quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Palácio da Liberdade vira museu interativo

Sede histórica do governo de Minas Gerais sofre alterações e passa a integrar o circuito de museus na região central da capital mineira

Belo Horizonte

"Palácio da Liberdade - Memórias e Histórias", exposição permanente do novo museu, mostra objetos combinados a animações e vídeos de personalidades da política mineira.
Inaugurado em 1897, De traçado neoclássico, o projeto do Palácio da Liberdade mescla padrões arquitetônicos que vão desde o Luís XV ao mourisco, pensado para ser a residência oficial dos governadores de Minas Gerias . O Palácio da Liberdade foi incorporado ao Circuito Cultural Praça da Liberdade e aberto à visitação pública em 2010, após a transferência da sede do governo estadual para o Palácio Tiradentes, na Cidade Administrativa de Minas Gerais. O projeto museográfico do Palácio teve o custo de aproximadamente R$ 1 milhão.
A grande novidade da exposição permanente é que as personalidades da política mineira e os episódios históricos ali retratados podem ser acessadas pelo público de maneira interativa: Ao atender a um telefone, por exemplo, o visitante ouvirá um diálogo entre o então governador de Minas Gerais Juscelino Kubitschek e o arquiteto Oscar Niemeyer.



 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Instituto luta para preservar prédios históricos em Caruaru

A arquitetura do século passado quase não tem mais espaço nas ruas de Caruaru, no Agreste pernambucano. Novas edificações têm transformado em poeira prédios comerciais e casas residenciais que conservavam imagens de um tempo cada vez mais distante.
O Instituto Histórico de Caruaru (IHC), criado em 2008 para tentar preservar o pouco que restou das edificações, contabiliza hoje apenas oito bens tombados no município. Na Rua 15 de Novembro, no Centro da cidade, é difícil encontrar prédios mantenham a concepção original intacta.
Para o historiador Walmiré Dimeron, não houve, ao longo das décadas, uma preocupação do poder público para catalogar e, posteriormente, tombar as construções de época da cidade. "Infelizmente, não existe uma consciência de preservação e o setor de cultura é o primo pobre do orçamento. Quando se trata de patrimônios históricos a situação é pior”, relata Dimeron. Atualmente, o Armazém Martins Sá e a Casa Museu de Mestre Vitalino são poucos exemplos de estruturas que ainda não foram tocadas pelas reformas.
Composto por pesquisadores e profissionais liberais, o IHC tem contado com doações de colecionadores de antiguidades para armazenar, em uma das salas da estação ferroviária (desativada desde meados dos anos 1990), resquícios da memória municipal.
Walmiré Dimeron, que também é integrante da diretoria do IHC, teme que as poucas construções erguidas em tempos remotos também desapareçam. "É muito triste ver que as obras que contam a história da nossa cidade estão sendo engolidas pela modernidade. O IHC se esforça para preservar. Emitimos ofícios para autoridades, fiscalizamos as obras tombadas, solicitamos restauros em algumas prédios. Nem sempre nossas solicitações são atendidas, mesmo assim não desistimos", diz.
Na luta contra o descaso com o passado, o Palácio Episcopal, erguido no fim do século 19, permanece de pé. O espaço já foi usado como hospital e sede da prefeitura, até ser transformado na residência do bispo diocesano. Um dos raros monumentos reaproveitados pelo município é o antigo Mercado de Farinha, transformado no Memorial de Caruaru. Outros monumentos tombados da cidade são o Cemitério São Roque, a Estação Ferroviária e a fachada da Rádio Difusora.

Fonte: http://g1.globo.com/pe/caruaru-regiao/noticia/2013/08/instituto-luta-para-preservar-predios-historicos-em-caruaru.html 


















Prédio da Martins Sá sobrevive no Centro de Caruaru (Foto: Antônio Valdevino/TV Asa Branca)
















Palácio Episcopal foi tombado (Foto: Ândrica
Virgulino/G1)

















Igreja da Conceição permanece de pé no Marco
Zero (Foto: Ândrica Virgulino/G1)


  















Catedral da Matriz foi reformada e é preservada pelo instituto (Foto: Ândrica Virgulino/G1) 

Rodrigo Melo Franco de Andrade e o Patrimônio Cultural

“Mais um relevante trabalho do ministro Gustavo Capanema ao país a criação do Serviço de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico, com a incumbência entre outras múltiplas e variadas, de realizar o tombamento geral dos monumentos e evitar a evasão de obras, objetos de arte e de história dignos de nossas tradições e do nosso apreço”. Assim, Rodrigo Melo Franco de Andrade, definia a criação e os trabalhos iniciais do órgão que, após 76 anos, continua com a missão de preservar e proteger o patrimônio cultural brasileiro.

Sua história no então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), hoje Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), teve início em 1936, quando o ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, por indicação de Mário de Andrade e de Manuel Bandeira, o convidou para organizar e dirigir o SPHAN. A proteção dos bens patrimoniais do país passou a ser sua atividade principal, deixando em segundo plano a literatura, o jornalismo, a política e a advocacia.
A implantação do Serviço do Patrimônio exigiu o cumprimento de diferentes tarefas, como a redação de uma legislação específica, com a introdução do instrumento do tombamento, a preparação de técnicos e trabalhos na área, disputas judiciais, luta pela sobrevivência da repartição junto a políticos e governantes e a busca de uma consciência de preservação, em nível nacional.

Como bem lembrou o professor Luiz Cruz, em artigo à Revista de História, muitas causas tramitaram em foro judicial para a defesa de igrejas ou casarões. Nessas ocasiões, seus talentos de advogado e de escritor foram fundamentais para a vitória em diversos casos, e Rodrigo criou muita jurisprudência que garantiu a preservação e proteção do Patrimônio Cultural Brasileiro, ao longo das últimas décadas.

Antigo e moderno, ele conseguia conciliar admiravelmente a busca pela modernidade e o respeito pela tradição. Sua ação decisiva fez com que obtivesse o apoio e a admiração de todos os que com ele conviviam: funcionários, técnicos, especialistas brasileiros e estrangeiros, chefes de repartições e governos, representantes do povo, além de intelectuais, poetas e artistas plásticos.

Nos primeiros anos do SPHAN, Rodrigo contou com a colaboração de brasileiros ilustres, como Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Leão, Luís Jardim, José de Sousa Reis, Lúcio Costa, Edgar Jacinto da Silva, Renato Soeiro, Aírton Carvalho, Afonso Arinos de Melo Franco, Carlos Drummond de Andrade, Joaquim Cardoso, Gilberto Freire, Alcides da Rocha Miranda, Vinícius de Morais, Celso Cunha, Arthur César Ferreira Reis, Sérgio Buarque de Holanda e muitos outros.

Formou-se uma equipe com pesquisadores, historiadores, juristas, arquitetos, engenheiros, conservadores, restauradores, mestres-de-obras, a quem Rodrigo transmitia seu entusiasmo e empenho incansável na defesa do patrimônio cultural do país.

Sempre sob sua meticulosa orientação, foram realizados inventários, estudos e pesquisas, além de obras de conservação, consolidação e restauração de monumentos; organizou-se um arquivo de documentos e dados colhidos em arquivos públicos e particulares; reuniu-se valioso acervo fotográfico e estruturou-se uma biblioteca especializada; pinturas antigas, esculturas e documentos foram recuperados e inúmeros bens protegidos, com a criação de museus regionais e nacionais.

Outra grande preocupação de Rodrigo referia-se à divulgação desse trabalho. Para tanto, criou uma linha editorial dentro da instituição, onde se destaca a Revista do Patrimônio, cujo primeiro número circulou ainda em 1937. Em 1997 foi lançada uma edição especial da publicação, intitulada 60 anos - a Revista, onde é republicado texto de Rodrigo sobre o programa do primeiro número.

O período em que esteve à frente da instituição, que vai de 1937 a 1967, ficou conhecido como fase heroica, refletindo a realidade dos percalços e desafios enfrentados. Rodrigo e seus seguidores entendiam a atuação no SPHAN como uma “missão”, para além da ocupação de cargos na estrutura burocrática do período de governo do então Presidente da República, Getúlio Vargas. Os que o conheceram e com ele trabalharam afirmam que o envolvimento entre a pessoa e o serviço era tão grande, que tornava impossível entender o patrimônio sem conhecer e compreender a personalidade e a atuação de Rodrigo Melo Franco de Andrade.

“Do transcurso do 20º aniversário à frente do SPHAN, conta Rubem Braga, Rodrigo mandou chamar alguns dos seus funcionários (...). Não houve docinhos nem beberete; nem sequer uma flor. O que os funcionários ouviram foi um grave e delicado ‘pito’ e um apelo para que trabalhassem mais. Nenhum se queixou depois; todos ficaram comovidos porque o funcionário que Rodrigo mais censurou foi ele mesmo, o chefe”.  (A lição de Rodrigo. DPHAN, 1969 apud Rodrigo e Seus Tempos. Rio de Janeiro, 1986).

Aposentou-se em 1967, entretanto, continuou sua contribuição como conselheiro no Conselho Consultivo do SPHAN. Ao término de sua gestão, a instituição estava consolidada, reconhecida no país e internacionalmente, pelo êxito de suas ações e realizações. O poeta Carlos Drummond disse que “foram 62 anos de dedicação, pois Rodrigo trabalhava compulsivamente, sem horário para encerrar o expediente, sem final de semana, sem feriado, sem férias”.

O legado deixado se confunde com a trajetória da preservação do Patrimônio Cultural, no país, a ponto de simbolizá-la: o Dia do Patrimônio é celebrado no dia de seu nascimento, 17 de agosto. A data passou a ser celebrada em 1998, quando ele faria 100 anos.  Foi realmente um obstinado. Rodrigo faleceu dois anos depois, no dia 11 de maio de 1969.

Em sua homenagem, o IPHAN criou, em 1987, o Prêmio Rodrigo Melo Franco, oferecido anualmente a empresas, instituições e pessoas de todo o País que promovam a preservação do patrimônio cultural brasileiro.
Fontes ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. A defesa do patrimônio histórico e artístico nacional. In ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Rodrigo e o SPHAN; coletânea de textos sobre o patrimônio cultural. Rio de Janeiro: MinC, Fundação  Pró-Memória, 1987.
MARINHO, Teresinha. Rodrigo e seus tempos, Coletânea de textos sobre artes e letras. Rio de Janeiro: MinC, Fundação  Pró-Memória, 1986.
Vitruvius - Rodrigo Melo Franco de Andrade e a paisagem hiper-real do patrimônio
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Rodrigo Melo Franco de Andrade, Nota Bibliográfica.
http://portal.iphan.gov.br/portal/baixaFcdAnexo.do?id=450

Fonte: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do;jsessionid=F6F84684763BB7441D5F23A0771DCC95?id=17798&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia


  

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Semana do Patrimônio celebra aniversário de Rodrigo Melo Franco de Andrade

A semana de 12 a 18 de agosto será especial no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Para homenagear seu primeiro presidente, o Portal do IPHAN (www.iphan.gov.br) estará totalmente voltado para o advogado, escritor e jornalista Rodrigo Melo Franco de Andrade que em 17 de agosto completaria 115 anos de idade. Desde 1998, ano de seu centenário, a data é dedicada ao Dia do Patrimônio para celebrar as raízes, a rica diversidade da cultura brasileira e as belezas produzidas pelo homem e pela natureza.
A Semana do Patrimônio Cultural do IPHAN vai divulgar artigos, histórias, fotografias e outras informações sobre todo o trabalho que o grande defensor do patrimônio cultural brasileiro desenvolveu ao longo dos 30 anos que esteve á frente da instituição, criada em 1937 com o nome de Serviço Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o SPHAN.
Rodrigo Melo Franco de Andrade nasceu em 17 de agosto de 1898 em Belo Horizonte. Foi redator-chefe e diretor da Revista do Brasil. Iniciou a vida política como chefe de gabinete de Francisco Campos, atuando na equipe que integrou o Ministério da Educação e Saúde do governo Getúlio Vargas. Entre 1934 e 1945, período em que Gustavo Capanema era ministro da Educação, Rodrigo Melo Franco de Andrade integrou o grupo formado por intelectuais e artistas herdeiros dos ideais da Semana de 1922, quando se tornou o maior responsável pela consolidação jurídica do tema Patrimônio Cultural no Brasil, que resultou na criação do SPHAN. Rodrigo Melo Franco de Andrade presidiu o IPHAN até 1967. Ele faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 11 de maio de 1969.
O espírito incansável de Rodrigo Melo Franco de Andrade como defensor do patrimônio cultural continua presente no IPHAN que, nos dias de hoje, ainda possui uma importante e desafiadora missão: promover e coordenar o processo de preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro para fortalecer identidades, garantir o direito à memória e contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do país. Em seu esforço para a preservação dos bens culturais, o IPHAN possui sobre sua tutela mais de 45 mil bens imóveis tombados, inseridos em 97 núcleos históricos protegidos. Registra, ainda, o tombamento de 910 edificações isoladas, equipamentos urbanos e de infraestrutura, um conjunto rural, 17 paisagens naturais, 16 ruínas, dez jardins e parques históricos, seis terreiros, seis sítios arqueológicos e um sítio paleontológico. Destacam-se, também, 417 mil objetos e bens integrados tombados individualmente e sete coleções e acervos arqueológicos.
Também estão sob a proteção do IPHAN 27 bens registrados como Patrimônio Cultural do Brasil, sendo seis celebrações, dez formas de expressão, nove saberes e dois lugares. O Brasil tem ainda vinte e dois bens culturais e naturais na Lista do Patrimônio Mundial (World Heritage), da Unesco. Com tanta riqueza cultural, há muito a comemorar. Para participar da Semana do Patrimônio Cultural do IPHAN, envie sua colaboração para comunicacao@iphan.gov.br.


Fonte: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=17794&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia



 

Concurso de Restauro Condephaat - Palácio do Imperador

Palácio do Imperador

Itapura, SP, 2012 - 2013

Centro Arquitetura [Carlos Ferrat

Matéria publicada no portal Vitrúvius - http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.152/4825 

 

Avaliação preliminar da estabilidade da construção

O Palácio do imperador é uma construção de dois pavimentos realizada em alvenaria de tijolos argamassados com barro. A construção está elevada 77 centímetros em relação ao solo através de um embasamento também em alvenaria. Não foi possível verificar in loco, mas é muito provável que este porão fosse ventilado por gateiras que devem ter sido cerradas em alguma intervenção anterior.
Visualmente, as alvenarias aparentam estar em boas condições estruturais. Há somente deterioração superficial, sendo possível observar fissuras e trincas somente sobre as portas internas e trincas junto às paredes da ala onde estão localizados a escada e banheiros.
O madeiramento - barrotes, tesouras, frechais, etc - é apoiado sobre as alvenarias. Os pisos e forros, também em madeira, são constituídos por lâminas de 7 a 10 centímetros de largura com encaixe tipo macho e fêmea, fixados diretamente aos barrotes.
Todas as peças em madeira apresentam elevado grau de deterioração, sendo que muitos elementos encontram-se condenados, danificados ou faltantes, comprometendo criticamente a estabilidade e integridade do sistema construtivo.

Memorial
O conceito moderno de restauro patrimonial fundamenta-se no legado de continuidade cultural entre o passado, o presente e o futuro. Sabido que a restauração pressupõe a análise do estado de conservação das peças que compõe o objeto arquitetônico, o diagnóstico das sucessivas intervenções sofridas pelo monumento no tempo, discriminando aquelas que se incorporaram historicamente ao bem cultural daquelas que comprometeram o valor histórico, estético ou a própria conservação física do edifício. A definição do critério conceitual é, portanto, fator fundamental para orientar o que conserva
A liberdade de criação do novo projeto arquitetônico será inversamente proporcional ao valor cultural de cada ambiente ou elemento preexistente. Assim, quanto mais íntegro historicamente estiverem as formas e a espacialidade, mais o critério conservativo será prevalente, ou seja, o ímpeto da criação será substituído pela quase neutralidade das inovações. Nos ambientes cuja espacialidade ou elementos físicos não contiverem os valores culturais necessários, a nova intervenção poderá acrescentar valores contemporâneos à história da edificação. Nesse sentido, o restauro das fachadas, das alvenarias internas, dos caixilhos e portas, do piso e do forro, da cobertura, bem com da espacialidade e dos ambientes internos do Palácio do Imperador em Itapura terão um caráter conservativo, procurando sempre manter as características originais existentes. Novas intervenções são necessárias para a modernização e readequação dos espaços, como a substituição das instalações hidráulicas e elétricas. As novas intervenções devem comparecer com características próprias sem imitar ou falsificar o antigo e ressaltar a harmonia estética entre o novo e o antigo, como recomenda as normas internacionais.
Portanto, de modo a atender as exigências do edital do presente concurso quanto aos novos usos propostos e resolver as questões relacionadas à acessibilidade (NBR9050) propusemos a construção de um novo volume anexo ao edifício existente.
Esse novo elemento, justaposto ao volume original em sua face cega, abrigará uma escada em substituição a existente, que possui dimensões incompatíveis com os novos usos propostos. Além da escada, que é o elemento que faz a transição entre a construção original e a nova, esse volume anexo contará com um elevador e um banheiro adaptado para pessoas portadoras de necessidades especiais nos dois pavimentos.
A laje que cobre este novo volume servirá também de superfície de apoio do reservatório de água superior que deverá substituir o atual, instalado de forma precária e de difícil acesso, entre o forro e a cobertura da construção existente. No vazio antes ocupado pela escada antiga e aos banheiros a ela vinculados, propusemos instalar as novas instalações sanitárias, um banheiro por gênero, em cada um dos pavimentos, bem como os corredores de conexão entre o volume novo e o existente. Para tanto, será necessária a abertura de um acesso nos dois níveis do edifício.
O novo volume foi pensado em concreto armado, com fundações independentes da construção original e contará com uma junta de dilatação entre a antiga construção e a nova. Os novos caixilhos serão metálicos, com pintura eletrostática na cor cinza grafite e vidros temperados transparentes e incolores. Os pisos serão em concreto lixado e polido nas circulações, lances de escada e patamar e cimento queimado nos banheiros. Os novos corrimãos e guarda-corpos também serão metálicos com a mesma pintura dos caixilhos.
Propomos também reconstituir, na fachada oposta a do novo volume, um pequeno balcão existente. Para isso deveremos substituir as mãos francesas de madeira por novas em perfis metálicos pintados, piso em concreto lixado e polido e guarda-corpos metálicos.
O programa foi dividido da seguinte forma: No pavimento térreo localizar-se-ão os usos mais públicos do edifício, o salão central como espaço de acolhimento aos visitantes com as bibliotecas nas extremidades e, no pavimento superior, os usos mais restritos com as salas das secretarias sobre as bibliotecas e o museu no compartimento central.
O acesso ao edifício poderá ser feito tanto pelo “acesso principal” com alpendre, como pelo lado oposto, originalmente de caráter secundário, mas agora tratado com a mesma importância do anterior. Para isso, substituiremos a precária escada existente, responsável por vencer o pequeno desnível entre o piso térreo do edifício e o chão, por uma plataforma servida de um conjunto de rampa e escada. Vale ressaltar que essa rampa terá inclinação máxima de 5% de modo a evitar a construção de corrimãos, bem como de facilitar o deslocamento.
Duas praças foram projetadas nas esquinas opostas para a inserção do Palácio no tecido da cidade. Essas praças terão características distintas uma da outra, apesar de contarem com o mesmo tipo de pavimentação (bloco de concreto intertravado). A esquina da Av. João Soares com a Av. Imperador D. Pedro II constrói um novo espaço de encontro e convívio junto à avenida que se prolonga até o estádio municipal, a Igreja matriz e a praia do Rio Tietê. Já a esquina da R. Tiradentes com a Av. Imperador D. Pedro II, apropria-se dos renques de árvores existentes e estabelece um espaço de estar sombreado junto ao edifício, sendo um ponto de chegada dos estudantes da EE Dr. Paulo Grassi Bonilha e daqueles que vêm do centro da cidade.
Completando o tratamento da área envoltória, o mesmo tipo de pavimentação deverá contornar a quadra de modo a definir seu perímetro. A quadra, agora transformada em Praça do Palácio deverá contar, além da pavimentação proposta, com novas árvores como as Sibipirunas e Ipês aqui projetadas e bancos (de alvenaria e madeira) sob a copa das novas e velhas árvores, garantindo a este sítio a importância simbólica do lugar que abriga o Palácio.

Mais detalhes e imagens do projeto no link: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.152/4825 
























Palácio do Imperador
Foto Centro Arquitetura

Caminho dos gladiadores é reaberto

Milhões de turistas visitam o Coliseu anualmente em Roma. Mas as suas áreas subterrâneas, consideradas frágeis pelos engenheiros, estavam havia anos fechadas ao público.

Depois de um longo processo de contenção das estruturas, os corredores foram liberados para visitação depois de 15 séculos de ostracismo. O serviço de restauração, que custou cerca de US$ 28 milhões, conseguiu recuperar a área subterrânea, protegendo a memória do anfiteatro.

Foram criadas também novas passagens para que os visitantes possam apreciar esse marco da história romana.

Retratada em dezenas de filmes épicos, a rede de túneis e celas do Coliseu costumava servir de abrigo aos gladiadores, escravos e pessoas que eram jogadas aos leões e tigres para entretenimento do público. Nos tempos áureos da Roma imperial, ali se estabelecia uma verdadeira cidade subterrânea, que servia a um público que chegava a 50 mil pessoas em cada apresentação.

Fonte: http://www2.uol.com.br/historiaviva/noticias/caminho_dos_gladiadores_e_reaberto.html 

Três séculos de São João del-Rei

Em 8 de dezembro deste ano, a cidade de São João del-Rei (MG) comemora 300 anos de elevação a vila, quando o Arraial Novo do Rio das Mortes ganhou seu nome definitivo em homenagem ao rei Dom João V.

O município foi um dos pontos mercantis centrais da época da exploração das riquezas minerais do período do Brasil Colônia, tendo experimentado grande prosperidade ao longo de todo o século XVIII, mesmo quando os veios de ouro já davam sinais de esgotamento. O Museu Regional de São João del-Rei antecipa a comemoração com a exposição 300 anos de ouro e glórias.

A história da cidade é contada a partir do acervo da instituição, com destaque para artefatos usados em atividades de mineração e um retrato do comendador João Antônio da Silva Mourão pintado por Édouard Vienot no século XIX. Mourão, próspero comerciante e fazendeiro da região, foi o fundador da casa que hoje abriga o museu.

Passando por temas como a extração do ouro, a religiosidade, o comércio, a indústria e a imigração, o visitante é levado a um passeio pela São João del-Rei de três séculos, chegando aos dias de hoje.

SÃO JOÃO DEL-REI: 300 ANOS DE OURO E GLÓRIAS Onde: Museu Regional de São João del-Rei, rua Marechal Deodoro, 12, Centro, São João del-Rei. Quando: diariamente, das 9h às 18h. Quanto: grátis. Contato: (32) 371-7663

Fonte: http://www2.uol.com.br/historiaviva/noticias/tres_seculos_de_sao_joao_del-rei.html 

















Foto de São João del-Rei (MG), século XIX, acervo do Museu Regional

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Do túnel do tempo

Durante restauração de estátua em Curitiba, equipe encontra garrafa com manuscrito assinado pelo escultor, em 1932. Carta indica a existência de outra mensagem encapsulada, ainda desconhecida.

Gabriela Nogueira Cunha
 
O mártir da Inconfidência Mineira, uma águia que faz companhia ao autor da Constituição Brasileira de 1891 e uma onça. Achar semelhanças entre esses três personagens pode parecer coisa de maluco, mas é tarefa mais simples. Tratam-se de esculturas em bronze do paranaense João Turin (1878-1949), que hoje integram um amplo projeto de restauração, iniciado há cerca de dois anos pela Fundação Cultural de Curitiba. Em julho passado, uma surpresa. Durante a retirada da estátua de Tiradentes de seu local de origem, a equipe econtrou uma garrafa contendo um manuscrito assinado pelo próprio escultor.  
O documento revelou a existência de uma nova cápsula do tempo. A mensagem, preservada dentro do artefato aberto em 1º de agosto, data de 25 de janeiro de 1932 e relata uma suposta mudança na posição do monumento de Tiradentes, assim como a existência de outra garrafa, ainda mais antiga. O objeto guardava, ainda, uma edição do jornal O Dia, uma série de assinaturas e moedas de cobre e níquel.
"Aos 25 dias do mês de janeiro de 1932, nesta cidade Coritiba, sendo interventor interino o Dr. João Pernetta, Prefeito Municipal Cel. Joaquim Pereira de Macedo, na Praça Tiradentes procedeu-se a remoção deste monumento da posição primitiva para a atual, que dista daquela cerca de 35 metros na direção Oeste, tendo sido encontrada uma garrafa contendo uma acta impressa com diversas assinaturas autógrafos, a primeira página do jornal ‘O Dia’ de 21 de abril de 1927 e algumas moedas de níquel e cobre. A garrafa referida foi colocada na última camada de alvenaria-bruta e debaixo do pedestal", relata.
De acordo com o diretor de patrimônio da Fundação, Mauro Tietz, os procedimentos necessários à preservação do documento ainda estão sendo estudados. “Tudo será feito com muita calma e com o cuidado que o procedimento exige. É um documento com importância histórica, pois contém a assinatura do João Turin e de outras pessoas, portanto, deve passar por um restauro e ser guardado com o devido cuidado”, explica.
 
Outras estátuas
Com bolsa de estudos cedida pelo Governo do Paraná, em 1905, que lhe possibilitou o ingresso na Real Academia de Belas Artes de Bruxelas, Turin viveu parte de sua formação artística na Europa. Morou em Paris durante dez anos, onde se consagrou no Salom des Artistes Français, com a obraExílio (1912). Segundo o historiador da arte José Roberto Teixeira Leite, o artista deixou em seu estúdio da Rue Vercingentorix, um sem número de obras, pois sua intenção, nunca concretizada, era retornar a capital francesa. Ele voltou ao Brasil em 1922. “Integrado ao discreto ambiente artístico-cultural da capital paranaense, João Turin produziu grande número de monumentos, estátuas, bustos, relevos e, inclusive, pinturas, cerâmicas e ilustrações, destacando-se os monumentos dedicados a Rui Barbosa e Tiradentes, em Curitiba.”
A águia que adorna o monumento em homenagem a Rui Barbosa, de 1936, na Praça Santos Andrade, bem como a onça em tamanho real da escultura Luar do Sertão (1947), que pertence à Praça General Osório, no centro cívico de Curitiba, devem voltar aos seus devidos lugares ainda este mês. Elas passaram por um processo de revitalização que inclui pátina de proteção e elaboração de moldes, permitindo que sejam multiplicadas dentro das normas de mercado que preveem um limite de 12 reproduções de cada trabalho, sem que deixem de ser consideradas obras originais.

Segue texto no link: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/reportagem/de-ponta-a-ponta

















Retirada da estátua em homenagem a Tiradentes, de João Turin (Foto: Fundação Cultural de Curitiba)





















Garrafa encontrada embaixo de monumento na Praça Tiradentes, em Curitiba, revela manuscrito assinado por Turin 















Onça que pertence ao monumento 'Luar do Sertão' é restaurada no Ateliê João Turin