quarta-feira, 24 de maio de 2017

Prefeitura e Espaço Histórico resgatam marco de antiga civilização de Agudos

'Cruzeiro de Tupá' estava prestes a desabar, no antigo cemitério de São Domingos de Tupá, a localidade que desapareceu no século passado.


Um cruzeiro de madeira, considerado o último resquício da existência de São Domingos do Tupá, antiga civilização que despareceu no século XX, foi retirado no último dia 16 de maio por uma equipe do Espaço Histórico Plínio Machado Cardia, acompanhada pelo prefeito de Agudos, Altair Francisco Silva, pela primeira dama Elisângela Bianchi Silva e pela secretária de Planejamento e jornalista Bete Lucas.
A retirada da cruz e reportagem sobre o seu resgate foi realizada pelo jornalista Aurélio Alonso e aqui descrita. "Escorada em cipó, não houve dificuldade para que quatro homens removessem a enorme cruz que vai passar por restauração. Após esse trabalho minucioso, a prefeitura deverá decidir qual será a destinação. Não sobrou nada do que foi São Domingos do Tupá, a não ser restos do antigo cemitério".
No local ainda há restos de túmulos em meio a uma mata, circundada por canavial. "A cruz vai ficar sob cuidados do museu, onde será providenciada a restauração. O Conselho Municipal de Cultura e Turismo vai analisar qual será a destinação. O cruzeiro é um patrimônio cultural e histórico do município", explicou o prefeito.
De acordo com ele, foi o primeiro povoado dentro dos limites do município de Agudos e também importante para a formação de toda a região. "Há 200 anos já tínhamos uma população que ficou esquecida e agora está vindo à tona com essa história sendo resgatada", declarou o prefeito.
Altair contou que tomou conhecimento da história da localidade após uma reportagem publicada por um jornal da cidade. "Também pretendemos desenvolver um plano de turismo, onde será possível trazer alunos e professores para disseminar mais essa informação", declarou.
A diretora do Espaço Histórico Plínio Cardia, Marilena Cardia, explicou que o cruzeiro será restaurado. Após esse trabalho será repassado à prefeitura que vai dar a palavra final para saber com quem vai ficar a relíquia. "Se ficar comigo, vai para o museu", declarou. Atualmente, o Espaço Histórico já guarda uma estátua de São Benedito de terra-cota e um altar de madeira.
"Com a descoberta deste cruzeiro veio completar a história dessa localidade. É o fechamento da história de Tupá", ressaltou Marilena Cardia. O cruzeiro foi removido com facilidade, colocado em uma caminhonete e transportado até uma marcenaria de Agudos, onde passará por restauração completa.
A localidade teria sido em 1719, antigo retiro da Fazenda Jesuíta com ranchos para ponto de apoio dos bandeirantes.
Em 1852, São Domingos foi sede do 12º Quarteirão Eleitoral de Botucatu, o segundo maior da época, com 44 votantes.
A igreja do lugarejo em 1856 foi elevada à condição de paróquia. Pela Lei Provincial nº 27 de 1858 o lugar teve a condição de freguesia, sob o nome São Domingos.
Nos registros históricos constam que 1859 o local foi sede eleitoral, onde dispunha de oito quarteirões, com 178 eleitores qualificados.
O declínio começa a partir de 1873, quando ocorre a emancipação política e religiosa de Santa Cruz do Rio Pardo. O Decreto Estadual 9.775, de 30 de novembro de 1938, extinguiu a localidade e seu território integrado a Agudos.
 

Altair, Elisângela, Aurélio, Maria Helena, Bete e funcionários do Espaço Histórico (Foto: José Mauricio Garijo)










Cruz de madeira é um dos últimos resquícios de São Domingos de Tupá (Foto: José Mauricio Garijo)

Lendas de Fernando de Noronha podem virar Patrimônio Imaterial

“Dois gigantes viveram um romance proibido em Fernando de Noronha, por castigo os órgãos genitais do casal foram petrificados: o pênis do homem virou o Morro do Pico e os seios da mulher foram transformados no Morro Dois Irmãos (fotos)”. Essa é a Lenda do Pecado, uma das dez conhecidas na ilha, as lendas de Noronha podem virar transformadas em Patrimônio Imaterial, título outorgado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). A defesa do projeto foi feita pela pesquisadora Marieta Borges, na sede do instituto no Recife, nessa segunda-feira (22).

“Caso as lendas sejam consideradas Patrimônio Imaterial, esta será a primeira vez no Brasil que o Iphan reconhecerá um conjunto de lendas com importância para uma localidade, que é a ilha”, falou Marieta Borges. A pesquisadora, responsável pelo resgate da história de Noronha há mais de 40 anos, já registrou as lendas em dois livros.

As lendas e os fatos pitorescos de Fernando de Noronha foram tema do enredo da Escola de Samba Mangueira, do Rio de Janeiro, no ano de 1995. Na época a apresentadora da Rede Globo Angélica encarnou a Alamoa, uma linda mulher loura que seduzia os homens em noites de lua cheia, fazia sexo e depois matava o parceiro. O resgate dessas histórias foi relatado no encontro com  os técnicos do Iphan,  a superintende regional do instituto, Renata Borba, e a representante do Ministério da Cultura no Nordeste, Maria do Céu.

“Eu já havia feito um pedido para que as lendas fossem consideradas Patrimônio Imaterial, mas o processo não andou.  Agora a representante do Minc, Maria do Céu, resolveu encampar o projeto e organizou a reunião”, contou Marieta Borges. “Esse é um projeto importante, a reunião foi muito produtiva, a Administração da Ilha vai dar as informações e nós vamos encaminhar o processo”, disse Maria do Céu.

Palestra
Nesta terça-feira (23), a historiadora Marieta Borges dá início a uma série de palestras para os profissionais da Administração de Fernando de Noronha, no Recife. A ideia  é capacitar os profissionais com informações históricas. Nos eventos serãos sorteados livros “Fernando de Noronha – Cinco Séculos de História”, da autoria de Marieta.


 





















A historiadora Marieta Borges defendeu o projeto (Foto: Divulgação)


























Angélica no desfile em 1995 (Foto: reprodução livro Fernando de Noronha – Cinco Séculos de História)

domingo, 30 de abril de 2017

Casario de Pesqueira (PE) é Indicado a Tombamento

Processo de tombamento foi aberto por solicitação do Instituto Histórico e Geográfico de Pesqueira.

Ícone da arquitetura de Pesqueira, município do Agreste pernambucano localizado a 215 quilômetros da Capital, o casario da rua Cardeal Arcoverde, no centro da cidade, teve o pedido de tombamento aprovado, na manhã de quinta-feira (27), pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC). O parecer se refere aos imóveis de número 23, 39, 49, 57, 65 e 71 do logradouro.
O local foi o primeiro arruamento do município, ainda por volta de 1800, e possui um importante papel em sua estrutura urbana. Apesar do progresso, o lugar manteve fortes traços de seus aspectos originais de arquitetura neoclássica brasileira: casarios com platibandas corridas e decoradas; fachadas marcadas por janelas (em arcos abatidos, arcos plenos, arcos ogivais) e coberturas de duas águas em telha canal, além de calçadas altas.
O processo de tombamento foi aberto por solicitação do Instituto Histórico e Geográfico de Pesqueira, assinado pelo presidente José Florêncio Neto, e deferido pelo então secretário de Turismo, Cultura e Esportes, Francisco Bandeira de Mello.
Os membros do CEPPC acataram o pedido por maioria dos votos e solicitaram que a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) apresente, em até dez dias, o parecer de tombamento dos imóveis. Em seguida, o processo retorna à Secretaria de Cultura estadual, que o encaminha para o governador do Estado, responsável pela publicação do decreto de tombamento. Depois de publicado, o decreto é despachado ao CEPPC, que inscreve os imóveis no seu livro de tombo.
Fonte original da notícia: Folha de Pernambuco
Imóveis estão localizados na rua Cardeal Arcoverde, no centro. Foto: Marcos Prado/Cortesia

sábado, 22 de abril de 2017

Oito prédios de Porto Alegre que você não pode deixar de conhecer

Eles estão no "Guia de Arquitetura", proposta de passeio por várias épocas.

Por Jéssica Rebeca Weber

O estilo moderno, com materiais aparentes, e a adaptação ao Morro Santa Tereza garantiram ao Condomínio Encosta do Poente um espaço no Guia de Arquitetura de Porto Alegre. Além do edifício em formato de escada, a publicação lançada pelos arquitetos Vlademir Roman e Rodrigo Poltosi no final de março inclui diversos prédios simbólicos para a Capital. As páginas do guia propõem um passeio pelos diferentes períodos da arquitetura da cidade.
— No cotidiano, as pessoas passam na frente de um prédio várias vezes e não o valorizam. Muito porque nem conhecem aquela história — observa Poltosi.
No livro, cem construções recebem uma análise breve de suas características e histórico. A ideia é atender não só a profissionais de arquitetura, mas turistas — por isso, está escrito em português, inglês e espanhol — e moradores da cidade. O retrato que sai mostra os mais diferentes estilos. Foi difícil limitar a uma centena, contam os autores, que partiram de 200 obras. Roman observa que o eclético, que predominou entre o final do século 19 e começo do século 20, é o que mais foi preservado. Prédios ricos em ornamentação como o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), o Paço Municipal e o Palácio Piratini possuem características desse estilo.
Já os prédios do período colonial e imperial são mais raros de encontrar. Presidente do departamento do Rio Grande do Sul do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS), Rafael Passos destaca:
— A gente não teve um bom começo na preservação do nosso patrimônio. O centro de Porto Alegre foi totalmente descaracterizado.
Passos defende a importância de um trabalho de educação da sociedade, pois muitos moradores não reconhecem o valor histórico e arquitetônico do imóvel que possuem.
— Ainda há aquele entendimento de que, como não tem 400 anos, não precisamos preservar. Mas as pessoas se esquecem que precisa passar pelos 40, 50, 100 anos para poder chegar aos 400 — destaca.





Foto: Montagem sobre fotos de Mateus Bruxel


















Anos 1820 - Um dos poucos prédios da arquitetura luso-brasileira que resistiram sem grandes alterações na cidade. O sobrado colonial foi construído nos anos 1820 e, a partir dos anos 1830, foi dividido e ocupado por várias famílias. Entre as características estão a incidência de beiral (última fileira de telhas que forma a aba do telhado), as janelas em verga de arco abatido (como um meio arco achatado) e, nas quinas do prédio, cunhais marcados. Atualmente, é sede do Porto Alegre em Cena.
Anos 1880 - Com mais de 12 mil m² de área e inaugurado em 1884, é distribuído em seis pavilhões ligados por um eixo de circulação. Tem um rígido padrão clássico, e, na avaliação dos autores do Guia, usa a arquitetura como forma de impor a razão sobre a loucura. É caracterizado pelos arcos plenos no térreo e basculantes, que permitiam a passagem de ar e luz, mas impediam a fuga dos pacientes.
Início Séc. 20 - O conjunto de 17 casas em fita, grudadas umas nas outras, é um testemunho das habitações populares típicas do início do século passado, em uma área que tinha constante ameaça de enchente antes da retificação do Arroio Dilúvio. São decoradas por um friso contínuo que reforça o sentido de conjunto na composição. Os imóveis ainda servem de residência e também abrigam atividades comerciais.
Anos 1900 - O Instituto Astronômico e Meteorológico inovou com elementos do art nouveau, inspirado por formas e estruturas naturais. Tem elementos fitomórficos, com características semelhantes às dos vegetais, e a estátua de Urânia, a musa da Astronomia. Ainda tem representadas, em alto relevo, as constelações do zodíaco e os símbolos dos oito planetas. Atualmente sedia o Observatório da UFRGS. Foi inaugurado em 1908.
Anos 1910 - Um exemplar do estilo eclético é o prédio encomendado em 1910 pela Cervejaria Bopp, onde hoje fica o Shopping Total. Possui fachada rica em elementos decorativos. Tem colunas de garrafas, figuras bávaras com canecas e esculturas que vão de um elefante à imagem do lendário Gambrinus, patrono não-oficial da cerveja.
Anos 1940 - O edifício de aspecto monumental foi construído entre 1944 e 1950 para a antiga rede de lojas e departamentos Mesbla. Tem composição clássica e características da Escola de Chicago, como o tijolo à vista. A esquina é o que mais chama atenção, com arredondamento negativo do corpo do prédio e base com esquina curva. Atualmente, o prédio é usado pelo Instituto Federal do Rio Grande do Sul.
Anos 1950 - É um marco do movimento moderno no Rio Grande do Sul. O térreo possui uma malha regular de pilares. Possui um grande plano de vidro e brises metálicos no corpo da edificação, sendo que as outras fachadas são cegas. Na parede voltada à Praça da Matriz, há uma escultura em bronze da deusa Têmis, guardiã dos juramentos dos homens e da lei. O projeto é de 1953.
Anos 2000 - Construída em um pequeno terreno, essa casa apresenta referências da arquitetura moderna brasileira e indica também relação com a arquitetura contemporânea europeia. A estrutura de concreto é utilizada como planos que se desdobram, de forma com que não dê para distinguir elementos estruturais, como colunas e vigas, e tem ainda acabamentos metálicos. O projeto é de 2004.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Será reinaugurada a Igreja São Domingos de Torres, a segunda mais antiga no Litoral do Estado

A Igreja São Domingos de Torres, bem tombado pelo patrimônio histórico e precioso elemento da memória histórica e religiosa do Rio Grande do Sul, passou por um importante processo de restauro. Após sete anos de obras, a Igreja será entregue à comunidade do município do Litoral Norte gaúcho.
A reinauguração está agendada pra o dia 8 de abril de 2017, às 10h30min, na rua Padre Lamonaco, nº 2, Morro do Farol. E às 15h30min serão realizadas as palestras “Igreja São Domingos de Torres – a viabilização do projeto de restauração através das leis de incentivo à Cultura”, ministrada pelos gestores culturais Lucia Silber e Manuel Dias, da Lahtu Sensu Administração Cultural e “Primórdios da Capela e Matriz de São Domingos das Torres – 1815 – 1856” com o jornalista Nelson Adams Filho, Coordenador do Centro de Estudos da História de Torres e Região, e demais membros da entidade.
Marco
A edificação da Capela de São Domingos, iniciada em 1820 e inaugurada em 24 de outubro de 1824, constitui-se na primeira igreja construída no trecho litorâneo entre Laguna (SC) e Osório (RS), sendo a segunda mais antiga no litoral do Estado. Localizada no Morro do Farol, é o marco inicial do núcleo urbano de Torres, pois foi a partir da igreja que a cidade se desenvolveu.
Erguida por prisioneiros de guerra, guarani-cristãos castelhanos, a edificação é representativa da arquitetura luso-brasileira com trato barroco. O prédio e sua decoração interna têm um estilo eclético, com alguns traços neoclássicos e mesmo neogóticos. Sua única torre foi erguida em 1898 pelo Padre José Lamônaco.
Encontram-se, em sua lateral direita, as fundações da segunda torre, que não foi concluída. Junto à igreja, está localizada a Casa n°1, que recebeu o Imperador D.Pedro I em sua passagem pelo local.
Em 1983, a Igreja Matriz de São Domingos, passou a integrar o patrimônio cultural do Estado, através da Portaria de Tombamento n°5/83.
Restauro
Em 2004, foi elaborado o projeto arquitetônico de restauro, assinado pelo arquiteto Edegar Bittencourt da Luz. Em dezembro de 2010, o projeto foi aprovado junto ao Pronac e, em abril de 2011, junto à LIC-RS. Desde então, uma equipe multidisciplinar liderada pelo Bispo Dom Jaime Kohl, da Mitra de Osório, que investiu os recursos necessários para a elaboração dos projetos, tem se empenhado incansavelmente na captação dos valores que vêm viabilizando as obras.
Estas iniciaram em 2010, com recursos do Fundo Nacional de Cultura R$ 300.000,00 e contrapartida da Prefeitura Municipal de Torres (R$75.613,50) e Mitra Diocesana de Osório (R$ 59.559,98).
Seguindo, em 2013, com o financiamento do Governo do Estado do Rio Grande do Sul por meio da lei de incentivo à cultura estadual, R$ 1.015.909,72, e do Governo Federal por meio da lei de incentivo à cultura nacional, R$ 819.450,55, patrocinados pelas empresas Tramontina (patrocinadora máster), Gerdau, CEEE, Banrisul, Randon, Casa Perini, Malharia Anselmi, entre outras.
O projeto tem execução da Arquium Construções e Restauro e gestão administrativa da Lahtu Sensu Administração Cultural. O custo total do projeto foi R$ 2.270.533,75.
Em 2008, a igreja foi interditada para o uso e visitação. Quando foi iniciada a restauração em 2010, o estado físico estava comprometido por infiltrações nas paredes e a torre e a fachada estavam num avançado grau de erosão pluvial e eólica.
Foram mantidos sua estrutura e estilo original. A equipe procedeu a colocação de reboco transpirável em cal e areia, além da requalificação dos elementos de vedação em esquadrias de madeira, restauradas ou novas. Além disso, a estrutura de forros e pisos foram substituídos por madeira de alta densidade.
Também foram restaurados os bens integrados (imagens de santos em madeira e mobiliário) além da pavimentação do adro e dos blocos de arenito em cantaria, com a pintura a base de cal. A etapa final da obra consistiu na dotação de infraestrutura de instalações hidráulicas, elétricas e proteção a incêndio e segurança, bem como na implantação do sistema de drenagem e escoamento das águas pluviais e de acessibilidade.
Dom Jaime comenta sobre a importância da preservação deste importante monumento histórico. “A revitalização da Igreja São Domingos vai restituir à comunidade do município e do Estado este valioso imóvel, referência da arquitetura neo-colonial brasileira. A comunidade torrense poderá voltar a frequentá-la para suas celebrações, e a visitação dos turistas será retomada.”







Após sete anos de obras, a Igreja será entregue à comunidade neste sábado (Foto: Divulgação)







A edificação da Capela de São Domingos foi iniciada em 1820 e inaugurada em 24 de outubro de 1824 (Foto: Divulgação)












(Foto: Divulgação)

sábado, 1 de abril de 2017

Enquanto Olímpico agoniza, vizinhança convive com abandono e sensação de insegurança

Assistindo ao Olímpico Monumental agonizar, a região que o abrigou e cresceu com o Grêmio também sofre. Desocupado há pouco mais de dois anos, o estádio parcialmente demolido colabora para a sensação de insegurança no limite dos bairros Azenha, Medianeira e Menino Deus. E deixa um sentimento de abandono, tanto em gremistas como em colorados.
— O Grêmio era a mola propulsora para o comércio, o entretenimento e até a autoestima no local. Era o coração do bairro — diz o professor Marcelo Xavier, 46 anos, vizinho do estádio desde que nasceu.
Sem jogos ou perspectivas para o começo de alguma obra no local há quatro anos, parte dos negócios — como o Bar Preliminar, tradicional ponto de encontro de torcedores — fechou as portas na região.
O funcionário público federal Mauro Ribeiro de Souza, 59 anos, avalia que o estádio alimentava o comércio e "dava vida ao bairro". Agora, com as ruas mais vazias, as placas de "vende-se" se multiplicam por residências e imóveis comerciais. E é difícil encontrar um vizinho que não se queixe de aumento da criminalidade.
— A gente sempre gostou de morar aqui — conta a dona de casa Carmen Regina Feijó, 60 anos, que colocou à venda a casa em que mora desde os cinco anos, na Rua José de Alencar. — Mas agora não tem mais segurança, (a região) ficou deserta. E a gente já tem uma certa idade.
Carmen costumava tomar chimarrão nas praças da rua, junto à rótula da Avenida Erico Verissimo. Pela insegurança e pela falta de cuidado, nunca mais se animou em frequentá-las. Na calçada da Praça Cid Pinheiro Cabral, a aposentada Vera Lucia Seben, 60 anos, atesta:
— Ninguém em sã consciência vem aqui.
Vera salienta que, antes, as áreas públicas tinham mais manutenção e capina. Ela também chama a atenção para a quantidade de moradores de rua e de usuários de drogas ao redor do "falecido" Olímpico.
— Tem lugares que tu nem te dá conta de que são praças, mas vê que tem pessoas "depositadas" lá — lamenta.
O lixo e a grama alta também saltam aos olhos. A respeito das áreas públicas, o secretário de Serviços Urbanos de Porto Alegre, Ramiro Rosário, lembra que o serviço de capina havia sido interrompido no começo do ano, mas que a empresa contratada emergencialmente está trabalhando para vencer os espaços que ainda não foram contemplados. Ele também admite que há uma dificuldade maior de manter limpas praças onde há muitos moradores de rua.
Em fevereiro, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) vistoriou a área do estádio e notificou o Grêmio pela quantidade de lixo exposto no terreno. Ainda de acordo com Rosário, o clube atendeu à solicitação e realizou a capina e serviço de limpeza na área de propriedade do clube.
Quem não fechou, está no vermelho
As cores da bandeira gremista seguem na fachada estreita e antiga do prédio na Avenida Carlos Barbosa, com o nome do estabelecimento: Restaurante Manjeronas. Mas, assim como o Olímpico, o negócio — situado no lado oposto da via — fechou, e o prédio sofre com o tempo e o vandalismo. O proprietário do imóvel, José Carlos da Silva, 70 anos, conta que o locatário entregou as chaves depois que o Grêmio foi para a Arena, na Zona Norte. O local está há um ano à venda — José não está conseguindo o valor que pede pela área.
O Preliminar também fechou as portas, na esquina da Avenida José de Alencar com a Rua Dona Cecília. O bar que durante mais de 10 anos dedicou finais de semana ao Grêmio tentou sobreviver no bairro — inclusive, foi transformado em minimercado na reta final. Mas as chaves foram devolvidas há um ano para a proprietária do imóvel. Ela está financiando uma reforma, na torcida para que, ajeitando o local, apareça alguém querendo alugar.
Diferentemente dos negócios que debandaram com a saída do Grêmio, um restaurante que foi aberto na Carlos Barbosa motivado pela promessa da construção de um grande empreendimento na área do Olímpico. A proprietária, que não quis se identificar, conta que o estabelecimento foi arrombado três vezes no último ano. Com a esperança de que as obras saiam do papel, ela permanece no local.
— Mas não tem perspectiva nenhuma. A sensação é de impotência total — relata. 




















Fotos: Anderson Fetter / Agencia RBS

domingo, 26 de março de 2017

Obra em igreja histórica de Cuiabá (MT) está parada por impasse com o Iphan

Iphan afirma que a reforma não está adequada ao projeto original. Telhado da Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito pode ceder.

Uma reforma no telhado da Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, no Centro de Cuiabá, foi embargada em dezembro de 2016 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) por não estar adequada ao previsto no projeto que havia sido autorizado pelo órgão. Um novo projeto foi feito e a igreja espera autorização para dar continuidade à obra.
A ideia da reforma no salão de festas, onde funciona a cozinha da igreja, surgiu diante da ameaça de o telhado ceder a qualquer momento. Por causa disso, o uso do local foi proibido, como afirma o pároco da igreja, Marco Antônio de Oliveira.
“Nós solicitamos a vistoria por parte de engenheiros e disseram que o telhado estava condenado e então interditaram o local por segurança”, contou.
O pároco informou que, no lugar das telhas tradicionais e do madeiramento, a paróquia escolheu uma estrutura metálica por ter maior durabilidade. No entanto, outro detalhe apontado pelo Iphan durante a fiscalização da obra foi a falta de um beiral no telhado.
“Houve uma visita do Iphan e [os técnicos] se assustaram quando viram a altura das vigas de metal. Também olharam o projeto original e viram que faltava o beiral externo”, disse o pároco.
Com a cozinha sem telhado, quando chove o local fica exposto à umidade. A preocupação é que as paredes antigas possam ser danificadas e a reforma fique mais cara. “Não estamos recebendo nenhum centavo de ajuda para a realização da obra. Só não entendemos porque esse projeto está demorando tanto”, avaliou o padre.
A obra foi iniciada em outubro de 2016, no entanto, no mês de dezembro do mesmo ano o Iphan mandou parar, pois a reforma estava “fugindo” do que estava previsto no projeto original, segundo a superintendente do Iphan, Amélia Hirata.
“Foi apresentado um projeto de reforma simplificada e quando foi feita a verificação notamos que algo estava sendo diferente do aquilo que foi aprovado pela unidade”, disse.
A possibilidade de manter a estrutura metálica está sendo avaliada. “Ele já foi analisado. Tem um parecer favorável por parte do Iphan. Agora precisamos do restante dos encaminhamentos que ainda estão tramitando na unidade”, disse a superintendente.
A superintendente informou que o órgão está aguardando o fim dos trâmites internos do processo. A expectativa é que tudo fique pronto antes da tradicional festa de São Benedito, realizada todos os anos no mês de junho.

Fonte original da notícia: G1 MT
Igreja Nossa Senhora do Rosário passa por uma pequena reforma no telhado. (Foto: Carlos Palmeira/ G1)

sexta-feira, 17 de março de 2017

Como está a restauração da Igreja Nossa Senhora das Dores em Porto Alegre

No dia 26, aniversário de Porto Alegre, será apresentada estrutura que ficou quase meio século escondida em um sótão da construção.

A Igreja Nossa Senhora das Dores vai entregar um presente a Porto Alegre no dia 26, data do aniversário de 245 anos da cidade: a restauração do retábulo (estrutura afixada na parte posterior ou acima) do altar da capela suplementar, que ficou quase meio século escondido em um sótão, será apresentada à comunidade.
Nesta quinta-feira, em visita guiada à imprensa, os responsáveis pelo trabalho mostraram uma prévia da restauração. A estrutura, em homenagem a Santo Antônio Maria Claret, foi removida em 1968, após a transição da igreja de uma ordem religiosa para outra — dos Clarentianos para do Santíssimo Sacramento —, e encontrada em 2003, durante a revitalização da capela principal.
Especialista em bens integrados e responsável pelas restaurações, Susana Cardoso explica que o trabalho foi orientado por um critério preservacionista:
— Fazemos o mínimo de intervenção na obra original possível, preservando a originalidade.
Durante o preparo da capela suplementar para as intervenções, foi encontrada uma assinatura, que se supõe seja de alguém que trabalhou na remoção do retábulo original nos anos 1960. A partir daí, surgiu a ideia de assinar o projeto.
— Vamos colocar uma cápsula do tempo dentro do altar para que nosso trabalho fique registrado — conta Susana.
A restauração da igreja se iniciou em dezembro do ano passado e já teve o restauro do telhado concluído. Agora, falta a pintura do altar da capela principal, que tem 13 metros de altura, e está prevista para começar em julho. Essa fase do projeto também prevê a liberação de visitações às duas torres da igreja, que precisam de Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI) para serem iniciadas — o plano está em fase de readequação e deve ser liberado até o fim do ano. Com 63 metros de altura, as torres oferecem uma vista panorâmica do centro da cidade.
A restauração foi aprovada em 2015 pela Lei de Incentivo a Cultura (LIC-RS) e recebeu apoio da Braskem, que investiu R$ 1,6 milhão no projeto. Segundo Lucas Volpatto, arquiteto responsável pelas obras, será necessário captar ainda R$ 2,5 milhões para colocar em prática a construção de um museu de arte sacra no local, que tem um acervo com mais de 2 mil itens sobre a história da edificação ao longo dos séculos — será o primeiro museu de arte sacra da Capital.
— A realização desse museu vai mesclar a história da Igreja das Dores com a história de Porto Alegre, que se cruzam em diversos momentos — relata Volpatto.
A Igreja Nossa Senhora das Dores é famosa pela escadaria de 62 degraus e pelos mistérios que a cercam. A lenda conta que um escravo que participava da construção, iniciada em 1807, foi acusado injustamente de roubo e condenado à forca, montada em frente ao local. Sentindo-se injustiçado, o escravo teria amaldiçoado a construção antes de morrer, afirmando que seu patrão (um dos patrocinadores da obra) jamais a veria concluída. Acredite em lendas ou não, a igreja levou 97 anos para ser finalizada.















Fotos: Isadora Neumann/Agência RBS