sexta-feira, 17 de julho de 2015

Achados preciosos reforçam valor cultural da Catedral Basílica de Salvador (BA)

Monumento do Século XVII é considerado como a mais importante construção sacra do Brasil colonial


Um rico acervo e 13 crânios humanos são, até agora, as grandes surpresas para a equipe de profissionais que estão, desde o início deste ano, atuando nas obras de restauração da Catedral Basílica de Salvador (BA). As ossadas foram encontradas quando o retábulo da capela de Santo Inácio de Loyola foi aberto por um mestre de obras. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável por todo o trabalho, que é faz parte do PAC Cidades Históricas. O investimento é de R$ 12 milhões e a previsão de execução é de 18 meses. A licitação, na modalidade de Regime Diferenciado de Contratação Presencial, foi realizada pelo Iphan-BA em dezembro de 2014, para contratar empresa especializada em obras de restauração.
A intervenção na Catedral Basílica contempla a execução de obras de restauro dos bens integrados e das imagens de Arte Sacra, guardadas no interior da igreja, além de requalificar os espaços internos. Também estão sendo realizados serviços para assegurar a conservação do monumento, a exemplo reparos gerais na cobertura, instalações elétricas, impermeabilizações e tratamentos, pintura. Com a realização dessas obras, que revitalizaram a estrutura do templo, foi possível dar início à recuperação das esculturas e pinturas.

Além de crânios, à medida em que o trabalho dos restauradores avança, a riqueza do acervo também se revela e emociona a equipe. O processo de recuperação inclui a investigação de quantas camadas de tinta as obras levaram em restaurações anteriores, até chegar às cores originais. Por cima das peças primitivas, os técnicos já encontram argamassa nos mármores e até purpurina em áreas revestidas de ouro. A cada camada que é retirada, surgem quadros com imagens de santos jesuítas escurecidos pelo tempo. Técnicas modernas são aplicadas também nos azulejos da igreja, fabricados em oficinas de Lisboa. Especialistas estão removendo as peças, com todo o cuidado necessário para evitar danos maiores, garantindo, assim, a restauração de cada uma delas. Para o restauro dos bens móveis e integrados, produtos químicos chegam de São Paulo; folhas de ouro de 23 quilates são importadas de Florença, na Itália, para recobrir a igreja; madeira e resina estão sendo aplicadas nos locais onde há massa corrida. 
As esculturas, muitas atacadas por cupins, recebem tratamento especial. Nos fundos do altar mor, onde funcionava uma biblioteca dos jesuítas, foi implantado um atelier para o tratamento individual das peças sacras. O supervisor dos trabalhos é um dos mais conceituados profissionais do país, o restaurador e professor mineiro Antonio Fernando dos Santos, contratado pela Marsou Engenharia, vencedora da licitação realizada pelo Iphan. 
Conhecido como Toninho, ele é responsável pela recuperação dos profetas esculpidos por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, no adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (MG), e dos painéis de Cândido Portinari que adornam a Igreja São Francisco de Assis, cartão-postal modernista da Pampulha, em Belo Horizonte (MG). Também faz parte do seu currículo o resgate da imagem de Nossa Senhora das Mercês, de autoria de Aleijadinho, desaparecida de Ouro Preto (MG) desde 1962. 
Toninho é graduado em Comunicação Visual pela Universidade Mineira de Arte, especialista em Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis pela UFMG e em Arte e Cultura Barroca pela Ufop, mestre em Artes Visuais com concentração em Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis pela UFMG/Cecor e doutor em Artes Visuais – Conservação e Restauração do Patrimônio Histórico-artístico pela Universidade Politécnica de Valencia (Espanha). Foi restaurador do Iphan e professor do Curso de Design da Universidade Fumec.
Intervenções
Restauração das capelas: Capela-mor; altares de Nossa Senhora das Dores, Santíssimo Sacramento, Santo Inácio de Loyola (Evangelho), São Pedro (nave/Evangelho), Santana Mestra, Santos Mártires, São Francisco de Borja, N. Senhora da Conceição, Santa Úrsula, Virgens Mártires, São José, São Francisco Xavier (epístola).
Restauração das imagens: do Cristo Crucificado, Sagrado Coração de Jesus, N. Senhora das Dores, Senhor Morto, Santo Inácio de Loyola, São Luiz Gonzaga, São Stanislau Kotska, São Francisco Xavier, Santos Jesuítas, Santo Antônio, São Pedro, São José / lírio - resplendor, Santana Mestra com resplendor,  São Francisco de Borja, Nossa Senhora da Conceição, Sagrada Família (séc. XIX),  Santa Úrsula; bustos das Virgens Mártires e de São Francisco de Regis.
A Catedral Basílica de Salvador
Construída entre 1652 e 1672, o monumento é parte do desaparecido Convento e Escola dos Jesuítas, o maior e mais importante do Brasil colonial. Por todo o seu acervo artístico e sua monumentalidade, é considerada, por vários especialistas, como a mais importante construção sacra do Brasil colonial. Foi individualmente tombada pelo Iphan em 25 de maio de 1938 e o tombamento inclui todo o seu acervo, um dos mais valiosos do Brasil. 
No templo há 13 altares, sendo os dois primeiros construídos em estilo renascentista maneirista, de 1650. O altar mor é de 1670. O projeto arquitetônico é do irmão Francisco Dias, que chegou a Salvador em 1577. A fachada é toda em pedras de lioz, importadas de Portugal. Nos nichos sobre as portas estão as imagens de três santos jesuítas: Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier e São Francisco de Borja. Abriga peças do mobiliário do século XVI. A sacristia tem piso e altares em mármores coloridos, telas de diversos autores seiscentistas, móveis em jacarandá, com encartes em madrepérola e objetos sacros em ouro e prata. Com a saída dos jesuítas do Brasil a igreja foi abandonada. O convento foi utilizado como hospital militar, e em 1808, como Escola de Medicina, a primeira do Brasil.
A atual Catedral é a quarta igreja e último remanescente do conjunto arquitetônico do Colégio de Jesus. Sua planta é típica das igrejas luso-brasileiras, construída sob projeto do irmão Francisco Dias, chegado à Bahia em 1577 para construir o Colégio. Segundo o projeto, a igreja estaria no eixo do conjunto, ladeada por dois corpos que se organizariam a partir de um pátio.
A planta da Catedral apresenta um transepto inscrito no retângulo da edificação e capelas laterais interligadas com tribunas superpostas. A capela-mor é ladeada por duas capelas e corredores que dão acesso à sacristia transversal. Sua fachada, em lioz, procura conciliar o tradicional modelo português, com duas torres e a nova fachada jesuítica com volutas e sem torres.
Destacam-se no seu interior, a sacristia, os retábulos de diferentes períodos nas capelas e o forro em caixotão da nave. Quanto ao antigo colégio, um dos pátios foi destruído pelo fogo em 1801, instalando-se em 1808, o Real Hospital na ala que restara. Novo incêndio, em 1905, consumiu o edifício que foi reerguido em estilo eclético para abrigar a Faculdade de Medicina da Bahia, a primeira do país, aí instalada desde 1833.
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Governo do Estado vai restaurar prédio histórico de Ponta Porã (MS)

Local foi usado como base do Governo Federal na década de 40 e é importante para história e cultura do município.
Um prédio histórico conhecido como Castelinho, em Ponta Porã será restaurado pelo governo de Mato Grosso do Sul. O local foi usado como base do Governo Federal na década de 40 e estava abandonado, com o mato tomando conta do lugar, facilitando o aparecimento de animais peçonhentos e servindo de abrigo para vândalos.
Segundo assessoria da Secretaria de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação de MS (Sectei), o acordo firmado essa semana, entre a Sectei, a Prefeitura de Ponta Porã e a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) pôs fim a um problema que já se arrastava desde 2013, quando o Ministério Público, diante das inúmeras reclamações da população, instaurou um inquérito civil para apurar de quem era a responsabilidade sobre o prédio, tombado pelo município e pelo Estado em 2008. Na época chegou a ser feito um Plano de Trabalho, pela Fundação de Turismo e Fundação de Cultura, mas não foi realizado por falta de recursos.
O acordo foi assinado pelo secretário da Sectei, Athayde Nery, com a Prefeitura de Ponta Porã, a Agesul e a Procuradoria Geral do Estado, e prevê de imediato o escoramento e a colocação de tapumes no local pela Agesul e Prefeitura de Ponta Porã, e a limpeza e manutenção sob a responsabilidade do município, Agesul e Secretaria de Justiça do Estado. Até julho de 2016 a Sectei e a Fundação de Cultura devem dar início ao processo de restauração do prédio.
Para o secretário de cultura, turismo, empreendedorismo e inovação, Athayde Nery. “Esse foi um grande passo, uma vez que extinguimos uma ação que se arrastava e que podia prejudicar o Estado como um todo já que previa até mesmo o bloqueio das contas da administração estadual”, disse. O secretário ressaltou ainda que é importante destacar o envolvimento de todos os entes federados envolvidos, dividindo a responsabilidade e o compromisso daqui pra frente em recuperar um patrimônio de tamanha importância.
Toda a obra de restauro vai ser realizada com recursos do poder público (Município, Estado e Federação) e da iniciativa privada. “A orientação do Governador do Estado, Reinaldo Azambuja, é buscar recursos privados através de parcerias”, informou Athayde.
Prédio histórico
O Castelinho é palco importante da cultura e da história de Ponta Porã e de Mato Grosso do Sul. Foi projetado na década de 1920 para ser utilizado como base governamental na fronteira e sua construção durou quatro anos (1926 a 1930). Foi erguido próximo à antiga estação Noroeste do Brasil com recursos federais e contribuições sólidas da Companhia Matte Larangeira.
Entre os anos de 1943 e 1946 o prédio serviu de sede do governo do Território de Ponta Porã, criado no governo do então Presidente Getúlio Vargas quando o mesmo instituiu a política de Território Federal no Brasil, sendo o governador o militar Ramiro Noronha. No fim dos anos 1940 o local passou a abrigar a cadeia pública e por décadas seguidas quartel do 4ª Companhia Independente da Polícia Militar. Já no final da década de 1990 a corporação foi transferida e instalada em novo prédio em Ponta Porã. Desde então o Castelinho ficou sem função.
Por Elizângela Lemes
Fonte original da notícia: Capital News
Divulgação

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Clarice Lispector ganhará escultura no Leme, bairro em que viveu no Rio

A escritora Clarice Lispector vai ganhar uma escultura no Leme, na zona sul do Rio, bairro em que viveu durante 12 anos, feita pelo artista Edgar Duvivier.

A novidade foi anunciada no Instagram pelo filho do escultor, o ator Gregório Duvivier, que postou uma maquete da obra, que terá tamanho real. Clarice será representada ao lado de seu cachorro de estimação Ulisses.

Nascida na Ucrânia, a escritora morou no bairro carioca de 1965 até sua morte, em 1977, na rua Gustavo Sampaio. Durante a carreira, escreveu várias crônicas citando o local, vizinho a Copabacana.
No ano passado, um grupo de artistas, encabeado pela biógrafa Teresa Montero e as atrizes Beth Goulart e Zezé Mota, promoveu um abaixo-assinado para que a estátua da autora de "A Hora da Estrela" fosse erguida no bairro.








Maquete da futura escultura da escritora Clarice Lispector, que será inaugurada no Leme

sábado, 4 de julho de 2015

Primeiro Registro de Imóveis de Porto Alegre comemora 150 anos

Livro comemorativo traz curiosidades sobre patrimônio imobiliário da Capital

O que se vendeu ou comprou em imóveis, os limites que demarcaram terrenos e até a alforria de escravos nos vergonhosos tempos da escravidão. Parte disso está registrada nos livros do primeiro Registro de Imóveis de Porto Alegre, que completa neste domingo 150 anos. A um cartório em festa, nada mais apropriado do que fazer o registro da celebração em um livro. 
A obra Do Manuscrito ao Registro Eletrônico: 150 Anos do Registro de Imóveis de Porto Alegre, organizada pela arquiteta urbanista Juliana Erten, vasculha os arquivos e traz à tona curiosidades e raridades da história da Capital. 
Entre os achados mais curiosos, está a carta de alforria de um escravo de nove anos. O documento assegurava oficialmente a liberdade, mas precisava ser formalizado diante de um tabelião da época. Então, registrou-se que em 14 de setembro de 1872, Henrique de Azevedo Pires concedeu ao escravo Vermenigildo a liberdade, ato que poderia ser revogado "em caso de ingratidão do liberto contra seu antigo proprietário".
– Foi uma infeliz descoberta que comprova que os escravos eram tratados como imóveis – conta Juliana.
Outra descoberta da pesquisa capitaneada pela arquiteta, nascida em uma família de cartorários e especialista em Patrimônio Cultural, foi o registro de compra e venda do terreno onde está o monumento funerário ao senador José Gomes Pinheiro Machado. O Governo do Estado comprou a área no Cemitério da Santa Casa por escritura pública lavrada em 16 de dezembro de 1916. A obra, dividida em sete capítulo, também retoma dados e plantas antigas que expõem a evolução urbana da Capital.
– Há informações muito interessantes sobre o começo de Porto Alegre, sobre os loteamentos que deram origem à cidade e o nascimento dos bairros, muito estimulado pelo transporte coletivo – diz Sérgio da Costa Franco, historiador que assina o prefácio da obra.
– O primeiro registro de imóveis realmente é um depositário da história de Porto Alegre. Gostaria de ter me aprofundado mais, mas comecei a pesquisa em fevereiro. Foi realmente uma corrida contra o tempo – pondera Juliana.
SERVIÇO
Livro "Do Manuscrito ao Registro Eletrônico: 150 anos do Registro de Imóveis de Porto Alegre"

Lançamento para convidados: sábado, às 18h, no Palácio da Justiça do RS (Praça Marechal Deodoro, 55, em Porto Alegre)
A obra não será vendida. Uma versão do livro em pdf estará disponível gratuitamente para download a partir de 6 de julho, em registrodeimoveis1zona.com.br
A versão física do livro será distribuída entre entidades jurídicas, cartoriais, bibliotecas públicas e bibliotecas de faculdades de Direito do Rio Grande do Sul, entre outras entre julho e agosto.












Foto: Reprodução / Reproduçção

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Plano de Gestão para o Rio de Janeiro é aprovado pelo Comitê do Patrimônio Mundial

39° Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial que acontece em Bonn (Alemanha), até o próximo dia 06 de julho, aprovou oPlano de Gestão para o Rio de Janeiro apresentado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em março de 2014. Em decisão, o Comitê do Patrimônio Mundial (UNESCO) notificou que as solicitações foram plenamente atendidas pelo Brasil com respeito ao sítio do Rio de Janeiro.
A partir de agora, a cidade não precisa mais passar pelo monitoramento reativo, que é feito pela UNESCO regularmente. No monitoramento, os consultores avaliam o andamento de projetos pendentes e verificam condições que possam ameaçar o valor universal excepcional, a integridade e autenticidade do sítio, conceitos adotados pela Convenção do Patrimônio Mundial. Com a decisão, o Rio de Janeiro  apresentará periodicamente um relatório detalhado de progresso do estado de conservação e um breve sumário do progresso obtido na proteção do sitio.
Plano de Gestão do Sítio Rio Patrimônio MundialRio de Janeiro – Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar, regerá as ações realizadas na área delimitada como sítio patrimônio mundial e reconhecida pela Unesco, compreendendo todos os seus elementos e a zona de amortecimento. Baseia-se em estratégias de sustentabilidade cultural e ambiental da paisagem global, promovendo a participação da sociedade para a importância da valorização, conservação e preservação desse patrimônio como uma referência  da cultura e da memória que fundamentam a identidade carioca, fluminense e brasileira.
A aplicação dos instrumentos na gestão integrada, envolve as três esferas governamentais (municipal, estadual e federal), os parceiros privados e a sociedade. As medidas da gestão compartilhadas são estruturadas em quatro dimensões: institucional, normativa, técnico-operacional e econômico-financeira. A partir da definição da unidade territorial que inclui todos os elementos do sítio, está sendo estabelecida a estrutura de gestão compartilhada, formada por uma Comissão Gestora, uma Secretaria Executiva e pelo Conselho Consultivo.
Nas dimensões normativa e técnica-operacional, a gestão compartilhada instituirá as novas normas para a proteção e gestão do Sítio, compatibilizando-as com a legislação existente. Na dimensão econômico-financeira, será criado o Fundo de Conservação do Sítio Rio Patrimônio Mundial.  A coordenação será feita pelas agências federais do patrimônio cultural e ambiental: o Iphan - com a colaboração do Ministério do Meio Ambiente através do Instituto Chico Mendes.
O Plano, apresentado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, desenvolvido em conjunto com diferentes agentes da sociedade carioca e brasileira, pretende ser um passo para a construção de espaços mais democráticos de prática do desenvolvimento sustentável a partir do Patrimônio Mundial, contribuindo para uma transformação das noções de patrimônio condizentes com os desafios das primeiras décadas do século XXI. As reuniões do Comitê Gestor ocorrerão trimestralmente, e as dos subcomitês, sempre que for necessário.
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sábado, 20 de junho de 2015

Congresso internacional em Porto Alegre debate os efeitos dos ventos nas cidades

Profissionais da engenharia do vento estudam como evitar que as rajadas danifiquem prédios, estádios e veículos, colocando em risco a segurança

Por: Guilherme Justino
20/06/2015 - 04h02min


Para além da energia eólica, das marés e da previsão do tempo, a força dos ventos é um aspecto fundamental no planejamento de qualquer cidade. Seus efeitos têm influência no desenho de prédios, na estabilidade de pontes, na eficiência dos aviões, em aplicações que vão da construção civil ao esporte. Os ventos, afinal, são capazes de moldar estruturas — e estudá-los é garantia de segurança.
Esse é um trabalho para a engenharia dos ventos: um tema que, a partir de domingo, traz especialistas internacionais para Porto Alegre. Até a próxima sexta-feira, cerca de 500 conferencistas de 33 países participarão da 14ª edição do Congresso Internacional de Engenharia do Vento (ICWE, na sigla em inglês), que pela primeira vez será realizado na América do Sul. O evento vai tratar de assuntos como aerodinâmica, meteorologia, poluição e até bem-estar.
— Considerando-se as modernas estruturas sujeitas aos ventos, a estabilidade raramente é um problema. Evoluímos muito nesse sentido. O que preocupa mais atualmente é o movimento induzido pelo vento, algo crítico em prédios mais altos, por exemplo, que tornam o conforto um desafio — explica Chris Letchford, professor do Instituto Politécnico Rensselaer, no Estado de Nova York (EUA), que será um dos palestrantes.
O desafio em arranha-céus, por exemplo, está em manter a solidez em cada andar — nada de balançar por conta de uma ventania mais forte. A temperatura interna também não pode ser diferente da base ao topo, ainda que o exterior vá esfriando conforme se chega mais alto. No solo, busca-se evitar pontos onde a confluência de ventos faça chapéus voarem, priorizando o bem-estar dos pedestres.
A intensidade dos ventos é algo que varia dependendo da região. Em geral, quanto mais perto dos extremos, maior sua força — e as construções precisam ser projetadas de acordo. Determinar o impacto dessas rajadas nas estruturas é um trabalho feito em laboratório, no chamado "túnel de vento".
Um dos poucos disponíveis no país está localizado no Laboratório de Aerodinâmica das Construções (LAC) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que identificou problemas e orientou mudanças em projetos como a Arena do Grêmio e a reforma do Beira-Rio. No primeiro, a cobertura foi trocada para que não carregasse tanto vento; no segundo, a preocupação foi com o deslocamento estrutural da cobertura, que acabou modificada.
— A principal preocupação da engenharia dos ventos é com a segurança. Qualquer vidro estilhaçado ou cabo que solte pode comprometer uma vida, e trabalhamos para evitar esse risco — diz Acir Mércio Loredo-Souza, diretor do laboratório e presidente da Associação Brasileira de Engenharia do Vento.
* Zero Hora
No link abaixo, vídeo  de como os ventos afetam estruturas como a Arena e o Beira-Rio e infográfico sobre o efeito do vento nas cidades.





Impacto da construção ao esporte: cidade fictícia reúne diferentes estruturas que são estudadas na engenharia do ventoFoto: Editoria de arte

terça-feira, 16 de junho de 2015

Prefeitura de Ouro Preto é proibida de asfaltar ruas em áreas tombadas

A medida de suspensão das obras valerá pelo menos até o julgamento final da ação, quando a Justiça decidirá se a proibição de asfaltar as vias na área tombada será definitiva

A Justiça proibiu a prefeitura de Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, de asfaltar vias públicas calçadas artesanalmente com pedras dentro do perímetro tombado do município histórico. A decisão é do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que, em grau de recurso, deferiu uma liminar do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para suspender as atividades de capeamento. 

A possibilidade de as obras causarem danos de difícil reparação foi apontada pelo MP em uma ação civil pública. Segundo a instituição, esse tipo de pavimentação é danosa, mutiladora, incompatível com as ruas da cidade e capaz de descaracterizar o conjunto urbano de Ouro Preto. 

A medida de suspensão das obras valerá pelo menos até o julgamento final da ação, quando a Justiça decidirá se a proibição de asfaltar as vias na área tombada será definitiva. Além disso, o Ministério também requer a remoção do capeamento já implantado na Rua Engenheiro Corrêa e a adoção de medidas de acessibilidade no local. 

De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais, caaso a Justiça dê provimento aos pedidos do MP, o município de Ouro Preto também terá que realizar estudos arqueológicos nas proximidades do Museu Casa dos Inconfidentes para verificar a existência de vestígios das antigas trilhas que levavam ao imóvel, analisando a possibilidade de reativar o antigo acesso ao local. 

O Ministério Público ainda pede que o município e o prefeito de Ouro Preto sejam condenados ao pagamento pelos danos materiais coletivos, estimados em R$ 200 mil. O prefeito ainda poderá ter que arcar com multa referente a valores usados para a colocação e a retirada do asfalto na rua Engenheiro Corrêa. 

Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura de Ouro Preto, o procurador do município, Kleyton Pereira, informou que a prefeitura foi notificada na segunda-feira sobre a decisão, que será estudada para a elaboração de um parecer.



















Prefeitura não poderá colocar asfalto sobre ruas com calçamento de pedra no perímetro tombado

Projetos de Portugal, Espanha e Itália vencem o Prêmio Europeu de Intervenção em Patrimônio Arquitetônico 2015

Após analisar mais de 200 inscrições de 25 países e eleger 14 obras finalistas, o júri finalmente selecionou os projetos vencedores da segunda edição do Prêmio Europeu de Intervenção em Patrimônio Arquitetônico AADIPA 2015: uma residência em Portugal, uma biblioteca na Espanha e um masterplan na Itália estão entre os trabalhos premiados.
O trabalho do escritório português SAMI-arquitectos na Casa E/C e da firma espanholaParedes Pedrosa Arquitectos no projeto da Biblioteca Pública do Estado de Ceuta foi reconhecido pelo júri do prêmio internacional - organizado pelo COAC (Colegio Oficial de Arquitectos de Cataluña) e pela AADIPA (Associação de Arquitetos para a Defesa e Intervenção no Patrimônio Arquitetônico) - que busca "se consolidar como catalisador e observatório dos novos desafios trazidos pela globalização da arquitetura contemporânea na conservação e intervenção do patrimônio construído."
Veja, a seguir, os projetos vencedores.
A segunda edição do Prêmio Europeu de Intervenção em Patrimônio Arquitetônico AADIPAfoi dirigida por Ramón Calonge, Oriol Cusidó, Marc Manzano e Jordi Portal.
Categoria: Intervenção no patrimônio construído
Prêmio: Primeiro Lugar (ex aequo)
Obra: Biblioteca Pública del Estado de Ceuta
Arquitetos: Paredes Pedrosa Arquitectos (Espanha)

Do júri: "Uma intervenção capaz de valorizar o patrimônio, estabelecendo uma perfeita convivência com um programa público contemporâneo, e construir um novo lugar onde a dualidade interior-exterior se mantém no tempo."
Categoria: Intervenção no patrimônio construído
Prêmio: Primeiro Lugar (ex aequo)
Obra: Casa E/C
Arquitetos: SAMI-arquitectos (Portugal)

Do júri: "Estabelece um intenso diálogo entre momentos diferentes, reHabita (sic) uma antiga ruína com materiais que evoluem em sincronia com o tempo e reativa a condição de lugar em relação à paisagem."
Categoria: Espaços externos
Prêmio: Primeiro Lugar
Obra: Intervenção no entorno do monastério de Caaveiro
Arquitetos: Isabel Aguirre Urcola e Celestino García Braña (Espanha)

Do júri: "Intervenção que com uma economia de recursos consegue a máxima integração com o sítio. Trata-se de uma renúncia em favor da expressividade do lugar. Em um mundo globalizado, essa obra representa uma manifesto em defesa da recuperação da identidade, da memória e da natureza."
Categoria: Planejamento
Prêmio: Primeiro Lugar
Obra: Masterplan para Monza, Itália
Arquitetos: Ubistudio (Itália)

Do júri: "Fácil compreensão tanto do processo de análise como das propostas para promover novos usos e atividades através do reconhecimento de sua própria paisagem, assim como de sua capacidade de síntese que utiliza uma representação gráfica precisa e esclarecedora."
Categoria: Divulgação
Prêmio: Primeiro Lugar
Publicação: Almeida/Ciudad Rodrigo – A fortificaçao da Raia Central
Arquitetos: Fernando Cobos (Espanha) e Joâo Campos (Portugal)

Do júri: "Um trabalho merecedor do Prêmio por sua forma inovadora de enfocar o conhecimento dos sistemas territoriais e patrimoniais das fortificações da "faixa" luso-espanhola central e pela rica documentação histórica e cartográfica da análise comparativa entre as cidades de Almeida (Portugal) e Ciudad Rodrigo (Espanha)".
Mais informações sobre o prêmio aqui.
Fonte:Valencia, Nicolás. "Projetos de Portugal, Espanha e Itália vencem o Prêmio Europeu de Intervenção em Patrimônio Arquitetônico 2015" [España, Portugal e Italia, ganadores del Premio Europeo de Intervención en Patrimonio Arquitectónico 2015] 16 Jun 2015. ArchDaily Brasil. (Trad. Romullo Baratto) Acessado 16 Jun 2015.







Casa E/C / SAMI-arquitectos. Cortesia de AADIPA 2015







Biblioteca Pública del Estado de Ceuta / Paredes Pedrosa Arquitectos. Imagem © Roland Halbe







E/C House / SAMI-arquitectos. © Paulo Catrica








Intervenção no entorno do monastério de Caaveiro / _Isabel Aguirre Urcola e Celestino García Braña (Espanha). Imagem © Roland Halbe





Masterplan para la cidade de Monza / Ubistudio. Imagem © Roland Halbe









"Almeida/Ciudad Rodrigo: A fortificaçao da Raia Central" / Fernando Cobos (Espanha) e Joâo Campos (Portugal). Imagem © Roland Halbe