domingo, 19 de agosto de 2018

Uma galeria de arte de seis hectares: conheça o Jardim das Esculturas de Júlio de Castilhos

Um escultor obsessivo trabalha sem parar no local, que fica nos limites do município da Região Central e está aberto a visitações

Das coxilhas que moldam o município de Júlio de Castilhos, nos limites de Nova Palma, na Região Central, o escultor Rogério Bertoldo, 48 anos, fez sua galeria de arte. Em uma área de seis hectares no distrito castilhense de São João dos Mellos, ele expõe algo em torno de 600 esculturas em pedra de arenito feitas por ele ao longo dos últimos 13 anos.

É uma grande exposição ao ar livre e em constante transformação. A visita de um dia pode não ser a mesma de um passeio na semana seguinte, porque Bertoldo esculpe sem parar, com a obstinação de quem não tem tempo a perder, apesar de ele não cultivar preocupações de ordem cronológica. 

Isso ficou para trás, na época em que o descendente de italianos e filho de agricultoresconfrontava a ordem natural do destino que a família havia traçado: seria um homem do campo, do cultivo de fumo, milho, feijão...

Foi chamado de louco quando deixou escapar que pretendia fazer um jardim de esculturas no quinhão de terra que herdou. O sonho ficou resguardado, enquanto Rogério se aventurava nas artes marciais. Manteve-se em atividade nos tatames como educador por 17 anos, até 2004. Foi nessa época que conheceu a esposa, Giselda Moro Bertoldo, com quem passou a cultivar os planos do jardim. Em 2005, Rogério pediu licença aos mestres orientais e foi buscar as pedras para a primeira escultura. Em 12 dias, a figura de um leão robusto e de juba farta, talhada a machado e faca de cozinha, reinava soberana na coxilha

Era o começo do Jardim das Esculturas.

Animais aparecem muito entre as obras que ornam o lugar, mas a referência pela cultura e pelos ensinamentos orientais fica evidente. O escultor começou a ter contato com a literatura oriental de Confúcio e outros autores ainda na adolescência. Dedicou cinco anos à meditação e dali retirou os insumos para o estilo de vida que leva. O pai dele, morto em um trágico acidente em 2005, recebeu as influências do filho e também se aventurou a meditar, rever a dieta carnívora e avaliar diariamente o sentido da existência. Viu somente cinco esculturas do sonho de Rogério.

– Eu projetava esse jardim, queria ver o mundo aqui. Quero que minha obra convide as pessoas a refletir sobre a própria existência e para que despertem sobre seus potenciais. A vida é agora. Não é passado, nem futuro – ele diz.

Do portão de acesso à frente do prédio da recepção, os visitantes percorrem um corredor de enormes esculturas de asanas, as posturas da ioga. São 60 imagens construídas por Rogério ao longo dos primeiros cinco anos da organização do espaço. Ao final desse corredor, um grande buda, esculpido em blocos de pedra de 18 toneladas, convida o visitante a contemplar e a refletir sobre os limites que as mãos podem impor à imaginação. Para Rogério, nenhum.

– (As mãos) são nossa manifestação terrena. Com elas, fazemos o bem ou o mal – filosofa.

A habilidade em moldar gigantescas pedras não é resultado de formação específica. Rogério estudou até a sexta série do Ensino Fundamental e foi à primeira exposição de arte somente em 2014, na Bienal de Esculturas do Chaco, na Argentina

Até então, saboreava o talento nato, aprimorando-o com o trabalho diário. Ele produz, em média, uma obra por semana e, nos primórdios do jardim, tinha como ferramentas apenas machados, facas de cozinha e lixas. Consumia cerca de 20 machados em um ano, cegos da lida brutal de dar delicadeza ao arenito. Além das obras no jardim, há pelos menos outras 300 espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, frutos de encomendas de visitantes que conheceram o trabalho de Rogério e não se contiveram em tê-lo somente em memórias de um passeio. Mas o que fica ali nas coxilhas tem sempre um sentido. 

Giselda mostra as esculturas que retratam os pais de Rogério – em pontos de destaque do jardim e a única obra em pedra-sabão: ela própria.

– Costumo dizer que vivo em um paraíso feito por Deus, esculpido por meu amor e cuidado por mim – afirma, orgulhosa, repetindo a frase gravada em uma placa na identificação da peça que inspirou.

No Jardim das Esculturas, Giselda e Rogério organizaram um ambiente de convívio familiar. Entre as esculturas, há espaço para fazer piqueniques, com direito a levar animais de estimação, sempre bem-vindos desde que não criem nenhuma animosidade com os cães e gatos da casa. São 10 cachorros – a maioria resguardada em dias de visita – e sete gatos, que nem sempre dão as caras entre o público. A cadela Pretinha, vizinha do lugar, é uma das "guias".

O casal também organizou um roteiro, batizado de Trilha da Consciência, em que está retratada, como a Via-Crúcis de Cristo nas paredes dos templos católicos, a saga de Rogério até realizar o sonho do jardim. O percurso de aproximadamente um quilômetro é vigiado por esculturas às margens da trilha com frases motivadoras e reflexões acerca de conduta, otimismo e gratidão.

O caminho passa por um lago, por outro "canteiro" de esculturas e segue ao largo de um riacho encoberto por mata nativa. Entre as árvores, foi montada uma pequena pracinha em madeira para que as crianças também aproveitem a aventura, encerrada no alto da Montanha do Silêncio, um dos morros que fazem guarita ao jardim com acesso tranquilo por um caminho demarcado por dormentes. Lá esperam mais esculturas, a maior delas, um buda de seis metros de altura feito em blocos de arenito com 40 toneladas. Há bancos para descansar e conversar com o silêncio.

Via de regra, é Giselda quem acompanha os visitantes, porque Rogério dedica os dias a esculpir. Fica boa parte do tempo no galpão ao fundo do jardim, onde trabalha nas gigantescas peças. Sem o público de fora, a quietude dali é quebrada pelo barulho da talhadeira.

– Sempre digo que nunca trabalhei, porque esculpir é uma diversão – revela.

Encravado em uma região de belezas naturais com um apelo turístico tão competente quanto a serra gaúcha, mas sem a mesma visibilidade, o Jardim das Esculturas vem sendo descoberto aos poucos, mas constantemente. Aliás, Rogério passou dois meses em Nova Petrópolis a convite de um admirador de seu trabalho para deixar por lá quase 40 exemplares do talento que esbanja na Região Central. Não se adaptou longe da terra em que cresceu e voltou a São João dos Mello.

Nos finais de semana, o Jardim das Esculturas recebe até 500 pessoas curiosas para conhecer o local. Nos registros de visitantes, há gente procedente de mais de 50 países. Ao menos em um domingo do mês são promovidos encontros para a prática de ioga. Já se vislumbram melhorias com mais atrativos. Ao lado do jardim, Giselda está à frente de um restaurante vegetariano, aberto para receber os grupos em passeio pelo lugar. A dieta vegetariana é seguida por ela e Rogério há décadas, mas desde janeiro ele se tornou vegano, ao que credita boa parte da saúde invejável e a disposição para produzir as esculturas "de domingo a domingo". O casal também planeja organizar um espaço para hospedagem, atento à crescente demanda de praticantes da meditação que buscam a tranquilidade e a boa energia do lugar.

Com uma produção incessante, Rogério já prevê o desafio de acomodar nos seis hectares as futuras esculturas. Em alguns pontos, o espaço já está limitado para novas "mudas", germinadas na intuição do artista, que se vale de fotos para produzir as peças encomendadas, mas, quando as faz para o jardim, baseia-se no que mentaliza previamente antes do primeiro talho na rocha. A matéria-prima vem da própria região – comprada ou doada.

– Não coloquei uma meta quanto a um número de esculturas. Quero só viver o que eu faço. Viver um dia de cada vez, viver o presente. Expectativas tiram a gente do eixo – ensina.

Como chegar

O Jardim das Esculturas fica na área rural de Júlio de Castilhos, mas o melhor acesso não é pela região central do município, cujo acesso principal é via BR-158. O espaço está no limite com Nova Palma, cidade da chamada Quarta Colônia de imigração italiana. O melhor trajeto, para quem sai de Porto Alegre, por exemplo, é seguir pela BR-386, acessar a RS-287 e, em Faxinal do Soturno, pegar a RS-149. Parte do trajeto é de estrada de chão, mas as condições, mesmo que tenha chovido, são de boa trafegabilidade. A sinalização é especial: enormes mãos de arenito indicam o caminho no labirinto de estradinhas entre morros. As obras de Rogério Bertoldo estão em totens pelo trajeto e também ornamentam a entrada de algumas propriedades rurais até São João dos Mellos, o que ajuda a guiar os visitantes. A paisagem até o lugar é encantadora e, se não houver pressa, oferece mirantes naturais para contemplar o que a natureza dali oferece.

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2018/08/uma-galeria-de-arte-de-seis-hectares-conheca-o-jardim-das-esculturas-de-julio-de-castilhos-cjko3ri4b00f401n0gy9ssop4.html?utm_source=facebook&utm_medium=gzh&utm_content=comportamento










Corredor de asanas, as posturas da ioga. São 60, construídas ao longo de cinco anos, para levar o visitante até o local - Robinson Estrásulas / Agencia RBS

sábado, 4 de agosto de 2018

Biblioteca do Império Romano é descoberta por arqueólogos em cidade alemã

Arqueólogos em Colônia, na Alemanha, encontraram ruínas de um grande prédio romano no ano passado, mas só agora identificaram a sua função. E tiveram uma grande surpresa.

Arqueólogos da cidade alemã de Colônia foram responsáveis por um achado surpreendente. No ano passado, em meio à construção de um centro comunitário da Igreja Protestante, eles encontraram ruínas de um grande prédio romano. Mas somente nesta semana, após meses de pesquisas, escavações e consultas a outros colegas, eles conseguiram revelar ao público a sua função: trata-se da mais antiga biblioteca do país e do único prédio romano com essa finalidade já descoberto no norte europeu.
"Nunca achamos no norte da Europa um prédio que pudéssemos realmente identificar [como uma biblioteca romana]. Ficamos surpresos. Fizemos muita pesquisa e compararmos o local com cidades romanas na Europa, chegando, assim, a bibliotecas na Turquia, na Síria e em Roma", explica Dirk Schmitz, responsável por escavações arqueológicas em Colônia pelo Museu Romano-Germânico, órgão da cidade que fica na Renânia do Norte-Vestfália, na Alemanha.
"Fora da Itália, ao norte dos Alpes, não podemos localizar algo comparável com esse prédio, embora possamos dizer que nos tempos antigos elas eram bem frequentes nos assentamentos maiores e províncias. Temos diversas menções a bibliotecas (em documentos), mas não temos ruínas que mostrem onde elas estavam de fato", completa.
O formato do prédio tem semelhanças com bibliotecas antigas, especialmente a de Celsus, no atual território da Turquia. As paredes internas são divididas em intervalos regulares em nichos de 1,8 metro de largura e 80 centímetros de profundidade. Neles, pergaminhos seriam guardados.

O que as escavações revelaram

A administração da cidade sabia da existência das fundações de um grande prédio romano naquela área desde o século 19, mas a sua localização exata era desconhecida. "É uma descoberta importante, mesmo que o prédio já fosse conhecido. Agora, temos a planta completa, conseguimos medir a construção toda e fazer a escavação. Os arqueólogos não reconheceram imediatamente a função do prédio, mas só com a planta completa e acesso livre à área é que puderam entender a sua finalidade", afirma Sebastian Ristow, professor do Instituto de Arqueologia da Universidade de Colônia.
Colônia foi fundada pelo romanos nas redondezas do Rio Reno em 50 d.C, sendo uma das mais antigas cidades da Alemanha. Os governadores imperiais de Roma residiram no local, que se tornou um dos mais importantes centros de comércios e produção do Império Romano ao norte dos Alpes.
Arqueólogos do Museu Romano-Germânico realizaram escavações de cerca de 2 mil metros quadrados na área das ruínas, que fica próxima ao Fórum do Centro Antigo.
O principal objeto de estudo foi um enorme edifício retangular de 9 metros de largura por 20 metros de comprimento. A sudoeste, havia um anexo retangular de 8 metros por 3,5 metros. A fundação do prédio é "excepcionalmente larga" e resistente, com quase dois metros de concreto armado romano (chamado de opus caementicium, em latim) com porções de basalto. Segundo os pesquisadores, a construção remonta a meados ou à segunda metade do século 2 d.C.
"São paredes gigantes que não costumamos encontrar em Colônia, feitas de materiais bem resistentes. Fizemos avaliações químicas que indicam (a presença do material conhecido como) opus caementicium, que é tão forte quando o material usado hoje para construir casas", conta Schmitz.
Os arqueólogos acreditam que o edifício era público devido ao seu tamanho e localização central, perto do mercado público. Mas ainda há discussões sobre se o local era uma biblioteca pública. "Sem dúvida, é uma biblioteca pública porque é muito grande. Sabemos o tamanhos das casas privadas e do espaço público. Isso, combinado com as medidas das paredes, indica que era um prédio público", defende Schmitz.
Ristow, por outro lado, acredita que não há elementos suficientes para essa conclusão. "É uma biblioteca por causa da forma das paredes. A sua função é clara, mas não sabemos se era oficial ou aberta [à população]. Não diria que era aberta porque não sabemos das práticas daquela biblioteca", pondera.
As obras para a construção do centro comunitário vão continuar, mas um acordo entre autoridades locais e os proprietários da área garantiu que cerca de 70% das estruturas ficarão no local e serão abertas ao público. "Não sabemos exatamente [a composição do acervo], mas é possível que tivesse literatura da época, poemas, história e ciência", especula Schmitz. Os investigadores estimam que o local possa ter abrigado até dois mil rolos de pergaminhos.
As ruínas jogaram uma luz sobre a história do desenvolvimento do centro de Colônia até o século cinco, diz Schmitz. Agora, os especialistas precisam estabelecer as relações entre esse prédio e outros edifícios romanos na cidade. "Nossa tarefa é reconstruir o passado da forma como era, então precisamos de todas as informações que tivermos. A biblioteca é uma parte disso, mas só uma parte. Temos que ver o todo."

Fonte: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2018/08/04/biblioteca-do-imperio-romano-e-descoberta-por-arqueologos-em-cidade-alema.ghtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=g1&utm_content=post


A prefeitura local sabia da existência de um prédio romano na área, mas a localização exata era desconhecida (Foto: RÖMISCH-GERMANISCHES MUSEUM)
















Um material nobre e bastante resistente foi usado na construção das paredes da biblioteca (Foto: RÖMISCH-GERMANISCHES MUSEUM)

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Museu de Artes Visuais e Casa do Tambor de Crioula são inaugurados em São Luís

Obras de reformas dos prédios foram realizadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O prédio onde agora funciona o Museu de Artes Visuais estava fechado para reforma desde 2016 e foi inaugurado nesta sexta-feira (13) pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Uma fachada imponente, com azulejos antigos na Rua Portugal, no Centro Histórico de São Luís. A primeira exposição para apreciação popular deve começar no dia 28 de julho. A noite teve ainda a entrega de outro prédio dedicado ao tambor de crioula.
A estrutura do museu conta com três andares e um mirante, e é um prédio de século 19. No museu serão abrigadas obras importantes de artistas nacionais e internacionais. O público vai poder conhecer a história e o trabalho de artistas como Newton Sá, Cícero Dias e Tarsila do Amaral.
- É um sobrado que antigamente no térreo era um comércio e no primeiro andar era residencial e no segundo andar era hospedaria – disse o superintendente do Iphan, Maurício Itapary.
As obras começaram em dezembro de 2016. O valor da obra foi de cerca de R$ 732 mil de responsabilidade do Iphan, em um projeto do PAC Cidades Históricas. O primeiro prazo de entrega era para dezembro de 2017, o que não aconteceu. E segundo a presidente do Iphan Nacional, Kátia Bogea, que esteve presente na entrega do imóvel, atrasos podem ocorrer devido a quantidade de reparos necessários e por se tratar de um prédio histórico.
- São obras difíceis. Não se trata de simples reforma, pois são obras em edificações históricas, então é necessário que tenham profissionais restaurados que compreendam a delicadeza do serviço que eles estão executando – disse Kátia Bogea.
Ainda na Praia Grande outro casarão histórico também foi entregue nesta sexta-feira, a Casa do Tambor de Crioula. A recuperação do grande sobrado que estava em ruínas desde a década de 70, custou quase R$ 2 milhões e também foi realizada pelo Iphan. Ele foi totalmente reformado e adaptado para se tornar um centro de referência de uma das mais autênticas manifestações da cultura popular do Maranhão, o tambor de crioula.

















Museu de Artes Visiuais inaugurado em São Luís 
(Foto: Reprodução / TV Mirante)
















Casa do Tambor de Crioula também é localizada na Praia Grande 
(Foto: Reprodução / TV Mirante)

Paço Municipal e Sobrado dos Toledos, em Iguape (SP), começam a ser restaurados


Dois importantes edifícios da cidade de Iguape (SP), serão restaurados a partir desse mês de julho. As obras pretendem restabelecer a infraestrutura e conservação dos espaços, significativos para a história e arquitetura do município
Com mais de R$ 10 milhões em previsão de investimentos, o Sobrado dos Toledos e o Paço Municipal, dois importantes edifícios da cidade de Iguape (SP), serão restaurados a partir desse mês de julho. As obras pretendem restabelecer a infraestrutura e conservação dos espaços, significativos para a história e arquitetura do município, e serão realizadas com recursos do PAC Cidades Históricas, programa do Governo Federal, com execução do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A ordem de serviço que dá início às intervenções será assinada no dia 04 de julho, com a presença do diretor do Departamento de Projetos Especiais do Iphan, Robson de Almeida; da superintendente do Iphan em São Paulo, Maria Cristina Donadelli; e representantes da Administração Municipal e da Mitra Diocesana de Registro. A previsão é que os trabalhos estejam concluídos em cerca de um ano e meio.
O sobrado que abriga o Paço Municipal foi construído na segunda metade do século XIX, pelo comendador Luis Álvares da Silva, homem mais rico e influente da região à época. Posteriormente, o prédio passou a sediar o Club Beneficente e Recreativo Iguapense e a Câmara Municipal, vindo a ser adquirido pela Prefeitura em 1945. Desde então, passou a funcionar como Paço Municipal. 
Já o sobrado dos Toledos leva esse nome por ter sido residência de outro cidadão importante da região, José Carlos de Toledo. Construído na primeira metade do século XIX, durante o ciclo do arroz, o prédio foi doado pelos herdeiros, em 1931, ao Santuário de Iguape, para que abrigasse romeiros durante as festividades do Bom Jesus, época em que o edifício ficou conhecido como Sobrado do Santo. Depois disso, o prédio sediou diversos empreendimentos e, atualmente, encontra-se em ruínas, restando ainda as características originais das fachadas.
Os dois edifícios estão localizados na área do conjunto histórico de Iguape, tombada pelo Iphan. As duas intervenções se somam à restauração da Antiga Casa de Fundição, concluída em dezembro de 2015, com recursos de R$ 837 mil, também pelo PAC Cidades Históricas, representando um significativo investimento no Patrimônio Cultural da cidade. O programa está presente em 44 cidades brasileiras, sendo três delas no Estado de São Paulo: Iguape, Santo André e São Luiz do Paraitinga – incluindo 16 ações e uma previsão de investimentos de R$ 54,7 milhões.

Fonte: http://www.vitruvius.com.br/jornal/news/read/2902




















[Imagem: Divulgação]




















[Imagem: Divulgação]

Porto Alegre tem mais de 5 mil imóveis protegidos pelo Patrimônio Histórico e Cultural

Número é maior do que em outras capitais do país, como Rio de Janeiro e São Paulo. Assunto divide opiniões dos moradores da capital gaúcha.

Porto Alegre tem mais de 5 mil imóveis protegidos pelo Patrimônio Histórico e Cultural. É um número bem maior em comparação com outras capitais do país. Cerca de 7% dos imóveis da capital gaúcha tem algum grau de preservação. No Rio de Janeiro, o percentual é de 6,3%. Em São Paulo, 0,1%.
Os prédios protegidos em Porto Alegre estão distribuídos em 40 bairros. Quase 80% se concentram no Centro Histórico, Floresta, Iapi, Cidade Baixa e São Geraldo.
"Porto Alegre é uma das únicas cidades do Brasil que trabalha com o inventário como forma de proteção. Historicamente, o inventário tem essa conotação. Ele é um levantamento de dados sobre determinadas residências de onde sai uma seleção do que vai ser protegido, mas como consta na constituição que os bens culturais podem ser protegidos através de tombamentos, inventários, registros, então em Porto Alegre se criou uma lei específica, onde o inventário passou a ser uma forma de proteção", afirma o coordenador da Memória Cultural da Secretaria Municipal da Cultura, Eduardo Hahn.
A lei prevê duas formas de proteção de imóveis: o tombamento, normalmente aplicado para construções de grande importância, como o Paço Municipal, o Palácio Piratini e o Mercado Público, e o inventário, para prédios residenciais e comerciais. A proteção é definida por leis municipais, com critérios próprios.

5,5 mil imóveis inventariados

A família de Elias Scalco e Maria Helena Scalco é dona de três casas que ficam lado a lado, em uma rua do bairro Petrópolis, em Porto Alegre. A ideia deles era demolir os imóveis e construir um edifício. Mas, quando deram entrada com o projeto na prefeitura, tiveram uma surpresa, conforme relata Elias.
As residências fazem parte de uma lista com 5,5 mil imóveis inventariados em Porto Alegre, e por isso, não podem ser demolidas e precisam seguir regras rigorosas no caso de reformas.
O levantamento dos prédios históricos de Porto Alegre começou pela área central e com o passar do tempo se estendeu para outras regiões da cidade. Até que em 2012, técnicos do Patrimônio Histórico chegaram ao bairro Petrópolis. Isso causou uma divisão entre os moradores. Até hoje, o inventário do bairro não foi concluído.
No Centro Histórico de Porto Alegre existe um exemplo claro do impasse criado entre poder público e proprietários de imóveis inventariados. Um casarão que corre o risco de desabar fez com que uma importante rua da cidade fosse bloqueada, mas os proprietários alegam não ter dinheiro para reformar o prédio, e a prefeitura ainda cobra dívida de R$ 200 mil em IPTU.

Tema divide opiniões

Mais de 400 imóveis estão na lista de interesse do Patrimônio Histórico no Petrópolis. O assunto divide opiniões entre os moradores. Alguns criticam a forma como a prefeitura conduziu o processo.
"A Amai (Associação dos Moradores Atingidos pelo Inventário do Petrópolis) não é contra a preservação, e sim, a falta de critérios. A prefeitura simplesmente disse 'o imóvel de vocês é bacana, ele vai ficar inventariado, mas todo o custo de manutenção é de vocês'", afirma o presidente da Amai, Márcio Divino.
Outros moradores são a favor da preservação. "A questão da preservação do bairro era unânime entre todos os moradores. Se dizia que era um bairro tradicional com casas que remontavam aos anos 40, 50, 30 e o pessoal gostava de morar aqui. Isso valorizava o bairro porque as pessoas queriam vir para o Petrópolis", explica o presidente do movimento Proteja Petrópolis, Álvaro Arrosi.
O dono de uma casa inventariada defende a preservação para não perder a qualidade de vida.
"Nós viemos para cá em 1995 e quando nós viemos não tinham prédios na rua, era só casas. Aí começaram a construir prédios e nós estamos preocupados porque se isso aqui continuar vai acabar a nossa rua", afirma o médico José Roque Guimarães.

Fonte: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/porto-alegre-tem-mais-de-5-mil-imoveis-protegidos-pelo-patrimonio-historico-e-cultural.ghtml


















Opinião de moradores e população se divide acerca do tratamento de imóveis incluídos no inventário (Foto: Reprodução/RBS TV)


















Imóvel acumula dívida de R$ 200 mil em IPTU e corre risco de desabar (Foto: Reprodução/RBS TV)

domingo, 24 de junho de 2018

Como o Theatro São Pedro sobreviveu a 160 anos de história no Rio Grande do Sul

Reportagem retorna à Porto Alegre do século 19 para mostrar como a tradicional casa de espetáculos de Porto Alegre se tornou uma das principais do Brasil


















O Theatro São Pedro, em Porto Alegre, hoje
Omar Freitas / Agencia RBS

Na contramão do provincianismo atribuído historicamente ao Rio Grande do Sul, o Theatro São Pedro chega aos 160 anos como símbolo ainda vibrante de uma sociedade que aspira ao cosmopolitismo. Pelo palco hoje sagrado, que rivaliza em importância e charme com as mais antigas casas de espetáculo do país, passaram alguns dos maiores gênios da criação artística do Brasil e do mundo, como o pianista Arthur Rubinstein (duas vezes), o violonista Andrés Segovia, o compositor Heitor-Villa-Lobos, o dramaturgo Eugène Ionesco, o diretor Bob Wilson e o compositor e pianista Philip Glass.

A lista é longa. Pode-se dizer que a história das artes performáticas tem sido descortinada ao público do São Pedro por diversas gerações como um museu vivo: estiveram por lá as sociedades dramáticas e as companhias líricas do século 19, as grandes companhias de teatro brasileiras do século 20 e as estrelas do presente, assim como os coletivos e artistas que constituem a pujante produção local. Mas nem tudo foi glamour. Um mergulho nos alfarrábios do passado revela uma jornada de glória e decadência, pincelada por episódios insuspeitados pelos espectadores de hoje.

Se o teatro se tornou uma janela para o mundo, nem sempre foi assim. Na ocasião da inauguração do teatro, em 1858, o Rio Grande do Sul era, de fato, uma província. Porto Alegre contava com cerca de 20 mil habitantes. No início dos anos 1860, a cidade tinha apenas 24 padarias, 19 bodegas, 10 cafés, 10 hospedarias e uma confeitaria, na contabilidade de um geógrafo. O primeiro mercado público é de 1844. Foi demolido em 1870 para dar lugar ao novo, que havia sido inaugurado em 1869. A cidade, que já tinha vias centrais calçadas, era iluminada por lampiões a óleo de baleia e, depois, óleo de peixe, conforme informações compiladas pelo historiador Gunter Axt. Em 1864, chegaram os combustores a querosene e, a partir de 1887, alguns comércios e residências passaram a contar com iluminação elétrica. No século 19, muitos habitantes andavam a cavalo. O primeiro automóvel apareceu na cidade em 1906 e, dois anos depois, vieram os bondes elétricos.

Era uma época de transformações. Entre 1892 e 1916, o número de habitantes em Porto Alegre duplicou. Em 1858, ano de inauguração do São Pedro, a província tinha mais de 70 mil cativos, o que correspondia a um quarto da população, segundo dados do historiador Fábio Kühn. O Centro Abolicionista foi criado em 1883. Quatro anos depois, menos de 1% da população sul-rio-grandense era formada por escravos. Em 1906, ocorreu a primeira greve geral de trabalhadores de Porto Alegre, reivindicando jornada diária de oito horas. Em 1918, a cidade já tinha quase 180 mil habitantes.

O São Pedro não foi o primeiro teatro de Porto Alegre de que se sabe. Esse título pertence à Casa da Comédia, um barracão precário inaugurado em 1790 na atual Rua Uruguai, voltado a um público majoritariamente popular e masculino, que assistia às apresentações em pé, interagindo com os artistas. Quatro anos depois, o espaço ganhou ares um pouco mais burgueses, passando a se chamar Casa da Ópera – por isso, a Rua Uruguai era conhecida como Beco da Casa da Ópera. Em 1838, quando o espaço não operava mais, uma sociedade dramática alugou um prédio na atual Rua Marechal Floriano para abrir o Teatro Dom Pedro II. O Teatrinho, como era chamado, funcionou durante 20 anos. Modesto, ainda não era o que Porto Alegre precisava.

Data de 1833 a primeira notícia sobre o que veio a ser o Theatro São Pedro. Foi quando 12 cidadãos de posses se uniram em uma sociedade particular para pleitear ao presidente da Província, Manuel Antôno Galvão, a doação de um terreno para construir uma casa de espetáculos sem precedentes em Porto Alegre.

– Naquela época, uma cidade só podia se considerar cidade se tivesse um bom quartel, uma igreja bacana e um teatro. A existência de um teatro naquele momento era o que dava foros de civilidade para uma determinada comunidade – afirma o historiador Gunter Axt. – Além disso, os espetáculos teatrais tinham um componente didático naquele momento, de formação da moral. Era uma sociedade burguesa querendo se afirmar, e o teatro era o meio para isso.

De passagem por Porto Alegre durante a construção do São Pedro, o viajante francês Arsène Isabelle lamentou a localização do futuro teatro, no alto de uma rua "que se transforma em uma catarata nos dias de chuva", mas o terreno de 968 metros quadrados doado pelo presidente da Província, na atual Praça da Matriz, ficava em uma região central da cidade. O São Pedro veio a formar um conjunto arquitetônico com um prédio "gêmeo", a Casa da Câmara, inaugurada em 1874 e destruída por um incêndio em 1949, dando lugar ao atual Palácio da Justiça.

Seriam necessários 25 anos até que o Theatro São Pedro fosse inaugurado, após a constituição de três sociedades particulares consecutivas, a concessão de sucessivos empréstimos e até a realização de uma loteria para ajudar a financiar a empreitada. No meio do caminho, tinha uma guerra: a obra foi interrompida quando estava nos alicerces durante os 10 anos da Revolução Farroupilha, a partir de 1835. Àquela altura, a província já contava com os respeitados teatros Sete de Setembro, em Rio Pardo, fundado em 1832, e o Sete de Abril, em Pelotas, aberto no ano seguinte e ainda hoje em operação, embora fechado para restauro desde 2010.

Morte dentro do teatro


















Óleo sobre tela de autor desconhecido do acervo de Wolfgang Sopher (o São Pedro está à esquerda)
Reprodução / Divulgação Theatro São Pedro

A inauguração oficial do São Pedro finalmente ocorreu em 27 de junho de 1858 com a representação do drama Recordações da Mocidade pela Companhia Ginásio Dramático Rio-Grandense, do empresário João Ferreira Bastos. A abertura da solenidade e os intervalos do espetáculo ficaram aos cuidados da orquestra do maestro Joaquim José de Mendanha, mineiro pardo que compôs a música do Hino Rio-Grandense. Augusto Porto Alegre anotou sobre a histórica noite: "A fina flor da sociedade compareceu ao ato, dando o decote das damas e as casacas dos cavalheiros o tom chique da solenidade em que tudo ressumbrava completa alegria".

O cronista destacou também a decoração do teatro, com folhagens, flores e bandeiras iluminadas por um lustre central, "produzindo cintilações cambiantes as facetas de seus inumeráveis pingentes". Presente do governo francês à província, o lustre original, que funcionava com velas, perdeu-se depois de ter sido visto pela última vez em Rio Pardo, por volta de 1880, mas permaneceu no imaginário dos frequentadores do teatro. O atual lustre, reconstituído em 1984 por ocasião da restauração comandada por Eva Sopher, foi inspirado naquele. Clóvis Massa, professor do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da UFRGS, explica que a inauguração do Theatro São Pedro deu início a uma nova fase na vida cultural da cidade:

– Possibilitou a organização de várias sociedades dramáticas particulares. O repertório passou a contar com o dramas de casaca, ou seja, peças com vestimenta da época, e não mais o teatro histórico de capa e espada, mas muitas vezes trazia ainda um realismo muito romantizado e até mesmo melodramático.

Uma das novidades do São Pedro em relação aos teatros que funcionaram anteriormente na cidade era a presença das mulheres, que se sentavam com os maridos no camarotes, o setor mais nobre, servidos pelos escravos que circulavam em escadarias posicionadas onde atualmente ficam os banheiros. Sim, comia-se e bebia-se no interior da casa. A plateia era ocupada por estudantes e profissionais liberais solteiros. Já as galerias recebiam as camadas populares, mais fragorosas e participativas. Assim, o Theatro São Pedro reproduzia as diferentes estratificações da sociedade da época, função que exerce ainda hoje de alguma forma. Para o crítico teatral e atual presidente da Fundação Theatro São Pedro, Antonio Hohlfeldt, o teatro era o retrato de uma sociedade que começava a se urbanizar:

– Saint-Hilaire (viajante francês) passou por Porto Alegre em 1821 e anotou que, diferentemente de outras províncias, aqui as mulheres não ficavam escondidas nas casas. Participavam das jantas, conversas, saraus. Temos uma visão machista do Rio Grande do Sul, mas havia uma relação mais equilibrada entre homens e mulheres do que em outros lugares do país. O fato de as mulheres irem ao teatro era um reflexo disso.

O repertório refletia a diversidade de gostos do público do século 19. Encenavam-se óperas e operetas. A arte teatral encantava o público com dramas românticos, mas também servia de meio para defender a abolição da escravatura e a causa republicana, temas de que se ocuparam dramaturgos gaúchos precursores do que hoje se conhece como arte engajada. Havia também atrações de viés popular, como comédias de costumes, shows de ilusionismo, espetáculos circenses e de variedades, levando a crítica a torcer o nariz ao lamentar o desinteresse da plateia pelas coisas "sérias" do palco. Um cronista da época declarou que o público porto-alegrense tinha "uma queda para palhaçadas", o que pareceu um exagero ao pesquisador do teatro Athos Damasceno Ferreira (1902-1975), tendo em vista que grandes espetáculos também atraíam os gaúchos. Gunter Axt aponta:

– Já no século 19, o São Pedro ficou muito conhecido pelas temporadas líricas. Era um verdadeiro acontecimento social. Tinha congestionamento de carruagens na porta do teatro. As damas usavam vestidões, faiscavam joias, farfalhavam sedas. Os homens vestiam fraque. Mas a turma não estava bem adestrada ainda: muita gente chegava atrasada. Enquanto a orquestra tocava, tinha gente levantando para dar passagem, mulheres fazendo barulho com seus vestidos. Tudo isso foi se ajustando com o tempo.

Era outra época mesmo, quando um crítico musical podia desafiar outro para um duelo de pistola a fim de resolver uma divergência sobre música de concerto. Quem conta é Athos Damasceno no livro Palco, Salão e Picadeiro em Porto Alegre no Século 19. O diretor de O Progresso, R. Ludwig, achava que os programas da Filarmônica Porto-Alegrense, um respeitado conjunto do século 19, estavam focados demais na escola italiana e deveriam incluir Bach, Beethoven, Mozart e Haydn. Acontece que a Filarmônica era queridinha da crítica musical local, o que rendeu a Ludwig acusações de "germanofilia". Foi assim que ele desafiou José Gertum, da Revista Musical, para resolver a questão de modo nada ortodoxo. Para saúde da imprensa musical, o duelo não foi levado a cabo.

Outra altercação, entretanto, terminou em tragédia. A temporada de 1895 foi marcada por muitas vaias, mas nada se comparou ao que ocorreu no São Pedro no dia 29 de dezembro. Quem acha que a sociedade está polarizada hoje é porque desconhece a rivalidade que havia entre os fãs da Companhia de Ismênia dos Santos e da Companhia Dramática de Apolônia Pinto. Depois de rumar para o interior do Estado, o grupo de Ismênia retornou à Capital quando o São Pedro já estava cedido à trupe de Apolônia, o que provocou prejuízos materiais à primeira. Irritados, os fãs de Ismênia não apenas vaiaram Apolônia e seus parceiros, como um conflito dentro do teatro levou à morte "por violentas cacetadas", segundo Athos, de um jovem italiano descrito como chefe de família. Apolônia quase cancelou a temporada, mas permaneceu com o apoio da imprensa, do público e, claro, da polícia.

Violista escapa de um acidente


















O São Pedro em 1968
Lahire / Agencia RBS

Como se vê, a crônica da época reserva histórias pitorescas. Em 1875, o São Pedro já era duramente criticado por seu mau estado de conservação, o que foi resolvido por um novo arrendatário que providenciou limpeza geral, pintura interna e externa, nova distribuição de gás e iluminação para o palco. Na virada do século, o teatro trazia a modernidade para a cena. Ao apresentar o repertório de sua companhia, em 1900, a atriz portuguesa Lucinda Simões foi saudada pela imprensa da época como o maior talento teatral que já pisara no palco rio-grandense. A empolgação justificava-se também pela estreia por estas plagas do drama realista Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen (1828-1906), que chocara a sociedade europeia com a história de uma mulher que abandona marido e filhos. Considerado hoje o pai do teatro moderno, o autor norueguês era desconhecido do grande público, mas familiar às "classes ilustradas" de Porto Alegre, segundo Athos, pelas traduções em francês de suas peças que circulavam na cidade.

Veio o século 20, e o São Pedro sediou, em 1901, sua primeira sessão de cinematógrafo, que levou multidões à sala de espetáculo, ávidas pela experiência de assistir a um filme no teatro. Novas sessões concorridas em 1903, 1904 e 1905 indicavam que esse negócio de cinema tinha futuro. Nos três primeiros meses de 1908, foram três sessões de teatro para 20 de cinematógrafo, segundo pesquisa de Guilhermino Cesar (1908-1993). Com a chegada do primeiro espaço destinado especificamente ao cinema em Porto Alegre, naquele ano, e a criação de cine-teatros, nos anos seguintes, o São Pedro aos poucos deixa de exercer essa função.

Nas primeiras décadas do século 20, o nobre palco recebeu algumas das maiores estrelas da música de concerto, como Arthur Rubinstein, Bidu Sayão e Andrés Segovia. Com o fim da II Guerra, mais ícones eruditos desembarcaram por aqui, entre eles Aaron Copland, Jacques Thibaud, Erno Dohnányi e novamente Rubinstein. Foi também no São Pedro que nasceu, em 1950, a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), comandada até 1978 pelo maestro húngaro Pablo Komlós. Aquela que se tornaria a principal orquestra do Estado chegou a ser regida por ninguém menos que Villa-Lobos em 1953, feito eternizado com uma placa comemorativa no teatro.

O São Pedro, que já havia recebido figuras de proa do teatro nacional como Procópio Ferreira, Henriqueta Brieba, Itália Fausta e Dulcina de Moraes, foi palco, no pós-guerra, de companhias que moldaram o teatro brasileiro moderno. Apenas entre 1956 e 1959, estiveram por lá a Cia. Tônia-Celi-Autran (integrada por Tônia Carrero, Adolfo Celi e Paulo Autran), Cacilda Becker (com Walmor Chagas) e o Teatro Brasileiro de Comédia (com Nathalia Timberg). Em 1957, nasceu o Curso de Arte Dramática, atual Departamento de Arte Dramática da UFRGS, que ajudou a qualificar ainda mais a produção gaúcha. A dança não ficou para trás: pioneiras como Lya Bastian Meyer, Tony Petzhold e Chinita Ullmann executaram seus movimentos por lá.

Foi ainda nos anos 1950 que o interior do teatro ganhou nova estética. Os gradis de ferro dos camarotes foram cobertos com um tipo de gesso rosa, cor que marcou presença também na pintura das paredes, compondo um conjunto de gosto exótico com o plástico verde das poltronas. Gunter Axt observa que foram diversas as modificações internas no teatro ao logo de sua história:

– No século 19, as mulheres usavam saia sobre saia, mas nos anos 1950 já começavam a usar vestidos mais curtos. Como os rapazes que sentavam na plateia podiam ver as pernas delas pelos gradis, resolveu-se tapar com gesso. Imagine que horror.

Entre o final de 1960 e os primeiros meses de 1961, breve recesso para novas melhorias, mas o teatro reabriu para receber o Teatro de Arena de São Paulo, que marcaria a resistência cultural à ditadura instaurada no país em 1964. Também continuaram afluindo estrelas do calibre de Cacilda Becker, Paulo Autran e Cleide Yáconis. Mas a década de 1970 encontrou o São Pedro em péssima situação. Cupins, infiltrações e problemas na rede elétrica revelavam o cansaço do prédio. Em 1972, uma parte de um refletor caiu no palco durante apresentação da violista japonesa Nobuko Imai, quase atingindo seu instrumento. Destemida, a musicista seguiu tocando até o fim, mas o risco de segurança foi o sinal que faltava para que o teatro fosse efetivamente interditado, o que ocorreu no ano seguinte.

Naquele momento em que o Brasil já vivia sob um regime de exceção, Porto Alegre contava com grandes teatros como o Leopoldina (depois ocupado pela Ospa) e o Presidente, que recebiam produções nacionais, além de salas de menor porte para espetáculos independentes e experimentais que ainda estão em operação, como o Teatro de Arena de Porto Alegre e o Teatro de Câmara, este fechado para reforma desde 2014. O Renascença e a Sala Álvaro Moreyra seriam fundados em 1978.

Embora importantes, nenhum deles substituía o Theatro São Pedro, que precisava de uma verdadeira reconstrução. Eis que entra em cena uma personagem que teria papel definitivo nessa história. Imigrante judia que havia deixado a Alemanha em 1936, por causa do nazismo, Eva Sopher havia se tornado figura de destaque na cena cultural gaúcha por seu trabalho na Pró Arte, que promovia concertos eruditos internacionais na Capital, inclusive no São Pedro, nos anos 1960. Devido à atuação na área, recebeu um convite do jornalista Paulo Amorim, então no Departamento de Assuntos Culturais da Secretaria de Educação do Estado, para comandar a restauração. O ano era 1975. Recusou porque estava envolvida com outros projetos, mas seu marido, Wolfgang Klaus Sopher, encontrou um argumento para convencê-la: "É melhor você aceitar. Caso contrário, são capazes de derrubar o teatro assim como fizeram com seu irmão gêmeo do outro lado da rua". Ele se referia, claro, à histórica Casa da Câmara, que deu lugar ao prédio modernista do Palácio de Justiça, inaugurado em 1968.

Então Eva aceitou.

O abraço que salvou Eva Sopher


















Manifestantes abraçam o São Pedro em 1991 pela permanência de Eva Sopher
Luiz Carlos Felizardo / Arquivo pessoal

A previsão era que a obra consumisse dois anos de trabalho, mas a reinauguração ocorreu apenas em 1984. Nesse ínterim, o miolo do teatro foi completamente demolido, restando praticamente apenas as paredes. Aos poucos, as madeiras deram lugar às vigas de aço. A partir das referências originais, foram recuperados os gradis dos camarotes, as portas e o suntuoso lustre central, pesando 600 quilos, com um mecanismo que permite baixá-lo para a realização da limpeza. As poltronas da plateia ganharam uma elegante estampa a partir de uma peça de veludo francês. E o forro foi decorado com pinturas de Danúbio Gonçalves, Léo Dexheimer, Plínio Bernhardt e Carlos Antônio Mancuso, arquiteto que comandou a obra, falecido em 2010. Sem falar nos modernos equipamentos de som e luz para o palco. Nada disso teria sido possível sem uma pessoa apaixonada à frente de tamanha empreitada, que exigiu poder de mobilização da opinião pública e levantamento de recursos.

– O processo foi muito bonito porque não foi dirigido por uma pessoa só – afirma Hohlfeldt. – Eva evidentemente comandou, mas seu grande mérito foi ser capaz de articular uma equipe multidisciplinar, que é uma palavra da moda agora. Trouxe várias cabeças, vários modos de ver, o que resultou nisso.

Foi assim que o Theatro São Pedro nasceu de novo no dia 28 de junho de 1984, perante os olhos de um público embasbacado. E devidamente treinado. Dois dias antes, Eva Sopher havia publicado em Zero Hora uma "bula" sobre o uso do teatro: "Atrasos, ruídos e chicletes usados devem ser engolidos habilmente, guardados no bolso ou então colocados em recipientes tais como cinzeiros e cestos de papel, jamais jogados no chão ou grudados embaixo da poltrona. Fumo: 'aquele' nunca; outros, só onde é permitido e onde tem cinzeiros". Os tempos mudaram, e hoje nenhum tipo de fumo é permitido ao público dentro do teatro.

A noite de reinauguração começou com o Hino Nacional, executado pelas mãos dos músicos da Ospa, sob a batuta de Eleazar de Carvalho, um de seus maestros memoráveis. Radamés Gnattali, que havia se apresentado no teatro quando jovem, retornou triunfante para dirigir sua Sinfonia Popular nº 1. Por fim, o grupo teatral Cem Modos encenou O Caso Térmita. A peça mostrava o julgamento de um cupim acusado de ter provocado o fechamento do teatro. Ao final, revelava-se que a verdadeira causa era o descaso das autoridades e a burocracia.

A estrela da primeira temporada de 1984 foi Bibi Ferreira, que encenou 41 concorridas sessões do musical Piaf. E assim o São Pedro retornou, mais glorioso do que nunca, à cena cultural brasileira, sediando espetáculos de teatro, dança, circo e música de artistas internacionais, nacionais e locais, sempre sob a supervisão do selo de qualidade de Eva Sopher, que se tornou a presidente da Fundação Theatro São Pedro. Sua determinação em preservar o prédio histórico frente à constante ameaça de sucateamento dos espaços públicos conquistou a admiração e o carinho não só do público gaúcho como dos diversos artistas que desembarcavam na Capital. O Theatro São Pedro se tornou uma fortaleza da cultura.

Uma única vez o cargo de Eva Sopher foi ameaçado. No início de 1991, correu a notícia de que o então governador eleito Alceu Collares tinha a intenção de substitui-la no São Pedro, assim como Sergio Napp (1939-2015) na direção da Casa de Cultura Mario Quintana. A reação da classe artística foi imediata. Segundo registro de Zero Hora na época, artistas como Antonio Fagundes, Fernanda Montenegro, Jô Soares e Marco Nanini enviaram mensagens a Collares pela permanência de Dona Eva. O gesto mais simbólico foi o abraço coletivo no prédio do teatro com cerca de 200 pessoas, no dia 14 de março, liderado pela Cia. de Ópera Seca, tendo Bete Coelho à frente. Gerald Tomas, diretor da companhia, escreveu um texto para Zero Hora de Munique: "São Pedro é dona Eva Sopher, pelo amor de Deus".

Durante o abraço coletivo, Eva acenava da sacada do prédio, que ganhou uma faixa preta de luto. Figuras da intelectualidade gaúcha, como Lya Luft, Olga Reverbel, P.F. Gastal e Tânia Carvalho, que era presidente da Associação de Amigos do teatro, marcaram presença no ato, que incluiu um abraço na própria homenageada. O movimento resultou na permanência de Eva e Napp em seus postos. Collares declarou: "O problema dela não surgiu de nós porque nunca imaginamos tirá-la da direção do Theatro São Pedro".

Um sonho ainda inacabado


















Foyer do Multipalco Eva Sopher hoje
Omar Freitas / Agencia RBS

Desde a época da reinauguração, Eva Sopher tinha o sonho de expandir o teatro para os terrenos contíguos. Depois de longas negociações envolvendo a prefeitura e o governo estadual, com doações e desapropriações, o projeto de um complexo cultural começou a tomar forma. A obra do que veio a ser chamado de Multipalco começou em março de 2003, com previsão de três anos de duração, a um custo de R$ 28 milhões. Diversas etapas foram inauguradas desde então, incluindo o estacionamento com três andares subterrâneos, área administrativa, salas multiuso, restaurante, Sala da Música, concha acústica (ainda sem equipamentos de som e luz) e foyer para eventos.

Já foram investidos R$ 42 milhões de patrocinadores e doadores individuais, financiados por meio da Lei Rouanet e da Lei de Incentivo à Cultura estadual, além de investimentos diretos, mas o Multipalco não está pronto. Ainda falta toda a parte interna do novo teatro italiano e do teatro-oficina, este voltado a espetáculos experimentais, embora o atual presidente do teatro, Antonio Hohlfeldt, tenha a ideia de já disponibilizar o teatro-oficina para uso do festival Porto Alegre Em Cena, em setembro. Traduzindo em números, será necessário captar ainda R$ 19 milhões para que a conclusão do Multipalco se torne realidade.

Em seus últimos anos, Eva Sopher se dedicou a capitanear uma ampla campanha nacional para arrecadar doações ao projeto, contando com campanha na televisão e apoio de estrelas nacionais. Foi uma causa que abraçou com a mesma intensidade com que havia se dedicado à reconstrução do teatro, entre os anos 1970 e 1980. Jamais desistiu. Mas no dia 7 de fevereiro deste ano, como uma atriz que entende ter cumprido seu papel mais importante, Dona Eva saiu de cena. Seu velório ocorreu dentro do teatro que foi sua segunda casa, ou talvez a primeira. As cinzas foram jogadas, em parte, junto à paineira de estimação, na área externa ao São Pedro. Outra porção foi levada a Santa Maria, onde está enterrado o corpo do marido. Seu legado foi de perseverança, como observa a designer Renata Rubim, uma das filhas de Eva:

– Acho que ela reforçou isso com o casamento, porque meu pai era um apoiador total. Se tivesse sido com outra pessoa ou sozinha, não se teria sido assim. Ela dizia que tinha todo esse vigor por causa do apoio dele. Minha mãe sempre foi muito informal, não tinha nada de convencional.

Inspirada em Eva, a filha Ruth Sopher Péreyron tornou-se também guardiã de um teatro, o Treze de Maio, em Santa Maria. Ela recorda:

– Minha mãe tem uma plaquinha no teatro, porque é nossa madrinha. Nos ajudou muito. Tudo que eu precisava, buscava com ela. Todo mundo diz que o Treze é o filhotinho do São Pedro, até porque tem metade do tamanho.

Também para os colegas do São Pedro Dona Eva representa uma inspiração. O presidente da Associação Amigos do Theatro São Pedro, José Roberto Diniz de Moraes, afirma que ela deixou como desafio a conclusão do Multipalco: 

– De certa forma, diria que ela viu isso aqui pronto. Não viu o grande teatro e o teatro-oficina, mas isso é detalhe. Quando concluímos o foyer, em dezembro, eu a chamei. Ela sorriu. Acho que gostou uma barbaridade do que viu.

Trinta e quatro anos depois da reabertura, também o prédio histórico está exigindo atenção. Hohlfeldt, que tem mandato até dezembro como presidente da Fundação Theatro São Pedro, planeja para o final do ano uma parada para reforma que incluirá a renovação de algumas poltronas, carpete e sistema de ar-condicionado. Também é considerada a inclusão de poltronas para obesos e a ampliação da área para cadeirantes. O custo estimado das melhorias é R$ 1,5 milhão. Depois de assumir, em março último, o cargo que pertenceu a Eva Sopher com o discurso de conclusão do Multipalco, Hohlfeldt afirma que estará à disposição do próximo governo estadual para continuar o trabalho, mas não pretende ter uma trajetória tão longeva quanto a de sua antecessora:

– Se ficarmos mais quatro anos, é muito provável que consiga terminar a obra. Tenho disponibilidade para ficar mais um período, mas não gostaria de ficar muito mais do que isso, sinceramente.

Pouco antes do aniversário de 160 anos, a Orquestra Theatro São Pedro (OCTSP), criada em 1985, também ganhou novo comando. Evandro Matté assumiu como diretor-artístico e regente principal no lugar de Antônio Borges-Cunha, que comandou o conjunto nos últimos 18 anos. Matté acumulará o cargo duplo com a direção artística da Ospa e da Orquestra Unisinos Anchieta. Um concerto comemorativo pelo aniversário do teatro será realizado pela OCTSP neste domingo (24/6), às 18h, sob regência de Matté, com participação da Cia. Municipal de Dança de Porto Alegre.

Coexistindo hoje com grandes salas de espetáculo, como o Teatro do Bourbon Country, o Auditório Araújo Vianna e o Teatro do Sesi, o Theatro São Pedro nunca perdeu um lugar especial no coração dos espectadores. Tornou-se insubstituível. De certa forma, conecta os gaúchos com o rio da história. Como se não bastasse, virou "pop", na expressão do pesquisador teatral Luís Francisco Wasilewski:

– Graças a Eva Sopher. Ela era uma figura pop. O fato de ter permanecido na direção foi um ganho para o São Pedro. Acompanhando outros teatros no Brasil, e percebo que, quando trocam o diretor, o novo acaba com o trabalho do anterior. Veja, por outro lado, a maneira como Eva Sopher conseguiu tratar aquela casa e se tornar querida entre os atores de fora daqui.

Se no século 19 o São Pedro era o centro da vida cultural e social da cidade, hoje talvez represente um espaço de resistência. Que está prestes a se tornar, com o Multipalco, um dos maiores complexos culturais do país. Mas restam desafios. Um deles é conquistar um novo público cuja atenção é disputada com uma infinidade de distrações pós-modernas. Outro é buscar um equilíbrio entre a programação de fora do Estado e a produção local. Artistas gaúchos historicamente reivindicam mais agenda no tradicional palco. Para Clóvis Massa, da Pós-graduação em Artes Cênicas da UFRGS, a parceria entre uma sociedade particular e o poder público costurada por ocasião da construção do São Pedro, no século 19, marcou sua identidade:

– No meu entendimento, esse início nebuloso e conflituoso em relação à posse pública ou privada, e a falta de um projeto de descentralização cultural de parte dos órgãos públicos quando de sua atividade a partir de sua reinauguração, tornam o Theatro São Pedro um espaço público (administrado pelo governo estadual) mascarado de espaço privado, ou vice-versa.

Pensando no equilíbrio entre a programação local e de fora do Estado, o diretor artístico do São Pedro, Dilmar Messias (ele também um representante da cena gaúcha), celebra o atingimento de uma proporção de 82% de programação local nos espaços do teatro em 2017, entre palco principal, foyer e Sala da Música do Multipalco.

– O dado alentador é que o percentual de público se manteve estável mesmo com o aumento do espaço para a produção local, contrariando algumas previsões pessimistas – diz Messias. – Os projetos que criamos para este ano, como Mistura Fina, Teatro Hoje e a Mostra Pirlimpimpim de Teatro Infantil, também são voltados principalmente a atrações locais.

* Colaborou Fernando Corrêa

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/espetaculos/noticia/2018/06/como-o-theatro-sao-pedro-sobreviveu-a-160-anos-de-historia-no-rio-grande-do-sul-cjioy0nkw0idf01qoogsdnzkp.html

domingo, 17 de junho de 2018

Além de Roberto Marinho, veja outros colecionadores de arte que abriram suas casas ao público

Em diversas cidades, propriedades foram reformadas para se tornarem centros culturais

Uma coleção de arte particular pode ser o retrato do seu proprietário. Há os que guardam tudo em sua residência, os que doam as obras adquiridas para instituições já existentes e aqueles que constroem espaços específicos para os trabalhos. Quando decidem fazer isso na própria residência, a experiência se torna ainda mais pessoal. É o caso do Instituto Casa Roberto Marinho, inaugurado neste ano, na zona sul do Rio de Janeiro. Abaixo, veja outros colecionadores que transformaram suas casas em espaços para exibir sua coleção.

Instituto Moreira Salles 

(Rio de Janeiro, RJ)

A sede do Instituto Moreira Salles, na Gávea, no Rio de Janeiro, é uma mansão de 1948 que já foi o lar do embaixador Walther Moreira Salles. A construção moderna foi projetada por Olavo Redig de Campos e, assim como a Casa Roberto Marinho, tem jardins desenhados por Roberto Burle Marx. Atualmente, abriga exposições de arte contemporânea e de fotografia – especialidade do IMS, que possui 2 milhões de imagens –, café, cinema e reserva técnica com o acervo em música, literatura e outros. Veja mais em: ims.com.br
















Robert Polidori / Acervo IMS

Fundação Maria Luisa e Oscar Americano 

(São Paulo, SP)

Pouco conhecida, essa fundação ocupa um parque de 75 mil metros quadrados no Morumbi, em São Paulo. Além da área verde, com esculturas, a grande atração é a casa modernista onde viveu Oscar Americano – projetada por Oswaldo Arthur Bratke em 1950, está aberta ao público desde 1980. No local, está exposto o acervo da família, que inclui peças dos períodos colonial e imperial (desde mobiliário e prataria até pinturas do holandês Frans Post) e de artistas do século 20, como Portinari, Di Cavalcanti, Brecheret e Segall. Nos finais de semana, a fundação realiza atividades como recitais. Veja mais em: fundacaooscaramericano.org.br












Divulgação / Fundação Maria Luisa e Oscar Americano

Fundação Vera Chaves Barcellos 

(Viamão, RS) 

A artista plástica e colecionadora Vera Chaves Barcellos vive e trabalha em Viamão, onde também mantém a reserva técnica e o espaço expositivo da fundação que leva seu nome. A Sala dos Pomares, um prédio de 400 metros quadrados, recebe duas exposições de arte contemporânea por ano, além de diversas atividades paralelas. O acervo da fundação conta com mais de 2 mil obras de artistas jovens e consagrados do Brasil e do Exterior – entre eles, a produção da própria Vera e seus colegas do grupo Nervo Óptico e do Espaço N.O. Veja mais em: fvcb.com.br


















Omar Freitas / Agencia RBS

Centro de Arte Contemporânea de Inhotim 

(Brumadinho, MG)

Um dos maiores colecionadores de arte do mundo, o empresário siderúrgico Bernardo Paz transformou a sua fazenda no interior mineiro no maior museu de arte contemporânea do país. O terreno de 600 hectares virou uma reserva natural com pavilhões que exibem a coleção, com cerca de 500 obras, entre esculturas, gravuras e pinturas de artistas como Adriana Varejão, Cildo Meirelles, Tunga e Chris Burden. Veja mais em: inhotim.org.br


















Ricardo Chaves / Agencia RBS

Chácara do Céu 

(Rio de Janeiro, RJ)

A coleção do empresário Raymundo Ottoni de Castro Maya está dividida entre duas residências no Rio: a Chácara do Céu, em Santa Teresa, e o Museu do Açude, no Alto da Boa Vista. São cerca de 22 mil obras, entre pinturas, esculturas, azulejos, mobílias, pratarias e livros. O mais conhecido deles, o Museu da Chácara do Céu ocupa uma residência projetada por Wladimir Alves de Souza com traços modernos. Lá é possível ver exposições de peças da coleção, que inclui trabalhos de mestres brasileiros, orientais e europeus. Veja mais em: museuscastromaya.com.br


















Divulgação / Museu Chácara do Céu