação de pautas de convivência, gerando uma cidade dividida entre o setor formal (bairros) e o informal (favelas).
O que acaba gerando o exposto acima é provocado pelo fenômeno da globalização, pelo fato de que temos hoje a confluência de uma crescente dependência do movimento de capitais entre os países e um constante incremento de novas tecnologias.O que era local, de apropriação do habitante local, se internacionaliza, adquire e incrementa novas culturas, muitas vezes distante de sua realidade, e isso reflete no modo de vida e organização das cidades.
Podemos também verificar uma tendência para a exacerbação dos conflitos, dificuldade de coexistência entre as diversas camadas e classes da população, isto porque um setor, ao ver o outro invadindo o seu, acaba reagindo, muitas vezes com violência.Enumerei alguns dos principais problemas das cidades contemporâneas da América, mas há outros tantos – apropriação de espaços públicos por parte da população mais pobre, construções irregulares, condomínios que ao invés de promover a integração dos habitantes, acaba fazendo o papel ao contrário.
Soluções? Penso que não só arquitetos e urbanistas, mas toda a sociedade deveria interagir com o poder público na busca de soluções urbanas inovadoras, capazes de tornar nossas cidades um espaço melhor para viver.Buscar parcerias internacionais, acordos com Ongs e indústrias.Procurar também aprender com o modelo europeu, não que as cidades européias não tenham problemas, mas estão hoje em um nível superior ao nosso.Então, ao juntarmos essas soluções, podemos quem sabe tornar nossas cidades mais humanas.
Eder Santos Carvalho
Encruzilhada do Sul, Agosto de 2009
Bibliografia:
- Jáuregui, Jorge Mário- Megacidades, exclusão e mundialização.Do ponto de vista da América Latina – Artigo – Portal Vitrúvius – Abril 2002
- Ultramari, Clóvis – Guerras, desastres, pobreza, mas também resiliências urbanas – Artigo – Portal Vitrúvius – Agosto 2006
- Strauss, Claude Lévi – Tristes Trópicos – Companhia das Letras – São Paulo – 4º ed. – 2001
sexta-feira, 24 de julho de 2009
A contribuição Açoriana na Formação do Povo Encruzilhadense
A chegada efetiva dos açorianos no Rio Grande do Sul foi entre 1752 e 1754, tendo em vista o povoamento das chamadas Missões Orientais, território cedido pela Espanha a Portugal, pelo Tratado de Madri, em troca da Colônia de Sacramento. Na Capitania de São Pedro do Rio Grande, os imigrantes açorianos se estabeleceram inicialmente em Viamão, dispersando-se a seguir para Rio Pardo, Santo Amaro e Taquari.
De Rio Pardo, chegaram até Encruzilhada por volta de 1810, que nessa época era habitada por tropeiros e soldados portugueses aqui instalados para defender o Forte Jesus Maria José do ataque dos espanhóis. A partir dessa data, começa efetivamente o desenvolvimento da malha urbana do município, com a nítida influência dos traçados portugueses, traçados que se fazem de acordo com a topografia, com ruas retas, mas não tão retas assim, pois nem sempre são paralelas ou ortogonais umas em relação às outras.
Essa influência no urbanismo se estende também aos prédios. A Igreja, situada em um ponto central, de preferência o mais alto, tem uma arquitetura simples, se comparada à arquitetura religiosa do centro do país. É interessante notar que na maioria das cidades que recebem imigrantes açorianos, a igreja se configura como o ponto central da cidade, e a partir dela, se organiza toda a malha urbana da cidade. A influência açoriana marcou presença também nos prédios públicos e residências.Arquitetura que hoje, ainda que precariamente, é preservada.
Os açorianos deixaram um legado que vai além da arquitetura e do urbanismo. Deixaram marcas acentuadas na estrutura social do povo encruzilhadense, com a língua usada em todos os recantos do município, os usos e costumes do povo, as brincadeiras infantis, as canções de ninar, os festejos populares e as festas religiosas.
Eder Santos Carvalho
Encruzilhada do Sul, 23 de Julho de 2009
Bibliografia consultada
Memória Encruzilhadense - Humberto Castro Fossa – Vol.3. Alice Therezinha Campos Moreira, Dione Teixeira Borges Moreira (org.). Porto Alegre. Evangraf - 2008
BARROSO, Vera Lucia Maciel (org.). Presença açoriana em Santo Antonio da Patrulha e no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: EST, 1993.
De Rio Pardo, chegaram até Encruzilhada por volta de 1810, que nessa época era habitada por tropeiros e soldados portugueses aqui instalados para defender o Forte Jesus Maria José do ataque dos espanhóis. A partir dessa data, começa efetivamente o desenvolvimento da malha urbana do município, com a nítida influência dos traçados portugueses, traçados que se fazem de acordo com a topografia, com ruas retas, mas não tão retas assim, pois nem sempre são paralelas ou ortogonais umas em relação às outras.
Essa influência no urbanismo se estende também aos prédios. A Igreja, situada em um ponto central, de preferência o mais alto, tem uma arquitetura simples, se comparada à arquitetura religiosa do centro do país. É interessante notar que na maioria das cidades que recebem imigrantes açorianos, a igreja se configura como o ponto central da cidade, e a partir dela, se organiza toda a malha urbana da cidade. A influência açoriana marcou presença também nos prédios públicos e residências.Arquitetura que hoje, ainda que precariamente, é preservada.
Os açorianos deixaram um legado que vai além da arquitetura e do urbanismo. Deixaram marcas acentuadas na estrutura social do povo encruzilhadense, com a língua usada em todos os recantos do município, os usos e costumes do povo, as brincadeiras infantis, as canções de ninar, os festejos populares e as festas religiosas.
Eder Santos Carvalho
Encruzilhada do Sul, 23 de Julho de 2009
Bibliografia consultada
Memória Encruzilhadense - Humberto Castro Fossa – Vol.3. Alice Therezinha Campos Moreira, Dione Teixeira Borges Moreira (org.). Porto Alegre. Evangraf - 2008
BARROSO, Vera Lucia Maciel (org.). Presença açoriana em Santo Antonio da Patrulha e no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: EST, 1993.
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