quinta-feira, 15 de março de 2012

Prédio velho para quê? Para quem?

Reproduzo aqui, um excelente texto do blog Die Zeit sobre preservação de prédios antigos!

Neste momento de rápida expansão dos centros urbanos e acelerado crescimento econômico e comercial, a imagem de grande parte das nossas cidades é de pujança e desenvolvimento. Prédios cada vez mais altos são erguidos, e aquelas casas centenárias, que às vezes parecem que sempre estiveram por ali, desaparecem.

Com elas, desaparece também um pouco da identidade de um povo. Muitos, ao visualizar a demolição de um casarão, espantam-se. Alguns chegam até a sentir-se pessoalmente agredidos! No geral o cidadão, mesmo o mais simples, sente que há algo errado. É um pouco da própria cidade que desaparece.

Mas por fim, muitos conformam-se. "É o progresso!", defendem alguns incautos, esquecidos de que tal tipo de ufanismo remonta à décadas e já demonstrou suas tristes consequências. Então, tudo isso "é triste, mas o que fazer?" conclui a sociedade, conformada. Esta passividade alinha-se perfeitamente a toda "deseducação" que sempre recebeu, contínua e ininterruptamente, e que leva a apenas buscar o mercado de consumo, e não a cidadania e uma vida plena.

E afinal, o que se pode fazer? Na verdade, pode-se fazer MUITO. Pode-se, através de inventário assessorado por um órgão competente, definir e levantar as edificações importantes para a cidade. Mais do que isso: a sociedade pode e deve participar deste processo, tanto provocando seu acontecimento, quanto opinando a respeito dos bens em que se enxerga e se identifica.

Mas e depois? "Quem vai pagar pra restaurar essas casas caindo aos pedaços"? Uma vez definidas as edificações importantes através dos estudos, a regulamentação local se faz imediatamente necessária. É esta regulamentação que irá gerir, caso a caso, como os problemas serão resolvidos. Fundos municipais, programas de restauração, financiamentos e projetos culturais são algumas das possibilidades, que devem ser buscadas de acordo com o problema.
Por onde começar? Por tudo! Não existe um roteiro definido. Patrimônio cultural é um conceito social, coletivo e principalmente, PLURAL. Todas as iniciativas precisam levar essa diversidade em conta.

Projetos de educação patrimonial envolvendo todos os tipos de artes, debates e conversas, fóruns de discussão, rodas de memória, são apenas algumas possibilidades de atuação da própria sociedade civil. Junto a isso, a implementação da política local de patrimônio, a intensa fiscalização por parte da comunidade aliada ao Ministério Público e embasada em toda legislação existente, a valorização acadêmica através de pesquisas, a valorização do acervo da cidade através de restaurações e projetos de novos usos...

As possibilidades, enfim, são muitas. Quem ganha é a cidade, em qualidade de vida e manutenção da sua identidade. Basta que todos saiam do comodismo, da conformação com a situação atual e falta de perspectivas, em busca de respostas para a pergunta: por onde posso começar?

Jorge Luis Stocker JR.

Fonte: http://dzeit.blogspot.com/2012/03/predio-velho-para-que-para-quem.html


Prédio de 1887 em Encruzilhada do Sul!Quase em ruínas!Testemunha da memória local!

segunda-feira, 12 de março de 2012

Reabertura de Catedral em Parnaíba - Piauí

A capela lateral do Santíssimo Sacramento da Igreja de Nossa Senhora Mãe da Divina Graça, em Parnaíba, Piauí, já está livres dos cupins. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan terminou o trabalho de descupinização, que foi realizado entre os dias 23 de fevereiro e 3 de março para o processo de descupinização. Por medidas de segurança, a Catedral ficou fechada já que o trabalho utilizava gás tóxico nesse. Para o ano de 2012, o planejamento da Superintendência do Iphan-PI é dar continuidade ao processo de restauração da Capela do Santíssimo, em Parnaíba, que teve início em 2011.

De acordo com a Superintendente do Iphan-PI, Claudiana Cruz dos Anjos, “o retábulo estava muito danificado pela ação dos cupins”. Ela explica que a obra completa, com previsão de 120 dias para a conclusão, foi dividida em três etapas. A primeira, a descupinização. Agora têm início a imunização e o levantamento de dados para a elaboração completa do projeto de conservação e restauração do retábulo. Devido a fragilidade da instalação, toda precaução vem sendo tomada para que nenhuma das peças sofram danos durante o trabalho. O investimento é de R$ 66, 5 mil.

A catedral Nossa Senhora Mãe da Divina Graça é um dos monumentos mais importantes da cidade e integra a área tombada de Parnaíba. Esse conjunto tombado contém aproximadamente 830 imóveis divididos em cinco setores: Porto das Barcas, Praça da Graça, Praça Santo Antônio, Estação Ferroviária e Avenida Getúlio Vargas. Essa fragmentação foi definida de acordo com as características arquitetônicas e urbanísticas de cada monumento. Erguida no século XVIII, a catedral possui um acervo importante constituído pelos seus retábulos e é um marco na fundação e formação de Parnaíba, cidade famosa pelo comércio de charque.

Fonte da Notícia: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do;jsessionid=3FF3EE9CEB96050949EDC36B11F73168?id=16473&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia



sexta-feira, 9 de março de 2012

Vídeos sobre Patrimônio Histórico no Sul do Brasil

Vídeos do IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - mostrando o Patrimônio Histórico das cidades de Laguna, em Santa Catarina, e no Rio Grande do Sul, a cidade de Antônio Prado e o conjunto arquitetônico do Museu do Pão, em Ilópolis.





terça-feira, 6 de março de 2012

Tombamento da Casa de Marechal Rondon no Mato Grosso

A casa onde Marechal Cândido Rondon morou com sua comitiva foi tombada como Patrimônio Histórico Cultural do estado. A casa construída em 1906 fica no assentamento Antônio Conselheiro em Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá, e servia como uma das bases para a comitiva de Rondon que era responsável por levar linhas telegráficas para comunidades distantes.

Conforme Guilherme Shenkel, secretário de turismo do município, várias etapas foram cumpridas até que o local fosse tombado. “Veio uma técnica, avaliou-se a casa para saber se ela tinha aquela relevância histórica que a gente apontava. Tudo isso foi comprovado e agora o tombamento foi sancionado pelo governo. Hoje ela é um dos 150 bens tombados no estado de Mato Grosso”, destacou.

A arquitetura da casa guarda detalhes da época em que foi contruída. Nas paredes é possível ver os tijolos de adobe, uma mistura de barro e capim. A casa sofre com a ação do tempo pois nunca foi reformada e algumas paredes estão até caindo.

Com o tombamento, a ideia é restaurar e transformar o local em um pequeno museu. “A casa hoje se encontra um pouco deteriorada e a gente tendo esse tombamento em mãos, fica muito mais fácil de pleitear recursos e fazer a reforma da casa”, explicou o secretário.

O local já abrigou figuras históricas. Conforme o historiador Sebastian Ramos, um ex-presidente americanopassou uma temporada na casa. “É importante lembrar também que neste mesmo lugar esteve Franklin Roosevelt. Ele fixou morada por um tempo nessa região convidado pelo próprio marechal Rondon para conhecer essa região do Brasil”, explicou.

Os professores que hoje moram no local aprovam o tombamento, mas se preocupam com as novas necessidades. “Nós já esperávamos esse tombamento há alguns anos. Como nós usamos o casarão como alojamento para os professores que vem da cidade, surge uma preocupação que é onde vamos alojar os professores”, questiona a professora Deiziane Araújo.

Fonte da Notícia: http://www.defender.org.br/casa-de-marechal-rondon-e-tombada-como-patrimonio-historico-em-mt/

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Primeira fase do restauro da Alfândega de Rio Grande - RS

Na maior parte do prédio da Alfândega do Rio Grande já se pode ver o resultado das obras da primeira fase de restauro do imóvel histórico, iniciadas em julho de 2010. Em 13 das 16 áreas do imóvel a recuperação do telhado já está pronta. Falta concluir esse serviço nas áreas sete e oito e fazer as obras na 11, que é a área do Museu da Cidade. Na sete, que compreende a ala da rua Marechal Floriano esquina com a rua Andradas, só falta terminar o trabalho no telhado. Com exceção do espaço ocupado pelo museu, as obras de restauro do telhado nas demais áreas devem ser concluídas em abril deste ano. Já o término de toda a primeira fase, incluindo o museu, está previsto para junho.

No Museu da Cidade, localizado na parte da esquina da rua Riachuelo com a Andradas, já foi retirado todo o assoalho, que estava bastante danificado e será substituído por um novo, e feito o escoramento do telhado com andaimes metálicos para as obras. O madeiramento do telhado desta área está em situação crítica e deverá receber reforço com estruturas metálicas. A intenção é intercalar as tesouras de madeira com estruturas metálicas, o que aliviará o peso sobre as primeiras, preservando-as. O inspetor-chefe da Alfândega no Porto do Rio Grande, Marco Antônio Medeiros, disse que está sendo esperada a primeira estrutura metálica para avaliação da medida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Corpo Técnico da Receita Federal. Se ambos aprovarem, serão contratadas as demais pela empresa executora da restauração.

Essa solução para preservar as tesouras de madeira foi definida em reuniões entre a RF, Iphan e a empresa executora. Conforme Silvia Silva, servidora da Alfândega e fiscal do contrato, não se encontra mais madeiras nas dimensões (sete e oito metros de comprimento cada peça das tesouras) das utilizadas na estrutura de sustentação desse telhado. A primeira fase de restauro ainda inclui a adaptação de quatro sanitários para portadores de necessidades especiais, sendo que em dois esse serviço já foi realizado e em outros dois está em execução. A drenagem dos pátios internos e a colocação dos condutores pluviais também já foram feitas.

O prédio histórico, construído entre 1875 e 1879, ocupa uma quadra inteira do centro rio-grandino, tendo as fachadas no alinhamento das ruas Marechal Floriano, Ewbank, Riachuelo e Andradas. Atualmente abriga a Alfândega do Porto rio-grandino e a agência da Receita Federal, além do Museu da Cidade do Rio Grande e a Procuradoria da Fazenda Nacional. Todo o telhado apresentava infiltrações e apodrecimento do madeiramento que o sustenta. O restauro incluiu a colocação de um subtelhado de alumínio, o qual, mesmo que telhas sejam quebradas, evitará que chova dentro do prédio, como vinha ocorrendo em alguns pontos. A troca do sistema de calhas, é outro serviço que integra essa primeira fase. Estão sendo instaladas calhas de cobre cobertas com telas do mesmo material.

Inicialmente orçada em R$ 3,5 milhões, a primeira etapa do restauro já exigiu três aditamentos e atualmente está com custo de R$ 4,2 milhões. São recursos próprios que a RF está investindo no local. Uma segunda fase de obras está programada para conclusão do restauro da Alfândega. Nesta será realizada pintura, recuperação do assoalho de parte do prédio, a restauração dos elementos de decoração e do reboco interno e externo, mais as redes elétrica, lógica e a climatização do prédio. O projeto para a segunda etapa, orçado em R$ 12 milhões, está pronto e aprovado pelo Iphan. Falta licitar. A expectativa de Medeiros é que a licitação seja feita ainda este ano. Será uma obra que deverá estender-se por três ou quatro anos.

Fonte Original da Notícia: http://www.defender.org.br/rio-granders-primeira-fase-do-restauro-fica-pronta-em-junho/

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Restauro do Palácio Gustavo Capanema - Rio de Janeiro - RJ

Já está em andamento a elaboração do projeto de revitalização e restauração total, com a instalação de novos elevadores, para o Palácio Gustavo Capanema, no Centro do Rio de Janeiro, bem tombado pelo Iphan em 1948 por sua importância artística. O prazo para a entrega do projeto integral é de 490 dias e para a substituição dos elevadores de trezentos dias. Os recursos de aproximadamente 12 milhões de reais para aplicação só em 2012 provêem do Tesouro Nacional.

A iniciativa contemplará a requalificação dos espaços para sua adequação aos usos atuais institucionais e culturais, a conservação geral, bem como a atualização dos sistemas prediais para o atendimento de várias exigências técnicas e legais posteriores à criação do monumento, como sistemas antipânico, de combate a incêndios, de lógica e monitoramento de segurança, novas instalações elétricas, além de acessibilidade a portadores de necessidades especiais, entre outros, tudo devidamente compatibilizado com o projeto original. Para maior segurança e conforto, os seis elevadores existentes serão substituídos por unidades mais modernas, capazes de garantir o acesso devido aos dezesseis pavimentos do prédio.

Um novo sistema de comunicação também será desenvolvido para a divulgação conjunta das inúmeras ações educacionais e culturais ali promovidas pelas instituições do MINC, como debates, palestras, seminários e cursos, a exemplo das atividades do recém-criado Centro Lúcio Costa, chancelado pela UNESCO para a formação de gestores do patrimônio, e o Programa de Especialização do Patrimônio, do Iphan. A recente passagem da administração do condomínio do Palácio para o Iphan reforça a política do MinC de valorização desse importante marco da arquitetura moderna mundial.


Hoje funcionam no Palácio mais de uma dezena de instituições vinculadas ao Ministério da Cultura, que após a requalificação do edifício atuarão com mais conforto e segurança, tanto para seus funcionários como para o público usuário, pesquisador e visitante. Estes procuram diariamente os arquivos da Biblioteca Nacional e a Biblioteca Noronha Santos (do Iphan), o Ibram, a Funarte, a livraria Mário de Andrade, as exposições em cartaz e a Sala Sidney Miller (da Funarte). O conjunto moderno e de arquitetura arrojada vem atraindo também turistas nacionais e internacionais, por conta de sua coleção de obras de arte do período moderno como pinturas murais, tapeçarias e azulejaria, além dos jardins de Burle Marx .

O monumento

Projetado durante a gestão do Ministro Gustavo Capanema para sediar o antigo Ministério da Educação e Saúde, o prédio é marco da arquitetura moderna em nosso país. É, também, um dos primeiros arranha-céus construídos no mundo com fachada toda em vidro. A área ocupada por ele e seus jardins, projetados pelo paisagista Burle Marx, é de 27.536 metros quadrados. Arquitetos consagrados atuaram na elaboração do projeto de construção do Palácio Capanema tais como Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Jorge Machado Moreira, Carlos Leão e Ernany de Vasconcelos, que tiveram como referência estudos feitos por Le Corbusier, que aqui esteve em 1937 especialmente como consultor. O edifício foi construído de 1937 a 1943 e sua estrutura projetada pelo engenheiro Emílio Baungart. Foi utilizado como material de revestimento das empenas o gnaisse (pedra de galho), por sugestão do próprio Le Corbusier. Os azulejos, elementos também de uso tradicional na arquitetura brasileira, utilizados no revestimento dos corpos edificados do térreo e nas paredes laterais do auditório, de figura avulsa ou formando painéis, foram desenhados por Cândido Portinari. Interna e externamente, o prédio possui outras obras de arte representativas do modernismo em nosso país como os painéis de azulejos, quadros e murais, também de de Portinari, as esculturas de Bruno Giorgio, Vera Janacopulus e Celso Antônio, além dos jardins na área em torno e no terraço, de autoria do paisagista Roberto Burle Marx.

Fonte Original do texto: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do;jsessionid=356290FF69D3942EB0D2185085E0D1BF?id=16458&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Museu do Café - Santos - SP

Inaugurada em 1922 para centralizar, organizar e controlar as operações do mercado cafeeiro, na época a principal fonte de riqueza do país, a Bolsa Oficial de Café, em Santos, traduzia-se como arquitetura típica do ecletismo que caracterizou as mais importantes obras do período. Estilo e volumetria empregados ofereceram resposta compatível à monumentalidade almejada pelos idealizadores, que, durante sua construção, não pouparam esforços nem recursos para aquisição de materiais de acabamento de alta qualidade. Cúpulas de cobre, grandes figuras escultóricas, vitrais, mosaicos de mármore, robustas colunatas de granito são expressões de riqueza e prosperidade do ciclo cafeeiro no país e, ao mesmo tempo, representam a materialidade do desejo de converter o edifício da Bolsa no "Palácio do Porto de Santos"

Nos dias atuais, a imponência arquitetônica da edificação ainda repercute admiração no cidadão que transita pelo centro. Apesar do adensamento urbano ocorrido na região nas últimas décadas, a Bolsa se mantém como o edifício mais suntuoso e emblemático da Baixada Santista. A elevada torre do relógio, com mais de 40 metros de altura, se impõe, à frente do porto, como importante referência paisagística e temporal da cidade.

Caráter simbólico e expressão arquitetônica são atributos solicitados a uma edificação dessa natureza, inerentes desde a vocação - local de concentração dos negócios cafeeiros do país - à concepção final da obra. Necessidade e responsabilidade que talvez expliquem as mudanças sucessivas do projeto, três ao todo, que objetivaram aprimoramentos necessários até alcançar o escopo almejado. Preocupações que sensibilizaram a Câmara Municipal de Santos, que suspendeu as limitações legais impostas pelo Código de edificações vigente para permitir obter resultados formais e estéticos satisfatórios.

No dia 12 de março de 2009,o Palácio da Bolsa Oficial de Café foi oficialmente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O edifício da Bolsa Oficial de Café passou por restauração, concluída em 1998, realizada com muita competência pelo Governo do Estado de São Paulo, tornou o prédio um monumento de grandiosa imponência histórica, oferecendo instalações muito adequadas para o funcionamento do Museu do Café, dentro de uma concepção moderna e versátil. No mesmo ano foi concedido à Associação dos Amigos dos Cafés do Brasil, através do Decreto Estadual n° 43.389, de 18 de agosto de 1998, a Permissão de Uso, com o propósito bem definido de ser instituído o Museu do Café.

Aprovado o projeto do Museu pelo Departamento de Museus do Estado de São Paulo pelo Ofício DT/DEMA nº 328/2000, foi instalado no térreo e primeiro pavimento, que tinha como pretensão apresentar aos visitantes a memória do comércio de café que ocorreu na Cidade desde o século XIX repercutindo nacionalmente.

A partir desta aprovação, a primeira iniciativa implementada foi a Cafeteria que se tornou a principal atração turística do centro histórico santista. Em 22 de julho deste ano, retomou-se as exposições de longa duração e temporárias, a mostra do acervo, ainda em captação, Centro de Preparação de Café, e ainda, foi inaugurada uma sala de vídeo onde os visitantes assistem filmes sobre café.

Fonte original do texto e site do museu: http://museudocafe.org.br/index.asp

Cidade de Monte Santo - Bahia

Em outubro de 1775, o Capuchinho Frei Apolônio de Todd se encontrava na Aldeia Indígena de Massacará (hoje situada no Município de Euclides da Cunha) foi convidado pelo Fazendeiro Francisco da Costa Torres, para realizar uma Missão na Fazenda Lagoa da Onça, ali chegando deparou com uma grande Seca e devido à escassez de água no local, não realizou a Missão, decidiu seguir para o logradouro de gado denominado Piquaraçá, onde existia um "Olho d” água em abundância conhecido atualmente como "Fonte da Mangueira", localizado no sopé da serra. Frei Apolônio ao apreciar a serra ficou impressionado com a semelhança com o Monte Calvário de Jerusalém e convidou os fiéis que o acompanhava para transformar o Monte em um “Sacro-Monte”, marcando seu dorso com os passos da Paixão, Mandou tirar madeiras e armar uma capelinha para a Missão, ordenou que fizessem Cruzes para a Procissão rumo ao pico do monte.

A cada parada fincavam as cruzes com espaços regulares na seguinte ordem: A primeira dedicada às almas, as sete seguintes representando as dores de Nossa Senhora e as quatorze restantes lembrando o sofrimento de Jesus em sua caminhada para o Monte calvário em Jerusalém. Contam que quando os fiéis subiam ao monte um forte furacão surgiu e o Frei pediu que invocassem o Senhor Jesus e o furacão cessou, Adiante apareceu um forte Arco-íris que pairava onde estavam as cruzes de madeira, como se quisesse dizer que ali deveriam ser construídas as Capelas e parou onde deveria ser construída a Capela maior, a de Santa Cruz. Isso era 31 de Outubro para 1º de novembro de 1775 e o frei pediu que aquele local não mais fosse chamado de Serra do Piquaraçá, assim chamado devido uma planta nativa, e em abundância "Araçá", mas que passassem a chamá-lo de Monte Santo, e partiu pedindo a todos que construíssem capelas e visitassem sempre as santas cruzes.

E assim os fies construíram as capelas, as menores e a de tamanho médio, a do Senhor dos Passos, a de Nossa Senhora das Dores e, sendo a maior no final do trajeto de aproximadamente 04 km da sede, a capela de Santa Cruz onde ficam as Imagens de Nosso Senhor Morto, Nossa Senhora da Soledade e São João Evangelista. Em 1790, devido à grande romaria e ainda o santuário não estava totalmente construído, o local foi elevado à Categoria de Freguesia por Decreto de Lisboa, recebendo o nome de Santíssimo Coração de Jesus de Nossa Senhora da Conceição de Monte Santo, sendo nomeado o seu primeiro pároco o Padre Antônio Pio de Carvalho.

Em 1794, foi criado o Distrito de Paz de Monte Santo, pertencente ao Termo da Vila de Itapicurú de Cima. Em 21 de março de 1837, por força da Lei provincial nº 51, foi o Povoado elevado à categoria de Vila, que criou também o Município, ocorrendo a inauguração em 15 de agosto do mesmo ano. O Município recebeu o nome de Coração de Jesus de Monte Santo, sendo seu primeiro prefeito o Padre José Vítor Barberino.

Em 28 de junho de 1850, o Distrito de Paz foi elevado à categoria de Comarca, pela Lei provincial nº 395, sendo seu primeiro Juiz de Direito o Bel. Boaventura Augusto Magalhães Taques. Em 25 de julho de 1929, a Vila foi elevada à Cidade, pela Lei Estadual nº 2.192, voltando a receber o nome de Monte Santo.
A fama do Local sagrado percorreu todo o Sertão, todo o Brasil e até no exterior. Peregrinos de toda parte visitam o Santuário para pagarem promessas e pedirem graças. Subir o Monte é indispensável a todos que visitam Monte Santo, ladeira íngreme, construída de pedras, ladeada por balaustres, Ao longo do caminho, de quase 4 km, encontram-se 23 capelas, sendo que suas alvenarias chamam atenção por representar os quadros da Via Sacra de Cristo. A 500 metros acima do nível do mar, A paisagem do alto do monte é belíssima. Dá para avistar toda a cidade, os vales e montanhas que circundam o município. À medida que o visitante vai subindo a serra, o clima vai ficando mais ameno e a brisa no rosto provoca uma sensação de bem-estar e prazer, envoltos pela áurea sagrada da localidade.

Peregrinos de todas as partes sobem a serra para pagar promessas, muitas vezes de joelhos e com pedras na cabeça, numa demonstração de fé e abnegação, São inúmeros os relatos das graças alcançadas pelos Romeiros que tendo sua Grande festa na Semana Santa de cada ano, mas recebe milhares de Romeiros na tradicional Festa de Todos os Santos em 31 de outubro para 1º de novembro, também de cada ano. Monte Santo, o seu município foi criado pela Lei de número 51 de 21 de março de 1837, data que tem seu feriado municipal, e, em 25 de julho de 1929, pela Lei estadual nº 2.192 houve a Emancipação. Deste município já foram desmembrados os municípios de Cansanção, Euclides da Cunha e Uauá; Atualmente possui uma área territorial de 3.285,41Km², Coordenadas geográficas: -39º19"58,80"" Longitude e -10º26"16,80"" Latitude; Localizado na Grande região Geográfica baiana (Nordeste), possuindo o Código no IBGE: 292100; Atualmente possui 56.938 habitantes.

Texto transcrito do Site: http://www.montesanto.net/index.php

Monte Santo teve importância estratégica na Guerra de Canudos, servindo como base de operações do Exército contra Canudos, em 1893, sendo escolhida por ser um local privilegiado e por conter uma nascente de água, usada para matar a sede dos soldados. Monte Santo abrigou também por diversas vezes, o bando de cangaceiros de Lampião, que costumava se alojar próximo da Serra do Acaru. Em umas de suas aparições encontrou-se com o padre Francisco César Berenguer, pároco de Monte Santo, o sacerdote, que se encontrou com Lampião em Euclides da Cunha, teve de contar com a ajuda de colegas para escapar da morte. O cangaceiro pediu que o padre lhe cedesse o Ford de sua propriedade para transportar o bando até a vizinha cidade de Tucano. Nas proximidades de Algodões, Berenguer simulou um problema mecânico no carro. Os oito cangaceiros acabaram passando para um caminhão de propriedade do também padre José Eutímio. Dias depois, Lampião ficou sabendo que o padre Berenguer estava se gabando de tê-lo ludibriado. Sem perda de tempo, fez chegar ao sacerdote a seguinte ameaça: “padre Berenguer, no dia em que a gente se encontrar, vou ensinar o senhor a enganar Lampião”. Graças à intervenção do também religioso Zacarias Matogrosso, o sacerdote escapou da vingança terrível do líder cangaceiro.

Na cidade nasceu Gereba, músico que realizou importantes projetos para a música brasileira como instrumentista, compositor, arranjador e produtor cultural. Seu primeiro disco solo é de 1973, "Gereba - Bendegó". Em 1976 lançou junto ao grupo Bendegó, "Onde o olhar não mira". Com o mesmo grupo, lançou mais três discos: "Bendegó", de 1979, "Bendegó 2", de 1981 e "La Nave Vá", de 1986. Em 1985 lançou disco solo "Te Esperei". Vários outros discos vieram, entre eles, "Cantando com a platéia - Tom Zé e Gereba", de 1990; "Gereba convida" com Cássia Eller, Na Ozzetti, Vânia Bastos e outros, de 1993, "Serenata na Umes Gereba convida" coletânea de 6 CDs gravados ao vivo com grandes interpretes de Silvio Caldas a Arrigo Barnabé, de 1997, "Canudos", (homenagem ao centenário de Canudos); de 1997 "Forró da baronesa", de 2000; "Canções que vêm do sol", de 2001 e "Sertão", de 2002 (homenagem ao centenário da obra de Euclydes da Cunha), no qual contou com a participação de Dominguinhos, Orquestra Sinfônica de Natal e Júlio Medaglia, como arranjador.

Monte Santo é famoso também por abrigar o local onde foi encontrado o meteorito mais famoso do Brasil, o Meteorito de Bendegó, hoje em exposição no Museu Nacional do Rio de Janeiro. O referido meteorito foi encontrado em 1874 por Joaquim Bernardino da Mota Botelho, no interior do Estado da Bahia. O ponto de queda está localizado a 48 quilômetros da cidade de Monte Santo e a 180 metros do riacho Bendegó, que daria nome ao meteorito. Tanto o riacho quanto o rio que ele deságua, o Vaza Barris, ficariam conhecidos no futuro. Menos pela queda do meteorito e mais pelos acontecimentos envolvendo Canudos, na resistência montada por Antônio Conselheiro e narrada por Euclides da Cunha no clássico "Os Sertões". O Meteorito Bendegó possui forma irregular, com os seguintes valores aproximados: 2,15 metros de comprimento, 1,5 metros de largura e 58 centímetros de altura. Sua massa foi calculada em 5360 kg, constituída basicamente de ferro (92,70%) e níquel (6,52%), contendo ainda traços menores de outros elementos químicos. Essa composição permite classificá-lo no grupo dos "sideritos", i.e., meteoritos com aproximadamente 90% de ferro e níquel.

Fonte do texto e imagens: http://www.montesanto.net/index.php


Vista Aérea de Monte Santo


Vista Aérea da Praça Central


Vista da Praça Central


Igreja


Romaria ao Morro da Santa Cruz