quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Palácio Capanema sediará 27º Congresso Mundial de Arquitetos

O EDIFÍCIO QUE CARREGA OS NOMES DE LUCIO COSTA, NIEMEYER E LE CORBUSIER SERVIRÁ, OFICIALMENTE, COMO UMA DAS INSTALAÇÕES DO 27º CONGRESSO MUNDIAL DE ARQUITETOS (UIA2020RIO)

O Palácio Gustavo Capanema - situado no centro do Rio de Janeiro - vai sediar o 27º Congresso Mundial de Arquitetos (UIA2020RIO). O local será um dos principais pontos de visitação dos cerca de 15 mil congressistas que desembarcarão na cidade em 2020, segundo o presidente do CAU/BR, Luciano Guimarães: “O edifício é reconhecido não só aqui no Brasil, como patrimônio histórico nacional, mas internacionalmente como um dos grandes exemplares da arquitetura moderna”.

A autorização para o uso do edifício foi concedida em setembro, durante evento de entrega da obra de restauração de suas fachadas, com a presença de alguns dos representantes de órgãos como Iphan, IAB, UIA, CAU/BR, CAU/RJ e CAU/SP.

“Ter o Palácio Gustavo Capanema restaurado em 2020, abrigando uma série de atividades vinculadas ao UIA2020RIO, é fundamental. Os arquitetos do mundo inteiro poderão conhecer essa obra prima recém-restaurada e, ao mesmo tempo, será um legado que o governo brasileiro, o IAB e os arquitetos e urbanistas vão deixar para a sociedade carioca”, afirmou o presidente do IAB, Nivaldo de Andrade, no dia da oficialização do documento.

O vice-presidente das Américas da UIA, Roberto Simon, ressaltou a importância de parte das atividades do 27º Congresso Mundial de Arquitetos ser sediada no Palácio: “É muito bom saber que teremos o prédio à disposição. É um estímulo gigantesco para que a gente continue caminhando para realizar no Rio de Janeiro o congresso que essa cidade merece”.

Para Simon, a capital fluminense contribuirá diretamente com o projeto do Congresso da UIA, justamente por representar um espaço de reflexão a céu aberto. Durante seis meses, o Palácio Capanema vai abrigar uma série de atividades abertas a todos os participantes do UIA2020RIO.

Já o presidente do CAU/RJ, Jeferson Salazar, afirmou que o prédio será um espaço representativo para ser o ponto de apoio do UIA2020RIO: “Certamente que a exposição do Palácio vai contribuir bastante para despertar na população o interesse pela arquitetura e urbanismo e pelo patrimônio”.

Recentemente, o edifício contou com a restauração de suas fachadas, a partir de recursos provenientes do PAC Cidades Históricas e do Iphan. Serão realizadas ainda outras fases de restauração, que preveem: restauro, conservação e modernização da parte interna do edifício, englobando infraestrutura; sistema de detecção e combate a incêndio; sistema de ar condicionado; modernização dos auditórios; conservação dos jardins de Burle Marx no térreo; e restauração do mobiliário e dos painéis de azulejos de Portinari.

Fonte: http://www.arcoweb.com.br/noticias/noticias/palacio-capanema-sediara-o-27-congresso-mundial-de-arquitetos





















Foto: reprodução / Iphan 

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Restauração de catedral em Salvador revela tesouro que estava escondido

Catedral no Pelourinho foi o quarto templo construído pelos jesuítas em Salvador. Após trabalho de restauração, que custou quase R$ 18 milhões, volta a se mostrar imponente.

O clima de consternação provocado pelo incêndio do Museu Nacional, no Rio, deu visibilidade à segurança precária de edifícios que abrigam tesouros culturais brasileiros. Mas a Catedral Basílica de Salvador mostra que nem tudo é assim.

É história, arte, cultura, um patrimônio cravado entre os casarões do Pelourinho. A catedral foi o quarto templo construído pelos jesuítas em Salvador. Abriu as portas em 1672. Agora, depois de um longo e minucioso trabalho de restauração, que custou quase R$ 18 milhões, volta a se mostrar imponente.

Os 13 altares exibem o brilho das folhas de ouro usadas na restauração. Pinturas originais, que estavam encobertas por camadas de tinta e verniz, revelam como os artistas jesuítas decoraram a catedral entre os séculos 17 e 18.

Entre tantas imagens restauradas, a de Jesus crucificado chama a atenção. Fica no altar-mor, num nicho, a mais de dez metros do chão. É uma imagem que, no tempo dos jesuítas, não podia ser vista sempre. Ficava protegida por portas que estavam escondidas, emperradas, e foram descobertas durante a restauração da catedral.

“Como é uma porta que valoriza momentos do mistério da fé, então vale a pena. Em algum momento vamos fechar, em algum momento vamos abrir, para que as pessoas possam contemplar também a pintura, porque ela é muito bela”, disse o pároco da catedral, Lázaro Muniz.

Ao lado, na capela do Santíssimo, a remoção de tinta revelou mais história: nas paredes, oito pinturas; no altar, folhas de prata, em vez de ouro.

“Geralmente, predominam as folhas de ouro, os altares todos dourados, e o altar do Santíssimo, especificamente, estava todo encoberto por camadas de tinta”, explicou Laura Lima, arquiteta do Iphan.

Outra surpresa apareceu atrás do retábulo do altar de Santo Inácio de Loyola - os pesquisadores encontraram 12 crânios humanos.

“A gente simplesmente protegeu e optou por mantê-los no lugar onde estavam”, disse a arquiteta Laura.

No átrio em frente ao altar-mor, um tablado removido revelou a lápide de Mem de Sá, terceiro governador-geral do Brasil, que morreu em 1572. É nosso passado, relembrado em cada detalhe, e que precisa ser preservado.

“O que a gente fez foi refazer todas as instalações elétricas do monumento para garantir essa segurança, implantar um sistema de prevenção e combate a incêndio com 109 sensores espalhados pela igreja, interligados a uma central que pode disparar telefones celulares à distância. O monumento hoje é muito mais seguro”, disse Bruno Tavares, superintendente do Iphan da Bahia.

Fonte: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2018/09/24/restauracao-de-catedral-em-salvador-revela-tesouro-que-estava-escondido.ghtml?utm_source=facebook&utm_medium=share-bar-smart&utm_campaign=share-bar
















Catedral Basílica de Salvador é entregue depois de restauração

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Arqueólogos encontram desenho mais antigo da história da humanidade

Padrão abstrato pintado em fragmento de rocha foi produzido há cerca de 73 mil anos e é ao menos 30 mil anos mais antigo que desenhos conhecidos até então. Descoberta é apontada como evidência de habilidades cognitivas.

Arqueólogos afirmaram ter encontrado em uma caverna na África do Sul o desenho mais antigo produzido pelo ser humano de que se tem conhecimento. A descoberta seria uma evidência de que o Homo sapiens já possuía habilidades cognitivas modernas dezenas de milhares de anos atrás.

O achado foi revelado em um estudo publicado na revista "Nature" na quarta-feira (12/09). Encontrado na caverna de Blombos, 300 quilômetros a leste da Cidade do Cabo, o desenho decora um pequeno fragmento de pedra e foi pintado com tinta vermelha a partir de pigmentos minerais. Pesquisadores calculam que ele tenha sido produzido há cerca de 73 mil anos, no período conhecido como Idade da Pedra Média.

A descoberta é ao menos 30 mil anos mais antiga que os desenhos humanos conhecidos até o momento, afirma o estudo, e se soma a outros artefatos encontrados na mesma caverna, como contas de conchas, fragmentos gravados de pedra e até mesmo ferramentas feitas a partir de uma versão rudimentar do cimento.

"Todas essas descobertas demonstram que o Homo sapiens antigo no sul da África usou técnicas distintas para produzir símbolos similares em diferentes superfícies", afirmou Christopher Henshilwood, arqueólogo que liderou a pesquisa, da Universidade de Bergen na Noruega e da Universidade de Witwatersrand na África do Sul.

O desenho consiste em um padrão abstrato de seis linhas retas cruzadas por outras três linhas ligeiramente curvadas, lembrando vagamente o símbolo conhecido atualmente como uma hashtag. O fragmento de pedra tem cerca de 38,6 milímetros de altura e 12,8 milímetros de largura.

Embora arqueólogos já tenham encontradas gravações em pedra de datas anteriores, incluindo uma em Java com ao menos meio milhão de anos, a equipe de pesquisadores afirmou que a descoberta da caverna de Blombos se trata do exemplo mais antigo de um desenho.

Henshilwood acrescentou que não hesitaria em chamar o padrão abstrato de arte. "É definitivamente um desenho abstrato e, quase com certeza, tinha algum significado para seu autor. Provavelmente fazia parte de um sistema simbólico comum compreendido por outras pessoas de seu grupo."

Acredita-se que o autor do desenho tenha sido um dos caçadores-coletores que se abrigavam periodicamente na caverna de Blombos, voltada para o Oceano Índico.

"O fim abrupto de todas as linhas nos cantos do fragmento indicam que o padrão, originalmente, se estendia sobre uma superfície maior. Ele era provavelmente mais complexo e estruturado em seu todo do que nesse segmento truncado", apontou Henshilwood.

A descoberta reforça a crença de que seres humanos antigos também podiam armazenar informações fora de seus cérebros e de que se comportavam essencialmente como seres humanos modernos antes de deixarem a África em direção à Europa e à Ásia.

Fonte: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2018/09/13/arqueologos-encontram-desenho-mais-antigo-da-historia-da-humanidade.ghtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=g1&utm_content=post



















Fragmento de pedra traz padrão abstrato composto por série de linhas — Foto: Craig Foster/Handout via REUTERS

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

São Luís (MA) comemora aniversário com a primeira praça da capital totalmente revitalizada

Na véspera do aniversário de 406 anos de São Luís (MA), a comunidade ludovisense terá mais um motivo para celebrar. No dia 07 de setembro, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Prefeitura Municipal entregam, totalmente restaurada, a Praça Dom Pedro II, a primeira da cidade. Com investimento de aproximadamente R$ 500 mil do Governo Federal, por meio do Iphan, um dos destaques da obra é restauração da escultura Mãe d’Água Amazônica, que está de volta à praça.
A recuperação dos passeios e canteiros, incluindo reparos na pavimentação em pedra portuguesa; os serviços de poda, remoção e plantio de espécimes vegetais; o refazimento de parte dos pisos cimentados e limpeza dos pisos; o acréscimo e a substituição de bancos e lixeiras; a reforma completa do chafariz, incluindo nova instalação de bombas, tubulações e iluminação são outros pontos relevantes da obra. Com a entrega da Praça Dom Pedro II, a população poderá usufruir novamente de um importante espaço público que é Patrimônio Cultural maranhense e referência em São Luís.
Situada na área escolhida por franceses, em 1612, para repouso, de acordo com o missionário Claude d’Abbevile, a primeira praça da futura cidade de São Luís, a Praça Pedro II começou a ganhar forma em 1821, após intervenções do Marechal Bernardo da Silveira Pinto de Fonseca.  Em 1904, o largo constituiu-se em avenida, com a abertura de canteiros, passeios e alas, denominando-se Avenida Maranhense e, posteriormente, Avenida Pedro II, onde fica a praça homônima. 
É neste espaço que estão as principais instituições administrativas: Palácio dos Leões (sede do Governo Estadual), Palácio La Ravardière (sede do Governo Municipal), Tribunal de Justiça do Estado e a Catedral Metropolitana. É, também, uma área de grande variedade estilística, edificações art nouveau, neoclássica e pombalina. No início da década de 1950, a peça escultórica Mãe d’Água Amazônica foi instalada no local, que passou a ser identificado como Praça da Mãe d’Água. A escultura, premiada com a medalha de prata no Salão Nacional de Belas-Artes em 1940, foi a última obra do escultor maranhense Newton Sá, que faleceu no mesmo ano. Em 2015 a escultura foi retirada da praça e levada para o Museu Histórico e Artístico, onde permaneceu até este ano. 
Serviço:
Entrega da Praça Dom Pedro II

Data: 07 de setembro, 17h30
Local: Praça Dom Pedro II – São Luís (MA)
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Fonte das imagens: do site Iphan

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Nota Oficial: Incêndio no Museu Nacional

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) manifesta sua mais profunda indignação frente à tragédia de repercussão internacional que, em função do terrível incêndio ocorrido neste 2 de setembro, colapsou as instalações do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, comprometendo definitivamente seu precioso acervo. A indignação resulta da maneira como a Memória Nacional vem sendo tratada pelo Estado brasileiro ao longo de sucessivos governos, sempre insensíveis a um olhar estratégico e prioritário para com a Cultura. 
A presidente do Iphan, no âmbito das competências institucionais, já está no Rio de Janeiro para, além de acompanhar a situação, atuar na elaboração de estratégias para o processo de resgate e recuperação do que for possível, tanto do imóvel quanto do seu acervo. 
O Iphan, ao longo de 81 anos, vem lutando pela preservação do Patrimônio Cultural e, num momento de tanta dor, se solidariza com a Direção do Museu Nacional e com os servidores da bicentenária Instituição. 
A ação mais recente do Iphan neste sentido foi a realização do Seminário Internacional Gestão de Sítios Culturais do Patrimônio Mundial no Brasil, que aconteceu em agosto desse ano em Goiás (GO), que reuniu gestores de cidades históricas. O encontro resultou no Compromisso de Goiás, um documento que define as diretrizes de uma futura política transversal que trata o Patrimônio Cultural como ativo econômico, que gera renda, empregos e inclusão social. O seminário foi elaborado já em função da preocupação do Iphan de buscar um compromisso com os governantes do país em manter linhas de financiamento voltadas para o Patrimônio Cultural, buscando evitar situações muitas vezes irreversíveis como a tragédia que chocou o mundo.
Cabe lembrar também que, a partir de um amplo debate em julho de 2017, o Iphan, em conjunto com os Corpos de Bombeiros de todo país e o Ministério Público Federal, iniciou a construção conjunta da Normativa de Prevenção e Combate a Incêndio e Pânico em Edificações Protegidas. Esse instrumento busca o consenso para compatibilizar o mínimo impacto sobre os elementos arquitetônicos e artísticos existentes e as melhores soluções para prevenção e combate a incêndio em edificações tombadas.

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Vista aérea da Museu e da Quinta da Boa Vista - Fonte: Dronestagram

domingo, 19 de agosto de 2018

Uma galeria de arte de seis hectares: conheça o Jardim das Esculturas de Júlio de Castilhos

Um escultor obsessivo trabalha sem parar no local, que fica nos limites do município da Região Central e está aberto a visitações

Das coxilhas que moldam o município de Júlio de Castilhos, nos limites de Nova Palma, na Região Central, o escultor Rogério Bertoldo, 48 anos, fez sua galeria de arte. Em uma área de seis hectares no distrito castilhense de São João dos Mellos, ele expõe algo em torno de 600 esculturas em pedra de arenito feitas por ele ao longo dos últimos 13 anos.

É uma grande exposição ao ar livre e em constante transformação. A visita de um dia pode não ser a mesma de um passeio na semana seguinte, porque Bertoldo esculpe sem parar, com a obstinação de quem não tem tempo a perder, apesar de ele não cultivar preocupações de ordem cronológica. 

Isso ficou para trás, na época em que o descendente de italianos e filho de agricultoresconfrontava a ordem natural do destino que a família havia traçado: seria um homem do campo, do cultivo de fumo, milho, feijão...

Foi chamado de louco quando deixou escapar que pretendia fazer um jardim de esculturas no quinhão de terra que herdou. O sonho ficou resguardado, enquanto Rogério se aventurava nas artes marciais. Manteve-se em atividade nos tatames como educador por 17 anos, até 2004. Foi nessa época que conheceu a esposa, Giselda Moro Bertoldo, com quem passou a cultivar os planos do jardim. Em 2005, Rogério pediu licença aos mestres orientais e foi buscar as pedras para a primeira escultura. Em 12 dias, a figura de um leão robusto e de juba farta, talhada a machado e faca de cozinha, reinava soberana na coxilha

Era o começo do Jardim das Esculturas.

Animais aparecem muito entre as obras que ornam o lugar, mas a referência pela cultura e pelos ensinamentos orientais fica evidente. O escultor começou a ter contato com a literatura oriental de Confúcio e outros autores ainda na adolescência. Dedicou cinco anos à meditação e dali retirou os insumos para o estilo de vida que leva. O pai dele, morto em um trágico acidente em 2005, recebeu as influências do filho e também se aventurou a meditar, rever a dieta carnívora e avaliar diariamente o sentido da existência. Viu somente cinco esculturas do sonho de Rogério.

– Eu projetava esse jardim, queria ver o mundo aqui. Quero que minha obra convide as pessoas a refletir sobre a própria existência e para que despertem sobre seus potenciais. A vida é agora. Não é passado, nem futuro – ele diz.

Do portão de acesso à frente do prédio da recepção, os visitantes percorrem um corredor de enormes esculturas de asanas, as posturas da ioga. São 60 imagens construídas por Rogério ao longo dos primeiros cinco anos da organização do espaço. Ao final desse corredor, um grande buda, esculpido em blocos de pedra de 18 toneladas, convida o visitante a contemplar e a refletir sobre os limites que as mãos podem impor à imaginação. Para Rogério, nenhum.

– (As mãos) são nossa manifestação terrena. Com elas, fazemos o bem ou o mal – filosofa.

A habilidade em moldar gigantescas pedras não é resultado de formação específica. Rogério estudou até a sexta série do Ensino Fundamental e foi à primeira exposição de arte somente em 2014, na Bienal de Esculturas do Chaco, na Argentina

Até então, saboreava o talento nato, aprimorando-o com o trabalho diário. Ele produz, em média, uma obra por semana e, nos primórdios do jardim, tinha como ferramentas apenas machados, facas de cozinha e lixas. Consumia cerca de 20 machados em um ano, cegos da lida brutal de dar delicadeza ao arenito. Além das obras no jardim, há pelos menos outras 300 espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, frutos de encomendas de visitantes que conheceram o trabalho de Rogério e não se contiveram em tê-lo somente em memórias de um passeio. Mas o que fica ali nas coxilhas tem sempre um sentido. 

Giselda mostra as esculturas que retratam os pais de Rogério – em pontos de destaque do jardim e a única obra em pedra-sabão: ela própria.

– Costumo dizer que vivo em um paraíso feito por Deus, esculpido por meu amor e cuidado por mim – afirma, orgulhosa, repetindo a frase gravada em uma placa na identificação da peça que inspirou.

No Jardim das Esculturas, Giselda e Rogério organizaram um ambiente de convívio familiar. Entre as esculturas, há espaço para fazer piqueniques, com direito a levar animais de estimação, sempre bem-vindos desde que não criem nenhuma animosidade com os cães e gatos da casa. São 10 cachorros – a maioria resguardada em dias de visita – e sete gatos, que nem sempre dão as caras entre o público. A cadela Pretinha, vizinha do lugar, é uma das "guias".

O casal também organizou um roteiro, batizado de Trilha da Consciência, em que está retratada, como a Via-Crúcis de Cristo nas paredes dos templos católicos, a saga de Rogério até realizar o sonho do jardim. O percurso de aproximadamente um quilômetro é vigiado por esculturas às margens da trilha com frases motivadoras e reflexões acerca de conduta, otimismo e gratidão.

O caminho passa por um lago, por outro "canteiro" de esculturas e segue ao largo de um riacho encoberto por mata nativa. Entre as árvores, foi montada uma pequena pracinha em madeira para que as crianças também aproveitem a aventura, encerrada no alto da Montanha do Silêncio, um dos morros que fazem guarita ao jardim com acesso tranquilo por um caminho demarcado por dormentes. Lá esperam mais esculturas, a maior delas, um buda de seis metros de altura feito em blocos de arenito com 40 toneladas. Há bancos para descansar e conversar com o silêncio.

Via de regra, é Giselda quem acompanha os visitantes, porque Rogério dedica os dias a esculpir. Fica boa parte do tempo no galpão ao fundo do jardim, onde trabalha nas gigantescas peças. Sem o público de fora, a quietude dali é quebrada pelo barulho da talhadeira.

– Sempre digo que nunca trabalhei, porque esculpir é uma diversão – revela.

Encravado em uma região de belezas naturais com um apelo turístico tão competente quanto a serra gaúcha, mas sem a mesma visibilidade, o Jardim das Esculturas vem sendo descoberto aos poucos, mas constantemente. Aliás, Rogério passou dois meses em Nova Petrópolis a convite de um admirador de seu trabalho para deixar por lá quase 40 exemplares do talento que esbanja na Região Central. Não se adaptou longe da terra em que cresceu e voltou a São João dos Mello.

Nos finais de semana, o Jardim das Esculturas recebe até 500 pessoas curiosas para conhecer o local. Nos registros de visitantes, há gente procedente de mais de 50 países. Ao menos em um domingo do mês são promovidos encontros para a prática de ioga. Já se vislumbram melhorias com mais atrativos. Ao lado do jardim, Giselda está à frente de um restaurante vegetariano, aberto para receber os grupos em passeio pelo lugar. A dieta vegetariana é seguida por ela e Rogério há décadas, mas desde janeiro ele se tornou vegano, ao que credita boa parte da saúde invejável e a disposição para produzir as esculturas "de domingo a domingo". O casal também planeja organizar um espaço para hospedagem, atento à crescente demanda de praticantes da meditação que buscam a tranquilidade e a boa energia do lugar.

Com uma produção incessante, Rogério já prevê o desafio de acomodar nos seis hectares as futuras esculturas. Em alguns pontos, o espaço já está limitado para novas "mudas", germinadas na intuição do artista, que se vale de fotos para produzir as peças encomendadas, mas, quando as faz para o jardim, baseia-se no que mentaliza previamente antes do primeiro talho na rocha. A matéria-prima vem da própria região – comprada ou doada.

– Não coloquei uma meta quanto a um número de esculturas. Quero só viver o que eu faço. Viver um dia de cada vez, viver o presente. Expectativas tiram a gente do eixo – ensina.

Como chegar

O Jardim das Esculturas fica na área rural de Júlio de Castilhos, mas o melhor acesso não é pela região central do município, cujo acesso principal é via BR-158. O espaço está no limite com Nova Palma, cidade da chamada Quarta Colônia de imigração italiana. O melhor trajeto, para quem sai de Porto Alegre, por exemplo, é seguir pela BR-386, acessar a RS-287 e, em Faxinal do Soturno, pegar a RS-149. Parte do trajeto é de estrada de chão, mas as condições, mesmo que tenha chovido, são de boa trafegabilidade. A sinalização é especial: enormes mãos de arenito indicam o caminho no labirinto de estradinhas entre morros. As obras de Rogério Bertoldo estão em totens pelo trajeto e também ornamentam a entrada de algumas propriedades rurais até São João dos Mellos, o que ajuda a guiar os visitantes. A paisagem até o lugar é encantadora e, se não houver pressa, oferece mirantes naturais para contemplar o que a natureza dali oferece.

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2018/08/uma-galeria-de-arte-de-seis-hectares-conheca-o-jardim-das-esculturas-de-julio-de-castilhos-cjko3ri4b00f401n0gy9ssop4.html?utm_source=facebook&utm_medium=gzh&utm_content=comportamento










Corredor de asanas, as posturas da ioga. São 60, construídas ao longo de cinco anos, para levar o visitante até o local - Robinson Estrásulas / Agencia RBS

sábado, 4 de agosto de 2018

Biblioteca do Império Romano é descoberta por arqueólogos em cidade alemã

Arqueólogos em Colônia, na Alemanha, encontraram ruínas de um grande prédio romano no ano passado, mas só agora identificaram a sua função. E tiveram uma grande surpresa.

Arqueólogos da cidade alemã de Colônia foram responsáveis por um achado surpreendente. No ano passado, em meio à construção de um centro comunitário da Igreja Protestante, eles encontraram ruínas de um grande prédio romano. Mas somente nesta semana, após meses de pesquisas, escavações e consultas a outros colegas, eles conseguiram revelar ao público a sua função: trata-se da mais antiga biblioteca do país e do único prédio romano com essa finalidade já descoberto no norte europeu.
"Nunca achamos no norte da Europa um prédio que pudéssemos realmente identificar [como uma biblioteca romana]. Ficamos surpresos. Fizemos muita pesquisa e compararmos o local com cidades romanas na Europa, chegando, assim, a bibliotecas na Turquia, na Síria e em Roma", explica Dirk Schmitz, responsável por escavações arqueológicas em Colônia pelo Museu Romano-Germânico, órgão da cidade que fica na Renânia do Norte-Vestfália, na Alemanha.
"Fora da Itália, ao norte dos Alpes, não podemos localizar algo comparável com esse prédio, embora possamos dizer que nos tempos antigos elas eram bem frequentes nos assentamentos maiores e províncias. Temos diversas menções a bibliotecas (em documentos), mas não temos ruínas que mostrem onde elas estavam de fato", completa.
O formato do prédio tem semelhanças com bibliotecas antigas, especialmente a de Celsus, no atual território da Turquia. As paredes internas são divididas em intervalos regulares em nichos de 1,8 metro de largura e 80 centímetros de profundidade. Neles, pergaminhos seriam guardados.

O que as escavações revelaram

A administração da cidade sabia da existência das fundações de um grande prédio romano naquela área desde o século 19, mas a sua localização exata era desconhecida. "É uma descoberta importante, mesmo que o prédio já fosse conhecido. Agora, temos a planta completa, conseguimos medir a construção toda e fazer a escavação. Os arqueólogos não reconheceram imediatamente a função do prédio, mas só com a planta completa e acesso livre à área é que puderam entender a sua finalidade", afirma Sebastian Ristow, professor do Instituto de Arqueologia da Universidade de Colônia.
Colônia foi fundada pelo romanos nas redondezas do Rio Reno em 50 d.C, sendo uma das mais antigas cidades da Alemanha. Os governadores imperiais de Roma residiram no local, que se tornou um dos mais importantes centros de comércios e produção do Império Romano ao norte dos Alpes.
Arqueólogos do Museu Romano-Germânico realizaram escavações de cerca de 2 mil metros quadrados na área das ruínas, que fica próxima ao Fórum do Centro Antigo.
O principal objeto de estudo foi um enorme edifício retangular de 9 metros de largura por 20 metros de comprimento. A sudoeste, havia um anexo retangular de 8 metros por 3,5 metros. A fundação do prédio é "excepcionalmente larga" e resistente, com quase dois metros de concreto armado romano (chamado de opus caementicium, em latim) com porções de basalto. Segundo os pesquisadores, a construção remonta a meados ou à segunda metade do século 2 d.C.
"São paredes gigantes que não costumamos encontrar em Colônia, feitas de materiais bem resistentes. Fizemos avaliações químicas que indicam (a presença do material conhecido como) opus caementicium, que é tão forte quando o material usado hoje para construir casas", conta Schmitz.
Os arqueólogos acreditam que o edifício era público devido ao seu tamanho e localização central, perto do mercado público. Mas ainda há discussões sobre se o local era uma biblioteca pública. "Sem dúvida, é uma biblioteca pública porque é muito grande. Sabemos o tamanhos das casas privadas e do espaço público. Isso, combinado com as medidas das paredes, indica que era um prédio público", defende Schmitz.
Ristow, por outro lado, acredita que não há elementos suficientes para essa conclusão. "É uma biblioteca por causa da forma das paredes. A sua função é clara, mas não sabemos se era oficial ou aberta [à população]. Não diria que era aberta porque não sabemos das práticas daquela biblioteca", pondera.
As obras para a construção do centro comunitário vão continuar, mas um acordo entre autoridades locais e os proprietários da área garantiu que cerca de 70% das estruturas ficarão no local e serão abertas ao público. "Não sabemos exatamente [a composição do acervo], mas é possível que tivesse literatura da época, poemas, história e ciência", especula Schmitz. Os investigadores estimam que o local possa ter abrigado até dois mil rolos de pergaminhos.
As ruínas jogaram uma luz sobre a história do desenvolvimento do centro de Colônia até o século cinco, diz Schmitz. Agora, os especialistas precisam estabelecer as relações entre esse prédio e outros edifícios romanos na cidade. "Nossa tarefa é reconstruir o passado da forma como era, então precisamos de todas as informações que tivermos. A biblioteca é uma parte disso, mas só uma parte. Temos que ver o todo."

Fonte: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2018/08/04/biblioteca-do-imperio-romano-e-descoberta-por-arqueologos-em-cidade-alema.ghtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=g1&utm_content=post


A prefeitura local sabia da existência de um prédio romano na área, mas a localização exata era desconhecida (Foto: RÖMISCH-GERMANISCHES MUSEUM)
















Um material nobre e bastante resistente foi usado na construção das paredes da biblioteca (Foto: RÖMISCH-GERMANISCHES MUSEUM)

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Museu de Artes Visuais e Casa do Tambor de Crioula são inaugurados em São Luís

Obras de reformas dos prédios foram realizadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O prédio onde agora funciona o Museu de Artes Visuais estava fechado para reforma desde 2016 e foi inaugurado nesta sexta-feira (13) pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Uma fachada imponente, com azulejos antigos na Rua Portugal, no Centro Histórico de São Luís. A primeira exposição para apreciação popular deve começar no dia 28 de julho. A noite teve ainda a entrega de outro prédio dedicado ao tambor de crioula.
A estrutura do museu conta com três andares e um mirante, e é um prédio de século 19. No museu serão abrigadas obras importantes de artistas nacionais e internacionais. O público vai poder conhecer a história e o trabalho de artistas como Newton Sá, Cícero Dias e Tarsila do Amaral.
- É um sobrado que antigamente no térreo era um comércio e no primeiro andar era residencial e no segundo andar era hospedaria – disse o superintendente do Iphan, Maurício Itapary.
As obras começaram em dezembro de 2016. O valor da obra foi de cerca de R$ 732 mil de responsabilidade do Iphan, em um projeto do PAC Cidades Históricas. O primeiro prazo de entrega era para dezembro de 2017, o que não aconteceu. E segundo a presidente do Iphan Nacional, Kátia Bogea, que esteve presente na entrega do imóvel, atrasos podem ocorrer devido a quantidade de reparos necessários e por se tratar de um prédio histórico.
- São obras difíceis. Não se trata de simples reforma, pois são obras em edificações históricas, então é necessário que tenham profissionais restaurados que compreendam a delicadeza do serviço que eles estão executando – disse Kátia Bogea.
Ainda na Praia Grande outro casarão histórico também foi entregue nesta sexta-feira, a Casa do Tambor de Crioula. A recuperação do grande sobrado que estava em ruínas desde a década de 70, custou quase R$ 2 milhões e também foi realizada pelo Iphan. Ele foi totalmente reformado e adaptado para se tornar um centro de referência de uma das mais autênticas manifestações da cultura popular do Maranhão, o tambor de crioula.

















Museu de Artes Visiuais inaugurado em São Luís 
(Foto: Reprodução / TV Mirante)
















Casa do Tambor de Crioula também é localizada na Praia Grande 
(Foto: Reprodução / TV Mirante)