sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ensaio sobre arquitetura / Marc-Antoine Laugier

Publicado no site de arquitetura Archdaily, interessante tratado de arquitetura, traduzido por Igor Fracalossi:

Existem vários tratados de arquitetura que desenvolvem com bastante exatidão as medidas e as proporções arquitetônicas, que entram nos detalhes das distintas ordens e que provêm de modelos para as distintas formas de construir. Porém não existe ainda nenhuma obra que estabeleça solidamente os princípios da arquitetura, que manifeste seu verdadeiro espírito e que proponha regras adequadas para dirigir o talento e definir o gosto. Entendo que nas artes que não são puramente mecânicas não basta saber trabalhar, é importante sobretudo aprender a pensar. Um artista tem que poder dar-se a si mesmo razão de tudo o que faz. Para isso, necessita de princípios fixos que determinem seu juízo e justifiquem sua eleição; de modo que possa dizer que uma coisa está bem ou mal não só por instinto, senão por meio da razão e como homem instruído nos caminhos do belo.
Avançou-se bastante em quase todas as artes liberais. Um grande número de pessoas com talento dedicou-se a nos fazer apreciar suas sutilezas. Escreveu-se, com grande conhecimento, sobre poesia, sobre pintura, sobre música. Aprofundou-se tanto nos mistérios destas artes engenhosas que restam poucos descobrimentos por fazer neste campo. Possuímos preceitos refletidos e críticas judiciosas que determinam sua verdadeira beleza. A imaginação possui guias que a dirigem e freios que a retém nos limites. Podemos apreciar com exatidão tanto a excelência de seu engenho como a desordem à que levam seus extravios.  Se não tivéssemos bons poetas, bons pintores ou bons músicos, não seria absolutamente por falta de teoria, mas por falta de talento...

Este é o caminho que segui para me satisfazer. Pareceu-me que não seria inútil compartilhar com o público o êxito de meus esforços. A arquitetura ganharia infinitamente apenas com o fato de haver incitado os meus leitores a comprovar se não me deixei enganar, a criticar severamente as minhas conclusões, a procurar por si mesmos aprofundar ainda mais neste mesmo abismo. Posso dizer sinceramente que minha principal intenção é dar lugar para que o público e sobretudo os artistas duvidem, conjeturem, não se contentem facilmente. Afortunado serei se os induzo a uma busca que os coloque numa situação de me encontrar em falta e de corrigir minhas inexatidões, assim como de ir além em minhas reflexões.
Isto não é mais que um ensaio no qual unicamente estabeleço algumas indicações e abro um caminho, deixando a outros o cuidado de dar aos meus princípios toda a sua extensão e toda sua aplicação, com uma inteligência e uma sagacidade das que eu não seria capaz.  Nele digo o suficiente para prover os arquitetos de regras fixas de trabalho e meios infalíveis para alcançar a perfeição. Tentei ser o mais inteligível possível. Não pude evitar empregar com frequência termos de arte. Quase todos são bastante conhecidos. Em qualquer caso, no dicionário adjunto se encontrará a explicação de todos aqueles não suficientemente conhecidos pela maioria. Como meu principal propósito é formar o gosto dos arquitetos, evito todos os detalhes que podem ser encontrados em outra parte e, para tornar esta obra mais instrutiva, acrescentei, nesta segunda edição, um número de gravuras suficiente para mostrar ao leitor todos os objetos cuja simples descrição tivesse dado somente uma ideia imperfeita.

Introdução
A arquitetura é, de todas as artes utilitárias, a que exige as aptidões mais brilhantes e os conhecimentos mais amplos. Talvez seja necessário tanto gênio, espírito e gosto para formar um grande arquiteto como para formar um pintor e um poeta de primeira linha. É um erro crer que na arquitetura tudo se reduz à mecânica, tudo se limita a cavar fundações, a levantar muros; que com base em algumas normas convertidas em rotina, apenas se exigem olhos habituados a examinar um aprumo e mãos feitas para manipular a espátula. 

Quando se fala sobre a arte de construir, montes confusos de escombros incômodos, imensas pilhas de materiais informes, um espantoso ruído de martelos, andaimes perigosos, um pavoroso conjunto de máquinas, um exército de operários sujos e cobertos de terra, isso é tudo o que vem à imaginação do vulgar; é o córtex pouco agradável de uma arte, cujos mistérios engenhosos que pouca gente aprecia, excitam a admiração de todos aqueles que os penetram. Eles descobrem inventos cuja ousadia supõe um gênio vasto e fecundo, proporções cuja serventia anuncia uma precisão severa e sistemática, ornamentos cuja elegância revela um sentimento delicado e requintado. Quem for capaz de captar tantas verdadeiras belezas, longe de confundir a arquitetura com as artes menores, se verá mais tentado a inclui-la no rango das ciências mais profundas. A visão de um edifício construído em toda a perfeição da arte provoca um prazer e um encantamento dos quais não é possível se defender. Este espetáculo revela na alma ideias nobres e tocantes. Ele nos faz experimentar essa doce emoção e esse agradável êxtase que excitam as obras que carregam a marca de uma autêntica superioridade de espírito. Um belo edifício fala eloquentemente por seu arquiteto. O Sr. Perrault, em seus escritos, é acima de tudo um sábio: a colunata do Louvre o define como um grande homem...

No link a seguir, a continuidade do artigo: http://www.archdaily.com.br/br/01-169735/ensaio-sobre-arquitetura-slash-marc-antoine-laugier 

Igor Fracalossi. "Ensaio sobre arquitetura / Marc-Antoine Laugier" 27 Feb 2014. ArchDaily. Accessed 28 Fev 2014.

 























Gravura de Charles-Dominique-Joseph Eisen para a segunda edição de "Essai sur l’architecture" de Marc-Antoine Laugier

Ícone do séc. 19, Palácio de Cristal será reconstruído em Londres

Seis arquitetos renomados como Zaha Hadid, Rogers Stirk Harbour e David Chipperfield são finalistas do concurso que escolherá o projeto

Ícone de Londres durante a segunda metade do século 19, o Palácio de Cristal será reconstruído. O concurso nacional desenvolvido para escolher o projeto arquitetônico acaba de anunciar seis renomados finalistas: Zaha Hadid, Rogers Stirk Harbour, David Chipperfield, Grimshaw Architects, Haworth TompkinsMarks Barfield.
Projetada originalmente pelo arquiteto inglês Joseph Paxton, a estrutura de 92 mil metros quadrados foi construída para abrigar a Grande Exposição de 1851, mas acabou destruída por um incêndio 85 anos depois.
Marcado pela fachada de vidro, o volume foi erguido a partir de um sistema modular prefabricado de aço e ferro.
Além da reconstrução do centro cultural, os finalistas também devem apresentar soluções para a revitalização de um parque público de 180 hectares presente nos arredores, bem como incluir espaços internos para galerias de artes e um hotel.
“A reconstrução do Palácio de Cristal produzirá um novo ícone para a cidade, bem como apoiará o renascimento de um parque histórico, catalizar a criação de empregos e o desenvolvimento da região”, afirmou o prefeito de Londres, Boris Johnson, que participa do júri da competição.
Até três finalistas passarão para a próxima etapa, quando eles terão que preparar projetos conceituais para avaliação da comissão julgadora. O vencedor será divulgado ainda este ano e a obra está prevista para ser iniciada no segundo semestre de 2015.
Publicada originalmente em ARCOweb em 26 de Fevereiro de 2014

Fonte: http://arcoweb.com.br/noticias/arquitetura/palacio-cristal-londres-reconstrucao-zaha-stirk-chipperfield 

















quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Escola de gladiadores é desenterrada na Áustria

Lucas Rabello - 27/02/2014

Arqueólogos descobriram o primeiro centro de treinamento de gladiadores encontrado fora de Roma.
Os restos da Escola de foram encontrados escondidos debaixo de um pasto perto de Carnuntum, no leste da Áustria, e agora estão ajudando os pesquisadores a entender como que a vida poderia ter sido para aqueles infelizes o suficiente para terem passado por lá.
“Era como uma prisão, e eles eram os presos”, disse o arqueólogo Wolfgang Neubauer. “Eles viviam em celas numa fortaleza com apenas um portão de saída.”
Acredita-se que a escola tenha sido o lar de até 80 gladiadores que viviam em uma grande instalação de dois andares e eram treinados em um pátio central. Apesar de serem incapazes de sair, os homens desfrutavam de algumas regalias, como banhos quentes e piso aquecido para possibilitar o treinamento durante o inverno.
“A descoberta de Carnuntum nos dá uma impressão vívida de como era viver e treinar como um gladiador na fronteira do Império Romano”, disse o especialista Kathleen Coleman. [NatGeo]















Ilustração de como teria sido essa escola de gladiadores.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

PAC Cidades Históricas publica edital para restauração do Forte São Marcelo, em Salvador (BA)

O monumento se encontra sem uso, sob intervenção judicial e vigilância do IPHAN-BA

Até o próximo dia 21 de março está aberto o prazo para os interessados em participar da licitação para contratação de projetos complementares e obra para a reconstituição das fundações e estabilização da estrutura do Forte São Marcelo, em Salvador (BA). O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (IPHAN) publicou o edital no Diário Oficial de União (DOU) no dia 18 de fevereiro. As obras, previstas no PAC Cidades Históricas, vão garantir a preservação da integridade física do monumento e assegurar o seu retorno ao cenário turístico, a sociedade soteropolitana, aos visitantes e estudiosos do Patrimônio Histórico e Cultural.
A licitação será na modalidade Regime Diferenciado de Contratações – RDC (Lei nº 12.462/2011) e a entrega das propostas será no dia 21 de março, às 9h, na sede do IPHAN-BA. Um segundo edital será publicado, visando as obras de restauração dos ambientes e do programa de uso do Forte São Marcelo para recuperar os aspectos históricos da arquitetura e proporcionar estabilidade perene às fundações da fortificação.
O Forte São Marcelo, situado na Baía de Todos os Santos, conta com uma localização privilegiada. É um dos monumentos de maior destaque do ponto de vista panorâmico da cidade alta (vista da Praça da Sé), que com o Mercado Modelo, Rampa do Mercado, Monumento aos Povos, Elevador Lacerda e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia se apresentam dentro do conjunto de monumentos de elevada relevância arquitetônica na cidade baixa e zona portuária de Salvador. O Forte São Marcelo está fechado para visitação em função das precárias condições da edificação. Em 2011, a Justiça Federal determinou a desocupação e a reintegração de posse ao IPHAN, que passou a zelar e garantir a segurança do patrimônio tombado.

Com os recursos do PAC Cidades Históricas, o monumento receberá obras na estrutura, no sistema hidrossanitário com instalação de filtro anaeróbico), além da reconstituição da fundação da fortaleza, que correspondente à muralha periférica subdivididas em zona submersa, zona de influência da maré e zona acima da linha da maré, além da recuperação estrutural das abóbadas (de aresta e de berço), que compõem a cobertura das celas que correspondem ao caminho de ronda do pavimento. Também serão recuperados os ambientes internos, a pavimentação da praça das armas, o píer de acesso, as passarelas de servidão, o caminho de ronda, restauração das esquadrias, revisão das instalações elétricas e hidro sanitárias e a construção de uma passarela de acesso. Todo o trabalho será acompanhado pela Coordenação Técnica do IPHAN-BA.


Forte de planta circular
A possibilidade de uma nova invasão holandesa, em 1650,  foi a justificativa da construção do Forte São Marcelo, na Baía de Todos os Santos, também conhecido, popularmente, como Forte do Mar. Erguido sobre um pequeno banco de arrecifes a cerca de 300 metros da costa, fronteiro ao centro histórico da cidade, destaca-se por se encontrar dentro das águas, como oForte Tamandaré da Laje, no Rio de Janeiro, e ser o único de planta circular no país, inspirado no Castelo de Santo Ângelo(Itália) e na Torre do Bugio (Portugal).

Sua função era impedir a entrada ao porto, cruzando fogo com os fortes de São Francisco, São Felipe e São Paulo da Gamboa. Sua planta, aproximadamente circular, é constituída por um torreão central envolvido por um anel de igual altura formado pelo terrapleno perimetral e quartéis. Sua construção, iniciada pelo engenheiro francês Felipe Guiton e continuada pelo seu conterrâneo o engenheiro Pedro Garcin, é em cantaria de arenito até a linha de água e o restante em alvenaria de pedra irregular. Possui teto em abóboda de berço e, no seu interior, podem ser encontrados bancos embrechados de conchas. Foi inscrito nos Livros de Belas Artes e Histórico, em 25-05-1938.


O PAC Cidades Históricas
Mais do que conservar imóveis tombados, o PAC Cidades Históricas privilegiará a recuperação de edificações destinadas a atividades que favoreçam a vitalidade dos sítios históricos. Entre as 425 obras, 115 serão em imóveis que abrigam equipamentos culturais, como teatros, cinemas e bibliotecas, além dos 39 que museus cujos edifícios também serão recuperados pelo Programa.

O modelo de desembolso dos recursos não prevê repasse integral às prefeituras, mas sim a liberação de recursos à medida que as obras forem licitadas. Conforme anúncio da presidenta Dilma Rousseff em agosto de 2013, serão destinados R$ 1,6 bilhão a 44 cidades de 20 estados brasileiros para recuperação, restauro e qualificação de seus conjuntos urbanos e monumentos. Uma linha especial de crédito no valor de R$ 300 milhões também será disponibilizada para financiar obras em imóveis particulares localizados em áreas tombadas pelo IPHAN.

Mais informações para a imprensa:
Assessoria de Comunicação IPHAN-BA

Rosilane Barbosa - comunicacao.iphan.ba@gmail.com
(71) 3321-0256 / 9964.4630

Assessoria de Comunicação IPHAN
comunicacao@iphan.gov.br
Adélia Soares – adelia.soares@iphan.gov.br
Isadora Fonseca – isadora.fonseca@iphan.gov.br Mécia Menescal – mecia.menescal@iphan.gov.br
(61) 2024-5476 / 2024-5479
        9381-7543
Fonte: ASCOM - IPHAN-BA

Fonte: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do;jsessionid=324DB80EF4DA53210531948E238F6B71?id=18363&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia




Bahia: patrimônio histórico do sertão abandonado e destruído

Na cidade de Caetité, berço de figuras nacionais como Anísio Teixeira, Waldick Soriano, Cezar Zama e outros anônimos como Odilon Silva – avô da presidenta Dilma Rousseff, a destruição segue a passos largos: a fazenda Santa Bárbara, onde se filmou “Abril Despedaçado”, a casa natal de Cezar Zama, a casa do Barão e a Igreja de São Benedito são apenas exemplos de como a história está seguindo para o lixo.
Em Igaporã a destruição atinge a mais que secular “Casa de Pedras”; em Candiba, a antiquíssima casa da Fazenda Santa Rosa, berço da família Rodrigues Lima, também sofre com o abandono e a ignorância.
O governo do estado possui um órgão cuja atribuição é, justamente – e somente – fiscalizar e promover a proteção patrimonial; trata-se do IPAC. Além deste, o Ministério Público tem atribuição local para promover a fiscalização – mas é como se nada disso existisse.
Uma solução que urge é, talvez, a mudança da mentalidade; em Minas Gerais, um estado que foi povoado por baianos sertanejos desde a Guerra dos Emboabas (e, portanto, é MAIS NOVO que o sertão baiano), há muito que a história constitui-se importante fonte de renda para os moradores.
Algo que a Bahia, destruindo para sempre sua memória, perderá de forma irremediável. Não há, por parte da Secretaria de Turismo do Estado, nenhuma ação no sentido de divulgar esse ainda rico acervo que se está perdendo.
O turismo é a principal fonte de renda de muitos países. Mas, no sertão, na Bahia, parece que isto é considerado… feio!

Fonte: Caetité Notícias

Fonte da Pesquisa: http://defender.org.br/noticias/nacional/bahia-patrimonio-historico-do-sertao-abandonado-e-destruido/ 

RS – Museu Histórico Municipal de Nova Petrópolis foi restaurado

O Museu Histórico Municipal de Nova Petrópolis, localizado no Parque Aldeia do Imigrante, foi restaurado entre novembro de 2013 e fevereiro de 2014. O investimento das reformas, no valor de R$ 35.295,00, sendo R$ 30 mil provenientes do Governo do Estado e o restante de contra partida do município. O valor repassado pelo Governo do Estado foi conseguido com contemplação do projeto.
“Qualificação e restauro do Museu Histórico Municipal de Nova Petrópolis”, executado pela Secretaria de Educação, Cultura e Desporto, em parceria com as Secretarias de Fazenda e Planejamento.
O museu passou por reparos para manter em boas condições as peças e documentos que conserva. Foram realizadas reformas nas portas e janelas dos fundos do museu, além da instalação de um sistema de alarme. Partes do interior foram pintadas, para sanar problemas de infiltração. Uma das paredes da sala/reserva técnica no subsolo foi rebocada e impermeabilizada. Com os recursos também foram adquiridos três desumidificadores de ar.
Além das reformas, uma oficina de qualificação também foi Esta oficina capacitou funcionários das cinco instituições museológicas do município. A oficina “Educação e Museu” foi ministrada pela professora Cristina Seibert Schneider, atendendo uma reivindicação da comunidade de ter profissionais capacitados para atender nos Museus. Com uma parte dos recursos do projeto também foram elaborados folders e livretos de divulgação do museu e da oficina realizada. Mais informações sobre os museus de Nova Petrópolis podem ser conferidas na página dos Museus de Nova Petrópolis – www.facebook.com/museusnp. Por Assessoria de Imprensa Prefeitura de Nova Petrópolis.

Fonte: Redesul

Fonte da Pesquisa: http://defender.org.br/noticias/rio-grande-do-sul/rs-museu-historico-municipal-de-nova-petropolis-foi-restaurado/ 

















Foto: Marcelo Moura

Santa Cruz do Sul (RS) – Restauro interno da Catedral pode começar este ano

A diretoria da Catedral São João Batista de Santa Cruz do Sul pretende iniciar este ano o projeto da restauração interna do templo. Três pontos deverão ser prioritários: a iluminação, o som e a pintura. Inaugurada em 24 de dezembro de 1939, a maior catedral em estilo neogótico da América Latina passou a ser usada com muitos detalhes inacabados. Em 1995, a comunidade se uniu para o primeiro grande projeto de restauração da parte externa e a conclusão do que havia ficado para trás. Os trabalhos se estenderam por dez anos. Agora deve ser a vez da parte interna. De acordo com o presidente da Comunidade Católica São João Batista, Ivaldir Celso Trentin, a diretoria está tratando do assunto e novidades deverão surgir no segundo semestre.
Ele salienta que três pontos são fundamentais nesta etapa: a iluminação, o som e a pintura. Como a catedral é um prédio tombado pelo patrimônio histórico e cultural, qualquer intervenção que precisa ser feita é complexa e, por isso, as coisas são conduzidas com cautela. “Até agora, ainda não temos claro se faremos um projeto global ou um para cada área.” Também não existe uma previsão de custos, mas só para o som e a iluminação, estima-se algo em torno de R$ 200 mil. A parte da pintura também será cara, pois exigirá o assessoramento de um especialista em arte sacra.
O pároco da Catedral São João Batista, padre Rogério Kunrath, avalia que a diretoria está animada. Ele é favorável à formação de um grupo de trabalho para se dedicar exclusivamente ao projeto. Lembra que a diretoria hoje já tem muitas atribuições e precisaria ter um grupo trabalhando junto nessa empreitada. “A partir daí, se definiria o projeto e as formas de captação dos recursos.”
Trentin comenta que um sonho antigo é dotar a catedral de um órgão de tubos, como consta no projeto original do templo. Pensamos em incluir a compra nesta etapa, mas o investimento é muito alto. Talvez tenhamos que esperar mais um pouco.” Um órgão grande pode custar em torno de R$ 700 mil. Por José Augusto Borowsky

Fonte:  http://defender.org.br/noticias/rio-grande-do-sul/santa-cruz-do-sul-rs-restauro-interno-da-catedral-pode-comecar-este-ano/

















domingo, 23 de fevereiro de 2014

Patrimônios históricos são demolidos e geram indignação de moradores

Dois patrimônios históricos, uma casa em São Carlos e um prédio em Vargem Grande do Sul (SP), foram destruídos e geraram indignação entre os moradores. Um fazenda centenária em Araraquara também está sendo demolida e corre o risco de ficar apenas na lembrança da população. Historiadores cobram mais incentivos do poder público para que os donos preservem os locais.
No dia 14 de fevereiro, mais de 100 anos de história foram derrubados em Vargem Grande do Sul. A antiga Estação Ferroviária, que pertencia à companhia Mogiana, foi comprada em um leilão de imóveis e pertence a um empresário da cidade. O prédio não era tombado pelo patrimônio histórico. “A gente fica triste porque é patrimônio da cidade, tinha que arrumar e não derrubar”, contou o servente de pedreiro Marcus Urbano da Silva.
Para a estudante de arquitetura Yara da Fonseca, que está pesquisando a história do prédio, existia outras opções. “Eu vou fazer um projeto ainda para mostrar para a cidade o que seria esse lugar se não tivessem demolido”, relatou.
Sem autorização
Em São Carlos (SP), um antigo casarão do centro da cidade foi derrubado no fim de janeiro, mesmo sendo tomabado pelo patrimônio histórico. O proprietário até chegou a pedir permissão para derrubar a casa, mas teve a solicitação negada. “Ele havia enviado um parecer alegando que o prédio estava em condições não muito boas, com a estrutura comprometida. Nós constatamos que não havia nem um problema estrutural, havia algumas trincas, mas não comprometiam o edifício”, explicou o arquiteto da Fundação Pró-Memória Rodrigo Peronti Santiago.

Os diretores da Pró-Memória aplicaram uma multa de R$ 50 mil ao proprietário e levaram o caso para o Ministério Público. “Esperamos que ele seja punido devidamente para que não haja outros casos semelhantes”, disse a diretora da fundação, Cláudia Danella.
O dono do antigo casarão do Centro de São Carlos disse que o prédio estava em péssimo estado e que a intenção era derrubar apenas a parte de trás e manter a fachada. Contudo,  segundo ele, os pedreiros erraram e causaram danos irreversíveis, sendo necessário derrubar tudo.
Colônia
A fazenda centenária Periquito, em Araraquara, é mais um exemplo do descaso. A colônia tem mais de 600 hectares e está prestes a desaparecer. Uma usina comprou a propriedade e, de acordo com os moradores, todas as casas vão ser destruídas.

O tratorista Isauro Sabino de Sousa viveu 36 anos na fazenda. Ele viu os filhos crescerem no local e agora se prepara para o momento da despedida. “Dá uma dor no coração ver se acabando”, comentou.
A capela da fazenda foi um das primeiras construções e estima-se que tenha mais de 100 anos. A catequista Silvia Mara Caetano Motta cuida do local e está preocupada. “Já participei da Capela Monte Verde como catequista e hoje não existe mais. Aqui pelo jeito será a mesma coisa será derrubada”, lamentou.
A assessoria da Prefeitura de Araraquara informou que não existe nenhum pedido de tombamento da Fazenda Periquito, mas qualquer pessoa pode entrar com esse pedido.
Incentivos
O historiador Rogério Tampelini acredita que faltam incentivos para evitar essas situações. “Quando se fala em monumento histórico não tem mais o que fazer depois que foi destruído, então nos temos que lutar para preservar e levar a questão para a sociedade, para criar mecanismos e incentivos para os proprietários e empresários preservarem esses espaços privados. Mas o poder público tem que dar o exemplo”, explicou.

















Vídeo tem momento da demolição de casa histórica de  São Carlos (Foto: Reprodução/EPTV)
















Capela de 100 anos também pode ser destruída em fazenda de Araraquara (Foto: Reprodução/EPTV)

















Casas históricas de fazenda se transformam em montanhas de entulho (Foto: Reprodução/EPTV)

Patrimônio histórico de Passos, árvore centenária é atingida por fungo

A história de muitas famílias de Passos(MG) foi marcada por uma árvore Copaíba que acabou se tornando patrimônio do município. Mas essa tradição pode estar ameaçada. A planta está doente e os moradores tentam há meses conseguir um tratamento para ela. Segundo a prefeitura, por ser tombada como patrimônio, é preciso licitação para fazer a poda e cuidar da árvore, motivo da demora na manutenção da planta.
A Árvore Santa Bárbara, na Praça da Saudade, traz muitas recordações para os moradores de Passos. “A gente costumava se reunir embaixo da árvore, durante festas [na cidade], como uma grande família mesmo”, lembra Marilene Reis.
A sombra que a Copaíba centenária proporciona é generosa. Os galhos chegam a invadir a rua, mas os moradores afirmam que a árvore vem dando sinais de que precisa de cuidados urgentes como poda, controle de pragas e isolamento do tronco. No ano passado, os moradores chegaram a encaminhar um documento à prefeitura solicitando que os cuidados fossem tomados, mas até esta semana, quase nenhuma providência foi tomada.
A árvore é tombada pelo patrimônio histórico e cultural de Passos, o que deveria representar um cuidado maior na preservação da planta. A prefeitura alega que para fazer a poda dos galhos precisa de autorização do Conselho do Patrimônio Histórico.
A presidente do conselho em Passos afirma que a autorização foi dada em novembro do ano passado, mas admite que o processo é demorado por se tratar de um bem tombado. “Como a árvore é um bem público, ele tem que seguir os trâmites legais de uma prefeitura para a licitação e compra deste material, bem como cronograma das secretarias para proceder à poda e os demais cuidados com a árvore. Não tem como reivindicar hoje e ser atendido amanhã. Bom seria [se fosse assim], o conselho também gostaria disso”, afirma Adriana Beatriz Rocha.
A Secretaria de Meio Ambiente de Passos confirma que encaminhou o relatório dos tratamentos a serem feitos na Árvore de Santa Bárbara ao Conselho Municipal de Patrimônio Cultural, no fim de novembro do ano passado. Segundo a secretaria, é preciso que seja feita uma licitação para a aquisição do material necessário pelo departamento de cultura da prefeitura.
De acordo com o departamento, após a licitação feita, o prazo é de que em um mês os serviços devam ser feitos na árvore. Enquanto isso, os moradores estão revoltados com o descaso e pretendem procurar o Ministério Público se o problema não for resolvido. “Nós não pretendemos deixar a árvore morrer, ela está cheia de fungos, ela precisa de tratamento e nós vamos recorrer ao Ministério Público do meio ambiente pra isso”, afirma a advogada Isabel Pereira.






Tombada como patrimônio em Passos, árvore está ameaçada por falta de cuidados (Foto: Luciano Tolentino / EPTV)

Reforma de prédio histórico orgulha moradores de Valença, RJ

“Aqui a cidade se expandiu, cresceu, foi criada a parte administrativa com o tempo, e isso faz com que a população se identifique com o prédio da catedral”. A frase do historiador Raimundo Mattos é sobre a catedral de Nossa Senhora da Glória, emValença, RJ. A igreja foi erguida há aproximadamente dois séculos e conviveu com o abandono durante décadas. Além de  problemas na estrutura do prédio, devido à ação do tempo, a torre esquerda corria risco de desabar. “O madeiramento era puro cupim. Os altares laterais e o central também, o douramento, a parte do douramento também toda horrível, caindo... Foi feita a raspagem todinha”, contou o auxiliar de serviços gerais Pedro Carlos Souza Muniz.
Uma reforma começou em agosto de 2003 e foi finalizada um ano depois. Especialistas na área não têm dúvidas que foi a maior e mais completa restauração de um prédio histórico na cidade. Não só pelas reformas estruturais, mas pelo modo inovador encontrado para envolver a comunidade em todo o processo. “Foi com recursos do governo do estado na época. Uma parte através das leis de incentivo, no caso, a lei Rouanet, e recursos da comunidade também”, explicou o chefe regional do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), Adriano Novaes.
A arquitetura original foi mantida e afrescos antigos ganharam aparência de novos. Junto com a catedral foi restaurado o museu sacro, no interior do prédio. Escada, forro, iluminação e assoalho foram restaurados e agora fazem companhia às dezenas de peças religiosas que compõem o acervo. Além disso, a construção foi tombada pelo Inepac. “Essa tomada de consciência de que a história não é exclusividade de um grupo, de uma elite, de um diligente. A história pertence a toda uma comunidade, que é um exemplo que precisa, sem sombra de dúvida, ser seguido”, afirmou o historiador Raimundo Mattos.
Se na sua cidade tem um patrimônio histórico que não está sendo preservado, você pode entrar em contato com a produção do RJTV, pelo telefone (24) 3355-9875 ou através do VC no G1.









Interior do prédio foi restaurado (foto: Reprodução/Tv Rio Sul)

Falta de projetos atrasa reforma de 26 igrejas e monumentos históricos


A falta de projetos atrasa a recuperação de 26 igrejas e monumentos históricos emPernambuco. Apesar do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas ter liberado R$ 171 milhões há cerca de seis meses, apenas uma obra de restauro começou a sair do papel. As demais continuam pendentes nos municípios de Olinda e do Recife e no Arquipélago de Fernando de Noronha.

Desde 2012, a Igreja do Bonfim, em Olinda, está fechada para reforma. No entanto, até agora, apenas tapumes foram colocados para isolar o imóvel. A construção do século 18 segue ameaçada por rachaduras. A pior situação é a da torre, onde as fendas são maiores e comprometem a estrutura.

Vizinha da igreja, a veterinária Cristiane Gondim diz que é comum ouvir barulho de partes da estrutura se soltando. Ela não entende por que tanto tempo pra se iniciar o restauro. “Essa obra estava dependendo de uma licitação que ficou a cargo da prefeitura. Então, a gente fica em uma situação de aguardo eterno”, comenta.

A Igreja de São Pedro Mártir, também em Olinda, é outra que espera pela restauração. As paredes externas estão cheias de pichações. Portas e janelas de madeiras estão gastas e até quebradas.

Restauração em andamento
Os dois templos deveriam ser recuperados pela Prefeitura de Olinda sob a supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que também deveria fiscalizar as reformas no Recife e em Noronha. No entanto, até agora, a única obra em andamento é a de restauração da Igreja de São Pedro dos Clérigos, no bairro de São José, Centro do Recife. Vinte e oito operários trabalham na recuperação da parte arquitetônica, que deverá ficar pronta em novembro, a um custo de R$ 3,2 milhões. O trabalho é feito na parte externa e no telhado da igreja barroca do século 18. A restauração da parte artística, que inclui todos os adornos e entalhes de madeira do interior, está prevista para 2015.

Nesses seis meses, os R$ 171 milhões repassados pelo Governo Federal já perderam valor. Por causa da depreciação da moeda, hoje, equivalem a R$ 165.958.000.

O vigário-geral da Arquidiocese de Olinda e Recife, monsenhor Albérico Almeida, afirma que os projetos das duas igrejas de Olinda ficaram prontos há alguns meses, mas os arquitetos responsáveis ainda não foram pagos. “Esses projetos precisam ser pagos pela arquidiocese ou pela paróquia, no caso São Pedro Mártir. E aí está a dificuldade, o dinheiro que nós não conseguimos ainda. Então, estamos negociando com os arquitetos para ver se a gente consegue fazer um pagamento parcelado, para que esses projetos sejam entregues à Prefeitura de Olinda, que vai administrar a obra juntamente com o Iphan”. O monsenhor acrescenta que os projetos dos templos de Olinda custam R$ 270 mil.

O superintendente do Iphan em Pernambuco, Frederico Almeida, explica porque as obras previstas ainda não começaram. “O programa foi autorizado desde agosto de 2013. Daí, então, a gente foi contactar todas as equipes técnicas, dos órgãos, das prefeituras, do governo do estado, para que a gente pudesse reunir e entender as regras do PAC, para que a gente possa adaptar os projetos para começar as obras. Esse semestre, nós vamos iniciar várias obras, acho que 4 no Recife, 6 em Olinda e uma em Fernando de Noronha. Mas, até o fim do ano, a nossa meta é iniciar todas as 26 obras”, promete.

O Iphan acrescentou que o dinheiro disponível no Ministério da Cultura será liberado à medida que as obras de restauração dos monumentos sejam executadas.


Fonte: http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2014/02/falta-de-projetos-atrasa-reforma-de-26-igrejas-e-monumentos-historicos.html

















Igreja de São Pedro Mártir, em Olinda

Obra de Mies van der Rohe, biblioteca será reformada nos EUA

A estrutura foi construída em homenagem ao ativista político Martin Luther King Jr e ganhou projeto de renovação elaborado pelos holandeses do Mecanoo.

Projetada pelo arquiteto alemão Mies van der Rohe, a biblioteca Martin Luther King Jr. Memorial Library (MLKML) foi inaugurada, em 1972, na capital norte americana, Washington D.C. Apenas 42 anos depois, por problemas de manutenção, a estrutura será inteiramente reformada pelo escritório holandês Mecanoo.
Construído com aço, tijolos e amplos painéis de vidro na fachada, o volume de 37 mil metros quadrados é um dos raros edifícios modernistas da cidade. De acordo com o edital da competição para a escolha do projeto arquitetônico, os arquitetos têm, agora, duas opções sobre o conceito da reforma: manter a estrutura apenas como uma biblioteca ou expandir e convertê-la em um complexo cultural multiuso.
O projeto do Mecanoo tem, assim, como objetivo conceitual trazer à tona os valores e ideais de Martin Luther King Jr, respeitanto o design original da estrutura. “Nós vamos pesquisar o que é possível fazer para preparar esse edifício para a biblioteca do futuro”, comentou a diretora do Mecanoo, Francine Houben, durante cerimônia oficial.

Fonte: http://arcoweb.com.br/noticias/arquitetura/biblioteca-mies-van-der-rohe-mecanoo-washington-eua 

Publicada originalmente em ARCOweb em 21 de Fevereiro de 2014

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Diferenças entre restaurar e reformar












Restauro é uma intervenção feita sobre um bem histórico, visando manter sua identidade, seus aspectos característicos de época e sua autenticidade, para que futuras gerações tenham acesso ao estilo cultural histórico com o máximo possível de sua identidade original.
Quando se faz um trabalho de restauro é necessário restabelecer o mais próximo possível a obra original, porém sem cometer um falso histórico (quando uma obra tem características históricas, se faz passar por antiga, porém é um edifício novo, muitas vezes imitando o estilo original do artista), também é importante que se deixem transparecer os traços do tempo sobre a obra, lhe conferindo identidade temporal.
Também é importante manter a função original da obra e é é fundamental que se busque fazer uma assimilação com os materiais e estilos construtivos originais da edificação, para que se tenha assegurado o seu valor histórico. Para se adequar as especificidades da construção, são necessários estudos para analisar as técnicas originalmente empregadas na obra. O uso de novas técnicas e tecnologias é possível em uma restauração, desde que se mantenham os elementos de acordo com a identidade cultural do patrimônio.
Em geral quando um patrimônio necessita de alguma intervenção, é fundamental que a mesma se restrinja especificamente ao necessário. É importante que se possa notar que tal mudança foi realizada, a fim de que não seja confundida com a obra original, porém não pode interferir na harmonia de sua estética. As intervenções realizadas devem ser reversíveis.

Restauro x reforma
Muitas pessoas não sabem a diferença entre reforma e restauro, então ai vai uma pequena explicação para quem quiser aprender a diferenciar os dois:





















Restauro

Na restauração, devemos preservar as características fundamentais que identifiquem o edifício, que marcam a sua época e o seu estilo construtivo, como foi explicado anteriormente, deve-se atentar a fazer o mínimo de mudanças possíveis, e as que forem inevitáveis deverão apresentar o caráter reversível. Na restauração de casas é usual se trocar a fiação elétrica e a parte hidráulica, por desgaste do tempo, lembrando que esses itens específicos nada tem haver com a estética do edifício, que deve se manter idêntica a original, principalmente na fachada.

















Reforma

Já na reforma, você pode aproveitar as partes da casa que mais lhe agradem, sem alterá-las e modificar apenas aquilo que você achar que merece um ar mais contemporâneo, portanto na reforma não é obrigatório que as mudanças sejam reversíveis e nem é necessário se utilizar de técnicas especificas de conservação. Lembrando que é sempre bom estar atento às reformas fazendo análises dos pontos estruturais que não devem ser alterados por questões de segurança. 

 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Construção de Memorial Luiz Carlos Prestes, em Porto Alegre, divide opiniões

A primeira obra do arquiteto Oscar Niemeyer na Capital está perto de ser inaugurada depois de mais de 20 anos de espera. O prédio de linhas sinuosas que abriga o Memorial Luiz Carlos Prestes ficará pronto até o fim de novembro, com inauguração no início do ano.
Mas a escolha do militante comunista gaúcho e grande amigo de Niemeyer como homenageado ainda divide opiniões.
— É uma homenagem pelo que ele representa como figura histórica. Independentemente da questão ideológica, pela sua importância me parece inquestionável que ele mereça essa homenagem da cidade onde ele nasceu — afirma o deputado federal Vieira da Cunha (PDT), um dos idealizadores da iniciativa.
Segundo Edson dos Santos, integrante do Instituto Olga Benário Prestes, a curadoria do espaço ainda não foi definida, mas a maior parte do acervo será composta por material doado pela filha de Prestes, a historiadora Anita Leocádia.
Para os que não estão familiarizados com o personagem ou discordam de sua ideologia, a homenagem pode parecer excessiva. Pelas redes sociais, há defesas e críticas à escolha do homenageado.
— Porto Alegre não tem memorial algum dedicado a gaúchos que, bem ou mal, tiveram sua importância, como Getúlio Vargas ou Erico Verissimo — afirma o blogueiro Janer Cristaldo. 

Getúlio, Jango e Brizola receberão homenagem
Getúlio, Jango e Brizola receberão tal homenagem quando for construído o Caminho da Soberania, prédio de 1,7 mil metros quadrados, orçado em R$ 20 milhões, que deverá ser erguido ao lado do Memorial.
O próprio memorial só pôde ser concluído devido à parceria da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), que pagou os R$ 8 milhões da obra em troca da metade do terreno de 11 mil metros quadrados à beira do Guaíba, uma das áreas mais nobres da cidade, onde a entidade constrói sua sede própria de R$ 13 milhões. O acordo entre cartolas e prestistas também foi tema de debate.
Mesmo os que discordam da ideologia de Prestes ou desconhecem sua história poderão aproveitar o espaço. O local abrigará exposições.
—A intenção é fazer uma homenagem permanente ao seu patrono, mas o espaço não será usado como tribuna partidária — garante o catedrático aposentado da UFRGS Luiz Carlos Pinheiro Machado, um dos mais envolvidos no projeto.

LÍDER CONTROVERSO
— Luiz Carlos Prestes nasceu em Porto Alegre no dia 3 de janeiro de 1898. Aos 26 anos, rebelou-se contra o governo de Arthur Bernardes e formou a célebre Coluna Prestes, movimento que, a partir do Rio Grande do Sul, marchou por 25 mil quilômetros pelo Brasil e lutou 53 combates ao longo de dois anos e meio. Exilou-se na América Latina, quando teve contato com a doutrina marxista, e morou na União Soviética durante três anos, onde conheceu a militante alemã Olga Benário, com quem se casou.
— De volta ao Brasil e já integrante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi preso com a mulher que, grávida, foi deportada para a Alemanha nazista. Cassado após o golpe de 1964, exilou-se na antiga União Soviética. Após a redemocratização, apoiou a candidatura de Brizola à presidência da República, em 1989. Morreu no ano seguinte.

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2013/10/construcao-de-memorial-luiz-carlos-prestes-em-porto-alegre-divide-opinioes-4291652.html 


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Erguido às margens do Guaíba, projeto foi financiado pela Federação Gaúcha de Futebol Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Antigo bonde virou biblioteca pública em Curitiba

Redação em

Após anos de inutilização, em 2010 a instalação foi revitalizada e voltou a funcionar como espaço cultural. Desde então, um rico acervo (são 2500 títulos) está à disposição de leitores de todas as idades. E é verdade, não custa nada: basta apresentar documento de identificação, informar o endereço e escolher o livro da vez.
A Rua das Flores (na verdade, Rua XV de Novembro) foi primeira rua fechada ao trânsito do Brasil. Projeto de autoria do arquiteto e urbanista Jaime Lerner. Obra foi executada no início da década de 1970, do dia para a noite, com medo da reação da população. Em 12 de outubro de 1973, foi instalado o Bondinho, que representa a história da frota de bondes de Curitiba.
A proposta inicial foi prestar atendimento às crianças enquanto os pais passeavam pelo calçadão – o local abriga inúmeros estabelecimentos comerciais, de lojas e restaurantes a tímidos botecos com sinuca, escondidos atrás de portinhas discretas.
Depois disso, nos idos de 1980, sediou as atividades do Serviço de Informações e Turismo de Curitiba. Em 1989, novamente ofertou atividades às crianças, fazendo história na infância dos pequenos curitibanos da década de 1990.
Nas manhãs de sábado, a brincadeira se desdobrava do Bondinho para o calçadão ali em frente, onde eram estendidos rolos de papel acompanhados de tinta. A ideia simples: fazer bagunça. Tão simples que não teve como dar errado. A pintura coletiva de crianças ainda acontece.
Josnei Ivancheski (foto abaixo) mora no interior do Paraná. Sempre que visita Curitiba, preenche o tempo livre devorando os livros do Bondinho. Senta-se num dos bancos e entrega-se à literatura lá mesmo. Quando passa por ali, lê um livro por dia.

Continuação do texto e mais imagens no link: http://catracalivre.com.br/curitiba/cidadania/indicacao/antigo-bonde-virou-biblioteca-publica-em-curitiba/ 



















O “Bondinho da Leitura” é atração no calçadão da Rua das Flores; quem passa por ali não tem desculpa para não ter um livro de cabeceira - foto: Cido Marques