quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Casa do Barão de Vassouras (RJ) começa a ser restaurada

Com  ar bucólico de cidade pequena, Vassouras - na Região do Médio Vale do Paraíba (RJ) - não perde para nenhuma grande metrópole quando o quesito é a vinculação com a memória nacional. O paisagismo da Praça Barão de Campo Belo, com seu chafariz monumental, as centenárias fazendas do interior, assim como os sobrados que abrigaram gerações de barões e baronesas são elementos que marcam identidade da cidade na história do Brasil. 

Para valorizar esses marcos ancestrais nos tempos atuais, as mais variadas intervenções vêm sendo realizadas nas edificações históricas da região. Chegou a vez de um símbolo do Patrimônio Cultural do município receber obras de restauração: a Casa do Barão de Vassouras. Localizada em um ponto privilegiado do Centro, a casa térrea faz parte do Conjunto Paisagístico e Urbanístico da cidade, inscrito em 1958 no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A obra é fruto de termo de compromisso do Iphan com a Prefeitura de Vassouras. O Instituto vai investir aproximadamente R$ 8 milhões em obras que serão executadas pela Prefeitura e estão previstas para durarem cerca de dois anos. Entre as intervenções de restauro estão previstas a recuperação de pisos, paredes, esquadrias, pinturas, forros, telhados e fachadas históricos; a reorganização dos espaços internos; bem como a adaptação dos ambientes às normas de acessibilidade dos dias atuais.

Situada na então entrada da cidade, o solar captava a atenção dos recém-chegados. De baixa altura, posicionava-se à frente do olhar e o seu jardim exuberante se espalhava pelas amplas varandas para dar as boas-vindas aos visitantes. O monumento é um exemplar raro de arquitetura residencial térrea. Mescla elementos do estilo neoclássico, marcantes da primeira metade do século XIX, com aspectos típicos de construções mineiras, como o avarandado na área posterior.

A casa foi construída para ser a residência de Francisco José Teixeira Leite (1804-1884), filho do Barão do Itambé e futuro Barão de Vassouras. Depois, permaneceu na posse dos herdeiros do Barão de Vassouras até o início dos anos de 1990, quando foi vendida a um grupo empresarial. Em 2018, o imóvel foi doado ao município, que se comprometeu a implementar o Projeto Executivo das obras de restauração aprovado pelo Iphan.

Vassouras e outras 14 cidades dos arredores compõem o Vale do Café, região que se transformou na locomotiva da economia nacional do século XIX e que, na época, chegou a produzir 75% do café consumido no mundo. Atualmente, o município se fortalece cada vez mais como um núcleo de turismo alternativo do estado, atraindo visitantes que desejam fugir da agitação urbana. A intensa programação cultural, a variedade de passeios históricos e hospedagens de charme em propriedades rurais são apenas alguns dos principais atrativos.

Investimentos na região

Vassouras vem recebendo uma série de investimentos do Iphan nos últimos anos. Ao todo, R$ 2,8 milhões já foram destinados à elaboração de projetos executivos de restauração. O Museu Casa da Hera e a Biblioteca Maurício de Lacerda foram alguns dos beneficiados. Já os projetos dos Sete Chafarizes do Centro Histórico e do Antigo Pátio da Oficina estão em fase final de elaboração.

Alguns dos projetos foram executados com recursos da iniciativa privada, como as intervenções no Centro Cultural Cazuza, já finalizadas; e a restauração do Antigo Asilo do Barão do Amparo, em execução. Com projeto e obras financiadas pelo Iphan, a Sede da Associação de Paroquianos de Vassouras (Asepava) foi restaurada com investimentos de cerca de R$740 mil.

Além da Casa do Barão de Vassouras, o Iphan firmou uma série de convênios com Prefeituras da região a fim de revitalizar bens tombados. Atualmente há intervenções das mais diversas em execução. Foram designados R$ 300 mil para a restauração da Torre Sineira da Catedral de Santana, em Barra do Piraí; já a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Paty do Alferes, recebeu cerca de R$ 1 milhão. Nos próximos meses, vão ser iniciadas obras na Igreja de Nossa Senhora do Amparo, em Barra Mansa (RJ).

Por fim, completa a lista a restauração da Casa do Barão do Ribeirão, também em Vassouras. Trata-se de obra sob a responsabilidade direta do Iphan. Localizado na Praça Barão de Campo Belo, o antigo casarão apresenta requinte arquitetônico e se destaca das edificações dos arredores pela grandeza das dimensões. Com investimentos da ordem de aproximadamente R$ 6 milhões, a intervenção está prevista para terminar em 2021.

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Fonte das Imagens: do site Iphan

sexta-feira, 31 de julho de 2020

MISTÉRIO RESOLVIDO: ESPECIALISTAS ACREDITAM TER DESVENDADO AS ORIGENS DE STONEHENGE

Pesquisadores descobriram de onde vieram as pedras usadas na construção do famoso monumento da Inglaterra

De acordo com uma pesquisa publicada na última quarta-feira, 29, na revista cientifica Science Advances, um grupo de cientistas resolveu um dos maiores mistérios da arqueologia: de onde vieram os megalíticos que compõem o monumento conhecido como Stonehenge, localizado em Wiltshire, na Inglaterra.

Após inúmeras pesquisas, os especialistas conseguiram obter uma resposta através da análise de blocos de arenito, conhecidos como sarsens. Os cientistas concluíram que 50 dos 52 megalíticos de Stonehenge, são procedentes da região de West Woods. De acordo com os especialistas, o local fica a cerca de 25 quilômetros do monumento. 

Uma amostra do núcleo sarsen foi essencial para a descoberta, o elemento foi extraído durante uma expedição no local na década de 1950 e permaneceu nos Estados Unidos por muitos anos, até ser devolvido para a Inglaterra. Além disso, a nova descoberta concluiu que as origens das pedras menores de tom azulado, não são das colinas de Preseli do País de Gales, como era dito anteriormente.

"Espero que o que descobrimos permita que as pessoas entendam mais sobre o enorme esforço envolvido na construção do Stonehenge”, afirmou o líder da pesquisa, David Nash.

Para os especialistas, os sarsens de Stonehenge foram construídos por volta do ano 2.500 a.C, entretanto, como os enormes blocos de pedra foram parar em Wiltshire ainda é um mistério que os arqueólogos pretendem resolver.

Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/misterio-resolvido-especialistas-acreditam-ter-desvendado-origens-de-stonehenge.phtml?fbclid=IwAR37ND19y1pORgpYodyZUBj5cd5hjo1ISNIc0dRsYYCCOsv0GmfU5m-xoqg



















O monumento de pedras Stonehenge, no Reino Unido - Getty Images

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Parque Histórico Nacional das Missões (RS) recebe obras de conservação

Os povoados missioneiros criados pelos jesuítas e índios Guarani nos séculos XVII e XVIII, em território que hoje engloba parte do Brasil, Argentina e Paraguai, deixaram estruturas remanescentes que são uma singular marca no tempo de parte da história brasileira. Para preservar essas ruínas e sua memória, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia vinculada ao Ministério do Turismo, realiza continuamente um trabalho de conservação nos sítios históricos e arqueológicos que compõem o Parque Histórico Nacional das Missões, no Rio Grande do Sul.
Nesta última semana de junho, recomeça mais uma etapa desse trabalho com as obras de conservação e recuperação da frontaria e das arcadas das ruínas da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, no sítio histórico de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões (RS). A obra também inclui as estruturas em ruínas dos sítios de São João Batista e São Lourenço Mártir, localizados nos municípios de Entre-Ijuís e São Luiz Gonzaga, respectivamente. Ao todo, o conjunto de ações conta com investimentos de mais de R$ 656 mil. 
Os trabalhos de consolidação nos sítios chegaram a ser iniciados em março, com a execução de serviços preliminares relativos a instalações provisórias, mas foram interrompidos em seguida devido às medidas de segurança e saúde recomendadas durante a pandemia do novo coronavírus. Agora, as obras serão retomadas, começando pelo sítio de São João Batista, com uma previsão de 12 meses de execução. 
Os serviços previstos visam estabilizar estruturas desagregadas, sanar pontos de infiltração e realizar tratamentos para evitar o ingresso de novos pontos de umidade, problemas que decorrem do desgaste natural das edificações ao longo do tempo e de eventuais intempéries. As metodologias que serão aplicadas, levando em conta as especificidades de cada sítio, foram discutidas em encontro técnico realizado em março, envolvendo técnicos de diversas áreas do Iphan e a empresa contratada para realizar a obra, repassando conhecimentos e discutindo as melhores estratégias para a intervenção. 
A conservação das estruturas em ruínas do Parque Histórico Nacional das Missões faz parte de um trabalho permanente do Iphan, que contempla ações básicas de manutenção, realizadas pela equipe de artífices, e projetos específicos, como a nova intervenção. O parque foi criado em 2009 como uma unidade da Instituição, vinculada à Superintendência do Iphan-RS, e reúne os sítios arqueológicos de São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São Nicolau e São João Batista. Ao longo desses anos, o Iphan vem realizando diversos trabalhos no sentido da continuada preservação dos bens, buscando consolidar e recuperar as estruturas desgastadas e manter a integridade e autenticidade das edificações.
 
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Catedral Imperial, em Petrópolis (RJ), vai passar pela maior restauração de sua história

Quem passeia pelo Centro Histórico de Petrópolis (RJ), logo tem a atenção captada pela Catedral de São Pedro de Alcântara. Um dos principais símbolos da cidade, este monumento vai passar pela maior restauração de sua história. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou o projeto de intervenções, proposto pela Mitra Diocesana de Petrópolis. A execução conta com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que, por meio do BNDES Fundo Cultural, vai investir R$ 13,1 milhões para revitalizar a fachada e os ambientes internos do edifício, além de implementar uma galeria de exposições.
Também conhecido como Catedral Imperial, o monumento foi tombado pelo Iphan em 1980. O tombamento da igreja é uma extensão da proteção conferida, desde 1964, à Avenida Köeler, inscrita no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico.
A edificação estampa inúmeros cartões-postais da cidade, famosa pela pluralidade de atrações históricas e arquitetônicas. As intervenções vão permitir a reabertura do mausoléu no qual se encontram os restos mortais da família imperial. Atualmente, todas as áreas superiores da catedral - órgão, coro, torres e telhado -, assim como o mausoléu, encontram-se fechados para visitação.
 
As obras estão previstas para começar em agosto. Empresas e trabalhadores locais vão executar a empreitada de modo a incrementar a economia da cidade. A restauração vai ser dividida em três ações. A parte externa abrange a recuperação da cobertura, do madeiramento estrutural, dos elementos de ornamentação e das calhas; bem como a recolocação das rosáceas. Além disso, as intervenções incluem a modernização da parte elétrica da igreja e a instalação do sistema de combate a incêndio. Também serão realizados o restauro e a requalificação interna, com recuperação de elementos artísticos.
Destaca-se no projeto a implantação de uma galeria expositiva nos dois primeiros pavimentos da torre que antecedem o sino. Nas cúpulas e agulhas neogóticas, serão instaladas uma passarela e telas de projeção, tanto para contar a história da construção do templo quanto para exibir documentos históricos da fundação da cidade. Esta nova área vai viabilizar o acesso do público à torre: no alto dos 70 metros de altura, exibe de forma panorâmica uma das vistas mais impressionantes da cidade.

O Acervo da Avenida Köeler e a Catedral Imperial – A Avenida Köeler é um dos principais logradouros do plano urbanístico de Petrópolis. De autoria do Major Júlio Frederico Köeler, a via conserva com fidelidade aspectos paisagísticos e urbanísticos originais. Tendo no eixo central o leito do Rio Quitandinha, afluente do Piabanha, a avenida se inicia na antiga Praça de São Pedro de Alcântara - onde se localiza a Catedral - e termina na Praça de Rui Barbosa.
Construídos na segunda metade do século XIX ou na passagem deste para o século XX, o acervo apresenta variedade de estilos: algumas edificações se ligam ao neoclássico final; outras se filiam à fase romântica dos chalés e há ainda os exemplares ecléticos.
O atual edifício da igreja começou a ser construído em 1884. Inspirado nas antigas catedrais do norte da França, o engenheiro e arquiteto baiano Francisco Caminhoá planejou o projeto arquitetônico em estilo neogótico, muito em voga na época. Em 1925, foi inaugurada a matriz, após 37 anos de trabalhos. As obras da fachada, contudo, só começaram em 1929, e a torre só foi erguida entre 1960 e 1969. O templo ostenta um carrilhão de cinco sinos de bronze fundidos em Passau (Alemanha), que pesa nove toneladas.

Essa matéria foi escrita com informações do BNDES
 
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sábado, 6 de junho de 2020

Cidade mais antiga do Tocantins completa 286 anos e ruína de igreja construída por escravos passa por revitalização

Natividade fica na região sudeste do Tocantins e é parte do patrimônio histórico nacional. Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos não chegou a ser concluída.

O município de Natividade, o mais antigo de todo o Tocantins, completa 286 anos nesta segunda-feira (1º). A cidade é parte do patrimônio histórico nacional e é conhecida pela arquitetura colonial e as ruas com pedras batidas. Uma das estruturas mais simbólicas da cidade está passando por uma revitalização, a ruína da igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

O prédio nunca chegou a ficar pronto. Ele começou a ser construído por escravos no século XVIII, mas apenas as paredes e os arcos ficaram prontos. Mesmo assim, a igreja acabou se tornando um símbolo do estado.

A obra está sob responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e deve custar aproximadamente R$ 348 mil. A ideia é estabilizar a estrutura e tratar as superfícies. O canteiro de obras é aberto para que a população possa acompanhar o trabalho de perto.O trabalho deve durar três meses.

A cidade foi inspiração para cenários e personagens da novela O Outro Lado do Paraíso, produzida pela Rede Globo em 2018. Uma das referência era a enigmática personagem Mercedes, interpretada por Fernanda Montenegro e inspirada em Dona Romana. O município também serviu de locação para séries e filmes é conhecido como a terra do ouro, da religiosidade e também é lá que se produz o biscoito Amor Perfeito, muito popular em todo o estado.

Fonte: https://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2020/06/01/cidade-mais-antiga-do-tocantins-completa-286-anos-e-ruina-de-igreja-construida-por-escravos-passa-por-revitalizacao.ghtml










Crédito: Prefeitura de Natividade










Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Crédito: Prefeitura de Natividade

domingo, 17 de maio de 2020

Livro mapeia bens tombados pela União no RS, com curiosidades e descobertas sobre prédios e sítios históricos

Das Pedras aos Lambrequins" recupera histórias envolvendo construções icônicas da arquitetura gaúcha que resistiram ao tempo ou que sucumbiram ao longo dos anos

Por Maturino da Luz
Arquiteto, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da PUCRS

Uma das mais ativas editoras universitárias gaúchas, a da Unisinos, sob a liderança de Carlos Alberto Gianotti, oferece ao público o livro Das Pedras aos Lambrequins: A Preservação do Patrimônio Arquitetônico e Urbano no Rio Grande do Sul do Século XX, da arquiteta Ana Lúcia Goelzer Meira, professora dessa instituição e ex-funcionária do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Com qualidade gráfica, o trabalho é fruto da experiência da autora por mais de 30 anos como técnica do Iphan e diretora de sua representação regional, de 2003 a 2013, e é baseado na tese de doutorado por ela defendida na UFRGS e aprofundado no mestrado profissional em Arquitetura e Urbanismo da Unisinos, no qual atuou como docente.

A obra é dividida em duas partes. Na primeira, o leitor é introduzido ao tema da preservação dos bens culturais, com didática, simplicidade e clareza, familiarizando-se com seus conceitos fundamentais. Paulatinamente, adentra no assunto, mergulhando na maneira com a qual se constituiu o elenco de bens classificados como patrimônios culturais na esfera federal e quais critérios fundamentaram a inclusão de cada um. É possível entender o modo como evoluíram os valores que legitimaram esses bens representativos do Estado no mosaico cultural brasileiro e compreender como edificações que outrora estiveram para compor a lista foram eliminadas, por incompreensão e até por motivos políticos, que se sobrepuseram ao interesse público. A autora valeu-se de minuciosa pesquisa desenvolvida sobretudo nos arquivos do Iphan, respaldando assim suas afirmações.

São curiosas algumas justificativas usadas para incluir obras no rol do acervo sob proteção da União. Salienta-se o caso da Catedral de São Sebastião, em Bagé, cuja falta de relevância arquitetônica foi compensada pelas marcas de projéteis nas paredes (testemunhos da Revolução Federalista). Em uma intervenção posterior, esses sinais foram apagados, o que faz com que o imóvel não mais ostente o fundamento de sua classificação como monumento nacional.

Por outro lado, foram perdidas obras como a “casa com material missioneiro”, junto ao sítio arqueológico de São João Batista, em Entre-Ijuís, identificada, em 1937, por Lucio Costa na sua única visita ao Rio Grande do Sul. A casa, tombada em 1938, primeira obra de cunho vernáculo a receber tal honraria, logo seria demolida pelo proprietário sem o consentimento do órgão de preservação. Também fomos privados de conhecer e usufruir da antiga Igreja de Nossa Senhora do Rosário, à Rua Vigário José Inácio, em Porto Alegre, “destombada” para atender a interesses políticos, sem contar a subtração, na paisagem porto-alegrense, do Solar de Dom Diogo de Souza, que existiu na Rua Voluntários da Pátria, antigo “Caminho Novo” percorrido por Auguste de Saint-Hilaire quando visitou a povoação, em 1820.

Na segunda parte do livro, a autora trata dos critérios de intervenção aplicados nas obras realizadas em alguns desses bens. Novamente o leitor é convidado a conhecer de forma sucinta, primeiramente, teorias e documentos acumulados nos séculos 19 e 20 que embasam as ações de conservação direta (manutenção) ou indireta (restauração) nos bens culturais, em traslados de monumentos etc. Em seguida, Ana Lúcia apresenta uma série de exemplos de intervenções realizadas no nosso meio pelas diferentes esferas de poder, dando atenção especial às realizadas no monumento de maior reconhecimento, os remanescentes missioneiros de São Miguel Arcanjo. São apresentados resultados variados, demonstrando os acertos e os erros que, na sua avaliação, foram cometidos.

Pelo relato da autora, fica claro que é necessário rever algumas posturas até aqui adotadas, o que ela faz nas suas “considerações finais”, nas quais apresenta oito pontos para repensar os critérios de intervenção.

Das Pedras aos Lambrequins preenche uma lacuna importante pela falta de obras sobre a temática e será referencial para que o meio técnico, acadêmico, e o público em geral tenham a oportunidade de conhecer e refletir sobre as ações preservacionistas empreendidas em relação ao patrimônio legado pelas gerações antecessoras.

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2020/05/livro-mapeia-bens-tombados-pela-uniao-no-rs-com-curiosidades-e-descobertas-sobre-predios-e-sitios-historicos-cka5dbeog004a015nqi9m4jow.html











O histórico Solar de Dom Diogo de Souza, que existiu na Rua Voluntários da Pátria, em Porto Alegre, no século 19Não se aplica / Acervo do IPHAN.















A velha Igreja do Rosário, no centro de Porto Alegre: "destombamento"
Wikimedia Commons / Reprodução








A fachada da "nova igreja do Rosário", erguida na Rua Vigário José Inácio nos anos 1950
Marco Favero / Agencia RBS










"Das Pedras aos Lambrequins: A Preservação do Patrimônio Arquitetônico e Urbano no Rio Grande do Sul do Século XX ", de Ana Lúcia Goelzer Meira. Editora Unisinos, 248 páginas, R$ 55 (no site da editora, o preço é R$ 38,50)
Reprodução / Reprodução

domingo, 5 de abril de 2020

Professor da UFRGS detalha como "solucionou o mistério da construção de Machu Picchu"

Responsável pelo referencial "Atlas Ambiental de Porto Alegre", o geólogo Rualdo Menegat tem sido aclamado internacionalmente por sua original pesquisa sobre a civilização inca

Em 1913, a revista da National Geographic Society revelou ao mundo as imagens impactantes de Machu Picchu, a cidade inca encontrada dois anos antes, no meio dos Andes, no Peru, pelo explorador norte-americano Hiran Bingham. Era um momento de orgulho para a organização, que financiou três expedições de Bingham ao local. Em dezembro de 2019, passados mais de cem anos, a National Geographic, em sua versão espanhola, voltou ao tema, em uma reportagem que anunciava: “Solucionado o mistério da construção de Machu Picchu em local tão inacessível”. Ao mesmo tempo, um número incalculável de publicações do mundo todo publicavam a mesma notícia: o geólogo Rualdo Menegat, professor da UFRGS, havia conseguido explicar o motivo de os incas terem erigido sua civilização nas encostas dos Andes. 

Com quase três décadas como docente da universidade, Menegat era, até então, reconhecido principalmente como o coordenador do impressionante Atlas Ambiental de Porto Alegre, inspirador de publicações similares mundo afora. Desde novembro, quando apresentou nos EUA seu trabalho sobre os incas, ele se tornou célebre pela tese de que a civilização inca viabilizou-se pela domesticação de falhas geológicas nas montanhas. Ele fala mais sobre essa pesquisa a seguir.

Não é comum um pesquisador brasileiro estudar um assunto relacionado a outro país. O que levou o senhor a Machu Picchu?
É uma trajetória incomum, um cientista fazer uma grande descoberta em um país vizinho. Sempre tive interesse pela questão do tempo profundo. O presente é só a pontinha do iceberg de um longo desenvolvimento histórico humano, e também da Terra. Desvendar esse mistério me atraiu desde os oito anos de idade, quando decidi estudar geologia. Tinha interesse pelas civilizações antigas, por causa das rochas. Queria saber como elas faziam obras tão grandes como pirâmides ou cidades de pedra em cima de montanhas. Então cursei Geologia, fiz o Atlas Ambiental de Porto Alegre e, por conta desse atlas, ocorreu na capital gaúcha um simpósio promovido pela ONU, em 1999. Uma delegação que se interessou foi a peruana. Eles me convidaram a ir ao Peru para dar conferências e ajudá-los a fazer um atlas. Respondi: tudo bem, mas incluam Machu Picchu no roteiro.

Então o senhor esteve lá para dar uma formação?
E conhecer Machu Picchu, que sempre esteve na minha pauta de interesses, até como latino-americano, por ser um ponto de identidade de toda a América Latina. E fui a Machu Picchu como geólogo. O geólogo tem de caminhar, andar entre as montanhas, entrar em desfiladeiros, se embrenhar em sendas inexploradas. Comecei pelas montanhas mais altas, de 7 mil metros de altitude, e fui descendo até Machu Picchu, a 2,3 mil metros, cercada por grandes montanhas.

Foram vários dias percorrendo o local?
Sim, até que por fim enxergo Machu Picchu do alto. Nesse momento, concluo que a única possibilidade daquele contexto eram as falhas geológicas. Pensei: nossa, Machu Picchu está em lugar muito desgastado pela erosão, um cruzamento de falhas geológicas. Mas a literatura não falava sobre isso.

O que é uma falha geológica?
Vem a ser uma ruptura dos maciços rochosos. É como um saco de bolacha bem empacotado. Se tu apertares, as bolachas vão quebrar, mas mantêm a forma. Os maciços rochosos foram prensados, esmagados, por forças compressivas muito fortes das placas tectônicas. Onde aconteceu a ruptura, há uma falha. A ruptura é o ponto de uma massa que, ao ser pressionada, quebra. É uma fenda.

E só de olhar o senhor percebeu que esse era o caso em Machu Picchu?
Sim. Onde há falha geológica, há dano na rocha, que fica toda fraturada na parte lateral dos dois blocos. Esse fraturamento faz com que o maciço rochoso se quebre naquela região, e essa quebradura de blocos menores facilita a erosão. Onde há falha, a erosão é maior.

Não existia literatura sobre essa característica de Machu Picchu?
Nada. E achei fantástico, porque era uma explicação geológica e geomorfológica. A questão seguinte era saber se a cidade estar ali era um acaso ou era intencional. Voltei ao Peru já no ano 2000 para investigar a escolha dos locais de assentamento incaico. Fiz expedições em 2001, 2006, 2010 e 2012. Fui aprofundando e comprovando a tese.

O senhor concluiu que a construção de Machu Picchu naquele local foi intencional. Que intencionalidade é essa? O que os incas buscavam ao escolher aquela área?
Minha tese foi que Machu Picchu não podia ser obra do acaso ou um capricho. Quem construiu a cidade o fez dentro de uma prática construtiva dos Andes. Você vê hoje o grande edifício de Abu Dhabi (Burj Khalifa) e diz: meu Deus, como é possível, construíram um edifício de 800 metros de altura. Mas, se for analisar a sociedade contemporânea, construir edifícios é uma prática. Não se construiu um edifício de 800 metros onde ninguém sabe construir edifícios, mas onde todos sabem. Machu Picchu é o mesmo. Por que construíram uma cidade tão alta, em um lugar de tão difícil acesso? Porque essa era a prática construtiva dos Andes à época. 

Como surge essa prática?
A questão é entender porque ela é necessária. Nós, brasileiros, que vivemos em clima úmido, num país tropical, florestado, não fazemos ideia do que é uma cordilheira imensa como a andina, com altitudes de 2 mil a 7 mil metros, onde há condições climáticas extremas, desde a glacial, nos cumes nevados, até a muito seca, nos desertos. A dinâmica andina é inóspita. É um lugar muito difícil de habitar. Há dinâmicas geotectônicas e geológicas severas: terremotos, vulcões, derretimento de gelo. Há momentos de muita chuva. Se tu perguntares a um geólogo onde colocar uma cidade nos Andes, ele vai dizer: evite a qualquer custo os fundos dos vales. Tu poderias retrucar: mas esses são os melhores lugares, com terrenos planos e água corrente dos rios. Para a civilização ocidental, os vales são atrativos, porque é uma civilização do domínio fluvial, como os egípcios no Nilo e os sumérios no Tigre e no Eufrates. Nos Andes, os vales são proibitivos. Em um ano, tu poderás plantar nas margens do rio e ter uma bela colheita. No ano seguinte, poderás ter uma seca terrível. No outro, uma inundação, quando o rio carrega tudo embora. Em outro momento, uma encosta inteira da montanha desaba sobre o vale e soterra tudo. No Ocidente, nossa construção civilizatória consiste em domesticar os rios. A história antiga é a história das civilizações fluviais. Nos Andes, não. Percebi que a estratégia civilizatória andina devia ser outra. 

E qual seria?
Tive de entender o que seriam as janelas de habitabilidade, onde a vida humana seria possível nos Andes. Se não é possível no fundo dos vales, então onde? Em locais elevados, mas os locais elevados são rochosos. Os Andes são o mundo das rochas. E, no mundo rochoso elevado, é possível construir onde ele está falhado, que é onde as rochas estão mais quebradas, e principalmente onde há cruzamento de falhas, porque ali os blocos ficam previamente cortados. Ali é possível assentar uma cidade, removendo bloco por bloco. O material de construção, que são os blocos rochosos, está previamente cortado, por causa da quebra e da erosão. Ao identificar um lugar com essas características, os construtores recolhem os blocos rochosos e fazem os terraços para plantio, nas encostas vertiginosas, com os próprios blocos. E podem ir removendo os blocos e encravando as edificações.

Se não houvesse a falha, não haveria onde assentar a cidade no maciço e não haveria rochas soltas para a construção?
Exatamente. E há um terceiro fator importantíssimo. No reino fraturado, que é o reino das montanhas andinas, a água corre pelas falhas. As falhas são aquíferos. A água goteja permanentemente, com volumes mais ou menos contínuos. Não é em abundância, mas nunca é escassa. Se souberes canalizá-la, tens água corrente e podes estabelecer ritmos civilizatórios. Então eles constroem andenes, que são muros, terraços, escadarias que eles assentam nessa encosta rochosa falhada. E, com isso, conseguem uma coisa prodigiosa, que é transportar as pequenas faixas de solo que estão ao lado do rio, férteis. Transportam para essa escadaria na encosta rochosa estéril, para o cultivo.

Então os incas domesticam a montanha?
Sim. Para ser mais específico, domesticam a falha geológica. Essa estratégia civilizatória garante zonas de habitabilidade nos Andes, que é onde é possível construir esses terraços e encravar esses assentamentos. Os incas vivem em locais elevados, mais ou menos numa mesma faixa de altitude.

Como o senhor fez para demonstrar sua tese?
O primeiro passo foi mostrar que, sim, há falhas. Fiz estudo por imagem de satélite, usando sete escalas de avaliação e análise. Estudei toda a região dos rios Apurimac e Urubamba-Vilcanota, que é onde estão as cidades incas mais famosas: Machu Picchu, Ollantaytambo, Pisac, Urubamba. Percebi que havia redes de falhas em toda essa região. São linhas paralelas e se cruzam também. Os rios correm paralelos, são todos encaixados nas grandes falhas. Os padrões são fractais. Tu os enxerga com a dimensão de 200 quilômetros, de 20 quilômetros, de dois quilômetros e podes ir até dois metros. As linhas que definem os setores de Machu Picchu coincidem com as direções das falhas, porque ali é onde tem facilidade de desmontar a rocha. O que tu tens no desenho de Machu Picchu é um mapa das falhas. Eles construíram procurando as falhas e removendo os blocos à medida que se deixavam desprender. Ao fazerem isso, revelaram as linhas de falha. Meus métodos foram análise de imagens de satélites em várias escalas, análise de campo e medição de fraturas. Depois, passei dias na própria cidade, medindo essas linhas de escadarias. Onde o arqueólogo via uma escadaria, eu, geólogo, via uma linha de falha.

E quanto às outras cidades incaicas?
Depois do estudo em Machu Picchu, fui ver se era uma regra geral. Estudei Ollantaytambo, cidade vizinha no Vale Sagrado, depois Pisac e inclusive Cusco, que hoje está soterrada pela colonização espanhola e pela civilização atual. Pude ver que todas seguem o padrão, ou seja, são mapas de falhas geológicas. Isso é incrível. E me mostrou que eu estava diante de uma teoria geral sobre o modo de domesticação andina.

Os incas sabiam que se tratava de falhas geológicas?
O conceito de falha geológica é da ciência geológica. Os incas não vão ter uma teoria explicativa. O que eles têm é uma análise empírica de tentativa e erro. Mas também deviam ter uma espécie de conhecimento que se equivale ao nosso conhecimento geológico. Eu diria que é impossível estabelecer uma civilização das dimensões da civilização inca sem que eles conhecessem o mundo andino, e o mundo andino é o mundos das rochas. Eles deviam ter um conhecimento profundo das pedras, assim como nossos indígenas têm um conhecimento espetacular das florestas. Eles conheciam esse mundo das fraturas porque é o mundo deles. A identificação de falhas era uma questão fundamental. O pensamento deles não é científico. Mas é lógico. Pude mostrar, com meu estudo, que há um pensamento ali.

Eles enxergam na geografia da montanha algo que um ocidental não enxergaria?
Não enxergaria e não enxergou. Por isso levou tanto tempo até alguém identificar isso. Por isso que meu estudo teve impacto.

O senhor defendeu seu doutorado, com essas conclusões, em 2006. recebeu várias distinções, como um título de doutor honoris causa, no Peru, em 2014. Na ocasião, Zero Hora publicou reportagem sobre o assunto. Mas só agora veio a repercussão internacional. Por quê?
Depois dessa descoberta, que é minha tese de doutorado, fiz um conjunto de conferências para eles, para a comunidade andina, para os brasileiros, porque era uma revelação importante, que retirava a ideia de que os incas são só o mundo da magia e do místico. Eu queria mostrar que, para além do mistério inca, da magia, há uma questão importante que é o pensamento. Ninguém vive nos Andes só com magia. É preciso ter um conhecimento profundo daquele mundo. Fui ver o quanto essa minha descoberta tinha significado para os peruanos, para que eles não vissem isso como uma descoberta de um estrangeiro. Estamos falando da imagem que os peruanos têm de si e da pepita de ouro que é Machu Picchu. É algo muito delicado para eles. Só em 2019 concluí que esse processo já estava maduro.

E o que o senhor fez?
Resolvi participar do congresso da Geological Society of America, nos EUA, e submeter meu trabalho a provas maiores, aos geólogos norte-americanos. Para minha surpresa, isso causou um enorme impacto na comunidade geológica norte-americana. Eu sabia que tinha em mãos um tema relevante, uma descoberta nteressante. Mas que podia ser rejeitada. Sou brasileiro, sul-americano, a UFRGS é uma universidade maravilhosa, mas se uma pesquisa é revelada por Cambridge, o impacto é diferente. 

Uma prova é que, embora publicado em 2006, seu trabalhou permaneceu pouco conhecido até essa apresentação no ano passado?
Sim. Porque não é fácil. Acho que nós, brasileiros, devemos ter muito mais confiança na nossa capacidade tecnológica e científica. Não precisamos dos anais internacionais para saber que somos prodigiosos, criativos, inteligentes. Sempre que apresentei esse tema no Peru, as plateias ficavam boquiabertas.

Como foi a repercussão internacional, a partir dessa apresentação do ano passado?
Foi o coroamento de um longo trabalho. O nome da UFRGS saiu grafado em mais de 30 países, em mais de 15 línguas, em canais científicos e também em veículos muito populares, como a mídia de massa, Le Monde, Times, BBC, Daily Mail... Na imprensa especializada também, como as revistas Archeology e Science... A National Geographic anunciou: “Está resolvido o mistério de Machu Picchu”. 

O senhor ainda continua envolvido com o tema?
Sim, porque o estudo permite desenvolver questões importantes. Uma delas é como resolver os problemas urbanos atuais em zonas montanhosas ou zonas declivosas. Se os incas desenvolveram uma civilização prodigiosa com 10 milhões de pessoas em encostas muito mais íngremes e perigosas do que as nossas, por que nós não poderemos conseguir? Temos coisas a aprender do ponto de vista técnico, dos processos de construção e da habitabilidade das encostas brasileiras, evitando tragédias. Estou tentando aplicar isso na nossa realidade. Em geral, a solução mais imediata que temos é remover as pessoas, mas isso é impraticável diante do problema social que é remover e diante dos custos econômicos, sociais e culturais. Precisamos ter outras abordagens técnicas, customizáveis, possíveis de serem implantadas pelos próprios moradores, mais resilientes e mais adaptadas às situações em que eles se encontram. E foi isso que vi nos incas. Eles respeitam o lugar onde vão construir. Temos muito a aprender com eles.

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2020/04/professor-da-ufrgs-detalha-como-solucionou-o-misterio-da-construcao-de-machu-picchu-ck8j36lwx00y701o5n94lsln6.html

























Incas aproveitaram falhas geológicas para erguer sua impressionante cidade, concluiu pesquisador gaúcho
Adriana Franciosi / Arquivo Pessoal




















Rualdo Menegat: temos muito a aprender com os incas
Fernando Gomes / Agencia RBS

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Novos sítios arqueológicos são descobertos em Serranópolis (GO) com ação do Iphan

Trinta novos sítios de pinturas e gravuras rupestres foram descobertos no município de Serranópolis (GO), localizado na região Sudoeste do Estado de Goiás. A descoberta é resultado de ações de conservação realizadas em dez sítios de abrigo do complexo arqueológico do local, contratadas pela Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Estado de Goiás (Iphan-GO). No total, foram investidos pelo Iphan quase R$ 193 mil.
As atividades foram voltadas a preservação dos sítios com pinturas e gravuras rupestres que, a partir de agora, também passam a oferecer mais segurança às atividades turísticas, educacionais e de pesquisa.
Os trabalhos consistiram na retirada da vegetação, de pisos e paredes dos abrigos, limpeza do acúmulo de massa vegetal e remoção de microfaunas, como cupins, ninhos de formigas, caixas de marimbondos e colmeias de abelhas, que foram transportadas para uma área de preservação.  Além disso, foram feitos testes químicos em pequenos espaços sem pinturas para limpeza de pichações, fuligem e trilhas de cupins.  
Os serviços foram realizados no segundo semestre de 2019 e tiveram como objetivo frear o processo de degradação e minimizar os impactos sobre o conjunto de arte rupestre.
Trabalharam na ação um grupo formado por quatro arqueólogos, um geoarqueólogo, três biólogos, um engenheiro ambiental, um apicultor e três guias turísticos da região, que também tiveram o acompanhamento da equipe de arqueologia do Iphan-GO.
O Complexo Arqueológico de Serranópolis, mais especificamente os conjuntos de abrigos sob rocha, compõe um significativo patrimônio arqueológico e ambiental do Estado de Goiás, tanto por sua importância científica relacionada à ocupação do território goiano quanto por sua beleza cênica. Desde 1970, é referência na história do povoamento do cerrado brasileiro, com datações de 11 mil anos.
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Fonte das imagens: do site Iphan