terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Casa-grande do Engenho Verde será inundada por barragem em Palmares

Cleide Alves

Pauta sugerida pelo leitor Pedro Ivo Rabelo Ferreira Júnior

 

No próximo ano, a casa-grande do Engenho Verde, em Palmares, município da Mata Sul de Pernambuco, será inundada pela Barragem Serro Azul, que está sendo construída para contenção de enchentes do Rio Una e abastecimento humano. O velho bangalô, representante da economia açucareira da região, não será visto nem mesmo no nível mais baixo do reservatório.
Serro Azul vai cobrir o casarão inteiro, do jeito como se encontra hoje, com suas colunas e platibanda (mureta que camufla o telhado) decoradas, arcos, portas, janelas e piso de ladrilho hidráulico. Mas não é só isso. Junto com as paredes, também ficará submersa uma parte da história de rebeldia dos pernambucanos.

O Engenho Verde foi um ponto de apoio da Revolução Praieira, a última manifestação popular contra a monarquia e os senhores de engenho, ocorrida no Estado, de 1848 a 1850. Pedro Ivo, um dos líderes da insurreição, comandou uma frente de batalha nas matas do engenho, no ano de 1849, diz o historiador Aramis Macedo Júnior.

Chefe do Setor de Arqueologia do Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP), organização social sem fins econômicos, ele pesquisou o assunto para elaborar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da barragem.
As terras que serão alagadas do Engenho Verde estão ligadas à luta por liberdade de imprensa e voto universal, pela extinção do poder moderador e pelo fim do monopólio comercial dos portugueses, principais bandeiras defendidas pelos liberais praieiros, no levante contra o governo de dom Pedro II.
De acordo com Aramis Macedo Júnior, as primeiras referências ao engenho, em cartório, remetem a 1792. Era uma propriedade de Miguel Francisco Guimarães e ele havia recebido as terras em sesmaria. Isso não significa que o engenho é uma construção do século 18. “Pode ser mais velho”, pondera.
Até o início do século 20, a área era vinculada ao município de Bonito. Foi incorporada a Palmares numa reformulação municipal. O Engenho Verde também tem raízes culturais. Lá nasceu o romancista Hermilo Borba Filho, em 1917. Uma escrivaninha que ainda decora a sala principal teria pertencido ao dramaturgo, segundo informações repassadas ao Itep.

O bangalô, diz Aramis Macedo, é um tipo simples e comum de estrutura de engenho de cana-de-açúcar: terraço em formato de U, um só pavimento, telhado de quatro águas e platibanda. Passou por reformas ao longo dos anos e mudou de feição. “Houve subtrações e acréscimos”, observa. Fotografias antigas mostram a escada de acesso numa fachada diferente da atual. O porão, fechado com alvenaria, era aberto.

Uma das hipóteses a ser investigada seria o uso do porão como senzala. “Acho inviável por causa da umidade. O escravo era caro e não ficaria numa área insalubre, onde adoeceria com frequência. Pode até ter sido a senzala, mas em algum momento o porão serviu como depósito”, afirma.

Todas as etapas construtivas do engenho serão mapeadas pelo Itep e Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco. A pesquisa está sendo iniciada, no casarão e no terreno. Os arqueólogos vão procurar vestígios da fábrica (onde se produzia o açúcar), capela, senzala e povoado, construções que não existem mais.

O estudo das paredes da casa-grande – tijolos e camadas de pintura – servirão para fazer as datações, por termoluminescência e carbono 14. “Vamos tentar identificar o tijolo mais antigo usado na edificação e analisar as camadas de tinta”, diz Aramis.

O resgate histórico e arqueológico inclui, ainda, o uso de um scanner laser, de alta resolução, para mapear as fachadas do bangalô. Pela riqueza de detalhes captados pela máquina, é possível criar uma maquete 3D da casa-grade, sem perder uma informação do imóvel, diz ele.

“Teremos noções de profundidade, luz e sombra com exatidão”. A casa-grande, hoje, é um hotel fazenda, em processo de desapropriação pelo governo do Estado, responsável pela construção da barragem.
















O Engenho Verde foi um ponto de apoio da Revolução Praieira, a última manifestação popular contra a monarquia e os senhores de engenho ocorrida no Estado

Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem




 





sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Mensagem de Feliz Natal e Ano Novo do Blog


Problemas do Centro Histórico de Porto Alegre

Nesta série de três reportagens, o programa Bom Dia Rio Grande, da RBS TV, mostra os problemas pelos quais passa atualmente o Centro Histórico de Porto Alegre.
Abaixo, o link dos vídeos:

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/bom-dia-rio-grande/videos/t/edicoes/v/bom-dia-rio-grande-mostra-flagrantes-dos-problemas-do-centro-historico-de-porto-alegre/3020992/

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/bom-dia-rio-grande/videos/t/edicoes/v/veja-a-segunda-reportagem-da-serie-sobre-os-problemas-do-centro-historico-de-porto-alegre/3023673/

http://globotv.globo.com/rbs-rs/bom-dia-rio-grande/v/veja-a-ultima-reportagem-da-serie-sobre-os-problemas-do-centro-historico-de-porto-alegre/3026126/


O nascimento de uma capital

Por Claudia Bojunga

Há 250 anos o Rio de Janeiro ganhava o status de sede do Estado do Brasil (o que não inclui o Estado do Grão-Pará e Maranhão), posto até então ocupado por Salvador. A mudança contribuiu para uma transformação marcante da paisagem urbana carioca. Com construções como o Passeio Público e o chafariz de mestre Valentim, o Rio ganhou características renovadas, calcadas na estética barroca. A configuração de suas ruas, praças e monumentos eram reflexo do projeto de poder que se instaurava na cidade.

A política colonial naquela década estava sob o firme comando do marquês de Pombal, secretário de Estado do rei português D. José I. Foi ele quem decidiu pela transferência da sede. No poder desde 1750, Pombal buscava sempre reforçar o poder do rei. O projeto colonial se afirmava pelo fortalecimento do Estado. 

O Brasil – que vivia o ciclo do ouro desde o final do século XVII – passara a despertar a atenção de Portugal em meio a tantos outros domínios. “Até então, a joia da Coroa era a Índia. O ouro vai afirmando o Brasil no contexto do império colonial português”, observa Paulo Knauss, professor de história da Universidade Federal Fluminense (UFF) e diretor-geral do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro.  Na segunda metade do século XVIII, o Brasil e, particularmente, o Rio de Janeiro passariam a desempenhar papel central para os interesses da metrópole.

Ponto de articulação da região meridional do império atlântico português, o Rio foi se tornando cada vez mais estratégico. A proximidade em relação à região do rio da Prata, alvo de disputas territoriais de longa data com os espanhóis, fazia com que a cidade fosse um ponto de apoio importante na defesa da porção sul dos territórios lusitanos. Além da ocupação do território, os portugueses se preocupavam com as riquezas geradas na área, devido ao intenso comércio realizado abaixo da linha do trópico, que tinha entre seus produtos o charque, o couro e a prata.

Comparando com Salvador, o Rio de Janeiro também ficava mais perto da chamada região das minas. Em 1763, o ciclo do ouro já não estava em seu auge. Por paradoxal que pareça, é justamente por isso que a Coroa tinha a preocupação em manter a área sob seu controle. “Antes, a distribuição de riqueza era farta; na hora em que ela diminui, a presença do Estado se fez mais importante. Provavelmente, o governo queria estancar a perda de arrecadação”, esclarece Knauss.

Na arquitetura, a cidade precisava refletir toda essa importância. Sob o governo do vice-rei Luís de Vasconcelos e Souza (1778-1790), é erguido o belo chafariz de mestre Valentim, no largo do Carmo – hoje, praça XV, no centro do Rio. O local do monumento à beira do porto foi escolhido a dedo por causa de sua simbologia. “O chafariz vira uma espécie de obelisco, tornando-se a grande porta da entrada da cidade,” explica José Pessôa, arquiteto, urbanista e professor da Escola de Arquitetura da UFF. Hoje, parte da área foi aterrada e o chafariz perdeu o destaque de outrora.

Mas a obra de mestre Valentim é apenas um dos aspectos das mudanças realizadas no largo do Carmo. O Palácio dos Governadores – depois Paço Imperial – recebeu um andar extra. A reforma lhe conferiu magnificência. A praça também ganhou piso radial, que, dadas as devidas proporções, era similar ao da praça do Capitólio em Roma, projetada por Michelangelo – piso esse que não existe mais.

Leia esta matéria na íntegra na História Viva 122

Claudia Bojunga é jornalista.


Fonte: http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/rio_de_janeiro_capital_brasil.html 


 


















Vista da lagoa do Boqueirão e do aqueduto da Carioca e convento de Santa Teresa, óleo sobre tela, Leandro Joaquim, 1790

Santo Ângelo (RS) terá Réveillon no Centro Histórico

Uma das grandes novidades do Natal Cidade dos Anjos foi confirmada esta semana pelo prefeito Valdir Andres: o encerramento da programação oficial do evento será com Réveillon na Praça, dia 31 de dezembro, a partir das 21 horas.
Na noite haverá espetáculo com a Cia Burzum de Arte Circense, com o espetáculo Kayka; e show com artistas da terra: Jonas Demeneghi (cantor e tecladista); Kerly Mess; Ari Roberto; Jeniffer  Scheffer (cover de Paula Fernandes que esteve no Domingão do Faustão); Luana Almeida, Igor Martins, Dante Meller e Eduardo Althaus; Julio Mattos, entre outras atrações.
Para passar a virada de ano no Centro Histórico não há cobrança de ingresso. Basta que cada um leve sua cadeira e seu espumante.
A Cidade dos Anjos o espera de braços abertos. Deixe-se levar por este encanto, e venha viver momentos inesquecíveis. Traga seus amigos, sua família – esta terra também é sua!
O Natal Cidade dos Anjos é uma organização da Associação Cultural das Hortênsias, com criação e direção D’arte, produção Luzes e Magias, com promoção da Prefeitura, através das secretarias de Cultura, Lazer e Juventude, Educação e Turismo e Esportes. Tem patrocínio da Petrobrás. Em paralelo traz a Mostra Internacional de Música nas Missões, organizada pelo IPED e patrocinada pelo BNDES. Tem prosseguimento até o dia 31 de dezembro. Por Edna Lautert

Fonte da pesquisa: http://defender.org.br/2013/12/27/santo-angelo-rs-tera-reveillon-no-centro-historico/ 















Foto-Edna Lautert

domingo, 22 de dezembro de 2013

Biblioteca Nembro / Archea

Arquitetos: Archea
Localização: Nembro, Bergamo, Itália
Estruturas: Favero&Milan Ingegneria
Sistemas Elétricos: Eros Grava
Área: 1875.0 m2
Ano: 2007
Fotografias: Pietro Savorelli


Do arquiteto. O projeto consiste na renovação de um edifício de finais do século XIX, no centro velho de uma pequena cidade na província de Bergamo, que inicialmente tinha sido construído como uma escola primária. A intenção era tornar o edifício disponível aos cidadãos, renovando e ampliando o edifício original, que viria a se tornar a nova biblioteca municipal e, assim, um centro de cultura. O plano original em forma de "C" do edifício e o fato de que era necessário mais espaço sugeriu a inclusão de um novo bloco do lado aberto, para criar uma zona aberta interna e transformar o edifício em algo mais imponente  como um "palazzo" formado em torno de um pátio.
O novo volume só é ligado através do subsolo, enquanto mantém uma estudada distância física e morfológica do edifício existente. A nova estrutura tem a forma de uma estante de tripla altura, contido na concha transparente ou caixão, protegida por filtros solares formados de livros de terracota apoiados por um sistema de perfis de aço, que filtram e suavizam a luz solar. Este "diafragma", caracterizado pela rotação livre dos livros, define simbolicamente o caráter e o significado de todo o edifício.

Fonte e link com fotos e detalhes do projeto: http://www.archdaily.com.br/br/01-128572/biblioteca-nembro-archea 




sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Cinema e Arquitetura: "O Arranha-Céu Latino"

Apresentado recentemente no Arqfilmfest Santiago de Chile 2013, o documentário "El Rascacielo Latino" (O Arranha-céu Latino - tradução livre) do diretor Sebastián Schindel, desvenda uma série de mitos urbanos escondidos por trás do desenho excêntrico do Palácio Barolo do arquiteto Mario Palanti, construído em Buenos Aires em 1923.
A tese do documentário se centra na possível existência de uma estreita relação entre o edifício e a Divina Comédia de Dante Alighieri, e que incluso foi desenhada uma misteriosa escultura no hall central do edifício para depositar suas cinzas. Uma escultura que desapareceu sem deixar rastro.
Mais informações e o trailer do documentário, a seguir.

FICHA TÉCNICA
Direção: Sebastián SchindelRoteiro: Sebastián Schindel, Sebastián Caulier, Leonel D'Agostino, Fernanda Ribeiz
Produtora: Magoya Films / INCAA
País: ArgentinaAno: 2012 Duração: 73 min.Gênero: DocumentárioMúsica: Lucas Colonna

SINOPSE
Peter Greenaway encontrou um caso policial numa pintura do século XVII (na notável Rembrandt's J'accuse), que resulta ser o ponto de partida deste convincente documentário de Sebastián Schindel: estabelecer o quanto há de verdade na muito difundida, mas pouco comprovada, conexão entre o Palácio Barolo e a Divina Comédia.
Construído seguindo o oposto de todos os cânones estéticos de sua época e inaugurado em 1923, o emblemático edifício portenho foi encomendado pelo empresário italiano Luis Barolo a um compatriota, o arquiteto Mario Palanti, que depois levantaria uma "torre gêmea" do outro lado do Prata: O Palácio Salvo de Montevidéu. Schindel inicia sua pesquisa buscando novas informações sobre estes homens, mas logo ela se ramifica em direções insuspeitas.
Cada revelação sobre o edifício que poderia ser ou não "uma maquete ilustrada do cosmos dantesco" parece incluir novos mistérios na história, na qual se cruzam lojas maçônicas, simbologias secretas, rios subterrâneos e um plano (existente?) para resgatar as cinzas de Dante da Europa em guerra.

Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-161870/cinema-e-arquitetura-o-arranha-ceu-latino 













© El Rascacielos Latino / Sebastián Schindel 













© El Rascacielos Latino / Sebastián Schindel


Turismo Leve Sustentável: Uma opção para habitar o vulnerável e proteger o diverso












Imagem via Plataforma Urbana 

Atualmente se fala muito em turismo sustentável, turismo ecológico, turismo rural ou outras denominações para um modelo com ênfase no meio ambiente. O turismo sustentável parece ser um trem no qual todos têm de embarcar, dadas as tendências internacionais e as condições competitivas do mercado.
O Chile não tem estado alheio ao boom deste tipo de desenvolvimento turístico e o Estado alimenta diversas iniciativas para avançar nesta meta, como determina a Lei de Turismo N° 20.423 de 2010: “O turismo constitui uma atividade estratégica para o desenvolvimento do país, sendo prioritário dentro das políticas de Estado, pelo que este deverá promovê-lo de modo harmônico e integral, impulsionando seu crescimento sustentável em conformidade com as características das regiões, comunidades e localidades do país” (Capítulo I, Artigo 2°). Assim, a sustentabilidade é o ponto que orienta as políticas públicas turísticas e a Estratégia Nacional de Turismo desde 2010.
No mesmo caminho, a Subsecretaria de Turismo criou  “Certificação Turismo Sustentável” – caracterizada pela letra S maiúscula – que reconhecerá aqueles serviços de hospedagem chilenos – hotéis, hostels, chalés, etc. – que cumpram com 14 pontos básicos, que incluem uso de água e energia, proteção do patrimônio histórico e cultural, pegada de carbono, viabilidade econômica, entre outros critérios. O estímulo foi concebido com base em critérios adotados mundialmente, o que se traduzirá no reconhecimento do Global Sustainable Tourism Council àqueles que obtenham o selo.
Sem dúvida, é preciso deixar claro que, no Chile e no mundo, o conceito de turismo sustentável ainda não é unanimemente compreendido, o que pode levar a erros na sua aplicação e consequência posteriores. Não estamos falando de algo instantâneo, padronizado para todo o planeta que, seguindo certos passos, se pode implantar em qualquer país ou região. Uma certificação de sustentabilidade para um edifício ou um hotel parece uma estratégia de marketing para uma sociedade cada vez mais “consciente”. Mas conscientes de quê? Estamos conscientes de que a sustentabilidade implica custos de acordo com o tipo de negócio e o local onde se insere? Consideramos que cada lugar requer seu próprio desenvolvimento? Porque um plano de turismo varia quando implantado, por exemplo, em Juan Fernández ou em Puerto Varas?
Entende-se o desenvolvimento sustentável como “o uso, a conservação e a melhora dos recursos da comunidade para que se possam manter os processos ecológicos, dos quais depende a vida, agora e no futuro”. Esta é uma definição inicial. No entanto, outra que parece mais realista é a de Brundtland (1987) que diz: “...Não é um estado fixo de harmonia, mas sim um processo de troca no qual a exploração dos recursos, a direção das trocas, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se fazem coerentes com o futuro, bem como com as necessidades atuais. Assim, em última análise, deve basear-se em uma vontade política”. Esta última noção de sustentabilidade incorpora as atividades econômicas como uma variável importante da equação.
Do mesmo modo, a definição mais utilizada para o turismo é o “movimento temporário de pessoas (incluindo as que viajam a trabalho) a destinos fora dos seus lugares habituais de residência e trabalho, suas atividades durante sua estadia nos destinos e as instalações criadas para atender suas necessidades” (Mathieson e Wall, 1982).
Assim, qual é a definição de turismo sustentável? Para a melhor compreensão deste conceito, soma-se a análise de Krippendorf (1982) que distingue o que chama de “turismo leve”, ou seja, o de pequena escala em detrimento do de larga escala. É importante mencionar esta distinção, já que serve para entender a gama de diversidade que pode haver na implementação do turismo sustentável. Se antes esta atividade era representada por um hotel ou uma boa localização contrastando com o entorno, agora se pensa em um alojamento em acordo com sua realidade e com pouca alteração dos elementos autóctones da zona, zelando pelo respeito ao meio ambiente.
Em suma, um turismo sustentável deve ser leve, em pequena escala, uma forma ética de habitar e coexistir. Este tipo de turismo se encarregaria ainda de micro estratégias para oferecer serviços com qualidades regionais. Na maioria, surgem como iniciativas de propriedade local, motivados por uma comunidade igualmente local e não necessariamente através da promoção de agências turísticas. Por tudo isso, é importante considerar que não existe um modelo harmônico extensivo a todos os territórios locais. Deve-se criar um modelo a cada vez, com uma valorização franca do entorno como um lugar único, conhecendo a fundo suas potencialidades e debilidades, assim como suas reais possibilidades econômicas e comerciais. Com esta orientação projetei um hotel sustentável na Região de Valparaíso (na foto inicial), que inclui medidas passivas e ativas de economia de energia, como também uma integração com o entorno sem afetar a vegetação existente.
A dimensão integral do turismo sustentável dependerá necessariamente de uma estratégia geral do turismo que permita adotar a diversidade. Não obstante, é preciso lembrar que a sustentabilidade como cumprimento de requisitos pode não ser acessível a todos. O turismo sustentável tem custos que contemplam âmbitos sociais, culturais, energéticos, patrimoniais... Todos ao mesmo tempo. Não é fácil empreender no turismo nacional e tornar rentável um negócio turístico pequeno ou médio, pelo que o fomento por parte do Estado é fundamental.

Turismo integral em uma estratégia nacional

Algumas recomendações que podem contribuir à estratégia estatal quanto ao turismo são:
1.  O Chile tem um potencial de crescimento turístico importante, o que se deve aos seus atrativos paisagísticos e ecológicos. É importante reorientar os recursos públicos para a inversão de serviços básicos que complementem esta atividade e que tenha efeitos em curto prazo.
2.  Já existem no Chile muitas iniciativas de modelos de sustentabilidade em pequena escala e este conhecimento não deve ser desperdiçado. Ainda mais, deve ser promovido e difundido dentro e fora do país.
3.  O crescimento do turismo sustentável no Chile já começou e, como a indústria encontra dificuldades, as regiões são presas fáceis aos encantos do turismo de larga escala. Uma ajuda econômica programada deve fomentar a adoção de um plano nacional de turismo em pequena escala.
4.  Adicionalmente, o turismo tem um impacto real na redução da pobreza e permite à comunidade buscar uma melhor qualidade de vida.
5.  Temos uma força criada pelos programas sociais, educacionais e jurídicos nos últimos anos. É uma oportunidade de ativas a comunidade local e os povoados, liderando este capital humano em um projeto de um futuro melhor.
6.  Ao instrumentalizar um plano sustentável é preciso compreender as relações físicas, biológicas e sociais dos territórios mais vulneráveis. Nestes casos, deve-se agenciar tecnologias como a cartografia das zonas sensíveis, Algumas experiências de gestão de parques devem ser exploradas, especialmente quanto ao impacto dos visitantes ou atividades industriais. Do contrario, pode ocorrer o que vem acontecendo, por exemplo, em Tongoy, onde a contaminação ameaça a diversidade da fauna local, limitando seu potencial turístico.
7.  Realizar estudos conectando oferta e demanda, integrando informações de diversos estratos para delinear e limitar a quantidade excessiva de turistas em lugares concentrados.
8.  A melhora da estabilidade ambiental agregará valor às regiões e ajudará a mitigar os efeitos negativos da pobreza.

Continua texto no link:  http://www.archdaily.com.br/br/01-151893/turismo-leve-sustentavel-uma-opcao-para-habitar-o-vulneravel-e-proteger-o-diverso

Álvaro Rojas Vio. "Turismo Leve Sustentável: Uma opção para habitar o vulnerável e proteger o diverso" 10 Nov 2013. ArchDaily. Accessed 20 Dez 2013.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Entre os edifícios da histórica Amsterdã, uma intervenção urbana

O famoso distrito dos canais de Amsterdã comemora seu 400º aniversário este ano. E, embora o distrito tenha crescido e evoluído com o passar dos séculos, hoje, mais que nunca, a região tida como Patrimônio Mundial pela UNESCO luta para garantir que seu passado não detenha seu futuro. 
Para Jarrik Ouburg, arquiteto de Amsterdã, o problema era mais específico: em um distrito histórico como este, como manter as transformações urbanas em um ritmo lento? Esta questão levou-o a seu atual projeto,  “Tussen-ruimte.” Tussem-ruimte (entre espaços, em holandês) instala obras de arte e arquitetura contemporânea em pátios e becos que se formaram com o passar dos séculos no distrito dos canais. 
O primeiro "espaço" foi instalado pelo Office Jarrik Ouburg juntamente com os escritórios Non-fiction, TAAK, e Castrum Peregrini, em um pequeno beco sem saída - 10 metros de comprimento, 12 metros de altura e 80 centímetros de largura.
No beco, seixos brancos recobrem o chão e cortinas brancas perfuradas pendem de andaimes temporários. Ao espaço - antes não utilizado - é dada a função de escape da vida real, atraindo pessoas para caminhos e trajetos que, de outro modo, não seriam explorados. 
Hoje existem 56 destes Tussen-ruimte espalhados por toda a região tombada pela UNESCO, e há potencial para outros mais. Os espaços, explorados por turistas e habitantes, são particularmente populares por sua presença discreta.

Fonte:Allen, Katherine. "Entre os edifícios da histórica Amsterdã, uma intervenção urbana" [Between the Buildings of Historic Amsterdam, An Urban Intervention] 05 Nov 2013. ArchDaily. (Baratto, Romullo Trans.) Accessed 19 Dez 2013.

http://www.archdaily.com.br/br/01-150514/entre-os-edificios-da-historica-amsterda-uma-intervencao-urbana





















Cortesia de Jarrik Ouburg














A primeira intervenção "Tussen-ruimte", projetada por Office Jarrik Ouburg. Imagem © Rafe Copeland

















O beco onde o "Tussen-ruimte" está instalado é muito pequeno para abrigar mais funções. Cortesia de Jarrik Ouburg


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Quem construiu os Moais?

Ainda há quem defenda que as gigantescas estátuas da Ilha de Páscoa foram erguidas por uma civilização perdida. Mas seus construtores foram os antepassados dos atuais pascoenses

por Olivier Tosseri

Os moais, enormes e misteriosas estátuas que dominam a ilha da Páscoa, foram erguidas, por certo, pelos pascoenses, que pertencem à etnia rapanui. Essa ilha do Pacífico, situada a 3.680 quilômetros a oeste do litoral do Chile, foi descoberta pelos polinésios no século IX. Seu nome lhe foi dado pelo holandês Jacob Roggeveen, que nela aportou no domingo de Páscoa de 1722.
A ilha passou ao domínio espanhol em 1770, antes de tornar-se chilena em 1888. Ela ficou conhecida sobretudo por suas estátuas monumentais, cuja origem permaneceu por muito tempo um mistério. Alguns evocavam os restos de uma civilização desaparecida, outros, os vestígios de um continente engolido pelas águas, outros ainda se remetiam a Atlântida – e também não faltavam os que falassem em extraterrestres...
Em 1774, o capitão britânico James Cook, que explorou a ilha no decorrer de sua segunda viagem aos mares austrais, observou que muitas estátuas jaziam por terra e que os insulares não prestavam muita atenção a elas. Ele formulou então a hipótese de que elas eram obra de uma civilização que já não existia. Mais ainda, sua fabricação e o modo como foram erguidas constituíam um enigma, em especial porque a população local não parecia ter um nível técnico particularmente avançado.
No entanto, foram mesmo os rapanuis os seus autores. Eles haviam instalado na ilha uma sociedade de clãs muito hierarquizada e, em determinado momento histórico, tecnologicamente avançada. Eles construíram os ahu, plataformas de pedra sobre as quais ergueram entre 300 e 900 dessas estátuas monumentais chamadas de moais. Sua altura variava de 2 a 21 metros e o peso, de 75 a 270 toneladas – com o pedestal. Elas foram talhadas em tufo, uma pedra calcária porosa proveniente do vulcão Rano-Raraku. Algumas tiveram forma completada e se erguem ao pé da encosta; outras parecem estar no começo da escultura e outras ainda, próximas do término dos trabalhos.
Foi somente no século XX que os cientistas começaram verdadeiramente a se interessar pelas estátuas e a estudá-las. Graças a recentes pesquisas arqueológicas, a reconstruções e desconstruções das estátuas e à utilização do carbono-14, foi possível datá-las e responder a numerosas questões.

MUDANÇA CLIMÁTICA A ilha da Páscoa estava no passado coberta de florestas, o que contrasta fortemente com a ausência total de árvores que se observa hoje. Uma interrupção precipitada na produção das estátuas ocorreu por volta do fim do século XVI ou início do XVII, o que alimentou diversas hipóteses. Em primeiro lugar, uma erosão do solo – em decorrência do desmatamento resultante do transporte dos blocos de pedra – teria provocado penúria, fome e conflitos internos. Em seguida, um período de estiagem teria levado os pascoenses a erigir as estátuas com a finalidade expressa de fazer com que a chuva voltasse. Vendo a ineficácia desse procedimento, eles teriam se vingado das estátuas, derrubando-as.
Finalmente, a chegada dos europeus dizimou a população da ilha, que, já em estado de decadência, foi facilmente reduzida à escravidão e deportada, ou ainda duramente atingida pelas doenças introduzidas pelo homem branco.
Se, em todo caso, os autores e a construção dessas estátuas monumentais não são mais um enigma, a dúvida subsiste quanto a seu papel preciso e às causas da interrupção de sua construção. Divindades, parte de um ritual para os mortos ou para obter alguma coisa dos deuses, os moais conservam apesar de tudo uma parcela de mistério. A teoria mais aceita é que eles são representações de ancestrais dos clãs e seriam um fator de união e diferenciação desses grupos. Os moais não eram construídos em seus ahu, dizem os pesquisadores. Mas, como era feito o transporte dessas estátuas, cujo peso pode ultrapassar 80 toneladas? O uso de roldanas é uma hipótese, mas a tradição diz que os moais... andavam.

 Fonte: http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/moais_historia_mal_contada.html 

 

 

 

A biblioteca do founding father

Com dois séculos de atraso, biblioteca presidencial em homenagem a George Washington é inaugurada nos Estados Unidos

 por Vinicius Palermo

Apesar de sua participação decisiva no processo de independência dos Estados Unidos e de ter sido o primeiro chefe do Executivo daquela nação, somente após dois séculos foi inaugurada a primeira biblioteca presidencial em homenagem ao founding father.
George Washington tinha o desejo de construir uma biblioteca perto de sua residência, a famosa Mount Vernon, na Vírginia, e, ainda que tardiamente, a aspiração se realizou: a antiga fazenda do chefe da Revolução Americana foi escolhida para sediar a nova biblioteca presidencial.
Com financiamento de US$ 106 milhões, coletados em contribuições privadas, o edifício, construído em frente ao palácio de Mount Vernon, tem 4 mil metros quadrados. A biblioteca e o centro de pesquisas abrigam cerca de 12 mil itens, sendo 6 mil deles manuscritos do século XVIII.

 Fonte: http://www2.uol.com.br/historiaviva/noticias/a_biblioteca_do_founding_father.html


Concurso Nacional Ensaios Urbanos: Desenhos para o Zoneamento de São Paulo

Ao todo serão premiados 25 trabalhos, somando R$ 350 mil, distribuídos entre duas modalidades.

São Paulo

O concurso, promovido pela Prefeitura e organizado pelo IAB-SP, tem por objetivo democratizar e qualificar o debate sobre o ordenamento territorial, abrindo um espaço de contribuição para subsidiar o processo participativo de revisão do Zoneamento.
O Zoneamento (clique aqui para conhecer a lei atual) - ou as normas de parcelamento, uso e ocupação do solo – faz parte do marco regulatório da política municipal de desenvolvimento urbano e deve seguir as orientações do Plano Diretor Estratégico, cuja proposta de revisão foi enviada à Câmara Municipal em setembro de 2013 (Projeto de Lei 688/2013). Clique aqui para saber mais sobre o novo Plano Diretor.
Neste contexto, o concurso será uma oportunidade de se ensaiar as diretrizes apresentadas na proposta de revisão do Plano Diretor e de se explorar modelos inovadores de regulação urbana que atribuam sentido público, urbanidade, melhorias sociais e ambientais e que considerem o tecido urbano existente no processo de produção e transformação da cidade.
O Concurso será realizado em uma única etapa para selecionar as melhores propostas de Estudos de Parâmetros para cada Categoria, de acordo com as condições estabelecidas nas Bases do Concurso, composta por este Edital, pelo Termo de Referência e Anexos.
O Concurso abrange duas Modalidades sendo que a primeira delas se subdivide em cinco Categorias enquanto a segunda Modalidade resume-se a uma única Categoria, conforme descrito no Item três do Termo de Referência.
A cada uma das 5 Categorias da primeira Modalidade correspondem 3 premiações independentes entre si e sem ordem classificatória. À Categoria única da segunda Modalidade correspondem até 10 premiações sem ordem classificatória.

Modalidade 1
Cinco categorias que prevêem a definição de regras gerais de configuração urbana, conforme contextos urbanísticos ou tipologias pré-definidos;

Modalidade 2
Proposição de parâmetros de configuração urbana para unidades territoriais selecionadas, identificadas como de especial interesse paisagístico, histórico, social ou cultural.

Cronograma
Inscrições: 29/11/2013 a 27/01/2014
Limite para entrega dos Trabalhos: 10/02/2014
Conclusão do Julgamento: 18/02/2014
Cerimônia de Premiação: 25/02/2014


Premiação
Para cada Categoria da Modalidade 1 serão conferidos até três prêmios no valor de R$ 10.000,00 e para a Categoria única da Modalidade 2 serão conferidos até dez prêmios no valor de R$ 20.000,00 cada.
Os prêmios serão pagos aos vencedores pela instituição Organizadora do Concurso, havendo sobre os mesmos a incidência da legislação fiscal pertinente.
Mais informações no site.

Escola Minas Gerais é tombada como patrimônio histórico em Uberaba

A Escola Estadual Minas Gerais, em Uberaba, será tombada pelo patrimônio histórico e o processo de tombamento deve ficar pronto até julho de 2014, segundo o Conselho do Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba (Conphau). A preservação do prédio guardará a história da educação e do militarismo, já que no local funcionou o primeiro quartel da cidade. "Permaneceu até 1944, usando o prédio das duas escolas enquanto se construía o novo quartel, no Bairro Fabrício, onde está até hoje”, explicou o historiador do Conphau, Pedro Coutinho.
O historiador explicou ainda o que será preservado com o tombamento. “A intenção é que fique uma marca física para o futuro de algo que foi significativo durante sua origem e desenvolvimento”, completou.
A escola ainda é referência de ensino para muitos e a notícia do tombamento agradou a atual diretora da unidade, Vanilda Pasquali. “É um local muito importante para a história de Uberaba. Vai marcar a cultura da cidade”, disse.
O prédio foi construído em 1929 e mantém as mesmas características. A maioria das portas é original e alguns objetos de decoração também resistem ao tempo, como o piano e essa imagem sacra, que chegaram na época da inauguração.
O aposentado José Tomaz foi aluno da primeira turma do colégio. Na época ele tinha 11 anos. “Criamos o grêmio estudantil Monteiro Lobato e o grupo era presidido por uma aluna a qual sempre queríamos concorrer pelo primeiro lugar. Ela escreveu para o Monteiro Lobato, falando que ele foi o patrono escolhido. Ele agradeceu, mas a tratou como se ela fosse do sexo masculino. Depois, quando ele soube que era uma moça, Lobato se retratou e pediu desculpas”, relembrou.
A ideia de poder conviver com o prédio preservado por mais tempo também emocionou o aposentado. “Este prédio, hoje, está vivo, como foi implantado. O estado implantou uma arquitetura não apenas para poucos anos, e isto, leva, sem dúvida nenhuma a grande justificativa da Prefeitura e Fundação Cultural fazerem o tombamento. A história é vida”, concluiu José.

Fonte: http://g1.globo.com/minas-gerais/triangulo-mineiro/noticia/2013/12/escola-minas-gerais-e-tombada-como-patrimonio-historico-em-uberaba.html 


 
Escola mantém estrutura original (Foto: Reprodução/TV Integração)


José mostra a sala onde estudou (Foto: Reprodução/TV Integração)

Igreja que é patrimônio histórico de Passa Tempo é reinaugurada

Após seis meses fechada, a Igreja Matriz Nossa Senhora da Glória, patrimônio histórico e cultural de Passa Tempo, será reinaugurada neste domingo (8). A igreja ficou fechada para obras de revitalização e restauração da parte interna e externa, já que o local faz parte da história da cidade. Através do Conselho do Patrimônio Histórico de  Passa Tempo, foi repassado uma verba para a reforma e manutenção da igreja, que só foi possível porque a construção é tombada pelo patrimônio.
A reinauguração será a partir das 19h, com concentração dos fiéis na Igreja do Rosário e procissão festiva de Nossa Senhora da Glória até a Igreja Matriz. Com a  chegada da procissão haverá a abertura das portas da Igreja Matriz Nossa Senhora da Glória, com a entronização da padroeira que voltará a compor seu trono de glória e, em seguida será celebrada a  Santa Missa solene.

Fonte: http://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2013/12/igreja-que-e-patrimonio-historico-de-passa-tempo-e-reinaugurada.html 
















Igraea ficou seis meses fechada (Foto: Rodrigo Bastos / Arquivo Pessoal)
















Reinauguração é neste domingo (8) e haverá procissão e missa . (Foto: Assessoria da Prefeitura / Divulgação)

Águas passadas

Elas movem moinhos e fazem grandes estragos nas cidades brasileiras há mais de 200 anos. Somente agora governos focam mais na prevenção das enchentes do que em reparos

Mauro de Bias

Em fevereiro, uma forte chuva caiu sobre a cidade do Rio de Janeiro, causando enchentes no Centro e deslizamentos. Não se sabia ao certo o número de vítimas e o prejuízo material e financeiro, mas a gravidade foi tamanha que o governante mandou investigar a causa do desastre para determinar as obras necessárias para que ele não se repita. A cena parece tão atual que mal se desconfia que o desastre aconteceu, na verdade, em 1811. Naquela época, o governante em questão era D. João VI e a preocupação com a queda de barreiras girava em torno do antigo morro do Castelo, que só seria desmontado em 1921.
Mais de 200 anos após a tragédia, a prefeitura da capital fluminense decidiu dar um fim às enchentes. Visando a Copa do Mundo e Olimpíadas, com recursos do governo federal para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o município vai investir R$ 292 milhões na construção de um sistema de canais e reservatórios subterrâneos, para melhorar a vazão das duas torrentes mais problemáticas do Centro, os rios Maracanã e Joana. A informação oficial diz que eles servirão para aumentar a capacidade de escoamento de águas pluviais da região e vão deixar no passado as cenas de alagamentos que se repetem anualmente no verão.

Solução questionada
Apesar da boa notícia, engenheiros criticam o projeto carioca e o comparam ao sistema quem vem sendo implementado em São Paulo desde os anos 90: para eles, a diferença na topografia das duas cidades pode fazer com que a solução funcione para uma e não para a outra. Segundo o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo, há 20 reservatórios - conhecidos como piscinões - somente na capital, que absorvem excessos de água de nove rios. Em toda a região metropolitana, o número chega a 53. A ideia é que os equipamentos cumpram o papel das várzeas, que foram ocupadas pela urbanização desordenada ao longo da história da capital paulista, assim como ocorreu em Blumenau, Porto Alegre, Rio de Janeiro e outras cidades.
As várzeas são regiões baixas no entorno de rios que alagam durante cheias, um mecanismo natural que os piscinões copiam. O engenheiro civil Luiz Carneiro, diretor do Clube de Engenharia, critica: “São Paulo fez piscinões porque não tem mar para jogar a água, então precisa deles. O Rio de Janeiro contratou projetistas que não conhecem bem a cidade e vai fazer a mesma coisa”.
Os problemas já vêm de longa data, e as soluções também não são recentes. O Rio de Janeiro começou a construir, em 1973, um túnel que, segundo Carneiro, seria a solução mais adequada para a geografia da cidade. Ele participou da concepção e execução do projeto. Começando na Tijuca, o canal subterrâneo absorveria as águas de quatro rios durante as chuvas, levando-as até o mar aberto e, assim, impediria que bolsões d’água se formassem nas ruas. Mas somente 1,5km da obra foi concluído. Dinheiro público por água abaixo, já que hoje o túnel não tem uso e não há menção sobre uma retomada das obras, que custariam algo entre R$ 350 milhões e R$ 400 milhões.

Continua matéria no link: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/reportagem/aguas-passadas 















Enchentes em grandes cidades são comuns há séculos





















Cena se repete até hoje

IPHAN e Governo da Bahia anunciam novos recursos para o Centro Antigo de Salvador

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o Governo Estadual da Bahia apresentaram nesta quarta-feira, dia 11 de dezembro, no Palácio Rio Branco, um plano com uma série de intervenções para a revitalização do Centro Antigo de Salvador, área que envolve a Cidade Baixa, o Centro Histórico e bairros do entorno. Participaram do ato os secretários estaduais, Rui Costa, da Casa Civil; Cícero Monteiro, de Desenvolvimento Urbano; o presidente em exercício da Conder, Ubiratan Cardoso; a diretoria do Centro Antigo de Salvador (Dircas), Beatriz Lima; deputados, vereadores, dentre outras autoridades.

O governador Jaques Wagner destacou que a ação tem como objetivo não somente atrair turistas, mas também os próprios moradores, através do desenvolvimento urbano. "Essa joia que é o Centro Antigo de Salvador, que desperta a paixão do Brasil, é algo que tem que ser cuidado. Essa área é parte da nossa história, cultura e turismo. Acho importante que a gente esteja recuperando essa parte de Salvador. Que o Pelourinho não seja um museu a céu aberto, mas que tenha vida própria", ressaltou Jaques Wagner.

No plano, estão previstas  recuperação de 23 monumentos, requalificação e urbanização de 326 vias e desapropriação de 328 imóveis que passarão por restauração para ganhar melhor uso. Serão investidos cerca de R$ 430 milhões, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que totalizam R$ 265 milhões – incluindo recursos do PAC Cidades Históricas – e mais R$ 165 milhões do governo estadual, que incluem iluminação, adequações de acessibilidade, medidas para melhoria do tráfego e recuperação de encostas.

Em Salvador, o IPHAN aplicará recursos de R$ 142,10 milhões em 23 intervenções em monumentos, equipamentos e edifícios históricos. Segundo o superintendente do Instituto, Carlos Amorim, os monumentos em Salvador que serão recuperados foram escolhidos de acordo com a localização e situação atual de cada um. “Era muito importante que a gente tivesse uma intervenção que formasse um bloco. A partir daí fomos verificar quais monumentos precisariam de intervenções mais rápidas e monumentos que ainda não tinham sofrido intervenções relevantes nas últimas décadas”, explicou. Amorim acrescentou que outro aspecto fundamental foi o aumento da mobilidade vertical, pelo incremento da relação tradicional entre a Cidade Alta e o bairro do Comércio. O prazo estimado para a conclusão de todas as intervenções é de 36 meses.

Revitalização e integração
Na opinião de Rui Costa, a ocupação de prédios e casarões é fundamental para a preservação da área. “A ideia é revitalizar e integrar esta parte de Salvador ao restante da cidade, como acontece em várias cidades históricas do mundo inteiro, com investimentos em mobilidade e também na constituição de um fundo imobiliário que vai recuperar os casarões e atrair mais investimentos para o centro antigo”.

As intervenções contemplam os 11 bairros compreendidos na região do Centro Antigo de Salvador, como Pelourinho, Barroquinha, Frontispício e Cidade Baixa.Já os recursos para as obras de pavimentação, calçadas e sinalização serão destinados aos bairros do Comércio, Calçada, Centro, Campo Grande, Politeama, Saúde, Santo Antônio, Barbalho, Nazaré, Soledade, Barris, Lapinha, Tororó e Macaúbas.

Assinaturas de editais e acordo
No evento, o IPHAN na Bahia assinou os editais de licitações para onze projetos e a execução de quatro obras (Igreja São Domingos, Forte São Marcelo, Catedral Basílica e Santa Casa de Misericórdia). Do total de 23 projetos, oito estão com os editais sendo desenvolvidos. Também foi assinado um acordo de cooperação técnica entre o Ministério da Cultura, o governo da Bahia e a prefeitura de Salvador para a recuperação do centro antigo. Além de acordos para a criação do fundo de investimento e construção de unidades habitacionais para a população de baixa renda, com a Caixa Econômica Federal (CEF) e protocolos de intenções com os ministérios do Planejamento e do Desenvolvimento Social.

Municípios baianos beneficiados
Além de Salvador, outros municípios baianos serão beneficiados. O PAC Cidades Históricas destinará R$ 13,17 milhões para a restauração de igrejas e do píer de atracação em Itaparica, R$ 15,74 milhões a serem aplicados na restauração dos principais monumentos tombados de Maragogipe e mais R$ 31,08 milhões para a restauração de monumentos e implantação do campus da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em Santo Amaro.
Fonte: IPHAN-BA 

Fonte: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=18227&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia




segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Centro histórico de São José, em SC, é tema de concurso

Competição abrange trecho entre a Praia Comprida e o acesso a Ponta de Baixo, com foco na Igreja Matriz e a Praça Hercílio Luz

Em parceria com a prefeitura de São José, o departamento de Santa Catarina do Instituto de Arquitetos do Brasil acaba de lançar o concurso nacional para Requalificação Urbana do Centro Histórico de São José.
A competição vai abranger o trecho entre a Praia Comprida e o acesso a Ponta de Baixo, com foco na Igreja Matriz e a Praça Hercílio Luz.
Em duas etapas, os projetos podem ser entregues até dia 10 de março de 2014 e serão avaliados por um júri formado por arquitetos, empresários da região e membros da comunidade local.
Os três melhores trabalhos serão anunciados dia 25 do mesmo mês premiando o primeiro colocado com 40 mil reais, o segundo com 20 mil reais e o terceiro lugar com R$ 10 mil.
“A revitalização do Centro Histórico de São José será um marco para a cidade e um resgate do passado, que acompanha o futuro”, comentou o vice-prefeito de São José, José Natal Pereira.
Os interessados devem se inscrever até dia 31 de janeiro pelo iab-sc.org.br.

Fonte: http://www.arcoweb.com.br/noticias/noticias/iab-lanca-concurso-para-restauro-do-centro-historico-de-sao-jose 


 

sábado, 14 de dezembro de 2013

15 de Dezembro - Dia do Arquiteto e Urbanista

O dia do arquiteto antes celebrado no dia 11 de dezembro passou a ser comemorado no dia 15 de dezembro, por resolução do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil , a data homenageia o dia do nascimento de Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares.
 Hoje é um grande dia de celebrações, pois também festejamos o primeiro aniversário do CAU, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo , entidade máxima de representatividade dos arquitetos urbanista brasileiros.
 Parabéns a nós arquitetos que temos a missão de projetar e edificar sonhos. Que nunca deixemos de sonhar, pois como disse o nosso mestre Oscar Niemeyer: “A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem.”
Feliz dia do arquiteto urbanista!

Equipe ArchDaily Brasil
Fonte:Joanna Helm. "Feliz dia do Arquiteto Urbanista!" 16 May 2013. ArchDaily. Accessed 14 Dez 2013.













quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Terceiro museu de arqueologia será construído em Rondônia

Uma série de medidas que visam à construção de um Museu de Arqueologia no município de Ariquemes, em Rondônia serão implementadas. As ações estão previstas no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado no último dia 05 de dezembro entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Rondônia (IPHAN-RO) e o Empreendimento Canaã Geração de Energia com o objetivo de diminuir os impactos ao patrimônio arqueológico com a construção da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Santa Cruz, nos municípios de Cacaulândia e Monte Negro.
O Museu de Arqueologia, segundo o acordo, deve ser construído em 12 meses na sede do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (Ifro), em Ariquemes. Após a obra, o Museu será mantido e gerido pelo Ifro. Além da construção da reserva técnica, que abrigará as peças arqueológicas resgatadas em Jamari, Santa Cruz e Canaã, o TAC prevê a publicação de mil livros que retratam a arqueologia da região, 10 mil guias didáticos sobre educação patrimonial e cursos com 200 horas/aula para os colaboradores do Ifro e comunidade em geral.
Pesquisas apontaram que Ariquemes e demais municípios vizinhos possuem um potencial arqueológico extremamente relevante, tornando imprescindível a existência de um local de pesquisa e exposição permanente. O Museu levará para a região de Ariquemes um centro de pesquisa em Arqueologia, contribuindo para a preservação da memória do povo brasileiro e da cultura local.
O Termo foi ajustado para as reais necessidades da região de Ariquemes, possibilitando não apenas a criação do Museu, mas de uma série de ferramentas educativas em prol dos cidadãos.

Parceria
Diante das ações de compensação a serem executadas, o Campus do Ifro em Ariquemes leiteou o recebimento do Museu de Arqueologia a ser construído pela Canaã Geração de Energia. Após uma série de reuniões, sempre pautadas nas possibilidades orçamentárias de gestão, o IPHAN deferiu o projeto de construção do Museu na sede do Instituto Federal da região.
A iniciativa do diretor do IFRO foi plausível, pois o Museu será mantido e gerido por uma instituição pública e educacional, promovendo e dissipando todo o conhecimento sobre o passado humano daquela região. “É uma bela parceria entre Cultura e Educação. É mais um caso de sucesso, pois consentimos que o Instituto Federal possui totais condições logísticas e orçamentárias para gerir um acervo arqueológico, o qual é tido como patrimônio cultural do povo brasileiro”, sintetiza Curado.

 Museus de Arqueologia em Rondônia
Ciente da importância indiscutível de Rondônia no cenário da arqueologia brasileira, o IPHAN-RO trabalha desde 2007 na busca por parcerias nos mais diversos municípios do Estado.
O primeiro Museu de Arqueologia criado em Rondônia foi o Centro de Pesquisa e Museu Regional de Arqueologia de Rondônia.  Instalado em Presidente Médici/RO, o Museu foi um resultado profícuo de parceria firmada entre IPHAN e Prefeitura Municipal de Presidente Médici. A contar com um corpo técnico de professores, o museu trata-se da primeira instituição em Rondônia com temática exclusiva voltada para o patrimônio arqueológico.
Já em 2008, no contexto da instalação das usinas hidrelétricas no Rio Madeira (Jirau e Santo Antônio), o IPHAN solicitou a criação de uma grande Reserva Técnica de arqueologia – com espaço musealizado – dentro da Universidade Federal de Rondônia. Ainda em andamento, o projeto prevê uma área de dois mil metros quadrados, a qual irá dar guarda a todo acervo arqueológico resgatado nas usinas do Madeira.
Neste contexto, perpetuando a política de parcerias, o IPHAN firmou o Termo no final de 2013. O intuito é de ampliar as parcerias levando cultura e acesso à nossa memória nacional para todos os cidadãos do Estado.  

Fonte: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=18217&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia