quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Cidade conquistada por Alexandre, o Grande, é descoberta no Iraque

Matheus Gonçalves
Uma cidade perdida que foi invadida por Alexandre, o Grande, em sua conquista à Pérsia, finalmente foi descoberta no Iraque, décadas depois de ter sido vista pela primeira vez em imagens de satélite.
O local, chamado Qalatga Darband, estava na rota que Alexandre o Grande tomou ao perseguir o governante persa Dario III, em 331 AC, antes da batalha épica em Gaugamela. O sítio tem sinais de influência greco-romana, incluindo prensas de vinho e estátuas esmagadas que podem ter retratado os deuses Perséfone e Adônis.
“Estamos nos primeiros dias, mas pensamos que teria sido uma cidade movimentada em uma estrada do Iraque para o Irã. Pode-se imaginar pessoas que fornecem vinho para soldados que passam”, disse o historiador John MacGinnis, do British Museum.
Dados de espionagem surpreendentes
Na década de 1960, as imagens de satélites espiões estadunidenses revelaram a existência de um sítio antigo, perto da passagem rochosa Darband-i Rania, no Iraque. Quando os dados finalmente foram publicados, arqueólogos do British Museum os examinaram. Mais tarde, imagens de drones na área revelaram vários blocos de pedra calcária, bem como a sugestão de grandes edifícios enterrados sob o solo. No entanto, quando os arqueólogos conheceram a existência do local, a instabilidade política dificultou o estudo da região, disseram eles.
Somente nos últimos anos, a área tornou-se segura o suficiente para que os arqueólogos britânicos observassem de perto. Quando o fizeram, encontraram uma enorme quantidade de artefatos antigos. A cerâmica encontrada sugere que pelo menos uma área de Qalatga Darband foi fundada durante os séculos II AC e II pelos selêucidas, povo helenístico que governou depois de Alexandre o Grande, de acordo com um comunicado. Mais tarde, os selêucidas foram derrubados e seguidos pelos partos, que podem ter construído muros de fortificação extra para proteger contra os romanos que estavam em expansão nesse período.
O sítio contém um grande forte, bem como várias estruturas que provavelmente são prensas de vinho. Além disso, dois edifícios utilizam telhas de terracota, que são características da arquitetura greco-romana da época.
No extremo sul do local, os arqueólogos encontraram uma grande quantidade de pedras, sob as quais havia uma gigantesca estrutura semelhante a um templo. O prédio continha estátuas esmagadas que pareciam deuses gregos. Um, de um homem nu, provavelmente seria Adônis, enquanto outra figura feminina sentada provavelmente era a deusa Perséfone, de acordo com o comunicado.
Nas proximidades de Darband-I Rania, os arqueólogos também descobriram evidências de um assentamento ainda mais antigo. Essa fortaleza provavelmente data do período assírio, aproximadamente no século VII AC. O forte tinha paredes de 6 metros de espessura e era provavelmente uma maneira para os assírios controlar o fluxo de pessoas através da passagem. No mesmo local, os arqueólogos descobriram um túmulo com uma moeda que data do período dos partos, disseram os pesquisadores.
O túmulo traz a inscrição “Rei dos reis, benéfico, o justo, o manifesto, amigo dos gregos, este é o rei que lutou contra o exército romano liderado por Crasso em 54/53 AC”.
Essa inscrição sugere que a sepultura pertence ao rei Orodes II, que governou entre 57 AC e 38 AC, e pode ter se referido a um período em que os romanos tentaram conquistar os partos. Os partos desviaram esse ataque com arqueiros a cavalo que, de acordo com a declaração.
Traduzido e adaptado de Live Science.







A cidade perdida foi encontrada perto do monte rochoso Darband-i Rania nas Montanhas Zagros, no Iraque.
Crédito: The British Museum

sábado, 14 de outubro de 2017

Exposição inédita aborda quatro icônicas casas de vidro modernas

PROJETOS DE MIES VAN DER ROHE, PHILIP JOHNSON, CHARLES E RAY EAMES E LINA BO BARDI SÃO TEMA DA MOSTRA REALIZADA NA CASA DE VIDRO, EM SÃO PAULO

A exposição inédita “Casas de Vidro - História e Conservação” será aberta ao público na próxima quinta-feira, 12 de outubro, na Casa de Vidro - sede do Instituto Bardi, localizada no bairro do Morumbi, zona sul da capital paulista. 
O objetivo é abordar a utilização intensiva do vidro na arquitetura, tendo como eixo central a comparação entre casas de vidro projetadas por importantes arquitetos do século 20: Philip Johnson, Charles e Ray Eames e Mies Van Der Rohe, nos Estados Unidos; e Lina Bo Bardi no Brasil.
Composta por 20 expositores, a mostra na Casa de Vidro conta com imagens de arquivo, estudos e comparações entre os arquitetos, suas poéticas de trabalho, métodos, referências e a vida íntima de cada um. Também serão exibidas 12 maquetes produzidas especialmente para o evento.
Na quarta-feira, 11 de outubro, às 19h, o Instituto Bardi promoverá um painel de debate relacionado à temática da exposição "Casas de Vidro-História e Conservação" no auditório do Museu de Arte de São Paulo (Masp).
Aberto e gratuito, o evento tem mediação do curador da mostra Renato Anelli e a presença dos diretores e curadores das quatro casas de vidro: Sol Camacho (Instituto Bardi/Casa de Vidro), Maurice Parrish (Farnsworth House), Lucia Atwood (Eames Foundation), Hilary Lewis e Scott Drevnig (The Glass House – Philip Johnson).
A exposição complementa o projeto da Casa de Vidro dos Bardi, apoiado pela Getty Foundation por meio do programa Keeping it Modern, em desenvolvimento por uma equipe do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

Exposição "Casas de Vidro-História e Conservação"
Local Casa de Vidro
Endereço R. General Almério de Moura, 200, Morumbi, 
São Paulo - SP
Período 12 de outubro de 2017 a 4 de março de 2018
Visitação De quinta a domingo, em horários específicos: 10h15, 11h45, 14h e 15h30
Entrada R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (meia)
Informações (11) 3744-9902
Visitas educativas agendamentoeducativo@institutobardi.org
Publicada originalmente em ARCOweb em 03 de Outubro de 2017

Fonte: http://www.arcoweb.com.br/noticias/arquitetura/exposicao-inedita-aborda-quatro-iconicas-casas-de-vidro-modernas



















Casa de Vidro, São Paulo (Foto: Cortesia do Acervo Instituto Bardi / Casa de Vidro)














Eames House, Pacific Palisades, California. USA (Foto: Cortesia da Eames Foundation)

















Farnsworth House, Plano Illinois. USA (Foto: Cortesia Farnsworth House)



















Philip Johnson Glass House, New Canaan, Connecticut. USA (Foto: Cortesia The P.J. Glass House)

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Pavimentos superiores do Coliseu de Roma são reabertos ao público

Pela primeira vez em mais de 40 anos, o público poderá acessar os níveis mais altos do monumento histórico mais popular da Itália, o Coliseu de Roma, após a conclusão de um grande projeto de restauro.
A partir de 1 de novembro, visitas guiadas levarão os visitantes ao quarto e quinto pavimento do histórico estádio, 36 metros acima do nível do solo. 
Assim como os estádios de hoje, a hierarquia do Coliseu era determinada pela riqueza e classe social: o imperador ocupava um camarote especial, senadores em bancos de mármore perto do campo, cavaleiros nos níveis intermediários e comerciantes no quarto nível. O quinto nível era geralmente ocupado por pessoas comuns - plebeus - que se sentavam em bancos de madeira para assistir às batalhas na arena. A capacidade do estádio é estimada entre 50.000 e 80.000 pessoas.
"Por 40 anos não foi possível visitar essa parte do Coliseu", comentou o ministro da Cultura, Dario Franceschini. "Este projeto devolve esta outra parte do monumento ao público e oferece vistas incríveis não só do Coliseu, mas também de Roma."






© Flickr de garyullah. Licença CC BY 2.0






© Flickr de zoe_toseland. Licença CC BY-NC 2.0

domingo, 8 de outubro de 2017

300 anos de Aparecida: concluídas as obras da segunda maior igreja do mundo

71 anos depois do lançamento de sua pedra fundamental, o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida está finalmente concluído, com a inauguração do mosaico da cúpula.

Neste ano, a festa da padroeira do Brasil se reveste de um caráter especial. Em 12 de outubro de 2017, comemoram-se os 300 anos desde que a pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição foi encontrada no rio Paraíba do Sul pelos pescadores João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia. Estima-se que neste mês mais de um milhão de devotos se dirijam até o interior paulista para visitar o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida – 200 mil só no dia 12.
Mas é no dia 11 que, finalmente, será apresentada ao público a parte que faltava para completar a basílica: o mosaico da cúpula, formado por mais de 5 milhões de pastilhas estendidas por 2 mil metros quadrados, que retrata a figura bíblica da árvore da vida, rodeada de pássaros da fauna brasileira. Assim, estará concluído o Santuário Nacional – a segunda maior igreja do mundo, atrás apenas da Basílica de São Pedro, no Vaticano –, 71 anos depois do lançamento de sua pedra fundamental.

Uma basílica única no mundo

Algumas características fazem do Santuário Nacional uma igreja única. Não se trata apenas de suas dimensões monumentais, mas chama a atenção o cuidado com a concepção artística e litúrgica do local, assinada pelo artista sacro Cláudio Pastro, falecido há um ano.
“Pastro soube aproximar piedade popular e a liturgia, a fé do povo com a teologia, e assim, revelar uma Igreja de muitos rostos, cores e sotaques. Temos orgulho, do ponto de vista litúrgico-teológico e arquitetônico, de termos um espaço como o Santuário Nacional”, garante o padre Thiago Faccini Paro, assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no setor dedicado ao espaço litúrgico. “Em Aparecida, todos os espaços dialogam entre si. Cada cor, imagem, textura e material tem uma função e significado”.
O projeto arquitetônico do santuário data de 1947 e é assinado por Benedito Calixto Neto, que viajou naquele ano para a América do Norte a fim de estudar a arquitetura religiosa moderna. O projeto de Calixto é uma versão mais simplificada, mas maior, do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington.
Não se tratou de nenhuma grande inovação, mas para Pastro esse era o grande trunfo da construção. Isso porque a basílica segue o estilo neorromânico, que remonta ao primeiro milênio e ganhou um revival no início do século XX. Para o artista, trata-se de um estilo arquitetônico especialmente apropriado para a liturgia católica, por sua austeridade, repetição de formas e espaços amplos.
Sobre os tijolos que revestem o templo – de barro cozido, assim como a imagem de Nossa Senhora – Pastro projetou 34 painéis retratando cenas do Evangelho. Além disso, há outros quatro painéis maiores, retratando patriarcas, profetas, apóstolos, santos e personagens da história da Igreja no Brasil, tudo em azulejo. A opção pela azulejaria se baseou na herança da colonização portuguesa do país e na durabilidade do material – no Brasil, a umidade degenera as pinturas com facilidade.
A preocupação do projeto do interior da basílica era refletir a centralidade de Cristo na vida da Igreja e conduzir os fiéis a uma grande catequese sobre os grandes temas da vida cristã. “O centro é o altar e a cruz. Maria está ao fundo de uma das naves, fora do espaço celebrativo, acolhendo e conduzindo para aquele que é o centro de nossa fé”, diz Paro. “Através da devoção a Maria, deseja-se aproximar os peregrinos e devotos do seu filho Jesus”.

Comemoração


As atividades começam cedo no dia 12 em Aparecida. Devotos participarão de uma vigília da meia-noite às 5h, quando haverá a primeira missa do dia. A missa principal será às 9h30, no pátio da basílica. Representando o papa Francisco, estará presente o cardeal italiano Giovanni Battista Re, que presidiu a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada em Aparecida em 2007, bem como o conclave que elegeu Francisco em 2013.
À tarde, uma procissão sairá do Porto Itaguaçu, ponto do rio em que a imagem foi encontrada, até o santuário, onde haverá mais uma missa e um grande show que deve reunir Daniel, Fafá de Belém, Elba Ramalho e outros cantores.
No dia anterior, 11, a imagem de Aparecida ganhará uma coroa comemorativa que contém, em seu interior, terra proveniente das 27 unidades federativas do Brasil.

Datas marcantes

De um oratório à beira da estrada a uma basílica imensa visitada por três papas: a história do Santuário Nacional
1717 – Três pescadores encontram a imagem no Rio Paraíba, primeiro o corpo, depois a cabeça. Conta-se que a pesca, que não tinha dado resultado até então, foi abundante logo depois da descoberta.
1745 – É inaugurada a primeira igreja dedicada a Nossa Senhora da Conceição Aparecida. A imagem, que até então ficava na casa de Felipe Pedroso, um dos pescadores, e depois foi para um oratório à beira da estrada, é levada para a capela.
1888 – É inaugurado a Igreja de Monte Carmelo, hoje conhecido como Basílica Velha ou Matriz Basílica, cuja construção tinha sido iniciada em 1844.
1894 – As atividades da igreja são confiadas a missionários redentoristas vindos da Alemanha.
1930 – O papa Pio XI proclama Nossa Senhora Aparecida padroeira do Brasil.
1946 – É lançada a pedra fundamental do novo santuário, mas ela foi roubada na mesma noite e a nova pedra só foi colocada em 1954.
1953 – A data da festa de Aparecida é fixada em 12 de outubro. Antes disso, ela era festejada em 7 de setembro.
1955 – Tem início a construção do santuário.
1978 – A imagem é retirada do nicho por um rapaz com distúrbios psicológicos que, ao ser pego, a derruba, quebrando-a em mais de duzentos pedaços. Reconstituída, a imagem só voltou à igreja no ano seguinte.
1980 – O papa João Paulo II inaugura o novo santuário. Uma lei declara 12 de outubro feriado nacional.
1983 – A CNBB dá ao templo o título de Santuário Nacional.
2007 – O santuário recebe a visita do papa Bento XVI e sedia a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano.
2013 – O papa Francisco visita o santuário.

Como a imagem foi parar no rio?

Segundo a historiadora Tereza Pasin, a imagem venerada em Aparecida teria sido esculpida no século XVII. Nossa Senhora da Conceição era uma devoção em alta naquela época e era costume que imagens pequenas como a de Aparecida adornassem oratórios domésticos. O frei Agostinho de Jesus é considerado o provável autor da imagem.
Mas como a imagem foi parar no rio? Segundo Pasin, pode ser que alguém, desejando se desfazer da imagem quebrada, a tenha jogado ali. Outra hipótese é que ela ficasse em uma capelinha na cidade vizinha de Roseira que foi arrastada por uma enchente.

71 anos?

Os 71 anos da basílica de Aparecida – na verdade 62, se contarmos a partir do início efetivo da construção, em 1955 – são um piscar de olhos perto do tempo de construção de outras grandes igrejas do mundo.
Catedral de Colônia, Alemanha – 1248-1473 e 1840-1880 – 245 anos
Catedral de Notre-Dame, Paris, França – 1163-1345 – 182 anos
Templo Expiatório da Sagrada Família, Barcelona, Espanha – 1882-2028 (previsto) – 146 anos
Basílica de São Pedro, Vaticano – 1506-1626 – 120 anos
  

O baldaquino em torno do altar retrata a fauna e a flora brasileiras, remetendo à figura do paraíso bíblico (foto: divulgação/Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida).













Painel “A evangelização do Brasil”, obra de Pastro em Aparecida. Divulgação/Santuário Nacional
















O altar, no centro da basílica, é circundado por linhas em ziguezague que, na tradição indígena, representam o movimento das águas. O símbolo remete ao profeta Ezequiel, que falava da água que corre do altar e fecunda toda a terra. Divulgação/Santuário Nacional

























A coroa comemorativa dos 300 anos. Divulgação/Santuário Nacional















O projeto arquitetônico é baseado no Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington. Divulgação/Santuário Nacional
















A imagem encontrada em 1717, no nicho da basílica que a abriga. Divulgação/Santuário Nacional
















Detalhe do mosaico da cúpula. Divulgação/Santuário Nacional

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Exposição revela a história de Fordlândia (PA), uma cidade industrial na Amazônia

Fordlândia, sonho e progresso no coração da Amazônia é o nome da exposição que traz imagens e textos inéditos sobre a vida na cidade paraense entre os anos de 1927 e 1939. Construída por Henry Ford às margens do rio Tapajós, no início do século XX, Fordlândia foi criada com o objetivo de fornecer borracha para a indústria automobilística americana.
A mostra fica em cartaz entre 21 e 24 de setembro, durante o VIII Festival de Turismo e Gastronomia do Pará (FITA), no Hangar Centro de Convenções, em Belém (PA). Além da exposição, acontecem durante o evento uma mesa redonda com o tema Plantation Patrimônio Cultural: perspectivas para a proteção do patrimônio histórico de Fordlândia e Belterra, realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e o lançamento do livro-álbum Fordlândia: resgate de memória afetivas de uma epopeia amazônica, com fotos da mostra. 
O evento é uma realização da Associação PanAmazônia, em parceria com o Iphan e a Secretaria de Turismo do Estado do Pará, e faz parte do esforço dessas instituições no sentido de recuperar a memória regional amazônica, pouco conhecida do grande público. Esta será a primeira de uma série de exposições com esse escopo.
Cultura e memória
No começo do século XX, as linhas de produção de Henry Ford fabricavam carros a uma velocidade jamais vista. Todos aqueles veículos precisavam de pneus, e na época a borracha ainda era derivada das seringueiras do Sudeste Asiático. Para manter a eficiência de sua produção sem depender dos asiáticos, Ford decidiu ter sua própria produção de látex, e para isso construiu uma cidade tipicamente americana em plena Amazônia, batizada de Fordlândia.
Grande parte dessa história está no acervo que deu origem à exposição. Trata-se de conjunto de textos de um diário e fotos inéditas. O material contém registros fotográficos produzidos por Diógenes Tavares dos Santos, funcionário da Ford Company que residiu na cidade entre 1927 e 1939, antes de ir morar em Manaus (AM), onde se tornou empresário. O acervo pertence a Belisário Arce, diretor executivo da Associação PanAmazônia, neto do autor das fotos.
VIII FITA
Com um formato renovado e que promete maior interação com o público consumidor, a Feira Internacional de Turismo da Amazônia (FITA) acontece entre os dias 21 e 24 de setembro, de 17h às 22h, no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. A FITA reunirá a exposição de produtos e serviços de empresas de turismo e gastronomia, a Vitrine Cultural com produtos do arranjo produtivo local do programa Alimentação Fora do Lar e produção associada das rotas turísticas (Belém-Bragança, do Queijo do Marajó, do Cacau e Chocolate, do Vale do Xingu), espaço destinado ao Passaporte Pará para comercialização de destinos, rotas, roteiros e produtos turísticos do Estado, além de apresentações culturais de artistas dos seis polos de turismo paraense: Belém, Amazônia Atlântica, Araguaia Tocantins, Marajó, Tapajós e Xingu.
Serviço
Exposição "Fordlândia, sonho e progresso no coração da Amazônia"

Local: Hangar Centro de Convenções
Datas: de 21 a 24 de setembro
Contato: (91) 3224-1825/3224-0699
Acesso: Aberto ao público.
Mesa Redonda
“Plantation Patrimônio Cultural: perspectivas para a proteção do patrimônio histórico de Fordlândia e Belterra”
Horário: 23/09, das 14h às 17h.
Inscrições para a mesa: http://www.fitaamazonia.com.br/programacao


Museu das Missões (RS) reabre após obra de recuperação

Museu das Missões reabre suas portas ao público no próximo dia 29 de setembro, depois de passar por uma obra emergencial de recuperação, executada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O edifício da década de 1940, projetado por Lucio Costa com objetivo de reunir o rico e marcante acervo sacro da região dos Sete Povos das Missões, foi gravemente danificado em abril de 2016, quando um tornado atingiu a cidade de São Miguel das Missões (RS).
O investimento no Museu das Missões, que é administrado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), foi de mais de R$1,68 milhão para contratação de obra emergencial de recuperação, que incluiu também a Casa do Zelador, Pavilhão Lucio Costa e Sacristia Velha do Sítio Histórico de São Miguel Arcanjo. Com a força dos ventos, a cobertura do edifício foi fortemente comprometida, com destelhamento, deslocamento e desalinhamento de peças de madeira. Esquadrias de ferro e vidro foram destruídas, danificando também esculturas do acervo, seu mobiliário de sustentação, instalações elétricas, de iluminação e de segurança, além dos aparelhos de desumidificação das salas expositivas. A Sacristia Velha da Igreja de São Miguel Arcanjo teve seu telhado desestruturado e calhas retorcidas, ocasionando a entrada da água da chuva e risco de desabamento da cobertura.
Por causa disso, durante o período das intervenções o Museu e a Sacristia ficaram fechados para visitação e serão agora reabertos. A solenidade de entrega, que será realizada no Dia de São Miguel Arcanjo, terá a participação da presidente do Iphan, Kátia Bogéa, do presidente do Ibram, Marcelo Araújo, do prefeito de São Miguel, Hilário Casarin, da superintendente do Iphan-RS, Juliana Erpen, entre outras autoridades. Na véspera da entrega, no dia 28, os representantes das instituições envolvidas farão uma reunião técnica no local, a fim de avaliar a gestão do Sítio e questões referentes à recuperação e manutenção de seu acervo.
Missões Jesuíticas no Brasil
São Miguel das Missões foi o local de uma das missões jesuíticas que compreendiam os 30 povos indígenas entre Brasil, Argentina e Paraguai durante a colonização portuguesa e espanhola. Em 1937, o arquiteto Lucio Costa foi enviado ao Rio Grande do Sul para analisar os remanescentes dos Sete Povos das Missões e a visita resultou no tombamento, pelo Iphan, em 1938, dos remanescentes das Missões. Em 1983, o sítio arqueológico de São Miguel foi declarado Patrimônio Mundial Cultural pela Unesco e em 2009 foi criado o Parque Histórico Nacional das Missões, que reúne os sítios arqueológicos de São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São Nicolau e o de São João Batista. 
O Iphan também inscreveu, em 2014, o bem imaterial Tava, Lugar de Referência para o Povo Guarani no Livro de Registro de Lugares. A Tava Miri São Miguel Arcanjo é entendida como lugar de importância e referência cultural, pois converge significados e sentidos atribuídos pelo povo indígena Guarani-Mbyá ao sítio histórico que abriga os remanescentes da antiga Redução Jesuítico-Guarani de São Miguel Arcanjo. 
As Missões Jesuíticas Guaranis - um sistema de bens culturais transfronteiriços em território do Brasil e da Argentina - compõem-se de um conjunto de remanescentes dos povoados implantados em área originalmente ocupada por indígenas, durante o processo de evangelização promovido pela Companhia de Jesus nas colônias da Coroa Espanhola na América, durante os séculos XVII e XVIII. Representam importante testemunho da ocupação do território e das relações culturais que se estabeleceram entre os povos nativos, na maioria da etnia Guarani, e missionários jesuítas europeus.
Serviço:
Entrega das obras de recuperação do Museu das Missões
Data: 29 de setembro de 2017
Horário: 11h
Local: Museu das Missões – São Miguel das Missões/RS

Mais informações para a imprensa
Assessoria de Comunicação Iphan

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Fernanda Pereira – fernanda.pereira@iphan.gov.br 
Déborah Gouthier – deborah.gouthier@iphan.gov.br
(61) 2024-5533 - 2024-5511 / 
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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Cientistas anunciam descoberta de tesouro arqueológico em tumba do antigo Egito

Múmias, sarcófagos, joias e mais de 150 estátuas foram encontrados na câmara mortuária de um ourives perto do Vale dos Reis

Uma tumba do antigo Egito com múmias, sarcófagos e joias de mais de 3.500 anos foi encontrada na necrópole de Draa Abul-Naga, uma área onde eram enterrados nobres egípcios na margem esquerda do rio Nilo. A área fica próxima ao Vale dos Reis, famosa necrópole onde há tumbas de diversos faraós.

A descoberta foi anunciada pelo Ministério das Antiguidades do Egito no sábado, 8. A tumba consiste em uma pequena sala no nível do solo e uma câmara mortuária oito metros abaixo, contendo quatro múmias. A tumba também continha esqueletos, artefatos funerários - incluindo 150 estátuas, quatro sarcófagos de madeira, joias e cones funerários.

O ocupante principal da tumba era um ourives chamado Amenemhat, que viveu durante a 18ª Dinastia (de 1.550 a.C. a 1.292 a.C.), a época do faraó Akhenaten, sua esposa Nefertiti e seu filho Tutancâmon, de acordo com o jornal britânico The Guardian.

Segundo o ministro de Antiguidades do Egito, Khaled el-Enany, a entrada da tumba foi descoberta no pátio de uma outra tumba do Médio Império egípcio. Uma passagem leva a uma câmara quadrada com um nicho no fundo, onde há uma estátua de Amenemhat. Ele foi representado sentado em uma cadeira ao lado de sua mulher, Amenhotep, que aparece com um vestido longo e uma peruca. 

De acordo com reportagem da emissora americana CNN, Amenhotep era um típico nome masculino, mas as inscrições na tumba indicam que esse era o nome da matriarca. Outro fato incomum é que uma estátua menor de um dos filhos do casal aparece sentada entre suas pernas, um lugar tipicamente reservado para uma imagem de filha ou nora.

Segundo o ex-ministro de Antiguidades do Egito, Zahi Hawass, a câmara tem dois eixos mortuários. Em um deles, os arqueólogos encontraram sarcófagos deteriorados e restos mortais humanos datados das 21ª e da 22ª dinastias, incluindo os restos de uma mulher e de duas crianças. A mulher apresenta sinais de uma doença óssea bacteriana e cáries.

O outro eixo contém máscaras funerárias e estátuas que representam a família do ourives perto de três múmias deterioradas com os crânios expostos. "Não temos certeza se essas múmias pertencem a Amenemhat e sua família. Outras pessoas claramente reutilizaram essa tumba e remexeram o local na antiguidade. Provavelmente por isso as cabeças estão expostas", disse o líder das escavações Mostafa Waziri ao jornal americano The New York Times.

De acordo com Waziri, há indicações de que mais descobertas serão feitas na área adjacente. Segundo o jornal, no interior das câmaras mortuárias os arqueólogos encontraram 50 cones funerários - um tipo de cerâmica estampada utilizada para marcar a entrada de uma tumba. Quarenta desses cones têm os nomes de quatro oficiais cujas tumbas ou sarcófagos ainda não foram localizados. "Esse é um bom sinal. Significa que se continuarmos escavando essa área vamos encontrar mais quatro tumbas", disse Waziri.

A própria tumba do ourives foi descoberta a partir de pistas semelhantes. Em abril, egiptólogos descobriram a tumba de um juiz chamado Userhat, que acabou levando à nova descoberta. Diversas novas descobertas foram feitas no Egito em 2016. Em março, pesquisadores revelaram uma estátua gigante do faraó Psamtek I na cidade do Cairo.

Em abril, os restos de uma pirâmide foram encontrados na necrópole de Dahshur e, em maio, foram achadas 17 múmias que não pertenciam à realeza na província de Minya. "O Egito moderno foi construído sobre o Egito antigo. Às vezes, você cava no seu pátio, em locais como Aswan ou Heliopolis, e encontra monumentos. Até agora, estimamos que encontramos apenas 30% dos monumentos egípcios", disse Waziri.

O ministério da Antiguidade espera que a divulgação dessas novas descobertas comecem a atrair novamente os turistas para o Egito. Turbulências políticas no país tiveram início em 2011 e uma série de bombardeios e ataques terroristas dizimaram a economia do turismo no Egito. Em 2017, no entanto, o país teve um aumento no número de visitantes, uma tendência que o governo espera capitalizar.





















Arqueólogo egípcio restaura um sarcófago de madeira de mais de 3,5 mil anos, que estava em tumba descoberta perto do Vale dos Reis. Foto: Khaled Desouki / AFP


















Três antigas múmias de mais de 3,5 mil anos foram descobertas na tumba de Amenemhat, um ourives, na necrópole de Draa Abul-Naga, perto da cidade egípcia de Luxor. Foto: Ministério de Antiguidades do Egito