domingo, 21 de abril de 2019

Fotógrafa conta experiência de imersão na Catedral de Notre-Dame

Lisa Roos passou 15 dias registrando imagens do templo consumido pelo fogo na última segunda-feira. Fotos compuseram exposição apresentada em Porto Alegre em 2014.

Notre-Dame de Paris, 2013. Esse foi o título da minha exposição de fotos, ocorrida em 2014, após um convite do dramaturgo e diretor da Cia. de Teatro Novo, Ronald Radde (in memoriam), para participar do projeto O Corcunda de Notre-Dame, adaptação do texto de Victor Hugo, que ficou em cartaz no Teatro Novo DC no mesmo ano. Fui a Paris, junto a alguns integrantes da companhia, para fotografar e vivenciar a catedral, assim como outros locais da cidade relacionados, como a casa onde Hugo viveu.

Parecia um convite simples (além de espetacular, é claro). Mas a proposta era clicar Notre-Dame com os olhos do Quasímodo (o famoso Corcunda). Fiquei me perguntando como faria isso, colocar-me no lugar de um personagem que viveu dentro da catedral, escondido. O projeto consistia em produzir imagens para uma exposição a ser apresentada no foyer do teatro a partir da estreia da peça.

Passei 15 dias de novembro de 2013 vivenciando Notre-Dame. Era o ano em que a catedral comemorou 850 anos. Eu nunca havia ido a Europa, tampouco a Paris, e tinha apenas algumas imagens na cabeça sobre como era a catedral. Confesso que não quis fazer pesquisas prévias no Google, para ser surpreendida e não cair no olhar comum que os turistas costumam lançar sobre o local.

Quando cheguei, senti um misto de encanto com reflexão. É um lugar “forte”, com muita energia e muitas pessoas rezando, acendendo velas, fazendo pedidos. Só na fachada fiquei horas e horas admirando cada detalhe. Apenas as portas da entrada principal mereciam dias de observação. Já o interior é surpreendente. Escuro, amarelado. O teto é todo trabalhado, unindo-se a várias colunas, repletas de detalhes. Ao vislumbrar o teto, não há como não admirar os lustres, repletos de candelabros e velas, que acentuam a tonalidade amarelada. Ao descer a visão, deparo com os vitrais góticos e as rosáceas, emblemáticos de Notre-Dame. E lá se vão mais horas para observar, clicar e admirar.

Em meio aos cliques, pude ouvir o famoso órgão da catedral, um som surpreendente. Mexe na alma, dá medo mas me faz relembrar do Corcunda. Só ouvi uma vez – e lembro bem até hoje.

Percebi que não poderia clicar o altar tão próximo o quanto eu gostaria. Mesmo assim, acredito que ele me deu as imagens mais especiais do interior da catedral, pois pude perceber alguns detalhes da escultura da Pietà que, para muitos, passam desapercebidos.

Pude visitar alguns locais de Notre-Dame que menos pessoas visitam, que são os locais pagos. Nos acervos, por exemplo, presenciei peças incríveis! Vestimentas e instrumentos da Igreja Católica e de alguns papas, joias e tesouros inestimáveis da História, assim como a possibilidade de chegar pertinho de outros vitrais.

Mas a maior experiência à la Quasímodo foi quando subi nas torres. Pelas escadarias espirais de degraus apertados, pude conferir a paisagem de Paris através de pequenas janelas. A cidade é tão grande, mas ficava pequena vista dali. No alto das torres, os gárgulas me encaravam de cara feia. Mas eu sabia que eles estavam lá para proteger Notre-Dame, e, no fim, acabavam me protegendo também, pois o inusitado ocorreu: quando eu estava no alto das torres, com mochila, câmeras e lentes, um temporal chegou de repente, surpreendendo a cidade toda. Os turistas saíram correndo, e eu fiquei. Até conseguir juntar os materiais e guardá-los, não me restou melhor opção a não ser abrigar-me em um pequeno telhadinho de frente para um gárgula até que o resgate aparecesse. Aquele gárgula que me protegeu gerou um belo quadro para a exposição.
A fachada: imponência - Lisa Roos / Acervo Pessoal




O altar - Lisa Roos / Acervo Pessoal







A iluminação peculiar, escura, amarelada - Lisa Roos / Acervo Pessoal








Os gárgulas - Lisa Roos / Acervo Pessoal

Na tragédia da Notre-Dame, o Gótico venceu o fogo

As estruturas dos templos góticos para dar forma e sustentação à grande altura dos edifícios mostraram a sua tremenda consistência, avalia especialista em patrimônio histórico e artístico

Por José Francisco Alves
Doutor em História da Arte, especialista em patrimônio cultural

Catedrais do patrimônio cultural sob o fogo têm chocado a quase todos. Está virando frequente. Ainda em nossa memória consta viva a destruição do Museu Nacional, ocorrida há sete meses. E ainda presente para alguns porto-alegrenses estão as chamas que consumiram, em 6 de julho de 2013, parte considerável do Mercado Público – o mais importante patrimônio tombado da capital gaúcha. Enquanto o Museu Nacional desapareceu completamente (prédio, acervo), o nosso amado Mercado com suas bases de meados do século 19 sobreviveu bem ao incêndio: a parte afetada foi restaurada com recursos do extinto Ministério da Cultura, e, finalmente, neste mês alcançou a liberação da área atingida.

Agora foi Notre-Dame. A icônica nave medieval de pedra ardeu em Paris. Claro, o que vimos queimar nas cenas chocantes foi o intrincado madeirame de seu telhado, quase uma floresta inteira de carvalho e castanheira de 850 anos de idade. O fogo consumiu principalmente a cobertura de folhas de chumbo e a estreita e pontiaguda torre, a flecha (ou agulha). Esse incêndio na sede da Arquidiocese parisiense ocupa os noticiários e as sensibilidades do mundo inteiro desde a última segunda-feira. A história e as características desse monumento da humanidade têm sido amplamente difundidas, portanto, mais dados aqui seriam redundantes.

Mas, para resumir, Notre-Dame foi erguida sobre a primeira igreja cristã de Paris, Saint-Etienne (esta, por sua vez, construída sobre templos pagãos). A Catedral foi dedicada à Virgem Maria e a sua construção se iniciou no ano de 1163, tida como concluída em 1345, ou seja, 155 anos antes da chegada de Cabral ao Brasil. No século 19, o templo foi restaurado (recomposto em estruturas danificadas pelo tempo) e teve o projeto original transformado com acréscimos significativos, a exemplo da mencionada flecha, estátuas em bronze de santos e apóstolos, bem como novos gárgulas de pedra, intervenções estas sob projeto do arquiteto Eugène-Emmanuel Viollet-le-Duc (1814–1879), com participação de Jean Baptiste Lassus.

Considera-se que essa Catedral é o ponto turístico mais visitado da França. É uma comparação injusta, mas, enquanto Notre-Dame recebe de 13 milhões a 15 milhões de turistas anualmente (as estimativas oficiais e informais variam muito), o Brasil todo sonha em alcançar 7 milhões por ano. Bens simbólicos encerram em si uma potência tremenda, que vai além das paredes de pedra. Mas soma-se ao caso o imenso orgulho que os franceses têm de seu patrimônio cultural material e imaterial, ou seja, com a sua Cultura. Quem conhece um pouco a França e os franceses sabe que esse orgulho difere substancialmente de certos patriotismos dominantes.

E foi a Cultura que parou o fogo de Notre-Dame; mais especificamente, o Gótico.

O Gótico foi uma época da cultura ocidental na Idade Média. A partir dos templos católicos franceses, na arquitetura e na arte o Gótico produziu o seu estilo inconfundível. Suas catedrais foram projetadas com o objetivo de alcançar a Deus, mas de forma a mostrar que Ele está bastante acima dos fiéis. Como intermédio entre ambos, a Igreja Católica. As invenções estruturais dos templos góticos para dar forma e sustentação à grande altura dos edifícios mostraram nesse incêndio a sua tremenda consistência. A maioria das abóbadas, feitas de blocos de pedra (suportadas pelos icônicos contrafortes e arcobotantes), conseguiu aguentar o seu próprio peso, o imenso poder do calor, as toneladas de chumbo derretido e as toras incandescentes. Salvou-se, assim, um significativo acervo artístico e religioso do interior da Catedral. Algo que, vendo as imagens do incêndio, parecia impossível de acontecer.

E quem irá recuperar Notre-Dame será o orgulho francês, com muito dinheiro privado e público. É quase um masoquismo nosso, mas, ao vermos a reação da sociedade francesa, em especial a disputa de bilionários por quem dará mais dinheiro para o restauro (segundo o Le Monde, até uma bilionária brasileira já teria oferecido milhões de euros), bateu a lembrança de como foi a comoção de nossa elite endinheirada quando da tragédia cultural do Museu Nacional. Ou seja, nenhuma. Nada. Dinheiro algum dessa gente.

Como algo de nosso inconsciente, àquela altura nem sequer esperamos algo a respeito, pois “de onde menos se espera, é que não virá nada mesmo”. As cobranças, só ao governo. Ao incêndio cultural permanente do Brasil, portanto, nos falta um Gótico.
Incêndio consumiu um ícone da cultura ocidental na última segunda-feira

Política de Gestão Turística do Patrimônio Mundial é assinada

O turismo sustentável em cidades históricas e sítios reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) tem agora uma nova política de fomento. A Política Nacional de Gestão Turística dos Sítios Patrimônio Mundial tem o objetivo de estabelecer diretrizes para estimular o turismo sustentável nos 21 sítios brasileiros que recebem o título por seu excepcional valor universal para a humanidade. 
O decreto elaborado pelo Ministério do Turismo, em parceria com o Ministério da Cidadania e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi assinado em Brasília, nesta quinta-feira, dia 11 de abril, pelo presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião também estiveram presentes o ministro da Cidadania, Osmar Terra; o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio; o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto; o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles e a presidente do Iphan, Kátia Bogéa.
Com essa política, espera-se que cada vez mais turistas brasileiros e estrangeiros conheçam e visitem destinos e riquezas reconhecidos mundialmente pela Unesco no Brasil, mas sem descuidar da preservação e do respeito à cultura local. 2019 será o ano do Patrimônio mais Turismo, o que envolve um conjunto de ações de valorização dos destinos turísticos de dominância patrimonial, no Brasil. 
De acordo com o ministro da Cidadania, Osmar Terra, com a Política, um conjunto de ações está sendo programado, que vai permitir melhor estruturação dos destinos turísticos Patrimônio Mundial. “Essas ações vão impulsionar o turismo nessas cidades, movimentando a economia local, gerando emprego e renda, mas sem descuidar da preservação”, disse ele. 
A presidente do Iphan, Kátia Bogéa, afirmou que a assinatura do decreto “é  um momento importante para a política de patrimônio no país, um divisor de águas, na medida em que se busca, a partir de uma nova abordagem, considerar a dimensão econômica e a atividade turística como uma via para a sensibilização, o aprendizado e o desfrute do rico Patrimônio Cultural Brasileiro”.
As ações relacionadas às atividades turísticas voltadas ao Patrimônio Mundial serão implementadas de forma transversal aos planos, programas e projetos das entidades envolvidas em sua execução. Entre outras medidas, o decreto prevê o desenvolvimento e implantação de sinalização turística padronizada, interativa e acessível às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, nos sítios Patrimônio Mundial e seus entornos.
Outra ação a ser desenvolvida este ano é a implantação de Centros de Interpretação Turística, para atendimento aos turistas e visitantes, nos sítios Patrimônio Mundial. Em maio de 2019, o Brasil enviará uma missão de intercâmbio com gestores, prefeitos e trade turístico brasileiros a Portugal. O objetivo é conhecer referências em Centros de Interpretação portugueses, a fim trazer modelos para as 13 cidades detentoras de sítios culturais Patrimônio Mundial, no Brasil. Os Centros de Interpretação oferecem atendimento a turistas e visitantes, com informações sobre o sítio histórico, atrativos locais, programação cultural, entre outros serviços e produtos.

Metas do Patrimônio mais Turismo
As metas da nova política estão alinhadas à Política Nacional de Turismo, ao Plano Nacional de Turismo, à Política de Patrimônio Cultural, à Política Nacional do Meio Ambiente, ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação, ao Plano Nacional de Áreas Protegidas, à Política Nacional de Desenvolvimento Urbano e suas políticas setoriais de habitação, saneamento e mobilidade.
Além do decreto federal que institui a Política Nacional de Gestão Turística dos Sítios Patrimônio Mundial, está em curso a estruturação e lançamento do Programa Nacional de Turismo Cultural. Neste ano, haverá ainda atualização e lançamento do Guia Brasileiro de Sinalização Turística e a produção de guias turísticos para cada sítio Patrimônio Cultural Mundial.
Está prevista a criação de linhas de crédito para a implantação, melhoria, conservação e manutenção de empreendimentos turísticos e sinalização turística em sítios Patrimônio Mundial. Outra medida em desenvolvimento é o Sistema de Certificação de Destinos Patrimoniais, que busca fomentar o processo de qualificação dos destinos turísticos que possuam como atrativos de primeira ordem o patrimônio cultural existente. 
14 sítios Patrimônio Cultural Mundial
Os bens culturais brasileiros inscritos na Lista de Patrimônio Mundial por seu excepcional valor para a cultura da humanidade são monumentos, conjuntos urbanos, sítios arqueológicos e paisagens culturais de fundamental importância para a memória, a identidade e a criatividade dos povos e a riqueza das culturas:Centro Histórico de Ouro Preto, Minas Gerais
  • Centro Histórico de Olinda, Pernambuco
  • Missões Jesuíticas Guarani no Brasil, ruínas de São Miguel das Missões, Rio Grande do Sul
  • Centro Histórico de Salvador, Bahia
  • Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, Minas Gerais
  • Plano Piloto de Brasília, Distrito Federal
  • Parque Nacional Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, Piauí
  • Centro Histórico de São Luís, Maranhão
  • Centro Histórico da Cidade de Diamantina, Minas Gerais
  • Centro Histórico da Cidade de Goiás
  • Praça São Francisco, em São Cristóvão, Sergipe
  • Rio de Janeiro, paisagens cariocas entre a montanha e o mar
  • Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais
  • Sítio Arqueológico Cais do Valongo, no Rio de Janeiro

7 sítios Patrimônio Natural Mundial
Você sabia que o Brasil tem sete sítios naturais inscritos na Lista do Patrimônio Mundial? São formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats  de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas de valor científico. Conheça:
  • Parque Nacional de Iguaçu, em Foz do Iguaçu, Paraná e Argentina
  • Mata Atlântica - Reservas do Sudeste, São Paulo e Paraná
  • Costa do Descobrimento - Reservas da Mata Atlântica, Bahia e Espírito Santo
  • Complexo de Áreas Protegidas da Amazônia Central
  • Complexo de Áreas Protegidas do Pantanal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul
  • Áreas protegidas do Cerrado: Chapada dos Veadeiros e Parque Nacional das Emas, Goiás
  • Ilhas Atlânticas Brasileiras: Reservas de Fernando de Noronha e Atol das Rocas

5 bens Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade
O Brasil também conta com cinco bens reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. São práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhe são associados – de grande valor para as comuni¬dades.  
 
Samba de Roda no Recôncavo Baiano, na Bahia
Arte Kusiwa – Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi, no Amapá 
Frevo: Expressão Artística do Carnaval de Recife, em Pernambuco
Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, Pará
Roda de Capoeira – bem de abrangência nacional 
 
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Fonte da Imagem: Site Iphan

quinta-feira, 28 de março de 2019

Centro Histórico de Cuiabá (MT) recebe obras de requalificação urbana

No mês de abril, a cidade de Cuiabá (MT) comemora seu aniversário de 300 anos. Em meio às celebrações, destaca-se um grande e importante desafio: a preservação de seu Centro Histórico, que é símbolo da memória e identidade mato-grossense, representante da formação urbana e da história da cidade e de sua gente. Como parte dessa proposta, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia do Ministério da Cidadania, e a Prefeitura de Cuiabá entregam, no próximo dia 02, as obras de requalificação das praças Caetano de Albuquerque e Doutor Alberto Novis, e da escadaria do Beco Alto, fundamentais espaços públicos da capital do Mato Grosso.
Ainda como parte desse presente para a cidade, também serão assinadas as ordens de serviço para início da restauração do Casarão da Rua Sete de Setembro, atual sede do Iphan, e retomada da obra do Casarão de Bém-Bém. O secretário especial da Cultura, José Henrique Pires, a presidente do Iphan, Kátia Bogéa, o diretor do Departamento de Projetos Especiais do Iphan, Robson de Almeida, e a superintendente do Iphan no Mato Grosso, Amelia Hirata, estarão presentes na solenidade, assim como o prefeito Emanuel Pinheiro e outros representantes dos governos Estadual e Municipal.
Todas essas ações estão sendo executadas pela Prefeitura, com recursos do Iphan, por meio do PAC Cidades Históricas. “Com essas obras concluídas e o início de novas ações, o Iphan reforça seu esforço em preservar o Centro Histórico de Cuiabá, valorizando essa área tão importante para a cidade e que é um Patrimônio Cultural Brasileiro. Mas não só preservar: é preciso trazer vida, comércio, movimento e uso para a região. Esse é o verdadeiro presente que Cuiabá precisa nesses 300 anos!”, afirma a presidente Kátia Bogéa. 
Espaços públicos do Centro Histórico
Juntos, os três espaços que foram requalificados no Centro Histórico de Cuiabá somam investimentos de cerca de R$ 603 mil. Integrantes do conjunto protegido pelo tombamento federal, as praças Caetano de Albuquerque e Doutor Alberto Novis, assim como a escadaria do Beco Alto, receberam novo mobiliário urbano, paisagismo, iluminação, pavimentação e adaptações às condições de acessibilidade, garantindo melhores condições de uso e implementando novos espaços de lazer e convivência aos moradores e visitantes. 
Um exemplo disso é na Praça Caetano de Albuquerque, também conhecida como Praça do Rasqueado, por ser tradicionalmente utilizada para apresentações musicais e festejos populares. Essas atividades, que atraem movimento e desenvolvem a região, poderão agora ser retomadas, com o espaço transformado e em melhores condições de receber a população. Já a escadaria do Beco Alto corresponde à área onde se encontram as ruas Pedro Celestino e Ricardo Franco, em trecho inclinado do terreno, próximo ao Largo da Mandioca. Ela recebeu novos degraus, paisagismo e áreas de convivência, melhorando a circulação e permanência de pedestres no local. As intervenções nas áreas também permitiram a descoberta de um testemunho do calçamento original, datado do século XVIII, durante a pesquisa arqueológica na Praça Doutor Alberto Novis, colocando em destaque a história e a memória da cidade.
Intervenções nas edificações
Também será iniciada a obra do Casarão da Rua Sete de Setembro. O edifício, que hoje abriga a sede do Iphan no Mato Grosso, receberá investimentos de R$ 474 mil, em obra que prevê a restauração de toda a casa, incluindo nova disposição dos ambientes e recuperação de aspectos que estão danificados, como alvenarias e pisos, rede elétrica e de telefonia, e também a implantação de condições de acessibilidade. A previsão é de que, depois da intervenção, o edifício também amplie seu uso, passando a receber, além do Iphan, mais um equipamento cultural do Centro Histórico de Cuiabá.
Outro ponto importante é a restauração do Casarão de Bém-Bém. A obra havia sido iniciada em 2017, mas, em dezembro do mesmo ano, um desmoronamento arruinou parte do edifício. Foi então realizada uma ação emergencial junto ao bem e, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta, a Prefeitura Municipal apresentou novo projeto ao Iphan, com as adequações necessárias à preservação do edifício. Agora, a ação será então retomada, com previsão de investimentos de R$ 2,1 milhões, para a recuperação do imóvel e sua ampliação para a implantação da Escola de Música do Projeto Ciranda, conduzido pela Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo.
Ao todo, o PAC Cidades Históricas prevê investimentos de mais de R$ 11 milhões em 16 ações no Centro Histórico de Cuiabá. Delas, já foram concluídas a restauração do Casarão de Barão de Melgaço e do Museu da Imagem e do Som de Cuiabá, além da requalificação das praças Senhor dos Passos e do Largo Feirinha da Mandioca. Essas obras somam um investimento de R$ 4,6 milhões já realizado pelo Iphan na cidade nos últimos dois anos.
Serviços:
Entrega das obras de requalificação das praças Caetano de Albuquerque e Doutor Alberto Novis e da escadaria do Beco Alto
Data: 02 de abril de 2019, às 09h
O evento terá início na Praça Doutor Alberto Novis e segue percorrendo os outros espaços, até o MISC, onde será inaugurada a exposição fotográfica História do Futebol desde a década de 30


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segunda-feira, 18 de março de 2019

Astrolábio português com a idade do Brasil é o mais antigo do mundo

Instrumento usado em expedição de Vasco da Gama à Índia, encontrado onde duas naus naufragaram em 1503, acaba de entrar para o livro dos recordes.

Quando Pedro Álvares Cabral tomou conhecimento da existência do Brasil, em 1500, os portugueses queriam mesmo era saber das Índias. Portugal estava doido para consolidar uma rota marítima que levasse as especiarias indianas diretamente até a Europa. Tornar-se o primeiro estado europeu a estabelecer essa rota era uma imensa vantagem comercial. Acaba de entrar para o Guinness Book, o livro dos recordes, uma relíquia dessa época: um astrolábio português perdido em naufrágio de 1503 foi declarado o mais antigo do mundo.

O instrumento era uma mão na roda para os exploradores da época. Bastava apontá-lo para o céu, durante uma noite estrelada, para que ele determinasse a posição dos astros — o que permitia ter certeza de que o barco navegava na direção certa. Com origens que remontam à Grécia Antiga, o primeiro astrolábio moderno usado para fins náuticos é atribuído a uma viagem de portugueses pela costa ocidental da África em 1481. Daí para a frente, todos os grandes navegadores usaram-no: Cristóvão Colombo, Bartolomeu Dias, Vasco da Gama.

O astrolábio tornou-se bastante popular na era das Grandes Navegações. O que acaba de entrar para o Guinness estava a bordo de uma das duas embarcações que naufragaram durante a quarta armada de Portugal às Índias, comandada por Vasco da Gama. Aportadas perto da pequena ilha de Al Hallaniyah, a poucos quilômetros do litoral de Omã, na Península Arábica, as naus Esmeralda e São Pedro afundaram em 1503 após uma forte tempestade. O local ganhou o nome de Sodré, comandante do pequeno esquadrão militar.

Pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, recuperaram o histórico objeto durante escavações conduzidas no local em 2014. Mais detalhes sobre a descoberta foram publicados neste sábado (16) no periódico International Journal of Nautical Archaeology. Auditores do Guinness Bookacabam de certificar que, de fato, o astrolábio de Sodré é o mais antigo de que se tem registro entre os 104 exemplares conhecidos no mundo. São considerados os mais raros e valiosos artefatos que se pode resgatar de naufrágios.

Os especialistas acreditam que o instrumento tenha sido construído entre 1496 e 1501, pois suas características são únicas. Além de ostentar o brasão de armas de Portugal, algo que não era comum, o achado também preenche uma lacuna. É uma espécie de elo entre os primeiros modelos de astrolábio, que tinham forma de planisfério, e versões aprimoradas de discos com janelas abertas que se tornaram comuns a partir de 1517.

O astrolábio de Sodré é um disco metálico bem leve e pequeno, com 344 gramas e 17,5 centímetros de diâmetro. Seu pioneirismo tecnológico na Era dos Descobrimentos foi atestado pelos pesquisadores através de técnica de escaneamento a laser. Um modelo virtual 3D do objeto foi criado e uma posterior análise do espaçamento entre as marcas da escala comprovou que se trata do astrolábio mais antigo já descoberto. Historiadores e cientistas agora podem entender melhor os navios portugueses — e como eles navegavam.



















 (David Mearns/Divulgação)

Histórico casarão de Porto Alegre vai virar centro cultural. Mas só uma vez por mês

Empresa que venceu licitação para ocupar e restaurar a Casa da Estrela deve iniciar as obras em seis meses.

Protegida como patrimônio cultural da cidade, a Casa da Estrela, construída em 1946, hoje desabitada e malcuidada no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, vai virar centro cultural ainda neste ano.

A empresa Surya venceu a licitação para ocupar e restaurar o casarão da Rua Camerino – o imóvel foi repassado ao município em 2009, após um acordo com a proprietária. Embora preveja uma reforma de R$ 600 mil, o projeto, por enquanto, não é lá muito empolgante.

Clarice Ficagna, sócia da Surya, diz que a Casa da Estrela deverá ser aberta ao público uma vez por mês para saraus, exposições de arte e outros eventos culturais. No restante do tempo, ela servirá apenas de sede à empresa. 

O casarão em estilo neocolonial tem 165 metros quadrados e chama atenção pela vasta escadaria que cerca o imóvel. Com uma enorme estrela pintada no piso do jardim, a casa passou por uma reintegração de posse em novembro – na época, um casal que morava havia dois anos com uma criança no imóvel aceitou deixar o local.

As obras na Casa da Estrela devem começar daqui a seis meses e se estender até o fim do ano.

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/paulo-germano/noticia/2019/03/historico-casarao-de-porto-alegre-vai-virar-centro-cultural-mas-so-uma-vez-por-mes-cjtel8us804bs01uj5thsyl5y.html










Com 165 metros quadrados, imóvel em estilo neocolonial foi construído em 1946
Maria Ana Krack / PMPA

terça-feira, 5 de março de 2019

Arata Isozaki vence o Prêmio Pritzker 2019

Arata Isozaki foi nomeado o vencedor de 2019 do Prêmio Pritzker de Arquitetura. Isozaki, que pratica arquitetura desde os anos 1960, tem sido considerado um visionário arquitetônico por sua abordagem transnacional e destemidamente futurista ao projeto. Com mais de 100 obras construídas, Isozaki também é incrivelmente prolífico e influente entre seus contemporâneos. Ele é o 49º arquiteto e oitavo arquiteto japonês a receber a honra.
De acordo com o júri, na citação do prêmio: “... em sua busca por uma arquitetura significativa, ele criou edifícios de grande qualidade que até hoje desafiam categorizações, refletem sua constante evolução e estão sempre atualizados em sua abordagem”.
"Eu sempre senti que o mais importante é encontrar uma maneira de escapar da estrutura ou consciência estética com a qual estou oprimido."
Nascido em 1931 em Oita, uma cidade na ilha de Kyushu, no Japão, o início de Isozaki na arquitetura foi profundamente afetado pelos eventos mundiais da época. Isozaki tinha apenas 12 anos quando Hiroshima e Nagasaki foram dizimadas na Segunda Guerra Mundial; sua cidade natal foi incendiada durante a guerra. “Quando eu tinha idade suficiente para começar a entender o mundo, minha cidade natal foi incendiada. Do outro lado da costa, a bomba atômica foi lançada em Hiroshima, então eu cresci no marco zero. Tudo estava em ruínas, e não havia arquitetura, nem edifícios e nem mesmo uma cidade ... Então, minha primeira experiência em arquitetura foi o vazio da arquitetura, e comecei a considerar como as pessoas poderiam reconstruir suas casas e cidades.”
Isozaki levou esta visão de mundo com ele para a Universidade de Tóquio, onde se formou na Faculdade de Arquitetura e Engenharia em 1954. Prosseguiu os estudos com um Ph.D. na mesma faculdade antes de iniciar sua carreira arquitetônica a sério no escritório de Kenzo Tange. Isozaki rapidamente se tornou o protegido de Tange, trabalhando em estreita colaboração com o Prêmio Pritzker de 1987, antes de estabelecer seu próprio escritório em 1963.
O Japão na época estava em um período de imensa mudança e reinvenção. O país havia sido libertado da Ocupação Aliada apenas uma década antes, e ainda estava se recuperando dos efeitos posteriores da guerra. "A fim de encontrar a maneira mais adequada para resolver esses problemas, não pude me apoiar em um único estilo", diz Isozaki. “A mudança se tornou constante. Paradoxalmente, isso veio a ser meu próprio estilo ”.
“A mudança se tornou constante. Paradoxalmente, isso veio a ser meu próprio estilo ”.
De fato, a obra inicial de Isozaki é notável por sua abordagem decididamente futurista, visível em City in the Air, seu aspirante a masterplan para Shinjuku. Nessa proposta, camadas elevadas de prédios, residências e transportes flutuariam acima da cidade antiga - uma resposta extrema ao ritmo voraz da urbanização e modernização no Japão (da época). Embora o plano nunca tenha sido realizado, ele deu o tom para muitos dos futuros projetos de Isozaki e liderou mais planos / visões urbanas para cidades em todo o mundo.
A linguagem formal que caracteriza grande parte das obras de Isozaki - uma combinação característica de Metabolismo e Brutalismo - foi desenvolvida em colaboração com o mentor Kenzo Tange, o arquiteto considerado fundador do metabolismo japonês.
Originalmente chamado de Burnt Ash School, por conta do local onde nasceu, o Metabolismo fundiu idéias de crescimento orgânico com a arquitetura das megaestruturas futuristas. Isozaki estava profundamente envolvido no desenvolvimento e na perpetuação do Metabolismo, como visto em projetos como a Biblioteca da Província de Oita, a Escola Secundária de Iwata Girls e vários projetos para o Fukuoka City Bank.
Mas foi em 1970 que o Isozaki ganhou fama internacional, já que seu projeto Festival Plaza na EXPO70 (a primeira feira mundial sediada no Japão) cativou os visitantes globais. Isozaki completou outras obras significativas, como a Torre de Arte Mitor, o Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles e o Palau Sant Jordi em Barcelona. Mais recentemente, Isozaki completou o Museu Provincial de Hunan, o Harbin Concert Hall, o Krakow Concert Hall e a Allianz Tower em Milão.
“A obra de Isozaki foi descrita como heterogênea e abrange descrições de vernacular a alta tecnologia”, disse o júri do Pritzker na citação do prêmio. "O que é claro é que não vem seguindo tendências, mas forjando seu próprio caminho."
Isozaki recebeu inúmeros prêmios ao longo de sua carreira, mais notavelmente o Prêmio Anual do Architectural Institute of Japan em 1974, a Medalha de Ouro do RIBA em 1986 e o American Institute of Architects Honor Award em 1992.
A cerimônia do Prêmio Pritzker de 2019 será realizada no Chateau de Versailles, na França, em maio, e será acompanhada por uma palestra pública de Isozaki, em Paris.

Citação do Júri

Arata Isozaki, nascido em Ōita, na ilha de Kyushu, no Japão, é conhecido como um arquiteto versátil, influente e verdadeiramente internacional. Estabeleceu sua própria prática na década de 1960 e tornou-se o primeiro arquiteto japonês a forjar uma relação profunda e duradoura entre o Oriente e o Ocidente. Isozaki possui um profundo conhecimento da história e teoria da arquitetura e, abraçando a vanguarda, nunca meramente reproduziu o status quo, mas o desafiou. Em sua busca por uma arquitetura significativa, criou edifícios de grande qualidade que até hoje desafiam categorizações, refletem sua constante evolução e estão sempre atualizados em sua abordagem.
Ao longo dos mais de 50 anos de profissão, Arata Isozaki teve um impacto na arquitetura mundial, através de seus trabalhos, escritos, exposições, organização de importantes conferências e participação em júris de concursos. Ele apoiou muitos jovens arquitetos de todo o mundo a terem uma chance de realizar seu potencial. Em empreendimentos como o Fukuoka Nexus World Housing (1988-1991) ou o programa Machi-no-Kao (“face da cidade”) da Prefeitura de Toyama (1991-1999), Isozaki convidou jovens arquitetos internacionais para desenvolver projetos catalíticos no Japão. Sua obra foi descrita como heterogênea e que abrange descrições do vernacular à alta tecnologia. O que é evidente é que ele não segue as tendências, mas forjou seu próprio caminho. Uma exploração inicial de uma nova visão para a cidade é vista no projeto City in the Air, do início dos anos 1960, para uma cidade multifacetada que paira sobre a cidade tradicional.
Seus primeiros trabalhos no Japão, seu país natal, incluem uma obra-prima do brutalismo japonês, a Biblioteca Municipal de Ōita (1966). Projetos como a Biblioteca Central de Kitakyushu (1974) e o Museu de Arte Moderna da Prefeitura de Gunma, inaugurado em 1974, revelam uma exploração de uma arquitetura mais pessoal. No museu, a geometria clara do cubo reflete seu fascínio pelo vazio e pela grade, à medida que busca alcançar um equilíbrio na exibição de obras de arte em mudança.
O alcance e o repertório de Arata Isozaki se expandiram ao longo dos anos e passaram a incluir projetos de muitas escalas e tipologias e em vários países. Nos Estados Unidos, Isozaki é provavelmente mais conhecido por ter projetado o Museu de Arte Contemporânea em Los Angeles (1986) e o edifício Team Disney na Flórida (1991). O primeiro é um estudo da abóbada, ou o que ele chama de “retórica do cilindro”, e o segundo é evidenciado por um uso mais lúdico de formas com um toque pós-moderno.
Muitos conhecem o seu trabalho através de edifícios tão significativos como o Estádio Sant Jordi para as Olimpíadas de 1992 em Barcelona. Ele realizou trabalhos exemplares na China, como o Museu de Arte CAFA (Academia Central de Belas Artes da China) em Pequim, inaugurado em 2008, ou o Centro Cultural de Shenzhen (2007), em Shenzhen, Guangdong.
Isozaki mostrou extraordinário dinamismo nos últimos anos com obras como Qatar Convention Center (2011), o inflável viajante Ark Nova (2013) projetado com Anish Kapoor para regiões afetadas pelo tsunami de 2011 no Japão, e o poderoso e elegante Allianz Tower em Milão inaugurado em 2018. Mais uma vez, é um testemunho da sua capacidade de compreender o contexto em toda a sua complexidade e de criar um edifício notável, bem trabalhado, inspirador, e que é bem sucedido desde a escala da cidade até aos espaços interiores.
Claramente, é uma das figuras mais influentes na arquitetura do mundo contemporâneo que está em uma busca constante, sem medo de mudar e tentar novas idéias. Sua arquitetura repousa na compreensão profunda, não apenas da arquitetura, mas também da filosofia, história, teoria e cultura. Ele uniu o Oriente e o Ocidente, não por meio de mimetismo ou como academia, mas através da criação de novos caminhos. Isozaki deu um exemplo de generosidade ao apoiar outros arquitetos e incentivá-los em competições ou através de trabalhos colaborativos. Por todas essas razões, o Júri do Prêmio Pritzker selecionou Arata Isozaki como laureado em 2019.
Júri do Prêmio Pritzker 2019 
  • Stephen Breyer: Supremo Tribunal dos EUA. Washington DC.
  • André Aranha Corrêa do Lago: atual embaixador do Brasil no Japão.
  • Richard Rogers: Arquiteto e Prêmio Pritzker 2007. Londres, Inglaterra.
  • Kazuyo Sejima: Arquiteto e Prêmio Pritzker 2010. Japão.
  • Benedetta Tagliabue: Arquiteta e Educadora. Barcelona, Espanha.
  • Ratan N. Tata: Presidente Emérito da Tata Sons, a holding do Grupo Tata. Mumbai, índia.
  • Wang Shu: Arquiteto e Prêmio Pritzker 2012. República Popular da China.
  • Martha Thorne (Diretora Executiva): Dean, IE School of Architecture & Design. Madri, Espanha.





























Fonte das Imagens: do Site Archdaily